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Arquivo de dezembro, 2008

30/12/2008 - 20:26

BIBLIOTECA PÚBLICA DO PARANÁ

A Biblioteca Pública Fede

Imagine um lugar onde voce possa encontrar os principais títulos publicados em cada categoria, oferecidos gratuitamente a qualquer pessoa. Imagine esse lugar oferecendo de obras de literatura e de diversão, na prosa e poesia, saciando o apetite por leitura de qualquer um.

Agora, imagine esse lugar FEDENDO!

O principal indício de que uma biblioteca, mesmo uma livraiada e até uma estante só. está com problemas, é o CHEIRO. Se cheira, é mofo. E mofo é o resultado de poeira e umidade. Pois LIVRO VELHO NÃO FEDE! Só cheira mal se estiver mal conservado.

Sou capaz de avaliar o estado de conservação dos livros só pelo cheiro.

Cheiro de xixi de aranha marrom, de ratos, de brocas, de cupins. Tudo isso só prospera quando a biblioteca está mal conservada.

Quando acumula poeira. Quando não é arejada. Quando está úmida. Quando está abandonada.

Qual a razão do FEDOR da Biblioteca Pública do Paraná?

Estamos em pleno verão, com muito calor e pouca chuva em Curitiba. Aliás, Curitiba é um bom lugar para livros.O clima é seco e fresco, as temperaturas são sempre amenas. Logo, o clima não é a razão.

Então qual o motivo do fedor da Biblioteca Pública do Paraná?

Falta de limpeza.

Pergunto: Quem está na direção desse lugar. Quem não está mandando fazer o trabalho. Quem está afastando os leitores. Quem iria levar para casa um livro fedorento para ler depois do banho, deitado na cama cheirosa, com aquele fedor de lixo no nariz. Pergunto.

Já o estado dos livros é lamentável. Rasgados. Capas soltas. Folhas soltas. Faltando trechos. Sujos.

Quem está deixando a Biblioteca Pública do Paraná virar um lixo?

QUAL A SOLUÇÃO?

Pois uma solução é urgente!

Como em qualquer área do serviço público, a solução está no trabalho de pessoas VOCACIONADAS.

Gente motivada por interesses altruistas, para os quais uma Biblioteca seja um templo e não um emprego e, no mínimo gostem de ler. Acredito nas boas intenções das pessoas e que o erro é algo humano, inevitável e previsível, mas é preciso reconhecer o que está acontecendo de errado e corrigir. Sé é falta de limpeza, é preciso arranjar pessoal e produtos de limpeza, treinar uns no uso de outros e limpar ambientes e livros. Se é umidade é preciso arejar as salas, climatizar, afastar os livros das paredes, verificar infiltrações e goteiras. Se éfalta de conhecimento, é preciso encontrar pessoas capazes e entendidas no assunto para tomar as providências necessárias. Mas algo precisa ser feito.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
23/12/2008 - 22:32

Encadernação Clássica e Restauração


Conservação de Livros

Neste momento, cada folha de papel está evaporando nas prateleiras, armários e gavetas.encadernacoes-de-pedro-malanski

Estão, também, amarelando e ressecando ao sabor das variações de umidade do ar.

Essa é a natureza da celulose, massa de origem vegetal de que é feito o papel. A velocidade com que ocorre essa degradação natural depende das condições de guarda e manuseio do papel.
È possível, também, que estejam sendo atacados por inimigos naturais, como broca, cupim, traça, aranhas, empregados negligentes, encadernadores incompetentes e grandes variações de umidade. Nesse caso, a velocidade da degradação é acelerada.
Para controlar o processo natural e combater a degeneração, alguns cuidados são necessários, assegurando a durabilidade do livro.
Em primeiro lugar, o início, ou seja, escolher sempre papel de qualidade para formulários e impressoras. Existem muitos tipos de papel, praticamente um para cada finalidade. Para cartórios, são indicados papéis de baixa acidez (pH), mais duráveis por resistir mais à evaporação. Se bem conservados, não se tornam amarelos e quebradiços. São caros, se comparados com o chamequinho escolar, mas valem o custo. Uma observação oportuna: papel mais grosso (gramatura acima de 90), não significa papel mais forte, apenas mais rígido e menos maleável.
Em seguida na escala de importância para conservação de papel, a encadernação.
Temos presenciado bibliocídios, cometidos com a justificativa do baixo custo, com a desculpa da ignorância e com o argumento da rapidez. Acontece cada vez que um livro qualquer é encadernado com a mesma técnica rasa utilizada para livros contábeis, nos quais não há preocupação com durabilidade por terem validade de apenas cinco anos.
Cada uma das questões levantadas pelo bibliocida para continuar perpetrando seu crime, é facilmente refutada. Uma encadernação barata, necessariamente usa materiais frágeis e mão de obra apressada, resultando um trabalho que não resiste ao tempo e ao manuseio, precisando ser refeito em pouco tempo. A encadernação comercial atualmente exercitada, abandonou cada um dos procedimentos clássicos e mesmo aqueles mais básicos, por pressa ou ignorância, como o lixamento das bordas do papelão, costura de cadernos, serrotagem de folhas soltas, reforços internos e muitos outros.
Não é justo lançar culpa exclusivamente sobre os encadernadores comerciais, pois apenas fazem o que podem num mercado competitivo, onde o preço é a única medida em detrimento da qualidade.
Logo, a culpa é, também, dos donos dos livros. Injustiça? Não! Apenas carrego nas tintas, chamando a atenção para o grave problema da extinção das técnicas mais prosaicas de encadernação, até o abastardamento atual.
Cada um merece o livro que tem em sua prateleira, pois, por um pouco a mais, justificado pelo uso de materiais nobres e pela aplicação de mão de obra cuidadosa, é possível ter o livro que merece. Assim, cabe ao dono do livro exigir encadernações de qualidade, que não se desfaçam ao primeiro manuseio, que durem por muitas gerações e se prestem verdadeiramente ao seu objetivo: preservar indefinidamente o conteúdo.
Propomos, portanto, iniciar uma série de artigos dedicados a orientar o serventuário na arte da encadernação, municiando-o para exigir dos encadernadores qualidade para os livros sob sua guarda.
Talvez até servindo de orientação aos encadernadores, que poderão resgatar algumas etapas da encadernação clássica, sem maiores custos de material, aprendendo que todo livro, QUALQUER LIVRO, seja ele de literatura ou comercial, de valor sentimental, documental ou financeiro, merece carinho e respeito.

ARMAZENAMENTO VERTICAL
Alguns cartórios guardam os livros deitados. Mesmo que o livro esteja bem degradado, com a capa destruída, as costuras rompidas e as folhas soltas, essa prática é injustificável, pois contribui para acelerar o processo de desintegração do livro.
Motivo: na horizontal, fica mais exposto a variações de temperatura e umidade. A capa empena para fora, as bordas das folhas ressecam, o ar penetra entre as folhas e espalha o ressecamento para toda a folha, tornado-a quebradiça.
Guardar certidões prontas ou qualquer folha solta dentro do livro é outro fator que contribui para manter as folhas do livro separadas entre si, facilitando a ação de evaporação acelerada do papel.
Livros foram feitos para ficar em pé, não importa o tamanho ou a espessura, sem qualquer apoio. É a “prova dos nove” da encadernação. Se não há equilíbrio, foi mal feito.
Assim, guarde os livros em pé, em prateleira justa, expondo à ação do clima somente a parte de cima.

PEQUENOS REPAROS

Ocorrendo rasgões nas folhas, use uma tira de papel sulfite e cola branca aguada no verso. Se houver texto nos dois lados, use uma tira de papel de seda.
Jamais use durex ou fita adesiva de qualquer tipo ou qualidade. Sua acidez é altíssima, por isso oxida, primeiro enrugando o papel e depois escurecendo e deixando o papel quebradiço. Além disso, sua ação adesiva é efêmera, durando poucos anos.
Já vi livros onde foi usado fita adesiva em quantidade e que simplesmente desintegraram quando o poder colante venceu, deixando milhares de pedaços soltos e de identificação impossível. Além do mais, uma das poucas coisas irreversíveis em restauração é fita adesiva recentemente aplicada sobre o texto.

ITENS EXIGIDOS DE UMA ENCADERNAÇÃO

1. Reforço de tecido ao longo da lombada da capa – permite que seja retirado da prateleira sem rasgar.
2. Lixamento das bordas do papelão – eliminando o fio para não morder o revestimento da capa.
3. Pelo menos duas folhas de guarda antes do início e após o fim do livro – para proteger as folhas oficiais.
4. Reforço de papel Kraft na lombada do miolo – para ter mais durabilidade no manuseio e para ficar mais firme na capa.
5. Guilhotinar, apenas quando estritamente necessário, só o lado inferior do livro – uma boa margem protege melhor o texto.
6. Não usar papelão reciclado – pois é mais sujeito a pragas e, por ser menos denso, mais sujeito à umidade do ar.
7. Nunca permita que um velho livro seja guilhotinado ou refilado – é só artifício para esconder o que não foi feito.
8. Sempre exigir que as folhas internas sejam restauradas uma por uma.
9. Exigir que o livro composto de cadernos seja costurado.
10. Não permitir que este mesmo livro seja serrado ou perfurado e depois amarrado – isso força as folhas a dobrar, ao invés de abrir suavemente.
11. Por derradeira, mas não menos porreira, ponha o livro recém encadernado em pé sobre sua mesa, sem muito cuidado. Se pender e cair, foi mal feito e não tem jeito.

Restauro?

Por Encadernação, entende-se o processo de costurar cadernos de um livro e abriga-lo em capa. Os livros de folhas soltas não são encadernados, são BLOCADOS. Agora, o que é Restauro?

Por interesse particular, sempre gostei de salvar velhos móveis, pois eram feitos com técnicas hoje desprezadas pela indústria e com materiais nobres. Cadeiras eram minhas preferidas. Para obter o resultado ideal, procurava sempre respeitar as características originais do móvel. Se o acabamento era em verniz brilhante, não importava a moda do momento preferir acabamento fosco. O restauro tinha por objetivo conservar.

Em móveis, talvez em automóveis ou em estátuas de uma igreja, o restauro é inteiramente possível. Dá um pouco de trabalho ir atrás de vernizes, madeiras semelhantes, peças de motor ou itens de acabamento, mas não é muito caro nem irrealizável. Aliás, cristaleiras, carros e santos são mais duráveis e feitos de materiais ainda abundantes.

Com livro, o problema é muito maior. O papel é muito frágil, mesmo aqueles pré-industriais. A costura da encadernação, com o tempo, fere as folhas. As colas ressecam e cedem. O couro resseca e esfarela. A douração desaparece. Como restaurar, ou seja, recuperar todas as características originais de um livro, seja na costura, nos tipos de papel, no couro e no acabamento? É um processo proibitivamente caro, reservado a pouquíssimas obras de grande valor que, mesma magistralmente restauradas, perdem valor no final do processo, pois uma das principais qualidades de um livro raro é ter resistido e aparentar a passagem do tempo sobre ele.

Soubessem da dificuldade de encontrar um legítimo couro português, obtido a partir de uma cabra, com a espessura e a textura exata, não falariam em restaurar. Já vi desmontarem livros de menor valor para usar em outro. Sem falar em obter o mesmo tipo para douração e os ferros de relevo.

De qualquer forma, salvo minha ignorância, restaurar inteiramente um livro, na inteira acepção da palavra, deixando-o igual ao dia em que veio ao mundo, não é realizável.

Assim, é preciso encarar que é possível consertar um livro destruído e sobre ele colocar uma capa que dialogue com o tempo em que foi feito e com seu conteúdo, mas não é razoável restaurar completamente, mesmo que os recursos financeiros, técnicos e logísticos sejam abundantes. Uma “obra restaurada” apresenta marcas de interferência, materiais discrepantes e detalhes que denunciam não ser um objeto original.

Resta-nos, portanto, proceder a limpeza mais completa possível e os reparos com a mínima interferência de materiais estranhos, para conservação da obra a ser preservada para fruição.


Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags:
23/12/2008 - 21:59

Voce tem o livro que merece!

Se estão arrebentados, caídos, bichados e bem acabados. VOCE MERECE!

Se foram mutilados e pessimamente encadernados. VOCE MERECE!

Se estão bem cuidados, limpos e apresentáveis. VOCE É ASSIM!

De qualquer forma, cada um tem os livros que merece.

Cada um merece os livros que tem.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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