iG
iBest BrTurbo
27/01/2009 - 01:24

União em festa…

Olívia de Cássia

Jornalista

 

         Dia 24 de janeiro, primeiro dia da festa de Santa Maria Madalena, eu estive em União dos Palmares. Foi uma tarde e uma noite de diversão. Minhas sobrinhas Nathalya, Raynara e minha vizinha Lorena me acompanharam na viagem. Foi uma verdadeira aventura para nós.

As meninas estão na flor da idade, de bem com a vida e cheias de energia para gastar e essa energia da juventude delas me faz bem, me revigora e me faz reviver os velhos tempos da minha juventude distante.

         Chegando em União fomos dar uma volta e paramos na Choperia Esquina 90 Graus (o popular Esquinão). Fomos ‘molhar a palavra’ e brindar à vida, que ninguém é de ferro. Saudamos o momento vivido e agradecemos a Deus por aquela tarde de folga e lazer. E nos divertimos muito na terra que festeja Maria Madalena, a sua padroeira. 

Quando eu vou à minha cidade, eu me renovo, aproveito para recarregar as baterias. Naquela tarde de sábado presenciamos a revoada das andorinhas no céu de União e as minhas sobrinhas ficaram encantadas com aquele espetáculo maravilhoso que só a natureza é capaz de proporcionar. As andorinhas voam tão aceleradas que se você não estiver atento perde aquele momento mágico que a natureza em União dos Palmares nos dá de graça. Minha terra é linda.

         Tenho muito prazer de acompanhar essa gente jovem aos eventos e parece que também gostam de sair com essa tia que chamam de divertida e antenada com as novidades da moda juvenil. Gosto de saber o que estão fazendo da vida, o que conversam com os amigos, como se comportam nas festas, enfim, aproveito para me reciclar um pouco e para ficar conectada -para usar uma linguagem moderna-, a respeito do que a nossa juventude está consumindo em se tratando de ‘cultura e arte’.

Confesso aqui neste blog que me decepciono com os gostos e as tendências musicais que a moçada está ouvindo. Não quero ser preconceituosa e nem desatualizada, mas o que essa gente está consumindo de porcaria musical ainda não foi publicado. São raros os jovens hoje em dia que escutam MPB, rock, pop ou baladas internacionais de bom gosto.

Uma das minhas sobrinhas me chama de brega por eu gostar de música popular brasileira, a nossa MPB. Meu Deus, será que estou tão velha assim? Na minha época de adolescente, final da década de 70 para começo dos anos 80, nossa turma gostava de ouvir muita música de bom gosto, tanto músicas nacionais quanto internacionais.

E digo aqui que comecei a ter mais bom gosto ainda pela música com o meu amigo-irmão Alonsinho, a quem fiz uma homenagem no meu livro de memórias ainda não editado. Ele gostava de música de boa qualidade e me levava para ouvir os seus discos novos.

Tudo o que era de novidade em se tratando de música meu querido amigo tinha em seu armário. Passávamos tardes inteiras de sábado ouvindo seus discos, conversando sobre nossas vidas e sobre tudo os que estávamos vivenciando naquela época.

Éramos amigos e confidentes. Contávamos tudo um pro outro. E outros amigos se juntavam a nós nas nossas tardes de sábado, no sobrado da casa dos pais do meu amigo querido que muito cedo partiu para outro plano.

Mas deixando a saudade de lado, nessa época do ano em União dos Palmares era só de festas para nós. Tempos bons aqueles. A cidade recebia de braços abertos os nossos amigos que chegavam de férias e nos juntávamos na casa de seu Antônio Amaro, pai de Dalmir e Detinha, para nos confraternizar e de lá sair para as baladas. Era uma verdadeira farra que fazíamos, éramos felizes e unidos e muitas dessas amizades eu conservo até hoje, embora que às vezes, muito distante.

 

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/01/2009 - 19:51

Impunidade que leva à violência

 

Oívia de Cássia

Jornalista

 

O que era para ser uma festa de devoção e fé dos palmarinos com a sua padroeira, Santa Maria Madalena, quase acabou em tragédia na cidade de União dos Palmares, neste domingo, 18. O evento foi a procissão do mastro, uma tradição que se renova há 174 anos e que leva milhares de pessoas às ruas do município.

A procissão transcorreu normalmente com os desfiles de cavalos, motoqueiros, carroceiros, ciclistas e gente de todo canto. Pelas ruas de União os fiéis carregaram o mastro até a Praça Basiliano Sarmento, local onde se realiza a principal festa do calendário turístico-religioso da cidade.

Revi amigos, gente boa que não via há muito tempo. Depois fui ver o erguimento do mastro na praça, que estava lotada. Terminado o ato religioso me dirigi à rodoviária para retornar a Maceió. Mas quando cheguei em casa recebi a notícia que o colega Danclads Uchôa tinha sido baleado na casa de shows Magdala na festa os Carroceiros do Amor, evento organizado pelos jovens da sociedade palmarina e que acontece há vários anos, depois da procissão do mastro.

A primeira notícia me deixou estarrecida pois a pessoa que me ligou informou que o empresário teria morrido; dei vários telefonemas e felizmente o irmão dos meus amigos Abel e Manoel de Mendonça Uchôa conseguiu sobreviver a mais um atentado contra a sua vida. Pedi a Santa Maria Madalena para proteger a todos nós.

Fiquei pensando e me questionando em casa, o que é que leva tanta violência em nosso Estado e em União, mas todos já sabem da resposta. O que leva a tudo isso é a certeza da impunidade. Essa impunidade é uma das principais causas da criminalidade em nosso País e é preciso que se dê um basta a tudo isso.

Chega da cultura do “coitadismo”, como se os criminosos fossem as vítimas. Não se pode passar a mão na cabeça de pessoas que praticam atos insanos a toda hora. Tem que ter uma punição para tudo isso e a justiça precisa tomar uma providência.

Minha querida União dos Palmares tornou-se uma cidade violenta, acompanhando os exemplos das grandes metrópoles no que têm de mais nocivo. As drogas já tomaram conta da cidade, os jovens mudaram de comportamento de uma forma que não têm limites diante das coisas que fazem.

Felizmente Uchôa escapou de mais essa covardia cometida contra ele. E que Deus proteja a todos nós para que a festa de Santa Maria Madalena ocorra sem mais nenhum incidente.

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/01/2009 - 14:59

Violência contra a mulher é crime inafiançável

Olívia de Cássia

Jornalista

 

         A violência cometida contra a mulher é um crime que vem se perpetuando na história da humanidade há muitos séculos. Parece que quanto mais as sociedades avançam no que diz respeito a estrutura, melhoria de vida e aprimoração do conhecimento, mais essa prática hedionda se avoluma.

Nem as campanhas que são feitas de conscientização, contra esse tipo de crime,  parece que tem adiantado. É só dar uma percorrida no noticiário diariamente para perceber o quanto o ser humano tem sido cruel.

Conta a história que nas sociedades primitivas o homem arrastava a mulher pelos cabelos numa demonstração de força. Desde a época das cavernas que elas vêm reagindo contra isso.

Ao longo dos séculos as mulheres e os movimentos sociais protestaram: nos ambientes de trabalho e na luta diária pela sobrevivência têm reclamado contra o atraso e a brutalidade de ações violentas cometidas contra elas.

Muitas mulheres foram mortas por lutarem por dias melhores e mais justos e outras conseguiram seu lugar na sociedade, mas nos dias atuais, cotidianamente, é comum o noticiário expressar toda a brutalidade dos companheiros contra as suas mulheres, numa demonstração de fraqueza e covardia insanas.

A violência contra as mulheres é uma atitude mesquinha, covarde e machista de homens que não evoluíram como seres humanos e permanecem na pré-história de suas consciências. Avaliam eles que as companheiras são objetos de sua propriedade com os quais podem manipular, usar e dispor da forma que lhes cabe.

Apesar da aplicação da Lei Maria da Penha, sancionada pelo presidente Lula, a violência contra a mulher vem crescendo de forma incontrolada em Alagoas. Além dos casos de espancamentos, só neste início de ano foram registrados três assassinatos na região de Arapiraca. 

As vítimas foram assassinadas com tiros e facas e o motivo é sempre o mesmo: crime passional, ciúmes e sentimento de posse. Os assassinos têm o mesmo perfil, maridos, ex-maridos, namorados e companheiros inconformados com o fim do relacionamento. Estamos vivendo uma guerra desigual.

Segundo pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, aumentou o nível de preocupação com a violência doméstica em todas as regiões do País. Nas regiões Sudeste e Sul o nível de preocupação cresceu, respectivamente, sete e seis pontos percentuais. Na periferia das grandes cidades esta preocupação passou de 43%, em 2004, para 56%, em 2006.

A violência contra as mulheres dentro e fora de casa foi apontada como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade. È preciso que fiquemos vigilantes diante desse grande problema. É necessário que os governos não só construam mais delegacias para esse tipo de crime, mas é preciso que se faça investimento em educação que é a base de tudo.

 

 

        

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/12/2008 - 01:45

Da saudade que sinto do meu pai

Olívia de Cássia

Jornalista

 

         É sempre assim: nessa época do ano as emoções e as lembranças que eu tenho do meu pai sempre afloram de maneira mais intensa e batem no fundo da minha alma. Primeiro por que ele era um homem religioso, de muita fé e depois porque éramos muito ligados, tínhamos mais afinidades no nosso gosto por contar e ouvir histórias e por outros gostos também como saborear uma cervejinha bem gelada. 

         O que sinto é uma saudade boa do meu pai. Saudade de tudo aquilo que um homem simples, nascido e criado na roça pôde proporcionar aos seus quatro filhos. Órfão de mãe aos dois anos e de pai aos quinze, se fosse nos dias hoje teria sido  um homem problemático e feito até terapia.

         Ao contrário disso, o trabalho na roça, a vontade de vencer e a sua fé e religiosidade o fizeram um homem íntegro, digno e de caráter. Educou a todos nós com muito sacrifício, mas nos ensinando as regras do bem-viver, sem precisar se humilhar nem ser escravo de ninguém. Seu trabalho era a sua honra.

Papai teve tuberculose nos ossos e já estava desenganado dos médicos, quando eu ainda era criança. Ele fazia consultas com o doutor Ib Gatto Falcão, que àquela época já tinha fama de ser muito bom no que fazia. Doutor Ib atestou que a tuberculose nos ossos que tinha acometido meu pai não tinha cura. 

         Seu João Jonas, como era conhecido meu velho, foi a Recife consultar outros médicos, viagem que sempre fazia, fosse para médico ou compras, pois era mais fácil ir para Recife do que viajar a Maceió. Os médicos de Pernambuco o desenganaram também e ele ficou, por alguns meses, andando agachado, sentia muitas dores. Foi quando, segundo contava para os filhos, fez uma promessa para Santa Maria Madalena e ficou curado.

Desde essa época sua fé na santa aumentou e nunca mais papai deixou de ir à igreja, todo o final de semana. Passou a ser integrante da comunidade Vicentina da Igreja Católica de União dos Palmares até que a ataxia o impossibilitou de andar. 

         A devoção de papai por Santa Maria Madalena era tão grande que quando ele soube que a antiga Igreja Matriz ia ser demolida, numa reunião com os padres canadenses onde se aprovou a derrubada do prédio, ele teria comparecido de arma em punho, tentando impedir aquele ato.

Infelizmente não foi ouvido e o que restou da antiga igreja hoje, em União, são algumas telhas que a historiadora e jornalista Maria Mariá guardou em seu acervo e que até a última vez que estive lá se encontram na Casa de Cultura Maria Mariá, na Rua Correia de Oliveira, atualmente em ruínas.

         Papai sabia muito pouco das letras, fazia contas de somar, diminuir e multiplicar de cabeça, melhor do que nós, seus filhos que estavam na escola, que ele foi muito pouco porque tinha que trabalhar para se sustentar ainda na meninice.

         Ao contrário da minha mãe, ele não me desestimulou a seguir carreira em jornalismo, mas me chamava a atenção e dizia que eu não ia ganhar o suficiente que desse para  me sustentar nessa profissão. E ele tinha razão. As dificuldades são imensas e se não tivermos uma superestrutura é difícil sobreviver.

         Mas voltando às minhas doces lembranças do meu amigo e querido pai, eu tenho mesmo é que agradecer a Deus por ter nascido e ter sido fruto de uma árvore tão linda, tão digna e tão humana. Onde você estiver, meu pai, a sua bênção e obrigada por tudo.  

 

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/12/2008 - 21:27

Roberto Carlos é show

 

Olívia de Cássia

Jornalista

 

As músicas do Rei da Jovem Guarda, Roberto Carlos, encantaram por várias décadas moças e rapazes de todo o País, anos a fio. Letras e sons que se eternizaram e que fizeram parte da vida de muitas gerações de brasileiros. Melodias como Amada Amante, Cavalgada, Não se esqueça de mim, Detalhes, Jesus Cristo, Café da manhã, O Portão e centenas de outras embalaram muitos romances de juventude.

Nas festas de Santa Maria Madalena, padroeira de União dos Palmares, seu Maurino Veras, Kleber Marques e Zé Maria, os locutores do alto-falante, não cansavam de ler telegramas solicitando as músicas do rei para oferecer aos amigos, paqueras e namorados. A gente ficava esperando todo ano o lançamento do novo disco do Rei. Passei muitas madrugadas acordada, na casa da minha amiga Madalena Veras, ouvindo no rádio as novidades de fim de ano de Roberto Carlos. Na minha avaliação, as letras mais antigas são as mais bonitas e marcantes.

No dia de Natal, como acontece todo ano, há vários nos, mais um show de RC foi exibido na TV Globo. De acordo com site oficial do cantor, Roberto Carlos fez seu show no HSBC Arena, no Rio, na noite do dia 11, quando gravou para o evento de fim de ano. O Rei se emocionou. Na abertura do show, quando cantava “Emoções”, ele ficou com os olhos cheios d’água. “Estou muito feliz de ver este lugar lotado de fãs. Hoje é um dia muito especial, pois estamos reunidos na nossa festa de fim de ano”, disse ele, para uma platéia de cerca de 15 mil pessoas, de acordo com o site do cantor.

Ícone da Jovem Guarda e considerado Rei da MPB, Roberto Carlos tem investido em novos ritmos. Convidou Neguinho da Beija Flor e a bateria da escola de samba de Niterói, Rita Lee, Zezé Di Camargo e Luciano e Caetano Veloso, que gravou com ele um DVD especial em comemoração aos 50 anos da Bossa Nova e que será o disco oficial deste ano.

Todas as músicas cantadas durante a última apresentação dele este ano foram músicas de anos atrás e que fizeram muito sucesso. O show foi lindo e desta vez houve modificação no cenário. Além do azul e do branco que Roberto usa muito todo ano, foram acrescentadas outras cores como o vermelho e o amarelo, diferente de outros programas.

Gente famosa como Juliana Paes e outros artistas globais estavam na platéia cantando o tempo todo. Roberto este ano não falou mais de Maria Rita, sua mulher amada que foi vítima de um câncer fulminante que a levou à morte. Parece agora que está mais aliviado e recuperado do choque.

No show de fim de ano do filho ilustre de Cachoeiro do Itapemirim este ano não teve nenhuma composição nova, mas parece que ele está querendo se repaginar, ousar um pouco já que se repetiu durante muitos anos e está investindo em ritmos novos.

Segundo o jornal O Globo, na coluna Gente Boa do dia 15, “após declarar que gostaria de ir a um baile funk e de gravar seu tradicional especial de fim de ano com a bateria da escola de samba Beija Flor, o cantor montará uma roda de pagode – daquelas clássicas, em torno da piscina – durante seu próximo cruzeiro anual”. Alguma coisa mudou em Roberto Carlos, mas Roberto é sempre o Rei e não tem mais o que falar.

 

 

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/12/2008 - 01:57

Histórias contadas nas filas dos bancos

Olívia de Cássia

Jornalista

 

         Passei duas horas e meia numa fila de banco na antevéspera do Natal. Já estava quase passando mal quando chegou a minha vez de ser atendida pelo caixa. As pernas já não agüentam ficar muito tempo em uma só posição. Eu ainda não vi a Lei das Filas ser cumprida em Alagoas e não tive conhecimento de algum banco por aqui que tenha sido punido por descumprir essa lei municipal que diz que o tempo máximo de atendimento de cada cliente na fila é de 20 minutos.  

Em dias de pagamento do Estado ou da Assembléia as agências se transformam num verdadeiro inferno. Para completar a situação, o sistema saiu do ar e tivemos que aguardar até que desse o sinal de volta. Mas sempre aproveito esses contratempos da vida prática para observar o movimento de quem está nesses locais. É um verdadeiro laboratório.

         Enquanto eu esperava ser atendida, exausta e com dores nas pernas, fui começando a perceber os personagens diversos que desfilavam em minha frente. Tipos diferentes, pessoas diversas e fiquei imaginando na minha cabeça de contadora de histórias, a riqueza de detalhes que aquelas pessoas teriam para revelar.

Esse pensamento me veio à cabeça a partir de uma conversa que escutei de um senhor que queria porque queria mostrar pras 35 pessoas à sua frente que é bem-informado. O homem aparentava ter uns 60 anos, baixa estatura, cabelos grisalhos  e conversava com outro que estava um pouco à sua frente.

Aproveitou o momento e a espera de ser atendido para mostrar seus conhecimentos sobre política, futebol e demais assuntos que lhe vinham à cabeça. É impressionante como isso sempre acontece quando estou numa fila de banco. Tem gente que aproveita essas ocasiões para fazer terapia mesmo ou para se exibir diante dos outros na intenção de mostrar que é inteligente e esperto.

O homem falou mal dos políticos, disse que nenhum presta, fez uma ‘análise conjuntural’ da política brasileira desde a época do governo Collor e afirmou que discutiu com um ex-governador de Pernambuco porque o político do vizinho estado nordestino teria lhe dito que não conheceu Paulo César Farias (ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor). Afirmou que PC, se tivesse revelado o que sabia, o País teria sido entregue aos militares. E a única coisa que o seu interlocutor fazia era olhar pra ele e balançar afirmativamente a cabeça. Era cômica a cena.  

         Por fim, o sabido senhor conhecedor de tudo, olhou pro outro e disse que todo homem tem um preço e  é passível de ser corrompido e que não deve se vender  por uma quantia pequena, mas se for por grandes valores deveria se corromper. Olhou pro outro e disse categoricamente: “Você também pode se corromper e  se disser que não estou dizendo a verdade eu digo que você é mentiroso”. O outro continuou com a mesma atitude e balançou a cabeça afirmativamente. Fazer o quê numa situação dessas?

         Finalmente, depois de falar tanto, se exibir  e cansar os ouvidos de quem estava por perto, o cliente sabido do Bradesco foi embora e eu fui atendida depois desse longo tempo nessa fila. Uffa!

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/12/2008 - 22:51

Feliz Natal e um Ano-Novo cheio de conquistas

Olívia de Cássia

Jornalista

 

O ano está terminando e com ele vamos encerrando um novo ciclo em nossas vidas. É tempo de fazer as pazes conosco e com os adversários que por acaso fizemos ao logo da jornada, de pedir perdão a quem ofendermos e de desejarmos boas festas para todos.

Nessa época do ano, as cidades se vestem de luzes para celebrar uma das datas mais lindas da história da humanidade que é o nascimento de Jesus Cristo. Os lares e as comunidades se enfeitam e se preparam para a ceia.  É tempo de reflexão e de união. Tempo de paz. O mundo está precisando dela para que não haja tanto ódio entre os povos.

O Natal é uma das festas mais importantes do cristianismo, junto com a Páscoa e o Pentecostes. A festa é celebrada no dia 25 de dezembro pela Igreja Católica Romana, pela Igreja Anglicana e por alguns grupos protestantes e no dia 7 de Janeiro pela Igreja Ortodoxa.

         O Natal para cada um de nós tem um significado diferente. Para uns ele traz boas lembranças, para outros traz más recordações. A época natalina e a que antecede a chegada do novo ano modificam os ares da nossa vida social, o que indica que, mesmo indiferente, toda pessoa sente os efeitos das festas de fim de ano. Seja de que forma esses efeitos se manifestem.

Nessa época é costume a gente fazer um balanço e rememorar as coisas que vivemos e as lições que tiramos ao longo da nossa jornada. É tempo de perdão. E aqui aproveito para pedir desculpas a quem ofendi durante o ano e dizer que se o fiz não foi por querer ou de caso pensado.  

É tempo de agradecer a Deus por tudo o que conquistamos e nessas conquistas estão incluídos todos os amigos que fizemos e o aprendizado que tivemos na companhia deles. É Natal. Tempo de reafirmar nossa fé, de rever os amigos, de fazermos reformas externas e internas, tempo de festas e de celebrar a vida. A vida que se renova a cada dia, a cada nascer do sol.

O Menino Jesus anda um pouco relegado a segundo plano, mas ainda é lembrado, mesmo que seja por motivos de comércio. Que esse menino Jesus esteja presente em cada coração num mundo tão carente de paz, de fé e de amor.

Que no ano que se aproxima nós possamos vislumbrar um mundo melhor. Um mundo de mudanças. Que os governos trabalhem políticas públicas para diminuir a violência que campeia no mundo e que possamos viver dias melhores e mais justos. Que os jovens se encontrem em caminhos que os levem à paz e a não-violência.

 

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/12/2008 - 00:09

Estamos ficando sem memória…

Olívia de Cássia

Jornalista

 

         Estamos ficando sem memória. O patrimônio arquitetônico das cidades está sendo destruído e ninguém toma providência, salvo raríssimas exceções como aconteceu recentemente, com a restauração do palacete que serviu de residência ao poeta Jorge de Lima, entregue aos alagoanos no dia 15 deste mês, com recursos do governo federal e a intervenção do deputado Paulão (PT), que foi pessoalmente a Brasília solicitar os recursos para que a restauração acontecesse, embora a imprensa não tenha dado o destaque devido.   

Salvo isso e algumas poucas obras, o resto está sendo literalmente tombado, ou seja, demolido, por causa da ganância de alguns empresários que só visam lucro e não têm consciência da destruição que estão causando à  história do País e ao patrimônio cultural da humanidade. Estão mais interessados no lucro do que na preservação da identidade cultural das cidades.

Só para citar um exemplo, basta que o alagoano percorra o centro de Maceió. Na Rua do Imperador, dois casarões foram destruídos. Um foi sede do Diretório Central dos Estudantes na década de 80, quando o movimento estudantil de Alagoas era atuante, e agora serve de depósito de lixo para os catadores e recicladores.

O outro prédio, vizinho, depois que os proprietários faleceram, está quase todo destruído. As janelas foram fechadas com tijolos e logo se transformará em lucrativo estacionamento, a exemplo do que tem acontecido com diversos casarões de Alagoas.  

         Na Rua Barão de Atalaia, bem próximo a esses dois exemplos citados, um outro casarão de cor rosa está só com a parte da frente inteira, mostrando o descaso dos nossos governantes com o patrimônio histórico e cultural.

Na Rua Pedro Monteiro acontece o mesmo. Casas que serviram de residência para a classe média de Maceió estão sendo derrubadas, transformadas em laboratórios, em estacionamentos e em pontos comerciais. Quando eu vejo uma situação igual a essa eu fico de coração partido.

         Na minha cidade natal, União dos Palmares, o descaso não ficou por menos. Primeiro demoliram a casa onde morou a professora Salomé de Barros. Um casarão histórico ajardinado onde muitos dos seus alunos freqüentaram e que poderia ter se transformado em museu.

Outros exemplos em União foram a demolição da residência da família Sarmento, em frente à drogaria Palmarina e que hoje virou galeria, o fechamento da casa da professora e jornalista Maria Mariá, que é um museu e está em ruínas, e agora a Vila Magdala que está ameaçada de ser demolida também para dar lugar a um supermercado de grande porte.  

         Em todo o Estado de Alagoas é possível perceber esse descaso, misturado com a ganância e o despreparo das autoridades no que se refere à preservação da nossa cultura. É necessário que a Defesa Civil, as prefeituras, as secretarias de Cultura, o governo do Estado tomem uma providência imediata para que isso estacione e não aconteça mais, porque estamos correndo o risco de não deixar legado nenhum para as gerações que estão vindo, no que diz respeito à história do nosso País. É necessário atitude e uma atitude urgente, pois a cultura do nosso Estado pede socorro.

 

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/12/2008 - 01:44

Virou moda

Olívia de Cássia

Jornalista

 

         Agora virou moda os companheiros manterem as  mulheres em cárcere privado. Depois do caso Eloá, a adolescente de São Paulo que foi mantida em cativeiro pelo namorado, levou um tirou e morreu, diariamente o que se vê na imprensa são relatos de mulheres que foram aprisionada pelos maridos, amantes  ou namorados e o motivo é sempre o mesmo: ciúmes, violência e sentimento de posse.

Parece que um caso muito divulgado dá coragem para que outros aconteçam. É como os de suicídio: quando aparece um caso na imprensa, na semana seguinte desencadeia uma série deles. Basta abrir os sites no fim de semana que a história se repete. Os arquivos policiais, idem.

Foi o que aconteceu nesta segunda-feira, 8, feriado de Nossa Senhora da Conceição. Depois de manter a esposa refém por cerca de um mês, Renan Félix de Araújo, de 29 anos, foi preso, no bairro do Graciliano Ramos, em Maceió. Segundo informações do Centro Integrado de Operações da Defesa Social (Ciods), a vítima, Rosineide Matias de Oliveira, conseguiu escapar do cárcere privado e buscar ajuda. A notícia foi divulgada nos blogs locais.

“Rosineide pediu socorro a alguns policiais que faziam ronda em uma viatura na região e Renan, que ainda tentou fugir, foi preso em flagrante. Na casa os policiais encontraram um revólver calibre 38, com registro em São Paulo. A vítima disse que o marido a agrediu várias vezes, inclusive a coronhadas”, diz a matéria. Renan foi encaminhado para a Deplan II e de acordo com informações colhidas no Ciods, o acusado responde a processos em Alagoas e no Tocantins.

A violência contra a mulher é caso de estudo e não é de agora que acontece, vem de muitos séculos atrás. Em todo o mundo, pelo menos uma em cada três mulheres já foi espancada, coagida ao sexo ou sofreu alguma forma de abuso durante a vida. O agressor é, geralmente, um membro de sua própria família. Cada vez mais a violência de gênero é vista como um sério problema de saúde pública, além de constituir violação dos direitos humanos.

Em artigo publicado no site wmulher, Walnei Arenque fala sobre ciúmes, um dos principais motivadores da violência. Ela argumenta que falar de ciúmes é bem complicado. E é mesmo, principalmente no Nordeste do Brasil onde se tem uma  cultura machista e o homem acha, ainda, que é proprietário de sua mulher.

O ciúme é movido por fatores emocionais: a posse e a insegurança. Junto à atitude possessiva, encontramos os sentimentos de inferioridade e rejeição. “E tudo isso ligado ao medo de perder a pessoa amada, a culpada por esse inferno particular”, diz Walnei..

         De posse desse sentimento, o parceiro muitas vezes desenvolve atitudes violentas e não se controla diante da agressividade. Começam assim as cobranças, as brigas e a vida a dois se transforma num verdadeiro inferno, tanto para a pessoa que está sendo acusada de infidelidade quanto para aquela que sente ciúmes, pois qualquer olhar, qualquer atitude “diferente”, que só existe na cabeça do ciumento, já é motivo de sofrimento. 

“No ciúme, as dúvidas podem se transformar em idéias supervalorizadas – decorrentes ou não do sentimento de inferioridade, ou, sinceramente, muitas vezes, delirantes”, diz a especialista. 

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/12/2008 - 00:35

‘A difícil arte de dizer não’

Olívia de Cássia

Jornalista

 

         Estou passando por um momento de reflexão sobre a arte de se dizer não. Tenho pensado muito nesse assunto nos últimos dias e fui pesquisar a respeito na internet. Tem muita coisa sobre o tema. Sempre tive muita dificuldade de pronunciar essa palavra para alguém. Puxei ao meu pai, porque mesmo que ele não concordasse com alguma atitude como ceder algo que ele não quisesse para outra pessoa, ele não tinha coragem de expressar, tinha vergonha de dizer, a gente percebia isso, ele ficava sem jeito, travado mesmo. 

E confesso aqui que sou muito parecida com seu João também nesse aspecto, mas estou começando a me policiar e a melhorar meu desempenho na vida.   Outro dia eu consegui dizer uns dois nãos para umas pessoas e depois fiquei vibrando com isso, achando que o espírito da minha mãe tinha baixado em mim, porque ela sim, dona Antônia, era danada e ninguém lhe passava a perna.

         Tenho tanta dificuldade com o fato de me negar a fazer alguma coisa ou de dizer não para outra pessoa, que isso me prejudicou a vida inteira, tanto no profissional quanto no pessoal e estou vivendo esse momento de novo. Recebi um e-mail de minha madrinha Rita, que também é minha prima e mora no Rio de Janeiro, com essa temática. Outros amigos também me enviaram textos sobre essa difícil missão.

         É um texto de uma filósofa e especialista em educação, que circula na internet. Tânia Zagury discorre sobre o fato de os pais hoje em dia não saberem dizer não a seus filhos. Ela diz que dizer sempre não aos filhos é uma faca de dois gumes e isso se aplica também a outras pessoas do nosso convívio, avalio eu, aqui.

O especialista em Marketing Gilberto Mendes, em artigo publicado no site da UOL,  diz que uma das mais importantes habilidades de um free lance é sua capacidade de dizer não e acredito que isso se aplica a todas as profissões também. 

Mendes argumenta que  “dizer não, apesar de você poder sentir que os outros possam se sentir ofendidos (e isto é possível), também envia uma mensagem forte, de que você valoriza seu tempo, tem suas prioridades e que você respeita a pessoa a quem você diz não, já que você não quer se comprometer com algo e depois fazer um trabalho de segunda categoria ou até mesmo não fazer nada”.

No plano sentimental isso pode ser aplicado, mas o pior de tudo é quando a pessoa que precisa ouvir o não, se esquiva para não saber a verdade que ela no fundo já tem conhecimento. “Dizer não é uma arte que  passa a vida inteira para ser aprendida e aperfeiçoada”, diz Reinaldo Polito, mestre em Ciências da Comunicação.

Para Reinaldo, está na hora de deixar de ser o bonzinho. “Você não vai, gratuitamente, azucrinar a vida de ninguém. Por outro lado, também não vai baixar a cabeça e permitir que os outros tripudiem sobre você. Se você tiver de escolher entre ficar aborrecido porque se manteve quieto diante do comportamento inconveniente de alguma pessoa ou agir para se defender, mas com chances de que ela se chateie, meta o xis na segunda hipótese”, observa.

“Dizer não e recusar é uma arte que leva uma vida inteira para ser aprendida e aperfeiçoada. Uma arte que precisa ser cultivada o tempo todo, pois nunca desaparece o risco de que possamos cair em tentação, fraquejar diante do canto da sereia e dizer sim, quando na verdade desejaríamos dizer não”, complementa o especialista. Resta saber se vou aprender a lição.

Autor: oliviadecassia@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo