Arquivo da Categoria informação
23/11/2009 - 00:00
Outros títulos são adequados para esse post:
Uso de Inseticidas em Livros.
Uso de BHC e DDT em Bibliotecas.
Efeitos da Ignorância nos Acervos Culturais.
Incidência de Câncer em Cartorários.
Todos seriam necessários para atrair a atenção dos administradores de acervos públicos e donos de biblioteca para um problema grave e de conseqüências letais para a saúde.
Fui alertado para a incidência desse problema por Deolinda Taveira, que é
conservadora e restauradora de bens culturais em Goiás. Antes disso, tive uma desagradável experiência comprovada quando restaurava os livros do Registro de Imóveis de Paranaguá, sentindo efeitos de intoxicação ao manusear aquele material. Em outros acervos onde atuei, sempre examino o ambiente onde estão guardados à procura de indícios de pesticidas, mas apenas desconfio que alguns podiam estar contaminados, pois os efeitos foram mínimos. Por trazer os livros ao atelier, não me exponho ao ambiente geral onde estão armazenados.
Pois Deolinda me convoca para contribuir na solução do dilema de livros contaminados por BHC e DDT, pesticidas largamente usados entres os anos 50 e 70 para combate às pragas na lavoura, na criação animal e até mesmo no ambiente doméstico. Era tido como produto químico salvador e panacéia para todas as pragas. Porém, revelou-se extremamente tóxico e altamente cancerígeno.
Expor-se a ele superficialmente, causa irritação de mucosas, na pele, com dores de cabeça e vômito.
Exposição prolongada causa destruição dos tecidos e câncer.
O BHC, DDT e agrotóxicos podem determinar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. A intoxicação aguda é aquela na qual os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a exposição excessiva, por curto período, a produtos extremamente ou altamente tóxicos. Pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, dependerão da quantidade de veneno absorvido. Os sinais e sintomas são nítidos e objetivos.
A intoxicação subaguda ocorre por exposição moderada ou pequena a produtos altamente tóxicos ou medianamente tóxicos e tem aparecimento mais lento. Os sintomas são subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza, mal-estar, dor de estômago e sonolência, entre outros.
A intoxicação crônica caracteriza-se por surgimento tardio, em meses ou anos, por exposição pequena ou moderada a produtos tóxicos ou a múltiplos produtos, acarretando danos irreversíveis, do tipo paralisias e neoplasias.
Essas intoxicações não são reflexo de uma relação simples entre o produto e a pessoa exposta. Vários fatores participam da determinação das mesmas, dentre eles os fatores relativos às características químicas e toxicológicas do produto, fatores relativos ao indivíduo exposto, às condições de exposição ou condições gerais do trabalho.
Estes compostos químicos não são eternos, exercendo plenamente sua ação nos primeiros dez anos, mas podem causar males à saúde humana por um período impossível de estabelecer com certeza científica.
Deolinda me manda reportagem sobre a Sra. Maria Thereza Böbel, escritora e

Maria Thereza Böbel
historiadora de Santa Catarina, que contraiu câncer ao freqüentar o Arquivo Histórico de Joinvile, onde foi usado BHC e DDT até 1985, para combate às pragas, conforme confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz. Pois essa guerreira valorosa soube sobreviver aos danos à sua saúde, sendo culta o suficiente para denunciar o fato. Dezenas de outros freqüentadores e funcionários sentiram os efeitos do envenenamento, até o fechamento da instituição.
Um trecho da entrevista:
PP – E o Arquivo Histórico, por que fechou?
Maria – Está fechado porque, em setembro de 2002 as moças que trabalham lá passaram mal. O acervo fica na sala de cima, a central de ar estava queimada há muito tempo e não tem servente para fazer a limpeza no local. É um calor terrível lá em cima, tem muito pó. Sem ventilação, as meninas passaram mal e todas apresentaram os mesmos sintomas, como dor de cabeça e vômito. Foram parar no ambulatório da prefeitura e foi constatado intoxicação. Nessa mesma época aconteceu aquele problema no meu exame de sangue, embora eu estivesse afastada porque não estava boa. Foi ai que relacionei a doença ao que estava acontecendo no Arquivo. Com esse fato da intoxicação, surgiu a história de ter veneno lá dentro. Aí meu marido falou: no arquivo tem veneno (BHC). A Vigilância Sanitária lacrou o Arquivo. O laudo do livro mandado para São Paulo constatou que o local está contaminado por BHC e DDT. E os dois são cancerígenos. O médico falou que meu câncer tinha pelo menos quinze anos e eu trabalhei dezoito no Arquivo. O BHC era passado até 1985, para evitar cupim, quando o Arquivo funcionava junto a Biblioteca Pública. Por ordem do antigo diretor, senhor Schneider, um funcionário passava o veneno depois que íamos embora, mas não usava máscara. No outro dia, reclamava de enjôo. O diretor não queria que os livros fossem inutilizados pelos cupins e não tinha idéia do mal que estava fazendo.
Deolinda pesquisa fundo e me manda também a Reportagem de Paulo Bessa,

Paulo Bessa
“Cidade dos Meninos”, leitura obrigatória, com informação importante sobre contaminação tóxica como conseqüência da ignorância a administração pública , descrevendo a dificuldade para resolver o problema da permanência de BHC, DDT e outros organoclorados.
Ele contextualiza perfeitamente o problema e o link está disponível na íntegra, aqui está um trecho:
“É um problema silencioso que afeta gente pobre – as maiores vítimas das incúrias ambientais praticadas diariamente neste país. Os casos de contaminação por poluentes orgânicos persistentes dão poucos dividendos na mídia e não rendem fotos espetaculares em primeiras páginas. Falarei da Cidade dos Meninos no município de Duque de Caxias (RJ). Lá ocorreu uma situação típica, pois mistura uma série de ingredientes que, em conjunto, formam uma tragédia ambiental autêntica. Não aquelas que só existem na mente dos apologistas do fim do mundo, dos modernos cavaleiros do apocalipse. Não são danos imaginários, ou danos à Borboleta Monarca. São danos reais, causados a pessoas reais – Fleisch und Blut – que, por serem pobres e sem maiores apelos para os “radicais chiques”, permaneceram inteiramente desprotegidos por cerca de 50 anos. E, como veremos, mesmo quando uma “solução” se avizinha, ela não deixa de trazer a marca da discriminação que os pobres sofrem nesta Terra Brasilis.
O caso demonstra, inclusive, que em termos ambientais a solução de problemas em um determinado momento pode ser o próprio problema em outro, o que ressalta a importância de que novos produtos sejam corretamente avaliados. Até o lançamento do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, os organoclorados eram considerados excelentes produtos para combater pragas e insetos, ajudando na redução de doenças e aumentando a produtividade agrícola. Entre aqueles aplicados no combate às pragas, reinava absoluto o DDT. Hoje, o produto está banido graças à Convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPS) de Estocolmo firmada por 90 países, inclusive o Brasil (1). A ocasião teve como objetivo a proibição de produção e uso de 12 substâncias orgânicas tóxicas (Aldrin, clordano, Mirex, Dieldrin, DDT, dioxinas, furanos, PCBs, Endrin, heptacloro, BHC e toxafeno). No caso da Cidade dos Meninos a contaminação foi devida ao chamado pó de broca.
Guerra na Cidade dos Meninos
A história é a seguinte: entre os anos 1950 e 1962, o Instituto de Malariologia, órgão do então
Ministério da Educação e Saúde, operou uma planta industrial para a produção de Hexaclorociclohexano (HCH) e a manipulação de outros compostos organoclorados, como o diclorodifenilcloroetano (DDT) em oito pavilhões pertencentes à Fundação Abrigo Cristo Redentor, na Cidade dos Meninos. A área total é de mais de 19 milhões de metros quadrados. Aqui, cabe uma pausa para que o leitor saiba o porquê da denominação Cidade dos Meninos: tratava-se de um “colégio interno” para crianças pobres, “carentes”, “excluídas” como se diria de uma forma elegante, politicamente correta e à la mode. Como existiam pavilhões desocupados no local, decidiram produzir ali organoclorados. A típica “idéia de jerico”. Algum burocrata da época deve ter achado que seriam diminuídos custos de produção e coisas do gênero. E assim foi feito.
Como a CPMF, as instalações seriam utilizadas “provisoriamente”. O objetivo do governo era atingir a auto-suficiência na produção de pesticidas para controle de endemias transmitidas por vetores – malária, febre amarela e doença de Chagas. Em função de dificuldades econômicas causadas pelo encarecimento dos custos para a fabricação do HCH, a fábrica foi sendo desativada. De acordo com a mentalidade prevalente na época, nenhum procedimento para encerrar seguramente as atividades produtivas foi adotado. Pelo contrário, a produção remanescente permaneceu estocada ao ar livre nas antigas dependências da fábrica, ou seja, no pátio do colégio.
Mas – desgraça pouca é bobagem – como sabem todos os “condenados da terra”. Já que a comunidade local era pobre e desinformada, pegou o produto que estava estocado no pátio da antiga fábrica e começou a vendê-lo para faturar uns trocadinhos. Na década de 80, constatou-se que na feira de Caxias, além de tráfico de animais, existia a venda clandestina de pesticida – a produção de pó de broca que ficara abandonada no pátio do orfanato-fábrica. Quando as autoridades públicas se deram conta da questão, em fins da década de 80, ainda sobravam cerca de 40 toneladas de produto tóxico do local para serem retirados. Como manda a regra e a prática administrativa brasileira, criou-se uma comissão e instaram-se infindáveis debates para saber se a questão era federal, estadual ou municipal. Quase 30 anos já tinham passado.
Uma outra reportagem ilustra a presença dos pesticidas nos livros oficiais de registro público.
Artes
Sexta-feira, 24 de julho de 2009
Dois séculos de memória
O cheiro de BHC exala com força quando o livro contábil de um antigo cartório da cidade é aberto sobre balcão para uma consulta corriqueira. Quantas vezes o volume de 80 por 40 centímetros e uns 10 quilos de peso, com capas duras de papelão e cantoneiras de metal já não foi aberto desde 1932, (aqui há um erro na reportagem, pois esses livros são regularmente consultados) quando suas anotações foram postas ali, e o cheiro do veneno agrícola que hoje nem mais é permitido no Brasil ainda pega muita gente desprevenida coçando o nariz? Bastava um filetinho no centro do calhamaço que fungo algum prosperaria entre as páginas recobertas com tinta nanquim, cuidadosamente preenchidas numa caligrafia tão cuidadosa e simétrica que parece ter saído de uma aula de educação artística.
O livro de escrituras fiscais não é o mais antigo nem o mais interessante. É apenas um entre os quase 200 mil documentos que atualmente compõem o acervo do Arquivo Histórico Municipal de Franca “Capitão Hipólito Antônio Pinheiro” e que hoje completa 20 anos de criação.
Existem outras e mais referências que tem contribuído para o esclarecimento da população e para a tomada de atitude de todos os responsáveis pelos acervos públicos e particulares, como o material da Universidade Federal Fluminense, publicado na Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente. Aborda o assunto da Cidade dos Meninos de um ponto de vista mais acadêmico.
A minha resposta a Deolinda, para solução do problema prático, foi a seguinte:
É doloroso saber da amplitude do problema. A ignorância ou a questão econômica
agrária acima do bem estar da população, que reinava nos anos 60 e 70, é injustificável. Mas lamento informar que outros defensivos estão sendo usados neste momento por todo lugar. Tão danosos à saude humana e inúteis no combate às pragas quanto o BHC e DDT. São os piretróides e organoclorados conhecidos como K-Otrine, Bolfo, Audrex, vendidos livremente em qualquer lugar e largamente usados. Talvez eficientes no combate a pragas que atacam animais e próprios para uso em ambientes laváveis, são inúteis contra pragas de biblioteca e seu efeito tóxico residual tem duração indefinida. É como usar metralhadora para matar mosca: os efeitos colaterais são inexoráveis.
A maior praga ainda é a intervenção humana desastrosa. Quando guardamos livros em ambientes inóspitos, utilizamos produtos tóxicos e manuseamos sem critério, causamos danos maiores do que qualquer cupim.
Somente limpeza protege livro.
O seguinte processo pode ser usado para desinfecção de acervos:
1-Com adequada proteção, retirar os livros do ambiente contaminado, pois é nas prateleiras, cantos e superfícies do ambiente que está a maior quantidade de resíduos tóxicos.
2-Lavar o ambiente inteiramente, inclusive paredes e teto, substituir o madeiramento e prateleiras, pintar o local ou voltar a armazenar os livros em outro local de alvenaria e azulejo, arejado e iluminado.
3-Retirar com aspirador a poeira e resíduos superficiais no livro.
4-Selecionar os livros por seu valor histórico/estético.
5-Separar o acervo pelo estado de conservação, em grupos, classificando-os pelo tipo de agente causador (umidade, praga biológica, contaminação tóxica, fragmentação, etc).
6-Eleger os livros representativos que serão preservados para consulta e manuseio.
7-Reencadernar estes exemplares, sempre em ambiente arejado e amplo, com proteção para as mãos e rosto. Separar capa de miolo. Refazer a capa, ou restaurar se possível, sempre preservando cararteristicas da capa original, como etiquetas e marcas de fabricante. Limpar as folhas com trincha e pó de borracha de apagar.Consertar as folhas do miolo, usando materiais e colas alcalinas. Recosturar o miolo, reforçar a lombada, lixar e pintar as laterais do miolo do livro ou (em ultimo e extremo caso) refilar.
8-Apenas limpar e higienizar, com uso até de panos úmidos, outros livros de menor interesse ou extremamente comprometidos, para serem guardados em embalagens plásticas individuais e manuseados somente com a proteção adequada por pessoal técnico treinado.
É necessário trabalhar ao ar livre ou em ambiente sob exaustores que eliminem rapidamente o pó.
Vê-se que a tarefa demanda recursos e muita mão de obra qualificada. Não compreendo a atitude de administradores públicos e titulares de cartório que NÃO TEM NEM O CUIDADO DE ATENDER SEQUER AOS PRIMEIROS TRES ITENS ACIMA.
Como digo sempre, “pode jogar fora esses computadores, essa decoração, esses balcões. Só os livros são insubstituíveis, pois contém a história dinâmica de nossa sociedade e são documentos públicos sobre os quais vocês têm toda responsabilidade”.
Outros recurso, como digitalizar a documentação, serve para garantir o acesso aos dados em si, mas a guarda destes dados sempre será fragil e não garante certeza sobre a veracidade das informações ou sua integridade.
Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação
Tags: advertencia, denuncia, informação
09/10/2009 - 21:55
Com a “abertura” do Kindle e a anunciada livraria on-line do Google,
editores acham que o sucesso do formato é questão de tempo.
Frankfurt – O inglês Richard Charkin, diretor executivo da editora Bloomsbury, é
um homem bonachão, que arranca gargalhadas com quase tudo o que fala. Durante um encontro sobre o futuro do e-book (que atraiu o dobro de pessoas em relação à capacidade do espaço designado pelos organizadores da Feira de Frankfurt), ele conseguiu ser sério pelo menos uma vez: “Neste Natal, duvido que alguém vá gostar de receber um livro eletrônico, preferindo ainda o formato no papel. Mas não sei como será no próximo ano.”
Como era esperado, o livro digital atraiu pequenas multidões quando foi discutido. E o encontro sobre o tema em Frankfurt recebeu um upgrade com o anúncio da empresa Google, que planeja lançar uma loja on-line de livros eletrônicos de qualquer dispositivo com um navegador da web, ameaçando o crescente mercado de leitores dominado pelo Kindle, da Amazon. O projeto pretende lançar edições no primeiro semestre do próximo ano, oferecendo inicialmente cerca de meio milhão de e-books em parceria com as editoras com as quais já negociou os direitos digitais. “Não estamos focados em apenas um tipo de suporte eletrônico”, disse Tom Turvey, diretor de Parcerias Estratégicas do Google, em uma coletiva de imprensa em Frankfurt.
Os boatos sobre uma loja eletrônica de livros by Google eram antigos e persistentes, e cresciam à mesma velocidade com que a Amazon vendia seus aparelhos Kindle. Mas o que a empresa anunciou é bem diferente do modelo de negócios que turbinou as vendas do Kindle e de outros aparelhos do gênero, como os leitores da Sony. Os livros vendidos pelo Google não serão copiados para o dispositivo do usuário, mas serão mantidos na internet – “na nuvem”, para usar o conceito da moda, o cloud computing.
O que estará à venda é o direito de acesso ao livro, não o arquivo em si.
Isso significa que eles poderão ser lidos não apenas por dispositivos especiais de leitura, mas por qualquer máquina equipada com um browser para acesso à rede. Pode ser um leitor de ebooks, mas também um celular, um notebook ou tablet, um desktop e até a sua geladeira (desde que ela rode o Explorer, Firefox, Safari, Chrome ou outros do gênero). Por isso o anúncio provocou tanto frisson. Se dispositivos como o Kindle colocavam em xeque o gigantismo das bibliotecas, já que um único aparelho poderia armazenar centenas de exemplares, a novidade é uma ameaça até para essas maquininhas. Está, portanto, cada vez mais difícil prever o futuro da indústria editorial.
O anúncio veio uma semana depois de a Amazon ter confirmado que vai liberar o uso do Kindle para mais de cem países além dos Estados Unidos, elevando sua posição de liderança em um mercado pequeno, mas de crescimento rápido, em que os seus concorrentes incluem o Sony e-Reader. “São decisões importantes, pois o consumidor ainda não sabe como escolher”, comentou Ronald Schild, diretor da empresa de marketing MVB, que participou do debate ao lado de Richard Charkin. Mas, ele acredita que a indecisão logo vai terminar. “Hoje, com nossa rotina dominada por aparelhos eletrônicos, as pessoas leem mais textos em meios eletrônicos do que em papel”, observou Andrew Savicas, vice-presidente da O’Reilly Media, editora norte-americana cujo fundador, Tom O’Reilly, cravou o termo Web 2.0.
Direitos autorais
Os números confirmam uma leve transferência para o mercado editorial – segundo a empresa de pesquisas Forrester, cerca de 3 milhões de leitores digitais serão vendidos nos Estados Unidos, contra uma previsão inicial de um milhão, um aumento favorecido por preços mais baixos, variação no conteúdo e melhor distribuição. O problema mais crucial continua sendo a discussão sobre direitos autorais. Contra as reclamações de que vai disponibilizar livros fora de catálogo mas cujos direitos ainda persistem, o Google rebateu, afirmando que a versão eletrônica abrirá novas possibilidades comerciais para a obra. “Esse assunto é o mais delicado nessa história”, comentou a agente literária Lúcia Riff.
Apesar de o mercado brasileiro ainda estar ligeiramente distante do mundo digital, ela contou que já acrescenta adendos aos contratos de seus autores (e ela edita escritores do naipe de Luis Fernando Verissimo) incluindo o formato e-book. “É preciso fazer uma adaptação, ainda com o mercado incerto.”
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Finalmente no Brasil, acesso ilimitado ao e.book apple.
Os e.books estão se espalhando pelo mundo. Festejemos!
É um leitor elêtronico de textos, um objeto que acompanha o tamanho padrão de um livro, tem tela sensível ao toque e conexão sem fio. Poderemos pagar uma assinatura de jornal e receber as notícias diariamente, poderemos ler livros on-line ou baixar, tudo através de assinaturas e adesões, é claro.
Pouquíssimos os questionamentos contra o sistema. Um deles é que o livro que você compra pode, de repente, sumir de sua biblioteca virtual pessoal, como o caso envolvendo obras de H. G. Wells, onde o herdeiro retirou os direitos do Google e deixaram de estar disponíveis. Mas esse foi caso isolado. Com a entrada da Barnes & Noble, com a disseminação da Apple por outros países, quase duzentos mil títulos estarão disponíveis. Portanto, sejamos receptivos ao sistema.

Qual a lógica que leva um encadernador clássico ao dar a mais calorosa e sincera Boas Vindas ao novo artefato tecnológico que permite leitura de milhares de livros?
Vamos poder reduzir bastante o enorme desperdício de papel!
A pobre Indústria Gráfica mundial tem critérios estranhos quando edita um livro. Se o autor vende bem, os livros são impressos com fontes enormes e espaços desproporcionais entre as linhas e entre os parágrafos, resultando em livros com quase mil folhas. Se o autor é desconhecido ou vai vender com dificuldade, as fontes são pelo menos quatro pontos menores e é grande a economia de papel. A indústria não pensa em vender bons livros a bom preço, mas em empurrar livros enormes de autores populares a preço alto.
Se a impressão é direcionada, o material e a encadernação atendem ao princípio da rápida obsolescência, pois o autor popular que vende bem é fenômeno passageiro que deve ser aproveitado antes de ser esquecido. Logo, o livro não precisa ser durável. É feito de papel de alta acidez e baixo custo, com estrutura de encadernação que mal resiste à primeira leitura. A capa é normalmente de papel couchet 180 gramas, altamente perecível e deformável, contendo ilustração que vai da mera cópia do original estrangeiro ou é simplesmente óbvia, com papel apenas informativo ou publicitário, sem acrescentar à obra qualquer valor ou elemento.
Na atualidade, o livro é:
1) uma forma de entretenimento saudável e proveitosa;
2) um recurso indispensável aos estudantes;
3) um recurso indispensável aos profissionais e intelectuais.
Em todas as hipóteses, o livro é meramente um meio para atingir um determinado fim. Alcançado o objetivo, é descartado.
Os casos em que o livro obtido é guardado como uma preciosidade, por pessoas que gostam do objeto em si, são raros.
Convenhamos, guardar os livros perecíveis editados hoje em dia é um desafio.
Principalmente para centenas de edições absolutamente efêmeras , o ebook é uma solução ecologicamente correta e de uma praticidade sem paralelo.
Por exemplo, os Vade Mecum – publicações de cunho juridico trazendo todo o transitório
conjunto de Códigos – que são livros enormes (com 1.837 folhas na 7a. edição, de 2009, da Saraiva) ficam desatualizados em menos de um ano e precisam ser substituídos por todos os advogados e estudantes de Direto do País. É um horror. Se pelo menos esse livro estivesse disponível em ebook, milhares de pessoas ficariam gratas. Por uma assinatura razoável, teriam acesso a informações atualizadas on-line.
Este e muitos outros, prestam-se a estar disponíveis em ebook. Milhões de árvores serão salvas no processo, mais o prejuízo ambiental da fabricação do papel e da tinta.
E, como conseqüência final, as editoras vão precisar
fazer livros melhores que vale a pena comprar.
Antes de qualquer coisa, respeito muito o papel e acho que é um recurso tão precioso que deve ser destinado apenas a obras de longa vida. Obras de algum valor, seja documental, literário ou pessoal.
Além do mais, um livro tradicional não consome energia;
está sempre ali, à mão;
permite anotações pessoais;
não é ambicionado pelos ladrões;
pode ser emprestado ou trocado;
você pode dar de presente ou doar a quem não pode comprar;
é inteiramente e só seu!
Compre já o seu ebook, para ler as deliciosas porcarias do Crepúsculo, ou do Stephen King e de tantos outros, absolutamente indispensáveis para desopilar a cabeça, mas tão frívolos que não fazem a menor falta na biblioteca e todo e qualquer livro descartável que você seja obrigado a adquirir.
Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação
Tags: Arte Gráfica, crítica, informação, Livro digital
07/09/2009 - 20:57
Livro é um objeto frágil.
O prosaico ato de ler já contribui para sua deterioração, graças à precariedade da indústria gráfica e a falta de padrões dos editores. Começando pela análise do papel, normalmente é de baixa qualidade, comprovável pela alta porosidade causada pela economia de agente agregador da massa de celulose, resultando em evaporação acelerada e pouca resistência à umidade e fungos. Fazem grande economia de margens, tanto nas bordas internas quanto nas externas, resultando que o leitor tem que forçar a abertura e assim deforme o livro. As colas usadas são de alta acidez, soltando-se e ficando quebradiças já na primeira leitura.
As capas são precárias. Enrolam para fora e soltam-se do miolo do livro, sem mencionar que aquelas bonitas letras douradas dos livros do Harry Potter e da série Crepúsculo somem em pouco tempo por força da fricção.
Para mitigar um pouco o sofrimento deles, passo umas dicas de conservação.

FUNGOS EM LIVROS DE COURO
Limpe o couro com um pano umedecido em detergente multi-uso diluído 50/50, em seguida friccione o remédio VODOL líquido ou creme. A receita serve para qualquer objeto de couro.
HIDRATAÇÃO DO COURO
LImpe o couro da mesma forma acima, depois use hidratante normal, tipo Vasenol, Nívea, etc., passando
com uma esponja ou um pedaço de pano limpo. Se tiver sinais de fungo, acrescente Vodol creme ou líquido e hidrate com essa mistura.
LAVANDO O LIVRO
Se comprou um livro no sebo, ou se emprestou para alguém e voltou sujo, ou se emprestou um livro sujo de alguém, ou seus livros estão sujos mesmo, pode lavar as capas que sejam plastificadas ou de papel couchet. Use detergente multi-uso dliluído 50/50, mergulhe o pano no recipiente, torça bem e esfregue rapidamente até tirar toda a gordura e sujeira da capa. Pode passar de leve no alto das folhas se estiverem muito sujas. Em seguida passe um pano seco e limpo. Aqueles livros de capa dura do Clube do Livro são inteiramente laváveis. Siga sempre mergulhando o pano na solução de detergente e torcendo bem.
PASSANDO CERA DE ABELHA
Se há um elemento inestimável para conservação de livros, é a bendita cera de abelha. Possui incríveis propriedades anti-fungo e anti-mofo, também mantendo distante cupins, traças e brocas. Uso principamente para encerar os fios de costura do livro. Mas também pode ser usada com sucesso para:
1) esfregar em manchas de fungo e mofo das folhas; 
2) esfregar na parte superior das folhas com livro bem fechado;
3) encerar as capas de livros antigos, garantindo às folhas ressecadas e porosas um pouco de proteção.
Vale a pena passar numa loja de material de construção, daquelas antigas onde tem de tudo, e comprar umas gramas de cera. É muito barato e dura muito tempo. Se tem casa algum objeto de madeira com aquela cultura de fungo verde, lave e passe a cera. Fica livre do fungo e bonito.
Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação
Tags: Arte Gráfica, conservação
03/09/2009 - 20:47
Lá por 1982, despertou meu interesse por encadernação. Minha livraiada (tão
poucos para ser considerado biblioteca) estava em péssimo estado, com as capas soltando, as costuras rotas e as páginas sujas. Comprados já usados, herdados de familia ou comprados de livraria, pediam socorro. Os primeiros sairam toscos, eficientes mas horrendos. Então o Gino da antiga livraria de usados Guttemberg, o Salim ex-presidente de sindicato de indústrias de papel e dono de uma maravilhosa coleção de livros, e Chaim, o da livraria mesmo, me deram o livro de Zelina Castello Branco.
Foi uma descoberta atrás da outra. Direta e didática, me deu as primeiras instruções, junto com muita tentativa e erro de minha parte, mais pesquisa e prática, fui desenvolvendo minha própria técnica, sempre mais orgulhoso por reviver detalhes da verdadeira encadernação clássica do que por inventar novos métodos. Quando me deparava com algum impasse, imaginava o que Zelina faria. Quando terminava um livro, imaginava qual seria a avaliação de Zelina. Afinal, muitos dos grandes mestres da encadernação eram mulheres, como Santa Wiborada.
Tornou-se de fato minha mestra.

Atuou na “Leart – Livraria e Encadernação”, é viúva do escritor, jornalista e bibliófilo Carlos Heitor Castello Branco, intelectual e expert em livros. Instalada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com um catálogo de livros que alegrava o mais exigente dos colecionadores que a visitavam para pesquisa de raridades. Sua neta Marilia já me informou que Zelina está com 96 anos e que já não tem a Livraria.
Conta Zelina, que aprendeu os princípios da Arte de Encadernação aos 30 anos, quando freqüentou curso na Espanha. Seria com o mestre Emilio Brugalla Turmo (1901-1986), mestre completo, encadernador, dourador e escritor.
Voltando a São Paulo, entrentou todas as dificuldades inerentes à falta dos materiais mais básicos à sua atividade, quando, em plenos anos 1940, a mais industrializada capital do País não dispunha de papéis básicos de qualidade e nem mesmo os papelões, tendo que trazer da França a matéria prima de seu exigente ofício.
Durante sua profícua atuação, trabalhou para os grandes colecionadores e intelectuais brasileiros.
O meu exemplar do livro Encadernação, ficou assim:

Fazer conhecer vida e a obra dessa mestre da encadernação clássica é vital para a Arte.
Esse Link leva ao catálogo de livros da Le Art.
http://l.vellez.sites.uol.com.br/Leart/Catalogo.html
Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação
Tags: Zelina Castello Branco
26/08/2009 - 19:39
“ENCADERNAÇÃO” – ETIMOLOGIA
Lendo sobre encadernação, história e técnica, conclui que a palavra pode ter origem no velho espanhol influenciado pela cultura árabe, pois essa arte foi introduzida na Europa pela Península Ibérica, durante os séculos de dominação árabe. Assim, pode derivar-se de “encadeñar” ou encadear, como em dispor em cadeias sucessivas.
Por associação, pode ser derivada de cadernos, ou “quaternos” dos antigos “in-fólios”. Esclarecendo, antigamente tomava-se uma folha provavelmente tamanho 96 X 66 cm, dobrava-se duas vezes formando quatro folhas, que eram costuradas pelas dobras formando um livro, ou seja, encadernadas.
Encontrei explicação plausível num livro publicado por ocasião do IIº Congresso da Indústria Gráfica Argentina: 
“Ya se ha visto que la palabra “encadernacion” proviene de encuaternar (poner de a cuatro os cuadernillos impressos e coserlos. ” (LA HISTORIA GENERAL DEL LIBRO IMPRESSO, Raul M. Rosarivo, Ediciones Áureas, página 201, Buenos Aires, Argentina, 1964)
Citar Raul Rosarivo é suficiente para encerrar a questão etimológica. O homem foi importante desenhista, professor, pesquisador das artes gráficas, pintor e bibliófilo argentino, com sólida obra sobre artes gráficas e bibliologia.
Buscando auxílio dos dicionários, o mais simples diz que é “formar cadernos”. O velho dicionário Moraes me afirmou que é derivado de “cadeñas” mesmo e do espanhol. Há até uma semelhança fonética que remete à livre associação com o Porto de Cádiz, principal ponto de entrada para os navios árabes, mas aí já é especular demais. Um blog de encadernação afirma que “encadernar significa fazer, amarrar ou segurar (em latim é ligare)”, coisa que não tem nada a ver, mas está assim no sitio de encadernação e restauro.
Uma nota curiosa encontrada nesse mesmo livro, informa que o costume de pintar de vermelho os cantos dos livros começou com os monges medievais decorando as laterais em recordação ao sangue dos mártires cristãos. Esse Rosarivo…
Já que estamos nesse assunto etimológico permeado de curiosidade, são muitas as variações possíveis com a raiz grega “biblos” (livro), aplicadas desde a quem coleciona até a quem depreda, sem contar aquelas mais usuais, como “biblioteca”:
Bibliófilo: que ama os livros
Bibliocasta: que destrói livros
Biblioclepto: ladrão de livros
Bibliótafo: que esconde os livros
Bibliófago: comedor de livros
Bibliófobo: que odeia livros
Bibliólotra: que idolatra livros
Bibliomanta: que pratica adivinhação ao abrir um livro ao acaso e interpretar a primeira linha
Biblioterapia: cura por meio da leitura
Bibliópola: vendedor de livros
Biblióforo: que carrega livros
Bibliomaníaco: que tem atração mórbida por livros
E por aí afora, sem falar nos Bibliocidas, aqueles que encadernam livros, destruindo a obra no processo, vide outros posts neste espaço.
Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação
Tags: curiosidades, história, Raul Rosarivo
23/04/2009 - 21:10
Introdução
Quando um homem das cavernas apoiou a mão suja de sangue, fuligem ou terra na parede da caverna e deixou a palma marcada na pedra. percebendo esse gesto, aconteceu a primeira impressão na história da humanidade. O livro é muito anterior à tipografia, pois eram caligrafados no início, impressos com chapas gravadas depois e finalmente tipografados. Os tipos eram letras de metal, usualmente chumbo, organizadas para formar palavras, frases e páginas. Dando continuidade aos padrões artísticos obtidos com a caligrafia, os primeiros tipos eram góticos e enfeitados, sendo substituídos por letras arredondadas latinas, à medida que o processo de impressão se popularizou.
Alguns dos primeiros tipógrafos, entre 1470 e 1600 eram artistas completos, pois desenhavam cada letra, entalhavam as matrizes, fundiam os tipos e davam polimento até a perfeição, estabelecendo padrões que até hoje utilizamos nas telas dos computadores. A vulgarização do processo de impressão, tornando-se realmente industrial, evoluiu para os tipos fabricados em série e vendidos a qualquer um que quisesse empreender a atividade de impressor. A importância econômica da atividade era enorme, pois os livros e depois os jornais, foram o principal meio de difusão de cultura e de informações até o meio do século XX.
Alguns grandes tipógrafos, verdadeiros fundadores da arte, estão presentes em nosso cotidiano até hoje.
BODONI
• Gian Battista BODONI, príncipe dos tipógrafos italianos do século XVIII, responsável pela ressurreição da tipografia funcional em oposição ao barroquismo que dominava a arte da impressão.
• Para Bodoni, o jogo e a proporcionalidade das superfícies brancas e negras é essencial no livro. Controverso, perfeccionista até a obsessão, capaz de retocar centenas de vezes uma mesma prova de tipos. Nasceu em Saluzo em 1740, aprendendo as bases elementares da arte com seu pai com quem cortava as matrizes que vendia a outros tipógrafos de Turin. O sucesso que obteve em Saluzo o levou a ambicionar por Roma. Junto com o amigo Domingo Sota, se põe em marcha, mas o caminho é longo e no caminho de cidade em cidade vende seus tipos e talha novos para os impressores. Em Roma é recebido com frieza por parentes e artistas, tendo que buscar trabalho para se manter com dificuldade. Desiludido, já pensa retornar a Saluzo, quando visita a “Stamperia Propaganda Fide”, gerenciada pelo cardeal Spinelli que não resiste ao seu ardor e vocação, dando-lhe emprego como tipógrafo da famosa imprensa romana.
• Logo revela seu gênio e após muitas peripécias torna-se Impressor da Imprensa Real, recebendo medalha de ouro na Exposição de Arte Tipográfica de Paris em 1806. Sua obra “Manual Tipográfico”, com 150 caracteres latinos e 28 gregos. Outra, “Oratio Domenica”, foi composta em 150 línguas com 215 variedades de corpo de letra.
• Morreu em 30 de novembro de 1813, às 7:30 da noite, cercado de familiares e amigos.

GARAMOND
• No século XVI surgem os maiores tipógrafos da história das Artes Gráficas. Claude Garamond foi um deles, sendo conceituado e respeitado fundidor de tipos. Nasceu em 1495 e em 1510 já havia gravado um jogo de punções, iniciando sua aprendizagem com Antoine Augereau.
http://tipografos.net/historia/garamond.html
PALATINO
• Giovambattista Palatino, 1515 a 1575, autor do “Tratado de Caligrafia”, impresso em Roma em 1540. Reconhecido como o Calígrafo dos Calígrafos
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Tags: curiosidades
14/04/2009 - 22:22
A ARTE NEGRA
♦ Durante a Idade Média e antes da utilização de tipos móveis na impressão de livros, a atividade gráfica foi chamada de “Arte Negra”.
♦ Por conclusão da ignorância, ou seja, quando a imensa maioria de analfabetos concluía que aquelas manchas no papel tinham poderes mágicos, pois alguns iniciados olhavam para elas e de sua boca brotavam histórias, poesias e ciências cujas maravilhas e revelações não tinham fim. E entre esses analfabetos estavam reis e nobres, ricos comerciantes e poderosos generais, estando a leitura restrita a um reduzido número de clérigos. Ler era poder e essa força tornava os leitores homens temíveis, donos de uma ciência certamente utilizada muitas vezes para obter riqueza e prazer, logo uma “Arte Negra”.
♦ Um dos inventores do processo mecânico de fazer livros foi Fust. Em 1462 foi a Paris para vender seus livros impressos, fazendo crer que se tratavam de livros manuscritos. Já nessa época os livros impressos tinham menor valor. A corporação de calígrafos franceses denunciou a farsa, movendo processo contra Fust, pois como podiam os livros ser manuscritos se apresentavam os mesmos erros nas mesmas letras, nas mesmas palavras, nas mesmas linhas e nas mesmas páginas de cada exemplar examinado. Fust não admitiu o crime e preferiu manter segredo sobre o processo de impressão mecânica, sendo acusado de manter contato com as artes diabólicas e que o vermelho dos detalhes era sangue humano. Foi condenado à morte, mas recebeu ajuda do Rei Luis XI para fugir da prisão em segredo. Sua fuga foi atribuída ao Diabo que com ele tinha um pacto. Fust, Fusto ou Fausto vendeu sua alma ao Diabo. A lenda tomou corpo, conectando-se com um Joahan Fausto, necromanta de Witemberg que recebeu existência literária através do gênio de Goethe.
♦ Por outro lado, o restrito círculo de letrados capazes de decifrar os caracteres misteriosos, e poderosas ordens de copistas e calígrafos alimentava essa superstição, resistindo à vulgarização dos livros impressos em quantidade. Protestam que essa é uma “arte negra” que tem como principal capitalista o Diabo, pois o Diabo é mecanicista e vulgarizador. O novo processo é uma “ars diabolica“.
♦ No meio dessa desinformação, os gráficos. Trabalhadores numa arte nova, tão criativos que eram capazes de utilizar uma prensa de moer bagaço de uva, onde reuniam caracteres pacientemente talhados em madeira por artesões, pincelados com tinta vinda de Nanquim ou nanopartículas de carvão de bambu estabilizadas com goma arábica, para prensarem sobre uma folha de pergaminho. Adaptando materiais e ferramentas, com as mãos nuas, errando e acertando, para emergir de suas oficinas negros de tinta. Os artistas da “Arte Negra”.
♦ Mas o avanço das artes gráficas sobre a Europa é generalizado, não restando cidade que não possua uma prensa. A “Arte Negra” deixou de ser segredo e perdeu sua magia.
Página da “Bíblia de Mogúncia”, incunábulo, ou seja, impressão mecânica com desenhos e gravações manuais, impresso em 1460 por Fust, conhecida como de Gutemberg.

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Tags: curiosidades, história
09/04/2009 - 23:16
◊Lido “A Galáxia de Gutemberg”, de Marshall McLuhan, ficaram algumas curiosidades sobre livros em geral. Uma que me lembro com estranheza é que pessoas que lêem muito ficam com dor de garganta, pois os músculos involuntários da garganta se movimentam como se estivéssemos recitando.
◊Explica que até lá pelo século XIV a leitura era apenas em voz alta. Os livros eram escritos para serem recitados, com regras então vigentes que respeitavam a respiração do orador, a salivação e a entonação apropriada. Por isso das celas onde os monges se isolavam para suas leituras. Com o advento da vulgarização da leitura, veio a “leitura silenciosa”, quando as pessoas passaram a ler para si mesmas. Nos anos sessenta, ainda era assim que as professoras se referiam ao ato de cada um ler suas lições em sala de aula.
◊Curiosidades sobre livros, como essas, podem ser tema para preencher espaço com brevidades, para aprimorar nossos conhecimentos, pois após a Educação vem a Sofisticação, ou seja, o refinamento, a sintonia fina que diferencia das pessoas educadas em massa.
◊Um livro cheio dessas extraordinárias informações diferenciadoras, com pérolas preciosas de deliciosa cultura é o “Historia General del Libro Impreso”, feito para um congresso de indústria gráfica da Argentina em 1964, que está escrito assim na folha inicial: “M.DCCCCLXIIII”, o que não constitui um erro, como a princípio julguei, mas uma forma especial de escrever em caracteres romanos, comum em livros do século XIV.
◊Introduz com a história da padroeira dos bibliófilos: Santa Wiborada.
◊Bibliotecária do Monastério de Saint Gall, enfrentava a ameaça de bárbaros que marchavam sobre a cidade e iriam passar sobre o monastério saqueando e queimando, até encontrar as muralhas da cidade. Os monges já estavam fugindo aterrorizados, mas ela os convenceu a esconder as obras, enterrando-as nas valas defensivas da cidade. Passaram aquele dia 1 de maio de 925 e a noite que o seguiu pondo os preciosos manuscritos em local seguro. Os bárbaros húngaros chegaram, arrasaram o monastério e avançaram sobre a cidade fortificada. Após três dias de luta sangrenta, foram repelidos. Foram encontrar Wiborada mutilada e morta, jazendo sobre o local onde haviam enterrado os seus preciosos livros.
◊Depois de penar para encontrar referências sobre ela, pedi ajuda ao sítio http://www.cademeusanto.com.br e esses caras absolutamente rápidos e prestativos me mandaram texto e foto, com preciosas informações. Confirmaram o nome, que pensei de início ser uma argentinização, era também chamada Guiborath e/ou Weibrath. Que era encadernadora e profetiza, sendo atribuído a ela profecia sobre a chegada dos bárbaros húngaros. Um de seus atos piedosos foi transformar sua casa num hospital para os pobres e ido servir a Deus num monastério. Sites oficiais confirmam sua martirização. Foi a primeira mulher a ser canonizada pela igreja católica e isso ainda em 1.047. Seu dia é o 2 de Maio e é representada como uma freira beneditina segurando um livro e um machado.
◊Mulher de valor e santa guerreira, já praticava lutar pelo livro.
◊Que por todos nós interceda!

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação
Tags: curiosidades, história, Marshal McLuhan, Raul Rosarivo
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