22/03/2009 - 10:37
O Colégio
- Corra Vicente para não perder a aula! Exclamou Eduardo Nórman em tom de brincadeira, junto a um grupo de três outros adolescentes que estavam parados na calçada da rua em frente ao colégio. Era o primeiro dia de aula de um novo ano letivo e todos estavam animados ao reverem novamente os colegas do ano anterior, naquela manhã de fevereiro de 1994. Vicente estava a alguns metros mais a frente e caminhava sozinho quando foi visto por estes alunos. Dezesseis anos, iniciava agora o segundo ano do segundo grau, hoje ensino médio e antigamente chamado de colegial, científico ou propedêutico (dependendo da época).
- E aí Eduardo e Companhia, tudo bem com vocês? O garoto respondeu e continuou andando. Ao contrário de muitos outros da sua idade, era um adolescente responsável e que levava a vida a sério. Não chegava no entanto a ser um nerd ou cdf, como se diz no Brasil daqueles caras sérios, muitos deles franzinos e de óculos, que vivem a maior parte do tempo estudando e tiram boas notas, mas que não se dedicam a atividades físicas, diversões e curtir a vida. Vicente tinha estatura e estrutura física mediana para os padrões dos brasileiros. Gostava de aproveitar todos os bons momentos também. Era puro de coração, sempre disposto a ajudar os outros. Não parou e se reuniu à turminha de Eduardo por não gostar muito do jeito deles de fazerem muitas vezes brincadeiras e piadinhas de mau gosto, rebaixando assim as pessoas. No entanto não virava a cara quando o cumprimentavam: respondia com um ôi ou outro cumprimento, fazia até algum favor quando precisavam dele. Dessa forma não desprezava seus colegas menos queridos e ao mesmo tempo não se envolvia com eles, além do indispensável para suas tarefas escolares.
O primeiro dia de aulas transcorreu como em todos os anos: os professores se apresentavam, alguns deles pediam para cada aluno se apresentar à classe e pouco conteúdo era dado. As primeiras aulas são as mais fáceis, como vocês leitores que estão ou já passaram por um colégio devem saber.
Autor: adialjunior@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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16/09/2008 - 09:21
Este estranho caso se passa em Curitiba, capital do Estado do Paraná, Brasil. Cidade sempre lembrada no restante do país devido a sua organização, limpeza, projetos urbanísticos e arquitetônicos, sistema de transporte coletivo e outras características que atraem moradores de outras cidades brasileiras, embora tenha também suas desvantagens que os que supervalorizam o lugar se esquecem. Não chega ao nível de primeiro mundo, mas possui belos parques municipais e áreas verdes, clima temperado e em vários locais com neblina pela manhã, fazendo lembrar algumas cidades européias como Londres. Bonita também por conter pontos turísticos com construções monumentais que ficam gravadas na memória dos turistas e nas fotografias por eles tiradas. Muitas dessas obras da arquitetura moderna dão uma aparência futurista e contrasta com os velhos prédios e casas antigas em estilo europeu. A sua atual população resultou em grande parte da imigração de estrangeiros de diversas nacionalidades e de outras regiões do país. Outro fator, embora negativo, que a diferencia da maior parte do Brasil é o fato do curitibano ser muito reservado quanto ao relacionamento com estranhos, mesmo quando são conterrâneos.
Terra de lendas e mistérios como a lenda das Ruínas de São Francisco, a da Loira Fantasma, os Túneis que passam por baixo do solo do centro da cidade… Inclusive a própria fundação da cidade no Século XVII está envolta em lenda quanto à mudança do local onde se iniciaria o povoado. Há também outras curiosidades mais palpáveis e contemporâneas, como as pessoas exóticas que aqui vivem e com seu visual e/ou comportamento singular, se tornaram personagens conhecidas por quase toda a população: as figuras folclóricas de Curitiba como o Oil Man, o Jacaré da Bicicleta, as Estátuas Humanas da Rua 15 de Novembro, o Dance Boy e outros.
Uma dessas pessoas excêntricas porém anônimo, era Vicente Crístofer de Assis Correia. Rapaz solteiro, de estatura e peso médios, cabelos lisos, castanhos escuros, olhos azuis e pele clara. Tinha certos hábitos estranhos à maioria das pessoas e aparentemente contraditórios: gostava de música clássica e também apreciava algumas bem mais atuais e de outros gêneros, como rock clássico e até dance music; usava roupas de estilos de época, algumas delas já a muito tempo fora de moda, embora não desprezasse trajes atuais de vez em quando. Era muito interessado em assuntos místicos e casos sobrenaturais. Embora parecesse meio estranho tinha qualidades boas que lhe eram peculiares: um cara legal, boa pinta, romântico e extremamente honesto. Não admitia falsidade e injustiça. Um ser quase “em extinção” nos dias de hoje! Vicente Crístofer nasceu nesta cidade, no ano de 1978.
Uma das suas paixões desde criança era aqueles velhos filmes de terror, a maior parte deles das décadas de cinqüenta a setenta, que seu tio mais novo trazia em fitas de vídeo para assistir em sua casa por não ter ainda um aparelho de vídeo cassete. Nos anos oitenta e noventa este era um eletrodoméstico muito desejado nos lares. Em uma noite lá estava ainda menino se entretendo com o longa metragem O Conde Drácula (Scars of Dracula), produzido pela Hammer Films em 1970 e tendo o ator Christopher Lee no papel principal. Na tela da televisão estava sendo exibido o início do filme, em que após ser mostrado um velho castelo, um morcego em um dos seus aposentos pinga sangue em cima de cinzas, que vão aos poucos tomando a forma de um esqueleto e a seguir recompondo o restante do corpo, trazendo assim o vampiro de volta a vida.
— Filho vai ficar até de madrugada de novo vendo este filme? Perguntou sua mãe com uma expressão no rosto um tanto preocupada, enquanto ele clicava na tecla stop do controle remoto, parando a fita a fim de não perder nenhum trecho.
— Não vai terminar tão de madrugada mãe. O Tio Marcos me emprestou hoje de tarde. Disse que já viu esse filme e que eu poderia ir assistindo se ele demorasse, talvez chegue só depois das onze da noite. Amanhã vai devolver a fita. Ele me contou que tem uma locadora aqui em Curitiba que é cheia desses filmes de terror antigos.
— Esse tipo de filme é para os mais velhos Vicente, não para crianças. Você só tem doze anos, já tem medo de ficar sozinho no escuro. Aí assiste a essas coisas e fica mais medroso ainda.
— Mas é legal mãe. E daqui a pouco ele chega, são onze e treze agora. O Tio Marcos entende desses filmes, disse que já assistiu mais de cinqüenta!
— Só que o seu tio não se impressiona fácil, sabe que essas coisas só existem nos filmes e depois amanhã cedo…
De repente a porta da cozinha nos fundos começou a abrir lentamente, rangendo as dobradiças como num clima fantasmagórico. Passos se fizeram ouvir após ser fechada. O menino se levantou curioso e se aproximou um pouco da mãe, que já se encaminhava para o quarto. Alternava os olhares para o corredor que ia da sala de tv à cozinha e para ela. A família, de classe média, morava em um velho e espaçoso sobrado ou casa de andar como se dizia antigamente.
— Tio Marcos? Perguntou.
— Claro que é ele. Quem mais tem a chave da porta dos fundos?
— Oi pessoal, surpresa! Cheguei um pouco tarde hoje. Assustei vocês? Disse Marcos em tom de brincadeira ao entrar. Ele era o tio mais novo de Vicente e irmão de seu pai. Um rapaz ainda com vinte e um anos.
— Marcos você nunca deixa de ser moleque mesmo! Sempre com essas suas brincadeiras. Já sabia que era você, um ladrão seria mais discreto. Respondeu a mãe em tom sorridente, porém já meio sonolenta.
—Você pode ir dormir Márcia. Amanhã nos falamos. Vou fazer companhia ao seu filho. Já vi o filme, mas relembrar os bons tempos da televisão de dez anos atrás sempre é bom.
— Só quero ver que hora vocês vão acordar amanhã. Planejamos sair cedo para ir à praia. Seu pai já foi deitar faz uma meia hora Vicente. Mas boa noite para vocês! Dito isso a mulher subiu a escada com corrimão de madeira envernizada, se dirigindo ao quarto que ficava no andar de cima, encontrando o marido ainda em vigília.
— Acordado ainda Paulo Roberto?
— Dormi bem a noite passada, aproveitei para ler enquanto não vinha o sono.
— O Vicente está lá na sala assistindo um filme de terror. De um tempo para cá ele deu de assistir essas fitas que o Marcos traz. E esse gênero sobrenatural pelo jeito é o seu preferido.
— Se bem que essas crianças de hoje em dia estão até acostumadas com violência na televisão. É diferente do nosso tempo quando tinha a censura. Paulo se referia ao período em que o país viveu sob a ditadura militar, que durou de 1964 até 1985, quando os filmes na televisão considerados impróprios para menores eram exibidos altas horas da noite, com um cartaz e um aviso em voz alta indicando aos pais que a programação a seguir era desaconselhável para menores de determinada idade.
— O filme que ele está vendo hoje é aquele antigo do Drácula, que tem o castelo do lado de um abismo.
— Os antigos não tinham tanta violência como os de hoje, mas acho que assustavam até mais as pessoas que se impressionam fácil. Não sou um fã desse tipo de filme, mas reconheço que eram melhores.
— É justamente o que acontece com ele: depois fica impressionado quando falta luz e está sozinho, porque fica relembrando essas histórias. Não entendo o nosso filho Paulo. Tem medo e mesmo assim gosta de ler e assistir essas coisas… Bom, mas agora é hora de dormir, amanhã temos um dia inteiro pela frente.
No dia seguinte, uma esplêndida manhã de sol presenteou o fim de semana daquele sábado. Quando seus pais acordaram por volta das 08 horas, Vicente já estava de pé trazendo alguns pertences para colocar no porta malas da Ford F1000 cabine dupla deles.
— Compensou ver o filme de ontem? Perguntou Paulo Roberto a Vicente.
— Muito bom pai. Achei muito legal a roupa preta do Drácula, com aquela capa enorme. Abra a caminhonete para eu colocar minhas coisas no porta malas por favor.
— Pessoal venham primeiro tomar o café. Disse a mãe.
Marcos chegou logo em seguida.
— Pensei que vocês dois não acordariam cedo hoje. Ser jovem é bom. Quando a gente é criança então, parece até que não existe canseira. Comenta Márcia para os outros.
— É que o Vicente ainda tem bastante tempo livre. Só estuda e ajuda em algumas coisas em casa. Quando a gente começa a trabalhar as coisas mudam um pouco. Observa o tio do rapaz.
— Exatamente. O trabalho acaba com a gente. Concordou o pai.
— Então seu irmão e sua irmã estão curtindo uma praia desde quinta não é? Diz Marcos ao sobrinho ao terminar o café.
— É tio Marcos. Eles foram com a tia Rita. E agora é nossa vez.
Pouco tempo depois lá se iam pela BR 277 em direção ao litoral paranaense, debaixo daquele céu azul quase sem nuvens. Montanhas verdejantes em ambos os lados da estrada, destacando-se em diversos trechos os manacás da serra cobertos de flores lilás como um gigantesco buquê, uma das árvores mais belas da região.
— Pai que precipício!
— Olhe para lá Vicente. Dá para ver o mar daqui de cima. A baía de Paranaguá lá embaixo, você já deve ter estudado isso na escola. Quando não tem nuvens dá para a gente ver bem. Mostra o pai. Passavam agora pelo Viaduto dos Padres, abaixo do qual está o fundo de vale entre as montanhas, coberto pela Mata Atlântica.
Após descerem o trecho em meio a Serra do Mar, a rodovia se tornou menos tortuosa e com aclives e declives não tão acentuados. Algum tempo depois o veículo dobrava à direita, adentrando em uma estrada com uma só pista de mão dupla, que após vários quilômetros chega no Trevo do Balneário Praia de Leste. Este por sua vez dá acesso a uma avenida que passa bem próximo a faixa litorânea e por quase todos os balneários do Paraná. Embora houvesse um caminho mais rápido para a Cidade de Guaratuba os pais de Vicente preferiam este por ser menos monótono e mais belo devido a vista do mar. Além disso faria a travessia de balsa, o chamado ferry boat, que por si só já era um passeio diferente, daqueles que a gente não faz todo dia. Essa travessia é obrigatória para quem vai a esta praia pela beira-mar, pois após o balneário de Caiobá a estrada termina no ponto de embarque das balsas. Após a travessia da Baía de Guaratuba já se está na Cidade.
Um pouco antes do meio-dia a família chegou ao apartamento de Rita, que residia nesta cidade. Após os cumprimentos e o almoço, arrumaram os seus pertences e somente na metade da tarde que foram se banhar na praia mansa, de onde se tem uma bela vista do Morro do Cristo, uma das atrações turísticas do lugar.
— Acho mais segura esta praia: quase não tem ondas nem correntes e o mar não fica fundo de repente. É uma das mais bonitas também. Comenta Rita.
— Para as crianças é melhor. Concorda Márcia. E continuou:
— Paulo vá com o Vicente e com a Maria mesmo assim. Com o mar não se brinca e afogamento é uma das piores coisas que existem.
À noite foram todos a um restaurante jantar frutos do mar.
— É muito ruim morrer afogada mãe? Perguntou a irmãzinha de Vicente, uma menininha ainda, com apenas sete anos de idade.
— É horrível Maria. Quando você vai respirar a água entra na sua boca, no seu nariz, você a bebe forçada, até seus pulmões se enchem. É água por todo o lado, você afunca, quer sair e não consegue, fica aquela pressão em cima de você, dá uma aflição tão grande que parece que o mundo está acabando. Onde você segura não consegue soltar mais. É uma das piores maneiras da gente morrer. Márcia se lembrava de uma desagradável experiência onde quase se afogou no mar quando tinha catorze anos, sendo salva pelo pai. Ficara com um certo trauma de mar agitado e rios com correntezas fortes.
—Vicente aproveitou a oportunidade para perguntar uma coisa que o deixava curioso:
— Pai por quê a gente fica velho e morre?
— Olha filho isso é um tipo de lei da natureza. Todos vamos ficando velhos com o passar dos anos e um dia morremos.
— Não seria melhor se fosse diferente? A gente não ficaria triste: não morreriam nossos amigos e parentes pai!
— Pois é Vicente, mas infelizmente a vida é assim e não podemos mudar. O que a gente pode fazer é curtir enquando somos novos. Observou seu irmão Eduardo, o primogênito, quatro anos mais velho que ele. Um adolescente com idéias já bastante maduras.
Marcos ficou pensativo um momento e em seguida comentou algo interessante:
— Vocês me lembraram de uma coisa: vi na tv que tem cientistas que pesquisam o porquê de nós envelhecermos. Talvez um dia a ciência descubra o elixir da vida eterna ou pelo menos uma maneira da gente viver muito mais.
— E eu já li sobre umas experiências em que os americanos congelam pessoas que estão morrendo de uma doença incurável e mantém os corpos assim durante anos para só descongelá-los quando descobrirem a cura da moléstia. Mas não acredito muito que isso dê certo. E depois como fica a questão da alma da pessoa? Completa a mãe.
— Se é que existe mesmo alma, espírito. Mas seja lá como for o mundo não tem ainda tecnologia nem conhecimento para realizar estas façanhas. Conclui Paulo, que era um homem agnóstico e um tanto cético, ao contrário da sua esposa que embora quase não ir a igrejas, tinha um lado espiritual independente das religiões.
— O que acontece depois que a gente morre mãe? Acaba tudo ou a gente vai para um outro lugar? Pergunta Vicente curioso.
— Gente, que assunto para um jantar! Observa Rita, que não gostava de falar em morte. Era uma pessoa um tanto supersticiosa, dessas que jamais ia a cemitérios e temia o sobrenatural. —O Vicente tem certas preocupações incomuns para uma criança na sua idade não acham? Disse dirigindo o olhar aos pais.
— Tudo bem Tia Rita. Mas eu só queria saber isso.
— Eu acredito que a gente vai para um lugar melhor Vicente. Não acho que a gente vive e aprende tantas coisas para depois morrer e acabar tudo. Responde a mãe.
— Eu também concordo. Mas vamos aproveitar agora o jantar que o garçom já vem trazendo. Termina Rita.
Vicente tinha uma boa família, dessas de quem se diria uma família quase perfeita, salvo problemas pequenos que ocorrem em todo lar. Pessoas simpáticas que viviam uma vida tranquila sem prejudicar os outros, alheios a fofocas, encrencas e confusões. Paulo Roberto de Assis se casara com Márcia Correia em meados de 1972, quando ambos estavam com apenas dezoito anos. Em 74 tiveram seu primeiro filho, o Eduardo, seguido por Vicente em 78 e por Maria em 83. Paulo tinha um bom salário como funcionário público da Receita Federal, um dos empregos mais cobiçados por todos os brasileiros que querem ter um futuro tranquilo e estável. A mãe era a proprietária de um salão de cabeleireiros. Marcos era um dos parentes mais apegados e que mais os visitava. Sua situação financeira era inferior ao irmão e ainda não tinha uma casa própria. Era cinéfilo e procurava ler tudo sobre a sétima arte. Gostava muito de filmes clássicos, que marcaram época. Um cara brincalhão e cheio de ânimo, sempre de bem com a vida e com um sorriso nos lábios. Rita, irmã de Márcia, era ainda solteira aos quarenta e um anos por opção própria. Uma pessoa simples e de bom coração que sentia-se bem em ajudar o próximo. Hospitaleira, adorava receber visitas dos parentes e amigos, talvez porque isso quebrasse a monotonia de morar sozinha em seu apartamento. Paulo e Márcia smpre procuraram criar os filhos da melhor maneira possível. Todos os três tinham uma infância repleta de carinho e divertimento.
Autor: adialjunior@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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11/09/2008 - 12:21
A estória que vou lhes contar agora é uma homenagem às velhas histórias e filmes de terror antigos, que este que vos escreve aprecia desde os nove anos de idade! Acredito que toda boa obra de horror deve conter aquele “clima” envolvente e misterioso. No caso dos filmes os atuais deixam muito a desejar, pois enfatizam mais os efeitos especiais e as cenas violentas; não fazem aquele suspense e mistério que realmente prende a imaginação do expectador. Os produtores e diretores atuais se esquecem de colocar aqueles elementos essenciais que havia antigamente: aquela expectativa do que pode acontecer, o medo do desconhecido (em geral do sobrenatural), os cenários assustadores como uma mansão antiga ou castelo com aquelas cortinas brancas que voam ao vento que uiva lá fora, a noite de chuva com raios e trovões, o miado de um gato, uivo longe de um lobo ou cão, piado de uma coruja, o relógio tipo carrilhão, que de repente dá uma badalada súbita quando o ponteiro marca meia noite, ruídos estranhos, passos ou correntes se arrastando sem que a gente saiba quem é, o interior de um cemitério a noite, uma floresta à noite com barulho de galhos quebrando, corrente de vento vindo em sua direção, luzes e vozes estranhas, escuridão, sensação de que não se está sozinho, pesadelos, uma mão que lhe segura ou lhe toca no escuro e outros ingredientes. Tudo isso acompanhado por uma música que te dá aquela “atmosfera” de medo, aquela apreensão e ansiedade pelo que pode aparecer ou acontecer. Aí sim o fantasma, vampiro, lobisomem, monstro, criatura ou qualquer outro ser do além ou de outro mundo aparece numa hora que você menos espera e o surpreende pelas costas. Ou você o vê de repente na sua frente quando o clarão de um raio pela janela ilumina a sala ou o seu quarto.
Pretendo que esta estória seja como aqueles contos de antigamente, que ouvíamos de alguns tios, avós ou de pessoas mais velhas quando éramos crianças. Também como os livros e revistas de terror em quadrinhos, que faziam muito sucesso na primeira metade dos anos oitenta.
Boa leitura aos fãs do gênero da década de oitenta ou anteriores, para relembrarem os bons tempos, e aos mais novos para saberem como era o verdadeiro terror.
Curitiba, domingo, 04 de abril de 2008.
O Autor
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