A ESSÊNCIA CRIMINOSA DOS INTELECTUAIS DO PCI
Ainda comentando o manifesto daqueles que se dizem intelectuais contra a CPI do MST, estive a refletir sobre um trecho:
Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
É a cara do Primeiro Comando dos Intelectuais esse negócio, não? Em São Paulo, o PCI é a voz, digamos, acadêmica do PCC; no Rio, do Comando Vermelho e dos Amigos do Amigos, né? Essas bestas cúbicas não negam a sua origem.
Não existe organização socialista na história — atenção: em qualquer tempo ou lugar — que tenha se formado sem considerar a possibilidade de cometer crimes em nome da causa. Não me refiro, obviamente, apenas àqueles crimes definidos pelos códigos, mas também aos outros, aos morais. O que é um crime moral? É aquele que, independentemente do código vigente, alguém comete na esperança de que o outro, o adversário, seria incapaz de cometer.
Não há esquerda sem essa ambigüidade moral; sem a constatação de que existe a moral “deles”, que lhes permite fazer qualquer coisa, e a moral do “outro”, que seria mais restritiva e, por isso mesmo, os protegeria do contra-ataque. Um esquerdista de verdade está sempre testando os limites dos inimigos na esperança de contar com a moralidade dele para se preservar. E, não raro, têm lá a sua razão em prever uma reação frouxa, não é mesmo?
Vejam o trecho de asquerosa demagogia. Não é porque existem injustiças no mundo que a gente vai sair por aí destruindo laranjais, roseirais ou capinzais… Não existe causa humana que dê a alguém a condição de absolutista moral. Ou existe? No mundo deles, eis o ponto, existe.
A causa ainda é, pasmem!, o “socialismo”. Como o socialismo não virá — não como eles anseiam —, sem poder chegar ao fim, ao grande crime, contentam-se com os meios criminosos.
Fonte: Reinaldo Azevedo