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24/06/2009 - 23:59

Irã culpa terroristas por morte de jovem em protesto no sábado

Neda virou s�mbolo da oposição no Irã

Foto AP – Neda virou símbolo da oposição no Irã

No Estadão On line. Volto depois:
O governo iraniano disse nesta quarta-feira, 24, que o atirador que matou a manifestante Neda Agha-Soltan durante um protesto contra o resultado das eleições presidenciais pode ter confundido a jovem com a irmã de “um terrorista”, informou a agência oficial Irna. Teerã culpou ainda ”grupos que querem criar divisão na nação” pelo assassinato – cujo vídeo circulou na internet – e disse que esses militantes a mataram “para acusar a República Islâmica de diálogo cruel com a oposição”, segundo a rede CNN.
Na terça-feira, o noivo da garota de 16 anos morta no sábado afirmou que as autoridades do país proibiram sua família de realizar um funeral público, de acordo com a BBC Brasil. Uma foto do rosto de Neda ensanguentado foi usada em protestos realizados na capital iraniana e em várias cidades do mundo.
A jovem foi enterrada no domingo, no cemitério Behesht-e-Zahra, na zona sul de Teerã. “Eles nos pediram para sepultá-la numa parte do cemitério que, aparentemente, tinha sido separada pelas autoridades para fazer as covas para as pessoas mortas durante os protestos da semana passada”, afirmou Caspian Makan.
Segundo ele, Neda não estava participando diretamente dos protestos. “Ela estava em um carro, com seu professor de música, a alguns quarteirões de distância, presa no congestionamento. Ela estava cansada e com muito calor, então saiu do carro por alguns minutos”, disse o noivo.
“Foi aí que aconteceu. As testemunhas disseram e o vídeo mostra claramente que prováveis paramilitares Basiji à paisana atiraram nela deliberadamente. Ela foi atingida no peito”, acrescentou. “Ela perdeu os sentidos poucos minutos depois. As pessoas ainda tentaram levá-la para o hospital mais próximo, mas já era tarde mais.”

Comento
Nada de novo no front das ditaduras e tiranias: as evidências de seus malfeitos são sempre obra de adversários e inimigos do regime.

Os protestos continuaram nesta quarta-feira, embora o mundo só saiba deles por meio de Informações fornecidas por manifestantes. A imprensa local está sob severa censura — só trata do caso para demonizar os manifestantes —, e os jornalistas estrangeiros foram expulsos do país.

Segundo o New York Times, a imprensa oficial admite a prisão, até agora, de 645 pessoas, mas organizações ligadas à defesa dos direitos humanos dizem que os detidos passam de 2 mil. Entre os presos, estariam 102 lideranças políticas, 23 jornalistas, 79 estudantes e sete professores universitários.

E o mundo, nesta sua “Nova Primavera”, diz àquele gente: “Danem-se vocês; cada país com os seus problemas”. E Lula, “o cara”, emendaria: “Os vascaínos (ou flamenguistas) precisam respeitar o resultado do jogo”.

Estamos cegos de tanto iluminismo, blindados, se me permitem o trocadilho interlingüístico, por tanta luz.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
16/06/2009 - 16:17

AS ELEIÇÕES NO IRÃ E AS ESPERANÇAS TOLAS

Comentava ontem  com um amigo as estúpidas ilusões do Ocidente — não, na verdade, as estúpidas ilusões da imprensa ocidental — com as eleições no Irã. Há uma curiosa disjuntiva nesse universo politicamente correto que une academia e imprensa: de um lado, a convicção de que as diferenças culturais devem ser respeitadas e de que não devemos ver “o outro” segundo os nossos padrões. O novo sacerdote desse ponto de vista, claro!, é Barack Obama. Ao mesmo tempo, há um esforço danado para analisar as eleições do Irã segundo os nossos padrões. Não sei se notaram, a tônica da cabertura foi esta: progressistas X conservadores. Parecia que as eleições no Irã mimetizavam as americanas: Mir Hossein Mousavi era tratado como o Obama deles: apoiado pelos jovens, pelas mulheres, com campanha forte na Internet… E Ahmadinejad, o tresloucado presidente atual, era visto, vamos dizer assim, como um reacionário republicano… Ai, meu Deus! Que tédio! Que bode! Como é aborrecido este “Espírito do Tempo” que se sobrepõe aos fatos, à realidade.

Antes que continue, uma observação óbvia. Eu também torcia para que Ahmadinejad, este candidato a besta do Apocalipse, fosse derrotado. Quando menos, um delinqüente explícito a menos no jogo político. Quando menos, ouviríamos menos bobagens. Mas será que Mousavi é mesmo aquele que o Ocidente gostaria que ele fosse? Estaria onde está se pensasse o que a imprensa ocidental e Barack Obama gostariam que pensasse?

Vamos ver: na “democracia iraniana”, que está mais para um fascismo islâmico de massas, os candidatos são submetidos a uma comissão que avalia a sua fidelidade aos princípios islâmicos e à revolução. Qualquer sinal de, digamos, “impureza”, a candidatura é vetada. Mousavi já foi governo. É que agora tirou o turbante e aparece em trajes ocidentais. Mas é, inequivocamente, um deles — embora mais culto e muito mas sofisticado do que o chicaneiro Ahmadinejad. O fato de que fale em negociação com o mundo ocidental e não assuma os extremos de anti-semitismo de seu principal oponente não faz dele um iluminista.

Ele nem mesmo representa uma ocorrência inédita. O mundo já tentou ver Muhammad Khatami, que presidiu o país entre 1997 e 2005, como o, vá lá, “iluminista persa”. De fato, a figura sempre foi doce, caroável até. Nem por isso, seu país deixou de financiar o Hezbollah e o Hamas. Enquanto presidiu o Irã, estava sendo aplainado o terreno em que um delinqüente como Ahmadinejad viria à luz. Mousavi é o Khatami da vez… Pelo visto, não deu certo.

Ainda olhando as eleições iranianas com os olhos com que se vêem as ocidentais, a vitória do “Obama do Irã” chegou a ser anunciada. E o que temos agora? Ou os prognósticos estavam estupidamente errados, ou se assiste a uma fraude eleitoral monumental. Com 61% dos votos, informa o New York Times, Ahmadinejad conta com 66% dos votos, e Mousavi, 31%. Se é assim, o maluco já está reeleito. E a razão é simples. Façamos uma conta com base 100:

- em 100 votos, já foram apurados 61;
- destes 61, 40,26 (66%) são de Ahmadinejad, e 18,91 (31%) de Mousavi;
- falta apurar  39 votos;
- Mousavi precisaria ter 83% dos votos que ainda não foram apurados — para quem, até agora, teve só 31%…

[Com 80% dos votos apurados, Ahmadinejad tem 64% dos votos (18,8 milhões) contra 31% do rival (9,3 milhões). Não dá mais]

Vai dar? Acho que não… O “progressista” derrotado declarou vitória e ensaia, segundo li no NYT, acusar fraude. Mas certamente será contido pelo Conselho da Revolução Islâmica. E chegamos ao ponto.

É o conselho que manda no Irã, não o presidente. Por isso, nos oito anos em que o iluminista Khatami ficou no poder, o Irã, de fato, cuidou de desenvolver o seu programa nuclear — ou alguém acha que isso se fez nos quatro anos do maluco Ahmadinejad? A diferença entre este celerado e os “iluministas” é que o celerado fala o que pensa. Os outros escondem — como esconderam o seu programa nuclear.

Observem: publico este texto daqui a pouco (agora, 21h59) e vou mantê-lo no ar ainda que algum milagre tipicamente persa, tipicamente iraniano, declare a vitória de Mousavi. Não muda nada! Ou até mudaria — e, a depender do caso, para pior: ele era a esperança do “Ocidente” (e “Ocidente”, com aspas, quer dizer “Barack Obama”) para não ter de endurecer com o Irã. Mousavi também defendeu o programa nuclear iraniano, mas ressaltando que é pacífico. Ahmadinejad também declara os bons propósitos — só que não esquece de prometer a destruição de Israel… Nesse particular, tanto faz se o presidente será um ou outro: quem manda mesmo é o Conselho da Revolução Islâmica, de que é chefe o aiatolá Ali Khamenei. “Ah, Reinaldo, mas pense num presidente que fosse mais tolerante, que abrisse mais o Irã para o Ocidente, que desse início a uma nova cultura”. É, pode ser… A era Khatami, reitero, foi muito instrutiva a respeito.

Bobagem obâmica
Obama procurou, oficialmente, ficar longe da disputa etc e tal. Mas ele, o Sabereta (como diria Monteiro Lobato da boneca Emília), padece daquela tentação de ter sempre uma opinião sobre qualquer assunto, a exemplo do nosso Apedeuta. E quem fala demais, Apedeuta ou Sabereta, acaba dando bom-dia a cavalo! O presidente americano fez o mundo saber que, segundo seu severo escrutínio intelectual, o povo iraniano teve a chance de escolher a mudança. Pelo visto, escolheu não mudar. E agora?

Sei que é chato e que pode parecer realmente um absurdo, mas devemos estar preparados para o fato de que, bem…, uma boa maioria dos iranianos possa realmente não gostar desse tal “Ocidente”. Neste meu texto, isso importa pouco. Ainda que Mousavi desse a volta por cima, isso só serviria para embalar esperanças inúteis.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
24/04/2009 - 09:28

Eleições: voto facultativo ou obrigatório?

José Celso de Macedo Soares24/04/2009

José Celso de Macedo Soares

A forma de escolher nossos representantes é questão das mais importantes: o voto deve ser facultativo ou obrigatório, como hoje temos no Brasil? Defensor do voto facultativo, vou tentar expor minhas razões. Se o voto é direito, e não obrigação, ninguém é obrigado a exercer direito que lhe é devido. Exerce-o se quiser. Vou socorrer-me da história do Brasil para justificar minha opção. Depois da Independência e durante o Império o voto sofria várias restrições. Só podiam votar os chamados “homens bons”, entendendo-se como homens bons aqueles que tinham certa renda. Eleições seguiam modelo complicado, em dois turnos, sendo que no primeiro escolhiam-se os chamados eleitores que elegiam deputados e senadores. Várias leis modificaram o processo eleitoral, sendo a mais famosa a lei Saraiva que instituía o voto por distritos, grande avanço. Mas, as eleições no Império eram uma farsa, pois os votos eram apurados pela mesa receptora, dando origem às famosas atas falsas em que os eleitos eram escolhidos pela oligarquia local, os “coronéis”. Mas, o que quero ressaltar é que o voto não era obrigatório. Nem poderia ser, dado o alto grau de analfabetismo então existente. A situação perdurou na chamada 1ª República até 1930. Atas falsas, e também voto não obrigatório. A grande mudança se realizou em 1932. Foi criada a Justiça Eleitoral, a qual cabia a apuração dos votos e que instituiu lisura nas eleições, acabando com as atas falsas. Mas, juntamente com estas medidas veio também o voto obrigatório. Várias modificações foram sendo introduzidas no sistema de eleições, como votação por cédulas, cédula única, etc., terminando com a eficiente votação eletrônica, hoje usada. Mas o voto continuou obrigatório, que é contrassenso que não se verifica nos paises mais adiantados. Mesmo porque as multas para quem não vota são irrisórias e as justificativas necessárias para os que não votaram só fazem aumentar a infernal burocracia existente no Brasil.

Mas a quem interessa o voto obrigatório? Ao “coronelismo” ainda presente em muitas regiões do Brasil. A este respeito, interessante é o caso narrado pelo jornalista baiano Sebastião Nery, segundo ele, verídico, protagonizado pelo famoso “coronel” Chico Heráclio do Rêgo, de Limoeiro, interior de Pernambuco. À época do episódio, votava-se em cédulas impressas colocadas pelo eleitor num envelope fechado, que era depositado na urna pelo eleitor. O coronel Heráclio reuniu seus moradores e lhes entregou, um a um, os envelopes já fechados com a cédula do candidato de sua escolha. Então era só ir à seção eleitoral e colocar a cédula na urna. Um cabra mais ousado resolveu perguntar: “O senhor pode me dizer, pelo menos, em que candidato eu vou votar, coronel?”. A resposta foi ríspida: “Então, cabra ignorante, tu não sabes que o voto é secreto?”

Com a votação eletrônica não será mais possível tal tática. Mas, perduram ainda muitos meios de pressão. Como o voto é obrigatório, muitos têm de votar para obter o certificado de votação, necessário para o Imposto de Renda, INSS, etc., e muitas outras exigências desta nossa burocracia infernal. E no interior deste Brasil, nos longínquos sertões, só o “coronel” pode fornecer para o votante condução, merendas e outros “agrados”. Mesmo com a votação eletrônica há certas maneiras de se saber se os “cabras” votaram como quer o “coronel”. São, pois, os detentores destes currais eleitorais, infelizmente ainda existentes no Brasil, que têm interesse em manter o voto obrigatório. Precisam ter certeza de que seus candidatos serão eleitos para depois cobrar dos mesmos o favor prestado.

No Brasil, onde não há eleições primárias, em que os candidatos são escolhidos pelas cúpulas partidárias em convenções adrede preparadas, não votar pode ser uma forma de protesto contra os nomes apresentados. Mas não votar deve ser a ultima escolha. Devemos sempre votar para que certos políticos não se reelejam, não sufragando seus nomes. Porque, como dizia Ciro Pellicano, publicitário brasileiro: “A maior contribuição que muitos políticos podem dar ao país é perder as eleições”.

Fonte: Millenium

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
20/03/2009 - 07:38

DATAFOLHA – Como entender a queda da popularidade de Lula e as eleições

No post abaixo, estão os números do Datafolha sobre a popularidade de Lula. O mais importante: A taxa de aprovação caiu de 70%, em novembro do ano passado, para 65%.

Petralha, como um ser óbvio, imagina, claro, que vou dizer aqui que a derrocada do Apedeuta começou, que agora é ladeira baixo, daí para o oblívio. Mas eu direi quase o contrário: os números só demonstram como Lula foi eficiente em se descolar da crise. Hesitou um pouco, tentou negar o óbvio, com a sua “marolinha”, e depois se empertigou, deu-se conta do tamanho do desastre da economia mundial e se dedicou a seu esporte predileto: encontrar culpados. Ensaiou uma demonização do empresariado, que começou a demitir, mas logo mirou nos Estados Unidos e nos especuladores. E está sendo bem-sucedido.

Antes que continue numa análise que é política, cumpre observar que, com efeito, a dinâmica da economia brasileira faz com que o tombo do crescimento seja grande, mas, para as camadas mais pobres, o pouso tem sido e continuará lento. A crise faz cair a inflação, o que garante o poder de compra do salário mínimo, que voltou ao topo se medido em cesta básica. É evidente que isso tudo conta na avaliação positiva. E há, sabemos, o, chamemo-lo assim, talento de Lula para a política nas circunstâncias e condições em que ela é feita no Brasil (não esqueçam deste ponto porque vou retomá-lo adiante).

Tudo isso explica a pequena variação negativa no seu prestígio, elevadíssimo ainda assim. A questão nem tanto é saber por que caiu um pouco, mas por que continua tão alto. A resposta, nesse caso, é bem mais simples. Em primeiro lugar, a oposição não tem rosto, e os rostos personalizados da oposição, nas questões que contam, são quase todos variações em torno do mesmo Lula. Fica-se diante de um círculo que se vai auto-alimentando: ninguém bate em Lula porque ele é popular, e, em parte ao menos, ele é popular porque ninguém bate em nele. Jamais um presidente foi tão preservado de seus erros como o petista. O governo surge, inclusive em boa parte da imprensa, como aquele que só acerta.

Convenhamos: também esta não tem sido das mais críticas — parece haver um questionamento mais ou menos silencioso que poderia ser assim expresso: “Se a oposição não se opõe, por que a imprensa vai fazer esse trabalho?” Não é uma indagação infundada. Querem um exemplo? Há dois meses, Lula, Mantega e Dilma diziam que o país iria crescer 4%. Hoje, a expectativa oficial é de 2%, e poucos acreditam nela. Nem oposição nem imprensa cobram do governo o erro de análise. Unida, a nação se dá por satisfeita se não houver recessão. Essa passou a ser a nova medida do acerto. Numa variante do patriotismo, estamos todos contra a crise, é claro. E há um certo sentimento de que a convicção firme pode afastar o perigo. É mais fácil, em certos círculos, acreditar em pensamento positivo do que em Deus…

Isso é ruim?
Esse “patriotismo” nem é, em si, ruim. Mas convenham: é uma situação nova, não? Só Lula pôde experimentá-la. Como era com os outros presidentes — com FHC em particular? Quando foi que o PT, então na oposição, deixou de atribuir ao tucano a inteira responsabilidade pelas crises? Nunca! Elas estouravam lá fora, e logo se dizia que o Brasil padecia porque, por aqui, só havia ou incompetentes ou salafrários. Em cinco meses, vimos evaporar mais de 700 mil empregos. Mas não havia ninguém para encostar Lula na parede.

O PT CONSTRUIU UM LUGAR ÚNICO NA POLÍTICA BRASILEIRA, QUE LHE FOI FACULTADO PELAS LICENÇAS ESPECIAIS QUE LHE CONCEDEM OS ADVERSÁRIOS. Caso se eleja um tucano em 2010, e o país passe a enfrentar dificuldades vindas de fora, alguém aí dúvida de que os petistas botarão a boca no trombone, acusando o presidente de incompetência e/ou desvios éticos? Alguém aí duvida de que, fosse um tucano ou um democrata o presidente, as mais de 700 mil vagas fechadas teriam se transformado em passeatas da CUT, com acusações as mais severas ao mandatário?

Ninguém duvida. E não! Eu não acho esse um bom modo de fazer política. Essa é uma das minhas muitas contraposições ao partido — que, atenção!, nesse particular, continua rigorosamente o mesmo. “Sorte deles”, alguém diria. “Se são competentes no trato da coisa política, fazer o quê?” Não é bem assim. O uso, por exemplo, da máquina sindical para endossar governos aliados e atingir governos adversários é puro lixo ético.

Silêncio e 2010
Volto ao ponto. Que, dado o contexto, Serra e Aécio evitem enfrentar o governo — ou enfrentar Lula —, compreende-se. Que os oposicionistas no Congresso, o PSDB em particular, façam o mesmo, aí já me parece um caso de inapetência. O governo é senhor absoluto da agenda — e a crise, no que respeita à política propriamente, tem sido até positiva para o Planalto: o clima é de “não podemos nos dividir”.

Então 2010 já está no papo, e Lula faz seu sucessor, já que nem a nova desordem mundial parece abalar o seu prestígio? Bem, aí a coisa já é um tanto diferente. O tal “talento” de Lula, de que falo no segundo parágrafo, é um ativo político gigantesco, mas também traz contratempos. Ele é um fenômeno irrepetível. Transferirá, sim, parte do seu prestígio para o candidato (ou candidata) do governo, mas não tem um sucessor político natural. E não há como construí-lo artificialmente. Os petistas gostariam que a luta de 2010 se desse entre “o (a) escolhido (a) por Lula” e o anti-Lula, mas não creio que seja possível consolidar esse confronto, especialmente se o candidato das oposições for José Serra. Sua biografia política, vejam só, está mais ajustada à metafísica do social, tornada tão influente, do que a da própria Dilma Rousseff.

Mas que se note: o fato de o prestígio de Lula não implicar eleição fácil da candidatura que ele ungir não dispensa a oposição de fazer oposição. Se continuar de bico calado, os eleitores ficam sem distinguir cítara de flauta, como diria o Apóstolo Paulo.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
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