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23/11/2009 - 00:00

Contaminação Tóxica em Bibliotecas

Outros títulos são adequados para esse post:

Uso de Inseticidas em Livros.

Uso de BHC e DDT em Bibliotecas.

Efeitos da Ignorância nos Acervos Culturais.

Incidência de Câncer em Cartorários.

Todos seriam necessários para atrair a atenção dos administradores de acervos públicos e donos de biblioteca para um problema grave e de conseqüências letais para a saúde.

Fui alertado para a incidência desse problema por Deolinda Taveira, que é APLICAÇÃO INDISCRIMINADA bhcconservadora e restauradora de bens culturais em Goiás. Antes disso, tive uma desagradável experiência comprovada quando restaurava os livros do Registro de Imóveis de Paranaguá, sentindo efeitos de intoxicação ao manusear aquele material. Em outros acervos onde atuei, sempre examino o ambiente onde estão guardados à procura de indícios de pesticidas, mas apenas desconfio que alguns podiam estar contaminados, pois os efeitos foram mínimos. Por trazer os livros ao atelier, não me exponho ao ambiente geral onde estão armazenados.

Pois Deolinda me convoca para contribuir na solução do dilema de livros contaminados por BHC e DDT, pesticidas largamente usados entres os anos 50 e 70 para combate às pragas na lavoura, na criação animal e até mesmo no ambiente doméstico. Era tido como produto químico salvador e panacéia para todas as pragas. Porém, revelou-se extremamente tóxico e altamente cancerígeno.

Expor-se a ele superficialmente, causa irritação de mucosas, na pele, com dores de cabeça e vômito.

Exposição prolongada causa destruição dos tecidos e câncer.

O BHC, DDT e agrotóxicos podem determinar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. A intoxicação aguda é aquela na qual os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a exposição excessiva, por curto período, a produtos extremamente ou altamente tóxicos. Pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, dependerão da quantidade de veneno absorvido. Os sinais e sintomas são nítidos e objetivos.

A intoxicação subaguda ocorre por exposição moderada ou pequena a produtos altamente tóxicos ou medianamente tóxicos e tem aparecimento mais lento. Os sintomas são subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza, mal-estar, dor de estômago e sonolência, entre outros.

A intoxicação crônica caracteriza-se por surgimento tardio, em meses ou anos, por exposição pequena ou moderada a produtos tóxicos ou a múltiplos produtos, acarretando danos irreversíveis, do tipo paralisias e neoplasias.

Essas intoxicações não são reflexo de uma relação simples entre o produto e a pessoa exposta. Vários fatores participam da determinação das mesmas, dentre eles os fatores relativos às características químicas e toxicológicas do produto, fatores relativos ao indivíduo exposto, às condições de exposição ou condições gerais do trabalho.

Estes compostos químicos não são eternos, exercendo plenamente sua ação nos primeiros dez anos, mas podem causar males à saúde humana por um período impossível de estabelecer com certeza científica.

Deolinda me manda reportagem sobre a Sra. Maria Thereza Böbel, escritora e

Maria Thereza Böbel

Maria Thereza Böbel

historiadora de Santa Catarina, que contraiu câncer ao freqüentar o Arquivo Histórico de Joinvile, onde foi usado BHC e DDT até 1985, para combate às pragas, conforme confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz. Pois essa guerreira valorosa soube sobreviver aos danos à sua saúde, sendo culta o suficiente para denunciar o fato. Dezenas de outros freqüentadores e funcionários sentiram os efeitos do envenenamento, até o fechamento da instituição.

Um trecho da entrevista:

PP – E o Arquivo Histórico, por que fechou?

Maria – Está fechado porque, em setembro de 2002 as moças que trabalham lá passaram mal. O acervo fica na sala de cima, a central de ar estava queimada há muito tempo e não tem servente para fazer a limpeza no local. É um calor terrível lá em cima, tem muito pó. Sem ventilação, as meninas passaram mal e todas apresentaram os mesmos sintomas, como dor de cabeça e vômito. Foram parar no ambulatório da prefeitura e foi constatado intoxicação. Nessa mesma época aconteceu aquele problema no meu exame de sangue, embora eu estivesse afastada porque não estava boa. Foi ai que relacionei a doença ao que estava acontecendo no Arquivo. Com esse fato da intoxicação, surgiu a história de ter veneno lá dentro. Aí meu marido falou: no arquivo tem veneno (BHC). A Vigilância Sanitária lacrou o Arquivo. O laudo do livro mandado para São Paulo constatou que o local está contaminado por BHC e DDT. E os dois são cancerígenos. O médico falou que meu câncer tinha pelo menos quinze anos e eu trabalhei dezoito no Arquivo. O BHC era passado até 1985, para evitar cupim, quando o Arquivo funcionava junto a Biblioteca Pública. Por ordem do antigo diretor, senhor Schneider, um funcionário passava o veneno depois que íamos embora, mas não usava máscara. No outro dia, reclamava de enjôo. O diretor não queria que os livros fossem inutilizados pelos cupins e não tinha idéia do mal que estava fazendo.

Deolinda pesquisa fundo e me manda também a Reportagem de Paulo Bessa,

Paulo Bessa

Paulo Bessa

“Cidade dos Meninos”, leitura obrigatória, com informação importante sobre contaminação tóxica como conseqüência da ignorância a administração pública , descrevendo a dificuldade para resolver o problema da permanência de BHC, DDT e outros organoclorados.

Ele contextualiza perfeitamente o problema e o link está disponível na íntegra, aqui está um trecho:

“É um problema silencioso que afeta gente pobre – as maiores vítimas das incúrias ambientais praticadas diariamente neste país. Os casos de contaminação por poluentes orgânicos persistentes dão poucos dividendos na mídia e não rendem fotos espetaculares em primeiras páginas. Falarei da Cidade dos Meninos no município de Duque de Caxias (RJ). Lá ocorreu uma situação típica, pois mistura uma série de ingredientes que, em conjunto, formam uma tragédia ambiental autêntica. Não aquelas que só existem na mente dos apologistas do fim do mundo, dos modernos cavaleiros do apocalipse. Não são danos imaginários, ou danos à Borboleta Monarca. São danos reais, causados a pessoas reais – Fleisch und Blut – que, por serem pobres e sem maiores apelos para os “radicais chiques”, permaneceram inteiramente desprotegidos por cerca de 50 anos. E, como veremos, mesmo quando uma “solução” se avizinha, ela não deixa de trazer a marca da discriminação que os pobres sofrem nesta Terra Brasilis.

O caso demonstra, inclusive, que em termos ambientais a solução de problemas em um determinado momento pode ser o próprio problema em outro, o que ressalta a importância de que novos produtos sejam corretamente avaliados. Até o lançamento do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, os organoclorados eram considerados excelentes produtos para combater pragas e insetos, ajudando na redução de doenças e aumentando a produtividade agrícola. Entre aqueles aplicados no combate às pragas, reinava absoluto o DDT. Hoje, o produto está banido graças à Convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPS) de Estocolmo firmada por 90 países, inclusive o Brasil (1). A ocasião teve como objetivo a proibição de produção e uso de 12 substâncias orgânicas tóxicas (Aldrin, clordano, Mirex, Dieldrin, DDT, dioxinas, furanos, PCBs, Endrin, heptacloro, BHC e toxafeno). No caso da Cidade dos Meninos a contaminação foi devida ao chamado pó de broca.

Guerra na Cidade dos Meninos

A história é a seguinte: entre os anos 1950 e 1962, o Instituto de Malariologia, órgão do então cidade dos meninosMinistério da Educação e Saúde, operou uma planta industrial para a produção de Hexaclorociclohexano (HCH) e a manipulação de outros compostos organoclorados, como o diclorodifenilcloroetano (DDT) em oito pavilhões pertencentes à Fundação Abrigo Cristo Redentor, na Cidade dos Meninos. A área total é de mais de 19 milhões de metros quadrados. Aqui, cabe uma pausa para que o leitor saiba o porquê da denominação Cidade dos Meninos: tratava-se de um “colégio interno” para crianças pobres, “carentes”, “excluídas” como se diria de uma forma elegante, politicamente correta e à la mode. Como existiam pavilhões desocupados no local, decidiram produzir ali organoclorados. A típica “idéia de jerico”. Algum burocrata da época deve ter achado que seriam diminuídos custos de produção e coisas do gênero. E assim foi feito.

Como a CPMF, as instalações seriam utilizadas “provisoriamente”. O objetivo do governo era atingir a auto-suficiência na produção de pesticidas para controle de endemias transmitidas por vetores – malária, febre amarela e doença de Chagas. Em função de dificuldades econômicas causadas pelo encarecimento dos custos para a fabricação do HCH, a fábrica foi sendo desativada. De acordo com a mentalidade prevalente na época, nenhum procedimento para encerrar seguramente as atividades produtivas foi adotado. Pelo contrário, a produção remanescente permaneceu estocada ao ar livre nas antigas dependências da fábrica, ou seja, no pátio do colégio.

Mas – desgraça pouca é bobagem – como sabem todos os “condenados da terra”. Já que a comunidade local era pobre e desinformada, pegou o produto que estava estocado no pátio da antiga fábrica e começou a vendê-lo para faturar uns trocadinhos. Na década de 80, constatou-se que na feira de Caxias, além de tráfico de animais, existia a venda clandestina de pesticida – a produção de pó de broca que ficara abandonada no pátio do orfanato-fábrica. Quando as autoridades públicas se deram conta da questão, em fins da década de 80, ainda sobravam cerca de 40 toneladas de produto tóxico do local para serem retirados. Como manda a regra e a prática administrativa brasileira, criou-se uma comissão e instaram-se infindáveis debates para saber se a questão era federal, estadual ou municipal. Quase 30 anos já tinham passado.

Uma outra reportagem ilustra a presença dos pesticidas nos livros oficiais de registro público.

Artes

Sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dois séculos de memória

O cheiro de BHC exala com força quando o livro contábil de um antigo cartório da cidade é aberto sobre balcão para uma consulta corriqueira. Quantas vezes o volume de 80 por 40 centímetros e uns 10 quilos de peso, com capas duras de papelão e cantoneiras de metal já não foi aberto desde 1932, (aqui há um erro na reportagem, pois esses livros são regularmente consultados) quando suas anotações foram postas ali, e o cheiro do veneno agrícola que hoje nem mais é permitido no Brasil ainda pega muita gente desprevenida coçando o nariz? Bastava um filetinho no centro do calhamaço que fungo algum prosperaria entre as páginas recobertas com tinta nanquim, cuidadosamente preenchidas numa caligrafia tão cuidadosa e simétrica que parece ter saído de uma aula de educação artística.

O livro de escrituras fiscais não é o mais antigo nem o mais interessante. É apenas um entre os quase 200 mil documentos que atualmente compõem o acervo do Arquivo Histórico Municipal de Franca “Capitão Hipólito Antônio Pinheiro” e que hoje completa 20 anos de criação.

Existem outras e mais referências que tem contribuído para o esclarecimento da população e para a tomada de atitude de todos os responsáveis pelos acervos públicos e particulares, como o material da Universidade Federal Fluminense, publicado na Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente. Aborda o assunto da Cidade dos Meninos de um ponto de vista mais acadêmico.

A minha resposta a Deolinda, para solução do problema prático, foi a seguinte:

É doloroso saber da amplitude do problema. A ignorância ou a questão econômica DDT salvadoragrária acima do bem estar da população, que reinava nos anos 60 e 70, é injustificável. Mas lamento informar que outros defensivos estão sendo usados neste momento por todo lugar. Tão danosos à saude humana e inúteis no combate às pragas quanto o BHC e DDT. São os piretróides e organoclorados conhecidos como K-Otrine, Bolfo, Audrex, vendidos livremente em qualquer lugar e largamente usados. Talvez eficientes no combate a pragas que atacam animais e próprios para uso em ambientes laváveis, são inúteis contra pragas de biblioteca e seu efeito tóxico residual tem duração indefinida. É como usar metralhadora para matar mosca: os efeitos colaterais são inexoráveis.

A maior praga ainda é a intervenção humana desastrosa. Quando guardamos livros em ambientes inóspitos, utilizamos produtos tóxicos e manuseamos sem critério, causamos danos maiores do que qualquer cupim.

Somente limpeza protege livro.

O seguinte processo pode ser usado para desinfecção de acervos:

1-Com adequada proteção, retirar os livros do ambiente contaminado, pois é nas prateleiras, cantos e superfícies do ambiente que está a maior quantidade de resíduos tóxicos.

2-Lavar o ambiente inteiramente,  inclusive paredes e teto, substituir o madeiramento e prateleiras, pintar o local ou voltar a armazenar os livros em outro local de alvenaria e azulejo, arejado e iluminado.

3-Retirar com aspirador a poeira e resíduos superficiais no livro.

4-Selecionar os livros por seu valor histórico/estético.

5-Separar o acervo pelo estado de conservação, em grupos, classificando-os pelo tipo de agente causador (umidade, praga biológica, contaminação tóxica, fragmentação, etc).

6-Eleger os livros representativos que serão preservados para consulta e manuseio.

7-Reencadernar estes exemplares, sempre em ambiente arejado e amplo, com proteção para as mãos e rosto. Separar capa de miolo. Refazer a capa, ou restaurar se possível, sempre preservando cararteristicas da capa original, como etiquetas e marcas de fabricante. Limpar as folhas com trincha e pó de borracha de apagar.Consertar as folhas do miolo, usando materiais e colas alcalinas. Recosturar o miolo, reforçar a lombada, lixar e pintar as laterais do miolo do livro  ou (em ultimo e extremo caso) refilar.

8-Apenas limpar e higienizar, com uso até de panos úmidos, outros livros de menor interesse ou extremamente comprometidos, para serem guardados em embalagens plásticas individuais e manuseados somente com a proteção adequada por pessoal técnico treinado.

É necessário trabalhar ao ar livre ou em ambiente sob exaustores que eliminem rapidamente o pó.

Vê-se que a tarefa demanda recursos e muita mão de obra qualificada. Não compreendo a atitude de administradores públicos e titulares de cartório que NÃO TEM NEM O CUIDADO DE ATENDER SEQUER AOS PRIMEIROS TRES ITENS ACIMA.

Como digo sempre, “pode jogar fora esses computadores, essa decoração, esses balcões. Só os livros são insubstituíveis, pois contém a história dinâmica de nossa sociedade e são documentos públicos sobre os quais vocês têm toda responsabilidade”.

Outros recurso, como digitalizar a documentação, serve para garantir o acesso aos  dados em si, mas a guarda destes dados sempre será fragil e não garante certeza sobre a veracidade das informações ou sua integridade.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: , ,
17/11/2009 - 17:06

O LIVRO DILACERADO

tres macacos

Os tres macacos

Não costumo criticar o trabalho dos outros encadernadores. Criticar é opinar sobre o trabalho alheio e apontar falhas a corrigir. Disfarçado de um vago princípio ético, meu silêncio é o desejo de que façam o pior trabalho possível, pois, quanto pior a concorrência, maior a valorização do meu trabalho.

*

Além do mais, são pessoas normalmente sem maior instrução, jamais tendo lido os livros que encadernam, sem compreender o verdadeiro valor do objeto livro.

*

A Tristeza é que até conhecem as mínimas técnicas corretas, mas nunca as utilizam, a não ser que o cliente exija claramente como deseja que seu livro seja tratado. Em todos os casos, encadernam com o menor custo e o menor trabalho possível.

*

Mas é impossível calar ao me deparar com certos trabalhos.

*

Hoje mesmo, um pobre e mutilado livro chegou às minhas mãos. É um livro de Registro de Casamentos de cartório, preenchido no ano de 1952. Mede cerca de 48 centímetros de altura, por 32 centímetros de largura e cerca de 9 centímetros de espessura nas suas trezentas folhas.

Considerando a boa qualidade do papel importado daquela época e seu intenso manuseio, podia estar em estado razoável de conservação. Normalmente, gosto de trabalhar com o material dessa época, principalmente se nunca sofreu nenhuma interferência anterior.

O processo é o de sempre, consertando todos os rasgões com papel de seda, reforçando as dobras das folhas para recosturar.

*

Mas, esse pobre livro sofreu dilacerações irrecuperáveis. Um encadernador (LH Encadernações, quando ainda era ali na Alferes Poli, em Curitiba) cometeu seu trabalho bem recentemente, há uns dois anos, no máximo. Eu sei por ter estado lá e visto. Pedi que fizessem da forma correta, mas disseram que dava muito trabalho.

*

Como as dobras das folhas estavam bem desgastadas, o livro foi GUILHOTINADO

Folhas cortadas por guilhotina

Folhas cortadas por guilhotina

bem no seu lado esquerdo, tornando únicas as grandes folhas dobradas que formam um caderno.

Em seguida, a margem esquerda foi FURADA. Como se não bastasse, errou o primeiro furo, que ficou muito perto da borda, tendo furado de novo. A seguir, simplesmente AMARROU as folhas soltas.

O que era um LIVRO composto de CADERNOS, virou um BLOCO de folhas soltas.

*

Quanto às folhas internas, nenhuma delas foi consertada ou restaurada. Minto! Algumas que estavam muito rasgadas receberam FITA DUREX.

É o pior que se faz com um documento público!

fita durex sobre o texto - grosseria.

fita durex sobre o texto – grosseria.

A fita plástica auto-colante é extremamente ácida.

É impossível retirá-la quando recente, sem prejudicar o texto.

No curto prazo, escurece.

Se é de qualidade razoável apenas seca com o tempo e se solta. Se é barata, torna-se gosmenta.

Todos os tipos enrolam e deformam o papel.

Deixam a fibra do local ressecada e quebradiça.

Não bastando esse erro, sequer tiveram o cuidado de pelo menos escolher o lado da folha que não tivesse nada escrito. Foram colando a fita durex sem nenhum critério e de forma abundante.

*

A capa já estava inteiramente destruída. Foi feita com papelão reciclado poroso e mole, de péssima qualidade, coberto de vulcapel, que é um plástico fino com forro de papel 56 gramas, que não se presta nem mesmo para livros formato ofício. Não havia reforço interno e estava presa ao miolo apenas por um tecido colado à lombada.

Na primeira vez em que foi colocado em pé, deve ter cedido ao peso do livro.

*

Como encadernar um livro tão mutilado?

Refazer os cadernos, colando a folha um à folha doze, a folha dois à folha onze, sucessivamente, juntando-as com uma tira de papel o mais fina possível, considerando a grossura e o peso da folha.

O problema é que são trezentas folhas, sendo necessário usar cento e cinquenta tiras que depois serão dobradas. O volume resultante da colagem das tiras causa uma diferença de uns quatro centímetros entre a lombada e a espessura normal do livro. Ou seja, a metade de sua espessura.

A lombada fica muito mais grossa, forçando o livro a sempre ficar entreaberto, facilitando a penetração de sujeira e entrada de umidade.

Deixar o livro assim? O problema é que a abertura do livro vai ser forçada, pois a área do papel ao longo da lombada já apresenta rachaduras. É um livro velho e o papel já está seco, com o mínimo uso as folhas vão se partir longitudinalmente.

*

De qualquer forma, vai demandar muito trabalho.

*

Quando insisto no estabelecimento de Normas Técnicas para Encadernação de Livros e Documentos Públicos (veja Página), meu objetivo é estabelecer padrões para todos os encadernadores, um critério para julgar um trabalho, até mesmo responsabilizar o profissional que cometa um crime semelhante ao que foi perpetrado nesse livro. O responsável final, o titular do cartório, teria como exigir que a técnica correta fosse usada.

*

Naquele dia, há dois anos atrás, quando testemunhei a desatrosa interfência nesse mesmo livro, meu primeiro impulso foi evitar a tragédia, arrancar das mãos inconseqüentes daqueles pobres encadernadores e sair correndo. Contive. Racionalizei que cada um tem o livro que merece. Que a corregedoria não está nem aí para esses detalhes. Que minhas preocupações devem ser psicopatias, reações anormais que ninguém vai entender. Então, senti um arrepio e soube com certeza que um dia aquele livro estaria em minhas mãos, para que eu salvasse o que fosse possível. E ia dar muito trabalho.

A profecia foi cumprida.

***

Livro guilhotinado, com as folhas separadas

Livro guilhotinado, com as folhas separadas

Livro da mesma época, com as folhas intactas

Livro da mesma época, com as folhas intactas

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags: , ,
02/11/2009 - 18:09

Quantos Livros Você já Leu?

Uma pergunta vasta: Quantos livros você já leu em sua vida?

Vamos estabelecer alguns critérios para responder com alguma exatidão.

Abapuru releitura Tarsila do Amaral

Não importa a qualidade da leitura. Pode ser aquela leitura rápida sem maior ambição do que simplesmente divertir e passar o tempo. Pode incluir as meias leituras, aquelas onde você não conseguiu concluir por mais que tentasse terminar o livro, mesmo indo contra seus princípios de nunca recuar diante de uma dificuldade dessa natureza. É permitido incluir a leitura de livros impingidos na escola e livros técnicos necessários ao exercício de sua profissão. É aceitável incluir qualquer livro, mesmo aqueles que você se envergonhou de ter lido e nem às paredes confessa que gostou, pois a pergunta não é QUAIS livros você já leu, apenas quantos. Vamos excluir apenas um livro, a Bíblia.

Para algumas pessoas, a resposta é precisa e imediata, infelizmente. Leram tão poucos livros que lembram de cada um deles com detalhes tipo: a idade que tinham quando leram, a casa onde moravam, se leram na cama ou na poltrona ou no banheiro.

Conheci um sujeito que dizia ter lido UM livro. Leu apenas por obrigação na escola básica, mas inflava o peito e dizia “eu li a moreninha”, obrigando o interlocutor a se esforçar para disfarçar a moreninha first editionexpressão de assombro e incredulidade. Descascando bem o ser humano, para conhecer seu interior, descobri mais tarde que leu também outros livros de contabilidade e então perguntei qual o motivo de não incluir mais esses em sua conta e ele me respondeu que esses… não eram bem livros… só estudo. Parece resposta razoável, pelo menos nesse caso.

A maioria das pessoas lerão de 20 a 50 livros durante a vida inteira. Falo de livros mesmo, para simplificar, e não dos de estudo. Para esses, a leitura é uma atividade dolorosa, desenvolvida com muita relutância. Começam por alguma imposição da escola ou do trabalho e, quase sempre, por força de um modismo ou pela necessidade de reunir atributos semelhantes aos do grupo de seus amigos e assim participar das conversas. O ato de ler é penoso, com a leitura de umas poucas folhas por dia e sempre de olho na numeração das páginas para constatar quantas já leu e quantas ainda faltam para finalmente concluir. Raramente lerão livros muito grandes, pois a simples visão de um livrão promete que a empreitada vai ser dura.

Esse tipo de leitor sempre sabe com certeza QUANTOS e QUAIS foram os livros que já leu e, por mais incrível que pareça, lembram até do que estava escrito neles, pois leram devagar e com atenção. Em resumo, não souberam curtir.

Quem não pode ficar sem algum livro para ler e, quando esta lendo, avalia com tristeza que o livro já está na metade ou mesmo quase acabando, nunca vai poder responder à pergunta inicial. Sequer com uma margem razoável de erro. Nem mesmo pela média mensal de livros lidos desde que aprendeu a ler, pois há fase de ler dez e fase de ler três e outras de ler nenhum. Muito menos pelos livros em sua estante, pois sabe deus quantos leu por empréstimo, quantos sumiram ou foram emprestados e quantos não sobreviveram. Nem pensar em enumerar mesmo por cima todos os livros, serão semanas só pensando nisso.

Uma outra pergunta bem mais fácil teria que ser feita:

Quantos Livros Você já Releu?

jorge luis borges

Jorge Luis Borges dizia: o que importa é a releitura, é onde está a verdadeira leitura. Talvez, para ele, a primeira é a hora do assombro com a novidade e do maravilhamento com o superlativo. Na seguinte, é o momento do detalhe requintado, do prolongamento do prazer que já não se preocupa com o desdobramento da trama e a conclusão dos mistérios.

Uma coisa é certa, a pessoa que relê nunca é a mesma pessoa que um dia leu e pode estar interessada em outros aspectos da obra que passaram despercebidos na primeira ou na segunda vez.

Essa pergunta é mais fácil. Pode ser: nenhum e tantos. Para facilitar ainda mais, pode responder com grande margem de acerto, tipo “li uns dez” ou, “li ins cinqüenta”, pois, na esmagadora maioria dos casos, você tem esses livros junto de você e poderia agora mesmo ir pegar todos eles e provar que releu e, pior, tentar me convencer a ler também todos eles e, se eu já li alguns, comentar cada um deles muito satisfeito por encontrar uma verdadeira alma gêmea.

Para mim, essa pergunta ainda é difícil. Lembro de ter relido todos da Doris Lessing mais de uma vez, toda a série “Duna” do Frank Herbert de uma vez só (como me bagunçou a cabeça!), além de “Senhor dos Anéis” na velha versão portuguesa que chamava Bilbo de Bilbo Bolsin, claro que Jorge Luis Borges e… mais uma porção difícil de lembrar.

Agora, quer uma pergunta realmente fácil?

Uma pergunta que pode ser respondida de pronto e com absoluta exatidão, sem nenhuma margem de erro:

QUANTOS LIVROS VOCÊ JÁ TRELEU?

Quantos e quais foram os livros que você já leu três ou mais vêzes? Uma meia dúzia, no máximo dez? Quantos se identificaram tanto com você? Quais são esses livros de infinitas novidades e inesgotáveis informações cujas leituras, por mais pormenorizadas e atentas, jamais serão satisfatórias?

Vou denunciar alguns que já treli.

O Leopardo, de Giuseppe Tomaso de Lampedusa.

Meu Encontro com Marx e Freud, de Erich Fromm.

Só a Terra Permanece, de George R. Stewart.

Ulisses, de James Joyce.

Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce.

Eros e Civilização, de Herbert Marcuse.

Não faço a menor idéia de quantos livros já li, muito menos de quantos livros já possuí, pois forças além de minha vontade me separaram de um acervo que juntei durante a primeira metade de minha vida. Mas li alguns, com certeza mais de mil ou dois mil.

Talvez não importe quantos livros já li.

O mais importante é que ainda vou ler mais um tanto.

erich fromm

Erich Fromm

Tomasi di Lampedusa

Tomasi di Lampedusa

George R. Stewart

George R. Stewart

James Joyce

James Joyce

Herbert Marcuse

Herbert Marcuse

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
09/10/2009 - 21:55

Bem vindo o ebook

Com a “abertura” do Kindle e a anunciada livraria on-line do Google,

editores acham que o sucesso do formato é questão de tempo.

Frankfurt – O inglês Richard Charkin, diretor executivo da editora Bloomsbury, é ebookum homem bonachão, que arranca gargalhadas com quase tudo o que fala. Du­­rante um encontro sobre o futuro do e-book (que atraiu o dobro de pessoas em relação à capacidade do espaço designado pelos organizadores da Feira de Frank­furt), ele conseguiu ser sério pelo menos uma vez: “Neste Natal, duvido que alguém vá gostar de receber um livro eletrônico, preferindo ainda o formato no pa­­pel. Mas não sei como será no pró­­ximo ano.”


Como era esperado, o livro di­­gital atraiu pequenas multidões quando foi discutido. E o encontro sobre o tema em Frankfurt re­­­cebeu um upgrade com o anún­­cio da empresa Google, que planeja lançar uma loja on-line de livros eletrônicos de qualquer dispositivo com um navegador da web, amea­­­­çando o crescente mercado de leitores dominado pelo Kin­dle, da Amazon. O projeto pretende lançar edições no primeiro semestre do próximo ano, oferecendo inicialmente cerca de meio milhão de e-books em parceria com as editoras com as quais já negociou os direitos digitais. “Não estamos focados em apenas um tipo de suporte eletrônico”, disse Tom Turvey, diretor de Parcerias Estratégicas do Google, em uma coletiva de im­­prensa em Frankfurt.

Os boatos sobre uma loja eletrônica de livros by Google eram antigos e persistentes, e cresciam à mesma velocidade com que a Amazon vendia seus aparelhos Kindle. Mas o que a empresa anunciou é bem diferente do modelo de negócios que turbinou as vendas do Kindle e de outros aparelhos do gênero, como os leitores da Sony. Os livros vendidos pelo Google não serão copiados para o dispositivo do usuário, mas serão mantidos na internet – “na nuvem”, para usar o conceito da moda, o cloud computing.

O que estará à venda é o direito de acesso ao livro, não o arquivo em si.

Isso significa que eles poderão ser lidos não apenas por dispositivos especiais de leitura, mas por qualquer máquina equipada com um browser para acesso à rede. Pode ser um leitor de ebooks, mas também um celular, um notebook ou tablet, um desktop e até a sua geladeira (desde que ela rode o Explorer, Firefox, Safari, Chrome ou outros do gênero). Por isso o anúncio provocou tanto frisson. Se dispositivos como o Kindle colocavam em xeque o gigantismo das bibliotecas, já que um único aparelho poderia armazenar centenas de exemplares, a novidade é uma ameaça até para essas maquininhas. Está, portanto, cada vez mais difícil prever o futuro da indústria editorial.

O anúncio veio uma semana depois de a Amazon ter confirmado que vai liberar o uso do Kin­dle para mais de cem países além dos Estados Unidos, elevando sua posição de liderança em um mercado pequeno, mas de crescimento rápido, em que os seus concorrentes incluem o Sony e-Reader. “São decisões importantes, pois o consumidor ainda não sabe como escolher”, comentou Ronald Schild, diretor da empresa de marketing MVB, que participou do debate ao lado de Richard Charkin. Mas, ele acredita que a indecisão logo vai terminar. “Hoje, com nossa rotina dominada por aparelhos eletrônicos, as pessoas leem mais textos em meios eletrônicos do que em papel”, observou Andrew Savicas, vice-presidente da O’Reilly Media, editora norte-americana cujo fundador, Tom O’Reilly, cravou o termo Web 2.0.

Direitos autorais

Os números confirmam uma leve transferência para o mercado editorial – segundo a empresa de pesquisas Forrester, cerca de 3 milhões de leitores digitais serão vendidos nos Estados Unidos, contra uma previsão inicial de um milhão, um au­­mento favorecido por preços mais baixos, va­­riação no conteúdo e melhor dis­­tribuição. O problema mais crucial continua sendo a discussão sobre direitos autorais. Contra as reclamações de que vai disponibilizar livros fora de catálogo mas cujos direitos ainda persistem, o Google rebateu, afirmando que a versão eletrônica abrirá novas possibilidades comerciais para a obra. “Esse assunto é o mais delicado nessa história”, co­­mentou a agente literária Lúcia Riff.

Apesar de o mercado brasileiro ainda estar ligeiramente distante do mundo digital, ela contou que já acrescenta adendos aos contratos de seus autores (e ela edita escritores do naipe de Luis Fernando Verissimo) in­­cluindo o formato e-book. “É preciso fazer uma adaptação, ainda com o mercado incerto.”

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Finalmente no Brasil, acesso ilimitado ao e.book apple.

Os e.books estão se espalhando pelo mundo. Festejemos!

É um leitor elêtronico de textos, um objeto que acompanha o tamanho padrão de um livro, tem tela sensível ao toque e conexão sem fio. Poderemos pagar uma assinatura de jornal e receber as notícias diariamente, poderemos ler livros on-line ou baixar, tudo através de assinaturas e adesões, é claro.

Pouquíssimos os questionamentos contra o sistema. Um deles é que o livro que você compra pode, de repente, sumir de sua biblioteca virtual pessoal, como o caso envolvendo obras de H. G. Wells, onde o herdeiro retirou os direitos do Google e deixaram de estar disponíveis. Mas esse foi caso isolado. Com a entrada da Barnes & Noble, com a disseminação da Apple por outros países, quase duzentos mil títulos estarão disponíveis. Portanto, sejamos receptivos ao sistema.

apple-ebook

Qual a lógica que leva um encadernador clássico ao dar a mais calorosa e sincera Boas Vindas ao novo artefato tecnológico que permite leitura de milhares de livros?

Vamos poder reduzir bastante o enorme desperdício de papel!

A pobre Indústria Gráfica mundial tem critérios estranhos quando edita um livro. Se o autor vende bem, os livros são impressos com fontes enormes e espaços desproporcionais entre as linhas e entre os parágrafos, resultando em livros com quase mil folhas. Se o autor é desconhecido ou vai vender com dificuldade, as fontes são pelo menos quatro pontos menores e é grande a economia de papel.  A indústria não pensa em vender bons livros a bom preço, mas em empurrar livros enormes de autores populares a preço alto.

Se a impressão é direcionada, o material e a encadernação atendem ao princípio da rápida obsolescência, pois o autor popular que vende bem é fenômeno passageiro que deve ser aproveitado antes de ser esquecido. Logo, o livro não precisa ser durável. É feito de papel de alta acidez e baixo custo, com estrutura de encadernação que mal resiste à primeira leitura. A capa é normalmente de papel couchet 180 gramas, altamente perecível e deformável, contendo ilustração que vai da mera cópia do original estrangeiro ou é simplesmente óbvia, com papel apenas informativo ou publicitário, sem acrescentar à obra qualquer valor ou elemento.

Na atualidade, o livro é:apple-ebooks

1) uma forma de entretenimento saudável e proveitosa;

2) um recurso indispensável aos estudantes;

3) um recurso indispensável aos profissionais e intelectuais.

Em todas as hipóteses, o livro é meramente um meio para atingir um determinado fim. Alcançado o objetivo, é descartado.

Os casos em que o livro obtido é guardado como uma preciosidade, por pessoas que gostam do objeto em si, são raros.

Convenhamos, guardar os livros perecíveis editados hoje em dia é um desafio.

Principalmente para centenas de edições absolutamente efêmeras , o ebook é uma solução ecologicamente correta e de uma praticidade sem paralelo.

Por exemplo, os Vade Mecum – publicações de cunho juridico trazendo todo o transitório vade mecumconjunto de Códigos – que são livros enormes (com 1.837 folhas na 7a. edição, de 2009, da Saraiva) ficam desatualizados em menos de um ano e precisam ser substituídos por todos os advogados e estudantes de Direto do País.  É um horror. Se pelo menos esse livro estivesse disponível em ebook, milhares de pessoas ficariam gratas. Por uma assinatura razoável, teriam acesso a informações atualizadas on-line.

Este e muitos outros, prestam-se a estar disponíveis em ebook. Milhões de árvores serão salvas no processo, mais o prejuízo ambiental da fabricação do papel e da tinta.

E, como conseqüência final, as editoras vão precisar

fazer livros melhores que vale a pena comprar.

Antes de qualquer coisa, respeito muito o papel e acho que é um recurso tão precioso que deve ser destinado apenas a obras de longa vida. Obras de algum valor,  seja documental, literário ou pessoal.

Além do mais, um livro tradicional não consome energia;
está sempre ali, à mão;
permite anotações pessoais;
não é ambicionado pelos ladrões;
pode ser emprestado ou trocado;
você pode dar de presente ou doar a quem não pode comprar;
é inteiramente e só seu!

Compre já o seu ebook, para ler as deliciosas porcarias do Crepúsculo, ou do Stephen King e de tantos outros, absolutamente indispensáveis para desopilar a cabeça, mas tão frívolos que não fazem a menor falta na biblioteca e todo e qualquer livro descartável que você seja obrigado a adquirir.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: , , ,
08/09/2009 - 18:44

Minhas Encadernações de Estilo Clássico

Estes são alguns de meus trabalhos.

São normais e cotidianos, sem nenhum outro motivo para mostrar. Apenas tive tempo para fotografar e postar o que estava no atelier.

A técnica é a mais clássica possível, dentro das limitações de orçamento dos clientes e de materiais atualmente disponíveis no mercado.

Quase todos são no formato “lombada e cantos de couro, com espelho de monotipia em tela”, todos restaurados e costurados, sem refilamento das laterais.

Os papéis e telas marmorizadas são feitos por mim.

O mesmo livro, comparado a outro:

Livros em Proporção, 45 X 32 e 9,6 X 5,4 de Pedro Malanski

Algumas miniaturas:

Livros diversos:

Livros de Cartório

Livrão com Livrinhos

Contudo, um livro velho é muito bonito, com o sinal do tempo passado sobre ele, indicando o quanto foi lido, transportado, guardado, preservado, maltratado. Este, por exemplo, nunca tive coragem de “restaurar”, seria a mesma coisa que… se meu avô tivesse 20 e poucos anos! É um dilema!

Recebi comentários de

Zelina Castello Branco.

Uma honra e uma oportunidade

de finalmente conhecer a grande Mestre

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags: , ,

07/09/2009 - 20:57

Meia Dúzia de Dicas para Conservação de Livros

Livro é um objeto frágil.

O prosaico ato de ler já contribui para sua deterioração, graças à precariedade da indústria gráfica e a falta de padrões dos editores. Começando pela análise do papel, normalmente é de baixa qualidade, comprovável pela alta porosidade causada pela economia de agente agregador da massa de celulose, resultando em evaporação acelerada e pouca resistência à umidade e fungos. Fazem grande economia de margens, tanto nas bordas internas quanto nas externas, resultando que o leitor tem que forçar a abertura e assim deforme o livro. As colas usadas são de alta acidez, soltando-se e ficando quebradiças já na primeira leitura.

As capas são precárias. Enrolam para fora e soltam-se do miolo do livro, sem mencionar que aquelas bonitas letras douradas dos livros do Harry Potter e da série Crepúsculo somem em pouco tempo por força da fricção.

Para mitigar um pouco o sofrimento deles, passo umas dicas de conservação.

FUNGOS EM LIVROS DE COURO

Limpe o couro com um pano umedecido em detergente multi-uso diluído 50/50, em seguida friccione o remédio VODOL líquido ou creme. A receita serve para qualquer objeto de couro.

HIDRATAÇÃO DO COURO

LImpe o couro da mesma forma acima, depois use hidratante normal, tipo Vasenol, Nívea, etc., passando com uma esponja ou um pedaço de pano limpo. Se tiver sinais de fungo, acrescente Vodol creme ou líquido e hidrate com essa mistura.

LAVANDO O LIVRO

Se comprou um livro no sebo, ou se emprestou para alguém e voltou sujo, ou se emprestou um livro sujo de alguém, ou seus livros estão sujos mesmo, pode lavar as capas que sejam plastificadas ou de papel couchet. Use detergente multi-uso dliluído 50/50, mergulhe o pano no recipiente, torça bem e esfregue rapidamente até tirar toda a gordura e sujeira da capa. Pode passar de leve no alto das folhas se estiverem muito sujas. Em seguida passe um pano seco e limpo. Aqueles livros de capa dura do Clube do Livro são inteiramente laváveis. Siga sempre mergulhando o pano na solução de detergente e torcendo bem.

PASSANDO CERA DE ABELHA

Se há um elemento inestimável para conservação de livros, é a bendita cera de abelha. Possui incríveis propriedades anti-fungo e anti-mofo, também mantendo distante cupins, traças e brocas. Uso principamente para encerar os fios de costura do livro. Mas também pode ser usada com sucesso para:

1) esfregar em manchas de fungo e mofo das folhas;

2) esfregar na parte superior das folhas com livro bem fechado;

3) encerar as capas de livros antigos, garantindo às folhas ressecadas e porosas um pouco de proteção.

Vale a pena passar numa loja de material de construção, daquelas antigas onde tem de tudo, e comprar umas gramas de cera. É muito barato e dura muito tempo. Se tem casa algum objeto de madeira com aquela cultura de fungo verde, lave e passe a cera. Fica livre do fungo e bonito.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: ,
04/09/2009 - 22:14

Bienal do Livro de Curitiba

Está acabando hoje mesmo a Primeira Bienal do Livro de Curitiba, que aconteceu desde 27 de agosto.

Antes dela, Curitiba tinha uma Feira do Livro anual, ano sim ano não o outro também, que consistia em algumas barracas espalhadas pela Praça Osório, que é onde começa nossa Rua das Flores. Ficavam ali algumas editoras e livrarias, sempre poucas e nunca representativas do “Mercado Editorial” brasileiro. Lembro que mais parecia uma Feira de Ponta de Estoque, cheio de livros baratos, evidentemente encalhe de pequenos e grandes distribuidores. Ao invés de apresentar novidades, lançamentos e promover discussões, ficava mais na oferta desses livros baratos.

Por trás daquela indigência toda, havia a desavença entre concorrentes. As editoras “majors” não participavam, pois o espaço era pequeno e precário, praticamente ao relento. Os grandes livreiros locais, como Livraria Curitiba, Ghignone e Chaim eram por demais competidoras para dividir o mesmo espaço sem que um não achasse que o outro estava melhor localizado, todos achando que a Feira em si depunha contra a imagem que gostavam de cultivar, ou não se enquadrava na imagem que achavam que tinham junto ao público.

Apesar disso, sempre apareci por lá e até consegui garimpar um ou outro livro baratinho. O problema é sempre o mesmo de qualquer banca de oferta de livros: todos eles estão ali por merecimento. Só por descuido dos organizadores é que um peixe maior ficava na rede.

Assim, não tivemos mais a Feira, acabando sem que ninguém percebesse, acho que ainda em 2006.

Dando uma passada geral na Primeira Bienal do Livro de Cuiriba, salta aos olhos a presença maciça do LIVRO DIDÁTICO de formação básica. Editoras como: Base, Positivo, Escala, Pilbra, FTD, Nossa Cultura, SBS, Saraiva, Barsa, e outras mais, com stands mais acanhados, todas dedicadas a esse lucrativo mercado, enfiavam ali a ponta de lança para a cooptação de secretarias de educação. Editoras de pasmar, como a inusitada Editora do Senado e a Livraria da Embrapa, com obras de relevância duvidosa para a quase totalidade do público expontâneo. Finalmente, editoras infantis garantido pelo menos a diversão de uma parte do público.

O que salvou a Bienal, foi justamente a presença de autores e celebridades de diversas áreas, no final, ponho a relação dos principais. O que tentou salvar, foram os espaços destinados a Helena Kolody (que deve estar nesse momento contribuindo para melhorar a qualidade de vida do Paraíso) e Paulo Leminski (me aguarde no Inferno, China), esses dois curitibanos meus conhecidos reverenciados pela Bienal de uma forma meio hipócrita, assim meio por obrigação. O que contribuiu para limitar o sucesso foi sua própria imaturidade.

Reconheço o esforço titânico dos organizadores do evento. Nunca será fácil trabalhar com livros em Curitiba, pois atuaram na Bienal as mesmas mesquinharias que mantiferam a Feira do Livro apenas como uma “feirinha” e determinaram sua extinção.

Falta de apoio e de patrocínio, pois o máximo obtido era apenas “apadrinhamento”, ou seja, pode usar meu nome, mas não o meu dinheiro.

Ausência de participantes de peso no mercado editorial, aqueles em primeiro lugar na lista dos mais vendidos. Devem ter considerado esta Bienal apenas como um evento local, sem repercussão nacional. Afinal, sei de gente comum de várias regiões do País que vai à Bienal de São Paulo, sabendo que vai encontrar grandes e pequenas editoras e de livros artesanais a web books.  Assim, a repercussão vale o investimento.

No que diz respeito ao livro propriamente dito, uma bienal devia ser como a minha estante. Olho para o pé das lombadas alinhadas e vejo a seqüência de marquinhas de Editoras. Não vi nenhuma delas lá, quando deviam ocupar proporcionalmente o mesmo espaço que preenchem na minha estante, afinal, são elas que editam os livros mais cobiçados dos autores mais respeitáveis, bem como os livros mais vendidos dos autores mais… prolixos. Tanto eruditos como populares, seguramente representam as obras mais procurados pela esmagadora maioria do grande público expontâneo que compareceu à Bienal na esperança de simplesmente ver bons lançamentos e simplesmente comprar um livro.

Mas não estavam lá. A coisa toda parecia meio dirigida ao mercado do livro didático adotado nas escolas públicas e particulares. Do ponto de vista dos organizadores é presença certa de um público profissional. Da perspectiva dos participantes, normalmente ausentes das livrarias normais, é uma forma de acrescentar valor às edições, subliminarmente valorizadas pelo evento e por todos os autores e celebridades presentes que, de uma forma ou de outra, endossam cada desperdício de celulose em exposição.

Do ponto de vista de evento, acho que Curitiba seria mais adequada ao perfil da Bienal de Parati, aliás, Festa Literária de Parati. Um encontro para celebrar a criatividade e a inteligência, para festejar o livro e a leitura, um pretexto para reunir autores e artistas. O resultado financeiro seria mera conseqÜência.

Vamos torcer e aguardar que a próxima bienal, se houver, traga as grandes editoras com lançamentos e badalações e acrescente interesse para nós, o público, que gostamos mesmo é de descobrir um livro bom para ler.

Os Autores

Carlos Heitor Cony
Formado em Humanidades e Filosofia, o romancista tem publicado 15 livros, além de ensaios biográficos, contos, crônicas e adaptações de clássicos. É jornalista e colunista do jornal Folha de S. Paulo, comentarista na Rádio CBN e na Band News TV. Conquistou vários prêmios literários e é integrante da Academia Brasileira de Letras. Na Bienal de Curitiba, participará da mesa com o tema O Romance morreu, viva o Romance.

Léo Lins
Carioca de 26 anos, Léo Lins é comediante stand-up, fundador do Santa Comédia (primeiro grupo de stand-up do sul do país). É integrante do Comédia em Pé, primeiro grupo do gênereo no Brasil. Foi finalista do quadro “Quem chega lá”, do Domingão do Faustão e é autor do livro “Notas de um comediante stand-up”, o primeiro da categoria no País.

Reinaldo Domingos
É consultor financeiro e contador, fundador e presidente do grupo Confirp, uma das maiores empresas de consultoria contábil do País. Palestrante e inventor da Metodologia Comportamental DiSOP, que ajuda as pessoas que querem alcançar a sua independência financeira. Autor das obras “Terapia Financeira” e “O Menino do Dinheiro”, Domingos vem a Curitiba para lançar o título “Terapia Financeira” no formato inédito em audiolivro.

Marília Pêra
Uma das principais estrelas da cinema, teatro e da televisão brasileira, atua, canta e dirige. É admirada por colegas e pelo público, considerada um dos principais nomes artísticos do País em todo os tempos. Subiu aos palcos pela primeira vez aos cinco anos e hoje contabiliza quase 60 anos de carreira incontestável e repleta de sucesso. Reconhecida principalmente por seu talento, mas respeitada pelos inúmeros prêmios nacionais e internacionais que recebeu, Marília também escreveu o livro “Cartas a uma jovem atriz”, que será lançado na Bienal de Curitiba em inédito formato de audiolivro, narrado por ela.

João Carlos Martins
Um dos maiores intérpretes de Bach, conhecido internacionalmente pelo seu desempenho ao piano, na regência e pela sua luta em conter a paralisação dos movimentos das mãos. Martins abandonou o piano definitivamente em 2003, e no ano seguinte, aos 63 anos, iniciou uma nova carreira como maestro. Na literatura, é autor da obra “A Saga das Mãos”, que lança na Bienal de Curitiba em audiolivro, narrado por ele.

Rubem Alves
Mineiro de Boa Esperança, Rubem Alves é filósofo, pedagogo, teólogo, psicanalista, professor emérito da Unicamp, contador de histórias e cronista do cotidiano. Autor de mais de 80 livros, sendo 12 lançados pela Nossa Cultura, Alves vem a Curitiba prestigiar a Bienal e participar de discussões com outros participantes.

Domingos Pellegrini
Escritor paranaense, Pellegrini é vencedor de seis prêmios Jabuti, dois recebidos pelas obras “O Caso da Chácara Chão” e “O Homem Vermelho”. É autor de contos, poesias e romances e colunista. Pela Nossa Cultura, lançará o audiolivro “A Família do Milênio”, que marca sua estréia nesse segmento. A obra é narrada por ele e sua esposa, Dalva.

Sérgio Klein
O Mineiro Sérgio da Rocha Kleinsorge, ou Sérgio Klein, nome artístico, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). O primeiro livro publicado foi “Último Desejo”, em 2000. Seu grande sucesso entre o público infanto-juvenil veio com o livro Poderosa, que ganhou quatro volumes e versões em espanhol.

Raimundo Carrero
Começou a escrever cedo, sobretudo peças teatrais infantis. Jornalista profissional trabalhou na Universidade Federal de Pernambuco e no Diário de Pernambuco e hoje também é colaborador assíduo do jornal O Estado de São Paulo. O pernambucano tem 15 romances publicados, além de uma biografia e dois livros de ensaios. Ganhador de vários prêmios, Carrero será homenageado na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco este ano. Para Curitiba, o traz um novo livro, “A preparação do Escritor”.

João Gilberto Noll
Nascido em Porto Alegre, o autor tem 13 livros publicados, sendo três de contos e 10 romances. Algumas de suas obras foram transformadas em filme. Foi finalista em vários prêmios Jabuti e recebeu prêmio da Academia Brasileira de Letras. Em prol da literatura, morou no exterior e, em 2004, foi para Londres num aperfeiçoamento concedido pelo King´s College. Neste período escreveu “Lorde”.

Cristóvão Tezza
Catarinense residente em Curitiba, estudou Letras na Universidade de Coimbra, em Portugal. Leciona na Universidade Federal do Paraná e colabora com resenhas e críticas para a Revista Veja e para os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo, além de ser colunista do jornal Gazeta do Povo. Na Bienal de Curitiba participará da mesa Fronteiras Imaginárias: O Real e a Invenção do romance.

Miguel Sanches Neto
É doutor em letras pela Unicamp e professor-adjunto da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Paraná). Romancista, poeta, contista e cronista, também escreve para crianças. É cronista do jornal Gazeta do Povo. Recebeu, entre outros, o Prêmio Cruz e Sousa (2002) e Brasil-Argentina (2005). No momento, publica uma novela-folhetim (História do fim do mundo) no jornal Rascunho – de Curitiba. Na Bienal fará parte da mesa de discussão: “Literatura em perigo: obras ou críticos? Ou: Todorov uma ova!”.

Moacyr Scliar
O médico especialista em Saúde Pública, gaúcho, e ocupante da cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras, é autor de 88 livros em vários gêneros: romance, contos, ensaios, crônicas e ficção infanto-juvenil. Teve suas obras publicadas em vários países com grande repercussão crítica. Detentor vários prêmios, foi professor visitante na Brown University (Department of Portuguese and Brazilian Studies), e na Universidade do Texas (Austin) nos Estados Unidos. É colunista dos jornais Zero Hora, Folha de S. Paulo e Correio Brasiliense. Têm textos adaptados para o cinema, teatro, tevê e rádio, inclusive no exterior.

Ivan Junqueira
Ocupa a cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, também membro da Academia Brasileira de Filosofia e do Pen Club do Brasil. É autor de 35 títulos dos nas áreas da poesia, do ensaísmo e da tradução e detentor de 16 prêmios literários. Seus poemas estão traduzidos para o espanhol, francês, inglês, italiano, alemão, dinamarquês, russo e chinês. Em 2005 recebeu a Medalha de Richelieu, a mais alta condecoração da Académie Française.

Regina Zilberman
A escritora gaúcha é também professora. Licenciada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora em Romanística pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha. É professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e uma das maiores especialistas em literatura infanto-juvenil. Possui mais de 20 livros publicados e premiados na área pedagógica e educacional. Atualmente, coordena o curso de pós-graduação em Letras e o Centro de Pesquisas Literárias da PUC/RS

Antonio Cícero
Desde 2007, escreve uma coluna bimestral para a “Ilustrada”, da Folha de São Paulo. É autor, entre outras coisas, dos livros de poemas Guardar e A cidade, bem como do tratado filosófico O mundo desde o fim e do livro de ensaios sobre poesia e arte Finalidades sem fim. Em parceria com o poeta Waly Salomão, organizou o livro de ensaios O relativismo enquanto visão do mundo e, em parceria com o poeta Eucanaã Ferraz, a Nova antologia poética de Vinícius de Moraes. É também autor de diversas letras de música, tendo como parceiros, entre outros, Marina Lima, Adriana Calcanhoto, João Bosco e Lulu Santos.

Fabrício Carpinejar
É poeta, cronista, jornalista e professor, mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Vem sendo aclamado como um dos principais nomes da poesia contemporânea. É autor de 13 livros, oito de poesia. Recebeu vários prêmios como o Érico Veríssimo 2006, pelo conjunto de sua obra, pela Câmara Municipal de Vereadores de Porto Alegre; Olavo Bilac 2003, da Academia Brasileira de Letras; Cecília Meireles 2002, da União Brasileira de Escritores (UBE); duas vezes o Açorianos de Literatura, edições 2001 e 2002.

Pedro Bandeira
Nascido em Santos, foi na capital paulista que atuou como ator, diretor, e cenógrafo e deu aulas de Literatura Brasileira e Portuguesa. A partir de 1972 começou a escrever histórias para crianças a serem publicadas em revistas de banca até que, desde 1983, com a publicação de sua primeira história em formato de livro “O dinossauro que fazia au-au”, passou a dedicar-se exclusivamente à criação de livros infantis e juvenis. É o autor de Literatura Juvenil que mais vende no Brasil (10,37 milhões de exemplares até 2008, além de 11,3 milhões adquiridos pelo Governo Federal para distribuição às bibliotecas escolares).

Carlos Herculano Lopes
Escritor e jornalista, atualmente é repórter do EM Cultura, do jornal Estado de Minas, onde também assina uma crônica todas às sextas-feiras. Pelo conjunto de sua obra, foi um dos 10 finalistas do Prêmio Jorge Amado em 2002. Dois de seus romances, Sombras de Julho e O Vestido, foram publicados na Itália e também levados ao cinema pelos diretores Magno Alberg e Paulo Thiago, respectivamente. Tem contos publicados na Argentina e no Canadá. Já participou de 16 antologias. A última, Todas as Guerras, foi lançada recentemente. Seu próximo romance Poltrona 27, deve sair no primeiro semestre de 2010.

Clarah Averbuck
Começou sua trajetória literária publicando os seus textos na internet. Em junho de 1998 escreveu pela primeira vez para uma revista digital. Em julho de 2001 começou a escrever sua primeira novela, Máquina de pinball, publicada no ano seguinte. Publicou mais dois livros: Das coisas esquecidas atrás da estante, em 2003, e Vida de gato, em 2004.A obra da escritora pode ser considerada literatura de consumo com influência da subcultura. A própria Clarah Averbuck, produziu o filme Nome Próprio, em 2006, com Leandra Leal no papel principal.

Glaucia Brito
Professora adjunta da Universidade Federal do Paraná. Tem experiência nas áreas de Educação e Comunicação, com ênfase em Tecnologias da Informação e Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: Comunicação e tecnologias, informática na educação, professor e as tecnologias de informação e comunicação, teatro e comunicação, educação à distância e formação do professor.

Paulo Negri
Professor de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná e pesquisador no “Grupo de Estudos: professor, escola e tecnologias educacionais” (GEPETE). Possui especialização em Comunicação Visual em Mídias Interativas (Unopar) e mestrado em Educação (UFPR), com experiência na área de Comunicação, ênfase em Videodifusão e Imprensa, atuando principalmente em: Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), Comunicação Corporal, Mídia Eletrônica, Mídia Impressa e Arte.

Geraldo Almeida
Doutor em teoria Literária. É também autor de mais de 30 livros para professores. Nasceu no Vale do Paranapanema, no interior do Paraná. Viaja por todo o Brasil, trabalhando com professores em palestras. Já foi ator, bailarino e agora se dedica a escrever livros infantis e infanto-juvenis. Tem reconhecimento publicado pela Folha de São Paulo, Gazeta do Povo, dentro outros.

Francisco Pimpão
É administrador pós graduado em Marketing e consultor de instituições financeiras. Nasceu em família de vasta tradição e conceito e encontra inspiração nas histórias vividas por seus próprios antepassados, e entes queridos contemporâneos. Vai buscar material de pesquisa ao redor do mundo, onde houver mínima chance de melhorar sua obra.Poucos, como ele, perseguem com tamanho afinco seus objetivos de pesquisa e conseguem extrair, do passado, análises comportamentais que vão forjar, no futuro, personagens literárias e ambientes sociais tão convincentes; quer no romance, ou nos estudos de análise prospectiva.

Luis Andrioli
Nasceu em Curitiba. Como jornalista, seu maior sonho é apresentar um jornal só com notícias boas que façam todo mundo feliz. Mora em uma casa que é cheia de livros e as capas coloridas deixam as paredes iguais a uma lona de circo. É muito precavido: tem sempre um nariz de palhaço no bolso para usar quando a vida fica séria demais.

Ruy Castro
Começou como repórter em 1967 e passou por todos os grandes veículos da imprensa carioca e paulistana. Mais conhecido como estudioso da música popular, do cinema, do futebol e de outras disciplinas populares, sempre foi um homem dos livros. Escreve sobre os grandes nomes da literatura com a mesma autoridade e leveza que já aplicou a Tom Jobim, Carmen Miranda ou Garrincha. Tem um ponto de vista sempre bem-humorado, típico do autor.

Arnaldo Bloch
Escritor e jornalista, Arnaldo foi repórter da revista Manchete e correspondente em Paris. Trabalha desde 1993 no jornal O Globo, onde tem uma coluna semanal. É autor da biografia Fernando Sabino: Reencontro (Relume Dumará) e dos romances Amanhã a loucura (Nova Fronteira) e Talk show (Companhia das Letras).

Camila Iuspa
É estudante de pedagogia, pesquisadora de fatos cotidianos. VENENO é a sua primeira obra. Com apenas 25 anos, Camila apresenta uma novela literária com ingredientes de suspense e ação bem estruturados com um desfecho surpreendente. Ela se prepar para a segunda obra, que será sobre o BUILLING.

Antonio Carlos Secchin
Critico poeta e professor, é membro da Academia Brasileira de Letras. Começou a ganhar destaque como crítico literário ao escrever o livro João Cabral: A poesia do menos. Sua faceta poética ganhou destaque com a publicação de Todos os ventos, que recebeu em 2002 o prêmio da Academia Brasileira de Letras.

Fernando Gomes de Morais
È jornalista, político e escritor. Sua obra literária é constituída de biografias e reportagens. Seu primeiro sucesso editorial foi A Ilha, relato de uma viagem a Cuba. A partir daí, abandonou a rotina das redações para se dedicar à literatura. Pesquisador dedicado publicou biografias e reportagens que venderam mais de dois milhões de exemplares no Brasil e em outros países, tornando-se um dos escritores brasileiros mais lidos.

Nelson H. Vieira
É professor de literatura luso-brasileira e literatura judaico-brasileira na Universidade de Brown, nos Estudos Unidos. Doutor pela Universidade de Harvard, Nelson H. Vieira estudou no Brasil e em Portugal. Suas áreas de interesse acadêmico incluem literatura brasileira dos séculos 19 e 20; estudos culturais e identidade nacional; metaficção; tradução literária; além de raça, gênero, etnicidade e alteridade.

Wander Melo Miranda
É professor titular de Teoria Literária do curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). Crítico literário de destaque é professor visitante em várias universidades no Brasil, na Argentina, no Uruguai, nos Estados Unidos e na Itália, é autor de Corpos escritos e Graciliano Ramos. Organizou os volumes Narrativas da modernidade e Arquivos literários, entre outros. Está à frente do Acervo de Escritores Mineiros, da UFMG. Este ano é curador de literatura brasileira do Prêmio Portugal Telecom de Literatura.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
03/09/2009 - 20:47

Zelina Castello Branco

Lá por 1982, despertou meu interesse por encadernação. Minha livraiada (tão poucos para ser considerado biblioteca) estava em péssimo estado, com as capas soltando, as costuras rotas e as páginas sujas. Comprados já usados, herdados de familia ou comprados de livraria, pediam socorro. Os primeiros sairam toscos, eficientes mas horrendos. Então o Gino da antiga livraria de usados Guttemberg, o Salim ex-presidente de sindicato de indústrias de papel e dono de uma maravilhosa coleção de livros, e Chaim, o da livraria mesmo, me deram o  livro de Zelina Castello Branco.

Foi uma descoberta atrás da outra. Direta e didática,  me deu as primeiras instruções, junto com muita tentativa e erro de minha parte, mais pesquisa e prática, fui desenvolvendo minha própria técnica, sempre mais orgulhoso por reviver  detalhes da verdadeira encadernação clássica do que por inventar novos métodos. Quando me deparava com algum impasse, imaginava o que Zelina faria. Quando terminava um livro, imaginava qual seria a avaliação de Zelina. Afinal, muitos dos grandes mestres da encadernação eram mulheres, como Santa Wiborada.

Tornou-se de fato minha mestra.

Atuou na “Leart – Livraria e Encadernação”, é viúva do escritor, jornalista e bibliófilo Carlos Heitor Castello Branco, intelectual e expert em livros. Instalada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com um catálogo de livros que alegrava o mais exigente dos colecionadores que a visitavam para pesquisa de raridades. Sua neta Marilia já me informou que Zelina está com 96 anos e que já não tem a Livraria.

Conta Zelina, que aprendeu os princípios da Arte de Encadernação aos 30 anos, quando freqüentou curso na Espanha. Seria com o mestre Emilio Brugalla Turmo (1901-1986), mestre completo, encadernador, dourador e escritor.

Voltando a São Paulo, entrentou todas as dificuldades inerentes à falta dos materiais mais básicos à sua atividade, quando, em plenos anos 1940, a mais industrializada capital do País não dispunha de papéis básicos de qualidade e nem mesmo os papelões, tendo que trazer da França a matéria prima de seu exigente ofício.

Durante sua profícua atuação, trabalhou para os grandes colecionadores e intelectuais brasileiros.

O meu exemplar do livro Encadernação, ficou assim:

Meu exemplar do livro de Zelina.

Fazer conhecer vida e a obra dessa mestre da encadernação clássica é vital para a Arte.

Esse Link leva ao catálogo de livros da Le Art.

http://l.vellez.sites.uol.com.br/Leart/Catalogo.html

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags:
02/09/2009 - 10:14

Obrigado, São Bento.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
26/08/2009 - 19:39

Etimologia e Bibliologia

ENCADERNAÇÃO” – ETIMOLOGIA

Lendo sobre encadernação, história e técnica, conclui que a palavra pode ter origem no velho espanhol influenciado pela cultura árabe, pois essa arte foi introduzida na Europa pela Península Ibérica, durante os séculos de dominação árabe. Assim, pode derivar-se de “encadeñar” ou encadear, como em dispor em cadeias sucessivas.

Por associação, pode ser derivada de cadernos, ou “quaternos” dos antigos “in-fólios”. Esclarecendo, antigamente tomava-se uma folha provavelmente tamanho 96 X 66 cm, dobrava-se duas vezes formando quatro folhas, que eram costuradas pelas dobras formando um livro, ou seja, encadernadas.

Encontrei explicação plausível num livro publicado por ocasião do IIº Congresso da Indústria Gráfica Argentina:

Ya se ha visto que la palabra “encadernacion” proviene de encuaternar (poner de a cuatro os cuadernillos impressos e coserlos. ” (LA HISTORIA GENERAL DEL LIBRO IMPRESSO, Raul M. Rosarivo, Ediciones Áureas, página 201, Buenos Aires, Argentina, 1964)

Citar Raul Rosarivo é suficiente para encerrar a questão  etimológica. O homem foi importante desenhista, professor, pesquisador das artes gráficas, pintor e bibliófilo argentino, com sólida obra sobre artes gráficas e bibliologia.

Buscando auxílio dos dicionários, o mais simples diz que é “formar cadernos”. O velho dicionário Moraes me afirmou que é derivado de “cadeñas” mesmo e do espanhol. Há até uma semelhança fonética que remete à livre associação com o Porto de Cádiz, principal ponto de entrada para os navios árabes, mas aí já é especular demais. Um blog de encadernação afirma que “encadernar significa fazer, amarrar ou segurar (em latim é ligare)”, coisa que não tem nada a ver, mas está assim no sitio de encadernação e restauro.

Uma nota curiosa encontrada nesse mesmo livro, informa que o costume de pintar de vermelho os cantos dos livros começou com os monges medievais decorando as laterais em recordação ao sangue dos mártires cristãos. Esse Rosarivo…

Já que estamos nesse assunto etimológico permeado de curiosidade, são muitas as variações possíveis com a raiz grega “biblos” (livro), aplicadas desde a quem coleciona até a quem depreda, sem contar aquelas mais usuais, como “biblioteca”:

Bibliófilo: que ama os livros

Bibliocasta: que destrói livros

Biblioclepto: ladrão de livros

Bibliótafo: que esconde os livros

Bibliófago: comedor de livros

Bibliófobo: que odeia livros

Bibliólotra: que idolatra livros

Bibliomanta: que pratica adivinhação ao abrir um livro ao acaso e interpretar a primeira linha

Biblioterapia: cura por meio da leitura

Bibliópola: vendedor de livros

Biblióforo: que carrega livros

Bibliomaníaco: que tem atração mórbida por livros

E por aí afora, sem falar nos Bibliocidas, aqueles que encadernam livros, destruindo a obra no processo, vide outros posts neste espaço.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: , ,

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