Arquivo de setembro, 2008
27/09/2008 - 14:04
FIGURA EXPOSTA
A figura postada ereta
olhando o nada
se basta a si
não se arreda…
Mas o que significa,
ali parada?
Não irradia, segura tudo
como se tudo convergisse,
retornasse…
Nada há a compartir.
A figura continua ereta.
O orgulho sobressai
e o pescoço parece seta
enrijecida.
Prá lá e prá cá,
como rainha enlouquecida.
Onde foi o calor
e a maravilha que anuncia?
Só palavras invertidas…
Era ilusão, pura fantasia
que agora jaz esquecida
na figura ereta
difusa e esquisita.
Parece pintura…
Aquelas de propaganda de banco:
sol , praia, cadeira e cabaninha
com o céu e mar azul de enfeite.
Tudo na berlinda!
Mas sobressai a figura,
ali, ereta, com jeito importante
de rainha…
Mas, o que significa ali parada,
ereta, olhando o nada
como se estivesse a olhar da escada
todos que passam…
Figura estranha e demoníaca!
Que retrato é esse que se desenha
na areia da vida ?
composta em 24/02/2008 entreb 11:23-11:40hs Cabana da Malu
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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21/09/2008 - 22:10
A SEREIA
A brisa que
espalha cheiros
e lembra sabores
está viva
ao redor
do corpo escultural,
ali na areia.
Desnudo.
Brilha com o calor
do sol
e o sabor do mar.
Sobressai em dourado
caminhando
como libélula
e prometendo
como beija-flor.
Ai meus doces
devaneios…
Assim, a olhar
e cobiçar o
calor de seus beijos.
Ai que sensações
a antever meus dedos
enrodilhados
em seus cabelos,
acariciando seus seios
e sentindo
seu corpo inteiro…
Obrigada meu Deus
em poder renascer
neste momento.
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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13/09/2008 - 02:01
O ESPAÇO
Dentro de um perfeito encantamento
o espaço se transforma,
cria nuances e extrapola
o indizível sentimento de querer, AGORA…
É como uma pirâmide de imagens,
se sobrepondo, modificando até por osmose,
a expressão máxima do prazer
um orgasmo de histórias nossas.
Sim, criei asas e voei buscando aqui
um sorriso, um esgar nervoso de
ansiedade e espera.
Uma ternura contida, gesticulada e silenciosa
no pequeno espaço do seu corpo,
onde mora…
A imagem…
Ainda tenho gravada na memória.
O espaço…
Ainda sinto delineado
como se nada mais importasse
a não ser aquela emoção,
naquela hora…
Em borbotões se apresentam as formas.
Em espaços tantos… Que me deixam sufocada,
às vezes em pranto.
A mescla de encanto sucede como vento
que vem arejando minh ´alma
ocupando espaços, tornando dona,
se apropriando,
sem pedir licença, já sendo, existindo e pronto!
Já não mais sonha… O espaço do real
tomou forma e canto…
Assim, depois de tudo, quando a visita for embora
deixará no espaço a presença do amor
que foi e será enquanto
continuar a sentir a poesia, o enlevo doce
de nossos beijos.
Não haverá mais espaço vazio,
nenhuma tristeza…
Apenas a certeza de que a hora se aproxima…
Não vai, mas fica para sempre,
lado a lado, no mesmo espaço, na mesma vida…
Não era isso o que queria,
Grande Menina Linda!
Minha doce Tranqueirinha?
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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09/09/2008 - 12:16
A LOUCA
Catarse…
Assim se dá
a linha
da régua
que traça
o fim da
pista.
Ela é a louca
que avança
querendo amor
e dando mordida.
Ela é a besta
que ruge
ferida e despida
pela própria
língua.
Ruma…
A louca
procura
ensandecida
manter a
Vítima
subjugada,
envolvida
na mentira.
Catarse…
Espaço demoníaco
preparado,
concebido
para defesa
de espírito.
A louca
esconde-se,
monta cilada,
prepara máquina
com medo
da vida…
Tudo é perigo…
Desfragmenta
de papel à vida.
A louca
esconde-se
atrás da linha.
Não fica exposta
como mentira.
Catarse…
Do pó ao ouro
da paz ao grito.
Socorro pede
ao não retorno pobre.
Ficou louca…
Demente e só
afastou o humano.
A louca
perdeu a sorte.
Não há mentira
que resista
à força d água
e o calor do trovão.
Lavou-se o mundo…
A vida continua…
Que bela lição de vida!
Ainda que chegue
tão tardia…
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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07/09/2008 - 20:20
Saulo Ramos – Código da Vida – pg. 88 (16 Aláfia)
“É preciso fazer vários cursos intensivos e especializados para se entender a mineiridade. O mineiro diz, mas não diz exatamente o que quer dizer, de tal forma que somos levados a afirmar que ele disse. Se isso acontecer, terá como negar e provar que o outro entendeu mal, sem ofender. A ciência está em inferir o que o mineiro não diz, quando está dizendo, ou entender a outra coisa que ele está querendo que você saiba, ao falar de coisa diferente. Mineiro é muito difícil, muito difícil. Sobretudo quando recorre às suas intuições sobrenaturais”.
Ai ai ai… Se o grande jurista, Saulo Ramos, diz que é difícil, imagine nós, pobres mortais, ter que agüentar esse trancetê lingüístico!
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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07/09/2008 - 01:48

Eu não desisto nunca…
A vida tão tirana
sem arredar passo
mostra e ensina
qual compasso,
com muita precisão,
meios e caminhos
que darão entrada
à verdadeira
profissão.
Não desisto nunca…
Sou mulher, brasileira,
acredito na felicidade
e sei que é possível
viver um grande amor…
Minha profissão MULHER
explode na cara e no sorriso,
na luta e na crença…
Às vezes, sinto graça
no drama da mentira…
Mas isso é só lição
prá crescer um pouco
a cada dia…
Senão… Seria chato
se fosse só rotina…
É só uma desculpa
prá ficar alerta e
não repetir o engodo.
Mas amor existe
e vou em busca…
Não desisto nunca…
A cada capítulo
e lição aprendida,
elimino a perfídia.
É sempre uma hipótese,
pois quando se ama
a mente esquece,
o coração amolece.
É a cicatriz que
deixa viva
a lembrança da ferida
e grita o alerta
para a próxima esquina.
Mas eu não desisto nunca…
Alguém está me esperando
prá ser feliz, ainda.
Tem que se perder
para encontrar a vida.
Não se pode esquecer
jamais,
que a carinha linda
nem sempre esconde uma menina
nem livra da mentira.
O primeiro e último amor
é o amor próprio.
Sabendo o tamanho dele
pode-se medir
o risco na vida.
Mas eu não desisto nunca…
Sou otimista.
Adoro música, paisagem,
pintura, GENTE e poesia.
Aqui tenho tudo…
Até espaço para percorrer
a avenida.
Não preciso sonhar
nem fazer de conta.
A realidade cuida
e traz a musa
que me inspira.
Que seja bem-vinda!
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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06/09/2008 - 12:16

Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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06/09/2008 - 02:57
EU QUERO IR EMBORA…
Aconteceu como o choque do relâmpago,
como a lágrima da dor sangrenta e exposta.
Essa angústia me envolveu de tal forma
que a única exclamação, num grito calado e aflito
só poderia ser: eu quero ir embora!
Embora da vida, sem deixar rastro nem pista,
sem caminhos ou partidas…
Só a dor de ser posta de fora
como se atira a pedra numa alma contrita
fazendo vagas em espiral na lagoa morta.
Talvez seja este o meu destino…
Eu quero ir embora.
Sair calada, sem expor nada.
Apenas o olhar perdido e focado na estrada
sem delimitar destino ou parada.
Como se a vida quisesse descer de um veículo…
Se deixar ficar, calma ainda que desamparada.
Sem expressão nem forma…
Só a silhueta, olhando o nada.
Jogada fora…
Eu quero ir embora…
Prá que ficar se não significa, não existe…
É só uma saída de qualquer hora,
sem preocupação com a emoção que aflora,
sem perceber a tensão que sufoca,
sem atentar para a explosão da hora
nem sentir a dor do ” noves fora”.
Hoje é mais um dia como outros tantos,
chorados e angustiados, sempre na espera.
A esperança morreu e com ela minha tentativa.
Eu quero ir embora…
Não sei prá onde mas prá bem longe de mim,
e…
ficar sem dor… adormecer
sabendo que assim, brincando de sonhar,
prá sempre…
talvez eu possa ser feliz.
Se assim não for,
eu quero ir embora…
chegou a minha hora.
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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06/09/2008 - 02:44
VIAGEM
Espumas… Centenas delas vêm até mim.
Refrescam o meu coração convulsionado,
fazendo carícias necessitadas e suplicadas,mas
sempre sufocadas,amordaçadas.
Odoyà afaga minh´alma em alento;
confiança que a sensação de perda aniquila.
É uma viagem… E a lua crescente como pingente
anuncia um recomeço que não queria.
É uma volta sem fim do eu sozinha.
Talvez fique melhor assim, do que sofrida.
Os coqueiros balançam ao sabor do vento
e fazem dueto com as ondas ali na frente, constrangidas.
Pois o grito da minha dor é maior que o murmuro do mar…
E a viagem continua… No rastro das espumas.
Centenas delas, parelhas e nuas
se insinuando por entre as areias
ainda mornas, na tarde quente.
O por de sol acompanha a viagem…
Desliza no tempo e carrega a saudade.
Mas a espuma, insistente
segue junto,renasce e fortalece
pois a vida é curta como o espaço que ela procura.
Por isso chegam até mim…
parada na rua, vestida de lua do dia
viajando perdida em vagas
buscando um sopro de vida.
A hora é finita e o tempo gira.
Nela giro eu, como um moinho,
exposta em carne viva!
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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02/09/2008 - 19:01
DOCE GOSTO
Um cheiro bom
que se expande
e inebria todos
em volta da mesa…
É a casa da mamma
que explora molhos,
mistura massa…
Faz falação,
diz com a mão e
exagera na palavra.
Há saudade da
” porca miséria”.
É uma casa italiana
com certeza.
É ali que a irmã
é a tata.
É onde se chora
à toa,
por qualquer coisa.
É ali que tira do corpo
pra cobrir o amigo.
É uma casa italiana,
com certeza.
É essa gente que ama…
Quase sem pensar
na alma humana.
É a fala da verdade
nua e crua,
ainda que doa.
É amizade sincera
de gente que ama.
De verdade,
sem fazer de conta.
É uma alma italiana,
com certeza…
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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