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30/07/2009 - 17:06

Boquinha e pensamento único

Peleguismo e boquinha, os males do Brasil são. Houve um tempo, não faz muito, que ao governo cabia “apenas” o controle da máquina pública – e dela fazia o que bem queria, durante e entre os períodos eleitorais. Também existiam três poderes com certa independência entre eles. E os movimentos sociais e sindicais eram contestadores.

Isso tudo é passado. O governo continua usando o aparelho estatal, preenchendo com fiéis companheiros os mais de 70 mil cargos comissionados. Mas, enrolado em seus próprios problemas e escândalos, o Congresso praticamente abriu mão de legislar e deixou essa função para o Executivo. O Judiciário é tão lento em seus julgamentos que, quando as decisões saem, já caducaram. O STF se enfraqueceu ao optar por tornar-se um tribunal político, em vez de jurídico.

E temos os movimentos sindicais e sociais. Eram combativos quando estavam na oposição, mas foram cooptados. Essas instituições vivem de mesada do governo, criaram ONGs para receberem verbas públicas. Os dirigentes fazem parte de conselhos de estatais ou são nomeados para cargos com altos salários e benefícios gordos. Antigamente, esses dirigentes seriam chamados de pelegos. Ser instrumentalizado pelo governo era o que de pior podia acontecer a um sindicalista. Mas, hoje, isso virou praticamente um objeto de desejo.

Vejam o caso da UNE. Financiada pela Petrobras, a entidade que deveria representar os estudantes vai às ruas para protestar contra a CPI da empresa e bradar que “o petróleo é nosso”, como se essa fosse a questão. O petróleo com certeza é deles – além de serem subsidiados pela companhia petrolífera, recebem verbas do BNDES, da Caixa e do Ministério da Educação, entre outros detentores de dinheiro público.

Com sua postura dócil, a UNE de hoje envergonha qualquer estudante que não tenha como meta na vida fazer política e ganhar uma boquinha. E há sempre a perspectiva de virar ministro lá na frente, como aconteceu com o ex-presidente da entidade Orlando Silva, um ilustre desconhecido que ocupa o Ministério dos Esportes.

Hoje, a única fonte de crítica ao governo é a imprensa. Mas ela também está acuada. O próprio Lula não perde uma oportunidade de desqualificá-la. Para não falar na publicidade estatal – que tem sido direcionada para a mídia favorável.

Amparada por um frágil discurso de supremacia ideológica e moral, há uma tentativa de impôr um pensamento único ao país. Esta opção feita por Lula e pela cúpula do PT facilita a manutenção do poder em suas mãos. Mas faz um enorme mal à democracia.

Luiz Antonio Ryff, no Destak [via Nonsense], via Pavablog

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/07/2009 - 12:16

UNE chapa-branca

Givaldo Barbosa/Ag. O Globo
CONTRAPARTIDA
Em Brasília, universitários aplaudiram o presidente Lula e criticaram a criação da CPI da Petrobras

Por Gustavo Ribeiro:
A União Nacional dos Estudantes (UNE) transformou-se em uma repartição financiada pelo governo para apoiar suas causas. Triste. Poucas coisas são mais patéticas e melancólicas do que um jovem sem espírito crítico. Felizmente, são raríssimas as circunstâncias históricas que levam a juventude a sufocar sua qualidade humana mais preciosa, a rebeldia com ou sem causa, para idolatrar o poder central. Quando isso ocorre, é sintoma de alguma moléstia social. Arriscando aqui a violar a Lei de Godwin (a bem-humorada sacada do advogado americano Mike Godwin, segundo quem todo argumentador perde força quando compara um evento atual com os da Alemanha nazista), a UNE de hoje lembra o fervor patriótico da Juventude Hitlerista. Lembra também os squadristi, a tropa de choque infanto-juvenil do regime fascista italiano de Benito Mussolini. A UNE, a Juventude Hitlerista e os squadristi têm em comum a força na ausência da razão e o desejo de servir cegamente a um líder. Aqui

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
22/07/2009 - 15:07

O RASTRO DE NOJEIRA DEIXADO PELA UNE

Por Erika Klingl:
Garrafas de bebidas alcoólicas, preservativos, drogas e muito lixo. Nada disso combina com escola. Mas, a uma semana do retorno das aulas, foi esse o cenário encontrado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal nos 10 centros de ensino usados pelos mais de 6 mil universitários que ficaram hospedados na cidade em virtude do Congresso da União Nacional dos Estudantes (1)(UNE), entre quarta-feira da semana passada e domingo. “A gente viu uns jovens tomando banho na horta das crianças e eles ainda fizeram as necessidades em cima das plantações”, lamentou a diretora do Centro de Ensino Fundamental 01, do Lago Norte, Claudia Regina Justino Fernandes.

A horta tinha sido preparada em seis meses de trabalho com os alunos de 1ª a 6ª série do ensino fundamental. E agora, de acordo com Cláudia, com a volta às aulas, o monitor responsável pela horta, Leandro Nunes, vai ter que replantar tudo. “Não podemos permitir que as crianças comam as verduras nem mexam na terra contaminada”, completa. Cláudia conta ainda que esse foi apenas um dos problemas da presença dos estudantes na escola. “Esperávamos 400 alunos e vieram mais de 600. Muitos tomaram banhos nus no pátio da escola e constrangeram os funcionários e vizinhos. Além disso, nunca vi tanta sujeira. E a escola estava pronta para a volta às aulas”, lamenta.

Problema semelhante ocorreu na Escola Classe do Varjão. Lá, estudam crianças de cinco a 12 anos. “Foi uma pena ver tudo sujo e alguns projetos danificados. As plantas do Ciência em Foco, por exemplo, foram todas destruídas”, conta o servidor administrativo Éder da Silva. Ele chegou a chamar os coordenadores da escola quando notou que havia consumo de drogas no ambiente. “Escola não é para isso”, completa.

“Isso ocorreu em todas as escolas que eles usaram. Foi lamentável e preocupante porque deu para ver que eles não valorizam o patrimônio público”, observa a funcionária da Regional de Ensino de Brasília responsável pela acomodação dos alunos da UNE, Isabelmille Costa Militão Carneiro. De acordo com ela, a secretaria esperava receber 4 mil alunos e, no decorrer do congresso, mais de 6 mil foram alojados. “Além disso, no termo de compromisso assinado pela entidade, havia a determinação de que eles providenciariam toda a estrutura, inclusive banheiros químicos e chuveiros, e que devolveriam as escolas do mesmo jeito que encontraram”, afirma.

Não foi o que ocorreu, por exemplo, no Setor Leste, na Asa Sul. Lá, os alunos também tomaram banho de mangueira nus no pátio para surpresa da diretora, Ana Lúcia Marques. Ela chegou a chamar a polícia por causa da baderna.

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

É evidente que, de volta às suas respectivas casas, os Remelentos e as Mafaldinhas recobram as noções básicas de higiene. Ao menos a maioria. Ou levam umas chineladas no traseiro dos pais. Dizer o quê? Todos sabem que esses “congressos” servem ao, como direi?, desregramento dos sentidos… Os nojentos poderiam, no entanto, cuidar um tanto do espaço público.

O rastro de nojeiras deixado pela UNE faz jus ao processo eleitoral que escolheu o presidente ancião e ao comportamento da entidade, hoje mero apêndice do governo federal — ou isso não é bastante nojento numa organização que tem um caráter essencialmente sindical e que deveria ter, na independência, sua mais evidente e inegociável característica? Se o Brasil escolhesse o seu presidente como a UNE escolhe o dela, ainda estaríamos vivendo a era das eleições indiretas, do colégio eleitoral — com a diferença de que o colégio da ditadura era mais representativo.

A UNE, convenham, na redemocratização, sempre foi irrelevante. Mas agora ela foi da irrelevância para o escárnio. A Petrobras (claro!!!) foi uma das patrocinadoras do congresso. E os valentes fizeram uma marcha em defesa da… Petrobras, contra a CPI e contra as oposições! Puro lixo moral patrocinado.

Esses caras não fizeram cocô só na horta de estudantes carentes, não! Eles também largaram a sua obra mais sobre a história do movimento estudantil.

Mas vá lá… Ao menos não o fazem de graça. Desde 2004, Lula já lhes deu R$ 10 milhões. Podem defecar à vontade.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,

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