15/07/2009 - 15:12
Por Leo Cardoso *
Nada permanece eterno: tudo se estraga com o tempo e deixa de ser eficiente. É a natureza que faz questão de trocar o antigo pelo novo. É a ordem da folha seca. Uma hora, tudo que era lógico e eficaz mostra defeitos. É a substituição da peça. É a razão do tempo.
A única forma de não perecer é não permanecer o mesmo. A lendária foto de Che Guevara (com os cabelos ao vento, barba e boina) – clicada por Alberto Korda, um ano após a revolução cubana de 59 – só é símbolo da liberdade, da luta e do heroísmo porque Che fatalmente morreu aos 39 anos. Enquanto Guevara permanece na História como mártir da libertação popular, Fidel Castro hoje é tido como vilão, e ditador. Che Guevara não chegou a envelhecer e, por isso, não se tornou obsoleto. Já Fidel, infelizmente, foi engolido pelo tempo.
Tudo ficará velho. Envelhecer é natural. O problema está em ficar ultrapassado, não admitir ser substituído e perpetuar, arrogantemente, seus erros e vícios, que prejudicam a lógica da substituição.
Nós, brasileiros, estamos passando por um processo de mudança necessário para um país que pretende alcançar sua plenitude democrática, condizente com o século XXI. Aos poucos tentamos nos separar de resquícios da República Velha. É a ordem natural da substituição: o arcaico pelo moderno. Mas quem há séculos se farta da cômoda situação que nos prende ao passado não admite tal mudança e tenta, unicamente em busca de interesses próprios, permanecer no poder, através de esquemas fraudulentos, com trocas de favores e jogatinas criminosas. Cargos políticos, diferente do que se apresenta, não são – nem podem ser – patrimônio hereditário, mas um espaço público no qual homens capazes devem exercer o principal dever cívico: a representação popular.
No meu Estado, o jornal de maior circulação é a Gazeta de Alagoas, um dos diversos veículos de comunicação das Organizações Arnon de Mello, que têm como dono o ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello. A família proprietária do jornal representa uma oligarquia que ocupa cargos públicos desde, antes mesmo, a revolução de 1930. O avô materno de Collor foi deputado federal em 1923. No Maranhão acontece o mesmo: a famiglia Sarney controla o Estado política e economicamente, o que nos faz lembrar um feudo da idade média. Mas, aos poucos, percebemos pequenas e importantes mudanças.
O jornal Gazeta de Alagoas de hoje, quando chega à minha casa pela manhã, traz notícias, filtradas, de ontem. E o jornal de amanhã contará, filtrando, apenas o que aconteceu hoje. Já na internet, a notícia fica velha em dez minutos. Entre o acontecimento e a veiculação da informação são segundos, que quebram qualquer sistema – criado por qualquer natureza de interesse – que tente filtrar a notícia. É uma mídia descentralizada, o que a torna impossível de ser controlada. Aconteceu recentemente no Irã: com os protestos por causa do resultado da eleição, o governo fez uma tentativa frustrada de censurar a imprensa nacional e internacional. Como pegar água com a mão, as notícias escorreram pelo mundo através da internet.
A juventude da classe média tem um grande poder nas mãos, que permite o livre exercício da liberdade de expressão e o pleno acesso à informação de qualidade. A nossa mobilização virtual – mesmo que atrapalhada por pseudo-artistas que tentaram, como sempre, apenas se auto-promover (Marcos Mion, 30 anos, recebeu um sermão do ator americano Ashton Kutcher, ao pedir inúmeras vezes que ele repetisse a hashtag #forasarney http://www.youtube.com/watch?v=5kNoYovrP6U ) – chamou a atenção das mídias convencionais, que, ironicamente, são em grande maioria propriedade dos grupos políticos que criticamos. Pode não parecer, mas essa repercussão é um grande passo para nossa geração, taxada de apolítica. Esta é a hora de lutarmos pela mudança que desejamos.
Eu acredito nesta mudança e acredito na força do novo. Eu acredito na mobilização de uma população consciente e na democracia plena. Meu pai me ensinou que nós jovens não podemos ter menos esperanças que os mais velhos: #forasarney.
* Leo Cardoso é criador do perfil do Twitter @OCriador, que dá plantão no site SAC Divino, e escreveu o primeiro livro interativo da blogosfera brasileira, no site Sedentário & Hiperativo.
Fonte: M Online
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13/07/2009 - 10:24
Para quem já quebrou o Brasil o que é uma quebrazinha de decoro parlamentar? José Sarney, presidente do Congresso, poderia ser processado pelo Congresso por mentir no plenário, ao afirmar que não tem nada a ver com a gestão da Fundação que leva o seu podre, imundo e desgraçado nome. Na verdade, o estatuto da Fundação é claro: ele tem poder de veto, tem responsabilidades financeiras, é o presidente vitalício e ainda comanda o conselho curador que, neste tipo de organização, é quem realmente manda. No entanto, José Sarney não é um safado comum, conforme afirmou Lula. Para Lula, para o sujeito chegar ao patamar de safado incomum é necessário muito mais. O resultado é que Lula está blindando Sarney, com o apoio envergonhado e amerdalhado do PT, um partido que cresceu e vai morrer à sombra do presidente metalúrgico. É um espetáculo deprimente um presidente da República chamar os seus ministros, em plena segunda-feira da manhã, para montar estratégias para manter esta figura patética da política nacional, que somente sobrevive pela chantagem, pela corrupção e por chefiar uma verdadeira quadrilha que, agora, se alia àquela outra do PT, que todos nós conhecemos. Os senadores poderiam processar Sarney por quebra de decoro, mas onde está o decoro para que façam isso?
Fonte: Coturno Noturno
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08/07/2009 - 16:31
de Bruno Pontes
Artigo em O Estado
A cada dia fica mais ridícula a situação dos lulistas. Eles, que ainda são muitos e se sustentam na ilusão de superioridade moral que a força numérica proporciona, deveriam ter a decência de se trancarem em suas casas até a pizza dessa semana sair do forno, longe de qualquer contato com a sociedade. É constrangimento demais. Ou deveria ser.
Os governistas continuam trabalhando para blindar esse glorioso patrimônio do povo brasileiro que é a Petrobras contra a vistoria desse mesmo povo brasileiro. Agora estamos assistindo a mais um espetáculo belíssimo: os lulistas partiram em defesa do representante mais pitoresco do feudalismo tupiniquim, um Corleone tropical que há muito deveria ter sido apresentado por nós à ONU como candidato a patrimônio cultural da humanidade – ainda temos entre nós, viva e atuante, uma figura própria de um regime que deixou de existir no resto do mundo há uns quinhentos anos.
Viva, atuante e protegida pelo poder central. Lula deu o recado: ladrões veteranos merecem o respeito dos brasileiros. Foi ou não foi o que ele disse? “O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”. Mais respeito com um ladrão veterano, por favor. Ele já roubava com graça e desenvoltura enquanto eu engatinhava no sindicato.
Emocionado com o gesto solidário de Lula, o velho Sarney mandou-lhe um beijo de volta ao usar um bicho-papão familiar aos companheiros. Vendo seu netinho Sarney sob a mira dos holofotes, vovô Sarney desabafou: “Sobre a matéria divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, considero os esclarecimentos prestados pelo meu neto José Adriano Cordeiro Sarney, pessoa extremamente qualificada com mestrado na Sorbonne e pós-graduação em Harvard, suficientes para mostrar a verdadeira face de uma campanha midiática para atingir-me, na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo”. Ah, ela, a imprensa golpista. Pronto. A maldita está perseguindo o dono do Maranhão só porque ele apóia o presidente oriundo do povão. Os canalhas não respeitam nem o diploma da Sorbonne!Revoltante.
Todo político encurralado se diz vítima de perseguição. Mas nós sabemos quem é o pai ideológico do discurso de “campanha midiática”. É o petismo. Nunca antes na história deste planeta houve um grupo tão visado por campanhas midiáticas. E agora o vovô Sarney entrou na onda. O mais bonito na união entre lulismo e feudalismo tropical é a harmonia da coreografia.
Coitado do lulista de bom coração. Imagine o malabarismo que lhe é exigido para explicar que o pobre José Sarney está sendo vítima de uma campanha difamatória da mídia malvada devido ao apoio nunca ocultado do bigodudo ao presidente mais popular da galáxia. Imagine o esforço feito lá no fundo da consciência do lulista de bom coração para ACREDITAR nisso. O próprio Hércules pediria penico.

“Não dá!”
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02/07/2009 - 16:26
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27/06/2009 - 17:18
Com ascensorista ganhando mais do que presidente da República, decisões tomadas por atos clandestinos e multiplicação de mordomias, o Senado vê sua credibilidade ser corroída em uma crise histórica

Por Otávio Cabral
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABR
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| O PATRIARCA Sarney, cada vez mais solitário na cadeira de presidente do Senado: a pressão pela renúncia vem até dos antigos aliados |
O Senado Federal tem em seus quadros motoristas, ascensoristas e seguranças com salários superiores ao do presidente da República. Apesar da crise que abalou o mundo, lá não existem vestígios de desemprego. Mesmo com mais de 8 000 funcionários, há sempre uma vaga disponível para um parente, amigo ou correligionário dos parlamentares. O Senado também é invejado pelo tratamento que dá a seus servidores. Sua direção tem carta branca para aumentar os próprios vencimentos e se conceder privilégios, como promoções, plano de saúde vitalício e pagamento de horas extras, inclusive para quem não trabalha. E o mais impressionante: tudo pode ser feito na surdina, completamente às escondidas, de modo a manter as irregularidades longe dos olhos dos eleitores. Há cinco meses, o Senado Federal está se submetendo a um processo de implosão com revelações de casos de nepotismo, tráfico de influência, mordomias e corrupção envolvendo parlamentares e funcionários. Restou evidente que, há anos, o templo da democracia abriga um gigantesco mausoléu de más práticas políticas que não condizem mais com a realidade de um país que mira um ponto mais alto na escala de civilidade. Aqui
Fonte: Reinaldo Azevedo
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27/06/2009 - 08:04
20/06/2009
Toda pesquisa, qualquer pesquisa, bem como a mais chumbrega das enquetes mostram a indignação do brasileiro com os padrões éticos dos detentores do poder. Este santuário chamado Brasil, este mosteiro chamado Brasil, habitado por 180 milhões de almas sem jaça, enfrenta a triste sina de ser conduzido por patifes. Pobres ovelhas pastoreadas por lobos…
Não, meu caro leitor, não baterei novamente na tecla das instituições. As letras do teclado do meu micro com as quais se escreve essa palavra já foram gastas pelo uso. Ninguém aqui leva a sério o efeito dos modelos institucionais sobre a conduta daqueles que as integram. Vou ficar no lugar comum e falar sobre ética, neste relicário de virtudes e neste refúgio de beatos chamado Brasil.
Pois bem, eu vinha acompanhando o surgimento de parentes de Sarney na folha de pagamento do Senado Federal, mais ou menos como se acompanhava, no começo, as ocorrências da Influenza A H1N1 (um dia alguém ainda me explica o que essas letras e números querem dizer). Ou seja, um caso aqui, outro ali, até virar pandemia. Era parente de Sarney para todos os lados. Havia, inclusive, parentes nomeados por atos secretos, sigilosos, concebido nas madrugadas e redigidos à sombra das moitas.
Quando eu estava, como todo brasileiro ouvido nas pesquisas e na mais chumbrega das enquetes, ficando indignado, leio que o presidente da República, aquela unanimidade nacional, do alto de seus oitenta e tantos por cento de aprovação, saiu em defesa do senador, elogiando suas excelsas virtudes e afirmando que o companheiro Sarney, pelos elevados serviços prestados à pátria, não merecia o tratamento de um cidadão comum. Eu sei que ele, quando falava em cidadão comum, não estava pensando em mim. Mas quando o ouvi falar em cidadão comum, vesti, digamos assim, a carapuça. Sarney é um homem a quem o país muito deve (e ele trata de cobrar todos os dias) e eu sou um homem comum, que deve muito ao país, como bem evidenciam os impostos que todos os dias me cobram.
Ora, leitor, se Sarney é um homem bão como carne de sol e se Lula, que o defende, tem oitenta e tantos por cento de unanimidade nacional, quem sou eu, cidadão comum, para falar sobre ética? Meu próximo artigo tratará de… instituições. E vocês, oitenta e tantos por cento, que acham Lula ótimo, fiquem por aí com suas seletivas angústias éticas. A mim preocupam-me as instituições que permitem a uma pessoa como Lula chegar ao poder e manter oitenta e tantos por cento de aprovação alinhado com e passando a mão por cima de todos os grandes picaretas “desse país”.
Fonte: Millenium
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Tags: corrupção, Lula, Sarney
24/06/2009 - 16:39
NIVALDO CORDEIRO
“Não seria agora, na minha idade, que iria praticar qualquer ato menor que nunca pratiquei na minha vida“, declarou Vossa Excelência. Precisamente o contrário, Senador. Em qualquer idade que Vossa Excelência tenha transitado no poder, mormente agora, o que se ouve é que a prática nepotista sempre foi usada, alargada para atender toda sorte de compadrio político. Os documentos vindos a públicos atestam isso à sobeja.
Eu sempre soube que Vossa Excelência, senador José Sarney, nunca foi um estadista, no sentido dicionarizado de ser uma pessoa que tem liderança política e sabedoria para se portar acima dos interesses gremiais menores e em prol dos interesses gerais. Sempre me pareceu que Vossa Excelência pautou sua vida política pela mesquinharia, pelo compadrio, pelo usufruto do poder de Estado para fazer prevalecer seus instintos de clã naquilo que tem de mais retrógrado. Tem me parecido que a ética dos cupinchas é a que preside as suas relações de poder, desde a origem.
A crise que eclodiu nos últimos dias, em torno dos atos ditos secretos do Senado (uma vergonha inominável, mais do que uma afronta à Constituição), é a expressão mais degradante das práticas nepotistas de que se tem notícia. Esses atos colocaram Vossa Excelência sob as luzes da ribalta e atraíram a ira de toda a Nação brasileira. Noticiou-se que irmão, neto, sobrinho e sabe-se lá mais quantos familiares seus foram objeto dessa forma suja de ocultação do ato administrativo ordinário. Houve uma locupletação espantosa de sua parentela com as verbas públicas.O que mais incomodou no seu discurso é o pseudo tom majestático que Vossa Excelência lhe deu, como se o seu passado servisse de biombo para esconder as “pequenas” estripulias nepotistas que foram noticiadas, como se, associadas a elas, não estivesse a falta gravíssima de não se dar a devida publicidade legal aos atos de gestão. Não, senador José Ribamar Sarney, nem o seu passado é grandioso e nem as atuais denúncias são miudezas. Elas testemunham, sim, a mesquinharia de quem se julga dono do poder e acima das leis, como um Faraó renascido no Maranhão. Nem ditadores conseguiram essa proeza de ficarem acima das leis, quanto mais nobres senadores, símbolos da República e das práticas republicanas, que têm que dar satisfação cotidiana dos seus atos. Graças a Deus ainda vivemos dentro de uma sociedade aberta e que tem uma imprensa livre, apesar de tudo. Nada pode ter ocultação permanente, esse é o testemunho que nos ficou dos grandes escândalos recentes do governo Lula, como o do Mensalão, de triste memória.
Enumerar sua longa carreira política como álibi no seu discurso só demonstrou a má fé que o move. Qualquer um, se somar seus atos bons e esconder seus atos indignos, poderá fazer crer aos interlocutores que é um portador de santidade, uma evidente falsificação. O fato é que sua vida política, para além dos cargos eletivos ocupados e das honrarias angariadas por força desses cargos, ao longo de sua vida pública, aí incluindo a eleição para a Academia Brasileira de Letras, está longe de ser virtuosa. Toda gente sabe de sua responsabilidade maior sobre a origem da hiperinflação que legou ao término de seu mandato na Presidência da República, testemunha indelével da má gestão administrativa oriunda de sua ética de cupinchas . Eu próprio pude testemunhar a febre de nomeações imorais de levas e levas de cabos eleitorais, para cargos públicos estáveis, durante o seu governo, sob a vigência da lei anterior à Constituição atual, legalidade que jamais serviu para esconder a imoralidade do que foi feito. Os últimos dias antes de vigir a nova Constituição foram pavorosos em matéria dessas nomeações imorais, devidamente assinadas nos decretos pelo presidente em exercício, que era Vossa Excelência. Basta consultar o Diário Oficial da época, pois então não se usava a prática de atos secretos.
Nunca é demais recordar que seu Estado de origem, o Maranhão, continua a ser uma das unidades federativas mais pobres e subdesenvolvidas do Brasil, em grande parte por causa da incúria dos governantes que se sucederam no poder ao longo das últimas décadas, basicamente Vossa Excelência em pessoa, seus familiares e seus compadres políticos. Se há um atestado de incompetência de um governante, temos o mesmo dado pelas agruras que até hoje pesam sobre os compatriotas maranhenses, mais das vezes objeto de ironia precisamente pela proeminência nos cargos maiores da Nação adquirida por Vossa Excelência, representando aquela boa gente.
Que retórica mais pobre essa de tentar colocar como escudo protetor o espírito corporativo do Senado, como podemos ler no trecho: “Não é a primeira vez que digo isso aqui, vou repeti-la: a instituição é maior do que todos nós somados“. Claro que a Instituição é maior do que cada um dos seus membros isolados, claro que o Senado é uma das faces do povo brasileiro. Pura redundância, um truísmo. Mas não se pode dizer que as travessuras nepotistas secretas denunciadas tornem um dos pares diferenciados dos demais em sentido positivo, mas o torna certamente diferenciado em sentido negativo, motivo de execração pública. É possível que a gravidade do escândalo leve eventualmente à abertura de processo de cassação dos responsáveis, se o Senado reagir à altura do que esperam muitos dos brasileiros, entre os quais me incluo.
“Não seria agora, na minha idade, que iria praticar qualquer ato menor que nunca pratiquei na minha vida“, declarou Vossa Excelência. Precisamente o contrário, Senador. Em qualquer idade que Vossa Excelência tenha transitado no poder, mormente agora, o que se ouve é que a prática nepotista sempre foi usada, alargada para atender toda sorte de compadrio político. Os documentos vindos a públicos atestam isso à sobeja.
Querer diluir a presente crise no contexto de uma suposta crise global da instituição dos parlamentos pelo mundo é recurso sofistico atroz. É como se não existisse fato causador do escândalo que tomou conta dos meios de comunicação, como se o escândalo não tivesse motivação concreta, sabida e reconhecida. Todos os nomeados têm o seu sobrenome ou lhe são aparentados. Mesmo assim Vossa Excelência não teve pejo de dizer: “Então, é com essa responsabilidade que nunca tive meu nome associado a qualquer das coisas que são faladas aqui dentro do Congresso Nacional, ao longo do tempo, porque isso é uma crise mundial. O que se fala aqui no Brasil sobre o Congresso fala-se na Espanha, fala-se na Inglaterra, fala-se na Argentina, fala-se em todos os lugares“. Ora, se seu irmão, seu neto, sua sobrinha e sabe-se lá mais quem são denunciados pela imprensa, então é o seu nome, sim, Excelência, que está conspurcado pelo nepotismo. Eles, os seus parentes diretos, estão lá precisamente porque Vossa Excelência é senador da República e no memento é o presidente do Senado Federal. Nunca estiveram lá por méritos pessoais. Seus parentes diretos não apenas adquiriram ricos proventos em cargos públicos sob a sua jurisdição, e até mesmo um garoto que pode se dizer ainda imberbe e não formado, seu neto, lá foi nomeado. Todos usufruem ou usufruíram das sinecuras e foram para elas nomeados em atos ditos secretos exclusivamente porque carregam o seu nome, Vossa Excelência não tem responsabilidade sobre isso? Mesmo sendo Vossa Excelência o presidente em exercício da Casa? Ao contrário, tem toda a responsabilidade, sim, e é dela que lhe cobra a Nação.
Não há grandeza alguma no seu discurso, mas uma majestade postiça e inconveniente que agrediu aos que o ouviram e agride àqueles que lêem a peça. Pura retórica vazia. Uma palavra fantástica que nunca terá o poder de fantasiar o mal feito. Seu discurso bem poderia ter sido mais singelo e curto e substantivo, que dissesse o que a Nação quer ouvir, mas seria demais esperar tal grandeza. Eu nunca esperei.
Fonte: Mídia sem Máscara
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Tags: corrupção, Sarney
24/06/2009 - 13:51
Por Jorge Serrão
O chefão Lula da Silva emitiu ontem um sinal de que está preocupado com a economia. Seguindo sua velha tática de não assumir a responsabilidade pelos problemas, Lula jogou a culpa de eventuais problemas nos empresários. Lula reclamou que eles não estão repassando a desoneração dos impostos para o preço dos produtos. O presidente teve a cara de pau de defender o atual nível da carga tributária brasileira.
No Brasil, a carga tributária é de, no mínimo, 38,45% do Produto Interno Bruto (PIB). Na tese cínica de Lula, a prática de percentuais mais baixos de impostos não dá condições de governabilidade nem permitem a implantação de políticas públicas. Lula alegou que seu governo já desonerou o equivalente a R$ 100 bilhões. Demagogicamente como sempre, Lula defendeu o repasse de recursos diretamente à população mais pobre, que usa o dinheiro para consumir.
Mostrando que vive em um mundo à parte, Lula também teve mais cara de pau de advertir que é preciso cautela com os escândalos e defendeu o aliado José Sarney: “Eu acho que o problema do Senado, o Senado resolve. E essa é a disposição do Sarney na conversa que eu tive com ele. Não vamos fazer disto uma coisa nacional porque temos coisas mais importantes a discutir no Brasil. Eu acho que o povo brasileiro já viu muitos escândalos divulgados em verso e prosa que depois não dão em absolutamente nada”.
Tudo se resolve…
Em entrevista amestrada à Rádio Capital, em São Paulo, chefão Lula da Silva criticou nesta terça-feira o tratamento dispensado em relação à crise no Senado, argumentando que o “denuncismo” pode levar a sociedade “a desacreditar em tudo”.
Lula frisou que não se pode estabelecer um processo de paralisia da atuação do legislativo por conta de uma coisa que, segundo ele, “acontece há 40, 50 anos”.
Para Lula, basta que as pessoas que cometeram erros peçam desculpas à sociedade e “está resolvido”:
“Ora, se houve alguém no Senado que cometeu um erro de contratar uma pessoa indevidamente, essa pessoa é dispensada, pode-se desculpas à sociedade, muda as normas de contratação e está resolvido. O que não pode é estabelecer processo de paralisia da atuação do legislativo por conta de uma coisa que acontece há 40, 50 anos”.
Defesa do Sarney
Lula voltou a defender o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), alegando que seu passado lhe garante “muitas coisas”:
“Minha solidariedade é porque o Sarney já foi presidente, ele tem responsabilidade, tem passado que lhe garante muitas coisas. O Sarney está fazendo uma investigação e se for provado que houve erro, pune-se quem errou e a vida continua. O que não pode é paralisar o País”.
O chefão reclamou que o País, ao discutir a situação atual no Senado, prioriza apenas os problemas “secundários”:
“O problema é que de vez em quando a gente esquece de discutir as coisas mais importantes do país e fica discutindo coisas secundarias. É preciso que a gente faça reforma política para reforçar os partidos e sonhar com uma política um pouco mais nobre”.
Cacareco
Lula lembrou que, no passado, votava-se em “cacareco”.
Foi seu argumento para defender que o País não pode ficar concentrado nas denúncias:
“O Congresso Nacional funcionando é uma garantia da democracia. Por isso, defendo as instituições. As críticas são importantes porque obrigam as pessoas a fazer correções, mas não se pode banalizar a ponto de levar a sociedade a desacreditar em tudo. Uma sociedade que já votou como no passado, em cacareco, votou como se fosse um gesto de estupidez, quem perde com isso é o País”.
“Quando se começa a fazer uma inversão de valores, coloca em primeiro lugar o que é em segundo lugar, e em segundo o que deve estar em primeiro, passa para a sociedade a noção que tudo está errado, quando na verdade tem coisas erradas, mas muita coisa certa que não aparece com a plenitude que deveria aparecer. Na medida em que começa a fazer muitas criticas ao Congresso e aos partidos, o que vem depois disso, acha que é melhor? Veja o que aconteceu na Itália com as ligas, piorou a política na Itália. Temos que acreditar na sabedoria do povo. Gente, daqui a um ano e meio tem eleição para deputado, governador, senador”.
Lula só esqueceu de lembrar que ano que vem também tem a sucessão presidencial…
Fonte: Alerta Total
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Tags: corrupção, Lula, Sarney
19/06/2009 - 17:10
Abra sindicância, contrate auditoria externa, investigue tudo, mas com licença, senador José Sarney. Tenha um pingo de ética, hombridade e espírito público e peça licença do cargo. Afaste-se. Fique longe do Senado, pois a excelência está sob suspeita. O Brasil inteiro já sabe que a excelência é um dos maiores beneficiários de todas as falcatruas cometidas através dos atos secretos. Como é que quer investigar a si mesmo, senador José Sarney? Volte para o Maranhão, para os seus marimbondos de fogo, para a sua fundação que funciona em convento “emprestado” do patrimônio histórico, para o neto, a sobrinha, o irmão, a ex-nora, para todo o seu clã beneficiado por dinheiro desviado imoral e ilegalmente dos cofres públicos. Sua figura no vídeo é patética, senador Sarney. É o símbolo mais vivo da corrupção, da lama, do que existe de mais podre na política brasileira. Com licença, senador Sarney. Com licença!
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: corrupção, Sarney
18/06/2009 - 10:02
De Clóvis Rossi, na Folha:
Alguma surpresa com a defesa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez do senador José Sarney? Quem pediu desculpas pelos “erros” cometidos pelo seu partido (na verdade, crimes), mas depois passou a mão na cabeça dos “errados”, quem se aliou a Fernando Collor de Mello, único presidente punido por falta de decoro, não poderia deixar de solidarizar-se com Sarney.O que surpreende é a escandalosa indigência dos argumentos usados por Lula. Primeiro argumento: “Ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”. Que besteira é essa, Deus do céu?É a versão Lula do “sabe com quem está falando?”. Com história ou sem história, todo cidadão tem de ser tratado da mesma maneira. E os que têm história devem comportar-se ainda melhor do que os que não têm. Afinal, para usar um lugar-comum tão ao gosto de Lula, “o exemplo vem de cima”.Segundo argumento: um suposto interesse em “enfraquecer o Poder Legislativo”. Outra bobagem sem tamanho. O que enfraquece o Poder Legislativo não são as denúncias, mas os fatos que dão origem às denúncias. Sem eles não haveria denúncias.O Poder Legislativo, como os demais, só se fortalece se corrige os desmandos e abusos denunciados.Omissão é que o enfraquece.Lula, no fundo, revisita a teoria debiloide e safada da conspiração que não houve contra ele.Houve apenas uma conspiração dos fatos. Tanto que ele foi obrigado a pedir desculpas. Tanto que o procurador-geral da República denunciou toda a cúpula do PT como “quadrilha”. É, enfim, a velha tentação de toda pessoa investida de poder de culpar o espelho pela imagem que ele mostra. A favor de Lula diga-se que ele ao menos pediu desculpas, coisa que Sarney nem remotamente passou perto de fazer.
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Tags: corrupção, Lula, Sarney
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