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Arquivo de novembro, 2008

29/11/2008 - 11:29

JORNAL O GERMINAL Nº 15 – E ASSIM CAMINHA O BRASIL

Editorial

Em ambientes dos mais variados possíveis (ruas, transportes públicos, eventos etc) é comum as pessoas caminharem, querendo ou não, ao som de “olha o chocolate, dois por 1 real!”; “Olha a água, olha a água!”; “É a bala refrescante, limão, tangerina e menta!”; “Bolinha de amendoim, pastelzinho de queijo, é aqui comigo!”. Mais desagradável é encarar a extorsão executada pelos “vigilantes de vagas” que tomam conta de carros, “guardam” lugares em filas, cambistas, entre muitas outras funções “flutuantes” em nossa cruel realidade. Pensando friamente, é possível concluir que tais funções (seria possível citar várias outras do mesmo gênero, é só olhar em volta) trazem sério desconforto para ambas as partes. Uns se expõem aos riscos de serem “tomados” pelo “rapa” e perderem suas mercadorias; outros se sentem intimidados e obrigados a “comprar”, na melhor acepção mafiosa do termo, o serviço dos flanelinhas. Outros, ainda, são expulsos – literalmente – de praças e avenidas para a “limpeza” ser mantida ou por hegemonias territoriais. E assim caminha o Brasil.

BRASIL: MOSTRA A SUA CARA!

Qualquer motorista ou pedestre encontra, pelas ruas cálidas da cidade, dezenas de pedintes, andantes e vendedores infelizes de bombons, balas, panelas, chinelos, flanelas de limpeza e outros “cacarecos” nas esquinas, cruzamentos, sob as pontes, nas quadras, embaixo das marquises e em tantos nichos do cenário urbano. Pessoas comuns, que querem apenas viver, trabalhar e dispor de um pedaço de chão para morar, se encontram espalhadas pela cidade. É trágico, sem dúvida e, o Brasil, não é o único país no mundo a viver esse horror. Alguns até se aproveitam da boa-fé e do espírito de solidariedade do brasileiro médio. A maioria, porém, está a povoar precariamente esses sítios por absoluta necessidade.

É lamentável presenciar crianças, jovens, adultos, idosos… pessoas especiais abandonadas por todos os cantos. Aliás, sobre os jovens, vale destacar que um estudo feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) revelou que eles são os mais atingidos pelo desemprego. A desigualdade da concentração de renda entre os grupos que só trabalham também chamou atenção, já que 40% dos jovens com menores rendimentos não têm Ensino Fundamental completo e começam a trabalhar mais cedo (dado que fornece um indício importante do porquê de tanta gente estar na informalidade e nas ruas).

Ainda em relação à pesquisa, foi ressaltado que a qualidade do emprego também é preocupante. De acordo com o documento, a maioria dos jovens com idade entre 14 e 15 anos, empregados, não têm registro nem remuneração e trabalham de 30 a 40 horas semanais. As mulheres, mesmo tendo mais anos de estudo que os homens, recebem menor remuneração, têm condições de trabalho mais precárias e apresentam maior taxa de desemprego. Já os negros têm menos tempo de estudo, começam a trabalhar mais cedo, recebem menores salários, têm empregos precários e também sofrem com altas taxas de desemprego.

Esses simples dados mostram a situação da juventude e nos colocam abertamente diante de uma situação. Por mais que não gostemos, que soframos a violência simbólica ou real do contato mendicante ou agressivo nas ruas e calçadas da cidade, precisamos nos conscientizar. A possibilidade de mudança, infelizmente, é muito pequena, tendo em vista as lideranças que nos assombram com suas falácias; discursos que, muitas vezes se utilizam dos jargões esquerdistas, na prática não acrescentam nada; outras vezes e, por incrível que pareça, o mesmo personagem faz colocações beirando o fascismo… que também não acrescentam nada; já os mais necessitados, aqueles a que foram negadas as mínimas condições para uma vida digna, caminham rumo ao inferno (não estaremos caminhando todos juntos para lá?).

Enfim, os “des” – desvalidos, desnutridos, deslocados, desabrigados -, como a grande maioria da população brasileira, querem apenas uma oportunidade. Querem trabalhar e se sustentar, alimentar suas famílias e alcançar os poucos bens de que carecem. Querem apenas trabalho. Qualquer que seja. Será muito? Impossível? Não dá para acreditar que a coisa possa ser resolvida de maneira tão simples.

A bem da verdade, o que os tecnocratas tentam aplicar são falsas ou estrondosas teorias sócio-econômicas de risível blá-blá! É preciso uma análise fiel da realidade e vontade política. Não há que se distribuírem sacolas ou sacolões, cestas básicas ou esmolas. Faz-se necessário criar empregos. É o que desejam os necessitados. Há remédio? Naturalmente. Tudo é possível, pois o ser humano é o único ser vivente que pode transformar e modificar a realidade em que vive, de forma consciente. Nada é impossível. Sonho, ilusão, utopia? Absolutamente. Basta que os governos e as pessoas gastem menos com as coisas supérfluas, sejam mais solidários, menos egoístas e passem a criar melhores condições de vida e mais empregos. Se você tem exemplos ou sugestões de como fazer isso, escreva para a gente: a revolução começa com um pensamento!

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/11/2008 - 20:03

EM ALGUM LUGAR NÃO MUITO LONGE DAQUI…


(Disponível em: www.satiravirtual.890m.com Acesso em 25 de novembro de 2008)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/11/2008 - 19:59

Entenda a crise mundial explicada em CEARÊS

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou o que gerou a tal crise americana, segue um texto explicando a fuleragem para qualquer menino véi do buchão entender.

É assim: O Jeremias, Beição pros mais chegados, tem um bar lá no conjunto Jereissati I, em Maracanaú, e se toca que o jeito é vender a caninha no fiado porque a mundiça tá sempre lisa e num é todo dia que tem bico pra fazer e levantar um enche-bucho.

Mas como ele né nem abestado, aumenta uma merreca no preço da dose, já que só vai receber no fim do mês. Esse aumento a negada metida a besta chama de sobrepreço.

O gerente do banco do Beição, um fela que se acha muita merda, chei de nove hora só porque estudou na Capital do Ceará, diz que as cadernetas das dívidas do Bar do Beição e grana são a mesma coisa. Então ele começa a emprestar grana pro Beição tendo o pindura dos papudins na caderneta véa como garantia.

Um outro magote de besta, gente graúda do banco, se confia na caderneta do Beição e começa a gastar esse dinheiro por conta, abrindo uma porrada de CDB, CDO, CCD, BMW, UTI, SOS e o carái a quatro que ninguém sabe que diabéisso.

E esssa ruma de letrinha começa a animar a negada do Mercado de Capitais de uma tal de BM&F (uma coisa de gringo aí, onde o cabra tem que ser peitudo pra colocar dinheiro e, depois de um tempo, ou fica estribado ou se lasca todim).

Sei que esses bichos gostam da notícia e, mesmo sem saber que tão dependendo da caderneta do Beição, começam a gastar por conta também.

Como tá todo mundo negociando o dinheiro do Beição como se fosse coisa séria e mais garantida que caganeira depois de sarapatel
estragado, o dinheiro dele começa a rodar o mundo todo e tem nego em 73 países mexendo nesse dinheiro.

Até que alguém descobre que os fuleragens dos clientes do Beição tão tudo lascado e não vão pagar as contas. O Beição se arromba,
vê que cagou o pau e tem que fechar o bar. Aí…

A negada que contou com o ovo no boga da galinha …. tá fudida!

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/11/2008 - 13:20

EM ALGUM LUGAR NÃO MUITO LONGE DAQUI…


(Disponível em: www.quecenafixe.com Acesso em 22 de novembro de 2008)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/11/2008 - 13:16

Casa Branca, Presidente Negro

A partir do próximo 20 de janeiro, Barak Obama, filho de pai africano e mãe usamericana, vai ocupar, ao menos por quatro anos, a cadeira presidencial da Casa Branca.

Numa nação profundamente marcada pelo racismo, como os EUA, este sonho se tornou realidade graças à corajosa atitude, em 1955, de Rosa Parks. Costureira, militante do Movimento Negro, aos 42 anos, no dia 1o de dezembro de 1955, Rosa entrou no ônibus em Montgomery, Alabama, e ocupou o único assento vago.

Pouco depois, ingressou um homem branco. Exigiu que ela se levantasse para ele se acomodar. Todos no Alabama conheciam a lei: no transporte público, brancos tinham precedência sobre negros. Rosa fez como Antígona e, entre a lei e a justiça, escolheu esta última. Manteve-se sentada.

Presa, foi liberada após pagar multa. Ficou desempregada e sofreu ameaças de morte, que a obrigaram a se mudar para Detroit. Entrevistada, afirmou: “A verdadeira razão de eu não ter cedido meu banco no ônibus foi porque senti que tinha o direito de ser tratada como qualquer outro passageiro”.

Logo, sua atitude solitária transformou-se em solidária. Um jovem pastor da Igreja Batista, Martin Luther King Jr., incentivou seus fiéis negros a seguir-lhe o exemplo. No Alabama, a população negra boicotou o transporte público por mais de um ano, até derrubar a lei racista. Rosa havia acendido o estopim da causa usamericana pelos direitos civis e contra o apartheid. Por toda parte os negros abraçavam a desobediência civil e repetiam: I”m black, I”m proud (Sou negro e me orgulho).

Rosa não viveu o suficiente para participar da posse de Obama. Morreu aos 92 anos. Em sua homenagem, a empresa de computadores Apple gravou na logomarca de seu site Think different (Pense diferente) e, abaixo, “Rosa Parks (1913-2005)”.

Há algo de novo no Continente americano: as elites econômicas já não coincidem com as políticas. Lula no Brasil, Morales na Bolívia, Chávez na Venezuela, Correa no Equador, Lugo no Paraguai e, agora, Obama nos EUA, destoam completamente do DNA das tradicionais oligarquias políticas do Continente. Sinal de que a democracia virtual está seriamente ameaçada pela democracia real, multicultural, sobretudo agora que a crise do capitalismo desmoraliza o dogma da auto-regulação do mercado e apela à intervenção do Estado.

Obama é tudo aquilo que merece o desprezo dos WASP, sigla usamericana que significa “Branco, Anglo-Saxão e Protestante”, marca da parcela racista da elite dos EUA.

Já na década de 80, as coisas pareciam fora de controle quando Jesse Jackson, também negro, concorreu à presidência, em 1984 e 1988. Aliás, a linguagem, como diria Freud, revela significados além de sua etimologia. Muitos se referem a Obama como “afro-americano”. Ninguém jamais chamou Bush de “euro-americano”, ou qualquer um de nós, brancos, descendentes de espanhóis e portugueses que colonizaram a América Latina, de “ibero-americano”.

Por falar em palavras, uma que precisa perder espaço nos dicionários e em nosso vocabulário é raça, quando aplicada a seres humanos. Segundo a biologia, ela não existe. Há tão-somente a espécie humana.

Nossas individualidades e identidades não são construídas a partir da coloração epidérmica, e sim da multidimensionalidade de nossa interação social. Portanto, não faz sentido falar em Estatuto da Igualdade Racial ou em Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial.

Precisamos construir uma sociedade e uma cultura desracionalizadas. Como afirma o cientista Sérgio Danilo Pena, do Projeto Genoma Humano, “um pensamento reconfortante é que, certamente, a humanidade do futuro não acreditará em raças mais do que acreditamos hoje em bruxaria. E o racismo será relatado no futuro como mais uma abominação histórica passageira, assim como percebemos hoje o disparate que foi a perseguição às bruxas”.

Obama pode se revelar uma caixa de surpresas. Mas é gratificante vê-lo e a Lewis Hamilton, campeão da Fórmula 1, se destacarem num universo até então monopolizado pelos brancos.

(BETTO, F. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia.as… Acesso em 22 de novembro de 2008)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/11/2008 - 14:03

EM ALGUM LUGAR NÃO MUITO LONGE DAQUI…


(Disponível em: www.chargeseditoriais.com Acesso em 20 de novembo de 2008)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/11/2008 - 13:59

A agonia do gigante

Quem está falindo? A GM ou os pagadores de impostos? A redação de Carta Capital coloca o dedo na ferida e mostra que a empresa vai a falência, mas a conta fica nas costas dos Trabalhadores e do contribuinte

Ainda tem gente que acredita piamente que o capitalismo e seu regime de mercado constituem o único sistema de organização econômica possível, o único que deu certo, etc e tal. Pura ideologia barata e sem a menor constatação impírica, real, sem provas factíveis, sem comprovação na vida real.

Se o sistema é impecável é na arte de salvar a burguesia de suas próprias incompentência. Eles, os burgueses, se dizem contra a intervenção do Estado na economia, a favor da livre iniciativa, no milagroso poder de auto-regulação do mercado. Porém, ao menor sinal de crise, os burgueses recorrem à teta do estado.

“Mas, peraí, depender do estado, aceitar a intervenção estatal é comunismo” – gritaria um conservador republicano norte-americano.

O que importa?

Não importa nada, pois sempre foi assim no capitalismo. Privatizam os lucros e socializam os prejuízos. Nisso realmente o capitalismo é o mais eficiente dos sistemas, exatamente na arte de tirar dos pobres e dar aos ricos mais do que eles precisam. Na arte de distribuir a pobreza e concentrar a riqueza. Distribuir injustiça e concentrar benefícios nas mãos de pequenos grupos.

E artigo da revista semanal supracitada mostra exatamente isso ao falar do caso da GM:

Em 7 de novembro, a General Motors admitiu que poderá suspender operações por insuficiência de caixa até o fim do ano, se não for socorrida pelo Estado. Em 13 de novembro, seu valor de mercado era de 1,7 bilhões de dólares – menos de 10% do que valia em novembro de 2007 e menos, em termos reais, de seu valor nos anos 40. A linha de crédito para as financeiras das montadoras brasileiras (nota abaixo) vale o dobro.

A GM precisa de 10 bilhões apenas para manter seus sinais vitais em 2009 e outros 15 bilhões para fechar linhas de produção e indenizar demitidos. Em média, as vendas do setor em outubro caíram 32% em relação ao mesmo mês de 2007. A retração da Toyota foi 23%, da Honda, 25%, da Ford, 29%, da Nissan, 33%, da Chrysler, 35% – e a GM caiu 45%.

Ford e Chrysler, também em má forma, podem esperar mais alguns meses pelo resgate. A GM exacerbou seus problemas ao ignorar o aquecimento global, o terceiro choque do petróleo e o risco de crise financeira. Em vez de aproveitar as economias proporcionadas pelas concessões dos sindicatos para modernizar-se e melhorar a eficiência energética e ambiental de seus produtos, seguiu a tradição de veículos ostentosos e de alto consumo com a qual superou Henry Ford, pagou salários multimilionários a seus executivos e chegou a deter tanto poder que, em 1953, seu presidente afirmava, confiante: “O que é bom para o país é bom para a GM e vice-versa”.

Não é mais assim: apesar da pressão de Obama e dos democratas, Bush júnior reluta em resgatar a empresa. Mas as montadoras de Detroit geram 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos. Deixá-las quebrar pode sair ainda mais caro, ao elevar brutalmente o desemprego e jogar mais de 600 mil aposentados nos braços da previdência pública. Por outro lado, investir no atual sistema de gestão dessas empresas parece ser jogar dinheiro fora.

Grandes jornais, Wall Street Journal e The New York Times, entre outros, sugerem que o governo deixe a empresa falir, resgate seus ativos e venda-os a outro grupo, que retomará a operação em menor escala, com menores salários e sem precisar honrar os compromissos da GM com sindicatos, fornecedores e revendedores. Algo como o que se fez com a Varig no Brasil. Se assim for, mais uma vez a causa da falência será atribuída ao que a empresa tinha de melhor, as boas condições que oferecia a seus operários, e não aos erros de seus acionistas e executivos – pelos quais, também mais uma vez, pagarão empregados e contribuintes. (negritos nossos)

Como sempre dizemos se a iniciativa privada fosse por si só boa, não se chamaria privada.

Carta está de parabéns, principalmente por ser uma semanal de grande circulação e tem a coragem de colocar o dedo na ferida, muitas vezes o faz mais que muita publicação de esquerda que existe por aí.

E este é um momento mais que oportuno para aglutinar todas as forças que não acreditam nos poderes milagrosos do deus mercado, revolucionar o receituário de esquerda, deixar o comodismo da crítica pela crítica, arregaçar as mangas e avançar rumo ao outro mundo possível.

Enviada por Sergio Bertoni, às 11:02 16/11/2008, de Curitiba, PR.

(Disponível em www.http://www.tie-brasil.org/noticias.php Acesso em 20 de novembro de 2008)

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17/11/2008 - 23:26

ENCONTROS E ENCONTROS…


(Disponível em: www.charge-o-matic.blogger.com.br Acesso em 17 de novembro de 2008)

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17/11/2008 - 23:22

EM ALGUM LUGAR NÃO MUITO LONGE DAQUI…


(Disponível em: www.danielneto.com.br Acesso em 17 de novembro de 2008)

Autor: O GERMINAL - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/11/2008 - 23:19

Valeu Zumbi!

Quando o governador de Pernambuco, Caetano de Melo Castro, decidiu colocar a cabeça de Zumbi dos Palmares num mastro para satisfazer os que se achavam ofendidos pela idéia de liberdade que ele representava e para dar uma lição nos negros que sonhavam em fugir para os quilombos, jamais poderia imaginar que estava dando asas ao herói negro. Tentando apagá-lo da memória e mostrar que estava mesmo morto e humilhado, o medíocre governador só conseguiu fazer com que os negros que olhavam a cabeça salgada, alongassem seu olhar para além da morte, para além da prisão, e vissem o horizonte de beleza que ele representava.

Zumbi foi vencido em 20 de novembro de 1695, depois de longas e acirradas batalhas. Mas qual! Essa é uma informação errada. Seu corpo foi violado, seu quilombo dizimado, mas a idéia que morava em sua cabeça jamais se rendeu. Seu nome criou asas, seu corpo foi se transformando em outros tantos corpos negros, que fugiam das garras da dor e criavam espaços de liberdade. Seu desejo de vida digna, de riquezas repartidas, de trabalho coletivo, seguiu cavalgando pelos campos, colinas e montanhas. O guerreiro é, tal qual dizia o seu povo, imortal.

É por isso que em todo novembro sua imponente figura volta a intimar as gentes. Ele reaparece, lança em punho, olhar ardente, a dizer que ainda há muito que libertar. Há o preconceito, a discriminação, a violência, o ódio. Há a pobreza, o desemprego, o tratamento desigual. E nós, ao vê-lo passar, sentimos que não fazemos ainda o suficiente, que é preciso mais. Zumbi nos inflama, nos desconforta, nos abre os olhos. Zumbi nos acena, majestoso, e nos convida a segui-lo. Ah, esse homem que foi traído, que perdeu a cabeça e a vida, ali está, no asfalto, na cidade, buscando os seguidores para um novo quilombo. Não mais Zumbi, o neto da princesa Aqualtune, mas o que passou a ser quando sua cabeça circulou pelos fundões do Brasil. O espírito. Então, quando nas noites deste novembro escutamos o rumor delicado do vento, sabemos: eis o espírito… E o acompanhamos, para o mundo que virá, construído por todos nós!

(TAVARES, E. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia.as… Acesso em 17 de novembro de 2008)

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