“VERDADES E MENTIRAS” de Orson Welles – comentário
O cineasta e escritor Gregório Bacic e a psicanalista Cássia Maria R. Guardado estiveram conosco na discussão do filme “Verdades e mentiras” de Orson Welles e animaram a conversa entre a psicanálise e o cinema.
Destaco dois temas centrais nessa conversa: a questão do cinismo e da ironia e a invenção de um nome próprio.
Em alguns momentos do filme tanto o diretor, quanto alguns de seus personagens parecem tomar uma posição cínica em relação ao discurso capitalista e às críticas que faz a ele. E se neste discurso podemos ressaltar o imperativo: goze! Acompanhamos alguns dos personagens retirarem seu quinhão desse latifúndio e seguirem a risca esse imperativo. Este empuxo ao gozo é o que pode levar ao cinismo.
Em outros momentos, vemos alguns personagens e mesmo a condução do filme numa dimensão mais irônica. Se não há uma universal, um significante mestre que garanta, por exemplo, o que é um pintor, o que é um quadro verdadeiro ou falso ou o que ordenará o mundo da arte, acompanhamos Orson Welles em suas objeções às respostas e às normatizações universais, mas sem recusá-las totalmente.
Um outro ponto que este belo filme de Orson Welles nos coloca para uma conversa é o personagem Elmyr de Hory. Elmyr, tido como um dos maiores falsificadores da arte não é um artista, mas um sujeito que pôde constituir um nome próprio: “Elmyr, o falsificador”, a partir de seu sinthoma.
Eis, um pequeno recorte dessas conversas sempre instigantes.
Patrícia Badari
Autor: pbadari@superig.com.br - Categoria(s): Arte e cultura, Cinema, Psicanálise Tags: Arte, Cinema, Cultura, Psicanálise