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24/07/2009 - 17:39

A vontade geral dos totalitarismos.

Recentemente, em uma audiência do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Joaquim Barbosa trocou farpas pessoais com outro Ministro, Gilmar Mendes, afirmando que este estava arruinando o judiciário. Revidando a provocação, Gilmar Mendes disse que o seu colega não tinha condições de dar lições de moral. Ao ouvir a resposta, Joaquim Barbosa revidou: - “Saia à rua, ministro Gilmar, saia à rua, faça o que eu faço!”.há sim o palpite da massa, o argumento da popularidade, um sofisma inaceitável para quem ocupa um cargo de tamanha importância. O palpite se tornou o dom supremo de deliberação do magistrado.

Todavia, não podemos culpar somente o ministro. A constituição brasileira é, essencialmente, demagógica. Quando a Carta Magna, no parágrafo único do art. 1 diz que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”, há uma margem para a destruição da democracia. De fato, a sementeira do mal está na visão de Rousseau, que coloca a idéia da “vontade geral” acima de valores transcendentes na política. A questão chega a ser idolátrica: se todo poder soberano emana do povo, personificado numa ilusão de um todo coletivo, logo, este povo acaba sendo equiparado ao plano divino, acima de qualquer sentido de valor, moralidade ou transcendência, e o imanente, o circunstancial, o terreno, estará acima do bem e do mal. “Todo poder emana do povo” quer dizer que o povo é uma espécie moderna de deus. E a Constituição, uma forma laicizada de revelação divina. É, em suma, um componente abertamente revolucionário, quase que como uma religião civil (algo que de fato Rousseau idealizou para o seu “contrato social”). Entendamos um paradoxo na visão rousseana: a “vontade geral” não se confunde com a vontade dos indivíduos isolados, e sim com uma “vontade” em torno do conjunto, como se os atributos comuns da coletividade pudessem fabricar uma homogeneidade no âmbito político. Há, inclusive, uma confusão imperdoável que ele faz entre a vontade coletiva e o chamado “bem comum”, tornando a idéia do todo coletivo, que bem poderia ser a “vontade popular”, num dom infalível. Se a sociedade política é tão somente um reflexo da famigerada “vontade geral”, ela pode ser qualquer coisa, porque a vontade abarca o infinito, o arbitrário, o ilimitado. No final das contas, o Estado se torna uma abstração com vontade e consciência próprias, acima dos desejos individuais isolados dos cidadãos. E a “vontade geral” se absolutiza na figura do Estado. Ou pior, absolutiza o Estado.

Voltemos ao Ministro do Supremo. A idéia dele de conclamar a voz das “ruas” encarna a premissa de que os humores momentâneos da massa estão acima das próprias leis constitucionais que eles, mesmos, como juízes, julgam. Ou seja, se nos termos da Constituição, a vontade geral do povo é o poder absoluto, logo, esse poder pode adulterar e destruir a própria Carta Magna, inclusive, seus direitos e garantias individuais. A emanação absolutista da “vontade geral” é, paradoxalmente, uma das maiores contradições das democracias liberais modernas. Pois uma de suas premissas, ou seja, o da chamada “soberania popular”, são perfeitamente refratárias e inimigas das liberdades democráticas. Até porque o princípio é abertamente totalitário.

Se não bastasse o clamor do Ministro Joaquim Barbosa, um grupelho de oportunistas, que se auto-intitulou “Saia às ruas”, aproveitou a chamada para espezinhar o Ministro Gilmar Mendes, exigindo sua exoneração. A tal voz das ruas, ao arrepio das leis, acha que pode resolver as pendengas políticas no grito. Não há leis e Constituição para coibir a fúria dos incautos. Basta que uma corja autonomeada esperneie para se declarar a expressão máxima do palpite do populacho e destruir todas as estruturas orgânicas que protegem a democracia da tirania. Como a esquerda é mestra nas turbas autonomeadas na “vontade do povo”, é também precursora, na base do grito ou chantagem psicológica, da ameaça a autonomia do judiciário, transformando-o numa espécie de tribunal ideológico. De fato, é assim que pensa gente do naipe do Ministro da Justiça Tarso Genro, embebido na perversa doutrina do “direito alternativo”.

Por falar em “vontade geral”, um filme que marcou época na história do século XX, sem dúvida, foi o documentário do Partido Nazista, “O Triunfo da Vontade”, de Leni Riefenstahl. Uma das coisas que mais me incomodaram no filme não foram tanto a beleza das cenas medievais de Nuremberg, o jogo inovador de filmagens e a magia teatral dos comícios e marchas nazistas. O incômodo mesmo foi ver o triunfo da vontade de Hitler, na figura de milhões de pessoas padronizadas militarmente em torno de uma só idéia e uma forma uniformizada de organização. A mensagem das cenas transmite a seguinte questão: a pessoa humana, através de sua integridade e suas peculiaridades, não vale absolutamente nada. É uma figura perdida e atomizada no meio da massa obediente e servil como curral partidário e estatal. Por outro lado, os comunistas teatralizaram a “vontade geral” nos julgamentos-farsa contra dissidentes, em particular, nos famosos processos e expurgos do Partido Comunista em Moscou, em 1936. A ralé histérica fazia claque nos julgamentos e pedia a morte do “inimigo do povo”, enquanto os juízes soviéticos e mesmo Stálin fingiam constrangimento. Por vezes, para tornar a farsa ainda mais convincente, havia comícios e marchas “populares” pedindo a destruição dos “sabotadores” do Estado soviético, como se cada cidadão fosse algum criminoso em potencial. Isso engendrou um clima de paranóia e loucura sem fim na União Soviética e milhões de pessoas foram presas ou deportadas para os campos de concentração. Cada vizinho bisbilhotava seu vizinho, cada indivíduo era suspeito e o Partido-Estado, junto com sua polícia política, a NKVD, espionava a tudo e a todos. O “coletivo”, a “vontade geral”, “indestrutível” nas palavras de Rousseau, tornou-se um monstro capaz de consumir e aniquilar os próprios indivíduos. Os nazistas e os comunistas têm sólido débito com Rousseau. A ditadura de partido único, com suas organizações de massa, foi a idealização concreta da “vontade geral”, dentro de um sistema de uniformidade política. E a sua religião civil estatal virou o culto da nação, da raça ou da classe eleita pela história. A diferença entre Rousseau e os totalitarismos, por assim dizer, é apenas questão de estrutura e institucionalidade. O partido único dá conta de ser a “vontade geral” de todo mundo. Gerar forçosamente um consenso foi a coisa mais simples. E ainda há gente que acha que o elemento essencial da democracia é a vontade da maioria!

Porém, essa cantilena da voz do povo parece dominar o espírito do Ministro, já que as suas razões não estão nas leis, mas nas manifestações da chamada “opinião pública”. Como se sabe, “opinião pública”, tal como “vontade geral”, é o conceito amplo, que pode ser perfeitamente distorcido. A pergunta que surge é: quem fala em nome da opinião pública? Quem fala em nome das ruas? Se for analisada a chamada “sociedade civil” com suas ONGs, “movimentos sociais”, escolas e universidades, além da imprensa, a hegemonia da esquerda é quase absoluta. Só que esta é tão somente uma minoria bem organizada e, provavelmente, não representa o grosso do que pensam a maioria dos brasileiros. Será que a justiça ignorará suas leis e suas regras formais, dentro de um Estado de Direito, para fazer valer a opinião de um grupo minoritário, só porque ele se autonomeia porta-voz de uma maioria silenciosa? A experiência histórica não engana: esses porta-vozes da “vontade do povo” não representam nada do povo. Representam a apenas a sua vontade política em causa própria.

Não será o mesmo dilema para o Ministro Joaquim Barbosa, quando ele apela à “voz da rua”, como se os juízos vulgares da massa pudessem superar o bom senso e a imparcialidade dos juízes? Qualquer pessoa de bom senso sabe que as opiniões comuns do povo são as mais toscas, as mais superficiais, produtos, muitas vezes, de lugares-comuns produzidos pela imprensa e por facções políticas poderosas. É lamentável que alguém, supostamente preparado para a salvaguarda das leis, faça dos palpites rasteiros da massa um pretexto para a legitimidade de suas idéias ou pendengas com outros ministros. Se tais idiossincrasias demagógicas germinam na cabeça de um juiz do Supremo, que dirá então se o rebanho começar a ditar regras, ao arrepio das leis instituídas, e os magistrados acatá-las? Todos os mais aberrantes totalitarismos nascem de uma fictícia “vontade popular” compacta, elevada na sacralização do poder estatal que diz emaná-la. Entretanto, o Sr. Ministro não está sozinho na premissa arbitrária que expôs para sua defesa. A própria democracia se permite a isso. A política moderna diviniza a vontade popular. Tais as origens intelectuais das aberrações professadas publicamente pelo ministro. . . Aquela frase do ministro foi profundamente incômoda , por simular uma perversão de linguagem, por trás de um populismo demagógico. Para ele não existe a lei, a Constituição, o decoro ou os princípios morais elementares:

Fonte: Conde Loppeux

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
05/05/2009 - 06:37

O DIREITO SE ACHA NA LEI, NÃO NA RUA. E TRIBUNAL NÃO É ARENA DE ARRANCA-RABO DE CLASSES

Celso de Mello, o decano do Supremo: ele quer o direito achado na lei

É realmente uma pena que a coluna do ministro Joaquim Barbosa o tenha afastado uma vez mais do Supremo Tribunal Federal. Por dois motivos: a) porque a Corte fica sem a sua lente e as suas luzes; 2) porque não pôde presenciar a homenagem que o tribunal fez ao ministro Gilmar Mendes por ocasião do seu primeiro ano na presidência do tribunal. Celso de Mello, o decano da Casa, que paira um tanto acima das divergências em razão de sua ponderação, de seu aprumo técnico e de sua antiguidade na função, leu um discurso realmente memorável, que entra para a história do estado de direito no Brasil. E exibiu, com fartura de dados — que nem sempre são notícia — o trabalho que vem fazendo o presidente do Supremo. Sua fala foi seguida do apoio irrestrito de outros ministros, do advogado geral da União, José Antonio Dias Toffoli, e do advogado Alberto Zacharias Toron, que falou em nome da Ordem dos Advogados no Brasil. As instituições respiram no país, embora rondadas por uma gripe: o espírito de porco do populismo.

Que a Justiça brasileira seja lenta e, eventualmente, injusta, isso não é segredo para ninguém Resolve-se esse problema com reformas e medidas concretas, não com revoluções e proselitismo ideológico. Até porque as revoluções costumam ser fontes legitimadoras das novas injustiças influentes, e o proselitismo turva o debate com o anseio de reparações que estão fora da órbita do justo, do equilíbrio, e, não raro, flertam com o justiçamento. Celso de Mello, em sua fala (íntegra de todos os discursos aqui), lembrou algumas das ações — e não de conversa mole — empreendidas pelo tribunal, sob o comando de Mendes, que resultam numa Justiça mais célere e atenta aos interesses da população. E ela será tão mais eficiente quanto mais se ativer às leis, à Constituição, não ao alarido das ruas.

O MEMBRO DE UMA SUPREMA CORTE QUE NÃO SOUBER QUE, MUITAS VEZES, É PRECISO PRESERVAR O POVO DE SUA PRÓPRIA SANHA JUSTICEIRA NÃO MERECE OCUPAR AQUELA CADEIRA. PORQUE, ENTÃO, LHE FALTARÃO ESTOFO, FORMAÇÃO INTELECTUAL, LEITURA, DISCERNIMENTO.

- Numa democracia, os tribunais informam as ruas, mas as ruas não informam os tribunais.
- Numa democracia, os juízes ensinam ponderação ao povo, mas o povo não ensina fúria aos juízes.
- Numa democracia, os juízes ensinam tolerância aos intolerantes; mas os intolerantes não ensinam intolerância ao juiz.
- Numa democracia, em suma, os juízes, se preciso, preservam o povo de si mesmo, ensinando que nem mesmo a ele é lícito, no calor das demandas da hora, solapar as bases que garantem os direitos a todo e a cada um.

Por isso um juiz tem de ouvir o espírito das leis, não o espírito das ruas. Porque o espírito das ruas ou é a voz indistinta da maioria, embriagada de sua força, ou é a voz de uma minoria influente que transforma em demanda coletiva o seu interesse particular. A lei? A lei é de todos. Não enxerga classe, cor de pele, origem, confissão religiosa ou o que seja.

A JUSTIÇA É CEGA PARA QUE POSSA ENXERGAR, NÃO PARA QUE POSSA FAZER JUSTIÇA CEGA.

Assim, as palavras de Celso de Mello, exaltando o trabalho do tribunal e o notável desempenho de Gilmar Mendes na defesa do estado de direito, assumem, sim, uma dimensão histórica. Especialmente num momento em que se tenta levar ao tribunal justamente o alarido que confunde; a demagogia que extrai do povo não o desejo de Justiça, mas a indistinção de matizes; a denúncia não de uma eventual disfunção da Corte, mas de sua suposta ineficiência para fazer a “verdadeira justiça”. Na democracia em que vige o estado de direito, a “verdadeira justiça” é só aquela que se faz consoante com as leis.

Repudiei aqui, há dias, um artigo do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ayres Britto, também do STF. Lastimei um conceito que ele lançou ali ao defender o esdrúxulo procedimento do tribunal, que tem dado posse, nos estados, a governadores ilegítimos, porque não-eleitos pela maioria. Inventou Sua Excelência um estranho conceito que atende por “solução democrática de menor extensão”. Não sei o que é isso. A Constituição Brasileira não sabe o que é isso. Quem entende de “solução democrática de menor extensão” é Hugo Chávez. Joaquim Barbosa, seu colega de tribunal, no infeliz episódio em que atacou Gilmar Mendes, recomendou a este que ouvisse as ruas. Não! Mendes, Barbosa e todos os outros têm de ouvir apenas as leis. O Congresso ouve as ruas. Ou faremos eleição direta para juízes. A democracia, em escala universal — no universo em que existe ao menos —, houve por bem não adotar tal procedimento para uma corte suprema.

E Celso de Mello foi verdadeiramente maiúsculo ao afirmar, dirigindo-se a Gilmar Mendes:
“Quando da posse de Vossa Excelência na Presidência desta Suprema Corte, salientei que incumbe, ao Supremo Tribunal Federal, o desempenho do dever que lhe é inerente: o de velar pela integridade dos direitos fundamentais de todas as pessoas, o de repelir condutas governamentais abusivas, o de conferir prevalência à essencial dignidade da pessoa humana, o de fazer cumprir os pactos internacionais que protegem os grupos vulneráveis expostos a práticas discriminatórias e o de neutralizar qualquer ensaio de opressão estatal.
Acentuei, então, Senhor Presidente, que esta Suprema Corte possui a exata percepção dessa realidade e tem, por isso mesmo, no desempenho de suas funções, um grave compromisso com o Brasil e com o seu povo, e que consiste em preservar a intangibilidade da Constituição que nos governa a todos, sendo este Tribunal o garante da integridade da ordem constitucional, impedindo, assim, com atuação firme e independente, que razões de mero pragmatismo ou de simples conveniência de grupos, instituições ou estamentos prevaleçam e deformem o significado da própria Lei Fundamental.”

ESSA É A VOZ DE UM MAGISTRADO.

E Celso de Mello foi adiante:
“Na realidade, esta Corte Suprema tem permanecido vigilante na proteção aos direitos e garantias fundamentais de qualquer cidadão.
É preciso que fique claro, Senhor Presidente, que esta Suprema Corte não julga em função da qualidade das pessoas ou de sua condição econômica, política, social ou funcional.”

Perfeito! A luta de classes — ou arranca-rabo, para fazer jus a certas manifestações —não pode, desde a Suprema Corte, tentar trincar a ordem constitucional no país, ignorando fundamentos da doutrina para tentar fazer justiça com a própria toga. É certo que os ministros têm divergências; é certo que nem todos ali, para ficar num clichê, têm a mesma cabeça e, pois, a mesma sentença. Podem e devem divergir. Mas a divergência que não se restringe à interpretação da lei e ao modo de aplicar a norma não é divergência, mas sabotagem. E ela não ameaça o adversário da hora; ameaça é aquele que precisa do tribunal para ter reparado o seu direito agravado: a população.

Os demais ministros se manifestaram. Falaram também, como informo no início, o advogado geral da União e o representante da OAB. Mello lista as realizações do Supremo e se evidencia, então, além da bruma, o trabalho de longo prazo de Gilmar Mendes. Trabalho realizado com destemor. Se há um homem no país que não cede às patrulhas, é ele. Se há uma autoridade que não teme a delinqüência a soldo que tomou conta da Internet, especialmente nos blogs de larápios (alguns são ladrões de dinheiro público mesmo), é ele. E, por isso, a delinqüência organizada o escolheu como alvo.

Sob o pretexto de que o Supremo deve ser de todos, querem arrastá-lo para as ruas, onde, então, ele seria apenas de alguns. O Supremo, ontem, disse claramente que pretende ficar com as leis e com a democracia. EM SUA MAIS LONGA EXTENSÃO.
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Veja no YouTube:
Parte Um
Parte Dois
Parte Três
Parte Quatro

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
28/04/2009 - 07:43

Que absurdo! Gilmar Mendes diz que a Constituição ainda vale no Brasil! Como pode, né?

No Globo Online. Comento depois:
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, manteve suspenso o curso de medicina veterinária criado na Universidade Federal de Pelotas exclusivamente para assentados no programa de reforma agrária do governo federal.
O Ministério Público Federal sustentou que o sistema era inconstitucional, pois representava uma afronta ao princípio da igualdade privilegiar apenas um grupo de pessoas com o acesso à educação superior. Diante desse argumento, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região suspendeu o curso.
Nesta segunda-feira, Gilmar Mendes manteve a decisão, no julgamento de um recurso do Incra. O curso foi criado por convênio celebrado entre o Incra, a universidade e a Fundação Simon Bolívar, de Pelotas.
Segundo Gilmar Mendes, “a Constituição garante igualdade de acesso e permanência ao ensino público de qualidade conforme a capacidade de cada um. Impõe ainda que o acesso ao ensino seja realizado de modo isonômico”.

Comento
Era só o que faltava. Gilmar Mendes, nada menos do que presidente do Supremo, vai começar agora com essa história de dizer que a Constituição do Brasil ainda está em vigor? Que absurdo!

Gilmar Mendes tem de fazer como Joaquim Barbosa. Deixar de lado essa história de Constituição e ir almoçar no Rio, em dia útil, para testar sua popularidade.

Gilmar Mendes tem de fazer como Ayres Britto. Mandar a Constituição às favas e optar, como é mesmo, por soluções de “menor extensão” democrática…

Se Gilmar Mendes continuar com essa obsessão de fazer valer o estado de direito, há um risco, ainda que remoto, de o país realmente passar a viver a democracia que está consubstanciada nas leis. E, aí, vocês sabem: com democracia, não será mais possível fazer a verdadeira justiça, aquela cheia de “legitimidade ética”, como também definiu o poeta Ayres Britto.

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2009 - 08:33

PELEGRINO, O PETISTA QUE DECIDIU PUNIR O MORDOMO

Santo Deus!

O troféu Corajoso do Ano vai para o deputado Nelson Pelegrino (PT-BA). Não é que o relator da CPI dos Grampos decidiu, em seu relatório, NÃO pedir o indiciamento dos delegados Protógenes Queiroz e Paulo Lacerda nem do banqueiro Daniel Dantas?

Justificativas?

Para tirar Lacerda do relatório, ele nada alegou. E olhem que as evidências de irregularidades da atuação da Abin na Satiagraha são escandalosas. No caso de Protógenes e Dantas, ele fiz que eles já estão indiciados em inquéritos ou denunciados em processos penais.

Entendi! Trata-se de uma pequena revolução no mundo das CPIs… Mas o mordomo e o copeiro não escaparam da pena do severo Pelegrino. Ele pede o indiciamento de um sargento da Aeronáutica acusado de atuar para Protógenes e de dois policiais e um detetive particular por suspeita de interceptação ilegal em outros casos. Ele quer indiciar quem trabalhou para Protógenes e Lacerda, mas não Protógenes e Lacerda. O senso de Justiça desse homem pede um estudo acadêmico.

Trata-se de um vexame monumental. O governo e o PT se mobilizaram para livrar a cara do delegado Paulo Laceda, o “homem que sabe demais” e que já avisou que não aceitaria ser massacrado. Ganhou como prêmio um cargo de adido policial (!?) na embaixada brasileira em Portugal.

O PSDB e o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), apresentarão votos em separado propondo ao Ministério Público o indiciamento dos três. A votação está marcada para terça.

O PT dá mais uma contribuição para a desmoralização das CPIs, o que faz de modo organizado e sistemático desde a CPI do Mensalão.

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2009 - 08:19

Quando mato a cobra, mostro também a cobra…

(leia primeiro o post abaixo)
A crítica mais dura que fiz a Joaquim Barbosa foi publicada no dia 25 de dezembro do ano passado, conforme se pode ler abaixo:
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De negros, brancos, homens e mulheres no STF, só espero que sejam justos
Lastimável, sob qualquer ponto de vista que se queira, a entrevista de Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal à Folha de hoje (ver post da madrugada). Já há gente demais no país criando falsas clivagens entre pobres e ricos, nortistas e sulistas, brancos e negros etc. Não precisávamos que um ministro do STF também o fizesse, movido por um sentimento que não tem cor, origem social, etnia ou sexo: a vaidade.

Apelar a questões raciais — ou, no caso, racialistas — é nada mais do que uma forma de vencer um debate ou confronto intelectual mesmo sem ter razão. Se, num dado momento da refrega, um dos lados apela: “Você diz isso só porque sou negro, gordo, mulher, bicha, anão…”, o mérito da questão já ficou a léguas de distância: o objetivo é só silenciar o adversário.

Leiam pergunta e resposta:
FOLHA – A mídia o aponta como o ministro que mais se desentende com os colegas. O sr. é uma pessoa de temperamento difícil?
JOAQUIM BARBOSA -
Engano pensar que sou uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento, uma pessoa difícil. Eu sou uma pessoa altiva, independente e que diz tudo que quer. Se enganaram os que pensavam que, com a minha chegada ao Supremo Tribunal Federal, a Corte iria ter um negro submisso. Isso eu não sou e nunca fui desde a mais tenra idade. E tenho certeza de que é isso que desagrada a tanta gente. No Brasil, o que as pessoas esperam de um negro é exatamente esse comportamento subserviente, submisso. Isso eu combato com todas as armas.

A resposta é um desastre. Quem, afinal, esperava um “negro submisso” no Supremo? Eu nunca imaginei, pra começo de conversa, que Barbosa estivesse lá porque é negro. Sempre pensei que o presidente Lula e sua equipe tivessem feito a seguinte consideração: “Olhem, dos candidatos que temos aqui, Joaquim Barbosa é o que tem melhor currículo”. E é negro. Se o petismo pensou em cotas, não sei. Negros como Joaquim Barbosa são 6% da população brasileira. Fosse uma questão de representação, agora eles são 9% do tribunal.

Mas um tribunal, suponho, não deve ser pensado assim, não é? Ou o próximo ministro terá de representar os, dizem, 10% de homossexuais — além de equilibrar a representação das mulheres, que deveriam ocupar 5,5 cadeiras no Supremo. Não sendo possível, restaria a questão de arredondar para cima ou para baixo. E outras demandas, à medida que fossem se tornando influentes, teriam de estar espelhadas no grupo. Não teríamos mais uma corte com aspirações universalistas, mas uma um tribunal balcanizado por demandas estranhas aos autos.

Joaquim Barbosa diz que esperavam um negro submisso no tribunal. E atribui certas pendengas em que se envolve ao fato de ser altivo — segundo a sua fala, um negro altivo. Logo, ou atribui essa altivez ao fato de ser negro ou a entende como uma postura defensiva que se associou a tal condição, de sorte que o “ser negro”, num dado momento, se sobrepõe ao “estar juiz”. Muitos diriam: “Mas é claro, ele já era negro antes de ser juiz”. Fato. Mas, para o tribunal, isso não tem — ou não deveria ter — a menor importância.

Agora leiam isto:
BARBOSA - A imprensa se esquece de dizer quais foram as razões pelas quais eu tive certos desentendimentos. Quase sempre foram desentendimentos nos quais eu estava defendendo princípios caros à sociedade brasileira, como o combate à corrupção no próprio Poder Judiciário. Sem aquela briga com o ministro Marco Aurélio, o caso Anaconda não teria condenação e cumprimento de penas pelos réus.

Se há alguém que não pode reclamar da imprensa, é Joaquim Barbosa, que teve tantas vezes reconhecidos seus méritos — e isso nada tem a ver com seu temperamento; e seu temperamento nada tem a ver com a sua origem social ou a cor de sua pele — que raça não é. Ademais, não é preciso ser muito bidu para entender, de sua fala, que, no caso da Operação Anaconda, ele teria propugnado pela punição, e seu colega Marco Aurélio, pela impunidade. É isso? Se não é, tem de se explicar. O conjunto da obra é péssimo na boca de um ministro do Supremo. E não parou por aí.

FOLHA – Uma crítica recorrente é que o Supremo favorece as elites. Como o sr. vê essa observação?
BARBOSA -
Eu ainda não amadureci a minha reflexão sobre isso. Mas há uma coisa que me perturba, que me deixa desconfortável aqui no tribunal e na Justiça brasileira como um todo. É o fato de que certas elites, certas categorias monopolizam, sim, a agenda dos tribunais. Isso não quer dizer que eu esteja de acordo com a frase de que o tribunal favorece as elites. Monopolizam a agenda.

Acima vai o seu pior momento, sintoma da gradual deterioração institucional do país. Membro do Supremo, ele ainda “não amadureceu a reflexão” sobre a acusação de que a corte “favorece as elites”. Ora, a simples dúvida deveria ser o bastante para que ele renunciasse e passasse, então, fora do tribunal, a atacar os seus desvios elitistas. E ele aponta, então, a capacidade das “elites” (sempre elas) de monopolizar o tribunal, conferindo ares de verdade à indagação-afirmação. E dá depois um pé na coerência, sustentando que não concorda com a acusação. Não refletiu o bastante ou não concorda? Não concorda mesmo sem refletir o bastante?

Imaginem, só para efeitos de comparação, um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos que sugerisse estar sendo alvo de preconceito racial e que pusesse, ainda que de forma oblíqua, em dúvida decisões do tribunal. Não imaginem. Porque não há a menor chance de que isso venha a acontecer — como também não acontece de um juiz atacar publicamente o voto do outro.

Barbosa é negro? E daí? Ainda que fosse verde, nada perdoa a estultice de sua fala. De negros, brancos, mulheres, homens etc no tribunal, ministro, só espero que sejam justos. Até porque, se um negro deve responder com altivez desmesurada a uma suposta expectativa de subserviência, um branco deveria reagir com modéstia excessiva e timidez à expectativa contrária: a da arrogância. Em qualquer dos casos, teríamos maus juízes.

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2009 - 08:16

“Ó Joaquim, pára de se sentir vítima porque tu fostes o primeiro negro a chegar ao STF”

Por Rui Nogueira, no Estadão:

O maior dos problemas do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal não é de relacionamento pessoal, apesar das palavras usadas no bate-boca com o presidente da corte, Gilmar Mendes. Oriundo do Ministério Público, Barbosa não gosta que o Judiciário conteste as ações dos procuradores e da Polícia Federal e acha que o STF é uma corte de “proteção dos ricos”.
Mendes, Cezar Peluso, Carlos Alberto Direito, Eros Grau, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowsky e Cármen Lúcia formam uma maioria absoluta que isolou Barbosa ao adotar uma linha em defesa dos direitos individuais e contra a ideia de que a PF e o Ministério Público podem investigar e processar à vontade, mesmo atropelando a lei, em nome de uma “ação justiceira contra os ricos, empresários e poderosos em geral”. A ação do STF, comandada por Mendes, tem combatido, por exemplo, o que a maioria dos ministros considera “decisões abusivas” na decretação de prisões preventivas e temporárias, nas operações da PF.

Bananas

O bate-boca de quarta-feira explicitou a divisão dentro do STF e o verdadeiro conflito: a existência de um juiz disposto a exercer o ofício com base no chamado clamor popular. Para a maioria dos ministros, Barbosa reafirmou essa posição ao dizer a Mendes que ele não está em sintonia com as ruas, devendo, portanto, se pautar pelo sentimento popular.
Numa sessão de turma, longe das câmeras da TV Justiça, Barbosa teve um dos mais sérios embates com Eros Grau. Ao criticar a concessão de um habeas corpus para o advogado Arnaldo Malheiros, que atua na defesa do banqueiro Edmar Cid Ferreira, do Banco Santos, Barbosa disse que a decisão fazia do Brasil uma “república de bananas”. O advogado havia tido o e-mail dele violado. A expressão irritou o ministro Eros Grau, que também naquela ocasião bateu boca com o colega.
Barbosa se sente desprestigiado e desrespeitado e queixa-se frequentemente de perseguição e da maneira como é tratado pelos colegas da corte, e não apenas por Mendes. O assunto chegou a ser discutido, de maneira descontraída, em um jantar na casa de Eros Grau, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Brincando, Lula virou-se para Barbosa e disse: “Ó Joaquim, tu tens de superar essa mania de perseguição. Bola pra frente e para de se sentir vítima porque tu fostes o primeiro negro a chegar lá (ao STF). Eu só tenho quatro dedos, não tenho diploma universitário e não sou perseguido.”
O ministro é visto pelos colegas mais como um “procurador” e menos como um “jurista”. Por isso se irrita sempre que é contestado e tem os erros conceituais expostos.
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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