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06/05/2009 - 13:23

Mais uma do grande Movimento dos Sem Noção

O coordenador da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em São Paulo, Raze Rezek, aceitou na tarde desta terça-feira negociar com os cerca de cem índios que ocupam o prédio da entidade desde às 8h. Os manifestantes pedem a exoneração do coordenador, a quem acusam de negligência com os índios.
A confirmação de que Rezek já está a caminho para conversar com os indígenas foi feita por Paulo Celera, responsável pelo setor de saúde indígena na Funasa. Celera conversou com o coordenador por telefone.
A princípio, Rezek afirmou que só se encontraria com os índios caso a reunião ocorresse fora do prédio da Funasa e com apenas duas lideranças indígenas. “Ou conversa com todos os índios ou não haverá negociação”, afirmou o cacique Darã.
Com a insistência dos índios, Rezek aceitou ir a sede da entidade, que fica no centro de São Paulo, acompanhado de dois representantes da Polícia Federal. Por volta das 18h15, ele ainda estava na sede da PF.
Cinco chefes de seções do órgão e outros dois procuradores da entidade que ajudam nas negociações continuam como reféns dos indígenas no prédio. “Estamos reféns dessa situação, sem ter nada a ver com ela”, afirmou Gelza da Costa, responsável pelo setor de convênios da entidade e que continua impedida de deixar o prédio.
Mais cedo, os índios liberaram a saída dos cerca de 80 funcionários feitos reféns no prédio. Eles também chegaram a bloquear a passagem pela rua Bento Freitas, que já foi liberada.
De acordo com Darã, a manifestação pede uma atuação mais eficiente da Funasa no Estado. “O saneamento nas terras indígenas não está sendo feito, os medicamentos estão atrasados e os veículos de assistência sucateados”, afirmou.

Comento
Sabem essas fichas que somos obrigados a preencher de vez em quando? Pois é… Em breve, naquele campo destinado à “ocupação”, muita gente poderá escrever: “índio profissional”; “negro profissional”; “gay profissional” e assim por diante. Escolha a sua minoria, leitor, e passe a exigir os seus direitos. Mais do que exigir: arranque no tapa se preciso.

Vejam o caso dos índios. Os valentes costumam reivindicar plena autonomia para cuidar de suas terras, desde que garantidos todos os benefícios de que não dispõem, é bom deixar claro, os não-índios: casa, comida, saúde, escola, trator etc. É a chamada autonomia pendurada nas tetas do governo. Sem pagar imposto, que isso é coisa de branco. Claro, claro, defendo o apoio aos nossos irmãos silvícolas, mas também defendo que eles respondam por seus atos.

Invasão de prédio público e cárcere privado são atos criminosos. O Estatuto dos Povos Indígenas ainda em vigor, de 1973, considera que os valentes são inimputáveis. A Constituição lhes assegura o direito de recorrer à Justiça — logo, estão submetidos a ela. Como a Carta é a lei maior, índio que se comporta como bandido tem de ter tratamento de bandido. O novo estatuto, que está em elaboração, acaba com a inimputabilidade, mas exige um laudo antropológico para decidir se o índio que cometeu o crime tem plena consciência dos seus atos. Os que invadiram a Funasa, sem dúvida, sabem muito bem o que estão fazendo. Vi um deles na TV. Não só tem como domina perfeitamente bem o tempo midiático.

Já nas peças de Padre Anchieta, Guaixará e Aimbirê eram bem espertinhos…

A questão indígena vem tomando vulto no grande “MSN” em que se transforma a cultura da reclamação no Brasil. MSN é o Movimento dos Sem Noção. Outros índios estavam esses dias em Brasília promovendo uma manifestação em defesa do novo estatuto — contam com os antropólogos para considerá-los inimputáveis… — e da revisão da demarcação de reservas. Em suma, estamos diante de uma das indústrias da reclamação.

A Funasa, é verdade, tem sido historicamente incompetente para responder ao desafio de fazer chegar remédios às comunidades indígenas. Que os índios reclamem, vá lá. Que resolvam prender pessoas por conta própria, aí não dá. Ocorre que Guaixará e Aimberê já perceberam a metafísica dos tempos — que lhes foi soprada ao ouvido por Tupã. Ou pelo ministro Ayres Britto, do STF, o nosso Gonçalves Dias em prosa.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,


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