Você convida um seleto grupo de amigos para tomar uma cerveja em casa. Um deles aproveita a oportunidade para levar sua nova namorada. Ao entrar, Afrodite em pessoa. Uma deusa capaz de fazer cair o queixo de qualquer homem e de provocar aquela ebulição nervosa. Você pensa… Gostosíssima! Além disso, a danada é cheirosa e lança um olhar sedutor, como se soubesse o que se passa na sua imaginação. Qual a saída? Fingir que não viu? Achar alguns defeitos? Admirar só um pouquinho? Parabenizar o amigo pela conquista? Ou entrar neste jogo perigoso…
Seu amigo é um cara legal e você se pergunta o quanto é culpado ou inocente, principalmente se no meio da noite a perna dela roçar sem querer seu corpo. É pura adrenalina.
Para o terapeuta sexual Celso Marzano a resposta é bem simples, e tem a ver com o principal hormônio masculino. “A testosterona joga contra qualquer tipo de amizade e respeito entre amigos. O hormônio é o verdadeiro mensageiro do fetiche, do proibido, do diferente e da conquista. E isso pode ocorrer com freqüência dada a oportunidade da criação de fantasias eróticas com uma parceria sexual casual”.
Traduzindo: mulher é mulher, seja do melhor amigo ou do pior adversário. Já estamos todos no inferno, então? Antes de começar a se penitenciar é bom saber que, se você quiser, existem alguns mecanismos de frenagem para esses impulsos aparentemente condenáveis.
Tanto a inibição quanto a exacerbação estão relacionados com um pacote que engloba, entre outros fatores, tempo de amizade, valores pessoais e morais. A psicóloga Arlete Girello Tavares Gravranic, afirma que um homem sempre irá analisar a mulher que está com seu amigo como mulher.
“Ele olha, percebe o corpo, faz julgamentos sobre o quanto essa mulher é desejável, interessante ou chata, vai depender de qual vínculo de amizade ele tem com esse outro homem. Mas o que vale perguntar é se vale a pena arriscar uma boa amizade.”
Uma boa técnica para cortar esses desejos proibidos é não ficar imaginando o durante, pois o tesão começa no cérebro. O antídoto é imaginar o depois, quando você já realizou a sua conquista e satisfeito gostaria que a Afrodite virasse um pedaço de pizza acompanhado de um copo de coca cola… e aí seu amigo te dá um flagra.
A decisão sempre vai ser sua e o mais importante é saber lidar com as consequências. Sem moralismos, muitas vezes o prazer da aventura supera a lealdade entre amigos, mas saiba que amanhã isto também poderá acontecer com você.
Mara Lúcia Madureira, da Universidade Federal de São Paulo, afirma que para alguns o risco de prejudicar a amizade pode funcionar como um freio moral ou barreiras protetoras dos instintos. Para outros, pode servir de estímulo ou para fomentar a competição inerente às espécies.
Mas, por que razão integrantes do grupo masculino gostam tanto de repetir, quase como um mantra, a máxima “mulher de amigo meu
pra mim é homem”? Para Mara Lúcia, tal postura soa mais como uma busca de proteção, um medo implícito de cair em tentação.
“É apenas uma forma de respeitar o amigo. Os homens tendem a ter, quando entre amigos, uma característica menos competitiva com relação às suas respectivas mulheres e uma atitude mais leal”, confirma a psicóloga.
Entre homens a competitividade sempre estará presente, mas a lealdade também é um sentimento muito importante no universo masculino. O que vai prevalecer sempre será uma decisão pessoal.
Jogo perigoso ou amigos para sempre. Você decide!
Foto: Getty Images
Materia: Leonardo Zanon
Cuidado com o que você olha!



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