O TrOgLoDiTA

Divagações…

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03/09/2009 -  09:47     

Baralho falso

J. R. Guzzo

“O que poderia haver de mais avançado em matéria
de falsificação do que sustentar, como fazem os mestres
de doutrina do PT, que são de direita todos os que discordam
do governo Lula e de esquerda todos os que são a favor?”

Os professores das escolas públicas e particulares brasileiras provavelmente continuam ensinando nas salas de aula que, em política, as coisas se dividem em direita e esquerda; boa parte deles, pela lei das probabilidades, deve explicar que a direita é geralmente do mal e a esquerda é geralmente do bem. A esperança é que a maioria dos alunos não preste muita atenção às aulas em que ouve isso, ou esqueça logo o que ouviu, como esquece para que serve a bissetriz ou quem foi o regente Feijó. O problema maior não está em dizer, sem demonstrar com fatos, que esquerda é melhor que direita – como também não haveria grande perda se fosse dito o contrário. Há muito tempo esse tema virou questão de fé, e aí cada um acredita no que quer. Ruim, mesmo, é manter em circulação duas palavras que, no Brasil de hoje, perderam qualquer utilidade para diferenciar comportamentos, convicções e pessoas na vida política real. Só servem, na verdade, para fazer exatamente o oposto – uma mistura grossa na qual vai ficando cada vez mais difícil saber quem realmente é quem, e, sobretudo, quem está querendo o quê. Esse mundo de confusão, sem forma, sem substância e sem lógica, é o ambiente ideal para montar uma mesa de jogo em que são falsos o baralho, as fichas e tudo o que está em cima, embaixo ou em volta dela.

O que poderia haver de mais avançado em matéria de falsificação, por exemplo, do que sustentar, como fazem os mestres de doutrina do PT, que são de direita todos os que discordam do governo Lula e de esquerda todos os que são a favor? O resultado prático dessa maneira de separar os lados na política brasileira é a criação de um tumulto mental em modo extremo, no qual não se entende rigorosamente nada. Cada caso, aí, é mais esquisito que o outro. O governador José Serra, que foi presidente da UNE, teve de fugir da polícia no golpe militar de 1964 e ficou anos exilado, é o principal nome da oposição para disputar as eleições presidenciais de 2010 contra a candidatura do governo; é apontado pelo PT, por isso, como o grande líder da “direita” brasileira. O presidente do Senado, José Sarney, foi um dos principais servidores do regime militar, esse mesmo que queria colocar Serra no xadrez; hoje está a favor do governo Lula e é defendido até a morte pelo PT, como um herói daquilo que o partido descreve como sendo o campo progressista, popular e de “esquerda”. Qual o nexo de uma coisa dessas? Pela mesma visão, o deputado Fernando Gabeira, que quando jovem fez tudo o que a esquerda mais radical podia fazer, e hoje é um opositor aberto da ladroagem no governo Lula, é excomungado como homem de “direita”. Já o senador Romeu Tuma, que fez carreira durante a ditadura como delegado do Dops e andava atrás, justamente, de subversivos como Gabeira, hoje é um dos destaques da “base aliada” e se vê premiado pelo PT como participante ativo do “projeto de esquerda” neste país. A senadora Marina Silva, que até outro dia estava para ser canonizada pelo governo, tornou-se suspeita de ajudar a “aliança conservadora” no dia seguinte ao seu rompimento com o PT; é uma questão de tempo até ser enfiada sem maior cerimônia no balaio geral da “direita”. O deputado Paulo Maluf, que o PT sempre tratou como uma espécie de King Kong do direitismo nacional, foi promovido, pelos serviços que fornece ao governo, a associado emérito das forças de “esquerda”. Fica assim, então: Serra, Gabeira e Marina, entre dezenas de nomes semelhantes, estão na direita; Sarney, Tuma e Maluf, entre outros tantos, estão na esquerda. É nisso que veio dar, no Brasil atual, a distinção entre ideologias.

Quando se toma, de caso pensado, o caminho da mentira para fazer política, qualquer coisa pode acontecer. Está acontecendo neste momento na Receita Federal, onde a demissão da secretária Lina Vieira e de dois de seus assessores diretos, seguida pela entrega de sessenta cargos de chefia por seus ocupantes, virou uma briga de arquibancada como fazia muito tempo não se via numa repartição do serviço público. Lina e sua equipe, no evangelho segundo o PT, seriam esquerda pura: diziam dar prioridade à fiscalização sobre “grandes empresas” e tinham a seu lado o sindicato da categoria. Mas a secretária se estranhou com o governo em geral e com a ministra Dilma Rousseff em particular; acabou posta para fora, foi chamada de “essa secretária” pelo presidente da República e já está a caminho de entrar na lista negra dos que colaboram “objetivamente” com a estratégia direitista de Serra, Gabeira, Marina etc.

É assim que funciona.

Fonte: Arquivo de Artigos

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18/08/2009 -  11:17     

A quem possa interessar

Por Arlindo Montenegro

O ex oficial da aeronáutica russa, Viktor Bout, é um destacado traficante internacional de armas, preso na Tailândia. Os americanos pediram a extradição do mesmo, para processá-lo por fornecer armas aos narco guerrilheiros das farc. As autoridades tailandesas negaram e os russos manifestaram sua satisfação e se mobilizam para que “Bout volte ao seu país natal, onde vivia em liberdade”.

Mister Lula vetou a lei que limitava bilionárias despesas com a propaganda do seu desgoverno. Também ignorou um Tratado Internacional e deu de presente ao Paraguai uma fatia substancial de Itaipu, sequenciando outras dádivas generosas como as fronteiras desguarnecidas para facilitar o contrabando de cigarros, uísque, armas, eletrônicos, maconha e outros produtos falsificados pelos vizinhos ou vindos da China.

Em meio ao terrorismo com a gripe produzida sei lá por que laboratório, o remédio Tamiflu já tinha patente registrada há dois anos. Sabe-se que o Ministério da Saúde deixou de aplicar R$ 5,4 bilhões desde o ano de 2000, por conta de um errinho de contabilidade governamental, do mesmo jeito que a Petrobrás errou no pagamento de impostos e os senadores meteram a mão na cumbuca. Só os Senadores?

“Que jeito que tem? Que jeito se dá?”… A nação calada só leva porrada! E os dispositivos legais não alcançam os sucessivos golpes, que encobrem a infinitude de “maracutaias” secretas. O governo que deveria defender e representar a vontade da nação, executa as diretrizes emanadas pelo Foro de São Paulo. Associado ao projeto detalhado para a comunização do continente, privilegia ditadores e terroristas. Será esta a vontade da nação?

Melhor indagar: qual é mesmo a vontade da nação brasileira? Ou então: temos vontade? Temos escolhas? Temos objetivos para o bem comum? Que resta da nossa identidade? Os sucessivos governos “socializantes”, desde o acadêmico FHC, eleito pela Trilateral e pelo Diálogo Interamericano, têm direcionado a nação por veredas obscuras.

Em vez de solucionar, agravaram, com suas decisões, a situação decepcionante da saúde, educação, segurança, defesa da soberania… contribuíram sistematicamente para descaracterizar a face da nação, subordinando as instituições tradicionais que asseguravam o direito natural, ao projeto aventureiro que destaca governos como o de Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia, onde a marca registrada é a opressão política, a miséria e o descontentamento popular reprimido com a força brutal.

Enquanto estamos enrolados neste ambiente de incertezas em que cada um trata de defender a própria pele, configura-se a nova guerra fria, prenunciando a possibilidade de batalhas sangrentas na América do Sul. E nos divertem prometendo Reforma Agrária, Reforma Tributária, Reforma Política, Reforma de Leis Trabalhistas, reformas, remendos, arremedos de leis para que ninguém cumpra, começando pelos poderosos.

Que tal falar de um Compromisso Federativo que nunca foi feito em nossa história? Que tal ouvir a voz de cada município, de cada Estado? Que tal garantir a autonomia e as iniciativas, independentes das decisões do covil totalitário que a partir de Brasília, impera e oprime a nação? Que tal proclamar de fato e de direito a independência, reduzindo o orçamento do governo central à mera necessidade de guardião de uma unidade jurídica que garanta o Estado Democrático de Direito?

Lendo a história percebem-se os contos das mil e uma promessas e o quanto ainda estamos submetidos aos burocratas e oligarcas agrários. Pior, o quanto estamos vulneráveis à vontade dos impérios que se configuram e dividem zonas de influencia para estabelecer a Nova Ordem Mundial. Dependendo desta casta de políticos, continuaremos balançando entre o império dos mercadores anglo americanos e o outro, dos mercadores comunistas da Rússia e da China.

A Unasul, com propósitos ideológicos de seita fanática, está formada. Aponta suas armas contra o que resta de propósito democrático no continente, declarando ódio mortal ao que resta de capitalismo, ideais conservadores ou liberais. Esta “coisa” misteriosa, a Unasul, se propõe subordinar o sul do continente americano, como a ONU se propõe a subordinar o planeta.
As pesquisas para o voto nas eleições obrigatórias, utilizando maquininhas viciadas, já começam a fazer a cabeça dos crédulos. As cartas estão marcadas…

Fonte: Alerta Total

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26/06/2009 -  20:47     

Corrupção política no Brasil

Ao tratar deste assunto, hoje tão visível para os brasileiros, é necessário lembrar a origem do tema. O burocrata colonial português chafurdava-se na corrupção. O Ouvidor Geral, Pero Borges e o Provedor Mor, Antônio Cardoso de Barros, que aqui chegaram com Tomé de Sousa, foram acusados de desviar dinheiro do Tesouro Régio. O primeiro bispo do Brasil, Pero Fernandes Sardinha, foi acusado de perdoar pecados dos fieis em troca de dinheiro. O Tribunal da Relação da Bahia, primeiro Tribunal de Justiça do Brasil, criado em 1609, foi fechado em 1629 por corrupção. Não é de admirar, com tal origem, o que estamos vendo hoje no Brasil.

Vou me ater, nestas linhas, apenas à corrupção no meio político, a forma de se elegerem e o comportamento de nossos políticos nas casas legislativas. Quais os maiores incentivadores da corrupção nestes meios? Começo com o orçamento federal. A maioria dos orçamentos nos países civilizados é impositivo, isto é, verba no orçamento votada pelos parlamentares tem que ser obrigatoriamente executada pelo executivo. No Brasil, não. O orçamento é apenas autorizável, isto é, verba posta no orçamento é gasta ou não, de acordo com a vontade do executivo. Aí começa a barganha. Deputado, no interesse de amparar seu Estado, o que é louvável, coloca no orçamento federal verba para esta finalidade. Mas, para ser liberada, depende da vontade do chefe do Executivo. Pois não, diz o Presidente: “Libero a verba desde que você vote a meu favor projeto tal”. Aí começa a corrupção de que é exemplo o “mensalão”. Por isto, afirmo que orçamentos votados nas casas legislativas não passam de peças de ficção, origem de grande corrupção. Para acabar com isto é necessário que os orçamentos federais, estaduais e municipais sejam impositivos, e não autorizáveis. Poderiam argumentar: congressista não tem categoria e coloca no orçamento previsões de receitas inexequíveis para satisfazer seus propósitos. Ai o problema é outro. A culpa é do eleitor que elegeu um irresponsável ou ignorante.

Mas, o que causa este problema é a iníqua distribuição dos tributos arrecadados entre União, Estados e Municípios. No Brasil, hoje, cerca de 70% dos impostos arrecadados vão para a União, 25% para os Estados e 5% para os Municípios. Isto destrói a Federação, e fonte da corrupção mencionada nestas linhas. Tivéssemos funcionando no Brasil a Federação, os orçamentos federais, estaduais e municipais espelhariam a realidade, não necessitando que os parlamentares se transformem em pedintes da Bolsa Federal, gerando a corrupção que hoje estamos vendo no país.

Outro fator importante na geração da corrupção política no Brasil é o sistema eleitoral. O atual sistema de votação proporcional obriga o candidato às Assembléias Estaduais e Câmara Federal a percorrer todo Estado, com considerável necessidade de recursos financeiros para cobrir gastos da campanha. Aí vem a corrupção. O candidato recorre a firmas particulares pedindo doações. E pensam que isto é de graça? Logo que a firma tenha algum interesse nos governos, vai cobrar do candidato o troco… Por isto sou a favor do voto distrital que, além de outras vantagens, baratearia fortemente os custos de campanha, pois o candidato faria campanha somente no distrito em que for candidato.

Olhando o quadro político atual, no Brasil, estou tentado a ficar de acordo com Henri Beraud, jornalista francês:“Na política é difícil distinguir os homens capazes dos homens capazes de tudo”.

Fonte: Millenium

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10/06/2009 -  10:18     

Informações secretas

Fonte: Pedagogia da Alternância

Dica de Castro Digital

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07/06/2009 -  22:52     

O PSDB, apenas um aliado espiritual do PT.

Atualmente, o Brasil só possui três partidos políticos realmente significativos e dignos de nota: os “jacobinos”, ou o PT, com seu radicalismo socialista truculento; a “planície”, ou o PMDB, com seu centrismo corrupto e ávido por cargos políticos, tal como a hiena comendo restos de caáveres; e o PSDB, que é a “gironda”, a outra face do poder revolucionário, só que mais à direita do PT. Na verdade, o tucanato não é necessariamente direitista. É só a direita da esquerda. Os mecanismos revolucionários de pensamento e adesão a revolução cultural esquerdista são praticamente os mesmos. O que difere, basicamente, um de outro, é o modo como essa “revolução passiva” se processa. E os partidos considerados de “direita” como o DEM e o PP? Esses aí já saíram da cena política há muito tempo. Aliás, de forma humilhante, o DEM substituiu o antigo nome, PFL, para se assemelhar ao esquerdista Partido Democrata norte-americano. Há coisa mais subserviente do que isso?
É curioso que o MST critique o Sr. Fernando Henrique Cardoso, pelo fato de que este, supostamente, não ter atendido aos anseios da chamada “reforma agrária”. Porém, o grupo que mais promoveu o MST e demais movimentos de esquerda no campo em lugares de excelência na vida política brasileira foi justamente o PSDB, na figura do ex-presidente. O próprio FHC batia no peito, afirmando categoricamente que distribuiu mais terras do que qualquer outro governo da história brasileira. E aí o resultado já está a olhos vistos: bilhões de reais jogados no ralo para sustentar um movimento revolucionário no campo, que atualmente detém cerca de 10% das terras do país e não produz absolutamente nada, apenas pilhagem de propriedades, conflitos de terra e favelões rurais.
O mesmo se pode dizer da cultura politicamente correta, em particular das cotas raciais e do movimento gay. Foi o governo tucano que inaugurou demagogicamente o regime das cotas raciais nas escolas e universidades. Em nome da suposta “democratização” do acesso à população negra e índia às faculdades, o que se viu foi a instituição do racismo legalizado nos critérios de avaliação das provas e vestibulares. Ou seja, os avaliadores não se contentam em analisar o conteúdo intelectual dos alunos. Os vestibulandos também precisam ser avaliados racial, e, agora, socialmente. Se não bastasse essa mesquinharia revolucionária, o governo FHC abriu às portas para o mundo gay: o Sr. Geraldo Alckmin, que até então se dizia um católico envergonhado, por supostamente pertencer à Opus Dei, foi um dos primeiros precursores de leis “anti-homofobia” no Estado de São Paulo. Na prática, o ex-governador, notório “católico” do IBGE, sancionou uma lei que faz da Parada gay uma passeata sacralizada, acima de todos os valores religiosos e morais, na turba de pederastas praticando as mais assustadoras orgias, com direito a drogas e sexo explícito nas ruas. Aliás, ainda na época do presidente Fernando Henrique, o governo federal fez uma propaganda em que aparecia uma mãe e pai consolando o filho por conta de uma decepção amorosa. Quando alguém bate na porta, os pais vão atender apreensivos. Alguém esperou alguma mulher? Que nada, era outro macho, atrás da mocinha rejeitada! Hoje em dia, o PT e o PSDB estão colaborando para instituir o “Dia do Orgulho Gay”.
A criminosa expulsão dos arrozeiros da região de Raposa Serra do Sol, em Roraima, incrementada pelo PT, junto com o Conselho Indigenista Missionário e a fraude dos laudos da FUNAI, teve respaldo jurídico quando o antigo governo tucano assinou a Declaração dos Povos Indígenas da ONU, que dentre tantas proposições, aceitava reconhecer as tribos índias como uma nação à parte, com direito a autodeterminação e mesmo de autogoverno, contrariando a soberania nacional. Se o leitor incauto ainda não atentou à questão, tanto a cartilha do PT como do PSDB é produto de burocracias politicamente corretas da ONU, que à revelia das vidas dos cidadãos comuns, legislam sem que o povo saiba que está sendo enganado e governado por forças externas. O país inteiro, sem perceber, está sendo governado por decretos de ativistas sociais militantes e entidades estrangeiras. Inclusive, com sólida ameaça à integridade territorial e política do país.
Se por um lado, o senso comum diz que o governo tucano foi “neoliberal”, raramente se pagou tantos impostos como na administração anterior. A esquerda raivosa costuma ser burra: acha que meia dúzia de privatizações para salvar o Estado do atoleiro financeiro é sintoma do “neoliberalismo”. Curiosamente, o PSDB assume com vergonha as privatizações. Inclusive, quando os tucanos são acusados de querer privatizar a Petrobrás (vulgarmente conhecida como a “petrossauro”), eles são os primeiros a defender o monopólio estatal do monstrengo.
No entanto, se o Estado terceirizou alguns serviços, por outro, ele se expandiu como nunca na vida privada do cidadão e mesmo em suas riquezas. O plano real estancou momentaneamente a inflação, mas o governo arrecadou verbas públicas através de impostos pesadíssimos. E o PT não é diferente. Se não bastassem esses meros detalhes, é perfeitamente explicável que o PT e o PSDB, com algumas diferenças irrelevantes, sejam a mesma coisa. Os dois partidos tiveram origens nos quadros de esquerda, em especifico, na USP, embora o PT tenha angariado também forças nos sindicatos do ABC paulista. Como dizia um grande amigo meu, a diferença básica entre o PT e o PSDB, é que o tucanato finge falar francês e usa talher. Quem são Fernando Henrique Cardoso, José Serra e muitos outros, senão indivíduos com sólida formação marxista, com um viés do comunista italiano Antonio Gramsci? Mesmo aqui no Pará, o ex-governador Almir Gabriel, antes de se tornar o tucano, era um famoso esquerdista, como o foram uma boa parte dos quadros políticos do Pará no PSDB no passado. O próprio ex-presidente da república sociólogo já admitiu suas origens intelectuais: ele diz, sem delongas, que a esquerda conquistou a “hegemonia” cultural, no sentido gramsciano do termo. Em outras palavras, ele está afirmando que, atualmente, a disputa política brasileira é tão somente um revezamento de esquerdas. Isso beira a uma fraude completa.
O PSDB está cumprindo o serviço da dominação petista com relativo prazer. A carência completa de uma oposição política só pode ser explicada mesmo por uma cooperação voluntária entre esses dois grupos. Não há explicação plausível para que o governo Lula careça completamente de críticas contundentes dos oposicionistas, a despeito do vendaval de vexames, mentiras e desinformação que sua administração repassa à opinião pública e à maior parte do povo. A resposta está mesmo no controle pleno, no trato de revezamento do poder que os dois grupos políticos têm para si. O jornalista Roberto Pompeu de Toledo, em um antigo artigo escrito na Revista Veja, afirmava que os tucanos e os petistas deveriam se unir contra as “oligarquias”conservadoras. Nada mais profético! Os líderes esquerdistas se uniram e conseguiram alijar os tais “oligarcas”do poder. Agora a esquerda mesma é uma nova oligarquia, só que dual. O problema é que a ala radical quer governar sozinha. E os tucanos se iludem, crendo que o PT vai dividir o poder com eles.
O colaboracionismo com a cartilha esquerdista não tem limites. Recentemente, um deputado estadual do PSDB, o Sr. Milton Flávio, propôs criar uma lei que impede que celebridades da história brasileira, supostamente partícipes de crimes de tortura pelo regime militar, tenham seus nomes em logradouros públicos. Os objetos de ataque são os presidentes militares Castelo Branco, Médici, Geisel e Figueiredo. Na prática, porém, tal projeto é um jogo de marketing e uma tentativa de falsificação histórica sutil, já que implica estigmatizar a reputação das forças armadas e mesmo induzir historicamente as opiniões sobre o regime militar e seus protagonistas. O PSDB adora esses controles mesquinhos. Os tucanos não se contentam com a proibição de cigarros nos restaurantes, a tentativa de “fiscalizar” os usuários da internet ou o veto de consumo de coxinhas de galinha nas escolas: eles querem nos ditar o que é história. Será que o Sr. Milton Flávio vai colocar no mesmo páreo de criminosos, gente como Carlos Marighella, Olga Benário e Carlos Lamarca, notórios terroristas? Entretanto, no Brasil atual, há uma completa distorção histórica: os terroristas, assaltantes de bancos, agentes da polícia política soviética (vide Olga Benário) e seqüestradores de embaixadores são idolatrados como heróis. A ministra da Casa Civil Dilma Roussef, que adora fazer apologia das virtudes políticas do câncer, bate no peito, afirmando que, como fanática comunista que era, combatia a ditadura militar. Entretanto, não nos desesperamos: o Sr. Milton Flávio, que adora reverberar com orgulho sua oposição à ditadura militar, tal como dona Dilma, também defendia uma ditadura.Só que era o marxismo-leninismo, com seus milhões de cadáveres jogados pelo ralo da história. Curiosa desproporção: tenta-se tirar da memória histórica os militares que salvaram o país da subversão revolucionária e mitificam-se justamente terroristas e assassinos, cujas vítimas maiores foram os próprios civis. Decerto incomoda ao deputado ver gente como Castelo Branco como nome de rodovia. O sonho dele mesmo era que nossos logradouros fossem batizados de “Rua Stálin”, “Travessa Lênin”, “Bairro Mao Tse Tung” ou “Avenida Trotsky”. Alguém terá dúvidas de que PT e PSDB são farinhas do mesmo saco, duas faces da mesma moeda?
Fonte: Conde Loppeux
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25/05/2009 -  19:21     

OS IDIOTAS E A REALIDADE

O mundo — ou uma boa parte dele — não cansa de ser óbvio, mas, volta e meia, somos colhidos por ondas de ilusão: “Quem sabe apareça alguém que possa, dizendo coisas bonitas e sensatas (ao menos aparentemente), mudar a realidade…” Ok. Essa crença não deixa de ser generosa, mas é também tola.

Há dias, Obama ganhou o noticiário — e, nisso, ele é especialista; não é tão bom quanto o nosso Apedeuta, mas chega lá; ainda lhe falta um tanto de tarimba — propondo a destruição de armas nucleares. O mundo se derreteu. O Brasil também. Na imprensa verde-amarela — ou, vá lá, em boa parte dela —, Obama dá um suspiro, e aquilo logo passa a competir com Schopenhauer… Em densidade e comunicação direta com as massas, só perde mesmo para Lula.

Obama quer destruir as armas nucleares? É… A poucos ocorre que armas nucleares, sob certo ponto de vista, valem por um verdadeiro Evangelho da Civilização. Não fossem elas, seria a barbárie. “Ah, mas elas são feitas para matar, para destruir, e Obama é um cara batuta, gosta da vida. Como diria Arnaldo Jabor, quem gosta de matar pessoas é Bush e Dick Cheney; Obama é jazz, companheiro”. Pois é… Se um dia houvesse um pacto mundial pela destruição de TODAS as armas nucleares, é bem possível que o Ocidente realmente pusesse fim às suas, não é?, sob a liderança do Messias do Havaí. Já russos, norte-coreanos, paquistaneses e iranianos…

Não, a Coréia do Norte não se tornou quem é só agora, é óbvio. Já faz algum tempo. O que se está evidenciando é que, vejam que coisa!, existem mesmo países delinqüentes. Inegável é que eles estão testando o “novo líder” para saber até que ponto podem avançar. E têm ido cada dia mais longe. Sentiram que a coisa ali é bem elástica…

Até outro dia, alguns embusteiros disfarçados de humanistas anteviam o apocalipse: “Bush não tem limites…”. Agora, o demônio se aposentou, e então percebem o real perigo. Aqueles vigaristas bonzinhos não entendiam que ter medo de Bush era muito mais seguro do que temer a ação de estados delinqüentes.

Vamos lá, humanistas! Promovam uma passeata em Pyongyang pedindo uma “chance à paz”. Mas tem de ser lá. Passeata em Nova York é coisa para covardes.

Fonte: Reinaldo Azevedo

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19/05/2009 -  06:53     

“We’re not going to have talks forever”

de Reinaldo Azevedo
“We’re not going to have talks forever.”

Essa foi a frase mais importante dita no encontro entre Barack Obama, presidente dos Estados, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin (Bibi) Netanyahu. A fala é do presidente americano e se referia ao Irã: “Não vamos conversar para sempre”. Isto mesmo: se o Irã decidir levar adiante o seu programa nuclear, os EUA prometem agir. Como? Bem… Isso não é mesmo coisa muito diferente do que dizia aquele outro, como é mesmo?, ah,Jorjibúxi. Quase me esqueço do nome do demônio aposentado.

Li a imprensa liberal americana esses dias e também a brasileira. Parecia que Obama estava prestes a dar um pé no traseiro de Netanyahu. O encontro, antes de acontecer, era classificado de “tenso”, “delicado” e afins. Foi amenos e burocrático. No fim das contas, os EUA disseram o que costumam dizer a governantes israelenses: defendem a existência de dois estados — o tal Jorjibúxi queria algo diferente? — e também se opõem à expansão das colônias da Cisjordânia. Tudo conforme, vamos dizer, a tradição. Ah, sim: eu também estou com Obama: a favor de dois estados e contra a expansão das colônias.

É. Com efeito, o governo israelense mudou um pouco em relação ao anterior. Os israelenses, sob a chuva de foguetes terroristas, escolheram, desta feita, os durões. Mas Bibi também inovou muito pouco: “Nós estamos prontos para fazer a nossa parte e esperamos que os palestinos façam a deles”. Segundo o primeiro-ministro israelense, se eles reconhecerem o direito de Israel existir como um estado judeu, em segurança, é possível apostar na convivência de palestinos e israelenses. O que significa isso? Vamos ver. Mohmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, por exemplo, não aceita o caráter judaico do estado israelense. É só o começo de muitas outras complicações.

E a maior de todas elas se chama Irã, que hoje sustenta os terroristas do Hamas e do Hezbollah. E, de fato, esse foi o tema principal da conversa dos dois, para certa frustração da imprensa engajada. Obama reiterou que prefere conversar, que quer romper o isolamento a que está relegado o Irã etc. Mas deixou claro que a coisa tem de avançar. Afinal, “We’re not going to have talks forever.”

Se, em vez de se encontrar com Obama, Bibi tivesse batido um papo com Jorjibúxi, a coisa seria muito diferente? Não! Não faço essa observação por cinismo ou coisa parecida. Apenas chamo a atenção para o fato de que a política tem alguns limites impostos pela realidade. Somos tentados, às vezes, a considerar que realmente bastam atos de vontade para mudar o status dos conflitos. Não bastam.

Sei que Obama está decepcionando a muitos. E a outros, por sua vez, não chega a surpreender. Nem nesse caso nem no recuo em relação a Guantánamo. Ora feliz, ora infelizmente, não se governa com a retórica com que se ganham eleições. Com alguma freqüência, elas chegam a ser contraditórias. Em alguns casos, são até opostas.

Obama começa a descer ao mundo real. Ao mundos dos vivos. E dos mortos.

Fonte: Reinaldo Azevedo
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18/05/2009 -  15:29     

O petróleo é nosso…

de Bruno Pontes
Escrevo com a notícia de que a assim chamada oposição no Senado conseguiu as assinaturas para criar a CPI da Petrobras, envolvida em denúncias de fraudes em licitações e contratos, desvio de royalties e sonegação fiscal. O governo naturalmente tentou evitar a investigação, pois, como todos nós sabemos, o petróleo é patrimônio do povo brasileiro e não deve ser alvo de desconfiança. Apontar irregularidades na Bras preferida de Brasília é um gesto gravíssimo, meio caminho andado para se cometer crime de lesa-pátria.

De vez em quando aparecem pessoas levianas querendo informações sobre o funcionamento da Petrobras. Para saber se alguém lá dentro está roubando ou fazendo coisa parecida. Bando de petulantes! O presidente Lula sempre indignado com tal comportamento. No fim do ano passado, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apontou problemas de caixa da Petrobras em decorrência da crise financeira internacional. Em seguida, a Folha de S. Paulo mostrou que os investimentos da estatal seriam atrasados. O presidente Lula foi curto e grosso:disse que a oposição estava “criando factóides”, espalhando o “pânico na sociedade brasileira” e praticando “terrorismo”.

Lula estava certíssimo. É terrorismo mesmo. De acordo com o critério presidencial, os integrantes das Farc, por exemplo, jamais levantariam boatos contra a Petrobras. É por isso que Lula nunca os classificou de terroristas. Os companheiros das Farc podem matar, torturar e seqüestrar, mas eles não seriam capazes de espalhar o pânico na sociedade colombiana ao cobrar informações sobre as finanças de uma empresa estatal.

Mas o povo brasileiro tem sorte. Podemos contar com a proteção de senadores como João Pedro (PT-AM), quedeclarou da tribuna:“Não podemos desconhecer o componente político nesse debate. Isto aqui é uma casa política, estamos a um ano das eleições gerais e fica difícil separar a dinâmica e o emocional da agenda da eleição nesse debate. O jogo jogado na CPI é conhecido de todos e, quem está a favor da CPI, está contra a Petrobras”.

Aí está. Deixando a velha chantagem petista de lado, o que deve ser destacado na declaração de João Pedro é a confissão singela de uma prática antiga. Quem ainda não sabia fica sabendo agora: a estatal é dos políticos e está a serviço deles. O jogo jogado é o da politicagem, como está sendo demonstrado mais uma vez com o alvoroço que cerca a CPI. A indignação dos governistas não tem nada a ver com lisura, eficiência ou transparência: é só uma questão de poder político ameaçado. Estão preocupados é com os efeitos de tal ameaça no grande mercado das verbas, comissões, negociatas, barganhas e disputas partidárias. E os pagadores de impostos e consumidores que se lasquem.

Fica a sugestão para os brasileiros de bem revoltados com esse circo. Pensem pelo lado positivo: pelo menos o petróleo é nosso, o monopólio é do povo brasileiro e nosso patrimônio nunca será vendido a preço de banana para os imperialistas. Além disso, não somos terroristas para ficar desconfiando das intenções dos nossos parlamentares. Repitam esses slogans estatais e sejam patriotas. Os mensaleiros agradecem.

Fonte: Bruno Pontes
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15/05/2009 -  08:59     

Os fascistóides e o povo

de Reinaldo Azevedo
Por Denise Madueño, da Agência Estado:
No dia em que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), tentou acelerar a discussão da reforma política com os líderes partidários, a discussão de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou à cena na Casa. O deputado petista Fernando Marroni (RS) subiu à tribuna para defender a realização de um plebiscito para definir se Lula poderá ou não concorrer a mais um mandato em 2010.
“Não posso me conformar que as leis brasileiras impeçam que tenha continuidade a liderança desse homem. São poucos os líderes no mundo. De vez em quando surge um gênio. Esse é um gênio brasileiro”, disse Marroni. “Essa é a soberania popular, é o sentido da democracia. Todo o poder emana do povo e não do Congresso Nacional e da lei. As leis não bastam”, argumentou.
O deputado buscou nas pesquisas de opinião mais argumentos para defender o terceiro mandato para Lula. “Estamos há oito anos no poder e agora 85% a 90% do povo brasileiro quer Lula de novo, mas o meu partido não faz essa discussão porque estamos presos a uma tradição lá de trás que dizia que não se podia mudar as regras no meio do jogo”, disse.
Apesar de Lula já ter lançado a pré-candidata a sua sucessão, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Marroni disse que a população tem pedido um terceiro mandato para Lula. O deputado disse ter apreço pela ministra, mas não se conforma que as leis impeçam que Lula possa novamente se candidatar. Mais cedo, Temer reuniu os líderes e acertou uma reunião para a próxima quinta-feira para discutir uma proposta de votar a reforma política.

Comento
Esse é um daqueles petistas que se colocam como “voz isolada”, mas que reproduzem parte do que o partido discute na intimidade. Não acredito, já disse, que esse tipo de coisa possa prosperar. Não que faltasse vontade a Lula, mas o custo seria enorme. Já escrevi a respeito recentemente. É só procurar no arquivo.

Destaco uma coisa em particular na fala do tal deputado. Vejam que mimo: “Essa é a soberania popular, é o sentido da democracia. Todo o poder emana do povo e não do Congresso Nacional e da lei. As leis não bastam”.

Entenderam? O juízo, é óbvio, é perturbado. Nas democracias, o poder emana do povo com um propósito: fazer as leis que todos têm de seguir. Justamente para que não se formem maiorias conjunturais e de ocasião em defesa disso ou daquilo. Tanto é assim que ao povo não é permitido desrespeitar as leis instituídas pelo… povo!!!

Não quero perder o meu tempo com esse tipinho. Noto apenas que a sua fala não é diversa daquela bobagem dita pelo ministro Joaquim Barbosa, de ouvir as ruas. Vivemos tempos algo sensíveis a esse tipo de pregação. Líderes dos vários fascismos europeus das décadas de 30 e 40 do século passado endossariam a fala do petista. E o mesmo fariam lideranças fascistóides hoje em dia, à moda Chávez, Evo e Correa.

Fonte: Reinaldo Azevedo
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14/05/2009 -  10:46     

Eu estou me lixando para você, leitor

Roberto DaMatta14/05/2009

Roberto DaMatta

Se eu digo isso o jornal me despede; se um comerciante tem essa atitude, ele vai à falência; se um pai de santo, ministro, rabino ou sacerdote repete o mote, ele faz suas orações sozinho e não salva ninguém; se um professor adota esse credo, ele não merece dar cursos; do mesmo modo que um médico, um juiz, um policial, um engenheiro e um advogado deixariam morrer os doentes, perderiam o senso de justiça, do limite e da eficiência. Seria o fim deste nosso mundo chamado de moderno, e olha que eu estou apenas mencionando as profissões mais estabelecidas.

Quando um membro do Parlamento, um servidor público importantíssimo e privilegiado porque representa uma massa de desejos e esperanças de uma região do país diz que está “se lixando para a opinião pública”, como fez o deputado federal Sérgio Moraes, do PTB do Rio Grande do Sul, ele não fala apenas uma triste verdade; ele revela a nossa ignorância do que é viver numa sociedade democrática e liberal. O credo do “estou me lixando” não é privilégio do deputado gaúcho, mas da hierarquia existente entre os que têm poder e nós, as pessoas comuns. Ela foi dita por Sérgio Moraes, mas está implantada no imenso vazio existente entre as formalidades – as tais instituições e leis, que vão resolver tudo e são feitas por ideologias, governos e decretos – e as crenças e práticas antigas que ainda comandam com força o nosso sistema. A questão não é a de denunciar a clara arrogância do parlamentar, o problema é tomá-la como um claro sintoma da total separação entre o lado de lá e o de cá do balcão. Pois quando parlamentares se lixam para a opinião pública eles perdem a consciência de que foram por ela eleitos!

Como um médico pode se lixar para um doente, um professor para um aluno, um vendedor para seu cliente e um deputado para a opinião pública se, em todos os casos, esses são papéis sociais complementares que existem em total interdependência, já que ser médico implica enfermos, ensinar supõe um aprender, e não há venda sem compra; tal como ser um representante do povo aciona automaticamente a ideia de um representado: o próprio povo. Esse representado cujo espírito ou índole (ou “vontade geral” como disse Rousseau) forma o que nós, democratas e modernos, chamamos entre outras coisas “opinião pública”, esse quarto ou quinto poder em qualquer democracia liberal; esse sistema nebuloso que tem todos os defeitos mas que, quando opera com liberdade, se caracteriza pela constante renovação de seus valores. Esses valores inatingíveis como liberdade, igualdade e fraternidade. Essas causas perdidas em perpétua busca de encarnação institucional e política.

Não se precisa ir a Locke, a Rousseau ou a Weber para descobrir que a legitimidade se faz justamente na relação que o sistema representativo moderno esconde e revela. Revela-se no processo eleitoral quando os candidatos se dizem pais, protetores ou representantes do povo, o qual, num mercado dos candidatos, escolhe os de sua preferência. E esconde-se nas rotinas parlamentares nas quais esse laço deve ser renovado e honrado na busca de leis, causas e projetos que façam avançar a vida dos representados. A menos que se reinterprete, como sempre fazemos no Brasil, o liberalismo pelo viés aristocrático mal resolvido, vigente na sociedade, e se admita que a investidura num cargo público conceda ao investido a propriedade deste cargo como ocorre nas aristocracias. Nelas, a legitimidade está apenas do lado da nobreza que, por direito divino, é definida como superior à plebe, mas cuja obrigação seria dela “cuidar”, como tem redescoberto o nosso populismo. A nobreza, porém, perde legitimidade quando o laço de honra, de obrigação e de honestidade que deve marcar os seus laços com a plebe não é levado a sério. Ou seja, quando ela faz como o deputado e se lixa para a opinião pública. Maria Antonieta e os Luíses não se lixavam, mas davam pão e circo para o povo. Sabiam que, entre governantes e a opinião pública deveria haver algo mais do que descaso, insulamento político e arrogância aristocrática.

Nas democracias, se o laço entre representantes e representados torna-se tênue, instala-se um processo de ilegitimidade. Ora, esse lixar-se para a opinião pública revela o tamanho da crise de legitimidade que decorre da aristocratização dos governantes, ao lado de uma sociedade redemocratizada pela livre iniciativa, por um mercado cheio de energia e por uma moeda estável: um único dinheiro que vale a mesma coisa para todos. Num Brasil onde todos pagam uma enormidade de impostos e, com eles, os salários de todos os governantes, vai ficando cada vez mais intolerável ter câmara, parlamentos, ministérios e executivos aristocratizados com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Mais: vai ficando impossível verificar que é a sociedade que trabalha para o Estado e não o justo oposto.

É duro observar uma súcia majoritariamente incompetente (com alguns criminosos em seu meio) viver como nobres e milionários, tendo, além de tudo, o desplante de declarar que nós, a opinião pública, nada temos com eles.

Fonte: Millenium

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