13/05/2009 - 06:13
Muita gente não entendeu ainda porque a crise não chegou com tanta força ao Brasil, embora tenha feito alguns estragos por aqui também. Aproveitou-se, politicamente, é lógico, para se dizer que os fundamentos da economia brasileira são sólidos. Até a imprensa estrangeira abordou o assunto, isolando o Brasil do resto da crise. Mas as coisas não são bem assim.
Alguém ouviu falar da crise em Cuba? Lógico que não, não há como existir mais crise dentro da crise sistêmica que domina a “ilha cárcere” há 50 anos. Usamos este exemplo para explicar que o Brasil não foi tão afetado, pelo menos ainda, porque não há tanta atividade econômica assim, especialmente a de crédito. Mais da metade da economia nacional é informal. O volume de crédito em todo o País, é de cerca de 40% do PIB, já que todo o resto restringe-se aos papéis do governo – títulos de divida pública, que financiam os bancos. As exportações são baseadas em commodities, especialmente no setor agrícola, e, convenhamos, comida continua a ser necessidade do dia a dia.
O mercado acionário é especulativo. Mesmo com as quedas das taxas de juros por ordem do Presidente da República, a entrada de dólares especulativos continua alta e em tendência de assim continuar – o cambio já se aproxima de nova barreira psicológica, podendo chegar logo a R$ 1,90. Uma montanha russa para as empresas do setor manufatureiro que havia iniciado seus planos de exportação. E os juros na ponta do consumo continuam extorsivos, verdadeiro caso de polícia.
Os demais componentes engessadores da economia permanecem – carga tributária extorsiva, tributando estupidamente a produção, carga burocrática, carga trabalhista, carga regulatória – todas com tendência a piorar com as MPs emanadas do Executivo, graças a paralisação do Congresso, perdido em meio aos escândalos diários. Ora, uma economia que não cresce não pode ser afetada.
Perceba-se que tudo está amarrado, engessado. Somente um vigoroso processo de descentralização dos poderes e atribuições do Estado poderá reverter esse quadro. Mas a estatização que vem ocorrendo em outros países é o pior efeito da crise internacional, criada pela própria interferência do Estado na economia e nas finanças, ao manipular taxas de juros e o mercado de crédito. A bolha está se tornando em “A Coisa”. Elogiados que somos pelos “fundamentos” até pelo Financial Times, podemos dizer que não sentiremos muita diferença – é a tal “zona de conforto”. Mais adiante se tornará muito desconfortável para quem ainda conhece os princípios da liberdade e propriedade. Mas, como dizia Keynes, no futuro, todos estaremos mortos.
Fonte: Mídia sem Máscara
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Editorial do boletim do Instituto Federalista – www.if.org.br
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Tags: economia
07/05/2009 - 08:20
de noreply@blogger.com (Joel Pinheiro)
A teoria econômica convencional fala de “agentes racionais”, o que leva leigos a se perguntar “mas será que são racionais mesmo?”. A confusão ocorre porque o termo “racional” significa coisas diferentes para uns e outros. Um exemplo singelo me ajudará a explicar a diferença.
Alex ama Sofia. Ela é a mulher de sua vida e ele não concebe ser feliz sem ela. Contudo, uma bela noite numa reunião de amigos, sua amada fez um comentário jocoso sobre ele que muito o embaraçou. Cheio de ódio naquele momento, Alex quis matá-la. Não teve dúvidas: subiu logo para seu quarto e lá, sozinho, começou a torturar um boneco vodu.
Essa ação é irracional em pelo menos dois níveis: em primeiro lugar, o objetivo dela (tirar uma vida inocente) é, em si, irracional. Ademais, o próprio Alex a ama tanto que, se for bem sucedido, condenará sua própria vida à miséria e ao remorso; a ação vai contra os seus próprios desejos de longo prazo. Em segundo lugar, o meio escolhido para alcançar o fim é ineficaz; a alfinetada no boneco vodu não tirará a vida de Sofia. Como pode o economista afirmar que os agentes são racionais com tantos Alexes pelo mundo?
Para o economista, no entanto, a conduta de Alex é perfeitamente racional: ele fez aquilo que considerava melhor no momento. Prova disso? Ora, se ele achasse que o melhor a fazer era outra coisa, ele teria feito essa outra coisa. “Usou meios ineficazes? E daí? Baseado em suas informações, eram os meios mais adequados”. Neoclássicos e austríacos concordariam: Alex fez o que queria baseado nas informações disponíveis; foi racional.
Outro sentido de racionalidade, digamos, o dos cientistas em geral, é a adequação de meios a fins. Esse também é, de vez em quando, utilizado por economistas. Quando um economista vai contra as leis trabalhistas, por exemplo, é porque ele sabe que tais leis não atingirão o fim almejado. Ele não é contra o bem-estar dos trabalhadores, e nem é pau mandado do grande capital: ele apenas aponta que os objetivos que os próprios defensores do trabalhismo visam não serão alcançados por tais leis.
A economia se restringe a esses dois sentidos de racionalidade. Ela não faz, via de regra, juízos de valor, o que é bom enquanto opção metodológica. O problema é se o economista, enquanto pessoa, também fica apenas nesses níveis; se ele aceita que juízos de valor estão fora do domínio da razão. Ao fazer isso, torna-se incapaz de defender o que quer que seja, a não ser por motivos puramente instrumentais, a serviço de sabe-se lá quem. Isso abre a economia, por sua vez, às mais desastrosas e descabidas filosofias morais sem qualquer ferramenta para questioná-las. De duas uma: ou a economia vira um mero exercício amoral de maximização de utilidade ou uma busca cega da igualdade (quem decidiu que igualdade é um objetivo social desejável?), quando não um equilíbrio instável dos dois. Direitos naturais e justiça são esquecidos para perseguir uma dessas duas quimeras.
Fato: enquanto a defesa do capitalismo se aliar à primeira delas, estará fadada ao fracasso. Pois dar a Alex a variedade máxima na escolha de bonecos vodus não é exatamente um sonho inspirador.
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Tags: economia
15/10/2008 - 08:10
Entenda a crise: um exemplo prático.
Imagine um ponto de drogas, uma boca no meio da favela da Vila Califórnia onde o dono é conhecido como Bucha. Bucha costumava vender drogas para blogueiros, pastores de igreja e atores globais que, por medo da exposição, costumavam pagar rapidamente.
A bocada estava meio devagar, pois um árabe fez alguns ataques, difamando seu produto numa lista de discussão da internet chamada al qaeda. Para levantar a moral e aumentar a lucratividade, Bucha decidiu vender pó fiado a outros tipos de clientes, como pessoas com graves problemas de dependência química, desempregados e jornalistas que faziam matérias por ali. Com isso, aumentou sua fatia de mercado e começou a cobrar o dobro desses caras para compensar o crédito fornecido.
O plano deu certo, em pouco tempo a popularidade da boca de Bucha aumentou e seus fornecedores, traficantes maiores, ficaram tão empolgados com a crescente demanda que começaram a adiantar a mercadoria para ele em troca da enorme dívida de seus clientes nóias. Depois, para negociar os lotes de drogas, esses traficantes repassaram as garantias dos nóias do Bucha aos produtores de farinha, que repassaram pra galera da torre de quinta, que repassaram para os plantadores bolivianos, que repassaram para a Narcisa Tamborengere.
Assim, sem ninguém saber a origem, essas dívidas nóias foram repassadas até se tranformarem em fundos de pensão, fundos de investimentos, cdb, rbd, dst, fhc, títulos, ações, debentures, derivativos da bm&f, créditos de celular, tickets de refeição, opções da bovespa e muitas outras siglas e recebíveis negociáveis em camelôs, bancos e bolsas de valores em mais de 50 países ao redor do mundo como se fossem garantias sérias de que alguém pagaria alguma coisa algum dia.
Enfim, pressionado pelos credores e sem clientes (estavam todos mortos), Bucha declara a falência de sua boca e todos descobrem que esse dinheiro simplesmente não existe: são as dívidas daqueles junkies sujos malditos que não pagaram pelo pó consumido e morreram de overdose. É isso. Agora ninguém confia em ninguém.
Fonte: Portal Literal
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise, economia