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Arquivo de abril, 2009

23/04/2009 - 21:10

As Fontes e os Grandes Tipógrafos

Introdução

Quando um homem das cavernas apoiou a mão suja de sangue, fuligem ou terra na parede da caverna e deixou a palma marcada na pedra. percebendo esse gesto, aconteceu a primeira impressão na história da humanidade.  O livro é muito anterior à tipografia, pois eram caligrafados no início, impressos com chapas gravadas depois e finalmente tipografados. Os tipos eram letras de metal, usualmente chumbo, organizadas para formar palavras, frases e páginas. Dando continuidade aos padrões artísticos obtidos com a caligrafia, os primeiros tipos eram góticos e enfeitados, sendo substituídos por letras arredondadas latinas, à medida que o processo de impressão se popularizou.

Alguns dos primeiros tipógrafos, entre 1470 e 1600 eram artistas completos, pois desenhavam cada letra, entalhavam as matrizes, fundiam os tipos e davam polimento até a perfeição, estabelecendo padrões que até hoje utilizamos nas telas dos computadores. A vulgarização do processo de impressão, tornando-se realmente industrial, evoluiu para os tipos fabricados em série e vendidos a qualquer um que quisesse empreender a atividade de impressor. A importância econômica da atividade era enorme, pois os livros e depois os jornais, foram o principal meio de difusão de cultura e de informações até o meio do século XX.

Alguns grandes tipógrafos, verdadeiros fundadores da arte, estão presentes em nosso cotidiano até hoje.

BODONI

• Gian Battista BODONI, príncipe dos tipógrafos italianos do século XVIII, responsável pela ressurreição da tipografia funcional em oposição ao barroquismo que dominava a arte da impressão.

• Para Bodoni, o jogo e a proporcionalidade das superfícies brancas e negras é essencial no livro. Controverso, perfeccionista até a obsessão, capaz de retocar centenas de vezes uma mesma prova de tipos. Nasceu em Saluzo em 1740, aprendendo as bases elementares da arte com seu pai com quem cortava as matrizes que vendia a outros tipógrafos de Turin. O sucesso que obteve em Saluzo o levou a ambicionar por Roma. Junto com o amigo Domingo Sota, se põe em marcha, mas o caminho é longo e no caminho de cidade em cidade vende seus tipos e talha novos para os impressores. Em Roma é recebido com frieza por parentes e artistas, tendo que buscar trabalho para se manter com dificuldade. Desiludido, já pensa retornar a Saluzo, quando visita a “Stamperia Propaganda Fide”, gerenciada pelo cardeal Spinelli que não resiste ao seu ardor e vocação, dando-lhe emprego como tipógrafo da famosa imprensa romana.

• Logo revela seu gênio e após muitas peripécias torna-se Impressor da Imprensa Real, recebendo medalha de ouro na Exposição de Arte Tipográfica de Paris em 1806. Sua obra “Manual Tipográfico”, com 150 caracteres latinos e 28 gregos. Outra, “Oratio Domenica”, foi composta em 150 línguas com 215 variedades de corpo de letra.

• Morreu em 30 de novembro de 1813, às 7:30 da noite, cercado de familiares e amigos.

Garamond

GARAMOND

• No século XVI surgem os maiores tipógrafos da história das Artes Gráficas. Claude Garamond foi um deles, sendo conceituado e respeitado fundidor de tipos. Nasceu em 1495 e em 1510 já havia gravado um jogo de punções, iniciando sua aprendizagem com Antoine Augereau.

http://tipografos.net/historia/garamond.html

PALATINO

• Giovambattista Palatino, 1515 a 1575, autor do “Tratado de Caligrafia”, impresso em Roma em 1540. Reconhecido como o Calígrafo dos Calígrafos

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags:
16/04/2009 - 21:29

Marmorização – Monotipia sobre Papel

♣ A boa técnica da marmorização consiste em dispor uma larga superfície de água, seja numa bacia ou num plástico sobre quatro ripas de madeira do tamanho desejado, jogando sobre sua superfície tinta a óleo, tinta esmalte ou qualquer outra diluída por solvente ou querosene, misturando levemente até obter o efeito desejado e aplicar uma folha de papel. Cuidar para que não fiquem bolhas, batendo levemente sobre a folha ou usando tinta bem diluída, retirar a folha sem virar, deixar a água escorrer, virar e por o papel para secar. O princípio é simples, como qualquer boa técnica.

♣  Outros detalhes podem ser acrescentados para obter diferentes efeitos. Por exemplo, utilizando tintas diluídas com querosene e com águarraz para que se misturem menos; usando tintas bem diluídas ou puras para obter texturas diferentes; misturando com um pau, soprando, “penteando” com um pente de dentes bem espaçados ou de agulhas; espessando a água com maisena para controlar o movimento das tintas; adicionando detergente à água para obter pequenos pontos de tinta. Ás vezes, até o vento soprando sobre a superfície da tinta, espalhando-a com delicadeza, forma uma textura suave e dá um efeito bonito.

♣  Se as primeiras ficarem estranhas, tente mais, invente mais. Para obter um efeito pré-determinado, erra cinco. Qualquer que seja o resultado, é sempre aproveitável para alguma finalidade. Nunca fiz uma folha que não fosse possível usar em algum livro. É claro que algumas ficam estranhas, outras ficam tão perfeitas que dá dó utilizar. Mas cada uma tem seu valor.

♣  Um PULO DO GATO: com a tinta quase seca, espalhe TALCO e esfregue com um pano macio com força em círculos, para suavizar os excessos e preencher os vazios.

♣  Uma variação da marmorização em papel que tenho utilizado com sucesso, é a marmorização sobre tela. Faço o tecido com tinta latex da forma usual e marmorizo nela, resultando um material perfeito para ser utilizado como “espelho” da capa, ou seja, aquela parte externa do livro entre os cantos e a lombada. Para livros grandes ou que serão muito manuseados, é material resistente e bonito.

♣  Agora, qual a finalidade do papel marmorizado. Sabemos sua função estética, mas qual seria sua utilidade prática?

♣   Uma: forma barreira natural contra traça, brocas e cupins, pragas que não devem gostar de comer tinta. Outra: impede que a primeira folha  do livro, a “folha de guarda”, sanfone ou engruvinhe, pois reforça o papel. E mais: esconde  imperfeições de prensa, espátula, cola e qualquer outra resultante do trabalho do encadernador.

♣   Estava dando uma oficina no Centro de Criatividade do São Lourenço, quando o presidente da Fundação Cultural de Curitiba fez uma visita surpresa. Foi direto para o monte de papel  marmorizado que estávamos fazendo e, antes de tocar nele, disse: “agora estão usando mármore para cortar o papel…?”

Não pretendo que minhas marmorizações sejam gravuras, esse status fica para quem procura resultados artísticos, mas papel para usar em escala razoável no meu artesanato.

Atualizando esse post hoje, dia 25/08/2009, só recentemente me ocorreu a razão maior, a justificativa definitiva, para o uso de papel marmorizado na encadernação. Deve-se à ACIDEZ DA COLA! Como não há nenhuma cola com acidez perfeita e com resistência suficiente para colar o miolo do livro à capa, é preciso que haja um material isolante entre a cola e as páginas brancas do livro, senão as folhas irão amarelar e ficar porosas pela ação da acidez da cola. Dessa forma, a tinta esmalte ou óleo exercem essa função de proteção.

Monotipia 0,66 X 0,96  Esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Monotipia 0,66 x 0,96 esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Monotipia esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Na França, é “papier marbré”

Suminagashi – Técnica ou efeito de gravura japonesa.

Suminagashi, efeito japonês.

Monotipia clássica e belíssima, por Wagner Campelo

Marmorização de Laura Klemz

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags:

14/04/2009 - 22:22

Mundo Blibliófilo – A Arte Negra

A ARTE NEGRA

♦   Durante a Idade Média e antes da utilização de tipos móveis na impressão de livros, a atividade gráfica foi chamada de “Arte Negra”.

♦  Por conclusão da ignorância, ou seja, quando a imensa maioria de analfabetos concluía que aquelas manchas no papel tinham poderes mágicos, pois alguns iniciados olhavam para elas e de sua boca brotavam histórias, poesias e ciências cujas maravilhas e revelações não tinham fim. E entre esses analfabetos estavam reis e nobres, ricos comerciantes e poderosos generais, estando a leitura restrita a um reduzido número de clérigos. Ler era poder e essa força tornava os leitores homens temíveis, donos de uma ciência certamente utilizada muitas vezes para obter riqueza e prazer, logo uma “Arte Negra”.

♦ Um dos inventores do processo mecânico de fazer livros foi Fust. Em 1462 foi a Paris para vender seus livros impressos, fazendo crer que se tratavam de livros manuscritos. Já nessa época os livros impressos tinham menor valor. A corporação de calígrafos franceses denunciou a farsa, movendo processo contra Fust, pois como podiam os livros ser manuscritos se apresentavam os mesmos erros nas mesmas letras, nas mesmas palavras, nas mesmas linhas e nas mesmas páginas de cada exemplar examinado. Fust não admitiu o crime e preferiu manter segredo sobre o processo de impressão mecânica, sendo acusado de manter contato com as artes diabólicas e que o vermelho dos detalhes era sangue humano. Foi condenado à morte, mas recebeu ajuda do Rei Luis XI para fugir da prisão em segredo. Sua fuga foi atribuída ao Diabo que com ele tinha um pacto. Fust, Fusto ou Fausto vendeu sua alma ao Diabo. A lenda tomou corpo, conectando-se com um Joahan Fausto, necromanta de Witemberg que recebeu existência literária através do gênio de Goethe.

♦  Por outro lado, o restrito círculo de letrados capazes de decifrar os caracteres misteriosos, e poderosas ordens de copistas e calígrafos alimentava essa superstição, resistindo à vulgarização dos livros impressos em quantidade. Protestam que essa é uma “arte negra” que tem como principal capitalista o Diabo, pois o Diabo é mecanicista e vulgarizador. O novo processo é uma “ars diabolica“.

♦  No meio dessa desinformação, os gráficos. Trabalhadores numa arte nova, tão criativos que eram capazes de utilizar uma prensa de moer bagaço de uva, onde reuniam caracteres pacientemente talhados em madeira por artesões, pincelados com tinta vinda de Nanquim ou nanopartículas de carvão de bambu estabilizadas com goma arábica, para prensarem sobre uma folha de pergaminho. Adaptando materiais e ferramentas, com as mãos nuas, errando e acertando, para emergir de suas oficinas negros de tinta. Os artistas da “Arte Negra”.

♦  Mas o avanço das artes gráficas sobre a Europa  é generalizado, não restando cidade que não possua uma prensa. A “Arte Negra” deixou de ser segredo e perdeu sua magia.

Página da “Bíblia de Mogúncia”, incunábulo, ou seja, impressão mecânica com desenhos e gravações manuais, impresso em 1460 por Fust, conhecida como de Gutemberg.

B�blia de Mogúncia

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: ,
09/04/2009 - 23:16

Santa Wiborada – Nossa Padroeira

Lido “A Galáxia de Gutemberg”, de Marshall McLuhan, ficaram algumas curiosidades sobre livros em geral. Uma que me lembro com estranheza é que pessoas que lêem muito ficam com dor de garganta, pois os músculos involuntários da garganta se movimentam como se estivéssemos recitando.

Explica que até lá pelo século XIV a leitura era apenas em voz alta. Os livros eram escritos para serem recitados, com regras então vigentes que respeitavam a respiração do orador, a salivação e a entonação apropriada. Por isso das celas onde os monges se isolavam para suas leituras. Com o advento da vulgarização da leitura, veio a “leitura silenciosa”, quando as pessoas passaram a ler para si mesmas. Nos anos sessenta, ainda era assim que as professoras se referiam ao ato de cada um ler suas lições em sala de aula.

Curiosidades sobre livros, como essas, podem ser tema para preencher espaço com brevidades, para aprimorar nossos conhecimentos, pois após a Educação vem a Sofisticação, ou seja, o refinamento, a sintonia fina que diferencia das pessoas educadas em massa.

Um livro cheio dessas extraordinárias informações diferenciadoras, com pérolas preciosas de deliciosa cultura é o “Historia General del Libro Impreso”, feito para um congresso de indústria gráfica da Argentina em 1964, que está escrito assim na folha inicial: “M.DCCCCLXIIII”, o que não constitui um erro, como a princípio julguei, mas uma forma especial de escrever em caracteres romanos, comum em livros do século XIV.

Introduz com a história da padroeira dos bibliófilos: Santa Wiborada.

◊Bibliotecária do Monastério de Saint Gall, enfrentava a ameaça de bárbaros que marchavam sobre a cidade e iriam passar sobre o monastério saqueando e queimando, até encontrar as muralhas da cidade. Os monges já estavam fugindo aterrorizados, mas ela os convenceu a esconder as obras, enterrando-as nas valas defensivas da cidade. Passaram aquele dia 1 de maio de 925 e a noite que o seguiu pondo os preciosos manuscritos em local seguro. Os bárbaros húngaros chegaram, arrasaram o monastério e avançaram sobre a cidade fortificada. Após três dias de luta sangrenta, foram repelidos. Foram encontrar Wiborada mutilada e morta, jazendo sobre o local onde haviam enterrado os seus preciosos livros.

Depois de penar para encontrar referências sobre ela, pedi ajuda ao sítio http://www.cademeusanto.com.br e esses caras absolutamente rápidos e prestativos me mandaram texto e foto, com preciosas informações. Confirmaram o nome, que pensei de início ser uma argentinização, era também chamada Guiborath e/ou Weibrath. Que era encadernadora e profetiza, sendo atribuído a ela profecia sobre a chegada dos bárbaros húngaros. Um de seus atos piedosos foi transformar sua casa num hospital para os pobres e ido servir a Deus num monastério. Sites oficiais confirmam sua martirização. Foi a primeira mulher a ser canonizada pela igreja católica e isso ainda em 1.047. Seu dia é o 2 de Maio e é representada como uma freira beneditina segurando um livro e um machado.

Mulher de valor e santa guerreira, já praticava lutar pelo livro.

Que por todos nós interceda!

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags: , , ,
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