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18/09/2009 - 20:49

Brasileiros X Brasileiros

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Artigo no jornal O Estado

Escrevi o artigo em duas partes. A primeira, abaixo, foi publicada sem o último período (falta de espaço, talvez) e com o título “Mobilização popular” (alguém no jornal botou esse, e só Deus sabe por quê). É “Dividir e conquistar”.

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O brasileiro atento sabe que um tipo peculiar é cada vez mais numeroso e influente no meio político: o ongueiro. Num belo dia ele resolve que sua profissão será consertar o mundo, organizar a sociedade. Ninguém o elegeu para tanto; ele não possui conhecimentos especiais que o qualifiquem para tal tarefa. Não interessa: para ele o caminho a seguir é arranjar uma verba pública e trabalhar junto aos governos na elaboração e execução de programas coletivistas.

Somos surpreendidos dia após dia com leis oriundas do onguismo, sem que saibamos qual é a autoridade que essas pessoas têm nem quando essa autoridade lhes foi outorgada. O brasileiro pega o jornal e fica sabendo que não é mais possível fumar no bar. Descobre que querem dar aulas de educação sexual nas escolas para crianças de cinco anos de idade (dizem que é um “direito” da criança). Nota que a segurança pública é modelada cada vez mais por ongueiros que brincam de sociologia.

Pode ser que, muito em breve, o brasileiro pegue o jornal e descubra que seus concidadãos foram divididos juridicamente pelo governo em dois grupos, os brancos e os negros. E mais chocante ainda: ele será informado por diversos especialistas e engenheiros sociais que os brancos segregam implacavelmente os negros. Se esse brasileiro discordar, será transformado instantaneamente em suspeito de crime racial.

Semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou o Estatuto da Igualdade Racial, uma vitória do grupo organizado que quer produzir no Brasil um clima de tensão permanente entre brancos e negros. Mas, num país miscigenado até não poder mais, quem são os brancos e quem são os negros? A resposta é ideológica e cabe ao movimento racialista. Basta saber que em universidades que trabalham com o sistema de cotas, e até no concurso de bolsas do Itamaraty, o teste de admissão costuma envolver questões do tipo “você já se sentiu negro?”. Quer dizer, não basta o candidato ser negro: ele precisa ser um negro sindicalizado, profissional da causa, vítima do sistema. Ele deve estar afinado com as diretrizes do Estado e das ONGs associadas.

O projeto do estatuto racial segue agora para o Senado, onde os grupos de pressão já agem para acelerar o processo e garantir a aprovação, de modo que Lula possa sancionar a lei em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

escrevi neste jornal que o projeto deveria ser chamado de Estatuto do Marxismo Racial. A diferença é que o que é classe em Karl Marx vira cor de pele em Paulo Paim. No mais, a intenção é a de sempre: inocular veneno e provocar a luta de brasileiros contra brasileiros, fazendo com que o grande beneficiário no fim da história seja o Estado, sempre disposto a estender seus mil braços e resolver problemas reais e imaginários – especialmente problemas reais e imaginários que ele mesmo criou.

Continua semana que vem.

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Eu sugiro a vocês que leiam o texto do estatuto para que tenham a noção do perigo. Não é brincadeira não. Esse pessoal quer porque quer instaurar o apartheid politicamente correto.

Fonte: Bruno Pontes

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
13/05/2009 - 17:03

A morte do mérito?

Cristina Camargo13/05/2009

A morte do mérito?

Cristina Camargo

Tudo indica que o percentual cada vez maior de vagas destinadas a cotistas fará surgir, em breve, uma nova “minoria” no país: a dos que ingressam na universidade federal pelo próprio mérito. Novo projeto de lei deverá chegar ao Senado nesta semana propondo a reserva de 10% das vagas nas escolas públicas a deficientes físicos. Segundo matéria no Estado de SP de hoje“somados aos 50% de cotas nos critérios sociais e raciais de outro projeto já em discussão chega-se a 60% das vagas para cotistas, o que está na raiz das discussões no Congresso e na sociedade.

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é contrário aos 60%. “Isso é um vexame, a morte do mérito. Sugiro um máximo de 30% e somente social, destinados aos mais pobres, sem definição de raça.”

A boa notícia é que não existe unanimidade sobre tal decisão:

“O coordenador nacional do Movimento Negro Socialista, José Carlos Miranda, não vê vantagem em sua implementação. “As cotas não resolvem o problema de acesso dos negros pobres à universidade pública. Ao contrário, criam mais divisão.”

De minha parte, concordo com a afirmação de Demétrio Magnoli no Fórum da Liberdade: “O que resolve a questão da inclusão social é ensino público de qualidade, e não cotas.”

Fonte: Millenium

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
05/05/2009 - 06:28

A POLÍTICA DE COTAS CHEGA À FASE DO DELÍRIO

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou um projeto do deputado Flávio Dino (PC do B-MA) que reserva 10% das vagas de instituições públicas de ensino médio e superior para portadores de deficiência. Não foi submetida a plenário e seguiu direto para o Senado. Nenhum deputado quis propor recurso para que a proposta tivesse de passar pelo plenário da Câmara. A razão é simples e óbvia: algum jornal se lembraria de brindar a vítima com um título mais ou menos assim: “Fulano recorre contra cota para deficientes”. Ninguém quer passar por inimigo de deficientes.

Flávio Dino — um “Dino” no PC do B… Quem diria? — não deixa de prestar um serviço à causa dos valores universais da democracia, que estão sendo agredidos pelas políticas de cotas. No próprio Senado, há um outro projeto que reserva 50% das vagas para alunos egressos da escola pública, com um subcritério de distribuição das vagas segundo a cor da pele. Aprovados os dois, já teríamos 60% das vagas reservadas ao cotismo. Até o Dino do PC do B se assustou com a aprovação e reconheceu que a tramitação no Senado vai ser difícil. Por quê? Ora, porque sobram minorias, mas já começam a faltar vagas.

Fiz certa feita uma ironia afirmando que o verdadeiro negro do mundo é o macho, branco, heterossexual e católico. Estamos chegando lá. Em breve, será preciso garantir cota para essa minoria, a cada dia mais achincalhada e discriminada, não? Se os oriundos da escola pública, os negros e os deficientes tiverem cotas, por que não podem tê-las outras “minorias” que também são objeto de suposta discriminação, o que as impede de se desenvolver plenamente? Por que não impor cotas para os gays, ciganos, portadores do vírus HIV, alérgicos, filhos de pais separados, dependentes químicos… Em suma: cada “discriminado” sabe onde lhe aperta o sapato e cumpre se mobilizar junto a seus pares para exigir “reparação”.

O excesso de cotas pode, quem sabe?, levar a uma revisão dessa estupidez. O princípio constitucional do acesso universal à educação está indo para o diabo. Já que o tema está na moda, observem que estamos criando o sistema brasileiro de castas: será preciso pertencer a uma delas para ter acesso à educação. O mérito que se dane.

E quem teve a má sorte de nascer branco, não ser muito pobre e não ter nenhuma deficiência? Fazer o quê? O sistema de castas tem os seus intocáveis.

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
03/04/2009 - 06:39

Cotas raciais – ”Forçar inclusão é política populista e demagógica”

Por Roldão Arruda, no Estadão:
O debate que se trava no Congresso sobre a criação de cotas sociais e raciais nas universidades brasileiras é um desserviço, porque desvia a atenção dos problemas reais da educação brasileira. Essa é a opinião do sociólogo e cientista político Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, no Rio de Janeiro, e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1994 e 1998.
Na quarta-feira, ao participar de uma audiência pública no Senado, organizada pela Comissão de Constituição e Justiça, que analisa o projeto de cotas, Schwartzman afirmou que seria mais interessante discutir o estrangulamento que está ocorrendo no ensino médio – o que reduz de fato as chances de estudantes de escolas públicas atingirem a universidade.
Em entrevista ao Estado, o especialista também rebateu o argumento da “dívida social” que o Brasil teria com a população negra, após quase três séculos de regime escravagista: “O argumento da dívida social é complicado. Quem deve pagá-la? Os portugueses escravocratas que já morreram? Os filhos de imigrantes japoneses, italianos e alemães que vieram para o Brasil na miséria e não tiveram nada com essa história do passado? Essa maneira de pensar em direitos e dívidas coletivas é difícil de sustentar.”
A seguir, os principais trechos da entrevista. 

Em seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça, onde está sendo debatido o projeto de lei que cria cotas raciais e sociais em universidades públicas, o senhor disse ser contrário à aprovação. Por quê?
Na exposição que fiz, eu argumentei que a legislação proposta só beneficia um número pequeno de pessoas, prejudicando outras, e não altera o quadro de desigualdade social no ensino superior. Na medida em que o ensino superior se amplia, a inclusão por renda, cor e escola de origem vem crescendo, sem precisar de políticas de cotas para isso. Para haver uma política de inclusão efetiva, ela deveria se basear em critério de renda, que é socialmente o mais justo, e não de raça ou de escola do ensino médio. Isso seria uma discriminação contra brancos pobres e famílias pobres que investiram na educação média particular. Forçar a inclusão, sem saber se o estudante vai concluir o curso, é uma política populista e demagógica.
Pelo que o senhor diz, o foco da discussão não deveria ser o das cotas.
Sim. O foco quase exclusivo da atenção sobre política de cotas desvia a atenção sobre os problemas reais da educação brasileira. O principal estrangulamento ao acesso é o ensino médio, que está diminuindo seu ritmo de crescimento, ainda longe de atingir a universalização. Com a ampliação recente do ensino superior, o acesso de pessoas de baixa renda e de não brancos tem aumentado, sobretudo no setor privado. Em minha exposição, também disse que o número de vagas no ensino superior já é maior, hoje, do que o número de pessoas concluindo o ensino médio.

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
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