
Arquivo de maio, 2008
GRANDE DAMA
Vim prá vencer
este mundo que improvisa.
Vim ser mãe.
Esse era o maior sonho,
a razão da minha vida.
Fiquei advogada
e adiei a experiência.
Mas, a vontade persistia…
Minh´alma gritava
e o sonho agitava
minhas noites mal dormidas.
Mal sabia que depois da cria
o sono jamais retornaria.
Não há paz nem sossego…
Acabou-se a calmaria.
O choro de molhado e comida
era brincadeira de criança
perto do boletim e da vida…
A grande dama
é a grande mãe.
Suporta tudo enternecida.
Esse amor não tem limites
nem guarda descanso, é só vigília.
Querer o melhor e dar o melhor
vira tortura no dia a dia.
E a gente insiste!
Quer ver o bebe criado e repleto de alegria.
A realização é o sucesso dele,
a sensação do dever cumprido!
Nem tudo são flores…
A nota baixa, a pirraça e preguiça
indicam que ali há vida crescendo e testando
a paciência e o limite da criatura.
Mas…
Mãe é mãe,
a Grande Dama e Divina.
Assim, humildemente me vejo.
Por acaso, SOU MARIA!
A BUSCA
Estou aqui
parada
introspectiva.
Estou em busca
da felicidade
e esperança perdidas.
A verdade…
Essa é a busca ariana.
Cada ser de Abril
não vive nem respira
sem a lealdade.
Odeia mentira.
A insuportável
experiência
é a falsidade
que avisa.
A dor é tamanha
que a mente humana
expira…
Estou em busca…
A verdade me catalisa
e deixa fêmea
em fúria.
Só a verdade é a busca.
Com ela vem
carinho e alegria.
Vem esperança
e tesão
pela vida…
A busca não cessa.
É exercício de
todo o dia.
É uma forma de
vida…
Ainda que
dolorida…
CASCALHOS
O passo chega
com barulho de ranger.
Os ouvidos refletem
o atrito das pedras
anunciando a chegada
estrepitosa e medonha
de quem chega sem bater.
São cascalhos
postos em volta.
Cercando a casa,
guardando a alma.
Como se fosse vigilante
pronto a defender.
O silêncio amplifica a paisagem
e põe na noite o seu poder.
Os cascalhos se dispersam
com os passos que circundam,
avançam e chegam ao portal.
Meu coração parece subir para a boca
tamanho é o pavor.
Estou contrita e parada
esperando a hora do grito,
expectante até o final.
Os cascalhos calam
ali no umbral.
O vento sibila, tremula cortinas
e verga as folhas da colina.
O cenário está pronto
e eu fico artista
para o último ato e despedida.
Vivi cascalhos ruidosos por tantos dias
que agora os asfalto para seguir na linha.
Ficar tranqüila, dormir e sentir prazer
é uma escolha de vida.
Ainda que para isso se abra mão
de ilusão e faz de conta
com estórias da carochinha.
Prefiro o “pé no chão”, real, do dia a dia.
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria Tags:VOLTA
Passa o trem… Passa o trem…
Ele vem na curva feito cobra
que corta a mata e sobe o morro.
Ele vem e serpenteia, entre
pontes, cachoeiras e rios.
Ele vem ao pico e quando estaca
soa forte o apito!
Ele chegou… Ele chegou…
O trilho chia feito chaleira
soltando vapor, feito chuva seca…
O povo acorre e aumenta o burburinho…
A colina verde ganha cores e risos.
Ele chegou… Ele chegou…
Chegou o trem… Chegou o trem…
Novamente o apito!
E a moldura ganha vida
na estação da cidade pequenina.
É o platô da colina…
Estou em casa!
Chegou a volta!
Que seja em boa hora…
EU QUERIA TANTO
Eu queria dizer
coisas a essa moça
que me faísca o olhar
como esmeralda da mata.
Eu queria tocar
seu corpo desnudo
e abraçar a sua alma
tal qual um vôo abatido.
Voar, voar e voar…
Deixar de lado o indefinido.
Arredar no seu colo,
espalhando como raiz de “fícus”;
agigantando como galho de ninho,
piando como ave no auge do acasalamento.
Ver brotar da gruta
o riacho doce do gozo.
Navegar e pousar suave
no cais de linho.
Esse sonho que trago guardado
ainda lhe será dito!
Eu queria tanto lhe dizer…
Mas os dias passam e vida vem
marcando histórias, outras horas
que nada fazem…
Só relembram você.
A mata esmeralda aparece de um lado,
o riacho corre do outro.
E entre pedras viajo vencendo asfalto,
para descer na praia
e encontrar o mar
da cor dos seus olhos.
Eu queria tanto lhe dizer…
Mas a poesia vence.
E eu fico aqui,
imaginando…
Quem sabe um dia,
talvez…
de tanto querer tanto
eu a faça minha,
como sempre sonhei!
BICHO D´AGUA
Nem parece gente!
Vira, mexe tá na água
furando espuma,
boiando solta…
Parece bicho d´agua!
Está carnuda e faceira.
Mergulha e levanta
fazendo pose de sereia humana.
Olha e reza,
fixando ao longe.
Cata espuma prá cabeça.
Mas não!
Parece bicho d´agua.
Caminha altiva,
vem pela praia.
Faz pose no sol.
Quer ficar morena,
ignora o guarda sol.
Tem chuveirinho…
Como gosta d´agua!!!
Essa loira é uma figura…
Quer ficar morena ali no sol.
Mas não demora volta ao mar
furando espuma e boiando solta
como bicho d´agua!
Enquanto isso,
a vida passa devagar.
O som das ondas
embalam o corpo.
E a exibida continua lá
jacarezando ao sol;
doida para ficar morena.
Às vezes, num lampejo,
parece criança arteira
pronta para desvendar algo mágico.
Mas é só de repente…
Lá vem outra vez
o bicho d´agua
molhar o corpo e
divagar a mente.
Afinal, esse é só um domingo diferente!
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria Tags: