NOS ENCONTRAREMOS NOVAMENTE NO DIA 06/01/2009 – ATÉ BREVE!!!

(Disponível em: www.aqueduto_on_line.blogs.sapo.pt Acesso em 29 de dezembro de 2008)
TRANSFORMAÇÃO SOCIAL: EDUQUE PARA A REALIDADE

(Disponível em: www.aqueduto_on_line.blogs.sapo.pt Acesso em 29 de dezembro de 2008)

(Disponível em: www.anteetpost.wordpress.com Acesso em 29 de dezembro de 2008)

(Disponível em: www.jc-garcia.zip.net Acesso em 27 de dezembro de 2008)

(Disponível em: www.fbalves.wordpress.com Acesso em 27 de dezembro de 2008)

(Disponível em: www.noticias.uol.com.br Acesso em 27 de dezembro de 2008)

(Disponível em: www.picasaweb.google.com Acesso em 25 de dezembro de 2008)

(Disponível em: www.cynthiasemiramis.org Acesso em 25 de dezembro de 2008)

Há pouco tempo o jornalista Zuenir Ventura escreveu um livro reconstituindo o ano de 1968, quando uma intensa efervescência política eclodiu no Brasil e no mundo, mobilizando a juventude, estudantes, artistas, intelectuais, operários, mulheres etc.
Num momento em que se buscava reinventar o Brasil coletivamente, o Ato Institucional n 5, de 13 de dezembro, baixado pela ditadura militar, truncou brutalmente um rico movimento e marcou aquele ano de 1968 com o gosto amargo de um ano que não acabou. Quarenta anos depois, no dia 10 de dezembro de 2008, voltamos a ter esta mesma sensação, do ponto de vista das lutas dos povos indígenas.
Neste dia, o Supremo Tribunal Federal voltou a se reunir para debater e decidir a respeito da manutenção ou não da homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol. Foram 8 votos dos ministros favoráveis aos povos indígenas e nenhum voto favorável aos invasores ou à revisão da homologação feita, porém o pedido de vista do ministro Marco Aurélio de Mello impediu que ocorresse o que seria uma vitória completa e definitiva dos povos indígenas, de Raposa Serra do Sol como de todo o país. Assim, ficamos com uma vitória verdadeira, mas para ser confirmada no futuro.
Um ano difícil
O ano que termina foi fértil de lutas dos povos indígenas: retomadas, mobilizações, articulações, preparação e realização do Abril Indígena, interlocução com setores responsáveis pelas políticas públicas, participação na CNPI, presença nos meios de comunicação social, denúncias de violências, alianças com movimentos sociais, principalmente com a Via Campesina etc.
O Abril Indígena foi, novamente, a grande referência para a mobilização conjunta dos povos indígenas em defesa de seus direitos e na construção de suas propostas, além de ser o grande espaço para avaliação dos desafios que se apresentam para a articulação do movimento indígena em âmbito nacional.
Neste mesmo mês teve início a Operação Upatakon 3, de retirada dos invasores da terra indígena Raposa Serra do Sol.. A suspensão dessa operação pelo STF e o debate sobre a constitucionalidade da demarcação daquela terra pela Suprema Corte foram a senha para a manifestação violenta de todos os setores conservadores e anti-indígenas do país.
Vivemos, de maio até dezembro deste ano, um crescendo de posicionamentos racistas, que há muito tempo não eram tão explicitamente expostos no Brasil. Militares e conservadores de todas as origens e matizes ocuparam canais de televisão, telejornais, programas de rádio, inúmeras páginas de jornais diários, destilando desconfiança, desinformação e preconceito com relação aos índios e suas culturas.
Frases como “os índios ainda vivem no paleolítico” ou “a necessária integração dos índios à sociedade nacional e ao mercado” se tornaram correntes e nem chamavam mais a atenção, dada a sua freqüência na escalada racista. Setores militares pregaram ininterruptamente o fim da política indigenista no que ela pode ter de coerente com a Constituição de 1988 e o regresso aos tempos pré-constitucionais; setores do agronegócio defenderam os fazendeiros invasores como “patriotas injustiçados”, supostas “vítimas do excesso de direitos e de terras” dos povos indígenas.
O tom cada vez mais agressivo estava por colocar em risco a vida de indígenas que se arriscassem a circular sozinhos nas cidades do interior do país, de qualquer estado ou região.
O primeiro julgamento do caso Raposa Serra do Sol, em 27 de agosto, resultou no importante voto favorável do ministro relator Carlos Ayres Britto e no pedido de vista do próximo ministro a votar, Menezes Direito, com a conseqüente suspensão da sessão.
Pataxó Hã Hã Hãe e Guarani Kaiowá
Após o julgamento do caso Raposa Serra do Sol tivemos, no mesmo STF, o julgamento do caso Pataxó Hã Hã Hãe, da Bahia. Este caso se refere à legalidade ou não dos títulos de posse incidentes em terra indígena, distribuídos pelo governo daquele estado aos invasores. Desta vez também o ministro relator, agora Eros Grau, votou de forma consistente favoravelmente ao povo indígena. Mais uma vez, a sessão foi interrompida por um pedido de vista do ministro Menezes Direito.
Este novo julgamento manteve a questão indígena nos meios de comunicação e no debate da sociedade, de maneira um pouco mais branda do que no caso Raposa Serra do Sol, mas avivando os mesmos preconceitos com relação à cultura e ao modo de vida e trabalho daquele povo indígena.
De forma simultânea a esses dois casos, a questão Guarani Kaiowá apareceu com força, principalmente no estado do Mato Grosso do Sul. Tendo suas terras demarcadas em “ilhas”, modelo para o agronegócio, aquele povo continua sofrendo um processo de etnocídio facilmente verificável pelos alarmantes números de suicídios e assassinatos, além de sinais claros de desagregação social e familiar.
A busca de recuperação territorial, única garantia para a existência de um futuro para os Guarani Kaiowá teve como resposta a mesma onda racista e preconceituosa que agrediu os povos indígenas de Raposa Serra do Sol. Ocorreu aqui uma articulação política entre os invasores de Roraima e do Mato Grosso do Sul, brandindo as mesmas frases de efeito contra os indígenas, seus aliados e a Funai, veiculando as mesmas mentiras a respeito das ameaças dos indígenas à soberania nacional e à economia do estado. Fato inédito, a “causa anti-indígena do agronegócio” contou com a contribuição de “intelectuais orgânicos”, assessores de multinacionais bem pagos por seus empregadores e bem aceitos nas páginas de opinião dos grandes jornais diários.
O julgamento do ano
Após mais de três meses de espera, o caso Raposa Serra do Sol voltou ao plenário do STF no simbólico dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos e dia em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, completava 60 anos.
Expectativas acumuladas pelos povos indígenas e seus aliados, por um lado, e pelos invasores e seus defensores, por outro, fizeram as páginas de jornais e os noticiários das rádios e televisões serem inundados de opiniões e especulações as mais diversas, na sua ampla maioria anunciando a derrota dos povos indígenas e a prevalência dos interesses do agronegócio.
Nas últimas semanas e dias que precederam a sessão de julgamento, gestos de solidariedade aos índios de Raposa Serra do Sol se multiplicaram, tanto por parte de movimentos sociais como por parte de outras entidades da sociedade civil.
O dia 10 de dezembro chegou, com ele o salto de 1 para 8 o número de votos dos ministros favoráveis aos povos indígenas de Raposa Serra do Sol, mesmo que com discutíveis condicionamentos. Era para o ano de 2008 das lutas indígenas terminar ali, com uma vitória indígena histórica e inquestionável.
Porém, o pedido de vista do ministro Marco Aurélio de Mello truncou este final de ano e o transferiu para um futuro ainda incerto.
2008 ainda não acabou.
(MALDOS, P. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia.as… Acesso em 25 de dezembro de 2008)


(Disponível em: www.universohq.com Acesso em 22 de dezembro de 2008)

(Disponível em: www.blogmolotov.blogspot.com Acesso em 22 de dezembro de 2008)
Todos viram. Vibraram. Na última segunda, dia 15 de dezembro, o jovem jornalista iraquiano, Muntader Al Zaide, arremessando seus dois sapatos em direção ao chefe do império americano, George W. Bush causou comoção no mundo todo. Indubitavelmente de forma positiva. As pessoas vibraram, sentiram-se representadas na pessoa desse combativo periodista árabe. Mas, os seus significados vão além do simples arremesso. Como veremos.
O jornalista e o episódio do arremesso
Al Zaide é jovem mesmo. Tem apenas 29 anos. Foi, ainda sob o governo de Saddam Hussein, presidente de uma entidade estudantil. Segundo a emissora Al Jazira, é membro do partido Comunista Iraquiano. Tem muitos irmãos e alguns deles mortos em combate na resistência contra a ocupação do Iraque por tropas estrangeiras desde 2003. Zaide é jornalista da emissora de TV Al Baghdadiya (cuja sede central fica no Cairo). Todas as reportagens da TV que ele faz na cidade de Bagdá ele conclui dizendo “da Bagdá ocupada”. A própria emissora que o emprega exigiu a sua imediata libertação, assim como o Sindicato dos Jornalistas do Iraque.
AL Zaide virou instantaneamente um herói nacional. E usou a sua arma mais potente tanto física como simbolicamente de que dispunha no momento: seus sapatos de sola de borracha pesados não teve dúvidas. Foi ficando cada vez mais irritado com a entrevista coletiva que Bush vinha dando, com suas mentiras habituais, ao lado do primeiro Ministro fantoche do Iraque, Nuri Al Maliki. Num determinado momento, decidiu arremessar em seguida, os seus dois sapatos contra Bush. A catatonia dos presentes e mesmo da segurança presidencial foi tamanha, que ele conseguiu inclusive tempo para atirar o segundo sapato.
A frase que ele proferiu, gravada ao vivo por todas as emissoras presentes foi: “É o seu beijo de despedida do povo iraquiano, seu cachorro. Isso é pelas viúvas, órfãos e pelos que foram mortos no Iraque”. E não precisava dizer mais nada. AL Zaide mostrava-se ao mundo como o vingador dos mais de 200 mil iraquiano mortos, representava o sentimento de uma nação destruída, desmontada, aviltada, vendida, entregue à sanha imperialista e com quase toda a sua infra-estrutura destruída e vendida ao setor privado (doadas na verdade).
Sua fama foi instantânea. Foi saudado no mundo inteiro. Passeatas saíram às ruas para exigir a sua imediata libertação. Circulou a informação de que um empresário saudita estaria oferecendo dez milhões de dólares por um dos sapatos que foram arremessados contra Bush. A foto de Al Zaide não saia de todas as TVs árabes e os jornais americanos publicaram o sapato “voador” passando rente à cabeça de Bush. Claro, os americanos procuraram minimizar o fato, dizendo que o mesmo não tinha importância alguma e que o jornalista não agiu em nome de nenhuma organização e não expressava a vontade do povo. Pura balela. Só se falava do ato de bravura praticado por um árabe contra o chefe do império mais odiado da história.
Os policiais que o prenderam, o espancaram brutalmente. Seu irmão, Maitham Al Zaide afirma que diversas de suas costelas foram quebradas e seu olho foi atingido por coronhadas de fuzil. Continua preso sem que nenhuma acusação lhe tenha sido feita e comunicado formalmente à justiça a sua detenção. Fala-se que poderia pegar de sete até quinze anos de cadeia por ter tentado agredir chefe de estado estrangeiro em visita ao Iraque.
Imediatamente uma rede de advogados formou-se para defendê-lo e exigir a sua libertação. A imprensa noticiou mais de cem advogados dispostos a prestar seus serviços gratuitamente para que ele possa ser libertado. O chefe da defesa de Saddam Hussein, Dr. Jalil Al Duleimi, será o provável defensor central de Al Zaide. Ainda continua sem nenhum contato tanto com seus familiares, como amigos e advogados, num claro desrespeito às tais normas mínimas de direitos humanos que os Estados Unidos tanto, e hipocritamente, pregam pelo mundo afora mas sem respeitá-las em lugar nenhum onde tem hegemonia.
A simbologia do sapato
Atirar um sapato em alguém, no mundo muçulmano é uma das maiores ofensas que se pode imaginar. É sabido que para adentrar a uma mesquita todos os seguires do Islã devem tirar seus sapatos na porta da Mesquita. Sapatos são os protetores dos pés contra as impurezas da terra. Boa parte das coisas ruins e várias doenças adentram em nosso corpo pelos nossos pés. As solas dos sapatos retêm grande parte dessas impurezas. Assim, a simbologia não poderia ser melhor. Uma imensa ofensa ao chefe do império. Além do que chamá-lo ainda por cima de “cachorro”, foi duplamente ofensivo.
Esse contexto é toda a simbologia que se poderia ter, de um final mais do que melancólico e dramático do governo mais impopular da história dos Estados Unidos. Que deixa o maior rombo de caixa na maior economia do planeta. Que deixa de legado para todo o planeta o modelo neoliberal, que foi devidamente enterrado com a maior crise da história financeira do mundo. O presidente mais odiado do mundo, que encerra seu mandato em mais 30 dias apenas, mas que ninguém agüenta mais e não se vê a hora de que tudo esteja terminado e que o novo governo tome logo posse, antes que todo o sistema se derreta.
Ainda com toda essa impopularidade, com toda a crise econômica, Bush insiste em manter as tropas de ocupação no Iraque até 2011! A um custo mensal de 10 bilhões de dólares, a maior de todas as guerras feitas pelos americanos desde o final do século 19. Pode-se caracterizar essa simbologia do sapato atirado na cara do presidente americano como o retrato fiel do fim de uma era. Uma era de tristezas, de crises, de dominação e truculência, de financeirização do capital. Uma era de ocaso, de fim do unilateralismo, de fim de humilhações a que os EUA impuseram ao mundo todo, em especial aos árabes.
A simbologia não poderia ser melhor. Mais do que vaias ao final do seu impopular mandato, Bush sai sob sapatadas de um jovem combativo comunista e jornalista iraquiano de consciência elevada. Naquela sapatada desferida contra o chefe do império, Al Zaide representava o mundo inteiro. Representava todos os que lutam contra as injustiças, contra as ocupações, contra os ataques covardes que o exército americano praticou e continua praticando contra o povo do Iraque. Se em 2003 a simbologia era contra Saddam – quem não se lembra da derrubada da sua estátua na praça central de Bagdá e as várias chineladas e sapatadas desferidas contra a sua imagem – agora ela se volta contra aquele que se arvorou em ter derrubado um ditador. Mas pagará para toda a posteridade de sua vida, os imensos erros que a sua gestão deixou para o mundo. O povo árabe que o diga. Podemos nos sentir, como disse Gilles Lapouge (Estadão de 16/1/8), de “alma lavada, aliviados”. Não é qualquer dia que se presencia dois sapatos sendo atirados contra o presidente dos Estados Unidos.
Certo mesmo está Lapouge com sua conclusão de que vencedor da guerra, Bush, se iguala ao vencido Saddam e o dito “vencedor” é agora vencido por uma sapatada de número 42 partindo de um iraquiano, de um árabe. Pode haver maior simbologia do que isso?
(MIRHAN, L. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia.as… Acesso em 23 de dezembro de 2008)
