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02/11/2009 - 18:09

Quantos Livros Você já Leu?

Uma pergunta vasta: Quantos livros você já leu em sua vida?

Vamos estabelecer alguns critérios para responder com alguma exatidão.

Abapuru releitura Tarsila do Amaral

Não importa a qualidade da leitura. Pode ser aquela leitura rápida sem maior ambição do que simplesmente divertir e passar o tempo. Pode incluir as meias leituras, aquelas onde você não conseguiu concluir por mais que tentasse terminar o livro, mesmo indo contra seus princípios de nunca recuar diante de uma dificuldade dessa natureza. É permitido incluir a leitura de livros impingidos na escola e livros técnicos necessários ao exercício de sua profissão. É aceitável incluir qualquer livro, mesmo aqueles que você se envergonhou de ter lido e nem às paredes confessa que gostou, pois a pergunta não é QUAIS livros você já leu, apenas quantos. Vamos excluir apenas um livro, a Bíblia.

Para algumas pessoas, a resposta é precisa e imediata, infelizmente. Leram tão poucos livros que lembram de cada um deles com detalhes tipo: a idade que tinham quando leram, a casa onde moravam, se leram na cama ou na poltrona ou no banheiro.

Conheci um sujeito que dizia ter lido UM livro. Leu apenas por obrigação na escola básica, mas inflava o peito e dizia “eu li a moreninha”, obrigando o interlocutor a se esforçar para disfarçar a moreninha first editionexpressão de assombro e incredulidade. Descascando bem o ser humano, para conhecer seu interior, descobri mais tarde que leu também outros livros de contabilidade e então perguntei qual o motivo de não incluir mais esses em sua conta e ele me respondeu que esses… não eram bem livros… só estudo. Parece resposta razoável, pelo menos nesse caso.

A maioria das pessoas lerão de 20 a 50 livros durante a vida inteira. Falo de livros mesmo, para simplificar, e não dos de estudo. Para esses, a leitura é uma atividade dolorosa, desenvolvida com muita relutância. Começam por alguma imposição da escola ou do trabalho e, quase sempre, por força de um modismo ou pela necessidade de reunir atributos semelhantes aos do grupo de seus amigos e assim participar das conversas. O ato de ler é penoso, com a leitura de umas poucas folhas por dia e sempre de olho na numeração das páginas para constatar quantas já leu e quantas ainda faltam para finalmente concluir. Raramente lerão livros muito grandes, pois a simples visão de um livrão promete que a empreitada vai ser dura.

Esse tipo de leitor sempre sabe com certeza QUANTOS e QUAIS foram os livros que já leu e, por mais incrível que pareça, lembram até do que estava escrito neles, pois leram devagar e com atenção. Em resumo, não souberam curtir.

Quem não pode ficar sem algum livro para ler e, quando esta lendo, avalia com tristeza que o livro já está na metade ou mesmo quase acabando, nunca vai poder responder à pergunta inicial. Sequer com uma margem razoável de erro. Nem mesmo pela média mensal de livros lidos desde que aprendeu a ler, pois há fase de ler dez e fase de ler três e outras de ler nenhum. Muito menos pelos livros em sua estante, pois sabe deus quantos leu por empréstimo, quantos sumiram ou foram emprestados e quantos não sobreviveram. Nem pensar em enumerar mesmo por cima todos os livros, serão semanas só pensando nisso.

Uma outra pergunta bem mais fácil teria que ser feita:

Quantos Livros Você já Releu?

jorge luis borges

Jorge Luis Borges dizia: o que importa é a releitura, é onde está a verdadeira leitura. Talvez, para ele, a primeira é a hora do assombro com a novidade e do maravilhamento com o superlativo. Na seguinte, é o momento do detalhe requintado, do prolongamento do prazer que já não se preocupa com o desdobramento da trama e a conclusão dos mistérios.

Uma coisa é certa, a pessoa que relê nunca é a mesma pessoa que um dia leu e pode estar interessada em outros aspectos da obra que passaram despercebidos na primeira ou na segunda vez.

Essa pergunta é mais fácil. Pode ser: nenhum e tantos. Para facilitar ainda mais, pode responder com grande margem de acerto, tipo “li uns dez” ou, “li ins cinqüenta”, pois, na esmagadora maioria dos casos, você tem esses livros junto de você e poderia agora mesmo ir pegar todos eles e provar que releu e, pior, tentar me convencer a ler também todos eles e, se eu já li alguns, comentar cada um deles muito satisfeito por encontrar uma verdadeira alma gêmea.

Para mim, essa pergunta ainda é difícil. Lembro de ter relido todos da Doris Lessing mais de uma vez, toda a série “Duna” do Frank Herbert de uma vez só (como me bagunçou a cabeça!), além de “Senhor dos Anéis” na velha versão portuguesa que chamava Bilbo de Bilbo Bolsin, claro que Jorge Luis Borges e… mais uma porção difícil de lembrar.

Agora, quer uma pergunta realmente fácil?

Uma pergunta que pode ser respondida de pronto e com absoluta exatidão, sem nenhuma margem de erro:

QUANTOS LIVROS VOCÊ JÁ TRELEU?

Quantos e quais foram os livros que você já leu três ou mais vêzes? Uma meia dúzia, no máximo dez? Quantos se identificaram tanto com você? Quais são esses livros de infinitas novidades e inesgotáveis informações cujas leituras, por mais pormenorizadas e atentas, jamais serão satisfatórias?

Vou denunciar alguns que já treli.

O Leopardo, de Giuseppe Tomaso de Lampedusa.

Meu Encontro com Marx e Freud, de Erich Fromm.

Só a Terra Permanece, de George R. Stewart.

Ulisses, de James Joyce.

Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce.

Eros e Civilização, de Herbert Marcuse.

Não faço a menor idéia de quantos livros já li, muito menos de quantos livros já possuí, pois forças além de minha vontade me separaram de um acervo que juntei durante a primeira metade de minha vida. Mas li alguns, com certeza mais de mil ou dois mil.

Talvez não importe quantos livros já li.

O mais importante é que ainda vou ler mais um tanto.

erich fromm

Erich Fromm

Tomasi di Lampedusa

Tomasi di Lampedusa

George R. Stewart

George R. Stewart

James Joyce

James Joyce

Herbert Marcuse

Herbert Marcuse

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
02/09/2009 - 10:14

Obrigado, São Bento.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
25/05/2009 - 22:19

ENCADERNAÇÃO É CONSERVAÇÃO

O primeiro movimento em direção à perfeita conservação de livros é sua correta encadernação.

A melhor atitude para uso racional de recursos naturais é a encadernação.

Insisto na tese de que o livro deve ser feito para durar, pois nunca mais será necessário reencadernar.

Por exemplo, considero desperdício a uso de agendas anuais. Cada ano, milhões são produzidas, algumas intitulando-se “ecológicas”, e todo ano milhões são descartadas. Espero que todos passem a usar seus celulares e laptops, nunca mais comprando agenda na vida.

Contudo, existe toda uma indústria baseada na obsolescência. Produz as agendas, os livros didáticos e técnicos, a literatura barata, as encadernações bastardas e efêmeras.

Todo esse espaço é destinado à difusão das técnicas corretas para encadernação de livros duráveis, seja para atender à demanda dos cartórios, circunscrições de imóveis e tabeliões, como para aqueles livros preferidos de valor sentimental. Aqui, não pretendo angariar clientes, mas fazer proselitismo. Não pretendo propagandear minha empresa, mas estimular que outros atuem com integridade.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
17/02/2009 - 22:47

CLIENTES

Alguns clientes onde atuo, restaurando e encadernando todos os livros manuscritos e grande parte dos livros datilografados e impressos. Comum a todos eles, o bom gosto e um elogiável censo de responsabilidade que dita sua opção pela melhor qualidade disponível.

Quarta Circunscrição de Curitiba

Terceira Circunscrição de Curitiba
Segunda Circunscrição de Curitiba
Sexta Circunscrição de Curitiba
Cartórios de Santa Felicidade, Mercês e Barreirinha
Registro de Imóveis de Paranaguá

Cartório do Taboão

3º Registro Civil de Curitiba

5º Tabelionato de Protesto de Curitiba

Atualmente, trabalho no acervo do 1º Registro Civil de Curitiba – Leão.
Faço os trabalhos necessários para a Fundação Poty Lazzarotto, instituída para preservação de seu acervo e objetos pessoais do artista. Atuo em trabalhos ocasionais para todos os clientes acima, em livros novos.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
07/01/2009 - 21:07

S O U E N C A D E R N A D O R

Sou encadernador.

Já fiz outras coisas. Fiz psicologia e saí decepcionado com a inexatidão da matéria, aprendendo teorias que se opunham e terminando por ver meus colegas usando métodos alternativos como florais ou simplesmente ingressando no serviço público. Depois, fiz contabilidade enquanto meio de manter minha família, até ficar enojado das más intenções dos clientes e da corrupção das repartições.

Enquanto tudo isso ia acontecendo, levado pela maré da vida. lia muito. Por diversão, para instrução e como cachaça. Até que comecei a restaurar meus livros. Não tinha uma biblioteca, só muitos livros reunidos a gosto e, portanto, uma livraiada. Comecei por eles, errando demais, aprendendo demais e me corrigindo com Zelina Castello Branco. Fui assim por uns bons anos, até reunir coragem de recusar os caminhos por onde a vida me levava e escolher o meu próprio.

Ler serve para muita coisa, mas leva a um estágio final: LIBERTA DO DISCURSO DA OPRESSÃO. Você fica exigente e alerta, recusando as ciências frívolas e as profissões com ética própria e sem decência nenhuma. Permanece uma premência de criar e não apenas repetir fórmulas ou ser apenas agente passivo de um processo.

Assim, já fiz isso e aquilo, mas nunca era o que fazia.

Sou encadernador e restaurador.

Bom saber disso e dizer com segurança. O que Sou.

Todos somos mais, é claro. Pais. Cidadãos. Amantes. Pessoas. Se só a profissão nos define, então resume e limita. Mas é bom me encontrar no que faço. Vira um sacerdócio.

Numa época em que encontramos a cada dez minutos uma bandeira necessitando quem a empunhe, escolhi a minha e nela está escrito:

I. Acredito que produzir e usar objetos permanentes faz mais bem ao Planeta do que objetos perecíveis e efêmeros.

II. Acredito que o livro é um belo objeto em si, que fica muito melhor quando tem uma coisa bem escrita lá dentro.

III. Acredito que a informação é o artigo mais barato e mais abundante numa sociedade tecnológica. Vejam aquelas vendidas por camelôs, entre empresas, os sigilos quebrados e os artigos piratas. É também a mais efêmera , pois é facilmente manipulada, distorcida e corrompida, ou simplesmente sai de moda e não atrai mais atenção e é substituída por outra.

IV. Acredito que os livros contém mais que informação, contém documentos históricos que não necessitam suporte para serem apreciados.

V. Acredito que teremos um Mundo de longo prazo, de duração indefinida, nele há lugar para longevidade e preservação.

VI. Acredito nas pessoas de bom gosto e de bom senso, que só precisam de uma pequena informação para mudar de opinião a respeito de livros.

VII. Acredito que é necessário apontar os erros como primeiro passo para corrigi-los.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
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