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27/01/2009 - 11:46

Coisas de um Deus gracioso

 


Não se pode estabelecer uma doutrina em cima de experiências pessoais. Elas são muito particulares e os fatores envolvidos são variados e, muitas vezes, desconhecidos, pois depende do plano de Deus na vida de cada um e do que Ele quer realizar na estrutura e caráter dos seus filhos.

Vejo muitas vezes o povo de Deus fazendo campanha para obter o que o diabo ofereceu para Jesus no deserto e, mais ainda, há mensagens saídas do púlpito que querem nos fazer determinar que “estas pedras sejam transformadas em pães”.
O interessante é que no mesmo texto que diz “pedi e dar-se-vos-á” também diz que o “nosso Pai celeste sabe que necessitais de todas estas coisas”.
Lembro-me que foram raras as vezes que tenho pedido a Deus coisas materiais e sempre tive todo o necessário e com sobra para viver e realizar a missão em que estive envolvido mas, como já disse, esta é uma experiência pessoal e não serve de padrão para ninguém, a não ser os princípios espirituais  implícitos.
Dentro dessas experiências que, repito, não é um padrão de ensino, tenho a convicção que Deus se agrada mais da sinceridade irada do que da gratidão resignada e hipócrita.
Em 2001, na cidade de Cacoal, Rondônia, ao assumir a missão de fundar e organizar uma entidade para recuperar quimio-dependentes, tínhamos pouco recursos financeiros. A diretoria conseguiu, de doação da delegacia, uma moto “cabrita”(roubada e adulterada) muito velha. Era uma CG 125 que havia passado na mão de quase todo policial da cidade em missão ou não. 
Como bom servo de Deus, acostumado e “treinado a dar graças em tudo” aceitei alegremente. Era melhor do que ficar a pé. Afinal, “tudo provém de Deus”.
Mas a moto só me fazia pagar “mico”. Era uma verdadeira tribulação. Apagava no sinal e só pegava depois de muita oração e um mecânico; caía a parte lateral no meio do trânsito e eu parava e ia lá pegar e colocar de novo; o povo ria. E eu quieto (por fora). Não queria ser considerado “murmurador” e nem que Deus pensasse que eu era mal-agradecido. Como se Ele não soubesse.
Um dia, depois do estudo bíblico e com pressa pra chegar na cidade para uma entrevista com um novo candidato à recuperação, a moto não quis pegar. Uma ira nada santa me subiu. Joguei a moto no chão e subi bufando em direção ao monte, bem longe, para que os internos não pudessem me ouvir. Lá no topo, vociferei arrogantemente: “- Olha aqui, Deus! Vim aqui seguindo a tua direção mas tá muito difícil. Tudo quanto é entidade que nem teme o Teu nome tem de tudo pra trabalhar e eu aqui nesta pindaíba. E eu ainda fico pregando por aí que o Sr é o Deus do ouro e da prata. Eu não aguento mais. Essa m… dessa moto deve ter sido então o diabo que me deu! O Sr tá brincando comigo?!”.
Silêncio total…nem um sussurro e nem um raio me fulminou.
Desci do monte sem resposta mas aliviado. Eu havia me desnudado para Ele. Não fingiria mais para Ele.
Na descida, vi que um recuperando havia consertado a moto. Eles abrem e consertam tudo. São cheios de talentos. Quer achar gênios em quantidade? Procure entre os viciados em drogas e alcoólatras.
Duas semanas depois, enquanto eu dava estudo bíblico para os internos, vi alguém entrando de moto pelo portão do centro de recuperação. Continuei ministrando o estudo enquanto ele se aproximava lentamente. Parou do lado da turma e desceu da moto mais linda que eu tinha visto. Era uma Falcon 400, vermelho sangue, novinha, lançamento da Honda na época. 
Para não interromper o estudo pedi que ele se assentasse e ouvisse a palavra também, pois eu estava quase terminando. Propositadamente alonguei o estudo na esperança de que a palavra o atingisse também.
Quando terminei fui atendê-lo. Ele disse que queria falar comigo em particular. Convidei-o então a subir a trilha para o monte, de onde poderíamos ver toda a propriedade. E ali, no mesmo lugar em que eu havia reclamado com Deus ele tirou do bolso a chave e os documentos da moto, estendeu pra mim e disse: “- Toma, esta moto é sua, Deus mandou dá-la a você.
Levou dois dias pra cair a ficha e eu aceitar que aquela moto era minha de fato.
Nem sei que lições e ensinos tirar disso tudo. Mas sei que ele é tão gracioso que a gente não consegue nem absorver esse ensino. E a gente ainda pensa que pode afetá-lo com nosso pseudo- desempenho.
Curiosamente que, no viver com Deus, nem sei mais onde termina o natural e começa o sobrenatural. Não consigo fazer essa divisão. Até nem acho que ela exista.
Hoje aconteceu mais um caso parecido. Eu nem pedi. Mas isto é história pra outro post.
Pr Julio Soder
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/01/2009 - 21:29

Meu pai é normal

Meu pai é uma pessoa normal.

Ele tem sentimentos de uma pessoa normal.
Ele ama, se alegra, se entristece, se ofende, se ira e tem ciúmes.
Por ser pessoa normal é possível provocar estes sentimentos nele.
Herdei dele esses mesmos sentimentos. A diferença é que ele tem esses sentimentos por motivos corretos, numa medida adequada e na hora apropriada. Eu os tenho e os manifesto conforme o meu entendimento, pois são filtrados pelo pecado e egoísmo.
Eu amo meu pai. Eu o admiro.
Por isso os sentimentos que o atingem também me atingem e me abatem poderosamente. Talvez por serem filtrados pelo pecado e egoísmo.
Quando alguém atribui a ele algo que ele não disse eu me entristeço.
Quando alguém aprova o que ele odeia eu me ofendo.
Quando um ateu diz que ele não existe ou que não é pai eu me iro.
Quanta coisa tenho ouvido e lido a respeito dele que me faz chorar.
Como se diz e se escreve arrogantemente coisas sobre ele sem temor algum.
Como se calunia a sua pessoa e despreza-se a sua bondade que me dá vontade de gritar.
Sei que ele não precisa da minha defesa. Mas como ficar impassível quando alguém desonra uma pessoa amada.
Quem não reagiria quando alguém ofendesse sua mãe, ou seu pai ou sua esposa, figuras terrenas imperfeitas, quanto mais a um perfeito pai?
Quantos ficam indignados contra as injustiças e preconceitos humanos e não reagem contra as ofensas ao mais amável e bondoso dos seres.
É bem possível que isto seja imaturidade de minha parte; mas eu também não gostaria de atingir um nível de “maturidade” que nada sente quando o que meu pai pensa é contrariado ou distorcido.
Eu sou anormal.
Meu pai é única pessoa normal.
Na verdade ele é o padrão de normalidade. Padrão que, na sua própria linguagem, é chamado de:
Santo!
Pr Julio Soder
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/10/2008 - 13:39

Não sei…só sei que quando cheguei aqui ele já estava.

Ao contário daqueles que vêm demônios atrás de cada árvore, prefiro ver Deus em tudo. Afinal de contas toda iniciativa é dEle. Quando nós tomamos consciência e respondemos, já estamos a meio caminho andado do Seu plano. E achamos que é aí que começa a nossa história. Ainda nos vemos no centro da história. Ainda não temos noção das idéias que o nosso orgulho é capaz de produzir.

Também Ele não tem nenhuma obrigação de usar métodos segundo os padrões humanos. Ele pode se manifestar de forma incompreensível, confundido com um fantasma, causando confusão e terror a todos. Os humanistas ficam escandalizados quando Ele usa métodos “extra humanos” que eles reinterpretam como “desumanos”. Quando tentamos explicar seus fins parecemos mais com tolos “amigos de Jó”.
Nestes dias, internado neste hospital, pude perceber o quanto preciso de Sua presença. Alguns, “teologicamente corretos” podem contrapor que a Sua presença nunca se afastou. Concordo, mas eu posso me tornar alheio à ela. E aqui, despido de alguns dos meus “binquedinhos”, mas não dos meus pensamentos, vi que ainda há um último reduto em que posso tentar me esconder dEle. No próprio momento que escrevo este texto corro o risco de me afundar no perigoso e encantador terreno dos pensamentos e das idéias e perder a consciência da Sua doce presença, tão necessária ao meu viver.
A prisão dos pensamentos, idéias e divagações é a prisão mais terrível, pois ela nos dá a falsa sensação de que estamos conhecendo Deus quando na verdade estamos nos afastando dEle. Não estou defendendo a ignorância generalizada e nenhum sistema filosófico que, por acaso, se enquadre nesta descrição.
Imagino que Deus tenha vetado ao homem a árvore do conhecimento pois ele ainda não estava maduro para isso. E parece que ainda não está. (E tem gente que acha que estamos evoluindo!…). Conhecimento sem humildade só dá inchaço, diz Paulo.
Deus é para ser experimentado, a descrição é secundária (Ai, ai…lá vai dogma de novo).
Quão mais felizes são aqueles que não perscrutam mas deixam-se perscrutar, como criança desmamada no colo de sua mãe.
Jesus deu graças pelo Pai ter escondido coisas dos sábios e entendidos e as ter revelado aos pequeninos (simples).
Só a Sua presença abre e dilata os canais do amor e da genuína  revelação. Revelação sem a presença produz profetas de olhos secos e coração frio.
Só a Sua presença pode nos dar idéia da Sua grandeza e poder; e infundir em nós o temor e nos conduzir a verdadeira adoração.
Idéias e explicações sobre Deus te satisfazem?
Não tens tu sede de Deus, de Deus mesmo?
Pois Ele é tudo o que eu preciso…o resto, é adereço.
Pr Julio Soder
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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