O TrOgLoDiTA

Divagações…

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09/07/2009 -  12:31     

Irã dá aula de democracia ao Brasil.

No Irã, o ministro que falsificou um diploma de doutorado foi derrubado pelo Parlamento. Aqui, nenhum deputado e nenhum senador se manifesta a respeito.

Lula é amigão do Mahmoud Ahmadinejad. Se aqui tivesse Congresso, Lula estaria pedindo conselhos ao iraniano sobre um escândalo que surgiu no seu governo. Trata-se da informação falsa fornecida por Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, de que tinha um mestrado e um doutorado pela Unicamp. Não tinha. Era mentira. É que o Ahmadinejad tem experiência, viveu a mesma situação. Com uma diferença. Por incrível que pareça, no Irã existe um Parlamento que funciona, ao contrário do Brasil, onde temos esta latrina a céu aberto, esta pocilga, este chiqueiro chamado Congresso Nacional. Em novembro passado, o parlamento iraniano derrubou o ministro do Interior, Ali Kordan, acusado de falsificar seu diploma de doutorado em Direito na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ele havia admitido que o diploma era falso, mas disse ter sido enganado. Sua demissão foi considerada uma derrota para o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. A decisão de afastar o ministro falsificador por conduta desonesta foi aprovada por 188 dos 247 deputados presentes ao Parlamento. Aqui no Brasil, a ministra mais forte, a candidata oficial à Presidência da República, falsifica informações sobre a sua vida acadêmica e nada acontece. Nenhum senador sobe à tribuna e exige explicações. Nenhum deputado faz um discurso indignado à nação. Os dados falsos acompanham há anos a biografia da ministra, que tanto se orgulha do seu passado de guerrilheira e da sua atividade política na clandestinidade. No mínimo, a ministra Dilma deveria ser instada a fazer um pronunciamento pedindo desculpas pela mentira deslavada que a fez ser olhada com respeito acadêmico, quando na verdade estava falsificando os seus dados na Plataforma Lattes. No Irã, os parlamentares demitem ministros que fornecem informações falsas. Aqui no Brasil, os nossos congressistas ficam calados, como se o fato não tivesse a mínima importância. Voto pela instituição da forca no Brasil, a exemplo do Irã.
Fonte: Coturno Noturno
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29/06/2009 -  11:52     

Eis aqui, leitor, um intelectual de verdade

bernard-lewis

Por Roberto Simon, no Estadão:
A atual tormenta política no Irã não se restringe a indivíduos como a manifestante Neda Agha Soltan, que teve sua morte registrada em vídeo, a líderes opositores como Mir Hossein Mousavi ou a homens do regime como o líder supremo, Ali Khamenei. Trata-se, sobretudo, de uma crise de “legitimidade da própria ideia de república islâmica”. A opinião é do mais influente historiador vivo do Oriente Médio, o britânico catedrático da Universidade Princeton Bernard Lewis. Aos 93 anos, ele disse por telefone ao Estado que o Irã vive “um estágio de autoritarismo experimentado em outros sistemas revolucionários, como França e URSS”. E alerta: “O problema não é só que o Irã quer a bomba, mas que é bem capaz de usá-la.”

Como o senhor avalia os protestos no Irã? A combinação de uma república, de fisionomia ocidental, com uma teocracia islâmica está em crise?
Já faz muito tempo que a população iraniana está cada vez mais descontente com seu governo. Agora, isso está vindo à tona. Mas não é algo novo. Acho que há uma perda de legitimidade do regime. Tem-se a impressão de que não se trata de uma objeção restrita a indivíduos. Há um sério questionamento de toda a ideia da república teocrática que foi estabelecida pelos assim chamados “revolucionários” de 1979.

Há ameaça à existência do regime?
Sim, está começando a parecer um desafio à preservação do governo. Até agora, o regime tem demonstrado uma extraordinária durabilidade e convicção, seguindo seu rumo por 30 anos, apesar do que foi feito contra ele.

Analistas dizem que o regime de Ali Khamenei está se tornando uma típica ditadura do Oriente Médio, sem espaços de liberdade, como eleições.
Já é uma típica ditadura. As eleições são encenação. Elas não são o que esperamos que sejam.

O que a história persa pode nos dizer sobre a atual situação? O sr. escreveu, por exemplo, sobre a influência da religião maniqueísta na cultura iraniana. Como essas heranças se manifestam?
É preciso ter em mente que a maioria dos países da região que hoje chamamos de Oriente Médio é uma criação moderna. São invenções recentes, com suas fronteiras desenhadas por estadistas ocidentais. O Irã não é isso. Ele é uma nação antiga, um país e uma nação no sentido ocidental dessas duas palavras. O Irã existe há milênios. Há um sentimento real de nacionalidade e patriotismo entre os iranianos. É algo diferente da maior parte dos países da região, nos quais não há patriotismo. Eles só têm um nacionalismo simples ou uma identidade religiosa. O Irã é um país real, com forte senso de identidade nacional e histórica. É isso que vemos em exercício agora.

Como o sr. avalia ascensão iraniana no Oriente Médio?
Isso certamente é visto por muitos como uma ameaça, algo que se manifesta de várias maneiras. Alguns enxergam o problema de uma perspectiva nacional: o Irã não é árabe. Vizinhos árabes veem tentáculos iranianos se estendendo por uma rota ao norte, do Iraque à Síria, e por uma rota ao sul, em Gaza. Isso é tido como uma ameaça mortal. Esse é o aspecto nacional, pode-se chamá-lo ainda de imperialismo iraniano. Outros sentem-se ameaçados pelo que pode ser definido como o aspecto radical-revolucionário. É preciso lembrar que a maior parte dos regimes no Oriente Médio é de autocracias que governam povos mais ou menos descontentes. Os iranianos tiveram uma verdadeira revolução. O termo “revolução” é pouco usado por governos no Oriente Médio. Mas o que ocorreu no Irã foi uma verdadeira revolução – no mesmo sentido que usamos a palavra para nos referirmos à Revolução Francesa ou à Revolução Russa. Os revolucionários iranianos passaram pelos mesmos “cenários” dessas duas outras revoluções e estamos agora numa fase que pode ser chamada de stalinista ou napoleônica.
(…)
O sr. escreveu sobre a rivalidade de mais de 14 séculos entre as civilizações cristã e islâmica. O fato de um negro descendente de muçulmanos, chamado Barack Hussein Obama, comandar os Estados Unidos muda alguma coisa? Pode Obama influenciar o que o sr. definiu como “choque de civilizações”?
Acho que não. É preciso ter em mente que o mundo muçulmano está iniciando agora o século 15 da era islâmica. Acredito que estamos lidando com fenômenos que remontam ao início de nosso século 15. Quero dizer, por exemplo, que para o Ocidente o termo “cruzada” tornou-se inaceitável. A ideia de uma guerra religiosa não é mais admissível para nós. Mas para a maioria das pessoas no mundo islâmico isso é aceitável. Eles tendem a ver as “batalhas” de hoje como uma fase da guerra iniciada pelo próprio Profeta Maomé. Há várias religiões no mundo, mas até onde sei existem apenas duas que acreditam ser as verdadeiras detentoras da mensagem de Deus ao homem. Elas teriam a verdadeira fé e seria um dever não mantê-la para si mesmas – como fazem o judaísmo e o hinduísmo – e espalhar essa mensagem pelo mundo, removendo qualquer obstáculo que tiverem pelo caminho. Isso desapareceu na maior parte do mundo cristão. Mas ainda se manifesta no mundo islâmico. Eles veem um conflito ocorrendo entre fiéis e infiéis. Nos últimos séculos, muçulmanos tiveram dificuldades, foram conquistados pelos infiéis, subjugados. Então, gradualmente se libertaram.

Como seria o futuro dessa luta?
Como eles afirmam, há várias fases consecutivas. A primeira é remover os infiéis da atual terra do Islã. A segunda fase é a de recuperar o que foi perdido – não só Israel, mas na Espanha, Portugal, Sicília, Bálcãs e Índia. A fase final é levar a guerra para a terra dos infiéis e estabelecer uma dominação universal. Não afirmo que todos os muçulmanos veem a situação assim. Mas há grupos significativos que enxergam os acontecimentos nesses termos. Assistindo à mídia muçulmana, não é difícil encontrar esse tipo de discurso. Aqui e Aqui

Fonte: Reinaldo Azevedo

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27/06/2009 -  08:00     

Os tiranos da Internet

Como o povo iraniano tem conseguido burlar o arsenal tecnológico dos aiatolás para bloquear o seu acesso à rede – e ao mundo

Camila Pereira e Renata Betti

A história mostra que qualquer ditadorzinho de aldeia sabe que sua permanência no poder exige censurar opositores. Os jornais são asfixiados economicamente ou simplesmente empastelados. As emissoras de televisão passam para as mãos do estado e vivem de cobrir eventos oficiais e de elogiar os mandatários. Mas como censurar a internet, essa rede caótica sem comando central formada por computadores que podem se ligar por cabos, satélites, retransmissores sem fio e cujos usuários têm meios de esconder facilmente sua identidade? A ditadura chinesa já censura a internet com um grau de sucesso apenas relativo. Mais recentemente, esse desafio foi colocado aos ditadores teocratas do Irã. Desde que o povo começou a se manifestar nas ruas contra o resultado fraudado das eleições presidenciais, os aiatolás passam dias e noites tentando cortar as ligações via internet dos iranianos com o exterior. Aqui

Fonte: Reinaldo Azevedo

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24/06/2009 -  23:59     

Irã culpa terroristas por morte de jovem em protesto no sábado

Neda virou s�mbolo da oposição no Irã

Foto AP – Neda virou símbolo da oposição no Irã

No Estadão On line. Volto depois:
O governo iraniano disse nesta quarta-feira, 24, que o atirador que matou a manifestante Neda Agha-Soltan durante um protesto contra o resultado das eleições presidenciais pode ter confundido a jovem com a irmã de “um terrorista”, informou a agência oficial Irna. Teerã culpou ainda ”grupos que querem criar divisão na nação” pelo assassinato – cujo vídeo circulou na internet – e disse que esses militantes a mataram “para acusar a República Islâmica de diálogo cruel com a oposição”, segundo a rede CNN.
Na terça-feira, o noivo da garota de 16 anos morta no sábado afirmou que as autoridades do país proibiram sua família de realizar um funeral público, de acordo com a BBC Brasil. Uma foto do rosto de Neda ensanguentado foi usada em protestos realizados na capital iraniana e em várias cidades do mundo.
A jovem foi enterrada no domingo, no cemitério Behesht-e-Zahra, na zona sul de Teerã. “Eles nos pediram para sepultá-la numa parte do cemitério que, aparentemente, tinha sido separada pelas autoridades para fazer as covas para as pessoas mortas durante os protestos da semana passada”, afirmou Caspian Makan.
Segundo ele, Neda não estava participando diretamente dos protestos. “Ela estava em um carro, com seu professor de música, a alguns quarteirões de distância, presa no congestionamento. Ela estava cansada e com muito calor, então saiu do carro por alguns minutos”, disse o noivo.
“Foi aí que aconteceu. As testemunhas disseram e o vídeo mostra claramente que prováveis paramilitares Basiji à paisana atiraram nela deliberadamente. Ela foi atingida no peito”, acrescentou. “Ela perdeu os sentidos poucos minutos depois. As pessoas ainda tentaram levá-la para o hospital mais próximo, mas já era tarde mais.”

Comento
Nada de novo no front das ditaduras e tiranias: as evidências de seus malfeitos são sempre obra de adversários e inimigos do regime.

Os protestos continuaram nesta quarta-feira, embora o mundo só saiba deles por meio de Informações fornecidas por manifestantes. A imprensa local está sob severa censura — só trata do caso para demonizar os manifestantes —, e os jornalistas estrangeiros foram expulsos do país.

Segundo o New York Times, a imprensa oficial admite a prisão, até agora, de 645 pessoas, mas organizações ligadas à defesa dos direitos humanos dizem que os detidos passam de 2 mil. Entre os presos, estariam 102 lideranças políticas, 23 jornalistas, 79 estudantes e sete professores universitários.

E o mundo, nesta sua “Nova Primavera”, diz àquele gente: “Danem-se vocês; cada país com os seus problemas”. E Lula, “o cara”, emendaria: “Os vascaínos (ou flamenguistas) precisam respeitar o resultado do jogo”.

Estamos cegos de tanto iluminismo, blindados, se me permitem o trocadilho interlingüístico, por tanta luz.

Fonte: Reinaldo Azevedo

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23/06/2009 -  09:18     

Vídeo de morte de jovem iraniana vira símbolo de protestos

O vídeo acima é chocante. É um pouco mais do que um confronto entre times adversários, conforme definiram os pensadores Ahmadinejad e Luiz Inácio Lula da Silva

Por Sérgio Dávila, na Folha:
As imagens de violência contra manifestantes descontentes com o resultado das eleições iranianas que dominaram TVs e a internet no fim de semana deixaram o presidente Barack Obama “comovido”, segundo seu porta-voz. Ainda assim, o democrata insiste no discurso de não ingerência dos EUA em assuntos internos do Irã.
“Ao longo de sexta, sábado e domingo, ele ficou comovido pelo que viu na televisão”, disse Robert Gibbs, em entrevista coletiva na manhã de ontem.
“Principalmente pelas imagens das mulheres iranianas que lutaram por seu direito de protestar, de falar, de ser ouvidas.” Mas o presidente está cada vez mais convencido da necessidade de não se envolver diretamente no conflito pós-eleitoral, disse o porta-voz.
Em entrevista coletiva pela manhã em Washington, Reza Pahlevi, filho do xá iraniano deposto em 1979 pela Revolução Islâmica que vive nos EUA, disse que a não ingerência de nações estrangeiras era “admirável”, mas que “ninguém vai se beneficiar ao fechar os olhos para as facas e cabos cortando os rostos e bocas de nossos jovens e velhos. Só os tiranos”.
Gibbs disse que Obama se surpreendeu com a intensidade dos protestos no fim de semana, mas não soube dizer se o presidente tinha visto o vídeo feito por um celular que mostra o suposto assassinato de uma jovem iraniana durante manifestações de sábado. Ela foi identificada como Neda Agha-Soltan, ex-estudante de filosofia de 26 anos, que trabalhava com turismo em Teerã.
Segundo o “Los Angeles Times”, que conversou com familiares da vítima, Neda foi morta no sábado, durante protesto em Teerã, pela milícia basij, responsável pelos principais atos de violência contra os manifestantes. Pessoas ligadas ao governo teriam proibido que a família fizesse do velório um evento público, cientes do símbolo que ela virou para o movimento, afirma o diário.
O vídeo mostra uma jovem caindo no chão, com um ferimento no peito que sangra e pessoas correndo para a ajudar, aos gritos de “Neda! Neda!”. O celular a filma no momento em que seus olhos viram para cima e para o lado direito, e ela parece perder a vida naquele momento. Logo, sua boca e nariz começam a sangrar. Um grupo de homens a cerca.
Um deles seria um médico, segundo o escritor Paulo Coelho. “Meu melhor amigo no Irã, o médico que me mostrou a maravilhosa cultura do país quando eu visitei Teerã em 2000, que lutou em nome da República Islâmica (contra o Iraque), que cuidou de soldados feridos no front, que sempre defendeu valores humanos”, escreveu o brasileiro em seu blog. Aqui

Fonte: Reinaldo Azevedo

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16/06/2009 -  16:17     

AS ELEIÇÕES NO IRÃ E AS ESPERANÇAS TOLAS

Comentava ontem  com um amigo as estúpidas ilusões do Ocidente — não, na verdade, as estúpidas ilusões da imprensa ocidental — com as eleições no Irã. Há uma curiosa disjuntiva nesse universo politicamente correto que une academia e imprensa: de um lado, a convicção de que as diferenças culturais devem ser respeitadas e de que não devemos ver “o outro” segundo os nossos padrões. O novo sacerdote desse ponto de vista, claro!, é Barack Obama. Ao mesmo tempo, há um esforço danado para analisar as eleições do Irã segundo os nossos padrões. Não sei se notaram, a tônica da cabertura foi esta: progressistas X conservadores. Parecia que as eleições no Irã mimetizavam as americanas: Mir Hossein Mousavi era tratado como o Obama deles: apoiado pelos jovens, pelas mulheres, com campanha forte na Internet… E Ahmadinejad, o tresloucado presidente atual, era visto, vamos dizer assim, como um reacionário republicano… Ai, meu Deus! Que tédio! Que bode! Como é aborrecido este “Espírito do Tempo” que se sobrepõe aos fatos, à realidade.

Antes que continue, uma observação óbvia. Eu também torcia para que Ahmadinejad, este candidato a besta do Apocalipse, fosse derrotado. Quando menos, um delinqüente explícito a menos no jogo político. Quando menos, ouviríamos menos bobagens. Mas será que Mousavi é mesmo aquele que o Ocidente gostaria que ele fosse? Estaria onde está se pensasse o que a imprensa ocidental e Barack Obama gostariam que pensasse?

Vamos ver: na “democracia iraniana”, que está mais para um fascismo islâmico de massas, os candidatos são submetidos a uma comissão que avalia a sua fidelidade aos princípios islâmicos e à revolução. Qualquer sinal de, digamos, “impureza”, a candidatura é vetada. Mousavi já foi governo. É que agora tirou o turbante e aparece em trajes ocidentais. Mas é, inequivocamente, um deles — embora mais culto e muito mas sofisticado do que o chicaneiro Ahmadinejad. O fato de que fale em negociação com o mundo ocidental e não assuma os extremos de anti-semitismo de seu principal oponente não faz dele um iluminista.

Ele nem mesmo representa uma ocorrência inédita. O mundo já tentou ver Muhammad Khatami, que presidiu o país entre 1997 e 2005, como o, vá lá, “iluminista persa”. De fato, a figura sempre foi doce, caroável até. Nem por isso, seu país deixou de financiar o Hezbollah e o Hamas. Enquanto presidiu o Irã, estava sendo aplainado o terreno em que um delinqüente como Ahmadinejad viria à luz. Mousavi é o Khatami da vez… Pelo visto, não deu certo.

Ainda olhando as eleições iranianas com os olhos com que se vêem as ocidentais, a vitória do “Obama do Irã” chegou a ser anunciada. E o que temos agora? Ou os prognósticos estavam estupidamente errados, ou se assiste a uma fraude eleitoral monumental. Com 61% dos votos, informa o New York Times, Ahmadinejad conta com 66% dos votos, e Mousavi, 31%. Se é assim, o maluco já está reeleito. E a razão é simples. Façamos uma conta com base 100:

- em 100 votos, já foram apurados 61;
- destes 61, 40,26 (66%) são de Ahmadinejad, e 18,91 (31%) de Mousavi;
- falta apurar  39 votos;
- Mousavi precisaria ter 83% dos votos que ainda não foram apurados — para quem, até agora, teve só 31%…

[Com 80% dos votos apurados, Ahmadinejad tem 64% dos votos (18,8 milhões) contra 31% do rival (9,3 milhões). Não dá mais]

Vai dar? Acho que não… O “progressista” derrotado declarou vitória e ensaia, segundo li no NYT, acusar fraude. Mas certamente será contido pelo Conselho da Revolução Islâmica. E chegamos ao ponto.

É o conselho que manda no Irã, não o presidente. Por isso, nos oito anos em que o iluminista Khatami ficou no poder, o Irã, de fato, cuidou de desenvolver o seu programa nuclear — ou alguém acha que isso se fez nos quatro anos do maluco Ahmadinejad? A diferença entre este celerado e os “iluministas” é que o celerado fala o que pensa. Os outros escondem — como esconderam o seu programa nuclear.

Observem: publico este texto daqui a pouco (agora, 21h59) e vou mantê-lo no ar ainda que algum milagre tipicamente persa, tipicamente iraniano, declare a vitória de Mousavi. Não muda nada! Ou até mudaria — e, a depender do caso, para pior: ele era a esperança do “Ocidente” (e “Ocidente”, com aspas, quer dizer “Barack Obama”) para não ter de endurecer com o Irã. Mousavi também defendeu o programa nuclear iraniano, mas ressaltando que é pacífico. Ahmadinejad também declara os bons propósitos — só que não esquece de prometer a destruição de Israel… Nesse particular, tanto faz se o presidente será um ou outro: quem manda mesmo é o Conselho da Revolução Islâmica, de que é chefe o aiatolá Ali Khamenei. “Ah, Reinaldo, mas pense num presidente que fosse mais tolerante, que abrisse mais o Irã para o Ocidente, que desse início a uma nova cultura”. É, pode ser… A era Khatami, reitero, foi muito instrutiva a respeito.

Bobagem obâmica
Obama procurou, oficialmente, ficar longe da disputa etc e tal. Mas ele, o Sabereta (como diria Monteiro Lobato da boneca Emília), padece daquela tentação de ter sempre uma opinião sobre qualquer assunto, a exemplo do nosso Apedeuta. E quem fala demais, Apedeuta ou Sabereta, acaba dando bom-dia a cavalo! O presidente americano fez o mundo saber que, segundo seu severo escrutínio intelectual, o povo iraniano teve a chance de escolher a mudança. Pelo visto, escolheu não mudar. E agora?

Sei que é chato e que pode parecer realmente um absurdo, mas devemos estar preparados para o fato de que, bem…, uma boa maioria dos iranianos possa realmente não gostar desse tal “Ocidente”. Neste meu texto, isso importa pouco. Ainda que Mousavi desse a volta por cima, isso só serviria para embalar esperanças inúteis.

Fonte: Reinaldo Azevedo

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19/05/2009 -  18:16     

O Irã Aumenta sua Influência na América Latina

A República Islâmica do Irã está fazendo grandes investimentos econômicos e militares em países da América Latina, capitalizando os sentimentos anti-americanos e anti-imperialistas de muitos governos locais da esquerda.

Os novos aliados do Irã na região incluem o Presidente venezuelano Hugo Chávez e o Presidente boliviano Evo Morales. Durante os últimos anos, o Irã desenvolveu também novos laços políticos com o Brasil, Cuba, Equador, Paraguai e Uruguai. [1]

As alianças entre o Irã, Venezuela e a Bolívia, em particular, despertam preocupações porque eles perfazem quase 10% da produção global de petróleo, [2] o que lhes proporciona uma boa posição em negociações sobre os preços globais de petróleo. Em novembro de 2007, Chávez ameaçou aumentar o preço do petróleo para 200 dólares por barril se os Estados Unidos ameaçarem atacar o Irã ou a Venezuela. [3] Chávez expulsou o embaixador americano em setembro de 2008 e Morales declarou o embaixador americano na Bolívia “persona non grata”. [4]

A substancial expansão política e militar do Irã na América Latina permite que grupos terroristas, como Hezbollah e Hamas, apoiados pelo Irã, estabeleçam uma crescente presença na região. O Irã financia estes dois grupos terroristas, doando 200 milhões de dólares para o Hezbollah e 20 a 30 milhões de dólares para o Hamas, anualmente. [5] Mais de 3000 membros do Hezbollah já foram também treinados no Irã. [6]

Aumento do Terrorismo Apoiado pelo Irã

• Desde 2002, o grupo Hezbollah de libaneses xiitas apoiados pelo Irã se tornou visivelmente ativo na América Latina. [7]

• Desde a década de 90, o Hezbollah tem operado na Argentina com a ajuda do Irã. Em outubro de 2006, promotores públicos acusaram o Hezbollah como o responsável pela explosão do centro judaico AMIA de Buenos Aires em 1994, na qual morreram 85 pessoas e 300 ficaram feridas. A Argentina acusou o Irã de orientar o Hezbollah a perpetrar o crime [8] e sete diplomatas iranianos graduados foram acusados, incluindo o antigo Presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani. [9] Em fevereiro de 2008, um juiz americano determinou que o Hezbollah e o Irã foram os responsáveis pela bomba que explodiu na embaixada de Israel em Buenos Aires em 1992, que matou 29 pessoas e feriu mais de 242. [10]

• O Hezbollah, apoiado pelo Irã, está atualmente mantendo uma base regional na Venezuela, a partir da qual ele mobiliza terroristas e distribui material. [11] Existem bases operacionais na região destituída de controle de fronteiras, entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai. O Hezbollah e outros grupos terroristas islâmicos utilizam vários sites da Web para recrutamento e doutrinação de sua visão islâmica extremista. [12]

• A América Latina tem também se tornado uma grande base para o financiamento do terrorismo. A operação do Hezbollah em Ciudad del Este, no Paraguai, “angaria grandes somas para os líderes das milícias no Oriente Médio e financia campos de treinamento, operações de propaganda e ataques de bombas na América do Sul.” [13] De acordo com estimativas do Comando Sul dos Estados Unidos, o Hezbollah angaria de 300 a 500 milhões de dólares por ano na América Latina. [14]

• Comerciantes venezuelanos lavam dinheiro para o Hezbollah. Em 2008, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos congelou as posses de um diplomata venezuelano e de um proeminente empresário conectado com fundos de grupos terroristas. [15]

• O Hezbollah angaria milhões de dólares na América do Sul vendendo DVDs piratas, de acordo com a Rand Corporation, um instituto americano de estudos sobre política pública. Um estudo recente frisa que a área da fronteira tríplice Brasil-Argentina-Paraguai “tem surgido como o centro de financiamento mais importante do terrorismo islâmico fora do Oriente Médio.” [16]

Influência Iraniana por País

Brasil

Em 6 de maio, Ahmadinejad deverá viajar para o Brasil. [17] A visita ocorre em época em que a República Islâmica e o Brasil elevam o nível de seus laços bilaterais em vários campos. Em novembro de 2008, o Ministro das Relações Exteriores brasileiro Celso Amorim disse que o Brasil considera o desenvolvimento de relações com o Irã uma prioridade da política externa; [18]

Além da controvertida elevação das relações econômicas e diplomáticas entre o Brasil e o Irã, um país que foi censurado pelo Conselho de Segurança da ONU por sua sua não obediência com relação ao seu programa de enriquecimento de urânio, os Estados Unidos e outras nações ocidentais estão preocupadas com o grupo terrorista Hezbollah, apoiado pelo Irã, por estar “ganhando forças e impulso” [19] na América Latina, em especial no Brasil.

• Durante uma visita ao Brasil em março de 2009, o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki anunciou: “Os dois países [Brasil e Irã] estão no limiar do início de um novo capítulo em suas relações.” Além disso, ele frisou seu desejo de aumentar o volume do comércio bilateral entre os dois países para 3 bilhões de dólares nos próximos anos. [20]

• “O Irã considera a América Latina uma prioridade na sua política externa e o Brasil ocupa uma posição especial dentro dela,” disse Mottaki durante um encontro com Amorim em Teerã. [21]

• O volume do comércio do Irã com países da América Latina atingiu mais de 20 bilhões de dólares, 2 bilhões dos quais no comércio com o Brasil. [22]

• As exportações do Brasil para o Irá atingiram mais de 1,5 bilhões de dólares em 2007. [23]

• Durante sua visita no Brasil, Mottaki falou de seu desejo de cooperação bilateral nos campos da pesquisa agrícola, ciências, tecnologia, energia, petróleo e gás. Durante um encontro com o Ministro das Relações Exteriores Mottaki, o Ministro das Minas e Energia, Nelson Jobim disse: “O Irã é nosso amigo, com o qual estamos muito interessados em expandir os laços. [...] Assim, podemos ter uma boa cooperação em todas as áreas, e em especial no setor de energia.” [24]

• Mottaki propôs um “roadmap” para a cooperação em energia entre o Irã e o Brasil, particularmente no setor petrolífero e de produção de eletricidade. O Ministro brasileiro de Energia, Edison Lobão, disse: “O Irá é nosso amigo, com o qual muito gostaríamos de aprofundar nossas relações.” [25]

• “O Irã e o Brasil são dois países em linha com a cooperação Sul-Sul e o Brasil tem sempre se beneficiado com suas relações com o Irã,” disse o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante uma conferência de imprensa conjunta com seu colega iraniano. [26]

• Em novembro de 2008, o Brasil pediu ao Conselho de Segurança da ONU para “engavetar o dossiê nuclear sobre o Irã e permitir a normalização do caso de enriquecimento [de urânio] do país.” [27]

• Em março de 2009, o comandante das forças americanas na América Latina, James Stavridis, advertiu sobre o crescimento das atividades iranianas e do Hezbollah em toda a região: “Vemos uma grande atividade do Hezbollah na América do Sul, em especial. A fronteira tríplice do Brasil provoca uma preocupação especial, tanto como no Brasil, no Paraguai e na Argentina, assim como [outras] partes do Brasil e na Bacia do Caribe.” [28]

• O Presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva anunciou publicamente seu apoio ao programa nuclear iraniano em setembro de 2007. [29]

Bolívia

• O Irã proporcionou à Bolívia 1,1 bilhões de dólares em fundos de cooperação industrial desde 2007. [30]

• Durante a operação de defesa de Israel em Gaza, encerrada em 18 de janeiro de 2009, a Bolívia cortou suas relações com Israel em protesto contra as ações de Israel, aparentemente em solidariedade com o Irã, mesmo que Israel não tivesse embaixador na Bolívia. [31]

Colômbia

• Em outubro de 2008, as autoridades americanas e colombianas desmantelaram uma operação, apoiada pelo Irã, de tráfico de drogas do Hezbollah, e cujos lucros foram enviados para a Europa, Estados Unidos e para milícias no Líbano, de acordo com relatórios do Departamento da Justiça dos Estados Unidos. [32]

• Em março de 2009, o comandante das forças americanas na América Latina expressou sua preocupação, numa sessão da Comissão das Forças Armadas do Senado americano, sobre o nível das atividades do Hezbollah e do Irã no país e seu envolvimento com o tráfico colombiano de drogas: “Temos visto na Colômbia uma conexão direta entre o Hezbollah e a atividade de tráfico de narcóticos,” disse ele. [33]

Cuba

• Em fevereiro de 2006, Cuba e Irã assinaram um acordo de cooperação econômica para “facilitar a exportação de mercadorias iranianas, assim como serviços de engenharia e de técnica para Cuba.” [34]

• Em meados de 2008, o Irã proporcionou à Cuba uma linha de crédito de 270 milhões de dólares. [35]

Equador

• Em janeiro de 2008 o Irã estabeleceu um escritório comercial em Quito. [36]

• Em março de 2008, o Irã e o Equador concordaram sobre uma cooperação econômica e militar. [37] O Presidente Rafael Correa visitou o Irã em dezembro de 2008, quando os dois países concordaram em abrir embaixadas em cada capital e explorar a cooperação nos campos de defesa, energia, tecnologia e ciências. [38]

• No início de 2009, instrutores militares do Irã, especializados em guerra de guerrilha e anti-guerrilha supervisarão os militares equatorianos. [39]

• Em março de 2009, oficiais do Irã disseram que emprestariam 40 milhões de dólares para financiar duas usinas de eletricidade no Equador. [40]

• O Embaixador de Israel no Equador, Eyal Sela, relatou que o Irã planeja criar uma rede árabe de TV na América Latina, para se comunicar com o público. Sela também disse que há um grande interesse iraniano nos depósitos de urânio da Bolívia e do Equador, e que o Irã tem investido mais de 20 bilhões de dólares pela América Latina. [41]

México

• Os membros do Hezbollah, apoiado pelo Irã, usam a fronteira com o México para entrar nos Estados Unidos. Em maio de 2001, o conselheiro de segurança nacional do México e seu embaixador nos Estados Unidos, Adolfo Aguilar Zinser, relatou: “Grupos terroristas espanhóis e islâmicos estão usando o México como um refúgio.” [42]

• Em dezembro de 2002, o dono de um café em Tijuana foi preso por ter contrabandeado mais de 200 libaneses para os Estados Unidos. Muitos deles foram considerados como tendo laços terroristas com o Hezbollah, apoiado pelo Irã. [43]

• Em 1° de maio de 2005, Mahmoud Yossef Kourani, irmão do chefe de operações militares do Hezbollah no sul do Líbano, declarou-se culpado, nos Estados Unidos, de apoiar financeiramente o Hezbollah. Kourani tinha sido contrabandeado através da fronteira México-Estados Unidos depois de ter subornado um funcionário consular mexicano em Beirute para receber um visto mexicano de entrada. Nos Estados Unidos, ele morava entre expatriados libaneses em Dearborn, Michigan, onde angariava fundos para atividades terroristas do Hezbollah no Líbano. [44]

Nicarágua

• Em março de 2007, o Irã e a Venezuela prometeram 350 milhões de dólares para a construção de um porto marítimo de águas profundas em Monkey Point, na costa do Caribe da Nicarágua. [45]

• Ainda em 2007, o Irã fez à Nicarágua um empréstimo de 231 milhões de dólares para construir uma represa hidroelétrica. [46]

• Em julho de 2007, o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, permitiu a 21 iranianos entrar no país sem vistos. [47]

• Em agosto de 2008, o Irã doou 2 milhões de dólares para a Nicarágua para construir um hospital. [48]

• Na embaixada do Irã em Manágua, Nicarágua, funcionários iranianos têm imunidade para viajar sem restrições. Como a embaixada está protegida contra observadores externos, funcionários dos Estados Unidos receiam que a embaixada se torne um eixo no transporte de armas. [49]

• Em fevereiro de 2009, o Embaixador do Irã na Nicarágua revelou que o Irã planeja investir mais de 200 milhões de dólares na Nicarágua, para a construção de uma represa e de uma estação de energia hidroelétrica. [50]

Panamá

• As próximas eleições presidenciais em maio de 2009 no Panamá poderão reforçar a influência de Chávez – e por tabela a do Irã – na região. A candidata favorita Balbina Herrera (do Partido Democrático Revolucionário) poderá potencialmente se juntar a uma aliança estratégica com a China, Rússia e o Irã contra os Estados Unidos, e continuar a iludir o eleitorado favorável a negócios e amigo dos Estados Unidos no Panamá.[51]

Paraguai

• Em agosto de 2008 o esquerdista Fernando Lugo foi eleito com forte apoio da grande população muçulmana do país. Os esforços de levantamento de fundos nas áreas muçulmanas foram apoiados pelo Irã e pela Venezuela. Com a vitória de Lugo, Ahmadinejad o congratulou, chamando-o de “um homem de Deus e um inimigo do Grande Satã”. [52]

Uruguai

• Em outubro de 2007, investigadores uruguaios surpreenderam seu governo tentando comprar munições do Irã. A compra foi desviada através da Venezuela, para contornar as restrições da ONU sobre a República Islâmica. A remessa, em navio de bandeira da Marinha uruguaia, incluía cerca de 15.000 cartuchos de munições iranianas, que faziam parte de um negócio ilegal maior, envolvendo a venda de 18.000 rifles automáticos de produção iraniana. [53]

• Em outubro de 2008, Ahmadinejad se encontrou com o novo Embaixador do Uruguai em Teerã, Fernando Arroyo, frisando que o Irã está determinado a ampliar suas relações com o Uruguai. [54]

Venezuela

• De acordo com o dissidente e jornalista iraniano Manouchehr Honarmand – que ficou aprisionado por três anos na Venezuela – funcionários iranianos estão envolvidos em todos os setores da economia venezuelana. [55]

• Ahmadinejad e Chávez se encontraram sete vezes desde novembro de 2008. [56]

• Desde 2001, o Irã e a Venezuela assinaram mais de 180 acordos comerciais, avaliados em mais de 20 bilhões de dólares em investimentos potenciais. [57]

• Em inícios de 2007, o Irã e a Venezuela iniciaram um Fundo de Liberação de 2 bilhões de dólares para países que desejam se libertar de uma suposta “dominação americana”. Ahmadinejad disse que o Irã e a Venezuela estão “promovendo o pensamento revolucionário através do mundo”. [58]

• Em março de 2007, a IranAir iniciou vôos na rota Teerã-Damasco-Caracas. No outubro seguinte, a empresa estatal de aviação da Venezuela, Conviasa, também começou a seguir esta rota. Um funcionário sírio disse que os vôos eram uma maneira de evitar as “importunações” que os viajantes muçulmanos tinham após o 11 de setembro de 2001. [59]

• Em dezembro de 2008, o diário italiano La Stampa relatou que vários vôos da Conviasa tinham transportado funcionários da inteligência iraniana, oficiais militares e materiais banidos pela ONU, incluindo componentes do programa de mísseis balísticos do Irã. [60]

• Diplomatas iranianos, assim como membros do Hezbollah e da Guarda Revolucionária do Irã, podem agora voar diretamente para a Venezuela, e depois para outros países latino-americanos. Na realidade, os membros do Hezbollah estão voando de ida e de volta, alguns para “treinamento no Irã”. Recentemente a inteligência americana sugere que o Hezbollah e a Guarda Revolucionária iraniana possuem uma força-tarefa no local para seqüestrar viajantes judeus na Venezuela e os enviar pela IranAir para o Líbano. [61]

• Em julho de 2007, Irã e a Venezuela iniciaram a construção de dois complexos petroquímicos conjuntos, um no Irã e um na Venezuela, a um preço combinado de 1,4 bilhões de dólares. [62]

• Em novembro de 2007, Chávez e Ahmadinejad assinaram quatro memorandos de entendimento com a intenção de criar um banco conjunto, um fundo, um programa de treinamento industrial técnico e um acordo comercial. [64]

• Tarek El-Aissami, que foi recentemente nomeado Ministro do Interior e Justiça na Venezuela, é acusado de ter afiliações com o Hezbollah. El-Aissami é acusado de fornecer documentos falsos e de expedir passaportes ilegalmente para membros do Hamas e do Hezbollah, quando era chefe do serviço de passaportes e naturalização, Onidex. [65]

• Em janeiro de 2008, funcionários turcos detiveram uma remessa iraniana destinada à Venezuela que continha equipamento de laboratório capaz de produzir explosivos. “O equipamento era suficiente para estabelecer um laboratório de explosivos,” disse um funcionário da alfândega turca para a Associated Press. [66]

Divulgação: www.juliosevero.com

Leia também: Irã, ódio aos judeus e o esquizofrênico governo Lula

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19/05/2009 -  06:53     

“We’re not going to have talks forever”

de Reinaldo Azevedo
“We’re not going to have talks forever.”

Essa foi a frase mais importante dita no encontro entre Barack Obama, presidente dos Estados, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin (Bibi) Netanyahu. A fala é do presidente americano e se referia ao Irã: “Não vamos conversar para sempre”. Isto mesmo: se o Irã decidir levar adiante o seu programa nuclear, os EUA prometem agir. Como? Bem… Isso não é mesmo coisa muito diferente do que dizia aquele outro, como é mesmo?, ah,Jorjibúxi. Quase me esqueço do nome do demônio aposentado.

Li a imprensa liberal americana esses dias e também a brasileira. Parecia que Obama estava prestes a dar um pé no traseiro de Netanyahu. O encontro, antes de acontecer, era classificado de “tenso”, “delicado” e afins. Foi amenos e burocrático. No fim das contas, os EUA disseram o que costumam dizer a governantes israelenses: defendem a existência de dois estados — o tal Jorjibúxi queria algo diferente? — e também se opõem à expansão das colônias da Cisjordânia. Tudo conforme, vamos dizer, a tradição. Ah, sim: eu também estou com Obama: a favor de dois estados e contra a expansão das colônias.

É. Com efeito, o governo israelense mudou um pouco em relação ao anterior. Os israelenses, sob a chuva de foguetes terroristas, escolheram, desta feita, os durões. Mas Bibi também inovou muito pouco: “Nós estamos prontos para fazer a nossa parte e esperamos que os palestinos façam a deles”. Segundo o primeiro-ministro israelense, se eles reconhecerem o direito de Israel existir como um estado judeu, em segurança, é possível apostar na convivência de palestinos e israelenses. O que significa isso? Vamos ver. Mohmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, por exemplo, não aceita o caráter judaico do estado israelense. É só o começo de muitas outras complicações.

E a maior de todas elas se chama Irã, que hoje sustenta os terroristas do Hamas e do Hezbollah. E, de fato, esse foi o tema principal da conversa dos dois, para certa frustração da imprensa engajada. Obama reiterou que prefere conversar, que quer romper o isolamento a que está relegado o Irã etc. Mas deixou claro que a coisa tem de avançar. Afinal, “We’re not going to have talks forever.”

Se, em vez de se encontrar com Obama, Bibi tivesse batido um papo com Jorjibúxi, a coisa seria muito diferente? Não! Não faço essa observação por cinismo ou coisa parecida. Apenas chamo a atenção para o fato de que a política tem alguns limites impostos pela realidade. Somos tentados, às vezes, a considerar que realmente bastam atos de vontade para mudar o status dos conflitos. Não bastam.

Sei que Obama está decepcionando a muitos. E a outros, por sua vez, não chega a surpreender. Nem nesse caso nem no recuo em relação a Guantánamo. Ora feliz, ora infelizmente, não se governa com a retórica com que se ganham eleições. Com alguma freqüência, elas chegam a ser contraditórias. Em alguns casos, são até opostas.

Obama começa a descer ao mundo real. Ao mundos dos vivos. E dos mortos.

Fonte: Reinaldo Azevedo
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06/05/2009 -  13:20     

Celso Amorim levou o Brasil a ser esnobado por um marginal

do VEJA.com: Blog | Reinaldo Azevedo de Reinaldo Azevedo
Pouco importa o motivo alegado pelo Itamaraty para explicar o cancelamento ou adiamento da visita de Mahmud Ahmadinejad, a verdade é que o Brasil, vejam só!, pagou um mico ao convidar um bandoleiro para visitar o país e outro ao ser esnobado por ele. Já está virando uma tradição na gestão deste impressionante Celso Amorim: só aceitamos ser destratados por governos de segunda linha. Esses maloqueiros internacionais pintam e bordam com a nossa “generosidade”. Em matéria de ditadores de Terceiro Mundo e assemelhados, não tem pra ninguém: ninguém, como o Brasil, oferece tão gostosamente o traseiro para ser chutado. Já agüentamos birra de Evo Morales, Hugo Chávez, Rafael Corrêa, Fernando Lugo e Ahmadinejad. Com os argentinos, vocês sabem, é a água de sempre: eles impõem as tarifas que bem entendem aos produtos brasileiros. E o governo Lula sempre reage com aquela frieza supostamente imperial. Como já escrevi aqui, Amorim lidera uma espécie de revolução conceitual em matéria de imperialismo: com ele, o império perde sempre.

Amorim é certamente o ministro mais patético de Lula, embora conte com um lobby considerável na imprensa. Tem até uma espécie de colunista particular, que sempre recita, em suas colunas, como se fosse apuração suada, as verdades oficiais do Itamaraty. É de dar nojo. E, no entanto, as grandes virtudes que o Lula da diplomacia chama para si não têm qualquer relação com a política externa. Derivaram do crescimento da economia mundial, que beneficiou também o país.

A regra do Itamaraty é ser arrogante com os grandes e humilhado pelos pequenos, com uma única exceção, em que fomos trapaceados por um gigante: a China conseguiu arrancar do Brasil o estatuto de “economia de mercado” e prometeu, em troca, apoiar a ampliação do Conselho de Segurança da ONU para abrigar o Brasil. Com o reconhecimento debaixo do braço, deu uma solene banana ao Apedeuta e seus gênios da política externa e vetou a ampliação do conselho. Desculpa: o Japão também seria candidato à vaga, e isso os chineses não poderiam aceitar. Ocorre que o Japão era, vá lá, pré-candidato desde sempre. Os chineses deram um truque nos macunaímas assanhados.

O desempenho do Brasil no mercado externo nada tem a ver com Amorim — de resto, a participação do país no comércio internacional é da ordem de 1.1% faz dez anos: vendeu mais em dólares quando o mundo crescia e passou a vender menos quando o mundo se retraiu. Simples. Abaixo, listo uma série de insucessos do Itamaraty em questões que realmente diziam respeito à diplomacia. Acompanhem:

NOME PARA A OMC
- Amorim tentou emplacar Luís Felipe de Seixas Corrêa na Organização Mundial do Comércio em 2005. Perdeu. Sabem qual foi o único país latino-americano que votou no Brasil? O Panamá!!!
NOME PARA O BID
- Também em 2005, o Brasil tentou emplacar João Sayad na presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Deu errado outra vez. Dos nove membros, só quatro votaram no Brasil — do Mercosul, apenas um: a Argentina.
ONU
- O Brasil tenta, como obsessão, a ampliação (e uma vaga permanente) do Conselho de Segurança da ONU. Quem não quer? Parte da resistência ativa à pretensão está justamente no continente: México, Argentina e, por motivos óbvios e justificados, a Colômbia.
DITADURAS ÁRABES
- Sob o reinado dos trapalhões do Itamaraty, Lula fez um périplo pelas ditaduras árabes do Oriente Médio. O Babalorixá deixou de visitar a única democracia da região: Israel.
CÚPULA DE ANÕES
- Em maio de 2005, no extremo da ridicularia, o Brasil realizou a cúpula América do Sul-Países Árabes. Era Lula estreando como rival de George W. Bush, se é que vocês me entendem. Falando a um bando de ditadores, alguns deles financiadores do terrorismo, o Apedeuta celebrou o exercício de democracia e de tolerância…
ISRAEL E SUDÃO
- A política externa brasileira tem sido de um ridículo sem fim. Em 2006, país votou contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas, no ano anterior, negara-se a condenar o governo do Sudão por proteger uma milícia genocida, que praticou os massacres de Darfur. Por que o Brasil quer tanto uma vaga no Conselho de Segurança da ONU? Que senso tão atilado de justiça exibe para fazer tal pleito?
FARC
O Brasil, na prática, declara a sua neutralidade na luta entre o governo constitucional da Colômbia e os terroristas da Farc. Já escrevi muito a respeito do assunto.
RODADA DOHA
O Itamaraty fez o Brasil apostar tudo na Rodada Doha, que foi para o vinagre. Quando viu tudo desmoronar, Amorim não teve dúvida: atacou os Estados Unidos.

Agora, O gigante da diplomacia está empenhado em presidir a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que fiscaliza o uso pacífico (ou não) da energia nuclear mundo afora. Ahmadinejad por aqui era uma espécie de cabo eleitoral de Amorim. Trata-se daquele senhor empenhado em fazer a bomba atômica, que nega o Holocausto e que fala abertamente na destruição total de Israel.

Eis o competente Celso Amorim. AIEA? Penso que deveria se candidatar àqueles concursos de lançamento de anões — se é que ainda não foram proibidos.

Fonte: Reinaldo Azevedo
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05/05/2009 -  04:18     

O amigo da diplomacia lulista vem nos visitar

de Bruno Pontes
Muitos achavam que Hitler não passava de um bufão quando ameaçava “solucionar” o problema representado pela existência dos judeus. Ao fim da guerra, seis milhões deles estavam mortos, após uma campanha intensa de desumanização promovida pelo III Reich. Hitler falava sério enquanto os céticos apostavam no pensamento positivo.

No dia 21 de abril, os judeus ao redor do mundo olharam para trás e prestaram homenagens aos seus irmãos massacrados pelos nazistas. Daqui a alguns dias, um homem que deseja apertar o botão do segundo holocausto será recebido em solo brasileiro pelo presidente Lula. Enquanto Mahmoud Ahmadinejad estiver posando para fotos em Brasília, os homens do programa nuclear iraniano estarão em seus laboratórios desenvolvendo os meios de varrer Israel do mapa, concretizando intenções já anunciadas para quem quiser ouvir.

Em fevereiro, o Irã lançou ao espaço o satélite “Esperança”, mostrando que pode dominar a tecnologia para a fabricação de mísseis balísticos. Para quem não sabe, um míssil balístico pode ser usado para transportar bombas atômicas por longas distâncias. Para atingir Israel, enfim. A única democracia do Oriente Médio vislumbra o maior risco à sua vida curta e permanentemente ameaçada por vizinhos hostis e grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah, financiados por Ahmadinejad e responsáveis por anos de ataques terroristas em Israel e outras partes do mundo.

Durante a operação Cast Lead, quando Israel reagiu a oito anos de chuva de foguetes lançados pelo Hamas a partir de Gaza, o discurso de Ahmadinejad foi endossado com gosto por esquerdistas de todos os partidos. Pregavam a rendição imediata de Israel aos seus carrascos e igualavam os israelenses aos nazistas. Foi o que fez o PT de Lula em nota publicada no site do partido. Os parlamentares petistas deveriam receber Ahmadinejad no aeroporto de braços abertos, ao lado de parlamentares do PC do B e do PSOL, professores universitários anti-Israel e jornalistas que prestam assessoria ao Hamas – o pessoal da Caros Amigos em especial.

O Hitler dos nossos dias está vindo nos visitar. Quando Ahmadinejad estiver aqui assinando papéis com Lula e talvez até servindo de escada para alguma piada do nosso presidente, não se esqueça de que o amigo iraniano da diplomacia lulista é um dos motores da jihad islâmica contra o mundo livre, e Israel, o símbolo maior, é o alvo prioritário. Depois vem a velha Europa, já com as calças meio baixas, e então os Estados Unidos, agora vivendo a era Obama, baseada em conversa macia com o terror e pedidos de desculpas a tiranos diversos. Essa batalha decisiva, na qual Ahmadinejad é agente de influência global, envolve dois lados: de um, o totalitarismo islâmico, a ambição do califado mundial (incluindo o apedrejamento de mulheres e a execução de hereges de todos os tipos). Do outro, a liberdade, a democracia liberal, que no Oriente Médio só existem em Israel, esse pequeno país cercado de inimigos por todos os lados. E o mais perigoso deles hoje é Ahmadinejad.

Fonte: Bruno Pontes
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