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Arquivo de maio, 2009

29/05/2009 - 22:29

Encadernação de Folhas Soltas

Verificando a quantidade de buscas e procura de informações por e.mail sobre a encadernação de folhas soltas, na verdade uma BLOCAGEM, ofereço um método simples mas eficaz que pode ser adotado por qualquer pessoa sem utilizar nenhum equipamento ou material especial. Aliás, em minha atividade, além das ferramentas usuais, como régua, estilete, espátula, serra e pincel, uso apenas uma prensa pequena.

Adicione mais duas folhas em branco no começo e no fim das folhas que vai encadernar.

Bata as folhas pela cabeça (alto da folha) e pelo lado direito, até que essas áreas fiquem sem ressaltos, deixando as diferenças no pé (parte de baixo da folha) e no lado esquerdo. Acerte o conjunto com o lado de uma régua para que fique simétrico e reto.

Prenda as folhas entre duas tábuas ou dois papelões, prendendo com um peso ou livros pesados, deixando cerca de um centímetro do lado esquerdo para fora das tábuas. Ponha esse lado num local fácil para serrotar, como a borda de uma mesa.

Serrote as folhas usando uma serra para metal ou mesmo uma faca de pão, usando o seguinte padrão de corte: Dois cortes inclinados para o centro do livro ì / nas pontas, um corte central e mais dois cortes todos eqüidistantes e com o máximo de meio centímetro de profundidade.

.     ì        ↓       ↓        ↑        ↓        ↓        ↓           /     .⁄⁄

Com as folhas ainda presas, amarre. Comece deixando uma ponta do fio no corte central, passe o fio pelo corte ao lado, depois pelo próximo e pelo da ponta, volte com o fio, repassando pelo corte ao lado, pelo próximo e passe direto por cima da ponta deixada no centro. Passe pelo corte ao lado, pelo seguinte e pelo da ponta, voltando com o fio pelos cortes e dessa vez acabando no corte central. Aí você tem a ponta inicial sob o fio que passou por ela e a ponta final. Amarre as duas pontas com o fio no meio.

Para garantir pode passar cola branca antes e depois de passar o fio e mesmo passar o fio mais de uma vez. O fio pode ser o de algodão tipo urso ou um barbante forte.

Ponha uma folha de guarda no começo e no fim do livro (é uma folha dupla) e cole  a parte da dobra da folha dupla bem sobre os fios da amarração.  Cole essa LOMBADA – o lado esquerdo do livro que você amarrou – com um pedaço de papel resistente, que pode ser o kraft fino usado em pacotes de papel e alguns envelopes, na medida da altura da lombada e de largura para passar uns cinco centímetros sobre as folhas de guarda.

Seu miolo do livro está pronto. Para a capa, pode usar chapas de papelão cobertos com papel colorido ou o usual vulcapel. Ou cobrir o miolo assim como está com tecido ou papel cartão. Use criatividade. Costumo dizer que o importante é a qualidade do miolo do livro e que a capa é só perfumaria.

Sem tempo para fotografar passo a passo do processo, espero que tenha conseguido me fazer compreeder.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags:
28/05/2009 - 08:30

Artes Gráficas, Pobre Arte.

Trezentos anos depois de Gutemberg e sua pobre máquina de imprimir produzirem a fabulosa “Bíblia de 42 linhas”, as artes gráficas estão em colapso. Evoluíram para o nivelamento pelo mínimo, desde 1801 com a máquina a vapor para imprimir, em 1814 com o Times londrino adotando o sistema e o papel contínuo e  em 1864 a impressão a duas cores. As revoluções mecânicas precedem as revoluções políticas e resultam na difusão de quaisquer idéias, os esforços para um renascimento espiritual são sufocados pela dialética marxista, que exalta a força e o império da máquina, idealizando que o homem seja livre, criativo e completo apenas na medida em que produz.

O mecanicismo quer ganhar tempo. Prega que o feio pode ser belo (pois é mais fácil fazer o feio) desde que seja útil. Milhões de exemplares impressos para satisfazer a gula por leitura fácil, somem as margens dos livros para jogar fora e rebarbas que sobram por todos os lados. Se o autor é popular, as letras são enormes, os parágrafos são curtos e a distância entre as linhas é imoral. Está perdida a profundidade pela extensão.

De vez em quando, aparecem edições cuidadas e livros bem feitos. Contudo, atrás desse aparente ressurgimento gráfico se esconde a serpente da vaidade bibliofílica do novo rico, constituindo um nova indústria sem finalidade cultural: esses livros de curta tiragem, de exemplar intonso e único, brazonado, carimbado, numerado e assinado que atingirá preços artificiais fabulosos. A impressão sobre papel colorido especialmente fabricado, com tipos pretensiosos e tintas ecológicas, produz por imitação livros intocáveis, protegidos por caixas de seda, como burgueses em seus caixões e reis em seus sarcófagos. São as edições dos Amantes do Livro, dos Bibliófilos Daqui e de Acolá, que os herdeiros oferecerão aos sebos de luxo na primeira oportunidade.

Nenhum livro se salva nesse caos em que nasceram os gráficos, cuja habilidade mecânica se encontra em flagrante contradição com o sentido artístico que uma verdadeira obra de arte merece.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags: ,
25/05/2009 - 22:19

ENCADERNAÇÃO É CONSERVAÇÃO

O primeiro movimento em direção à perfeita conservação de livros é sua correta encadernação.

A melhor atitude para uso racional de recursos naturais é a encadernação.

Insisto na tese de que o livro deve ser feito para durar, pois nunca mais será necessário reencadernar.

Por exemplo, considero desperdício a uso de agendas anuais. Cada ano, milhões são produzidas, algumas intitulando-se “ecológicas”, e todo ano milhões são descartadas. Espero que todos passem a usar seus celulares e laptops, nunca mais comprando agenda na vida.

Contudo, existe toda uma indústria baseada na obsolescência. Produz as agendas, os livros didáticos e técnicos, a literatura barata, as encadernações bastardas e efêmeras.

Todo esse espaço é destinado à difusão das técnicas corretas para encadernação de livros duráveis, seja para atender à demanda dos cartórios, circunscrições de imóveis e tabeliões, como para aqueles livros preferidos de valor sentimental. Aqui, não pretendo angariar clientes, mas fazer proselitismo. Não pretendo propagandear minha empresa, mas estimular que outros atuem com integridade.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
12/05/2009 - 21:19

Carta ao Juiz Corregedor

Imbuido do interesse de aumentar o aproveitamento das encadernações que faço para um novo cliente, ocorreu-me pedir que pudessem ser encadernados em 300 ou até 400 folhas, pois a técnica e o material são por demais preciosos para serem aplicados em meras 200 folhas.

Exmo. Sr. Dr. Juiz Corregedor

Solicito vossa obsequiosa observação para nossa proposta de encadernação dos livros de Registro de Protesto do diligente 5º Tabelião de …, em volumes de 300 folhas cada um.

Justificamos nossa proposta pelo apuro técnico e uso de material nobre e resistente para o trabalho.

A técnica utilizada é oriunda daquelas estabelecidas pela encadernação clássica, evidenciada desde reforço interno do miolo do livro que impede que o mesmo ceda ao próprio peso, passando por diversas etapas, até o uso de couro e tecido no acabamento externo, tornando o trabalho resistente ao manuseio cotidiano e de longevidade indefinida.

Entre muitas justificativas razoáveis para a adoção de livros com maior número de folhas, ocorre-nos a economia de 50% daí resultante; o uso racional de recursos naturais como papelão, couro, papel, cola e outros elementos; a redução do trabalho dessa corregedoria na chancela dos livros; o acondicionamento sólido, resistente e perene destes documentos públicos.

Desde já antecipamos que as técnicas e materiais aplicados são completamente distintos daqueles adotados pela encadernação comercial usual, a qual foi preterida pelo Sr. Titular do …Tabelionato de  … em sua preferência por maior qualidade na encadernação dos documentos sob sua responsabilidade.

Com protestos de consideração e sempre à vossa disposição.

Pedro Malanski

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags: ,
03/05/2009 - 15:39

RAUL M. ROSARIVO – O Livro

Obra que venho utilizando frequentemente neste espaço, contém a história geral da impressão e do livro, com anedotas, curiosidades, dados bibliográficos e técnicos sobre a arte da impressão em geral e do livro em particular.

Rosarivo foi um homem de inúmeros talentos, muito referenciado na Argentina, com traduções para o alemão, inglês e francês, entre outras, merecia uma publicação de qualidade em nossa língua. Mais sobre essa personalidade do mundo bibliófilo em http://www.sagpya.mecon.gov.ar/new/0-0/f… .

O que sei desse livro até chegar a mim:

Impresso na primeira quinzena de Junho de 1964 por “Artes Gráficas Bodoni S/A” – descendente do próprio grande tipógrafo – é o exemplar numerado 31 de 2.000.

Foi presenteado a Grabriel F. Otamendi por Elena Marques da Coopiagra – Cooperativa de Provisón para Industriales Graficos Ltda. em 12/12/1983, conforme dedicatória.

Foi parar nas mãos de Francisco Xavier Echeverria Arriaga, que era basco e detestava ser chamado de espanhol, em Curitiba, que o deu a meu irmão Paulo, que me presenteou em 02/03/2001.

Capa do Livro Historia General del Libro Impresso.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags: ,
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