Cuba Libre

No fim dos anos sessenta e década de setenta (século passado) tomei muita Cuba Libre, ou como se costuma dizer em Havana, uma mentirita. Naquela época, tinha bem presente, ainda, toda a história da revolução cubana, com seus líderes exóticos Fidel Castro e Che Guevara
. Enquanto saboreava essa deliciosa bebida, reverenciava a libertação de Cuba das mãos sujas de Fulgêncio Batista e seu apoio norte americano, com cara de satisfação.
Mal sabia eu, naquela época, que viriam os dias em que tomar Cuba Libre representaria reivindicar a libertação do povo cubano, novamente, agora de Fidel e seu irmão.
De fato, Fulgêncio e sua turma adepta a um bom joguinho, regado a run, mulheres fáceis e charutos foram banidos do pequeno solo da ilha. Avanços como uma medicina e um ensino menos capitalista e de surpreendente eficácia surgiram para espanto global. Os charutos permaneceram.
A Igreja ou a liberdade religiosa, se não foi banida, também nunca foi incentivada pela dinastia Castro (hoje Cuba está sob o jugo do ditador Raul Castro, irmão de Fidel, adoentado), tornou-se uma manifestação tolerada e muito vigiada. Meu amigo, com quem não falo pessoalmente há anos, Zigfried Zils, depois que saiu da Missão Portas Abertas, onde trabalhamos juntos, iniciou um trabalho intenso de apoio à igreja cristã em Cuba, por mais incrível que pareça.
Tenho acompanhado o esforço da companheira Yoany Sanches, uma blogueira cubana que escreve desde Havana e através de amigos na Europa publica seus posts e mantém um blog muito intenso sobre a falta de liberdade do povo cubano, sobretudo, em utilizar a Internet sem restrições. Resolvi, inclusive, acrescentar o símbolo da luta dos irmãos cubanos, aqui na Gruta.
Entretanto, preocupa-me toda essa conversa pró Fidel, na qual o presidente Venezuelano Hugo Chaves largou na frente e foi seguido por Morales da Bolívia e Rafael Correa do Equador. O próximo candidato a entrar nessa fila é o cara do Paraguai, Fernando Lugo, notabilizado por ser um eficiente fazedor de filhos com mulheres pobres e desinformadas. Sorrateiramente, vejo nosso presidente engajado nessa opção (a de Fidel e não a do Lugo, ao que se saiba), mas sem sair do armário. Sua candidata preferida só faltou desnudar-se quando se viu frente a frente com o bolivariano do norte e só não o fez porque poderia por tudo a perder, imagino.
Seguindo o raciocínio castrista e mentor dessa camarilha toda, ao invés de caminharmos para uma Internet livre, a vontade geral é trancafiar nossas línguas, digo penas, ou melhor, teclados, nas mais altas masmorras e impedir que fiquemos por aí incomodando os modernos caudilhos das Américas com nossas manias de liberdade e democracia cibernéticas.
Na verdade, estou me lixando para bobagens como dinheiro que descobre nossas misérias, para cobrir as sofreguidões vizinhas e acenos de pró lenços vermelhos nos pescoços. Se estivesse na Missão Portas Abertas ainda, estaria gastando toda aquela montanha de grana que eles arrecadam anualmente em denunciar o perigo que essa gentalha representa à liberdade religiosa, ao invés de ficar caçando muçulmanos sob critérios dados pelos americanos da outra América. Tão pouco estou me importando com a igreja organizada, essa abominação que nos assola e mais nos afasta de Deus, mas minha profecia mira muito mais abaixo, ou seja, a plena liberdade para a igreja que se reúne na Caverna, ou na Gruta e se move via WEB.
E aí? Vai uma Cuba Libre?
Popout

Extraído de A Gruta do Lou

