Toda vez que eu passava naquela esquina, aquele bar me chamava à atenção. Eu nunca tinha entrado, mas meus olhos sempre eram atraídos para seu interior, e o que eu via me causava uma sensação estranha. Todas as vezes que olhava para dentro do bar, a impressão que eu tinha era que ele estava no lugar errado. Ou melhor, que ele estava no “tempo” errado! Quando a imagem do interior daquele bar refletia em meu cérebro, eu me sentia voltando trinta anos no tempo! Tinha a sensação de estar com dez anos e, agora sim, o que eu via fazia sentido!

O piso, o balcão de madeira com toda a mercadoria exposta através de vidros, uma balança de ferro e um baleiro, daqueles cheio de “gomos” e de rodar. Dentro do balcão, doces de tudo quanto é tipo: cocadas brancas e marrons, suspiros quadrados, marias-moles também de duas cores, além daquelas cor-de-rosa entre duas bolachas, formando um sanduíche. Em outro compartimento, pequenos cadernos brochuras, lápis pretos, borrachas brancas… tudo como deveria ser – se estivéssemos lá pelo final da década de 70, ou início dos anos 80!

Mas, o tempo havia avançado velozmente e, de repente, me dei conta de que já estávamos caminhando para o final da primeira década do século vinte e um! E seguia meu caminho com a mesma estranha sensação – a de que aquele bar simplesmente não se “encaixava” ali!