25/08/2009 - 16:40
Bem, minha solidão, ao menos, já não é absoluta na crítica à absurda relação estabelecida pelo Brasil com a Bolívia. Num editorial intitulado “As bondades do compañero Lula”, o Estadão de hoje observa que o presidente brasileiro financia um governo que facilita a entrada de cocaína no Brasil. Nas palavras do jornal: “[o Brasil] dá dinheiro para quem produz a droga que envenenará a juventude nas grandes cidades brasileiras“.
Fiz essa observação no dia em que Lula meteu no pescoço um colar de folha de coca. Mesmo alguns que se dizem “moderados” acharam a minha crítica exagera. Não era e não é. Reitero: ao financiar o governo boliviano e discursar no departamento que responde pela produção de boa parte da cocaína consumida no Brasil, Lula e seu governo se tornam aliados objetivos do narcotráfico, responsável por boa parte dos 50 mil homicídios que acontecem por ano no país — número de mortes superior ao de países em guerra.
Fiquem com o editorial.
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Assim que assumiu o governo da Bolívia, Evo Morales interrompeu a campanha, financiada pelos Estados Unidos, de substituição das plantações de coca por culturas que permitissem aos agricultores locais levar uma vida digna. Afinal, Morales é um líder cocalero que fez carreira política prometendo liberar o plantio das folhas de coca, cujo uso, segundo ele, é parte inextricável da ancestral cultura indígena de seu país. Pouco se lhe dá que folhas que não são mascadas nem queimadas em rituais religiosos – e são muitas toneladas delas – sejam transformadas, primeiro, em pasta e, depois, em cocaína refinada.
Assim, desde que Evo Morales está no poder tem aumentado sistematicamente a produção de coca e, consequentemente, a de cocaína. Só no ano passado, segundo o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, a área de cultivo aumentou 6% e o potencial de produção de cocaína cresceu 9% na Bolívia.
Cerca de 70% da droga vem para o Brasil. Parte é consumida aqui e o restante é contrabandeado para outras partes do mundo. Trata-se da principal atividade do crime organizado – com o poder de corrupção e de violência que transformaram os morros do Rio de Janeiro em áreas liberadas, onde não entram as instituições do Estado, e que já ameaçam cidades do interior de vários Estados. Não se pode dizer, portanto, que a sorte dos cocaleros bolivianos não interessa a nós, brasileiros.
O problema é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sobre esse problema uma visão muito peculiar, própria de quem acha que deve fazer o possível e o impossível para ajudar o compañero Morales. No sábado, na região do Chapare, o principal centro cocalero da Bolívia, ele não apenas usou um colar feito com folhas de coca, como liberou crédito de US$ 21 milhões para a compra, pelo Brasil, de têxteis bolivianos. Esse crédito era, até 2008, fornecido pelo governo americano, como parte do Programa de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas. Deixou de ser fornecido porque Morales interrompeu o programa de erradicação da coca. Agora, o Brasil faz seu programa às avessas: dá dinheiro para quem produz a droga que envenenará a juventude nas grandes cidades brasileiras.
Nessa mesma visita à Bolívia, o presidente Lula reclamou do presidente Evo Morales uma solução para os brasileiros que vivem na fronteira da Bolívia com o Acre. Em 2006, Brasil e Bolívia assinaram um acordo, já renovado duas vezes, para regularizar a situação dos nacionais de ambos os países que migraram clandestinamente de um para o outro. Nesse período, o convênio beneficiou cerca de 50 mil bolivianos, a maioria vivendo em São Paulo – e somente 8 brasileiros. Agora, o governo boliviano prepara a expulsão de cerca de 5 mil brasileiros que vivem na área fronteiriça dos Estados de Pando e Beni. Os que concordarem em ser removidos para as áreas mais interiores do atrasado Estado de Pando receberão uma pequena ajuda – proveniente de um fundo de R$ 20 milhões fornecido pelo governo brasileiro. Os colonos que insistirem em ficar serão removidos pela força e perderão suas terras e as benfeitorias que sobre elas construíram. Em defesa desses brasileiros desassistidos, o presidente Lula solicitou gentilmente a seu colega bolivariano que os trate “com carinho”. Ou seja, o governo brasileiro não moverá uma palha – além dos R$ 20 milhões entregues ao governo boliviano – para ajudar os colonos brasileiros. Não correrá o risco de desagradar ao compañero Morales.
O terceiro gesto de solidariedade em relação à Bolívia, nesta viagem, foi conceder um financiamento de US$ 332 milhões do BNDES para a construção da estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos, ligando os Estados de Beni e de Cochabamba. A estrada será construída pela empreiteira brasileira OAS, escolhida pelos bolivianos. Como a obra já foi iniciada e parada por causa de denúncias de irregularidades no acordo entre a Administradora Boliviana de Estradas e a OAS, e porque não há acordo sobre detalhes ambientais – a via cortará um parque natural e reservas indígenas -, não será precaução demasiada o BNDES lançar esses US$ 322 milhões nos créditos de liquidação duvidosa. Isso porque qualquer controvérsia a respeito do crédito “será dirimida por negociação entre as partes, por via diplomática”. Assim, nem de pai para filho. Afinal, Morales está em campanha eleitoral e conta com a ajuda de Lula.
Fonte: Reinaldo Azevedo
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Evo, Lula
15/07/2009 - 11:24
de Reinaldo Azevedo
Traduzi a notícia abaixo do jornal HoyBolivia.com. Leiam. Volto em seguida:
O deputado nacional Mario Cronembold denunciou que o plano de “colonização” levado adiante pelo governo de Evo Morales, com o assentamento de 4 mil famílias no departamento de Pando, tem a finalidade de promover o cultivo em grande escala da folha de coca.
“O objetivo imediato do plano de colonização é eleitoral, buscando interferir nos resultados de 6 de dezembro. Mas o objetivo estratégico é criar um segundo Chapare no Norte da Bolívia, disse Cronembold.
O parlamentar comentou que “a migração promovida pelo governo desde 2007 para Pando já provocou a existência de cultivo de folhas de coca nesse departamento, especialmente na região vizinha a Esmeralda, como anunciaram os próprios dirigentes da Adepcoca [Adepcoca é a associação que reúne os produtores de folha de coca].
“Os próprios camponeses de Pando, que são parte da base do MAS [partido de Evo Morales], estão preocupados porque, entre os colonos, há uma grande quantidade de chaparenhos [pessoas oriundas de Chapare].
Mario Cronembold disse que “o departamento de Pando é um território geoestratégico para o narcotráfico porque faz fronteira com Peru e Brasil, tem terras férteis para o cultivo de coca e tem selva onde esconder as fábricas de cocaína.
“Agora entendemos por que tanta preocupação do governo em controlar esse departamento. É preciso alertar a tempo o país e a comunidade internacional de que se pretende criar outro bastião territorial para o narcotráfico”, observou o deputado.
Comento
Acho que a notícia é clara, mas vamos lá. Chapare é o departamento boliviano que mais produz folha de coca. É ali que nasceram Evo Morales e o movimento dos cacaleros, que deu origem ao MAS, o partido do índio de araque. Pando é uma das regiões do país que mais se opõem a Evo, onde o cultivo da folha de coca era pequeno. Desde 2007, o que faz o presidente da Bolívia? Incentiva a migração em massa de chaparenhos para a Pando. Tenta, assim, interferir na política local, que lhe é hostil, e está criando uma região dedicada ao cultivo da coca.
Eis o governo que conta com o apoio integral do Brasil: Evo Morales está incentivando, com um programa oficial, o cultivo de folha de coca praticamente na fronteira com o Brasil. O resto vocês sabem: onde há a plantação, surge logo a demanda por um laboratório para produzir cocaína. Delírio de um deputado oposicionista? Não! O próprio movimento cocaleiro admite que a plantação.
Outra evidência de como se comporta Evo Morales? O governo Bush havia retirado a Bolívia de um programa que incentiva a exportação para os EUA. Pois bem: no começo do mês, o governo Obama manteve a punição — isto é, a Bolívia continua sem o benefício, concedido apenas a países que combatem o narcotráfico, o que o índio bandoleiro não faz. Longe disso! Como se nota, na prática, ele acaba criando facilidades para o narcotráfico.
O Brasil apóia incondicionalmente um governo que facilita a construção de uma base do narcotráfico em suas fronteiras. Convenham, né? Evo já fez coisa até pior: tomou a Petrobras do Brasil. Dias depois, Lula lhe ofereceu uma linha especial de crédito do BNDES…
Fonte: Reinaldo Azevedo
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Bolivia, Evo
05/06/2009 - 06:57
É crescente a preocupação entre os mais de 3 000 gerentes da Petrobras que têm autorização de assinar contratos. Desde que foi aprovada a criação da CPI contra a empresa, parte deles intensificou as consultas prévias aos departamentos jurídico e de auditoria.Tudo para evitar serem envolvidos em possíveis escândalos.
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Não existe no mundo uma empresa onde existam 3.000 funcionários com poder para assinar contratos. Só isso já é motivo para uma CPI.
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Evo Morales acaba de anunciar que Lula está indo ao seu encontro levando U$ 300 milhões do BNDES para asfaltar a Rota da Coca, a famosa Villa Tunari-San Ignacio de Moxos, em pleno Chapare. A Bolívia haviainterrompido a obra, tocada pela OAS, por causa do superfaturamento. Agora Lula vai lá, leva dinheiro novo, bota uma pedra sobre o assunto e protege uma das grandes doadoras de campanha. Leia aqui.
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Lula ironizou o tamanho da oposição no Brasil, tendo em vista o número de pessoas que acha o seu governo ruim ou péssimo, na última pesquisa da Datafolha. O presidente poderia ter sido magnânimo e dito que na democracia o contraditório é fundamental, que mudar a opinião destas pessoas é um grande desafio para a sua gestão, que a oposição tem um papel importantíssimo para melhorar a gestão pública. Mas como é que podemos exigir este tipo de posicionamento de um presidente que está há mais de seis anos comprando estômagos e consciências, a peso de dinheiro público, tendo montado toda uma estrutura de favorecimento aos bancos, aos grandes empresários, às empreiteiras, à imprensa e aos grandes sindicatos? Seria pedir demais para um Lula que, hoje, usa todos os estratagemas para burlar a lei e lançar uma candidatura à presidência e para bloquear uma CPI que ataca o coração da corrupção sistematizada pelo governo do PT. Lula gostaria de ver a oposição esmagada. E, na maioria das vezes, é o que a oposição merece mesmo.
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Tags: CPI, Evo, oposição, Petrobrás