22/11/2009 - 17:24
Falta ainda pouco mais de um ano para o fim do governo Lula, mas Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, por alcunha “O Megalonanico”, chega amanhã ao ápice dos desastres morais a que conduziu a diplomacia brasileira. Assim que Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, botar os pés em solo pátrio, o Brasil celebra o seu encontro com a impostura megalômana do governo Lula, que nada mais faz do que trair a pequenez de propósitos de seus líderes, em desacordo com a crescente importância do Brasil no mundo — importância adquirida a despeito dessas lideranças, não por causa delas.
O Brasil não estará recebendo nesta segunda apenas o negador do Holocausto, como se isso já não fosse delinqüência suficiente. Recebe também o financiador do terrorismo no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque. Não bastasse, Ahmadinejad é o chefe de um governo que conduz um programa nuclear secreto e que promete varrer Israel do mapa. Se credenciais que fazem deste senhor um pária moral ainda faltassem, lembremo-nos de que reprimiu com impressionante brutalidade manifestações contra as fraudes no pleito que o reelegeu — fraudes reconhecidas pelos aiatolás do Conselho da Revolução Islâmica.
Só o “Aiatolula”, o “filho do Brasil”, o “cristo pagão saído do ventre de mãe nascida analfabeta”, não viu problema nenhum nas eleições e se apressou em reconhecer o resultado, afirmando que os justos protestos da oposição se equiparavam à chiadeira de uma torcida quando seu time perde o jogo. Lula não vê problema em gol de mão quando isso beneficia seu time. Na entrevista que concedeu a William Waack (aqui), Ahmadinejad se mostrou muito grato: “Eu realmente gostei da postura dele. Nos encontramos alguns anos atrás. Somos muito bons amigos”. Não duvido…
Na entrevista, o presidente do Irã tenta matizar a negação do Holocausto e, entendo, só consegue tornar seu juízo ainda mais detestável — e vocês já entenderão por quê: “A questão que apresentamos é muito clara. Eu fiz dois questionamentos, fiz duas perguntas claras. A primeira questão era: ’se o holocausto aconteceu, onde aconteceu?’ Claramente, aconteceu na Europa. Todo mundo sabe disso. A segunda pergunta: ‘o que isso tem a ver com o povo palestino?’ ‘Por que o povo deveria pagar por isso?’ Por que deveriam dar a terra dos palestinos por causa de crimes cometidos na Europa?”
Notem que a existência do Holocausto, em seu discurso, é apenas uma hipótese improvável. Não será neste texto que vou tratar sobre o que foi acordado em 1948 na região que compreende Israel e os territórios palestinos, qual era o status do povo palestino e por quais países ele se espalhava etc. Teremos tempo de tratar desses assuntos em outros posts. Importa destacar que o desdobramento óbvio de suas indagações implica o fim do estado de Israel — o que, hoje em dia, não é reivindicado nem pela Autoridade Nacional Palestina. Não por acaso, o Irã financia o Hamas e o Hezbollah, que têm, entre os seus princípios, justamente a destruição do estado de Israel. Não por acaso, o próprio Ahmadinejad promete “varrer Israel do mapa”.
Então vejam que curioso: o presidente do Irã ora nega que o Holocausto tenha existido, ora apenas o coloca em dúvida. Uma coisa ou outra, não importa, ambas ilustram um raciocínio que conduz à destruição de Israel. Assim, por desdobramento lógico, se o Holocausto do século passado, na cabeça delirante deste delinqüente, não existiu, ele promete promover um neste século. ESTE VIGARISTA NEGA A MORTE DE SEIS MILHÕES DE PESSOAS NO PASSADO PORQUE REIVINDICA MATAR ELE PRÓPRIO MAIS SEIS MILHÕES NO PRESENTE.
Na sexta-feira, ao receber Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, Lula, o “amigo de Ahmadinejad”, afirmou que a ONU deveria conduzir as negociações entre Israel e os palestinos e sugeriu que os EUA não deveriam participar das negociações porque seriam os “culpados” pelo problema. A isto está reduzida a política externa brasileira: estende o tapete vermelho para um financiador do terrorismo internacional, que prega a destruição de Israel, e ataca uma nação democrática, historicamente comprometida com uma solução pacífica no Oriente Médio. E isso no momento em que o Brasil volta a ocupar uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança. Mas Lula, sabemos, quer a permanente.
Recebendo Ahmadinejad? Defendendo o direito do Irã de “manter um programa nuclear pacífico” quando o próprio líder iraniano não esconde as pretensões de destruir um país que considera inimigo? Ora, há uma questão de lógica elementar: quem é amigo de todo mundo é necessariamente condescendente com os maus e injusto com os bons.
A presença de Ahmadinejad no Brasil ofende a consciência democrática e pisoteia as noções mais comezinhas, mais básicas, mais elementares do humanismo. Sua única virtude é contribuir para revelar uma nesga ao menos da face real do lulo-petismo, maquiada pela máquina de propaganda.
Extraído de Reinaldo Azevedo
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Irã
29/06/2009 - 11:52

Por Roberto Simon, no Estadão:
A atual tormenta política no Irã não se restringe a indivíduos como a manifestante Neda Agha Soltan, que teve sua morte registrada em vídeo, a líderes opositores como Mir Hossein Mousavi ou a homens do regime como o líder supremo, Ali Khamenei. Trata-se, sobretudo, de uma crise de “legitimidade da própria ideia de república islâmica”. A opinião é do mais influente historiador vivo do Oriente Médio, o britânico catedrático da Universidade Princeton Bernard Lewis. Aos 93 anos, ele disse por telefone ao Estado que o Irã vive “um estágio de autoritarismo experimentado em outros sistemas revolucionários, como França e URSS”. E alerta: “O problema não é só que o Irã quer a bomba, mas que é bem capaz de usá-la.”
Como o senhor avalia os protestos no Irã? A combinação de uma república, de fisionomia ocidental, com uma teocracia islâmica está em crise?
Já faz muito tempo que a população iraniana está cada vez mais descontente com seu governo. Agora, isso está vindo à tona. Mas não é algo novo. Acho que há uma perda de legitimidade do regime. Tem-se a impressão de que não se trata de uma objeção restrita a indivíduos. Há um sério questionamento de toda a ideia da república teocrática que foi estabelecida pelos assim chamados “revolucionários” de 1979.
Há ameaça à existência do regime?
Sim, está começando a parecer um desafio à preservação do governo. Até agora, o regime tem demonstrado uma extraordinária durabilidade e convicção, seguindo seu rumo por 30 anos, apesar do que foi feito contra ele.
Analistas dizem que o regime de Ali Khamenei está se tornando uma típica ditadura do Oriente Médio, sem espaços de liberdade, como eleições.
Já é uma típica ditadura. As eleições são encenação. Elas não são o que esperamos que sejam.
O que a história persa pode nos dizer sobre a atual situação? O sr. escreveu, por exemplo, sobre a influência da religião maniqueísta na cultura iraniana. Como essas heranças se manifestam?
É preciso ter em mente que a maioria dos países da região que hoje chamamos de Oriente Médio é uma criação moderna. São invenções recentes, com suas fronteiras desenhadas por estadistas ocidentais. O Irã não é isso. Ele é uma nação antiga, um país e uma nação no sentido ocidental dessas duas palavras. O Irã existe há milênios. Há um sentimento real de nacionalidade e patriotismo entre os iranianos. É algo diferente da maior parte dos países da região, nos quais não há patriotismo. Eles só têm um nacionalismo simples ou uma identidade religiosa. O Irã é um país real, com forte senso de identidade nacional e histórica. É isso que vemos em exercício agora.
Como o sr. avalia ascensão iraniana no Oriente Médio?
Isso certamente é visto por muitos como uma ameaça, algo que se manifesta de várias maneiras. Alguns enxergam o problema de uma perspectiva nacional: o Irã não é árabe. Vizinhos árabes veem tentáculos iranianos se estendendo por uma rota ao norte, do Iraque à Síria, e por uma rota ao sul, em Gaza. Isso é tido como uma ameaça mortal. Esse é o aspecto nacional, pode-se chamá-lo ainda de imperialismo iraniano. Outros sentem-se ameaçados pelo que pode ser definido como o aspecto radical-revolucionário. É preciso lembrar que a maior parte dos regimes no Oriente Médio é de autocracias que governam povos mais ou menos descontentes. Os iranianos tiveram uma verdadeira revolução. O termo “revolução” é pouco usado por governos no Oriente Médio. Mas o que ocorreu no Irã foi uma verdadeira revolução – no mesmo sentido que usamos a palavra para nos referirmos à Revolução Francesa ou à Revolução Russa. Os revolucionários iranianos passaram pelos mesmos “cenários” dessas duas outras revoluções e estamos agora numa fase que pode ser chamada de stalinista ou napoleônica.
(…)
O sr. escreveu sobre a rivalidade de mais de 14 séculos entre as civilizações cristã e islâmica. O fato de um negro descendente de muçulmanos, chamado Barack Hussein Obama, comandar os Estados Unidos muda alguma coisa? Pode Obama influenciar o que o sr. definiu como “choque de civilizações”?
Acho que não. É preciso ter em mente que o mundo muçulmano está iniciando agora o século 15 da era islâmica. Acredito que estamos lidando com fenômenos que remontam ao início de nosso século 15. Quero dizer, por exemplo, que para o Ocidente o termo “cruzada” tornou-se inaceitável. A ideia de uma guerra religiosa não é mais admissível para nós. Mas para a maioria das pessoas no mundo islâmico isso é aceitável. Eles tendem a ver as “batalhas” de hoje como uma fase da guerra iniciada pelo próprio Profeta Maomé. Há várias religiões no mundo, mas até onde sei existem apenas duas que acreditam ser as verdadeiras detentoras da mensagem de Deus ao homem. Elas teriam a verdadeira fé e seria um dever não mantê-la para si mesmas – como fazem o judaísmo e o hinduísmo – e espalhar essa mensagem pelo mundo, removendo qualquer obstáculo que tiverem pelo caminho. Isso desapareceu na maior parte do mundo cristão. Mas ainda se manifesta no mundo islâmico. Eles veem um conflito ocorrendo entre fiéis e infiéis. Nos últimos séculos, muçulmanos tiveram dificuldades, foram conquistados pelos infiéis, subjugados. Então, gradualmente se libertaram.
Como seria o futuro dessa luta?
Como eles afirmam, há várias fases consecutivas. A primeira é remover os infiéis da atual terra do Islã. A segunda fase é a de recuperar o que foi perdido – não só Israel, mas na Espanha, Portugal, Sicília, Bálcãs e Índia. A fase final é levar a guerra para a terra dos infiéis e estabelecer uma dominação universal. Não afirmo que todos os muçulmanos veem a situação assim. Mas há grupos significativos que enxergam os acontecimentos nesses termos. Assistindo à mídia muçulmana, não é difícil encontrar esse tipo de discurso. Aqui e Aqui
Fonte: Reinaldo Azevedo
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: ditadura, Irã
24/06/2009 - 23:59

Foto AP – Neda virou símbolo da oposição no Irã
No Estadão On line. Volto depois:
O governo iraniano disse nesta quarta-feira, 24, que o atirador que matou a manifestante Neda Agha-Soltan durante um protesto contra o resultado das eleições presidenciais pode ter confundido a jovem com a irmã de “um terrorista”, informou a agência oficial Irna. Teerã culpou ainda ”grupos que querem criar divisão na nação” pelo assassinato – cujo vídeo circulou na internet – e disse que esses militantes a mataram “para acusar a República Islâmica de diálogo cruel com a oposição”, segundo a rede CNN.
Na terça-feira, o noivo da garota de 16 anos morta no sábado afirmou que as autoridades do país proibiram sua família de realizar um funeral público, de acordo com a BBC Brasil. Uma foto do rosto de Neda ensanguentado foi usada em protestos realizados na capital iraniana e em várias cidades do mundo.
A jovem foi enterrada no domingo, no cemitério Behesht-e-Zahra, na zona sul de Teerã. “Eles nos pediram para sepultá-la numa parte do cemitério que, aparentemente, tinha sido separada pelas autoridades para fazer as covas para as pessoas mortas durante os protestos da semana passada”, afirmou Caspian Makan.
Segundo ele, Neda não estava participando diretamente dos protestos. “Ela estava em um carro, com seu professor de música, a alguns quarteirões de distância, presa no congestionamento. Ela estava cansada e com muito calor, então saiu do carro por alguns minutos”, disse o noivo.
“Foi aí que aconteceu. As testemunhas disseram e o vídeo mostra claramente que prováveis paramilitares Basiji à paisana atiraram nela deliberadamente. Ela foi atingida no peito”, acrescentou. “Ela perdeu os sentidos poucos minutos depois. As pessoas ainda tentaram levá-la para o hospital mais próximo, mas já era tarde mais.”
Comento
Nada de novo no front das ditaduras e tiranias: as evidências de seus malfeitos são sempre obra de adversários e inimigos do regime.
Os protestos continuaram nesta quarta-feira, embora o mundo só saiba deles por meio de Informações fornecidas por manifestantes. A imprensa local está sob severa censura — só trata do caso para demonizar os manifestantes —, e os jornalistas estrangeiros foram expulsos do país.
Segundo o New York Times, a imprensa oficial admite a prisão, até agora, de 645 pessoas, mas organizações ligadas à defesa dos direitos humanos dizem que os detidos passam de 2 mil. Entre os presos, estariam 102 lideranças políticas, 23 jornalistas, 79 estudantes e sete professores universitários.
E o mundo, nesta sua “Nova Primavera”, diz àquele gente: “Danem-se vocês; cada país com os seus problemas”. E Lula, “o cara”, emendaria: “Os vascaínos (ou flamenguistas) precisam respeitar o resultado do jogo”.
Estamos cegos de tanto iluminismo, blindados, se me permitem o trocadilho interlingüístico, por tanta luz.
Fonte: Reinaldo Azevedo
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: eleições, Irã, morte
16/06/2009 - 16:17
Comentava ontem com um amigo as estúpidas ilusões do Ocidente — não, na verdade, as estúpidas ilusões da imprensa ocidental — com as eleições no Irã. Há uma curiosa disjuntiva nesse universo politicamente correto que une academia e imprensa: de um lado, a convicção de que as diferenças culturais devem ser respeitadas e de que não devemos ver “o outro” segundo os nossos padrões. O novo sacerdote desse ponto de vista, claro!, é Barack Obama. Ao mesmo tempo, há um esforço danado para analisar as eleições do Irã segundo os nossos padrões. Não sei se notaram, a tônica da cabertura foi esta: progressistas X conservadores. Parecia que as eleições no Irã mimetizavam as americanas: Mir Hossein Mousavi era tratado como o Obama deles: apoiado pelos jovens, pelas mulheres, com campanha forte na Internet… E Ahmadinejad, o tresloucado presidente atual, era visto, vamos dizer assim, como um reacionário republicano… Ai, meu Deus! Que tédio! Que bode! Como é aborrecido este “Espírito do Tempo” que se sobrepõe aos fatos, à realidade.
Antes que continue, uma observação óbvia. Eu também torcia para que Ahmadinejad, este candidato a besta do Apocalipse, fosse derrotado. Quando menos, um delinqüente explícito a menos no jogo político. Quando menos, ouviríamos menos bobagens. Mas será que Mousavi é mesmo aquele que o Ocidente gostaria que ele fosse? Estaria onde está se pensasse o que a imprensa ocidental e Barack Obama gostariam que pensasse?
Vamos ver: na “democracia iraniana”, que está mais para um fascismo islâmico de massas, os candidatos são submetidos a uma comissão que avalia a sua fidelidade aos princípios islâmicos e à revolução. Qualquer sinal de, digamos, “impureza”, a candidatura é vetada. Mousavi já foi governo. É que agora tirou o turbante e aparece em trajes ocidentais. Mas é, inequivocamente, um deles — embora mais culto e muito mas sofisticado do que o chicaneiro Ahmadinejad. O fato de que fale em negociação com o mundo ocidental e não assuma os extremos de anti-semitismo de seu principal oponente não faz dele um iluminista.
Ele nem mesmo representa uma ocorrência inédita. O mundo já tentou ver Muhammad Khatami, que presidiu o país entre 1997 e 2005, como o, vá lá, “iluminista persa”. De fato, a figura sempre foi doce, caroável até. Nem por isso, seu país deixou de financiar o Hezbollah e o Hamas. Enquanto presidiu o Irã, estava sendo aplainado o terreno em que um delinqüente como Ahmadinejad viria à luz. Mousavi é o Khatami da vez… Pelo visto, não deu certo.
Ainda olhando as eleições iranianas com os olhos com que se vêem as ocidentais, a vitória do “Obama do Irã” chegou a ser anunciada. E o que temos agora? Ou os prognósticos estavam estupidamente errados, ou se assiste a uma fraude eleitoral monumental. Com 61% dos votos, informa o New York Times, Ahmadinejad conta com 66% dos votos, e Mousavi, 31%. Se é assim, o maluco já está reeleito. E a razão é simples. Façamos uma conta com base 100:
- em 100 votos, já foram apurados 61;
- destes 61, 40,26 (66%) são de Ahmadinejad, e 18,91 (31%) de Mousavi;
- falta apurar 39 votos;
- Mousavi precisaria ter 83% dos votos que ainda não foram apurados — para quem, até agora, teve só 31%…
[Com 80% dos votos apurados, Ahmadinejad tem 64% dos votos (18,8 milhões) contra 31% do rival (9,3 milhões). Não dá mais]
Vai dar? Acho que não… O “progressista” derrotado declarou vitória e ensaia, segundo li no NYT, acusar fraude. Mas certamente será contido pelo Conselho da Revolução Islâmica. E chegamos ao ponto.
É o conselho que manda no Irã, não o presidente. Por isso, nos oito anos em que o iluminista Khatami ficou no poder, o Irã, de fato, cuidou de desenvolver o seu programa nuclear — ou alguém acha que isso se fez nos quatro anos do maluco Ahmadinejad? A diferença entre este celerado e os “iluministas” é que o celerado fala o que pensa. Os outros escondem — como esconderam o seu programa nuclear.
Observem: publico este texto daqui a pouco (agora, 21h59) e vou mantê-lo no ar ainda que algum milagre tipicamente persa, tipicamente iraniano, declare a vitória de Mousavi. Não muda nada! Ou até mudaria — e, a depender do caso, para pior: ele era a esperança do “Ocidente” (e “Ocidente”, com aspas, quer dizer “Barack Obama”) para não ter de endurecer com o Irã. Mousavi também defendeu o programa nuclear iraniano, mas ressaltando que é pacífico. Ahmadinejad também declara os bons propósitos — só que não esquece de prometer a destruição de Israel… Nesse particular, tanto faz se o presidente será um ou outro: quem manda mesmo é o Conselho da Revolução Islâmica, de que é chefe o aiatolá Ali Khamenei. “Ah, Reinaldo, mas pense num presidente que fosse mais tolerante, que abrisse mais o Irã para o Ocidente, que desse início a uma nova cultura”. É, pode ser… A era Khatami, reitero, foi muito instrutiva a respeito.
Bobagem obâmica
Obama procurou, oficialmente, ficar longe da disputa etc e tal. Mas ele, o Sabereta (como diria Monteiro Lobato da boneca Emília), padece daquela tentação de ter sempre uma opinião sobre qualquer assunto, a exemplo do nosso Apedeuta. E quem fala demais, Apedeuta ou Sabereta, acaba dando bom-dia a cavalo! O presidente americano fez o mundo saber que, segundo seu severo escrutínio intelectual, o povo iraniano teve a chance de escolher a mudança. Pelo visto, escolheu não mudar. E agora?
Sei que é chato e que pode parecer realmente um absurdo, mas devemos estar preparados para o fato de que, bem…, uma boa maioria dos iranianos possa realmente não gostar desse tal “Ocidente”. Neste meu texto, isso importa pouco. Ainda que Mousavi desse a volta por cima, isso só serviria para embalar esperanças inúteis.
Fonte: Reinaldo Azevedo
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: eleições, Irã
19/05/2009 - 18:16
A República Islâmica do Irã está fazendo grandes investimentos econômicos e militares em países da América Latina, capitalizando os sentimentos anti-americanos e anti-imperialistas de muitos governos locais da esquerda.
Os novos aliados do Irã na região incluem o Presidente venezuelano Hugo Chávez e o Presidente boliviano Evo Morales. Durante os últimos anos, o Irã desenvolveu também novos laços políticos com o Brasil, Cuba, Equador, Paraguai e Uruguai. [1]
As alianças entre o Irã, Venezuela e a Bolívia, em particular, despertam preocupações porque eles perfazem quase 10% da produção global de petróleo, [2] o que lhes proporciona uma boa posição em negociações sobre os preços globais de petróleo. Em novembro de 2007, Chávez ameaçou aumentar o preço do petróleo para 200 dólares por barril se os Estados Unidos ameaçarem atacar o Irã ou a Venezuela. [3] Chávez expulsou o embaixador americano em setembro de 2008 e Morales declarou o embaixador americano na Bolívia “persona non grata”. [4]
A substancial expansão política e militar do Irã na América Latina permite que grupos terroristas, como Hezbollah e Hamas, apoiados pelo Irã, estabeleçam uma crescente presença na região. O Irã financia estes dois grupos terroristas, doando 200 milhões de dólares para o Hezbollah e 20 a 30 milhões de dólares para o Hamas, anualmente. [5] Mais de 3000 membros do Hezbollah já foram também treinados no Irã. [6]
Aumento do Terrorismo Apoiado pelo Irã
• Desde 2002, o grupo Hezbollah de libaneses xiitas apoiados pelo Irã se tornou visivelmente ativo na América Latina. [7]
• Desde a década de 90, o Hezbollah tem operado na Argentina com a ajuda do Irã. Em outubro de 2006, promotores públicos acusaram o Hezbollah como o responsável pela explosão do centro judaico AMIA de Buenos Aires em 1994, na qual morreram 85 pessoas e 300 ficaram feridas. A Argentina acusou o Irã de orientar o Hezbollah a perpetrar o crime [8] e sete diplomatas iranianos graduados foram acusados, incluindo o antigo Presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani. [9] Em fevereiro de 2008, um juiz americano determinou que o Hezbollah e o Irã foram os responsáveis pela bomba que explodiu na embaixada de Israel em Buenos Aires em 1992, que matou 29 pessoas e feriu mais de 242. [10]
• O Hezbollah, apoiado pelo Irã, está atualmente mantendo uma base regional na Venezuela, a partir da qual ele mobiliza terroristas e distribui material. [11] Existem bases operacionais na região destituída de controle de fronteiras, entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai. O Hezbollah e outros grupos terroristas islâmicos utilizam vários sites da Web para recrutamento e doutrinação de sua visão islâmica extremista. [12]
• A América Latina tem também se tornado uma grande base para o financiamento do terrorismo. A operação do Hezbollah em Ciudad del Este, no Paraguai, “angaria grandes somas para os líderes das milícias no Oriente Médio e financia campos de treinamento, operações de propaganda e ataques de bombas na América do Sul.” [13] De acordo com estimativas do Comando Sul dos Estados Unidos, o Hezbollah angaria de 300 a 500 milhões de dólares por ano na América Latina. [14]
• Comerciantes venezuelanos lavam dinheiro para o Hezbollah. Em 2008, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos congelou as posses de um diplomata venezuelano e de um proeminente empresário conectado com fundos de grupos terroristas. [15]
• O Hezbollah angaria milhões de dólares na América do Sul vendendo DVDs piratas, de acordo com a Rand Corporation, um instituto americano de estudos sobre política pública. Um estudo recente frisa que a área da fronteira tríplice Brasil-Argentina-Paraguai “tem surgido como o centro de financiamento mais importante do terrorismo islâmico fora do Oriente Médio.” [16]
Influência Iraniana por País
Brasil
Em 6 de maio, Ahmadinejad deverá viajar para o Brasil. [17] A visita ocorre em época em que a República Islâmica e o Brasil elevam o nível de seus laços bilaterais em vários campos. Em novembro de 2008, o Ministro das Relações Exteriores brasileiro Celso Amorim disse que o Brasil considera o desenvolvimento de relações com o Irã uma prioridade da política externa; [18]
Além da controvertida elevação das relações econômicas e diplomáticas entre o Brasil e o Irã, um país que foi censurado pelo Conselho de Segurança da ONU por sua sua não obediência com relação ao seu programa de enriquecimento de urânio, os Estados Unidos e outras nações ocidentais estão preocupadas com o grupo terrorista Hezbollah, apoiado pelo Irã, por estar “ganhando forças e impulso” [19] na América Latina, em especial no Brasil.
• Durante uma visita ao Brasil em março de 2009, o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki anunciou: “Os dois países [Brasil e Irã] estão no limiar do início de um novo capítulo em suas relações.” Além disso, ele frisou seu desejo de aumentar o volume do comércio bilateral entre os dois países para 3 bilhões de dólares nos próximos anos. [20]
• “O Irã considera a América Latina uma prioridade na sua política externa e o Brasil ocupa uma posição especial dentro dela,” disse Mottaki durante um encontro com Amorim em Teerã. [21]
• O volume do comércio do Irã com países da América Latina atingiu mais de 20 bilhões de dólares, 2 bilhões dos quais no comércio com o Brasil. [22]
• As exportações do Brasil para o Irá atingiram mais de 1,5 bilhões de dólares em 2007. [23]
• Durante sua visita no Brasil, Mottaki falou de seu desejo de cooperação bilateral nos campos da pesquisa agrícola, ciências, tecnologia, energia, petróleo e gás. Durante um encontro com o Ministro das Relações Exteriores Mottaki, o Ministro das Minas e Energia, Nelson Jobim disse: “O Irã é nosso amigo, com o qual estamos muito interessados em expandir os laços. [...] Assim, podemos ter uma boa cooperação em todas as áreas, e em especial no setor de energia.” [24]
• Mottaki propôs um “roadmap” para a cooperação em energia entre o Irã e o Brasil, particularmente no setor petrolífero e de produção de eletricidade. O Ministro brasileiro de Energia, Edison Lobão, disse: “O Irá é nosso amigo, com o qual muito gostaríamos de aprofundar nossas relações.” [25]
• “O Irã e o Brasil são dois países em linha com a cooperação Sul-Sul e o Brasil tem sempre se beneficiado com suas relações com o Irã,” disse o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante uma conferência de imprensa conjunta com seu colega iraniano. [26]
• Em novembro de 2008, o Brasil pediu ao Conselho de Segurança da ONU para “engavetar o dossiê nuclear sobre o Irã e permitir a normalização do caso de enriquecimento [de urânio] do país.” [27]
• Em março de 2009, o comandante das forças americanas na América Latina, James Stavridis, advertiu sobre o crescimento das atividades iranianas e do Hezbollah em toda a região: “Vemos uma grande atividade do Hezbollah na América do Sul, em especial. A fronteira tríplice do Brasil provoca uma preocupação especial, tanto como no Brasil, no Paraguai e na Argentina, assim como [outras] partes do Brasil e na Bacia do Caribe.” [28]
• O Presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva anunciou publicamente seu apoio ao programa nuclear iraniano em setembro de 2007. [29]
Bolívia
• O Irã proporcionou à Bolívia 1,1 bilhões de dólares em fundos de cooperação industrial desde 2007. [30]
• Durante a operação de defesa de Israel em Gaza, encerrada em 18 de janeiro de 2009, a Bolívia cortou suas relações com Israel em protesto contra as ações de Israel, aparentemente em solidariedade com o Irã, mesmo que Israel não tivesse embaixador na Bolívia. [31]
Colômbia
• Em outubro de 2008, as autoridades americanas e colombianas desmantelaram uma operação, apoiada pelo Irã, de tráfico de drogas do Hezbollah, e cujos lucros foram enviados para a Europa, Estados Unidos e para milícias no Líbano, de acordo com relatórios do Departamento da Justiça dos Estados Unidos. [32]
• Em março de 2009, o comandante das forças americanas na América Latina expressou sua preocupação, numa sessão da Comissão das Forças Armadas do Senado americano, sobre o nível das atividades do Hezbollah e do Irã no país e seu envolvimento com o tráfico colombiano de drogas: “Temos visto na Colômbia uma conexão direta entre o Hezbollah e a atividade de tráfico de narcóticos,” disse ele. [33]
Cuba
• Em fevereiro de 2006, Cuba e Irã assinaram um acordo de cooperação econômica para “facilitar a exportação de mercadorias iranianas, assim como serviços de engenharia e de técnica para Cuba.” [34]
• Em meados de 2008, o Irã proporcionou à Cuba uma linha de crédito de 270 milhões de dólares. [35]
Equador
• Em janeiro de 2008 o Irã estabeleceu um escritório comercial em Quito. [36]
• Em março de 2008, o Irã e o Equador concordaram sobre uma cooperação econômica e militar. [37] O Presidente Rafael Correa visitou o Irã em dezembro de 2008, quando os dois países concordaram em abrir embaixadas em cada capital e explorar a cooperação nos campos de defesa, energia, tecnologia e ciências. [38]
• No início de 2009, instrutores militares do Irã, especializados em guerra de guerrilha e anti-guerrilha supervisarão os militares equatorianos. [39]
• Em março de 2009, oficiais do Irã disseram que emprestariam 40 milhões de dólares para financiar duas usinas de eletricidade no Equador. [40]
• O Embaixador de Israel no Equador, Eyal Sela, relatou que o Irã planeja criar uma rede árabe de TV na América Latina, para se comunicar com o público. Sela também disse que há um grande interesse iraniano nos depósitos de urânio da Bolívia e do Equador, e que o Irã tem investido mais de 20 bilhões de dólares pela América Latina. [41]
México
• Os membros do Hezbollah, apoiado pelo Irã, usam a fronteira com o México para entrar nos Estados Unidos. Em maio de 2001, o conselheiro de segurança nacional do México e seu embaixador nos Estados Unidos, Adolfo Aguilar Zinser, relatou: “Grupos terroristas espanhóis e islâmicos estão usando o México como um refúgio.” [42]
• Em dezembro de 2002, o dono de um café em Tijuana foi preso por ter contrabandeado mais de 200 libaneses para os Estados Unidos. Muitos deles foram considerados como tendo laços terroristas com o Hezbollah, apoiado pelo Irã. [43]
• Em 1° de maio de 2005, Mahmoud Yossef Kourani, irmão do chefe de operações militares do Hezbollah no sul do Líbano, declarou-se culpado, nos Estados Unidos, de apoiar financeiramente o Hezbollah. Kourani tinha sido contrabandeado através da fronteira México-Estados Unidos depois de ter subornado um funcionário consular mexicano em Beirute para receber um visto mexicano de entrada. Nos Estados Unidos, ele morava entre expatriados libaneses em Dearborn, Michigan, onde angariava fundos para atividades terroristas do Hezbollah no Líbano. [44]
Nicarágua
• Em março de 2007, o Irã e a Venezuela prometeram 350 milhões de dólares para a construção de um porto marítimo de águas profundas em Monkey Point, na costa do Caribe da Nicarágua. [45]
• Ainda em 2007, o Irã fez à Nicarágua um empréstimo de 231 milhões de dólares para construir uma represa hidroelétrica. [46]
• Em julho de 2007, o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, permitiu a 21 iranianos entrar no país sem vistos. [47]
• Em agosto de 2008, o Irã doou 2 milhões de dólares para a Nicarágua para construir um hospital. [48]
• Na embaixada do Irã em Manágua, Nicarágua, funcionários iranianos têm imunidade para viajar sem restrições. Como a embaixada está protegida contra observadores externos, funcionários dos Estados Unidos receiam que a embaixada se torne um eixo no transporte de armas. [49]
• Em fevereiro de 2009, o Embaixador do Irã na Nicarágua revelou que o Irã planeja investir mais de 200 milhões de dólares na Nicarágua, para a construção de uma represa e de uma estação de energia hidroelétrica. [50]
Panamá
• As próximas eleições presidenciais em maio de 2009 no Panamá poderão reforçar a influência de Chávez – e por tabela a do Irã – na região. A candidata favorita Balbina Herrera (do Partido Democrático Revolucionário) poderá potencialmente se juntar a uma aliança estratégica com a China, Rússia e o Irã contra os Estados Unidos, e continuar a iludir o eleitorado favorável a negócios e amigo dos Estados Unidos no Panamá.[51]
Paraguai
• Em agosto de 2008 o esquerdista Fernando Lugo foi eleito com forte apoio da grande população muçulmana do país. Os esforços de levantamento de fundos nas áreas muçulmanas foram apoiados pelo Irã e pela Venezuela. Com a vitória de Lugo, Ahmadinejad o congratulou, chamando-o de “um homem de Deus e um inimigo do Grande Satã”. [52]
Uruguai
• Em outubro de 2007, investigadores uruguaios surpreenderam seu governo tentando comprar munições do Irã. A compra foi desviada através da Venezuela, para contornar as restrições da ONU sobre a República Islâmica. A remessa, em navio de bandeira da Marinha uruguaia, incluía cerca de 15.000 cartuchos de munições iranianas, que faziam parte de um negócio ilegal maior, envolvendo a venda de 18.000 rifles automáticos de produção iraniana. [53]
• Em outubro de 2008, Ahmadinejad se encontrou com o novo Embaixador do Uruguai em Teerã, Fernando Arroyo, frisando que o Irã está determinado a ampliar suas relações com o Uruguai. [54]
Venezuela
• De acordo com o dissidente e jornalista iraniano Manouchehr Honarmand – que ficou aprisionado por três anos na Venezuela – funcionários iranianos estão envolvidos em todos os setores da economia venezuelana. [55]
• Ahmadinejad e Chávez se encontraram sete vezes desde novembro de 2008. [56]
• Desde 2001, o Irã e a Venezuela assinaram mais de 180 acordos comerciais, avaliados em mais de 20 bilhões de dólares em investimentos potenciais. [57]
• Em inícios de 2007, o Irã e a Venezuela iniciaram um Fundo de Liberação de 2 bilhões de dólares para países que desejam se libertar de uma suposta “dominação americana”. Ahmadinejad disse que o Irã e a Venezuela estão “promovendo o pensamento revolucionário através do mundo”. [58]
• Em março de 2007, a IranAir iniciou vôos na rota Teerã-Damasco-Caracas. No outubro seguinte, a empresa estatal de aviação da Venezuela, Conviasa, também começou a seguir esta rota. Um funcionário sírio disse que os vôos eram uma maneira de evitar as “importunações” que os viajantes muçulmanos tinham após o 11 de setembro de 2001. [59]
• Em dezembro de 2008, o diário italiano La Stampa relatou que vários vôos da Conviasa tinham transportado funcionários da inteligência iraniana, oficiais militares e materiais banidos pela ONU, incluindo componentes do programa de mísseis balísticos do Irã. [60]
• Diplomatas iranianos, assim como membros do Hezbollah e da Guarda Revolucionária do Irã, podem agora voar diretamente para a Venezuela, e depois para outros países latino-americanos. Na realidade, os membros do Hezbollah estão voando de ida e de volta, alguns para “treinamento no Irã”. Recentemente a inteligência americana sugere que o Hezbollah e a Guarda Revolucionária iraniana possuem uma força-tarefa no local para seqüestrar viajantes judeus na Venezuela e os enviar pela IranAir para o Líbano. [61]
• Em julho de 2007, Irã e a Venezuela iniciaram a construção de dois complexos petroquímicos conjuntos, um no Irã e um na Venezuela, a um preço combinado de 1,4 bilhões de dólares. [62]
• Em novembro de 2007, Chávez e Ahmadinejad assinaram quatro memorandos de entendimento com a intenção de criar um banco conjunto, um fundo, um programa de treinamento industrial técnico e um acordo comercial. [64]
• Tarek El-Aissami, que foi recentemente nomeado Ministro do Interior e Justiça na Venezuela, é acusado de ter afiliações com o Hezbollah. El-Aissami é acusado de fornecer documentos falsos e de expedir passaportes ilegalmente para membros do Hamas e do Hezbollah, quando era chefe do serviço de passaportes e naturalização, Onidex. [65]
• Em janeiro de 2008, funcionários turcos detiveram uma remessa iraniana destinada à Venezuela que continha equipamento de laboratório capaz de produzir explosivos. “O equipamento era suficiente para estabelecer um laboratório de explosivos,” disse um funcionário da alfândega turca para a Associated Press. [66]
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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