O TrOgLoDiTA

Divagações…

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28/09/2009 -  14:24     

Honduras contra a mentira global

Olavo de Carvalho | 28 Setembro 2009

Colaboracionistas em profusão, espalhados pela mídia internacional, apressam-se em alardear que a presença do presidente criminoso na embaixada brasileira desestabiliza o regime hondurenho e o predispõe a concessões. Isso é pura guerra psicológica. Quem quer trégua não priva o inimigo de água e comida, nem atira nos agentes chavistas que o apóiam, camuflados de cidadãos hondurenhos. Quem está desestabilizada é a “ordem global”, que mostrou toda a sua fraqueza, todo o seu desespero, ao ficar provado que, para destruí-la, basta um povo pequeno e corajoso dizer “Não”.

Se algo os acontecimentos recentes em Honduras confirmam, é aquilo que venho dizendo há anos: quem quer que, sem ser esquerdista, preste algum favorzinho aos esquerdistas, acaba sendo acusado por eles de fazer exatamente o contrário do que fez, de ser um direitista feroz e intolerante que só os persegue, maltrata e atemoriza.

Em 28 de junho, a Suprema Corte de Honduras determinou a prisão do presidente Manuel Zelaya por ter infringido a Constituição e ameaçado usar a força contra o poder legislativo. Os militares, em vez de executar a ordem, deixaram-se enternecer pelo desgraçado e permitiram que escapasse para a Costa Rica. Resultado: a esquerda mundial inteira os acusa de ter “expulsado” Zelaya, de ter dado um “golpe”, de ter “rompido a estabilidade das instituições”.

Se tivessem prendido o delinquente e o levado a julgamento, a esquerda mundial poderia estar tão enfezada quanto está agora, mas não teria nenhum pretexto para dizer essas coisas. Teria de inventar outras mentiras, mais trabalhosas, menos persuasivas.

Não sei quantas décadas ou séculos de experiência e de sofrimento inútil a humanidade ainda precisará para compreender que indivíduos contaminados pela mentalidade revolucionária não são pessoas normais, confiáveis, das quais se possa esperar lealdade, gratidão, bondade ou acordo racional, mesmo em doses mínimas.

A história está repleta de casos de conservadores, católicos, protestantes, judeus, que arriscaram suas vidas para salvar comunistas perseguidos. Não consta dos anais do mundo um só episódio de comunista de carteirinha que tenha feito o mesmo por um reacionário, um só exemplo de radical islâmico que tenha arriscado o pescoço para livrar um infiel das garras dos aiatolás vingadores.

A mentalidade revolucionária não admite leis ou valores acima do poder revolucionário, não conhece caridade ou humanitarismo exceto como expedientes publicitários a serviço da revolução, não admite lealdade senão ao aparato revolucionário, não aceita a existência da verdade senão como simulacro de credibilidade da mentira revolucionária.

Com toda a evidência, é assim que funciona a mente dos srs. Luís Inácio Lula da Silva, Hugo Chávez, Marco Aurélio Garcia e demais próceres do Foro de São Paulo.

O sr. Lula acaba de dar mais um exemplo da sua mendacidade revolucionária infatigável, ao afirmar que o governo brasileiro nada sabia do retorno de Manuel Zelaya a Honduras, quando o próprio Zelaya confessa que foi tudo combinado com o sr. Marco Aurélio Garcia.

Colaboracionistas em profusão, espalhados pela mídia internacional, apressam-se em alardear que a presença do presidente criminoso na embaixada brasileira desestabiliza o regime hondurenho e o predispõe a concessões. Isso é pura guerra psicológica. Quem quer trégua não priva o inimigo de água e comida, nem atira nos agentes chavistas que o apóiam, camuflados de cidadãos hondurenhos. Quem está desestabilizada é a “ordem global”, que mostrou toda a sua fraqueza, todo o seu desespero, ao ficar provado que, para destruí-la, basta um povo pequeno e corajoso dizer “Não”.

Não acreditem em jornalistas que lhes apresentam a crise hondurenha como uma questão de aceitar ou rejeitar Zelaya na presidência. Esse problema nem sequer existe. Como presidente ou como cidadão, há uma ordem de prisão contra ele. Recolocá-lo no Palácio Presidencial é apenas garantir que ele irá para a cadeia com honras de chefe de Estado. Honduras não está lutando para se livrar de um político safado, mas para assegurar que a ordem legal e constitucional do país valha mais do que a opinião de bandidos e tagarelas estrangeiros autonomeados “consenso internacional”.

Para lidar com essa gente toda precaução é pouca, toda suspeita é modesta, toda conjeturação de motivos sórdidos corre o risco de ficar muito aquém da realidade. Os hondurenhos parecem ser o primeiro povo do mundo que percebeu isso.

Fonte: Mídia sem Máscara

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22/09/2009 -  07:58     

IRRESPONSÁVEIS, FALASTRÕES E PERIGOSOS

O Brasil não reconhece o governo de Honduras. Muito bem. É parte do jogo e do concerto das nações. Este não-reconhecimento tem graus e vai da suspensão de qualquer cooperação até o fechamento da embaixada, com a retirada de todo o corpo diplomático. Mas aquilo a que se assiste em Tegucigalpa é outra coisa: o Itamaraty, numa ação concertada com Hugo Chávez e Daniel Ortega, criou meios para a entrada de Manuel Zelaya no país, violando a Constituição do Brasil, a Constituição de Honduras e a Carta da OEA. Já demonstrei isso. Mas o bolivarianinho Celso Amorim achou pouco: permitiu que Manuel Zelaya usasse as dependências da embaixada para convocar os seus seguidores para a “resistência”.

Embora fale em nome da “paz”, o apelo do bandoleiro deposto não descarta a guerra civil: “Pátria, restituição ou morte”. Lula e Amorim usam a pobre Honduras de forma miserável para exibir seus músculos (santo Deus!!!) e esperam que os hondurenhos tenham o juízo que eles não têm. Afinal, que compromisso o chamado “governo de fato” pode ter com a inviolabilidade da embaixada do Brasil se é considerado um “fora-da-lei”? “Creio que, no momento, tudo que se pode dizer é reiterar nosso pedido diário para que ambas as partes desistam de ações que tenham um desenlace violento”, afirmou Ian Kelly, porta-voz do departamento de Estado dos EUA. E, então, chegamos ao problema.

Os americanos já perceberam — e vai demorar bastante tempo até que a opinião pública mundial se dê conta — que Barack Obama como “líder” do Ocidente é uma piada. Poderíamos supor que a ação do eixo Lula-Chávez-Ortega contou com a bênção dos EUA. Não faltará quem vá buscar indícios de que a Casa Branca sempre esteve no controle. Bobagem! O governo americano foi surpreendido pelo protagonismo da esquerda carnívora (Chávez e Ortega) unida à esquerda herbívora (Lula).

Tenho me correspondido com hondurenhos. Não há menor a possibilidade de Zelaya governar o país a não ser com leis de exceção. Seus únicos apoios são sindicatos dominados por grupelhos de esquerda. Os EUA já tinham se dado conta disso e contavam empurrar a situação com a barriga até novembro, quando há eleições. Mas não deixaram claro que uma ingerência nos assuntos internos de Honduras era inaceitável. Então os lobos e os ruminantes entraram em ação. Tudo debaixo do queixo de estátua de Obama. Se a opinião pública ainda não percebeu que ele é fraco, hesitante, colegial, os governos já entenderam tudo. Pode passar a mão no joelho do rapaz, que a reação indignada virá umas 48 horas depois.

Antes que volte a Brasil e Honduras, mais algumas considerações sobre o mito já despedaçado. Obama é patético. A recente decisão de renunciar ao escudo antimísseis na Europa Oriental, dançando cancã para Putin, de saiote levantado, sem exigir uma miserável contrapartida, dá conta de com quem o mundo está lidando. Há uma explicação bastante sofisticada, inteligente e errada, para o caso: ele agiria assim porque pretende ter o apoio da Rússia, que pressionaria o Irã a não dar seqüência a seu plano nuclear. Aiatolás se interessam por russos enquanto russos forem úteis às pretensões, vamos dizer, “imperialistas” dos aiatolás. No dia em que a Rússia deixar de ser um bom parceiro, o Irã vai fazer o que acha certo. E, nesse caso, pode ser tarde demais.

Que fique o registro: eu não achava uma grande idéia instalar os escudos na Europa Oriental. Tomada a decisão pelo governo americano (pouco importa quem era o presidente), não se volta atrás assim, sem mais nem aquela. Sem contar que Obama deixou na mão os aliados dos EUA na Europa Oriental. Ele poderia ter parado por aí. Mas foi além: como tem a pretensão de governar os EUA a partir dos meios de comunicação, saiu negando que estivesse tentando agradar a Rússia. Ou seja, estava tentando agradar a Rússia. É um primitivo vendido por seus mistificadores como grande estrategista. O que me consola é que não será reeleito.

Por que essa digressão sobre Obama e o escudo? Chamo a atenção dos senhores para o fato de que um presidente dos EUA que faz essas patetices é absolutamente compatível com este que assiste à segunda tentativa de golpe civil bolivariano em Honduras. O primeiro foi repelido pela Justiça, pelo Congresso, pelas Forças Armadas e pela população. Mas Chávez não se conformou. Daniel Ortega mandou homens para a fronteira. Súcias de venezuelanos e nicaragüenses entraram no país para comandar o banho de sangue, frustrado porque é tal o ódio que o país tem a Zelaya, que falta a um dos lados massa para o confronto. Como tudo fracassou, então os neogorilas do continente rasgam a Carta da OEA, pisoteiam na Constituição hondurenha e garantem a Zelaya a volta ao país, usando a embaixada brasileira em Tegucigalpa como palco dessa pantomima.

Sim, no Brasil, há quem veja nessa atitude um gesto de coragem, ousadia e humanismo até. Sem dúvida. A prova maior da grandeza moral de Lula é sua undécima defesa da ditadura cubana, agora nas Nações Unidas. O governo brasileiro insufla a guerra civil num país que não tem presos de consciência e respeita as normas comezinhas do Estado de Direito e pede que uma tirania seja tratada como um governo respeitável. E alguns tontos no Brasil se regozijam. Ora, digamos que a Justiça, o Congresso e as Forças Armadas tivessem deposto Zelaya em desacordo com a Constituição, O QUE É MENTIRA, pergunto: isso justifica que o Brasil, para restaurar a democracia (que nunca deixou de existir), viole as regras mais básicas do direito internacional?

Porta-vozes de Celso Amorim na imprensa brasileira já se encarregam de espalhar a versão de que Zelaya ter “escolhido” (!!!) o Brasil é sinal do prestígio do país na região.

A propósito: aquela gente que ficou torrando a minha paciência apontando o “golpe” que derrubou Zelaya não vai reclamar da óbvia ingerência do Brasil nos assuntos internos de um outro país e do desrespeito à Carta da OEA? Micheletti pediu que o Brasil entregue Zelaya à Justiça. Que Justiça? Lula e Amorim, pelo visto, não reconhecem nem o Congresso nem o Judiciário de Honduras. A reinstalação de Zelaya no poder só poderia se dar se ele fosse posto num trono, com rei absolutista de Honduras, não como presidente.

De todas as porra-louquices internacionais feitas pelo Megalonanico, esta foi, sem dúvida, a maior e mais ousada, pautada, ademais, pela propaganda. Lula vai defender o fim do embargo comercial americano à tirania cubana com a “força” de quem intervém de modo grotesco na realidade interna de um outro país, mesmo com o risco de lançá-lo numa guerra civil. Lula queria ser notícia no mundo. Até havia pouco, noves fora a discurseria mistificadora, o governo Lula era, em política internacional, arrogante e falastrão. Agora estamos vendo que pode ser também perigoso.

Não faz tempo, a Economist perguntou de que lado estava o Brasil. A resposta era e é clara: do lado das ditaduras e dos que vislumbram uma “nova ordem” com o declínio dos EUA. Começamos a ver que cara ela vai assumindo.

Fonte: Reinaldo Azevedo

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03/09/2009 -  15:35     

Obama versus a democracia hondurenha

31 de Agosto de 2009 – por Mary Anastasia O’Grady

Se o governo Obama fosse uma frota de navios, estaria enviando um sinal de SOS agora mesmo. Seu plano de saúde bateu no equivalente político de um iceberg. E na semana passada o prestígio internacional do presidente foi detonado pelos escoceses, que libertaram o responsável pelo atentado de Lockerbie sem demonstrar a menor consideração pelos interesses americanos. A promessa de campanha de Obama de reinstaurar o bom senso no gerenciamento orçamentário foi para o brejo.

O governo precisa de uma vitória. Ou, mais precisamente, o governo não tem como arcar com outra derrota nesse momento. Sobretudo, o governo não pode se dar ao luxo de ser derrotado por um paisinho da América Central que não conhece seu lugar e ousa questionar as ordens imperiais do Tio Sam.

Claro que estou falando de Honduras, que, apesar de dois meses de intensa pressão de Washington, continua se recusando a restabelecer Manuel Zelaya, o presidente deposto. Na semana passada, o governo engrossou a fala e deixou claro que pretende usar tudo que tem para quebrar o pescoço da democracia hondurenha. As ameaças podem funcionar. Mas o governo nunca poderá se gabar daquilo que fez.

O exemplo mais recente da política de boa vizinhança no estilo Obama foi o anúncio, semana passada, de que estavam suspensos indefinidamente os vistos para hondurenhos, e que cerca de US$135 milhões em ajuda bilateral poderiam ser cortados. Mas esses são só os exemplos públicos das táticas pesadas. Há coisas muito mais sérias acontecendo nos bastidores, vindas de um presidente que prometeu ao povo americano maior transparência e uma política externa menos intervencionista.

Recapitulando as forças armadas de Honduras executaram em junho um mandado contra Zelaya por ele ter tentado realizar um referendo sobre a possibilidade de reeleição. O artigo 239 da constituição hondurenha afirma que qualquer presidente que tente um segundo mandato perde automaticamente seu cargo. Ao insistir que Zelaya volte ao poder, os EUA tentam forçar Honduras a violar sua própria constituição.

O governo também está pedindo aos hondurenhos que arrisquem ter o destino da Venezuela. Eles sabem que Hugo Chávez foi eleito democraticamente em 1998 e se transformou em ditador vitalício daquele país, o que obteve destruindo os freios e contrapesos institucionais do país. Quando Zelaya tentou fazer o mesmo em Honduras, a nação cortou o mal pela raiz.

Para Chávez, o retorno de Zelaya ao poder é crucial. O venezuelano está espalhando ativamente sua mensagem marxista pela região, e Zelaya era seu homem em Tegucigalpa.

A resposta hondurenha é um grande golpe para Caracas. É por isso que Mr. Chávez mobilizou a esquerda latina para exigir o retorno de Zelaya. Semana passada, Leonel Fernández, presidente dominicano, juntou-se à turba, pedindo que Honduras fosse expulso do CAFTA-RD. Fernandez é um grande amigo de Chávez, além de beneficiário do programa venezuelano de trocar, no Caribe, petróleo por obediência.

Obama aparentemente quer entrar na festinha esquerdinha. Essencialmente, ele concorreu à presidência contra George W. Bush. Bush não era apreciado em círculos socialistas. O atual governo que mostrar que pode ser legal com Chávez e seus amigos.

Os métodos de Obama decididamente não são legais. Hondurenhos importantes, incluindo membros proeminentes da comunidade empresarial, estão reclamando que uma autoridade do Departamento de Estado foi pressioná-los a fazer com que o governo interino aceite o retorno de Zelaya ao poder.

Quando perguntei ao Departamento de Estado se estava mesmo usando esses truques sujos, uma porta-voz respondeu apenas que os EUA estavam “incentivando membros da sociedade civil a apoior o ‘acordo’ de San José — que pede o restabelecimento de Zelaya. Talvez algo tenha se perdido na tradução, mas ameaças de usar o poder americano contra um país pequeno e pobre não podem ser bem chamadas de incentivo.

Em outras partes da região ouve-se que autoridades americanas vêm pedindo a governos latinos que apoiem a posição dos EUA. Quando perguntei ao Departamento de Estado se isso era verdade, uma porta-voz não respondeu a questão. Ela só disse que os EUA estão ‘cooperando com a [OEA] e Oscar Arias [presidente da Costa Rica] para defender o acordo de San José”.

Em outras palavras, ainda que não vá admitir a coerção, os EUA estão pressionando fortemente a OEA a fazer valer seus objetivos.

Isso não só parece injusto com a democracia americana, como ainda parece contradizer a posição americana anterior. Numa carta ao senador Richard Lugar em 4 de agosto, o Departamento de Estado afirmou que sua “estratégia não se baseia em nenhum político ou indivíduo em particular”, mas em encontrar “uma resolução adequada ao povo hondurenho e a suas aspirações democráticas”.

Muitos hondurenhos acham que os EUA não estão de jeito nenhum usando seu soco-inglês para servir a suas “aspirações democráticas”, mas as aspirações diametralmente opostas de um bandido da vizinhança.

Fonte: Ordem Livre

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21/07/2009 -  11:32     

A guinada à esquerda dos EUA em Honduras

Mary Anastasia O’Grady

Quando Hugo Chávez pede ajuda a Washington pessoalmente, como fez no último dia 9 de julho, isso levanta sérias questões a respeito daquilo que o presidente Barack Obama tem sinalizado para o ditador mais perigoso do hemisfério.

O que está em questão é a determinação de Mr. Chávez em, valendo-se de pressões multilaterais, restabelecer no poder Manuel Zelaya, o presidente deposto de Honduras. Seu telefonema a uma autoridade do Departamento de Estado mostrou que sua campanha não estava indo bem, e que ele achou que poderia obter ajuda dos EUA.

Não são boas notícias para a região. O venezuelano pode achar que seus objetivos têm apoio bastante dos EUA e da OEA para que ele se sinta justificado em forçar Mr. Zelaya a Honduras, apoiando a derrubada violenta do governo atual. Que ele tenha motivos para pensar assim é mais um sinal de que o governo Obama está do lado errado da História.

Nas três semanas que já se passaram desde que o congresso de Honduras fez uma moção de defesa da constituição do país retirando Mr. Zelaya do cargo, ficou claro que sua prisão tanto aconteceu dentro da lei quanto foi uma precaução necessária contra a violência.

Mr. Zelaya estava tentando usar a oclocracia para enfraquecer as instituições hondurenhas exatamente como Mr. Chávez na Venezuela. Mas, como observou no Los Angeles Times em 10 de junho Miguel Estrada, advogado de Washington, as ações de Mr. Zelaya eram expressamente proibidas pela constituição hondurenha.

Como observou Mr. Estrada, “o artigo 239 diz especificamente que qualquer presidente que meramente proponha que se permita a reeleição ‘cessará imediatamente’ o desempenho de suas funções, e o artigo 4 estabelece que qualquer ‘infração’ das regras de sucessão constitui traição”. O congresso não tinha saída além de ir adiante. Reuniu-se, segundo Mr. Estrada, “imediatamente após a prisão de Zelaya”, condenando sua conduta ilegal, e votando avassaladoramente (122 a 6) por sua remoção do cargo.

Mr. Zelaya foi enviado para fora do país porque Honduras acreditou que sua prisão faria dele um pára-raio de violência. O presidente interino Roberto Micheletti prometeu que as eleições presidenciais marcadas para novembro aconteceriam normalmente.

Isso poderia ter encerrado o assunto se os EUA tivessem apoiado as leis de Honduras, ou simplesmente não tivesse interferido. Em vez disso, o presidente Obama e o Departamento de Estado juntaram-se a Mr. Chávez e seus aliados, exigindo que Mr. Zelaya retorne à presidência. Com isso, a Venezuela ficou mais ousada.

Em 5 de julho, Mr. Zelaya entrou num avião tripulado por venezuelanos, destinado a Tegucigalpa, sabendo perfeitamente que sua aterrissagem não seria permitida. Não fez diferença. Sua intenção era criar turbas e forçar um enfrentamento entre seus defensors e os militares. Funcionou. Uma pessoa morreu em confrontos perto do aeroporto.

Porém, a tragédia não rendeu a desejada condenação do governo de Micheletti. Em vez disso, ela fortaleceu os patriotas hondurenhos. Talvez porque a violência no aeroporto tenha reforçado a afirmação de que Mr. Zelaya é uma ameaça à paz.

Ele não foi o único a perder credibilidade naquele dia. José Miguel Insulza, secretário-geral da OEA, incentivou a encenação nos céus apesar de seus riscos evidentes. Ele chegou até a viajar num outro avião, atrás de Mr. Zelaya, para demonstrar apoio. O incidente destruiu qualquer possibilidade de Mr. Insulza ser considerado um mediador honesto, e também deixou claro que, ao insistir no retorno de Mr. Zelaya, os EUA estavam brincando com fogo.

No dia seguinte, Oscar Arias, presidente da Costa Rica, ofereceu-se para atuar como mediador entre Mr. Zelaya e o novo governo. Mr. Arias parece estar longe de ser um juiz imparcial, considerando que defende Mr. Zelaya. Mas também é verdade que a América Central tem muito a perder se houver guerra civil em Honduras. Por isso, é mais auspicioso para a democracia hondurenha negociar em San José do que sob os cuidados da OEA.

Outras pessoas influentes da região expressaram apoio a Honduras. Na semana passada, o jornal diário hondurenho El Heraldo noticiou que o embaixador de El Salvador à OEA disse que espera ver revogada a resolução que suspendia Honduras do grupo com a entrada do novo presidente do conselho permanente. O Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga condenou as táticas violentas de Mr. Zelaya e diz que Honduras não pretende imitar a Venezuela.

Mr. Chávez entende que a estrela de Mr. Zelaya está se apagando, e foi por isso que ele telefonou para a casa de Tom Shannon, o secretário-assistente para o hemisfério ocidental do Departamento de Estado, às 11h15 da noite de 9 de julho. Mr. Shannon me disse que Mr. Chávez “novamente argumentou em favor do retorno incondicional de Mr. Zelaya, ainda que tenha feito isso de maneira menos bombástica que no passado”.

Mr. Shannon diz que em resposta “sugeriu a ele que a Venezuela e seus aliados lidem com o medo convocando eleições livres e claras e pedindo uma transição pacífica para um novo governo”. Isso, segundo Mr. Shannon, “não aconteceu”.

Nem é provável que aconteça. Ainda assim, os EUA continuam fazendo muita pressão pelo retorno de Mr. Zelaya. Se conseguirem, é difícil que as turbas de Mr. Zelaya ou de Mr. Chávez fiquem subitamente amansadas.

Fonte: Ordem livre

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20/07/2009 -  10:59     

Incrível: Manuel Zelaya venceu um referendo que nem aconteceu!

ATENÇÃO:

Até o momento em que escrevo este texto, às 14h15 de domingo, 19 de julho, a informação não aparece nas agências ou jornais em inglês – que alimentam as seções internacionais da grande imprensa brasileira. No entanto, a notícia circula em Honduras, países de língua espanhola e blogs independentes americanos há mais de 24 horas.

O jornal La Tribuna de sexta, 17 de julho, mostra que autoridades do departamento de Investigação Criminal de Honduras apreenderam computadores do palácio presidencial. Os investigadores dizem que os computadores trazem resultados do referendo que Manuel Zelaya queria promover na marra em 28 de junho, o dia em que ele foi enxotado pelas instituições em obediência à Constituição. E o referendo aconteceu? Não. Mas e daí? A apuração oficial já estava prontinha! Certificada e tudo mais. O povo já tinha decidido entronizar Zelaya antes mesmo de ir às urnas. Beleza! Isso se chama socialismo do século XXI.

Todo mundo viu na televisão, todo mundo leu nos jornais, todo mundo SABE: houve um golpe violentíssimo em Honduras. Os truculentos militares derrubaram o pobre Zelaya só porque o bichinho queria privilegiar as camadas pobres da população. Tudo orquestrado pela elite branca. Tanto é que os democratas da região, Hugo Chávez, Evo Morales, Daniel Ortega, Rafael Correa, Fidel & Raúl Castro e o nosso Lula – o Foro de São Paulo em peso -, correram para denunciar aquela barbaridade e prestar solidariedade ao companheiro. Também se uniram em defesa de Zelaya os outros bandidos da OEA, os socialistas da ONU e, por fim, o socialista que ocupa a Casa Branca. Infelizmente, milhares de hondurenhos alienados não querem socialismo e dispensam as sugestões das organizações internacionais.

Repetindo: a apreensão dos computadores foi relatada pelo jornal hondurenho La Tribuna anteontem, sexta, 17 de julho. Essa notícia vai sair na Folha, no G1, no Jornal Nacional? Depende do New York Times e da Reuters. Já se passaram dois dias. Será que a denúncia do referendo de cartas marcadas armado por Zelaya e seu chefe Hugo vai chamar a atenção das redações lotadas de esquerdistas? He, he. Vamos aguardar.

Antes de publicar, procurei de novo alguma referência em inglês. O USA Today noticiou. De qualquer forma, você soube primeiro aqui, com o Bruno Pontes – em português, ao menos.

Fonte: Bruno Pontes

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17/07/2009 -  11:59     

Mortes anunciadas.


Quando o ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi impedido pelas Forças Armadas de dar um golpe, sendo deposto pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo, o mundo inteiro voltou-se contra o fato de que o antigo mandatário foi retirado da sua cama à noite, sob a mira de fuzis, enviado para outro país vestindo pijamas. Este se tornou o único argumento para que o ocorrido fosse denominado pela imprensa e por todos os países da América como um “golpe de estado”. Em cima deste único argumento, já que pelos demais ficou demonstrado que o verdadeiro golpista era o presidente deposto, armou-se uma guerra midiática contra Honduras, uma guerra econômica, um guerra terrorista desenvolvida pelos países vizinhos, com ameaças de invasão e de retaliações armadas, inclusive. Luiz Inácio Lula da Silva e seus assessores foram figuras de proa na condenação veemente ao ocorrido, inclusive cortando ajuda humanitária aquele país.
Nas últimas quarenta e oito horas, Manuel Zelaya vem fazendo ameaças diretas de iniciar uma guerrilha armada em Honduras, com o apoio dos seus partidários e de militantes bolivarianos da Venezuela, Nicarágua e Cuba, infiltrados no país. Hoje a chanceller deposta, na Bolívia, ao lado de Hugo Chávez, voltou a ameaçar diretamente os hondurenhos. Fez um chamamento agressivo e criminoso para um conflito que mergulhará o país em um banho de sangue, sob o silêncio constrangedor dos presidentes “democratas” das Américas.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que é mais grave? Um presidente ser deposto pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo de um país, sendo levado em segurança para o exílio, ou este presidente deposto tentar retornar ao país incitando seus partidários com o auxílio de governantes vizinhos, com isso causando mortes, e pregando abertamente a insurreição e o início de uma guerra civil? Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, posicione-se e saia do silêncio. Qualquer conflito interno em Honduras, fortalecido pelo seu apoio irrestrito ao presidente deposto, que gerar mortes, também será debitado na sua inteira responsabilidade. As suas mãos estão prestes a apoiar um banho de sangue, presidente Lula. E o seu silêncio é uma confissão de culpa. Não esqueça, Lula: pela primeira vez na história deste país um presidente apóia e silencia frente a uma carnificina anunciada. Sua mão suja de sangue, Lula, ficará eternizada na história.
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09/07/2009 -  12:21     

DO QUE É QUE ELES TÊM TANTO MEDO?

Indaguei ontem: por que a canalha latino-americana grita tanto contra o que chama “golpe” em Honduras, quando resta evidente que Manuel Zelaya é que tentava golpear as instituições. Teme-se o óbvio: o efeito cascata. Como o próprio Lula exclamou: “Imaginem se vira moda!”

Pois é. Imaginem se as forças políticas – em associação com os militares, sim – começam a botar para correr os vagabundos que solapam a democracia para, supostamente, democratizar os países. Pela ordem: Chávez, Rafael Correa, Evo Morales e Daniel Ortega deveriam ter tido o mesmo destino que hoje tem Zelaya. Mais: o chavismo está levando sua “revolução” para o Peru. No Paraguai, Fernando Lugo, companheiro de Ortega em molestamento infantil, ensaia passos ainda tímidos, mas reais, no golpe de inspiração bolivariana.

E, aqui, meus caros, é importante considerar que esses líderes se aproveitam de um momento em que, com efeito, as forças militares do continente, antes fiadoras das chamadas “elites tradicionais”, decidiram, em regra, se profissionalizar. Contentam-se, felizmente, em ser guardiãs da Constituição – o que, na prática, são em todos os países democráticos.

Ora, não é segredo para ninguém que a América Latina foi infelicitada pelas, vá lá, elites historicamente corruptas. Mas será que o melhor método de combatê-las é o chavismo? Quer dizer que as “elites historicamente corruptas” serão substituídas por uma nova elite corrupta, que ainda pretende fazer história, é isso? De certo modo, com outros métodos, o mesmo processo está em curso no Brasil. As oligarquias tradicionais se juntaram aos novos oligarcas, que seqüestraram, pela via eleitoral, o aparelho de estado. Quando Lula chegou ao poder, encontrou instituições sólidas. O PT bem que tentou e tenta enfraquecê-las. Hoje, elas são menos saudáveis do que antes. Mas ainda não há espaço para o golpismo. Por enquanto ao menos. Mas isso fica pra outra hora. Volto ao ponto.

Barack Fidel Che Obama (ver post acima) nada tem a dizer. Seu suposto respeito à democracia, secundado pela diplomacia de Hillary Clinton, não passa, na aparência, de uma concepção cartorial; na essência, é só má consciência e, incrivelmente, rendição aos inimigos dos EUA. Na América Latina, tenta emular com o chavismo, mas adotando-lhe parte do discurso, em vez de confrontá-lo. No Oriente Médio, sua fala está sempre interessada, oh!!!, em amansar os radicais. Ontem, ganhou o noticiário do mundo ao reduzir, em parceria com a Rússia, o arsenal nuclear. A redução é inócua, mas rende dividendos para a sua biografia em favor da paz… A Rússia, diga-se, não tem nenhum problema com sua “área de influência” e deixou isso muito claro na Geórgia. A Rússia não tem Barack Hussein; tem Putin.

Retomo a origem do texto: o problema da reação de Honduras à tentativa de golpe de Zelaya é que, com efeito, há certo potencial para “virar moda”: vai que outros vagabundos queiram adotar a democracia bolivariana, e os militares os ponham para correr, não é mesmo?

Honduras incomoda porque foi o primeiro país a denunciar, com resistência ativa, o método chavista. E o fez sem pedir permissão para Barack Hussein. Até porque Barack Hussein não daria. Ele está ocupado em construir a sua biografia de progressista, inclusivo e amigo da paz. Mais uma ditadurazinha de esquerda não faria diferença. Ao contrário até. Talvez ajudasse a construir sua fama de tolerante.

O problema desse rapaz é que ele pretende ser aceito e adotado pelo inimigo. Só se consegue isso fazendo as suas (do inimigo) vontades. E Barack Hussein faz.

Fonte: Reinaldo Azevedo

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01/07/2009 -  16:38     

Ei, Lula, Amorim e Garcia, quantos hondurenhos vocês vão matar hoje?

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Honduras é um país paupérrimo, com mais de 50% da população abaixo da linha da pobreza. 40% das crianças hondurenhas vivem nas ruas. 28% da população economicamente ativa está desempregada. Guatemala, Nicarágua e El Salvador, países socialistas, fecharam as fronteiras, impedindo o acesso de alimentos, remédios, combustível, isolando o país por terra. O BID congelou investimentos de U$ 250 milhões no país, pressionado por uma ONU comandada por um sandinista e pela OEA dirigida por um simpatizante do chavismo. Outro país socialista, a Venezuela, não vai mais vender petróleo para Honduras. Os socialistas, que tanto contestam o embargo à Cuba, querem sufocar o povo hondurenho. Lula aliou-se ao embargo. Com orgulho imenso, o governo petista que ama o socialismo informa que está suspendendo uma série de projetos desenvolvidos naquele país na área da saúde: um programa de combate ao mal de Chagas, a implantação de um sistema de sangue e hemoderivados, um projeto de treinamento para manejo de bancos de leite humano e a construção de um centro de traumatologia. Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil, jacta-se da “situação insustentável” em que ficou Honduras, tendo em vista o bloqueio. Celso Amorim tem razão em dizer que Honduras “não tem condições de sobreviver por muito tempo.” Não tem mesmo. Se já era difícil sobreviver com a ajuda do mundo, será impossível viver bloqueado, embargado, sufocado pelo socialismo bolivariano. Honduras é um país que vive há 28 anos em plena democracia. Bastou assumir um presidenteligado ao socialismo para que o país voltasse a ter o estado de direito ameaçado. O povo de Honduras saiu às ruas, ontem, pacificamente, para dizer ao mundo que tomou uma decisão soberana e que ela faz parte do seu direito inalienável a auto-determinação, baseado no respeito à Constituição. Honduras vai resistir, Honduras vai lutar pela sua democracia. Enquanto isso, Lula, Amorim e Garcia vão matar alguns hondurenhos por dia, em apoio ao presidente socialista Manuel Zelaya. Vão matar crianças de fome, febre e falta de leite. Tudo para defender o socialismo, o chavismo, os interesses do Foro de São Paulo. Um dos países mais pobres do mundo está sitiado pelos poderosos socialistas. Não, eles não comem criancinhas. Eles as matam vagarosamente.

Fonte: Coturno Noturno

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30/06/2009 -  18:27     

Um argumento cínico.

Aqui, o editorial do Estadão sobre Honduras. Em todas as suas linhas dá razão ao que ocorreu, mostrando o golpe que Manuel Zelaya estava perpetrando com o apoio da Internacional Bolivariana, descrevendo a reação que isto gerou e que levou à sua deposição. No entanto, o jornal, assim como o mundo, volta-se contra a democracia hondurenha por uma simples razão: houve intervenção dos militares. Houve um “golpe militar”,mesmo que ninguém tenha visto um só general, um só coronel, um só sargento como protagonista da instalação do novo governo. O que vemos são os militares agindo com o máximo de cuidado para manter a ordem no país, enfrentando milícias venezuelanas e nicaraguenses infiltradas no país, compostas de agitadores profissionais. O único general que desandou a falar foi Raúl Castro, que ontem chegou intempestivamente à Manágua para dar apoio à Zelaya e dissertar sobre, pasmem, democracia! O único coronel que ameaçou invadir o país, colocando seu exército em prontidão, foi Hugo Chávez, o nascente ditador venezuelano. No entanto, a imprensa distorce os fatos e transforma a defesa da democracia em Honduras em “golpe militar”. Honduras está sozinha, isolada, porque cumpriu a Constituição e porque serve de exemplo para todo o continente, assolado pela praga dos referendos, utilizados para solapar o estado de direito. Não houve “golpe militar” em Honduras. O argumento é mentiroso e cínico. Os militares foram apenas os fiadores da democracia ameaçada.

Fonte: Coturno Noturno

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30/06/2009 -  18:21     

Os avalistas da “democracia” hondurenha.

Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, segundo a imprensa brasileira e o presidente Lula por um “golpe militar”, recebendo o apoio do “democrata” General Raul Castro e do “democrata”Coronel Hugo Chávez. Ao que tudo indica, o “golpe militar” está sendo dado em outro lugar, não em Honduras. O presidente empossado de Honduras, que é um civil, comunicou, hoje, que se Zelaya puser o pé no país será preso, pois existe ordem de prisão contra ele, emitida pela Corte Suprema de Justiça, composta por juízes civis. Leia mais aqui.

Fonte: Coturno Noturno

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