29/02/2008 - 21:47
MULHER OU MÃE?
Eu queria muitas coisas…
Aos 13 anos queria um
namorado para noivar e casar.
Sonhava em ter minha casinha
arrumadinha, limpinha, com
garrafa de vidro de leite na porta
e o varal cheio de fraldas.
Era menina…
Tive meu namorado e mais outros…
Mas, não noivei nem casei.
A casinha com vidro de leite
e varal cheio de fraldas
deixou de ser um sonho dourado.
Virei mulher…
Fui para a faculdade, tive bacharelado…
Fui feliz, perfeita executiva
e o sucesso, ano após ano,
levou-me à idéia matriz:
Quero ser mãe!
De novo, o varal cheio de fralda me assombrava.
Jamais deixei a porção mulher
e ela cobrava o que sempre quis:
Mulher completa! Para ser
realmente feliz!
Mulher ou mãe?
Essa condição não se separa.
Virei mãe em poucos dias.
E agora… Perguntava assustada
tentando a perfeição do sonho infantil,
já que ali, ninguém negaria, só pureza
era o que filtrava a esperança de menina.
Acreditava, na maior amplitude,
que era possível educar
uma alma nova e bela,
mesmo que necessária a rigidez.
Esse meio termo que me habita
não deixa perder de vista
que o amor é necessário e não deseduca
e que a rigidez matriarca só o amplia.
O excesso é o pecado
que ninguém gosta ou disputa.
Amar não é fraqueza, mas história
contada à mesa da família reunida.
Só essas experiências podem traduzir
os impulsos de trato que você dita.
Não são erros ou equívocos
mas apenas o dia a dia
de mulher e mãe, que assim o é
por escolha própria e assumida.
Meu filho é a razão da existência…
Nada persevera sem a sua presença ou vida.
Criança, adolescente e ranzinza,
faz parte do enredo que escrevi,
para ser mulher e mãe.
Espero que o esforço e os acertos
me façam bendita.
Terá valido a pena essa vida.
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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29/02/2008 - 21:43
MEIOS
Há um vácuo
sem qualquer identidade.
Uma noção de meio
sem recheio, meio de nada.
Uma confusão de idéia;
um pensamento que avoa
e não ecoa ou registra.
Uma noz como limite,
uma casa que flutua
na mente que divaga.
Estou nos meios…
Há uma vontade de ficar
e a necessidade de ir.
Há um contra-senso.
Uma angústia que cala.
Há um lapso de meio.
Há uma esfera que gira.
Respiro agora assim,
meio aflito…
Olhando o vazio,
rodopiando feito bola
estocada na sinuca.
Ao redor tudo se agita.
É a vida que segue
em meio ao dia inexorável.
Há um desfile de corpos,
todos desnudos ao sol
e lambidos pelo mar.
Há um gosto de sal
no meio do teu seio.
Há os meios…
E esse amor
que no vento avoa
cria lapso de gemidos.
Emudece durante o dia
e ressurge no quarto escuro.
Assim transcorre o caminho
que vem regado a mel.
E nos meios decorre
como rio que transborda
e alma que implode.
Vem por meios…
E entre seios adormece
feito menino carente
extasiado de desejo.
Há os meios…
E nele fico preso
inexoravelmente
para sempre…
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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23/02/2008 - 22:50
BEIJAR É BOM!
Boca… Brilho úmido
e sensação da alma.
Maciez que flui emoção
e invade o corpo de desejo,
fazendo explodir o gozo do coração.
É assim que a gente sente
ou imagina o amor
do sentido…
Mas enche de mescla e
mistura o físico e o emotivo,
o sexo e a visão,
a mão e a imaginação…
Beijar muito!
É muito bom!
Boca com boca,
cheiro e essências.
Uma verdadeira excursão ao prazer
Beijar é bom!
Ainda que seja só beijo..
O beijo, muito beijo…
É bom demais!
Porque o beijo
não vale só pelo beijo…
Ele induz outras sensações.
Ele é mais amplo…
Ele evoca e é instantâneo.
É só emoção, é da hora!
Entre um e mil…
Não há limite ou regra de saída.
É só começar…
E aí…
Pode durar uma vida!
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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23/02/2008 - 18:58
TRATO
É um pouco estranho…
Difuso e complexo
o trato que expande
a idéia, o dia , o estudo.
O pilar ressalta dureza
que sustenta a norma,
que incide a vida.
Trato ou Tractatus
imagino o certo e a dúvida
ao explorar o compêndio.
Volto à escola e relembro a musa.
É bom aprender com quem sabe e ensina.
É bom privar de sua simplicidade e mística.
Há um trato implícito nessa vida
e ele passa claro e nítido
pela auto estima.
Há um Tractatus que ilumina
a perseverança que aflora e dá guarida.
Por mais estranho,
difuso e complexo esse pilar,
ele fortalece e enobrece
o meu trato com a vida.
Tudo porque,
na minha auto estima, amiga,
eu insisto em ser feliz!
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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04/02/2008 - 01:35
LAPSO!
Lamento…
Um lamentável equívoco.
Um deslize da fala,
um lapso da escrita.
Será isso um erro de poeta
ou um chato rabiscando
os traços da pintura?
Há um lapso!
Mas, também há um Clínio,
que afasta a incerteza
e aviventa a força da poesia.
E é aí que o poeta vê guarida;
renasce da cinza e aplaca
a insegurança e a fúria.
O menosprezo assusta
e a atenção e desvelo afaga
dando “up” na inteligência que flutua.
O poeta? Ele só faz poesia…
e enxerga o mundo
com a palavra mágica da ternura.
Por isso ele avoa…
Não há mistério nem vida;
nem oxigênio nem seiva
que escapem ao olhar e falar poético.
Não exija dele ortografia.
Ele só faz poesia…
Há um lapso!
E nesse lapso… a vida continua,
a poesia continua íntegra.
Não há violência nem angústia.
O Clínio falou: isso é poesia.
Assim…
Continuo poeta da alma
e seguro a pena que avoa
em nova estrofe, a cada escrita!
É só um lapso!
Daqueles que a gente passa e declina.
Hoje, a inspiração eclodiu;
a licença foi renovada e
fiz muitas poesias.
Só por um lapso!!!
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Sem categoria
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