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Arquivo de setembro, 2009

29/09/2009 - 05:44

Em algum lugar não muito longe daqui…

(Disponível em: euqueroesossego.blogspot.com Acesso em 29/09/2009)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/09/2009 - 07:10

JORNAL O GERMINAL Nº 36 – MAQUIAVEL, OS POLÍTICOS E SEU PEDRO

Editorial

O italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527) foi, entre outras coisas, escritor e político. Sua obra mais conhecida é O príncipe. Ele também escreveu dez curiosos mandamentos que se tornaram célebres – e são bem atuais: 1- Zelai apenas pelos vossos interesses; 2- Não honreis a mais ninguém além de vós; 3- Fazei o mal, mas fingi fazer o bem; 4- Cobiçai e procurai fazer tudo o que puderdes; 5- Sede miseráveis; 6- Sede brutais; 7- Lograi o próximo toda vez que puderdes; 8- Matai os vossos inimigos e, se for necessário, os amigos; 9- Usai a força em vez da bondade ao tratardes com próximo; 10- Pensai exclusivamente na guerra. Isso posto, declaramos: qualquer semelhança do conteúdo talhado por Maquiavel com a conduta de algum político ou aspirante a algum cargo político no Brasil é mera coincidência. É intriga da oposição. A bem da verdade, “tudo vai bem”. Das bases às lideranças, apenas Homens “íntegros e honestos” nos representam – e querem nos representar. Sim, eles são íntegros e honestos… e maquiavélicos. Aprenderam bem a lição. E fazem um “excelente” trabalho.

“POLÍTICO BOM, NEM ESTANDO MORTO”

Seu Pedro sai bem cedo de casa para ir ao trabalho. Em uma das ruas por onde transita não há a mínima condição de caminhar sem tropeçar em um bloco solto do calçamento ou nos montes de entulho que se acumulam por toda sua extensão. Outros lugares são exemplos desse descaso. Mais à frente, Seu Pedro passa por uma praça onde a quantidade crianças, jovens, adultos, idosos e animais de ruas desprotegidos é muito grande. Pedro treme de raiva todos os dias ao se deparar com a situação calamitosa em que se encontra sua cidade. Espaços públicos, seres humanos e animais “desmancham no ar”, viram “coisas”, por conta da apropriação perfeita, realizada pelos líderes políticos, dos mandamentos de Maquiavel. Por ser experiente, Seu Pedro sabe que, sendo o problema político, a possibilidade de mudança é muito pequena – ao menos, quando a solução fica sob a responsabilidade das lideranças políticas. Por ser experiente, sabe que apenas com a organização popular se pode esperar que alguma mudança social – positiva – aconteça.

O consciente senhor é bem articulado e participa das reuniões da comunidade todos os sábados, no período da tarde. Este é o momento em que, estando a população reunida, os problemas sociais são identificados, para a partir de então ser estipulada a melhor estratégia para a resolução dos casos de maior urgência (aqueles que afetam de maneira mais direta o povo – sim, muito coisa vai mal). Depois de conseguirem, não sem muita luta, a reforma das instalações do colégio do bairro e a mudança do trajeto de uma linha de ônibus, chegou o momento de se empenharem na batalha por melhores condições no calçamento e limpeza do bairro – algo sempre deixado de lado pelos políticos ao longo dos anos. Por este motivo, Seu Pedro, com sabedoria, gosta sempre de repetir, mas devidamente reestruturada, a célebre e inconsequente frase “político bom, é político morto”; para ele, “político bom, nem estando morto”, pois sempre que eles partem para o outro lado do inferno deixam algumas “lembrancinhas legais” para todos nós. Ah, e os que assumem em seus lugares adotam a mesma lógica. Aliás, como diz o ditado: mudam-se (quase todas) as moscas, mas a merda continua a mesma. Isso é uma pena, mas infelizmente é, também, a realidade.

Seu Pedro e seus amigos, neste momento, estão na luta por melhorias em sua comunidade. Os políticos? Estes estão curtindo a vida ao som de Maquiavel. Torram dinheiro público, realizam conchavos e, daqui a pouquinho, estarão invadindo nossa privacidade, como já salientamos neste mesmo jornal, com suas milionárias campanhas eleitorais. Requisitando nosso voto a todo instante sob a justificativa de que os partidos/candidatos resolvem os nossos problemas: acabam com o desemprego, com a fome, melhoram a educação, saúde, transporte, meio ambiente… enfim, transformam esta triste realidade. Apenas para lembrar: a propaganda não passa de um engodo! As eleições constituem um jogo de cartas marcadas. É tudo uma farsa! A afirmação de que através do voto podemos transformar a sociedade constitui uma das mentiras mais nocivas de hoje em dia.

Deste modo, resta concluir que, independentemente do partido/pessoa que está no poder, a situação permanecerá a mesma, ou seja, a possibilidade de a(s) cidade(s) continuarem parecidíssimas com um enorme vaso sanitário é muito grande. Assim, uma das únicas – senão a única alternativa possível – é buscar uma transformação social através da organização popular. Pessoas com os mesmos objetivos devem se unir e, depois do problema identificado, do planejamento de luta ter sido organizado, de ter grande conhecimento do local de ação, deve ir ao enfrentamento. Porém, faça isso consciente dos riscos existentes. Este pode ser um caminho. E não se esqueça de que, “sem meter uma fumaça” em quem está no poder – ou seja, sem reclamar, criticar, denunciar e deixar de (re)eleger -, nada mudará.

Em síntese: se no modelo atual não nos restam alternativas, é preciso – com inteligência e a partir de bases éticas – encontrar novos caminhos. Seu poder de mudança pode ser muito maior do que você imagina!

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/09/2009 - 13:51

Em algum lugar não muito longe daqui…

(Disponível em: aldoadv.wordpress.com Acesso em 23/09/2009)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/09/2009 - 12:54

Cães precisam gastar energia com atividades físicas adequadas

Antes de levar um cachorro para casa é preciso pensar muito, visto que os cães implicam em responsabilidade. Os cachorros são animais independentes e como muitos vivem em apartamentos, nem sempre há espaço para eles gastarem as energias. Por isso é importante prestar atenção em cada raça para que os animais de estimação recebam os cuidados apropriados.

“Como regra geral, a gente deve escolher um cão pequeno para uma área pequena. Já para espaços grandes, a gente pode pensar em raças maiores. Claro que os cães podem ser adaptados, desde que eles tenham uma atividade física de acordo com as características de cada raça”, explica a adestradora de cães Renata Mendes.

Por falta de tempo, os tutores de alguns cachorros preferem deixar os animais em lugares que funcionam como creches. Os espaços destinados a cães oferecem recreação, técnicas de adestramento, além de exercício para gastar as energias. “Para o cachorro, a creche é uma festa. Eles se divertem tanto que às vezes não querem nem voltar para casa”, explica o motorista José Mota.

Outra opção para quem não dispõe de tempo é contratar um passeador, profissional que cuida dos animais. “Eu saio somente com três cachorros de cada vez, para dividir melhor a atenção e garantir a segurança”, explica o passeador Andrey Stock.

Os especialistas lembram que não se deve mimar os animais, nem quando eles são filhotes. “A educação canina se faz a partir dos primeiros meses. Quando cão já é adulto, em alguns casos é possível condicioná-los, mas o ideal é começar cedo, na idade correta”, comenta o adestrador de cães, Nahum Ancelmo.

(Disponível em: http://www.anda.jor.br/?p=21535 Acesso em 21 de setembro de 2009)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/09/2009 - 09:31

Nós, os burros (e outros causos)

Aluno, em 1964, do curso de jornalismo; ficava a escola no Rio, próxima ao aterro do Flamengo, então um canteiro de obras. Ali pastavam animais de carga.
Um grupo de colegas, no qual me incluía, não suportava o tom laudatório do professor Hélio Vianna ao se referir ao marechal Castelo Branco, seu cunhado, e primeiro a ocupar a presidência em nome da ditadura. Decidimos pregar-lhe uma peça. Sequestramos um burro no aterro e o enfiamos na sala de aula.

No corredor do andar de cima, ficamos a observar a reação do professor de história. Hélio Vianna entrou na sala e, para a nossa decepção, ali permaneceu, em companhia do muar, durante 50 minutos. Dado o sinal, retirou-se impassível, sem demonstrar contrariedade ou queixar-se à direção. Deu mais trabalho fazer o burro descer do que subir os degraus da faculdade.

Na semana seguinte, o episódio parecia mergulhado no olvido. Hélio Vianna entrou em classe e – novo desaponto – não nos passou nenhuma reprimenda. Deu aula como se nada tivesse acontecido. Nos últimos minutos, advertiu-nos: “Aviso aos senhores e senhoras que, semana próxima, haverá prova. Peguem os pontos com o único colega que, na aula passada, se encontrava em classe”. E mais não disse.

Como estudar para a prova sem a menor noção da matéria indicada? Na dia fatídico, o professor pediu-nos uma dissertação, por escrito, de como o tesouro da Holanda havia sido afetado pela invasão holandesa no Nordeste brasileiro. Zero geral.

Burros fomos nós.

O CAFÉ

Meu avô deu aulas na Escola de Minas, em Ouro Preto. Certa noite, achou por bem visitar um francês que chegara como professor convidado. A conversa alongou-se através da Minas colonial, com o anfitrião interessado em ouro, Tiradentes, Aleijadinho e quejandos.

Fazia-se tarde quando o visitante apresentou despedidas. O francês, muito educado, indagou-lhe em carregado sotaque: “Toma um café?” Meu avô assentiu e voltou a se acomodar na poltrona. A conversa ganhou ânimo e nada de café, nem sequer o aroma que costuma antecipar-se à chegada do bule. O visitante, de novo, despediu-se. O professor, de novo, perguntou: “Toma um café?” Por delicadeza, meu avô tornou a aceitar.

Ocorre que o anfitrião não se moveu da sala e tudo indicava que vivia ali sozinho. Não havia o menor sinal de movimento na cozinha. Por obra de que santo milagreiro surgiria o café?

Inquieto com o avançar das horas, meu avô apresentou despedidas definitivas, não sem antes ouvir a recorrente oferta. Desta vez, pretextou que a rubiácea escaldante lhe roubava o sono e partiu intrigado.

Dias depois, o francês abordou meu avô na escola. Apresentou-lhe escusas e explicou: estudara português com a ajuda de manual. Constava ali que, no Brasil, era de bom-tom indagar da visita antes dela se retirar: “Toma um café?” Só não se deu conta de que não se tratava de uma expressão idiomática…

FILOSOFIA

No curso de filosofia, em São Paulo, tive um professor cuja pedagogia primava pela irreverência, ao contrário de outros da mesma matéria que, por considerá-la profunda, revestem-se de uma sisudez que mais espanta do que atrai.

O professor tinha por hábito escalar os filósofos como um time de futebol: pré-socráticos contra os socráticos; árabes em desafio aos cristãos; medievais na disputa da taça Sofia com os modernos; contemporâneos dialéticos versus contemporâneos analíticos.
O mais curioso – o que nos facilitava o aprendizado – era o modo dele tratar os filósofos: Pluto era Platão; Ari, Aristóteles; O Gordo, Tomás de Aquino; O das Cartas, Descartes; Chico Toucinho, Francis Bacon; O Espinhoso, Spinoza; Mané do Canto, Kant; Chope Raia, Schopenhauer; Nítido, Nietzsche; O Régua, Hegel; Guto Conta, Comte etc.

Assim, a filosofia deixou de ser, para nós alunos, um mistério, para ser o que é: uma análise racional e crítica da realidade.

(BETTO, F. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia.as… Acesso em 19 de setembro de 2009)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/09/2009 - 21:26

Em algum lugar não muito longe daqui…

[CORRUPÇÃO+ACABA+EM+PIZZA.bmp]

(Disponível em: auribertoeternochocalheiro.blogspot.com Acesso em 17/09/2009)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2009 - 13:44

THE MEATRIX

ACESSE: http://www.themeatrix.com/intl/brazil/dub/ (MUITO INTERESSANTE)

Leiteria no Brasil

Imagine se cada pequeno fazendeiro que produz diariamente cerca de 30 litros de leite fosse exigido a atingir a meta de 700 litros diários para atender à demanda das grandes indústrias. Seria praticamente impossível. Aumentar a produção e oferecer preços mais baixos no mercado significa implantar novas tecnologias. Caso contrário, este pequeno produtor deixa de existir.

Na verdade, o aumento drástico na produção do leite se tornou padrão nos Estados Unidos. Em 1950, a fabricação de leite anual, por vaca, atingia cerca de 2.409 litros.  Hoje, são mais de 8.181 litros. Esta situação pode ser explicada em parte pela alimentação do animal, modificações hormonais e genéticas e também pelo processo industrial que confina milhões de bichos lado a lado, um método que transgredi as leis da natureza.

O Brasil já parece ter começado a se inspirar no modelo americano. Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelam que a produção de leite mundial está estimada em torno de 518.6 bilhões de litros. Em 2004, 70% deste volume foi fabricado pela Europa e pelos Estados Unidos. No entanto, a tendência é esse quadro mudar. A Embrapa afirma que a fabricação de leite no Primeiro Mundo irá diminuir e, conseqüentemente, aumentar nos países em desenvolvimento. Nos últimos 25 anos, a indústria do leite cresceu no Brasil. Em 1979, passou de 10.2 bilhões de litros para cerca de 22.3 bilhões, em 2003. No ano de 2005, alcançou 22.9 bilhões de litros de leite.  Sem a implementação de tecnologias industriais, estes números provavelmente não seriam possíveis.

Entidades e ONGs

(Ider)
É uma Organização Não-Governamental (ONG) apoiada no conceito de desenvolvimento sustentável. O seu objetivo principal é promover a melhor qualidade de vida para todos no planeta por meio do uso das energias renováveis e a utilização de tecnologias ambientais.

SNR
Entidade de utilidade pública e sem fins lucrativos, fundada em 1897, com a finalidade de desenvolver ações políticas e educacionais em prol da agricultura brasileira.

Associação de Agricultura Orgânica (AAO)
É uma Organização Não-Governamental, sem fins lucrativos, fundada em maio de 1989 por um grupo de engenheiros agrônomos, produtores, jornalistas e pesquisadores que já praticavam a agricultura orgânica e acreditavam na sua viabilidade socioeconômica e ambiental. Mais do que difundir práticas e técnicas, a AAO defende o direito das pessoas a uma alimentação sadia e equilibrada que preserva o homem e o meio ambiente.

Sobre O Meatrix

Meatrix é um produto do primeiro concurso Fundo de Apoio ao Ativismo promovido pela Free Range Graphics, uma empresa precursora em design. Em fevereiro de 2003, a Free Range convidou Organizações Não-Governamentais de todo os Estados Unidos a submeterem propostas para concorrer à produção gratuita de um filme flash. Depois de revisar cuidadosamente mais de 50 inscrições, a Ong premiada foi GRACE com o seu programa Sustainable Table (Mesa Sustentável).

Sustainable Table tem como objetivo alertar os consumidores sobre os problemas das fazendas industriais e também mostrar a importância da escolha diária de comidas sustentáveis, ou seja, mais naturais sem agrotóxicos e produzidas de forma mais saudável. O filme Meatrix foi originalmente produzido como uma forma de promover o Eat Well Guide (Guia Comer Bem), um diretório online oferecido pelo Sustainable Table. Nele, o consumidor encontra uma opção de locais onde encontrar alimentos benéficos que incluem desde carne, frango a laticínios e ovos, produzidos até mesmo por pequenas fazendas familiares, tanto nos Estados Unidos como no Canadá.

Dias após o lançamento do Meatrix, o seu sucesso logo se tornou evidente como uma excelente ferramenta no processo de conscientização sobre o problema mundial da agricultura industrial. O filme também quebrou recordes de público considerando o fato de ser um produto de cunho ativista. Somente nos primeiros meses da sua estréia milhões de pessoas assistiram à fita.

Em 2005, Sustainable Table percebeu a necessidade de se criar um novo filme. A indústria de laticínios move-se cada vez mais em direção ao sistema de produção industrializado, o que leva ao deterioramento do meio-ambiente, animais e seres-humanos. Então, surgiu o filme Meatrix II: Revolting. O filme que aborda os horrores da indústria de laticínios oferece junto a website um leque de informações para os consumidores em geral e também soluções sustentáveis para resolver o problema da agricultura industrial.

(Disponível em: http://www.themeatrix.com/intl/brazil/ Acesso em 15 de setembro de 2009)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/09/2009 - 12:09

JORNAL O GERMINAL Nº 35 – MANIFESTAÇÕES DE RELIGIOSIDADE NO FUTEBOL

Editorial

Um assunto que vem sendo destaque nos jornais – esportivos ou não – nos últimos meses, é o fato de a Fédération Internationale de Football Association (FIFA) ter repreendido a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo excesso nas manifestações de religiosidade dos atletas em suas comemorações. A FIFA mandou um alerta à CBF pedindo moderação na atitude dos jogadores mais religiosos, mas indicou que por enquanto não puniria os atletas. A propósito desta questão, observamos que a influência das manifestações religiosas é marcante no futebol brasileiro. Santinhos, capelas dentro dos clubes, oração de Ave Maria e Pai Nosso nos vestiários, camisas louvando Jesus e devoções afrobrasileiras invadem os campos de futebol. Na opinião de muitos jogadores, técnicos e integrantes de comissão técnica, a fé potencializa o desempenho esportivo. Diante disso, destacamos que a religião tem lugar significativo na vida destes indivíduos porque o futebol é uma profissão de ascensão instável. Muitos sonham com o profissionalismo, mas é um caminho difícil, a que poucos têm acesso, precisando passar por diversas provações para alcançar o reconhecimento. Neste sentido, para suportar as dificuldades existentes, surge a necessidade de apelo ao sobrenatural.

MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS NOS CAMPOS DE FUTEBOL: PROIBI-LAS, OU NÃO?

Leme (2005), por meio da observação de instituições e indivíduos que constituem o ambiente do futebol, identificou o uso de um “marketing religioso futebolístico”. Pelo fato de o futebol ser um espetáculo, ele também pode servir como veículo de propaganda de uma determinada religião – o autor entende propaganda, neste caso, principalmente como uma difusão ideológica. Por meio de seus “produtos religiosos”, ela difunde um corpo doutrinário – ideológico, portanto. O futebol é uma atividade de alto risco e de grande visibilidade; a religião a ele associada reduz a percepção desse risco ao mesmo tempo em que gera uma representação de paz interior e segurança do indivíduo face ao meio em que ele está inserido.

Do ponto de vista de Leme, a mescla futebol x religião produz uma verdadeira “potência de espetáculo”. Os indivíduos que participam, que estão “conectados” ao mundo do futebol, não se encontram imunes à “radiação” que este esporte/espetáculo emite em todos os sentidos, seja através da mídia, pelas lideranças religiosas, pelos integrantes de comissão técnica, atletas, enfim, por todos os adeptos.

Retomando a polêmica repreensão da FIFA às manifestações dos atletas religiosos mais exaltados, salientamos que algumas das entidades filiadas à instituição maior do futebol, pediram um posicionamento mais firme desta para aqueles que continuassem a se exacerbar em seus atos religiosos. A bem da verdade, com centenas de jogadores africanos, vários países europeus temem que a falta de uma punição por parte da FIFA abra caminho para extremismos religiosos e que o comportamento dos brasileiros seja repetido por muçulmanos que estão em vários clubes da Europa. Tanto a FIFA quanto os europeus concordam que não querem que o futebol se transforme em um palco para disputas religiosas, um tema sensível em várias partes do mundo.

Acerca disso, vale destacar que as regras da FIFA de fato impedem mensagens políticas ou religiosas em campo. A entidade prevê punições em casos de descumprimento. Por enquanto, a FIFA não tomou nenhuma decisão – e essa não é a primeira vez que o tema causa polêmica. Ao fim da Copa do Mundo de 2002, a comemoração do pentacampeonato brasileiro foi repleta de mensagens religiosas. Quanto a isso, a FIFA mostrou seu desagrado na época. Mas disse que não teria como impedir a equipe que acabara de se sagrar campeã do mundo de comemorar à sua maneira. A entidade diz que está “monitorando” a situação. E confirma que “alertou a CBF sobre os procedimentos relevantes sobre o assunto”. A FIFA alega que, no caso da final da Copa das Confederações (em 2009, disputada na África do Sul, com a seleção brasileira sagrando-se campeã), o ato dos brasileiros de se reunir para rezar ocorreu só após o apito final. E as leis apenas falam da situação em jogo.

Em nossa opinião, não haveria problema algum das manifestações religiosas acontecerem se todas as pessoas ao redor do mundo as recebessem da mesma maneira, mas como o futebol é um dos maiores espetáculos da Terra e a quantidade de apaixonados que assistem aos eventos é muito grande, varia o posicionamento político, religioso e de afetividade dos grupos e dos indivíduos. Concordamos, então, com a repreensão executada pela FIFA. Este posicionamento, de pedir moderação na atitude dos jogadores religiosos mais exaltados, pode fazer com que alguns conflitos sejam evitados.

Nota-se que a discussão está direcionada ao direito de o esportista expressar sua religiosidade. Assim, há pessoas que percebem a proibição como um absurdo porque fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante o direito ao cidadão de manifestar sua fé. Neste sentido, imaginemos, como salienta nosso amigo Bruno Pompeu, o que aconteceria com o jogador que levantasse a camiseta e nela tivesse escrito “I Love Satan”! É bem provável que esse indivíduo não jogaria mais futebol nem nas peladas da periferia. Pensamos que tal fato provaria que essas manifestações não são – apenas – demonstrações de uma liberdade de expressão. Tem a ver com a moral cristã enraizada em nossa cultura. Inclusive, a camiseta poderia estar escrita “I Love Alah”, o que, para muitos, significaria a mesma coisa que “I love Satan” – poucos respeitariam.

Por fim, seria mais agradável se as manifestações se restringissem ao privado – o vestiário, se todos concordarem, é uma boa opção. Quem quiser participar de algum grande evento religioso, seja atleta ou torcedor, que frequente o seu Templo, Igreja, Centro, Terreiro, Sinagoga, Mesquita ou Casa de Oração. Isso seria mais democrático: justo e bom para maioria da população que acompanha o “esporte das multidões”. Não apenas por conta dos fundamentalismos que podem levar a violência verbal e física, mas porque quem vai assistir a uma partida de futebol, quer ver a bola entrar e seu time ganhar, comemorar e gritar, e não ver ninguém rezar/orar. No futebol, o que prevalece é a bola na rede. Neste ambiente, se apropriando da lógica cristã, se o atleta – principalmente aquele que não tem muito “mercado” – faz a sua oração, mas perde um gol, ou pior, falha em uma final de campeonato e sua equipe é derrotada, estará condenado pelos dirigentes, torcedores e por grande parte da imprensa esportiva, a queimar no fogo do inferno. Há muitos exemplos pelo Brasil e pelo mundo.

O SAGRADO E O ENLATADO

Por fim, last but not least, nosso jornalista responsável, Rodrigo Wolff Apolloni – que, diga-se de passagem, não é lá um grande entendedor do futebol – observa que as pessoas também têm o direito de se resguardar da propaganda religiosa. Ao pagar um ingresso, contratar um pay-per-view ou simplesmente ligar a tevê, elas já são bombardeadas com milhares de informações publicitárias no mais das vezes indesejadas, das Casas Bahia à cerveja, passando por carros e celulares; já são, enfim, violentadas pela imagem e pela mensagem. Será que elas precisam, de fato, receber mais uma carga, agora de “Jesus on Parade”, em seu cérebro? No final das contas, é possível que os próprios celebrantes da religião nos gramados estejam prestando um desserviço à própria causa, na simples razão em que vulgarizam a religião e a aproximam do que existe de mais material. Ou será que o meu desejo por Jesus é igual ao desejo que eu nutro por um carro zero ou por um iogurte criado para auxiliar a defecação?

 

PARA DESCONTRAIR

 

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/09/2009 - 17:10

Rebimboca da beribelinha

Ganha um doce quem souber o que significa rebimboca da beribelinha.

Enguiçado numa esquina, o carro de um amigo viu-se socorrido por uma oficina ambulante instalada numa kombi. O mecânico levantou o capô, fez ares de entendido, mexeu daqui, fuçou dali e, peremptório, pronunciou o diagnóstico: “Precisa trocar a rebimboca da beribelinha”.

“Quanto custa isto?”, indagou o motorista. “É uma peça rara e cara; mas, por cem reais, troco para o senhor.”

Feito o acordo, o rapaz enfiou a cabeça no motor e, ferramentas em mãos, iniciou a cirurgia mecânica. Findo o serviço, cinco minutos depois, o carro ligou e o motorista pagou. No dia seguinte, por precaução mineira, levou o veículo na oficina da concessionária. Só então soube que não existe rebimboca da beribelinha; o enguiço ocorrera porque soltara o cabo da bateria.

Ora, todos sabemos que existe sim rebimboca da beribelinha. É essa capacidade de certas pessoas explicarem o inexplicável: a defesa de políticos corruptos (basta comparar renda e patrimônio para se tornarem eticamente indefensáveis); a revogabilidade do irrevogável; o ex-presidente ao negar conhecer um jovem apadrinhado por ele; o senador que recorre a notas frias de frigoríficos (com perdão da redundância) para justificar sua dinheirama; a anistia a torturadores que jamais foram punidos; o famoso inquérito de trinta dias para apurar acidentes; o sumiço de drogas apreendidas pela polícia; as propaladas vantagens dos alimentos transgênicos; os anúncios de pedofilia virtual que usam crianças como iscas de consumo; a responsabilidade social de empresas que degradam o ambiente inteiro; os pregadores religiosos insensíveis à miséria circundante; o elegante contrabando de lojas de grifes etc. etc.

Rebimboca da beribelinha é a capacidade de falar sem dizer nada; prometer sem cumprir; governar sem administrar; sorrir sem estar alegre; enfim, roubar o porco e, surpreendido, sair gritando de olho no ombro: “Tira esse bicho daí! Tira esse bicho daí!”

Hoje em dia a rebimboca da beribelinha faz muito sucesso na TV. Tanto que mantém hipnotizada, dia a dia, durante horas, milhões de telespectadores que, além de umas tantas informações dos telejornais, nenhum proveito tiram para ampliar sua cultura, tornar mais crítica sua consciência ou aprofundar sua vida espiritual.

Todos nós temos enguiços na vida, dificuldades, desafios, enfim, peças a serem trocadas e decisões a serem tomadas para saber em que rumo prosseguir. Muitos, acovardados frente aos momentos críticos, apelam para a rebimboca da beribelinha. Reclamam da vida, da realidade, da política do país, do estado atual do mundo, mas nada fazem para mudar esse estado de coisas. Ficam no queixume, alugando os ouvidos de quem está ao lado, destilando ira pela vida fora, à espera de quê? Ora, é evidente, à espera de quem surja e lhes ofereça a rebimboca da beribelinha.

O maior acervo de rebimboca da beribelinha são os arquivos dos parlamentos, nos quais se conservam os discursos de vereadores, deputados e senadores. Quanta empáfia, quanto palavrório, para tão pouco resultado e proveito!

A internet não fica atrás, sobretudo a quantidade de textos, supostamente assinados por autores famosos, que circulam: pura rebimboca da beribelinha. Nada acrescentam à nossa douta ignorância. Enquanto isso, o mundo, lá fora, arde em chamas: guerras, terrorismo, bases usamericanas na Colômbia, gripe suína, narcotráfico, desmatamento da Amazônia, crianças-mendigas improvisadas em acrobatas nas vias dessinalizadas da vida…

Se confissão auricular ainda fosse obrigatória na Igreja, não seria nada mal sugerir ao penitente, em seu exame de consciência, avaliar o quanto seus atos e pensamentos, intenções e palavras, estão repletos de rebimboca da beribelinha.

Deixo a sugestão de se instituir, em clubes e condomínios, empresas e repartições públicas, grupos de amigos e associações, o prêmio anual Rebimboca da Beribelinha. A ser dado a quem, como o meu amigo do carro enguiçado, acredita no primeiro que lhe entuba pelos ouvidos lé com cré.

(BETTO, F. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=40902 Acesso em 09 de setembro de 2009)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/09/2009 - 10:09

Tome uma atitude digna e responsável…

Amigo não se compra! Adote um animal de rua!

    

 

Amigo não se compra! Adote um animal de rua! 

   

 

 

 

 (Disponível em: labvir.wordpress.com / anjoseguerreiros.blogspot.com Acesso em 07/09/2009)

 

 Amigo não se compra! Adote um animal de rua! 

 

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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