iG
iBest BrTurbo

05/09/2009 - 16:21

Últimas PeTezadas

“MST não tem imunidade penal”, avisa Marrey”

Por José Maria Tomazela, no Estadão:
O secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, afirmou ontem que o Movimento dos Sem-Terra (MST) terá de responder criminalmente se cumprir a promessa de invadir terras produtivas para forçar o governo federal a atualizar os índices de produtividade no campo. “O movimento social não tem imunidade penal”, afirmou.

Na quinta-feira, o porta-voz da coordenação nacional do movimento, João Paulo Rodrigues, disse que, se o governo desrespeita as leis que prevêem a revisão dos índices, isso daria ao MST o direito de descumprir a lei que impede a ocupação de propriedades produtivas. “Não é possivel ameaçar a propriedade produtiva sob qualquer pretexto”, reagiu Marrey.

Ele disse que não se trata de criminalizar o movimento social, mas alertou que o Estado de Direito é igual para todos. “Ninguém pode ter álibi para descumprir a lei.” O secretário assegurou que a Justiça está preparada para atender o produtor que se sentir lesado. “Se houver a invasão, aí é caso de se ter uma ordem judicial para tirar.”

Ruralistas também reagiram à ameaça do MST. “Ou respeitam a propriedade, ou vamos partir para uma guerra neste país”, disse o presidente do Movimento Nacional dos Produtores (MNP), João Bosco Leal. Segundo ele, os produtores já não aguentam mais “pagar a conta de tudo”. Se houver invasões, haverá reação, alertou. “Estamos cansados de ver guerrilheiros e ladrões no poder e ninguém cumprindo a Constituição.”

O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, não acredita em bom senso do governo. “Ele joga no mesmo time e não vai fazer nada contra o MST”, afirmou. A UDR vai pedir ação do Ministério Público contra a direção do movimento. “Se estão ameaçado cometer um crime, o Ministério Público deve acionar o sistema policial para impedir o crime.” Aqui

2010: contra o “petróleo é nosso”, a “saúde é nossa”.

Na última terça-feira, este blog registrava o fato de que , no lançamento do pré-sal, nem Lula e nem Dilma, em quase uma hora de discursos ufanistas, haviam citado o PAC. Ali estava escancarado, sim, uma nítida mudança de discurso e o surgimento de uma nova idéia-força para a campanha eleitoral. Como o PAC não terá o que mostrar para turbinar a candidatura da “doutora”, só bobo não enxergaria a guinada rumo às profundezas do oceano. A última chance de Dilma está no fundo do mar. Haja oxigênio para manter a mentira ambulante respirando.

Já que o blog tem antecipado um pouco as constatações, aqui vai um recado: o maior problema do Brasil é a saúde. Entre petróleo e saúde, a última ganha de 10 x 0 na escolha de pobre que não tem carro para abastecer e que nem sabe de onde vem a gasolina.

Aliás, Dilma nao se curou de câncer dentro da igreja da pastora presa nos Estados Unidos: ela se curou de câncer dentro de um hospital onde pobre não entra. E por aí vai.

Vem aí a frase.

” Foi a fé que me curou do câncer”.
Alguém duvida que a guerrilheira, assaltante de bancos, ativa participante de movimentos terroristas, mentora de dossiês mentirosos, “doutora” da enganação, uma das maiores “fichas sujas” deste país, ainda vai dizer esta frase?

Não há mais dúvida: Battisti é petista.

É por isso que eles defendem com tanta convicção este assassino italiano. Em entrevista ao Estadão, o terrorista serial killer, Cesare Battisti, que deverá ser julgado pelo STF nos próximos dias, podendo ser extraditado do país para apodrecer atrás das grades, fala, age e raciocina como um legítimo petista. Daqueles que “não sabiam”. Leiam aqui e vejam se não é o mesmo discursos dos lulas, dirceus, genoinos, delúbios, paloccis e assemelhados.
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/08/2009 - 06:35

ÉTICOS PROFISSIONAIS, CORRUPÇÃO E POLÍTICA

Vejo que alguns analistas políticos lastimam o que chamam a “decadência” do PT ou a “perda de seus valores éticos”. E fico cá me perguntando, cheio de certezas: não terá sido sempre assim? É que o partido não tinha tido a chance de demonstrar todo o seu talento. As coisas, as pessoas e as instituições não se tornam aquilo que essencialmente não são. Se o PT não tivesse a intimidade fundadora com a corrupção, não teria se deixando corromper. É simples. Tanto a pobreza quanto a riqueza podem gerar o santo e o bandido. A diferença que faz um e outro não está no meio, mas no indivíduo, em suas escolhas. O PT não se transformou nisso que vemos porque o sistema político o forçou a tanto. Dado o sistema político, ele escolheu ser assim.

Pessoas que participaram da fundação da legenda e que a deixaram faz tempo — alguns rompendo pela esquerda; outras, pela direta; outras ainda ficaram apenas enfaradas — relatam que, também em matéria partidária, o menino é o pai do homem; o PT inicial definiu o PT que aí está. Não há contradição nenhuma. Quem quiser maiores esclarecimentos deve procurar saber por que Cesar Benjamin e Paulo de Tarso Venceslau romperam com o partido. Não tenho a menor intimidade ideológica com eles. Mas o que relatam indica que houve apenas uma mudança de escala. Quando menino, o PT tinha uma amoralidade de menino; adulto, tem uma amoralidade de adulto. “Mas é só ele?”, logo pergunta um petista tentando dividir o fardo.

Não! A corrupção nasce junto com a política. Nem por isso tem de ser considerada um dado da paisagem. Tentar transgredir as regras do jogo faz parte do jogo. Mas é preciso punir aquele que for malsucedido, aquele que for pego. E quem escapa? Bem, o que a gente não sabe, os cofres públicos sentem, é claro. Mas, se não o sabemos, não há como punir. O mal maior está no malfeito descoberto que resta impune. A impunidade desmoraliza as instituições e rebaixa o padrão de exigências dos cidadãos, tornando-os mais tolerantes com o intolerável.

Por que o PT é um desastre ético para o Brasil? Estaria ele obrigado a ser mais correto do que os outros? Não tem ele também, como refletiu certa feita uma bruxa disfarçada de pensadora de esquerda — ou seja, uma bruxa disfarçada de bruxa —, o direito de fazer das suas, a exemplo das outras legendas? Pra começo de conversa, ninguém tem o direito de fazer a coisa errada. Ocorre que o PT é a única legenda fundada sob a bandeira da “ética na política” — transformando numa espécie de horizonte utópico o que deve ser apenas um meio, um instrumento, da ação política. Atuar politicamente para tornar o mundo “ético” costuma ser a vocação de ditadores. Quem entendia do riscado já percebia ali uma das sementes do que viria.

Partidos políticos dignos desse nome têm projetos de poder e se obrigam a pensar a sociedade no seu conjunto. Não são curas de aldeia, não são bedéis de colégio, não são catecúmenos. Ser ético não é um de seus objetivos, mas construir uma usina pode ser. Ser ético não é um de seus objetivos, mas erguer escolas pode ser. Ser ético não é um de seus objetivos, mas implementar programas sociais pode ser. A ética atravessa verticalmente todos esses temas. É preciso ser ético construindo usinas, escolas e programas sociais. É preciso ser ético para tomar um sorvete — ou você ainda acaba roubando o sorveteiro.

Quando o PT assumiu como bandeira “a ética na política”, ele a seqüestrou. Tomando o lema como horizonte, passou a justificar todas as suas ações em nome daquele devir, daquela utopia. Não demorou, e logo começou o esforço para justificar o que não parecia compatível com a sua pureza. Se alguém se torna o dono da ética, tudo o que ele fizer estará imantado por essa vocação. Se o dono da ética é também seu monopolista, está feito: pode mentir, pode roubar, pode matar. A alegoria perfeita para esse comportamento, não tem jeito, é mesmo A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Assim agiram os porcos depois que fizeram a sua revolução contra os fazendeiros bípedes. Com o tempo, os novos donos do poder perceberam que era preciso celebrar a paz com os Sarneys — e, para tanto, foi preciso até eliminar alguns adversários internos.

O PT ainda está convencido de que é dono da ética e que pode usá-la como escudo. O senador Aloizio Mercadante deu a prova inconteste do que digo. Cheio de indignação, em nome da ética, anunciou seu descontentamento com a ordem de Lula para salvar José Sarney e disse que renunciaria à liderança. Horas depois, subia à tribuna de um Senado quase vazio — dos petistas, restou apenas um para ouvir o seu trololó — e anunciava o dia do “Fico”. Começou com “aquilo” roxo e terminou com “aquilo” amarelo… Nos dois casos, Mercadante estava sendo “ético”.

Eu não tenho grandes ilusões sobre esse partido ou aquele. O que espero é que se organizem para fazer o que tem de ser feito, empregando os tais meios éticos, uma obrigação. Acontece que há na imprensa, não só na brasileira, e em certos setores bem-pensantes a vocação para a mistificação e a mitificação.  Vejo o que se dá agora com Marina Silva.

Os criadores de mitos tentam nos fazer crer que ela rompeu com o PT porque, afinal, já não suportava aquela “ética”. É mesmo? Quer dizer que ela suportou bem o caso Waldomiro, o mensalão e o dossiê dos aloprados, mas não resistiu à MP da Amazônia? Podia conviver com a ética que abrigava aquelas práticas e achou que só o suposto desatino do governo na área ambiental é que o tornou impróprio? Posso até achar, como acho, que Marina cria problemas para o PT. Mas não vou aplaudi-la por isso.

Eu não tenho a menor paciência para éticos profissionais. Cedo ou tarde, acabam, a exemplo de Lula, aderindo à Teoria da Bravata.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
17/08/2009 - 22:49

A UNIVERSAL É O PT DA RELIGIÃO, E O PT E A UNIVERSAL DA POLÍTICA

Uma gente do mundo das trevas mentais — na melhor das hipóteses — resolveu, o que é inútil, estender ao meu blog a corrente de “defesa” da Igreja Universal do Reino de Deus, que estaria sendo vítima de uma campanha movida pela TV Globo. Campanha? Enviam-me um texto que foi lido na TV Record e em “vigílias” da seita. Também foi publicado no blog de Edir Macedo. Trata-se de uma suposta mensagem enviada ao “bispo” por um suposto fiel.

Tudo o que se noticia sobre a Record seria, pasmem!, uma conspiração envolvendo a TV Globo e o governador José Serra porque “os barões da imprensa temem mais um mandato presidencial do PT”. O que eu tenho a dizer? Peço que leiam o que segue.

*

Deu-se no dia 27 de setembro de 2007 um fato emblemático. O autoproclamado “bispo” Edir Macedo inaugurou a Record News, um canal de jornalismo 24 horas, só que em TV aberta. No dia anterior, a TV Pública começara a sair do papel, com a indicação da jornalista Tereza Cruvinel para presidir a empresa. À sua maneira, trata-se da convergência histórica de dois neopentecostalismos. Um se finge de laico para ocultar a sua religião. O outro se finge de religioso para ocultar seus interesses laicos. Antes que volte a este ponto, algumas informações adicionais.

A solenidade, como é comum quando empresas de comunicação expandem seus negócios, contou com a presença de autoridades. Estiveram lá o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; o governador do estado, José Serra, e, não poderia faltar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aquele que se diz “bispo” não titubeou e afirmou, numa referência velada à Rede Globo: “Fomos injustiçados por muitos anos nas mãos de um grupo de comunicação que mantinha e mantém, por enquanto, o monopólio da notícia do Brasil. Daí surgiu o nosso desejo de levar ao fim esse monopólio, de dar às pessoas o direito de se informar por outro canal de notícias, de formar opinião por si mesmas. Daí surgiu nosso desejo em democratizar a informação“. Lula também discursou: “A estréia do canal Record News representa um grande momento para a história da televisão brasileira e contribui para que os cidadãos exerçam aquele que é um dos mais sagrados direitos democráticos: o acesso à informação“. E, sabe-se lá por quê, encerrou sua fala com um “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós”, lembrando o Hino da República.

Sem dúvida, Lula e Macedo são “homens livres” — inclusive do senso de limites.

O “bispo”, que sempre se negou a ser tratado como “dono” da Rede Record, desta feita, é apresentado como “proprietário” da Record News, sem subterfúgios. A nova emissora demandou investimentos da ordem de US$ 7 milhões. No mercado, há quem diga que é muito mais. Se não era o dono da Record e se o dinheiro da sua seita não pode ser transferido para empresas comerciais — na lei, não pode —, de onde vêm os recursos? Qual a origem de sua fortuna?

Em 1992, o valente foi preso sob a acusação de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. A “perseguição” a que ele se refere tem a ver com a reportagem apresentada pelo Jornal Nacional sobre os métodos a que ele recorria e recorre — basta ver a transmissão dos cultos na Record — para arrecadar dinheiro dos fiéis. Revela-se ali a origem da fortuna de Edir Macedo e a moralidade daquele que diz querer democratizar a comunicação no Brasil.

Neopentecostalismos
Há incrível similaridade entre o petismo e o a Universal. Os dois são derivações deformadas de uma tradição
. O petismo açambarcou os chamados movimentos populares e acenou para os pobres com um outro mundo possível, fazendo tabula rasa das dificuldades que outros governantes enfrentaram, atribuindo-as à falta de competência ou de vontade — acreditem: Lula disse isso naquele dia na entrevista à nova emissora quando se referiu a FHC. Ele se considera o marco inaugural de uma política, embora, como se sabe, na macroeconomia, recorra ao estoque de medidas de seu antecessor. As melhores “conquistas” de seu governo decorrem de ações decididas pelo governo que ele demoniza.

O que é a Universal? Edir Macedo nada mais fez do que se apropriar das vertentes populares do catolicismo, dando visibilidade à sua dimensão, vamos dizer, mágica, coisa que a Igreja Católica Apostólica Romana, ao longo do tempo, mais combateu do que incentivou. Não custa lembrar que o santo mais popular do Nordeste, Padre Cícero, não é… santo! Até hoje, os pastores da Universal incentivam seus fiéis eletrônicos a pôr um copo d’água perto da televisão para que ela seja “ungida”. Em Dois Córregos, ouvíamos a bênção do Padre Donizetti, uma gravação transmitida pelo rádio – em latim! Estimulados por um sujeito que, depois, virou vereador (Pedro Geraldo Costa), púnhamos um copo d’água sobre o rádio. Também pertence ao catolicismo popular a tradição das benzedeiras – jamais reconhecidas pela Igreja. Os pastores de Macedo “benzem” seus fiéis. Mais do que isso: até outro dia, em programas de televisão, realizavam exorcismos às pencas – mas não aquele regulamentado pelo Vaticano. O de Macedo incorporou, para expulsá-las, as entidades das religiões de origem africana. A Universal (não custa lembrar que “católica”, em grego, quer dizer “universal”) criou uma indústria da fé com os elementos que a Igreja rejeitou. Não estou fazendo juízo de valor. Trata-se apenas de uma constatação.

Qual foi a “novidade” trazida por esse ex-funcionário público pobretão, hoje um dos homens mais ricos do país? A idéia do “desafio” feito a Deus, algo que ele importou de algumas seitas americanas. Isso a que se chama “Teologia da Prosperidade” nada mais é do que o estabelecimento de uma relação mercantil com a fé. Assistam ao vídeo. Ele explica muito bem como a coisa funciona. É preciso que o crente veja o seu pastor como um homem destemido, intermediário entre o mundo celestial e o terreno. Ao fiel cabe fazer a sua parte, com a doação de dinheiro. Os amanhãs sorridentes estão garantidos. Nesta madrugada, enquanto a Record News reapresentava um jornal e depois reprisava as entrevistas de Renan Calheiros e de Lula, a outra Record garantia que, se tudo vai mal da vida do telespectador, basta que ele vá a uma Igreja Universal para participar de uma tal cerimônia dos 318 pastores. Mais tarde, enquanto Serra discutia o Orçamento do Estado e os problemas do Brasil na emissora chique, na outra, uma “empregada” ia fazer macumba no cemitério para ferrar a vida da patroa que a demitira. Por telefone, “amigas” davam testemunhos ao pastor dos males de que foram vítimas: coisa do capeta, do chifrudo, do coisa ruim. Tudo isso tem cura? Tem. Basta ir à Igreja Universal do Reino de Deus.

PT e Universal são duas máquinas de explorar a ignorância, a crendice, a miséria material e a pobreza espiritual. Também o partido, a exemplo da seita, exige uma disciplina de seus militantes – ambos, não custa dizer, cobram dízimo. Macedo põe os seus fiéis para lutar contra os demônios e as entidades malignas, responsáveis diretos por uma vida malsucedida. No PT, esse espírito mau são as “elites”. Tenho cá minhas dúvidas do que pode acontecer com a Universal sem Edir Macedo: é grande a chance de degringolar; tenho certeza do que vai acontecer com o petismo no dia em que não mais tiver Lula: vai se esfacelar em várias correntes.

O petismo está para a renovação da política como a Universal está para a renovação do cristianismo. Trata-se, cada uma no seu campo, de forças regressivas. Uma empurra o país para trás – e acreditem: empurra; o tempo dirá. A outra confere à vida espiritual uma dimensão meramente instrumental: pague, que Deus devolve. Sabem que sou católico e poderão dizer: “Não é assim na sua Igreja?” É claro que não é – ou, quem sabe?, ela estaria ganhando fiéis em vez de perder. Esta crítica, ademais, passa longe das denominações protestantes tradicionais, que levam a sério o seu ministério. Está claro a que “igrejas” estou me referindo. Costumo dizer que não respeito nenhuma mais nova do que o uísque que bebo.

E não me venham dizer que estou atacando a liberdade religiosa. Se um vagabundo ocupa uma concessão pública de TV para dizer que faz milagres, ou ele prova o milagre – quero ver um – ou tem de ir em cana. Acusação: charlatanismo, curandeirismo, estelionato. Afirmo e dou fé: os pastores e “bispos” de Macedo, incluindo ele próprio, não fazem nem operam milagres. Tampouco são intermediários de uma intercessão divina e milagrosa. E aceito a prova dos noves. Em seus templos, que os demônios apareçam à vontade. Vai lá quem quer. Numa concessão pública, não dá. Isso só se faz e se fez porque o Ministério Público e a Justiça têm sido historicamente lenientes com os neopentecostalismos. Assim como a democracia brasileira e as instituições são lenientes com o petismo.

Macedo e Lula tinham o que comemorar, não é? Um lançava a Record News, e o outro, a Lula News. Ambos estão crentes de que, desta feita, derrotam os inimigos. Mas eles têm também uma fragilidade: os aparelhos que criaram dependem de suas respectivas intervenções pessoais. Sem herdeiros, tendem a se esfacelar. E é o que vai acontecer. Para o bem da democracia. E do cristianismo.
*
Sabem de quando é este texto? Do dia 28 de setembro de 2007!!! Está lá: Record News, Lula News e os dois neopentecostalismos.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
04/08/2009 - 09:17

COLLOR, O NOVO HERÓI DO PT

Há muito tempo, já escrevi aqui, ganho a vida com a minha escrita. Se há coisa que faço sem dificuldade ou sofrimento, essa coisa é escrever. Gostem ou não do resultado final, conheço um bom par de caminhos para atravessar o mar de letras e palavras. E, mesmo assim, há momentos em que mal sei por onde começar. Pelo lead, pelo mais importante? Como cronista ou como analista? Escolho a primeira vertente. Ânsia de vômito! É isto mesmo: o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), o defenestrado presidente da República, acaba de fazer um discurso no Senado, e duvido que qualquer pessoa de bem que o tenha visto e ouvido não tenha evitado um misto de nojo e revolta.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ocupou a tribuna do Senado na volta do recesso para defender a renúncia de José Sarney (PMDB-AP) à Presidência da Casa. E o que se seguiu foi um espetáculo de grosserias, brutalidade, estupidez, ignorância, atraso, rancor, ódio… Tudo misturado. Os comandantes da tropa de choque em defesa de Sarney foram os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor, com o auxílio de Wellington Salgado (PMDB-MG), hoje com o cabelo aparentemente lavado, mas ainda sem um miserável voto. Ok. A lei lhe garante estar lá. Mas ele continua sem voto.

Calheiros aproveitou os seus apartes para atacar Simon de um modo grotesco, fazendo ilações sobre o seu passado, acusando supostas irregularidades que ele teria cometido quando ministro da Agricultura — sem, evidentemente, apresentar evidência ou prova. Ao mesmo tempo, acusava as injustiças de que ele próprio teria sido vítima quando foi obrigado a renunciar à Presidência do Senado. E dizia com a boca cheia: “Apresentei todas as explicações que me foram pedidas”. Alguém sabe, até hoje, por que era uma empreiteira que pagava a pensão de um filho que ele teve fora do casamento — só para lembrar o aspecto mais incomum de sua biografia?

Mas o grande momento foi mesmo de Collor. Os cabelos mudaram, estão mais brancos, mas a voz e a grosseria de que é capaz continuam rigorosamente as mesmas. Num aparte a Pedro Simon, lá se foi todo o cavalheirismo que tentava afetar desde seu retorno à política, e mandou o senador “engolir suas palavras”. Era o velho jovem Collor. Dêem-lhe um pouco de poder e visibilidade, e lá está ele tentando mostrar que tem “aquilo roxo”. Convidado amigavelmente por outros senadores a retirar a ofensa, tomou a palavra, disse que não retirava coisa nenhuma, evitando até mesmo falar o nome de Simon — chamava-o de “aquele que me precedeu”. E fez a mais enfática e absoluta defesa de José Sarney.

Não! Esperem! Não defendeu José Sarney, não! Defendeu a si mesmo! Assim como Lula diz hoje que o mensalão nunca existiu, Collor tomou a palavra para dizer que foi deposto em razão de uma trama urdida pela IMPRENSA. Sim, senhores! Ele também não fez nada! Segundo deu a entender ali, foi deposto pela revista VEJA — honra que, confesso, nunca vi a revista reivindicar. Mas teria sido um feito e tanto para a história do Brasil. E dizia, com orgulho, ter sido absolvido pelo STF. Foi, sim. Porque, afinal, não deixou ato de ofício sobre o seu modo heterodoxo de governar. Gente como ele nunca deixa ato de ofício.

Quem quiser saber o que foi o governo Collor tem de começar pesquisando a trajetória do Paulo Cesar Farias, seu caixa de campanha. Vou lembrar aqui, de vez em quando, para as novas gerações, a trajetória e os sucessos desse grande moralista. E foi o próprio Collor quem revelou o espírito do nosso tempo. Lembrou que tinha sido adversário do agora presidente do Senado e do próprio Lula também. E chamou a atenção para o fato óbvio: hoje, os três estão juntos.

Imagino o que sente um petista que tenha sido convidado, no passado, a combater Sarney e depois Collor. Sarney mudou? Continua o mesmo! Collor mudou? Continua o mesmo. Lula mudou? Atenção: ele também continua o mesmo. A única diferença é que, antes, ele não estava no poder. Agora está. E seu critério para definir quem presta e quem não presta é a pessoa ser ou não sua aliada.

Por alguns segundos, vislumbrei aquele mesmo Collor que saía correndo com suas camisetas ridículas, expondo a sua melhor forma de pensamento: o suor. Era o truculento de sempre. Aproveitou para pedir desculpas à família de Sarney por tudo o que disse sobre ela em 1989, mas manteve as ofensas de agora ao senador Pedro Simon. Collor, como Lula, tem só um critério para ofender ou para afagar: ser a pessoa sua aliada ou não. Ele se desculpa de grosserias passadas com grosserias presentes.  Aquilo a que se chamou República de Alagoas deu as caras de novo. Com o charme e a elegância costumeiros.

Oligarquias tradicionais se juntavam ali, agora unidas e chefiadas por um oligarca do sindicalismo: Lula. São os protagonistas da vanguarda do retrocesso. Se estão todos do mesmo lado, alguém sobrou do lado de lá. Adivinhem quem é.

Sarney, Collor, Renan, Lula e o PT têm um inimigo: a imprensa. Mas não uma imprensa qualquer, não é? Até porque os dois ex-presidentes da República são donos, em seus estados de origem, de jornais e canais de televisão. Da imprensa deles, evidentemente, eles gostam. Não suportam o que chamam “mídia”. Não suportam jornalistas que não possam demitir. Não suportam profissionais nos quais não possam mandar. Não suportam jornalismo que não tenha medo de coroné, rural ou urbano; do interior ou do “chão da fábrica”.

O sonho dourado de todos esses oligarcas, Lula incluído, é controlar a imprensa. E acreditem: eles tentam isso todos os dias do ano, todas as horas do dia.

PS: Será lindo ver os petralhas afirmando que Collor é um bom sujeito. Convenham: ele merece ser elogiados por eles; eles merecem ter de elogiá-lo.

Collor, o novo herói do PT!

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/07/2009 - 16:03

Princípios da dominação pela propaganda

Maria Lucia Victor Barbosa 22/07/2009

Maria Lucia Victor Barbosa

Durante quatro eleições presidenciais o PT tentou elevar ao cargo máximo da República o pernambucano Lula da Silva. Por que só na quarta eleição conseguiu? Por que finalmente o ex-sindicalista foi considerado carismático, gênio da raça, “luz do mundo”? A resposta é simples: porque nas três eleições perdidas a propaganda do PT era fraquíssima. Só quando Duda Mendonça entrou em cena foi que as coisas mudaram. O eleitorado cativo de 30% foi ampliado e eleitores antes avessos ao discurso incendiário do líder sindical se rederam à barba aparada, ao terno Armani, ao discurso conciliador que nada tinha mais a ver com o prometido e nebuloso socialismo petista que, diga-se de passagem, nunca foi esclarecido.

Na propaganda da quarta eleição e, sobretudo, na manutenção do poder petista, o marqueteiro real colocou em prática alguns princípios que ilustrarei com uns poucos exemplos para melhor compreensão das técnicas empregadas.

1 – Simplificação ou inimigo único – É importante ter um símbolo e transformar o adversário em um único inimigo. Os símbolos tem se sucedido: Fome Zero, pré-sal, PAC. O adversário é a “elite”, apesar de Lula e companheiros serem hoje a elite do poder, econômica e política. Faz tempo que o PT largou o macacão e veste Armani. Mas para efeitos externos, elite é inimiga e coisa ruim; e o presidente da República, um pobre operário.

2 – Método de Contagio – Imprescindível reunir vários adversários numa só categoria. Por isso se fala na “oposição” que não deixa o coitado do Lula governar. A realidade mostra que não existe oposição para valer ao governo petista. Tudo está comprado, cooptado, dominado.

3 – Transposição – Carregar sobre os adversários os próprios erros e responder ataque por ataque faz parte da dominação, é importante. Assim, os outros são corruptos, imorais, inimigos da pátria. O PT é o único partido ético e sabe reagir ao menor esbarrão. Truculência é antiga lição aprendida em sindicatos e dá medo.

4 – Exagerar e Desfigurar – Quem já não ouviu que o impeachment de Lula da Silva, a defenestração de Sarney, a CPI da Petrobras põem em perigo a governabilidade? Mais uma mentira em que se acredita piamente

5 – Vulgarização – Pela boca de Lula o discurso é adaptado ao nível dos menos instruídos. O PT sabe que a capacidade receptiva da massa é limitada, que o povo tem grande facilidade em esquecer e um mínimo de esforço mental; que uma mentira repetida vira verdade e que quanto maior a mentira, mais o povo nela acredita.

6 – Orquestração – Repetir um numero reduzido de ideias é importante. Para isso se cria um bordão: “nunca antes nesse país”, que vem acompanhado das realizações que só Lula fez desde o descobrimento do Brasil, algo que converge sempre para o culto da personalidade do presidente,

7 – Renovação – Informações e argumentos devem seguir ritmo rápido de modo que, quando o adversário criticar, o público já está interessado em outro fato. Isso tem acontecido, inclusive, com a sucessão de escândalos de corrupção do governo, de tal forma vertiginosa que, quando surge um, o outro já está esquecido.

8 -  Verossimilhança – Outro princípio que se baseia na construção de argumentos a partir de fontes diversas, através de informações fragmentárias. Exemplo: para ajudar o compañero e presidente do Paraguai, o bispo célebre por sua incontinência sexual, Lula da Silva romperá o Tratado de Itaipu onerando mais ainda os brasileiros pelo uso da eletricidade. Nesse caso, Celso Amorim justifica o injustificável com um malabarismo verbal ao dizer que o Tratado restringe a comercialização de energia a “entes” dos dois países – Eletrobrás e Ande – “mas não diz que é cada um em seu país”. Estranhas explicações também foram dadas nos casos da Bolívia, Venezuela e Argentina, quando interesses do Brasil foram sacrificados em nome do projeto de poder de Lula da Silva na América Latina.

9 – Silenciação – As questões para as quais não se tem argumentos devem ser encobertas e dissimuladas com a ajuda dos meios de comunicação. Exemplo: enquanto pessoas morrem em corredores de hospitais, Lula da Silva diz diante de câmaras e microfones que a Saúde brasileira está perto da perfeição.

10 – Transfusão – É necessário criar um complexo de ódios que possam arraigar-se em atitudes primitivas. Lula e seu governo têm, com êxito, estimulado o ódio de negros contra brancos, de pobres contra ricos. A culpa de tudo é dos “brancos de olhos azuis”.

11 – Unanimidade – Muitos devem ser convencidos de que pensam como todo mundo, de modo a criar a falsa impressão de unanimidade. Isso é visto claramente nas pesquisas de opinião, quando Lula da Silva aparece com altos índices de aprovação.

Estes “Princípios de dominação pela Propaganda”, publicados em 24/06/2009 no Ex-Blog de Cesar Maia, não foram elaborados por Duda Mendonça ou qualquer outro marqueteiro do PT, mas por Joseph Goebbels, chefe de propaganda de Hitler. E se na adiantada Alemanha o Holocausto foi aceito com naturalidade, por que Mahmoud Ahmadinejad, que prega a destruição de Israel e nega o Holocausto, não pode ser recebido de braços abertos por Lula da Silva, tão afeito aos déspotas mundiais? Como dizia Boris Casoy: “Tá tudo dominado”.

Fonte: Millenium

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
21/07/2009 - 17:27

Petista chama ministro de Israel de racista.

Valter Pomar é uma voz oficial do PT. Representa, sim, o partido. Ao referir-se a uma autoridade estrangeira em visita ao país como “racista” e “fascista” quem falou foi o Secretário de Relações Internacionais do PT e membro da Executiva Nacional, com direito a voz e voto. Igual ao Pomar na nomenklatura do PT, só tem mais 21. Ideli Salvatti é bagrinho perto do Pomar. Eduardo Suplicy é um lambari. Portanto, aguarda-se uma posição oficial do presidente de honra do partido, Lula, desculpando-se da ofensa feita ao ministro das Relações Exteriores de Israel, em visita oficial ao Brasil, Avigdor Lieberman. E fiquemos atentos para ver se o Valter Pomar terá a mesma posição em relação à Mahmoud Ahmadinejad, que roubou a eleição iraniana, que manda assassinar opositores nas ruas e que em breve estará visitando o país.
Fonte: Coturno Noturno
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
11/07/2009 - 12:14

Quanto mais mexe, mais fede.

Em nota, a Casa Civil afirmou que a ministra Dilma Rousseff “jamais incluiu ou autorizou a inclusão de seu currículo na plataforma Lattes”.A base de dados do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) informava erradamente que ela tinha concluído mestrado na Unicamp. Dilma não defendeu tese.Questionada pela Folha sobre como o erro também figurava no site da Casa Civil, a assessoria de Dilma disse que “era uma informação errada que estava no site do Ministério de Minas e Energia e que foi transcrita pela assessoria, sem revisão, para a página da Casa Civil”.Segundo o ministério, as informações foram incluídas na plataforma Lattes em maio de 2000 por um grupo de pesquisa da Fundação de Economia e Estatística do RS, entidade presidida por ela de 1991 a 1993. A FEE-RS disse que só se manifestará na segunda-feira.O nome da ministra, de acordo com a Casa Civil e o CNPq, foi incluído como integrante do grupo de pesquisa “Estado e Setor Financeiro” -nenhum dos envolvidos explicou até agora por que isso teria sido feito, já que Dilma tinha se afastado do grupo e da fundação.O CNPq diz realizar desde quarta-feira uma pesquisa em seus arquivos para tentar descobrir quem incluiu as informações no sistema, mas já indicou que pode não chegar a conclusão nenhuma.
………………………………………………………………………………………..
Durante 9 anos, a ministra candidata viu o seu currículo falso ser publicado em todos os lugares. Em inglês e mandarim. Dezenas de vezes, ao ser apresentada em eventos, estes dados foram citados e ela ficou lá, quietinha. Agora afirma que não foi ela quem incluiu os dados. Até pode não ter sido, mas quem forneceu os dados, obviamente, foi ela. Todos aqueles detalhes não poderiam ser criados pela mente de alguém. E mais: a ministra candidata, se recebeu bolsa do CNPQ, cometeu crime. Deve ser condenada a devolver, com juros e correção monetária, os valores que gastou como “mestre” e “doutoranda”, sendo apenas uma reles e medíocre aluna-ouvinte. Está na hora do Ministério Público abrir uma investigação. Quanto mais mexe, mais fede.
Fonte: Coturno Noturno
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
09/07/2009 - 13:13

Sobre a natureza do PT

No post anterior, ironizo o modo petista de governar, afirmando que é mesmo “uma revolução”, sugerindo, é óbvio, que os petistas repetem os vícios que tão tristemente caracterizam a política no Brasil.

Ao escrever tal coisa, lembro de críticas que me fazem alguns petistas moderados — os, digamos, imoderados acreditam que não é bem “crítica” o que mereço… — e até alguns amigos: “Mas, então, por que você parece ser mais severo com  o PT do que é com as outras legendas?”

Com efeito, só pareço. Se o PT está muito mais presente neste blog é porque está no poder e porque, bem…, vocês sabem, o partido é bastante imoderado em matéria de transgredir códigos e condutas. Adiante.

Admito, no entanto, que há um tipo de crítica de que o PT, no meu texto, é alvo mais freqüente. Aliás, sempre admiti isto e acho absolutamente justo e justificável. Começo pelo exemplo e depois chego ao conceito.

O pecado, pouco importa quem o cometa, é uma só. Não é o pecador que define o pecado, mas a natureza do seu ato. Assim, pouco importa se é A ou B a cruzar a linha do aceitável. Não é o transgressor que faz os mandamentos. Mas como ignorar que o pecado de um sacerdote tem um agravo adicional, associando a hipocrisia ao malfeito essencial? Como ignorar que a ilegalidade patrocinada pela autoridade é mais perniciosa do que aquela praticada pelo cidadão comum?

É evidente que o PT nunca foi sacerdote de porcaria nenhuma! É evidente que o PT nunca teve especial autoridade moral para enfiar o dedo na cara dos adversários! Quem viveu, inclusive, os primórdios da formação do partido sabe muito bem disso. Parte dos métodos que Lula emprega na Presidência é herança de sua atuação como sindicalista. E muitos são impróprios para consumo humano.

Mas é inegável que o petismo se queria — e alguns ainda investem nisto — monopolista da “ética na política”. Quantos foram os atos públicos que o partido promoveu, em quase 30 anos de existência, levantando tal bandeira? Se todos aqueles que o partido acusou das piores coisas tivessem sido ou fossem mesmo culpados, vá lá. Ainda que os petistas incorressem agora nos mesmos erros, isso não tornaria seus adversários inocentes.

Mas também essa hipótese é mentirosa. O partido está pouco se lixando para culpas e inocências. Essa clivagem, feita no passado, era só a fachada da distinção que realmente lhe interessa: “está comigo” ou “não está comigo”. Quem está é inocente mesmo que seja culpado. E quem não está é culpado mesmo que seja inocente. Uma mesma personagem pode viver as duas situações. É o caso de Sarney. Em palanque, no passado, Lula o acusou de muita coisa que ele não fez. Hoje, na Presidência da República, Lula tenta ignorar tudo o que ele fez. Os inimigos serão sempre alvos da máquina de sujar reputações. Os amigos serão sempre beneficiados pela lavanderia.

E isso, lamento dizer, é, sim, tipicamente petista. Porque o partido quer, a despeito dos métodos os mais detestáveis, falar ainda em nome de uma utopia. E sua única utopia é, na prática, exercer o poder como partido único, abrigando, se preciso, em suas fileiras a esquerda mais doidivanas e a direita mais estupidamente reacionária. Se ele tiver a hegemonia do processo, cabe qualquer coisa em seu guarda-chuva.

Acho que o texto ficou bem claro, não?

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/06/2009 - 16:49

PETROBRAS E ALOPRADOS: COMEÇA A FICAR CLARO POR QUE ELES TÊM TANTO MEDO

A reportagem mais importante publicada hoje nos jornais está no caderno Brasil, da Folha, assinada por Fernando Barros de Mello. E diz respeito à Petrobras. José Carlos Espinoza, ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças de Lula em campanhas eleitorais, trabalha, desde abril de 2007, na sede da Petrobras em São Paulo. Quer dizer: trabalha mais ou menos. Parece que ele não costuma aparecer muito por lá.

Lembram-se dos tais 1.150 funcionários da empresa ligados à área de comunicação? A Petrobras se apressou em deixar claro que nem todos eram jornalistas. É verdade. Espinoza, por exemplo, não é. Ele só é um petista e um lulista diplomado. Sua função? “Interlocução com movimentos sociais”. Vocês sabem: é uma besteira achar que a Petrobras se limita a extrair e refinar petróleo. Sua principal função tem sido refinar ideologia.

O PT, como sempre sonhou Marilena Chaui, é mesmo “espinoziano”. O rapaz aparece envolvido no dossiê dos aloprados, lembram-se? Até hoje não se sabe a origem daqueles quase R$ 2 milhões apreendidos pela PF, transportados numa sacola por um assessor do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). À época, Espinoza, apurou a VEJA, reuniu-se na Polícia Federal para debater ética — claro!!!— com Freud Godoy e Gedimar Passos, preso na operação. Depois da prisão dos aloprados, Spinoza cedeu seu apartamento para um encontro entre Godoy e o tesoureiro do PT.

O escândalo dos aloprados estourou em setembro de 2006. Em abril de 2007, sete meses depois, Espinoza já estava na Petrobras, contratado, na verdade, pela Protemp, uma empresa de mão-de-obra terceirizada que fica na emblemática Santo André. É a Protemp que presta serviços à Petrobras.

A reportagem, parece-me, ajuda a jogar luzes sobre o imbróglio dos aloprados e também explica o verdadeiro pânico que se tem de uma investigação séria na Petrobras. Espinoza é a evidência de que quem tem padrinho não morre pagão, não é mesmo? Ele era apenas uma das muitas pessoas do círculo de relacionamento pessoal de Lula envolvidas naquela maracutaia. E, como se nota, a Petrobras parece ser mesmo o grande guarda-chuva que abriga a companheirada.

O repórter da Folha quis saber qual era a sua intimidade com a área de comunicação e por que ele está lotado na Petrobras. E ele respondeu. Assim: “Por conta exatamente do meio de campo que foi pedido para eu fazer entre os movimentos sociais e a Petrobras. Conheço o José Rainha [dirigente do MST], o presidente da Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], o pessoal da Fetraf [Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar]“

Tudo claro como a luz do meio-dia de um céu sem nuvens.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
23/06/2009 - 09:14

OS CRIMES DELES E OS CRIMES DOS OUTROS

Que importância tem Wilson Simonal?”, perguntam-me uma ou outra pessoa. Em si mesma, a questão parece não ter grande alcance político, mas ela sintetiza uma postura – e talvez seu alcance vá além do que parece, ou o maior jornal do país não lhe teria dedicado três páginas. Num feito realmente inédito, o repórter recicla a própria reportagem, feita há nove anos, para, visivelmente, contestar uma suposta leitura revisionista que estaria sendo feita. Por que digo “estaria”? Porque, como se sabe e é público e notório, ninguém endossou o crime contra o contador. Ocorre que, antes como agora, Simonal não está sendo julgado e condenado por aquilo que fez. É quase o contrário: usa-se a ocorrência para alimentar o que não passa de uma fantasia. E isso, com efeito, é mais importante do que parece. Antes que volte a este ponto, uma consideração que talvez facilite algumas sinapses.

Para Simonal – ou, vá lá, para a sua biografia -, é uma má sorte não ter sido acusado de assassinato. Porque de tal acusação, é óbvio, teria se safado com facilidade. Desde logo e de sempre, alguém se lembraria de perguntar: “Matou quem?” E a ausência de resposta descaracterizaria o crime. Ocorre que a acusação feita no passado e refeita agora – “informante” – pode subsistir no vácuo, pode ser feita sem história. Afinal, o que foi que ele “informou” sobre o meio artístico? Quais são e onde estão as suas vítimas? Não há nada. Tem-se apenas um exemplo escandaloso do pior jornalismo a serviço de uma causa.

Qual causa? A esquerda não aceita luzes sobre seu passado; não aceita nada que não seja o lugar da vítima. Não é por acaso que não se conhecem nem mesmo os nomes das pessoas que matou em sua “luta contra a ditadura” – que também era uma luta pela implantação de uma… ditadura. A simples menção ao passado deste ou daquele fora de um contexto virtuoso levanta uma grande onda de indignação. O objetivo é “blindar”, em sentido militar mesmo, o seu passado. A palavra chegou ao português via francês e remete ao verbo alemão “blenden”: “cegar, ofuscar”. Sim, na mesma origem está a palavra inglesa “blind”, verbo e substantivo, e derivações. O passado da esquerda está blindado, protegido por viseiras e mistificação. E, diante dele, devemos optar pela cegueira.

A ficha falsa
Querem uma prova? Basta ver a indignação com a tal “ficha falsa” de Dilma publicada pela própria Folha. Tudo indica, de fato, que era uma montagem que circulava na Internet. E ela fez bem em reclamar. Mas a coisa não parou por ali. Fez-se da dita-cuja mero pretexto para escoimar o passado de Dilma de suas inconveniências. A ex-dirigente da VAR-Palmares veio a público para declarar, sob o silêncio cúmplice da larga maioria, que ela havia cometido apenas “crime de organização”. De organização?  Duas perguntas com respostas:

Pergunta 1 –  O que ela “organizava”?
Resposta –
A VAR-Palmares.

Pergunta 2 – E a VAR-Palmares organizava o quê?
Resposta -
Lembro só algumas coisas, que muitos pretendem chamar “resistência” – e que eu chamo “terrorismo”:
- 01/07/1968 – A execução de Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen, major do Exército alemão (na verdade, morto pela Colina, grupo que depois ajudou a formar a VAR-Palmares. Em 1968, Dilma era do Colina);
- 12/10/1968 – Execução de Charles Rodney Chandler, capitão do Exército dos EUA;
- 31/03/1969 – assassinato do comerciante Manoel da Silva Dutra, durante assalto ao Banco Andrade Arnaud, no Rio. Carlos Minc estava no grupo.
- 11/07/1969 – Assassinato de Cidelino Palmeiras do Nascimento, motorista de táxi (conduzia policiais em seu carro), decorrência do assalto ao Banco Aliança;
- 18/07/1969 – Roubo do “Cofre do Adhemar”. O dinheiro nunca apareceu;
- 24/07/1969 – O assassinato do soldado da PM-SP Aparecido dos Santos Oliveira, decorrência de um assalto a uma agência do Bradesco, de que a VAR-Palmares fez parte;
- 22/10/1971 – Assassinato de José do Amaral, suboficial da reserva da Marinha;
- 05/02/1972 – Assassinato de David A. Cuthberg, marinheiro inglês, de 19 anos, que visitava o Brasil com sua fragata. Quatro membros da VAR-Palmares estavam entre os executores. Crime do rapaz: seu uniforme representava o imperialismo inglês…

A onda de indignação que se seguiu à publicação da “ficha falsa” tentou transformar Dilma numa espécie de freira dos pés descalços. Parecia que era dirigente da VAR-Palmares para promover a Primeira Comunhão das moças católicas. Para os “inimigos”, a ausência de provas que condena; para os amigos, o excesso de provas que absolve. David A. Cutherberg, por exemplo, morreu sem saber por quê, mas a VAR-Palmares sabia muito bem por que o matou: tinha uma utopia… Reação obviamente histérica aconteceu, também, por ocasião do termo “ditabranda”. Como escrevi aqui, até entendo que muitos contestem o emprego de tal palavra. Mas se aproveitou o episódio para, uma vez mais, reciclar uma falsa história de santos e demônios.

Não se enganem: a tentativa de esmagar Simonal é só uma forma de contar a história dos vivos, não dos mortos. E não se trata de nenhuma conspiração. Não lido com misticismos. Fosse uma, seria algo até mais fácil de combater porque conspirações têm um centro, um núcleo. Lida-se com algo bem pior: com uma cultura.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
Voltar ao topo