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23/11/2009 - 00:00

Contaminação Tóxica em Bibliotecas

Outros títulos são adequados para esse post:

Uso de Inseticidas em Livros.

Uso de BHC e DDT em Bibliotecas.

Efeitos da Ignorância nos Acervos Culturais.

Incidência de Câncer em Cartorários.

Todos seriam necessários para atrair a atenção dos administradores de acervos públicos e donos de biblioteca para um problema grave e de conseqüências letais para a saúde.

Fui alertado para a incidência desse problema por Deolinda Taveira, que é APLICAÇÃO INDISCRIMINADA bhcconservadora e restauradora de bens culturais em Goiás. Antes disso, tive uma desagradável experiência comprovada quando restaurava os livros do Registro de Imóveis de Paranaguá, sentindo efeitos de intoxicação ao manusear aquele material. Em outros acervos onde atuei, apenas desconfio que estavam contaminados, pois os efeitos foram mínimos. Por trazer os livros ao atelier, não me exponho ao ambiente geral onde estão armazenados.

Pois Deolinda me convoca para contribuir na solução do dilema de livros contaminados por BHC e DDT, pesticidas largamente usados entres os anos 50 e 70 para combate às pragas na lavoura, na criação animal e até mesmo no ambiente doméstico. Era tido como produto químico salvador e panacéia para todas as pragas. Porém, revelou-se extremamente tóxico e altamente cancerígeno.

Expor-se a ele superficialmente, causa irritação de mucosas, na pele, com dores de cabeça e vômito.

Exposição prolongada causa destruição dos tecidos e câncer.

Deolinda me manda reportagem sobre a Sra. Maria Thereza Böbel, escritora e

Maria Thereza Böbel

Maria Thereza Böbel

historiadora de Santa Catarina, que contraiu câncer ao freqüentar o Arquivo Histórico de Joinvile, onde foi usado BHC e DDT até 1985, para combate às pragas, conforme confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz. Pois essa guerreira valorosa soube sobreviver aos danos à sua saúde, sendo culta o suficiente para denunciar o fato. Dezenas de outros freqüentadores e funcionários sentiram os efeitos do envenenamento, até o fechamento da instituição.

Um trecho da entrevista:

PP – E o Arquivo Histórico, por que fechou?

Maria – Está fechado porque, em setembro de 2002 as moças que trabalham lá passaram mal. O acervo fica na sala de cima, a central de ar estava queimada há muito tempo e não tem servente para fazer a limpeza no local. É um calor terrível lá em cima, tem muito pó. Sem ventilação, as meninas passaram mal e todas apresentaram os mesmos sintomas, como dor de cabeça e vômito. Foram parar no ambulatório da prefeitura e foi constatado intoxicação. Nessa mesma época aconteceu aquele problema no meu exame de sangue, embora eu estivesse afastada porque não estava boa. Foi ai que relacionei a doença ao que estava acontecendo no Arquivo. Com esse fato da intoxicação, surgiu a história de ter veneno lá dentro. Aí meu marido falou: no arquivo tem veneno (BHC). A Vigilância Sanitária lacrou o Arquivo. O laudo do livro mandado para São Paulo constatou que o local está contaminado por BHC e DDT. E os dois são cancerígenos. O médico falou que meu câncer tinha pelo menos quinze anos e eu trabalhei dezoito no Arquivo. O BHC era passado até 1985, para evitar cupim, quando o Arquivo funcionava junto a Biblioteca Pública. Por ordem do antigo diretor, senhor Schneider, um funcionário passava o veneno depois que íamos embora, mas não usava máscara. No outro dia, reclamava de enjôo. O diretor não queria que os livros fossem inutilizados pelos cupins e não tinha idéia do mal que estava fazendo.

Deolinda pesquisa fundo e me manda também a Reportagem de Paulo Bessa,

Paulo Bessa

Paulo Bessa

“Cidade dos Meninos”, leitura obrigatória com informação importante sobre contaminação tóxica, descrevendo a dificuldade para resolver o problema da permanência de BHC, DDT e outros organoclorados em ambientes públicos.

Vou transcrever aqui, pois ele contextualiza perfeitamente o problema, mas o link está disponível na íntegra:

“É um problema silencioso que afeta gente pobre – as maiores vítimas das incúrias ambientais praticadas diariamente neste país. Os casos de contaminação por poluentes orgânicos persistentes dão poucos dividendos na mídia e não rendem fotos espetaculares em primeiras páginas. Falarei da Cidade dos Meninos no município de Duque de Caxias (RJ). Lá ocorreu uma situação típica, pois mistura uma série de ingredientes que, em conjunto, formam uma tragédia ambiental autêntica. Não aquelas que só existem na mente dos apologistas do fim do mundo, dos modernos cavaleiros do apocalipse. Não são danos imaginários, ou danos à Borboleta Monarca. São danos reais, causados a pessoas reais – Fleisch und Blut – que, por serem pobres e sem maiores apelos para os “radicais chiques”, permaneceram inteiramente desprotegidos por cerca de 50 anos. E, como veremos, mesmo quando uma “solução” se avizinha, ela não deixa de trazer a marca da discriminação que os pobres sofrem nesta Terra Brasilis.

O caso demonstra, inclusive, que em termos ambientais a solução de problemas em um determinado momento pode ser o próprio problema em outro, o que ressalta a importância de que novos produtos sejam corretamente avaliados. Até o lançamento do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, os organoclorados eram considerados excelentes produtos para combater pragas e insetos, ajudando na redução de doenças e aumentando a produtividade agrícola. Entre aqueles aplicados no combate às pragas, reinava absoluto o DDT. Hoje, o produto está banido graças à Convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPS) de Estocolmo firmada por 90 países, inclusive o Brasil (1). A ocasião teve como objetivo a proibição de produção e uso de 12 substâncias orgânicas tóxicas (Aldrin, clordano, Mirex, Dieldrin, DDT, dioxinas, furanos, PCBs, Endrin, heptacloro, BHC e toxafeno). No caso da Cidade dos Meninos a contaminação foi devida ao chamado pó de broca.

Guerra na Cidade dos Meninos

A história é a seguinte: entre os anos 1950 e 1962, o Instituto de Malariologia, órgão do então Ministério da Educação e Saúde, operou uma planta industrial para a produção de Hexaclorociclohexano (HCH) e a manipulação de outros compostos organoclorados, como o diclorodifenilcloroetano (DDT) em oito pavilhões pertencentes à Fundação Abrigo Cristo Redentor, na Cidade dos Meninos. A área total é de mais de 19 milhões de metros quadrados. Aqui, cabe uma pausa para que o leitor saiba o porquê da denominação Cidade dos Meninos: tratava-se de um “colégio interno” para crianças pobres, “carentes”, “excluídas” como se diria de uma forma elegante, politicamente correta e à la mode. Como existiam pavilhões desocupados no local, decidiram produzir ali organoclorados. A típica “idéia de jerico”. Algum burocrata da época deve ter achado que seriam diminuídos custos de produção e coisas do gênero. E assim foi feito.

Como a CPMF, as instalações seriam utilizadas “provisoriamente”. O objetivo do governo era atingir a auto-suficiência na produção de pesticidas para controle de endemias transmitidas por vetores – malária, febre amarela e doença de Chagas. Em função de dificuldades econômicas causadas pelo encarecimento dos custos para a fabricação do HCH, a fábrica foi sendo desativada. De acordo com a mentalidade prevalente na época, nenhum procedimento para encerrar seguramente as atividades produtivas foi adotado. Pelo contrário, a produção remanescente permaneceu estocada ao ar livre nas antigas dependências da fábrica, ou seja, no pátio do colégio.

Mas – desgraça pouca é bobagem – como sabem todos os “condenados da terra”. Já que a comunidade local era pobre e desinformada, pegou o produto que estava estocado no pátio da antiga fábrica e começou a vendê-lo para faturar uns trocadinhos. Na década de 80, constatou-se que na feira de Caxias, além de tráfico de animais, existia a venda clandestina de pesticida – a produção de pó de broca que ficara abandonada no pátio do orfanato-fábrica. Quando as autoridades públicas se deram conta da questão, em fins da década de 80, ainda sobravam cerca de 40 toneladas de produto tóxico do local para serem retirados. Como manda a regra e a prática administrativa brasileira, criou-se uma comissão e instaram-se infindáveis debates para saber se a questão era federal, estadual ou municipal. Quase 30 anos já tinham passado.

Reação Sempre Tardia

No ano de 1990, o Ministério Público do Rio de Janeiro, solicitou que o Ministério da Saúde providenciasse a desocupação da área onde se localizava a antiga fábrica. A comunidade local era composta por: menores internos, funcionários da Fundação e do Instituto de Malariologia, que desde 1962 estavam expostos aos produtos tóxicos. Em 1991, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tornou públicos os resultados de estudos clínico-laboratoriais que haviam realizado em 43 adultos e quatro crianças residentes em um raio de 100 metros do local da fábrica, nos quais foram encontrados no sangue dos amostrados níveis 65% superiores à concentração do HCH presente no grupo controle (indivíduos não expostos), porém sem correlação com patologias. Em 1993, o juízo da Infância e da Adolescência de Duque de Caxias determinou a interdição das atividades da Fundação Abrigo Cristo Redentor e a imediata remoção dos menores. Em 1996 a Fundação teve suas atividades encerradas. Isso, entretanto, não significou a total retirada de pessoas da área, pois muitos antigos funcionários permaneceram no local e lá estão até hoje.

No dia 8 de setembro de 1993 foi firmado Termo de Compromisso de Ajustamento de Condutas e de Obrigações (TAC) entre o Ministério Público Federal, o Ministério da Saúde, o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (Feema), a Legião Brasileira de Assistência, a Fiocruz, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e a prefeitura de Duque de Caxias. Mas o TAC, ao que parece, não conseguiu solucionar o problema mais grave: a contínua ocupação do local e, conseqüentemente, o estado contínuo de risco de contaminação.

A Cidade dos Meninos tem uma população residente em imóveis pertencentes à União de 1.346 cidade dos meninospessoas, constituindo 382 famílias, compostas principalmente por funcionários da ativa e aposentados do Ministério da Previdência e Assistência Social – MPAS (ou órgãos já extintos) e seus familiares. Somente em 1995 deu-se início a um processo de descontaminação do solo. Apesar disso, não foi eficaz, como reconhecido pelo próprio Ministério da Saúde (2). “Subseqüentemente à tentativa de remediação com cal, constatou-se, por meio de alguns estudos que analisaram amostras do solo local, que a referida tentativa não foi eficaz para promover a remediação e que, inadvertidamente, acabou resultando na formação de outras substâncias tóxicas decorrentes de reações químicas dos compostos organoclorados com cal”. Cabe a pergunta: havia condição de prever o resultado das reações químicas que seriam geradas pela remediação?

No ano de 1997 foi proposta uma ação civil pública em face da União Federal, buscando dar uma solução judicial para o problema. Em função da Ação Civil Pública nº 97.0104992-6, movida pela Procuradora da República Geisa de Assis Rodrigues, em tramitação perante a MM 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, o Poder Executivo encaminhou ao Legislativo o Projeto de Lei nº 3034/2004 (3) - sete anos após a propositura da ação – que “autoriza a União a conceder indenização por danos morais aos ocupantes de imóveis residenciais a ela pertencentes, na localidade denominada “Cidade dos Meninos“, que tenham sido expostos a compostos organoclorados”. O PL foi encaminhado aos 02/03/2004, estando há mais de um ano parado na Comissão de Trabalho e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Espera-se que o relator acelere as providências para a aprovação final do PL.

O ministro da Saúde Humberto Costa, em atitude de coragem cívica pouco vista nos administradores brasileiros, expressamente reconhece que: “a área ocupada é de propriedade da União, inexistindo qualquer título de posse que garanta a sua ocupação pelos moradores, sendo certo, ainda, que eventual ação de reintegração de posse implicará em demorado processo judicial que só iria agravar a situação dos habitantes da Cidade dos Meninos, uma vez que estariam expostos aos compostos organoclorados por tempo demasiadamente indefinido. Em outra vertente, mesmo que sejam adotadas medidas judiciais visando à desocupação da área, o argumento de que a permanência das pessoas na região apresenta risco à saúde, iria ocasionar a incômoda situação de colocar ao desabrigo mais de 1.300 pessoas. Em outras palavras, além da exposição aos compostos organoclorados, os moradores também ficariam desabrigados. Os estudos existentes são suficientes para se concluir que a contaminação ambiental em Cidade dos Meninos é extensa, tendo sido a área foco principal a fonte de contaminação por pesticidas que hoje se encontram dispersos na região, tornando a área de risco para a saúde humana e que as evidências da existência atual de vias de exposição humana às substâncias tóxicas, agravadas pelas características de ocupação rural da região e o modo de vida da população, recomendam providências no sentido de viabilizar a retirada dos moradores da forma menos traumática possível. Para alcançar esse desiderato, afigura-se mister e imperioso que os moradores da Cidade dos Meninos, que estiveram expostos aos compostos organoclorados, sejam indenizados pelos possíveis efeitos deletérios a sua saúde. Ainda que inexista qualquer responsabilidade da União em custear novas moradias aos habitantes da Cidade dos Meninos, a responsabilidade do Governo Federal emerge do fato de ter abandonado, sem as devidas precauções, toneladas de produtos organoclorados ao ar livre, sem que tomasse as necessárias providências para que o produto não fosse livremente manuseado por pessoas desavisadas. (4)”

Os valores indenizatórios cogitados pelo PL, embora não sejam irrisórios, não chegam a admirar em razão da duração e da extensão do problema e de suas conseqüências para a população local. Há a previsão de R$ 10.000,00 por indivíduo, com um mínimo de R$ 50.000,00 por família. Trago o seguinte dado para reflexão: O jornal Folha de São Paulo, edição de 20 de março de 2005, demonstra que o valor médio das indenizações pagas a título de anistia política para os anistiados é de R$ 313.000,00, valor bem superior ao proposto no PL.”

Uma reportagem ilustra a presença dos pesticidas no cotidiano.

Artes

Sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dois séculos de memória

O cheiro de BHC exala com força quando o livro contábil de um antigo cartório da cidade é aberto sobre balcão para uma consulta corriqueira. Quantas vezes o volume de 80 por 40 centímetros e uns 10 quilos de peso, com capas duras de papelão e cantoneiras de metal já não foi aberto desde 1932, (aqui há um erro na reportagem, pois esses livros são regularmente consultados) quando suas anotações foram postas ali, e o cheiro do veneno agrícola que hoje nem mais é permitido no Brasil ainda pega muita gente desprevenida coçando o nariz? Bastava um filetinho no centro do calhamaço que fungo algum prosperaria entre as páginas recobertas com tinta nanquim, cuidadosamente preenchidas numa caligrafia tão cuidadosa e simétrica que parece ter saído de uma aula de educação artística.

O livro de escrituras fiscais não é o mais antigo nem o mais interessante. É apenas um entre os quase 200 mil documentos que atualmente compõem o acervo do Arquivo Histórico Municipal de Franca “Capitão Hipólito Antônio Pinheiro” e que hoje completa 20 anos de criação.

Existem outras e mais referências que tem contribuído para o esclarecimento da população e para a tomada de atitude de todos os responsáveis pelos acervos públicos e particulares, como o material da Universidade Federal Fluminense, publicado na Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente.

A minha resposta a Deolinda, para solução do problema prático, foi a seguinte:

É doloroso saber da amplitude do problema. A ignorância ou a questão econômica DDT salvadoragrária acima do bem estar da população, que reinava nos anos 60 e 70, é injustificável. Mas lamento informar que outros defensivos estão sendo usados neste momento por todo lugar. Tão danosos à saude humana e inúteis no combate às pragas quanto o BHC e DDT. São os piretróides e organoclorados conhecidos como K-Otrine, Bolfo, Audrex, vendidos livremente em qualquer lugar e largamente usados. Talvez eficientes no combate a pragas que atacam animais e próprios para uso em ambientes laváveis, são inúteis contra pragas de biblioteca e seu efeito tóxico residual tem duração indefinida. É como usar metralhadora para matar mosca: os efeitos colaterais são inexoráveis.

A maior praga ainda é a intervenção humana desastrosa. Quando guardamos livros em ambientes inóspitos, utilizamos produtos tóxicos e manuseamos sem critério, causamos danos maiores do que qualquer cupim.

Somente limpeza protege livro.

Ainda defendo o seguinte processo:

1-Retirar os livros do ambiente contaminado, pois é nas prateleiras, cantos e superfícies do ambiente que está a maior quantidade de resíduos tóxicos.

2-Lavar, restaurar, substituir o madeiramento ou voltar a armazenar os livros em outro local de alvenaria e azulejo, arejado e iluminado.

3-Retirar com aspirador a poeira e resíduos superficiais no livro.

4-Selecionar os livros por seu valor histórico/estético.

5-Separar o acervo pelo estado de conservação, em grupos, classificando-os pelo tipo de agente causador (umidade, praga biológica, contaminação tóxica, fragmentação, etc).

6-Eleger os livros representativos que serão preservados para consulta e manuseio.

7-Reencadernar estes exemplares, sempre em ambiente arejado e amplo, com proteção para as mãos e rosto. Separar capa de miolo. Refazer a capa, ou restaurar se possível, sempre preservando cararteristicas da capa original, como etiquetas e marcas de fabricante. Limpar as folhas com trincha e pó de borracha de apagar.Consertar as folhas do miolo, usando materiais e colas alcalinas. Recosturar o miolo, reforçar a lombada, lixar e pintar as laterais do miolo do livro  ou (em ultimo e extremo caso) refilar.

8-Apenas limpar e higienizar outros livros de menor interesse ou extremamente comprometidos, para serem guardados em embalagens plásticas individuais e manuseados somente com a proteção adequada por pessoal técnico treinado.

É necessário trabalhar ao ar livre ou em ambiente sob exaustores que eliminem rapidamente o pó.

Vê-se que a tarefa demanda recursos e muita mão de obra qualificada. Não compreendo a atitude de administradores públicos e titulares de cartório que NÃO TEM NEM O CUIDADO DE ATENDER SEQUER AOS PRIMEIROS TRES ITENS ACIMA.

Como digo sempre, “pode jogar fora esses computadores, essa decoração, esses balcões. Só os livros são insubstituíveis, pois contém a história dinâmica de nossa sociedade e são documentos públicos sobre os quais vocês têm toda responsabilidade”.

Outros recurso, como digitalizar a documentação, serve para garantir o acesso aos  dados em si, mas a guarda destes dados sempre será fragil e não garante certeza sobre a veracidade das informações ou sua integridade.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: , ,
09/10/2009 - 21:55

Bem vindo o ebook

Com a “abertura” do Kindle e a anunciada livraria on-line do Google,

editores acham que o sucesso do formato é questão de tempo.

Frankfurt – O inglês Richard Charkin, diretor executivo da editora Bloomsbury, é ebookum homem bonachão, que arranca gargalhadas com quase tudo o que fala. Du­­rante um encontro sobre o futuro do e-book (que atraiu o dobro de pessoas em relação à capacidade do espaço designado pelos organizadores da Feira de Frank­furt), ele conseguiu ser sério pelo menos uma vez: “Neste Natal, duvido que alguém vá gostar de receber um livro eletrônico, preferindo ainda o formato no pa­­pel. Mas não sei como será no pró­­ximo ano.”


Como era esperado, o livro di­­gital atraiu pequenas multidões quando foi discutido. E o encontro sobre o tema em Frankfurt re­­­cebeu um upgrade com o anún­­cio da empresa Google, que planeja lançar uma loja on-line de livros eletrônicos de qualquer dispositivo com um navegador da web, amea­­­­çando o crescente mercado de leitores dominado pelo Kin­dle, da Amazon. O projeto pretende lançar edições no primeiro semestre do próximo ano, oferecendo inicialmente cerca de meio milhão de e-books em parceria com as editoras com as quais já negociou os direitos digitais. “Não estamos focados em apenas um tipo de suporte eletrônico”, disse Tom Turvey, diretor de Parcerias Estratégicas do Google, em uma coletiva de im­­prensa em Frankfurt.

Os boatos sobre uma loja eletrônica de livros by Google eram antigos e persistentes, e cresciam à mesma velocidade com que a Amazon vendia seus aparelhos Kindle. Mas o que a empresa anunciou é bem diferente do modelo de negócios que turbinou as vendas do Kindle e de outros aparelhos do gênero, como os leitores da Sony. Os livros vendidos pelo Google não serão copiados para o dispositivo do usuário, mas serão mantidos na internet – “na nuvem”, para usar o conceito da moda, o cloud computing.

O que estará à venda é o direito de acesso ao livro, não o arquivo em si.

Isso significa que eles poderão ser lidos não apenas por dispositivos especiais de leitura, mas por qualquer máquina equipada com um browser para acesso à rede. Pode ser um leitor de ebooks, mas também um celular, um notebook ou tablet, um desktop e até a sua geladeira (desde que ela rode o Explorer, Firefox, Safari, Chrome ou outros do gênero). Por isso o anúncio provocou tanto frisson. Se dispositivos como o Kindle colocavam em xeque o gigantismo das bibliotecas, já que um único aparelho poderia armazenar centenas de exemplares, a novidade é uma ameaça até para essas maquininhas. Está, portanto, cada vez mais difícil prever o futuro da indústria editorial.

O anúncio veio uma semana depois de a Amazon ter confirmado que vai liberar o uso do Kin­dle para mais de cem países além dos Estados Unidos, elevando sua posição de liderança em um mercado pequeno, mas de crescimento rápido, em que os seus concorrentes incluem o Sony e-Reader. “São decisões importantes, pois o consumidor ainda não sabe como escolher”, comentou Ronald Schild, diretor da empresa de marketing MVB, que participou do debate ao lado de Richard Charkin. Mas, ele acredita que a indecisão logo vai terminar. “Hoje, com nossa rotina dominada por aparelhos eletrônicos, as pessoas leem mais textos em meios eletrônicos do que em papel”, observou Andrew Savicas, vice-presidente da O’Reilly Media, editora norte-americana cujo fundador, Tom O’Reilly, cravou o termo Web 2.0.

Direitos autorais

Os números confirmam uma leve transferência para o mercado editorial – segundo a empresa de pesquisas Forrester, cerca de 3 milhões de leitores digitais serão vendidos nos Estados Unidos, contra uma previsão inicial de um milhão, um au­­mento favorecido por preços mais baixos, va­­riação no conteúdo e melhor dis­­tribuição. O problema mais crucial continua sendo a discussão sobre direitos autorais. Contra as reclamações de que vai disponibilizar livros fora de catálogo mas cujos direitos ainda persistem, o Google rebateu, afirmando que a versão eletrônica abrirá novas possibilidades comerciais para a obra. “Esse assunto é o mais delicado nessa história”, co­­mentou a agente literária Lúcia Riff.

Apesar de o mercado brasileiro ainda estar ligeiramente distante do mundo digital, ela contou que já acrescenta adendos aos contratos de seus autores (e ela edita escritores do naipe de Luis Fernando Verissimo) in­­cluindo o formato e-book. “É preciso fazer uma adaptação, ainda com o mercado incerto.”

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Finalmente no Brasil, acesso ilimitado ao e.book apple.

Os e.books estão se espalhando pelo mundo. Festejemos!

É um leitor elêtronico de textos, um objeto que acompanha o tamanho padrão de um livro, tem tela sensível ao toque e conexão sem fio. Poderemos pagar uma assinatura de jornal e receber as notícias diariamente, poderemos ler livros on-line ou baixar, tudo através de assinaturas e adesões, é claro.

Pouquíssimos os questionamentos contra o sistema. Um deles é que o livro que você compra pode, de repente, sumir de sua biblioteca virtual pessoal, como o caso envolvendo obras de H. G. Wells, onde o herdeiro retirou os direitos do Google e deixaram de estar disponíveis. Mas esse foi caso isolado. Com a entrada da Barnes & Noble, com a disseminação da Apple por outros países, quase duzentos mil títulos estarão disponíveis. Portanto, sejamos receptivos ao sistema.

apple-ebook

Qual a lógica que leva um encadernador clássico ao dar a mais calorosa e sincera Boas Vindas ao novo artefato tecnológico que permite leitura de milhares de livros?

Vamos poder reduzir bastante o enorme desperdício de papel!

A pobre Indústria Gráfica mundial tem critérios estranhos quando edita um livro. Se o autor vende bem, os livros são impressos com fontes enormes e espaços desproporcionais entre as linhas e entre os parágrafos, resultando em livros com quase mil folhas. Se o autor é desconhecido ou vai vender com dificuldade, as fontes são pelo menos quatro pontos menores e é grande a economia de papel.  A indústria não pensa em vender bons livros a bom preço, mas em empurrar livros enormes de autores populares a preço alto.

Se a impressão é direcionada, o material e a encadernação atendem ao princípio da rápida obsolescência, pois o autor popular que vende bem é fenômeno passageiro que deve ser aproveitado antes de ser esquecido. Logo, o livro não precisa ser durável. É feito de papel de alta acidez e baixo custo, com estrutura de encadernação que mal resiste à primeira leitura. A capa é normalmente de papel couchet 180 gramas, altamente perecível e deformável, contendo ilustração que vai da mera cópia do original estrangeiro ou é simplesmente óbvia, com papel apenas informativo ou publicitário, sem acrescentar à obra qualquer valor ou elemento.

Na atualidade, o livro é:apple-ebooks

1) uma forma de entretenimento saudável e proveitosa;

2) um recurso indispensável aos estudantes;

3) um recurso indispensável aos profissionais e intelectuais.

Em todas as hipóteses, o livro é meramente um meio para atingir um determinado fim. Alcançado o objetivo, é descartado.

Os casos em que o livro obtido é guardado como uma preciosidade, por pessoas que gostam do objeto em si, são raros.

Convenhamos, guardar os livros perecíveis editados hoje em dia é um desafio.

Principalmente para centenas de edições absolutamente efêmeras , o ebook é uma solução ecologicamente correta e de uma praticidade sem paralelo.

Por exemplo, os Vade Mecum – publicações de cunho juridico trazendo todo o transitório vade mecumconjunto de Códigos – que são livros enormes (com 1.837 folhas na 7a. edição, de 2009, da Saraiva) ficam desatualizados em menos de um ano e precisam ser substituídos por todos os advogados e estudantes de Direto do País.  É um horror. Se pelo menos esse livro estivesse disponível em ebook, milhares de pessoas ficariam gratas. Por uma assinatura razoável, teriam acesso a informações atualizadas on-line.

Este e muitos outros, prestam-se a estar disponíveis em ebook. Milhões de árvores serão salvas no processo, mais o prejuízo ambiental da fabricação do papel e da tinta.

E, como conseqüência final, as editoras vão precisar

fazer livros melhores que vale a pena comprar.

Antes de qualquer coisa, respeito muito o papel e acho que é um recurso tão precioso que deve ser destinado apenas a obras de longa vida. Obras de algum valor,  seja documental, literário ou pessoal.

Além do mais, um livro tradicional não consome energia;
está sempre ali, à mão;
permite anotações pessoais;
não é ambicionado pelos ladrões;
pode ser emprestado ou trocado;
você pode dar de presente ou doar a quem não pode comprar;
é inteiramente e só seu!

Compre já o seu ebook, para ler as deliciosas porcarias do Crepúsculo, ou do Stephen King e de tantos outros, absolutamente indispensáveis para desopilar a cabeça, mas tão frívolos que não fazem a menor falta na biblioteca e todo e qualquer livro descartável que você seja obrigado a adquirir.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: , , ,
04/08/2009 - 20:08

Como Eliminar Cupins e Brocas de sua Biblioteca

O post anterior “Conservação de Livros – Pragas Comuns” abordou de modo genérico as principais pragas que atacam os livros e a madeira da biblioteca. Para o livro infestado por alguma dessas pragas, a solução é abordar um por um, arejar, limpar folha por folha e a área do interior da lombada, para um processo superficial. O ideal é o restauro dos livros, com troca do papelão das capas, onde podem estar depositados os ovos.

Para a parte da madeira circundante, seja nas prateleiras, nas paredes da sala e mesmo nos rodapés, há uma solução mais invasiva e efetiva.

Aprendi a trabalhar madeira com meu avô José Pinto de Carvalho, o Vô Gegé, marceneiro e carpinteiro completo, com o qual vivi grande parte da infância e adolescência. Além de trabalhar madeiras nobres de forma artesanal, robusta e elegante, era exímio tocador de violão. Com ele, aprendi essa técnica simples.

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Para debelar a infestação de cupins e brocas na madeira, junte o seguinte material:

1) Uma SERINGA DE INJEÇÃO com agulha;

2) Cupincida líquido, ou inseticida líquido;

3) Cêra de abelha;

4) Espátula de metal ou uma faca.

Encha a seringa com o cupincida e injete abundantemente em cada um dos buracos na madeira.

Tape os buracos com a cera de abelha e retire o excesso com a espátula, igualando a superfície.

Deixe o cupincida agir indefinidamente.

O processo é ideal para infestações em seu estágio inicial e em pequenas áreas, pois grandes acervos e infestações generalizadas, que já comprometeram a estabilidade das prateleiras, exigem intervenção de profissionais ou mesmo a substituição de todo o madeiramento do ambiente.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias, técnica Tags: , , ,
29/07/2009 - 22:24

Encadernação, Restauro e Conservação – Acidez do Papel

A escolha do papel utilizado para produção de documentos públicos é essencial para determinar sua resistência futura ao manuseio, bem como sua resistência à simples passagem do tempo.

Os mais resistentes e duráveis papéis já produzidos eram aqueles fabricados antes da grande revolução industrial, até por volta do fim do século l8. Era material obtido a partir de árvores nobres com adição de fibras de algodão à massa. O resultado era um papel forte e que jamais amarelava. Contudo, o papel simples de celulose ganhou espaço à força, graças a um estratagema mórbido. Num tempo em que as pragas, doenças e epidemias eram incontroláveis, difundiram o boato de que esses papéis eram fabricados com bandagens de hospitais. Ironicamente, hoje valorizamos o papel reciclado.

Muito mais barato e abundante, a difusão do papel de celulose foi otimizada pela própria decadência da qualidade do livro impresso, cada vez mais popularizado. No Brasil, o papel era totaslmente importado até o início da década de 1906. Então, as folhas eram mais finas e compactas, a cola de melhor qualidade e durável, as fibras mais resistentes e maleáveis. Com o papel nacional, os livros com a mesma quantidade de folhas tinham quase o dobro do volume, a evaporação acelerada, ausência de  fibras e a fragilidade geral sugerem uma realidade aparentemente paradoxal: quanto mais antigo o livro, melhor seu estado de conservação.

A acidez comum no papel moderno é resultado da condição do papel produzido da madeira, normalmente pinus e eucalipto, que contém lignina e resíduos dos ácidos empregados no clareamento das fibras de celulose, além de resíduos dos pontos usados no encolamento, a adição de cola à massa, durante o processo de fabricação. Não são apenas os resíduos de fabricação que tornam o papel ácido. As tintas ácidas também emprestam acidez ao papel, bem como a poeira e a própria gordura das mãos, a qual, em combinação com a humidade contida na atmosfera, absorve gases poluidores, formando pontos ácidos que dão origem às machas no papel. Essas manchas se propagam e destroem a fibra do papel, tornando-o quebradiço.

Os papéis brasileiros apresentam um índice de acidez elevado (pH 5 em média, quando o ponto de acidez neutra é 7 ) e portanto uma duração relativa. Somemos ao elevado índice de acidez, o efeito das altas temperaturas predominante nos países tropicais e subtropicais e uma variação da umidade relativa, teremos um quadro bastante desfavorável na conservação de documentos em papel.

O pH varia de 0 a 14, sendo pH=7: neutro. A maioria dos papéis de uso são ácidos, o que acelera seu amarelamento e decomposição.

À medida em que o ácido do ambiente interfere no papel, o pH do mesmo começa a cair para menos de 7, tornando-se ácido e acelerando seu amarelamento.
Para papéis artísticos e principalmente para papéis destinados a documentos públicos, o pH neutro é fundamental para prolongar sua durabilidade.

Portanto, ao encomendar os papéis timbrados, exija que a acidez seja a mais neutra disponível, pois existem papéis com essa especificação. Os papéis ditos “ALCALINOS”, com índice entre 8 e 9 na tabela, pretendem ter a acidez adequada.

Além disso, evite cores que sofrem mais com a exposição ao ar e à luz. São as cores entre o verde e o azul, obtidas a partir de pigmentos minerais. As cores quentes, do amarelo ao marrom são normalmente obtidas de vegetais ou de óxidos, sendo mais resistentes e duradouras. A química das cores é matéria ampla e complexa, mas esses são os princípios mais básicos.

Na compra de papéis para impressora, invista naqueles mais próximos do pH Neutro. As marcas mais populares infelizmente são muito ácidas, pois são destinadas a uso escolar que não exige nenhuma durabilidade, ou para fins comerciais e contábeis e não são feitos para durar mais do que os cinco anos da prescrição nesses casos. É também lamentável que as técnicas de encadernação usadas comercialmente estejam atualmente niveladas pelos livros fiscais, mas essa é outra história…

Os documentos públicos, por sua vez, não prescrevem.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias, técnica Tags: , ,
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