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19/02/2009 - 07:56

Música pernambucana e só, em um evento pernambucano

Há muito não se tem notícias de fortes traços da música pernambucana, em um único evento pernambucano. Pois bem, foram assim os quatro dias de experimentalismo do Pré-Amp 2009. Um trabalho que conseguiu unir coco e hip hop, samba e rock, frevo e maracatu. E para muitos que não acreditaram no sentido de competência e profissionalismo, dado ao evento… Público presente, som de ótima qualidade — infelizmente algumas bandas não conseguiram mostar essa qualidade por conta de algo que já vem sendo discutido por muitos que procuram entender o sentido musical de cada artista, e por falta de um “mesário” não ter o conhecimento do produto apresentado, voltam de mãos vazias, ou pior, com opiniões adversas do que seria a banda e/ou o evento. Para uma banda que quer ter o seu devido respeito e espaço, não há nada mais importante que apresentar o mapa de palco e o “mesário”, este que é responsável pela resposta da platéia em contrapartida ao esperado excelente trabalho do artista, em cena.

Magia e energia espiritual que há tempos não se vê, foram sentidas, vistas no palco, que pagas com dinheiro público; há de convir que, foram dadas de presente, na já muito tempo registrada Rua da Moeda. Isso é o espetáculo. Se fosse por alguns, selecionar, dir-se-ia que a energia ficou por conta de Zé Brown, e seu já famosos trava-língua, que aguça uma disputa, mesmo com prévia de derrota, quem está pensando; e o Pocilga de Luxe, ainda que com um honroso brega de luxe, vem mostrando que só Paulo Francis foi p’r'o céu, em sua talvez carro-chefe, TIC. A magia deixa-se aos, quem sabe, alquimistas, isto é, Paulo Paes, um mutante em constante mutação, que não sabe quando parar, se a busca for pela espiritualidade em constância musical. Galo Preto… Estar de frente para o palco do Pré-Amp e vê-lo poetizar pagava-se qualquer aumento de combustível, sorrindo, até acordar! Tadeu Jr., que de fato merecido, afinal, ele foi escolhido pela roda de samba esta, composta por Paulo Pergigão (RJ) e a suave Selma do Samba. Conquistou o seu espaço apresentando à Moeda, a calmaria, o pensar com tranqüilidade e o sentimento de um autêntico samba pernambucano. E, por último, contudo, não menos importante, Isaar, que ao sentir a platéia tão carente, resolveu adotá-la por quase mais trinta minutos do seu já tempo estourado, tentar fazer fazê-los perceber que, com um pouco mais de calma, o dia amanheceria e já seria Carnaval.

Em suma, viu-se no sexto ano da Articulação Musical Pernambucana, grupos fazendo a junção de várias tendências expressivas de uma musicalidade extremamente pernambucana, explanando de todos od lados o que tenta ser mostrado, em apenas quatro dias.

E TOME FREVO
A idéia era pegar algumas músicas de frevo, umas mais conhecidas que outras, e deixar o pessoal livre para interpretá-la de alguma maneira nova e com a cara qque achassem melhor. Então não se surpreenda ao saber que a divertida “Metendo Antraz” não é de Fred 04 e do Mundo Livre S/A e sim de um frevo de Laercio Gueedes. Da mesma forma, “É de Fazer Chorar”, de Luiz Bandeira, apesar de muito conhecido ficou na com a cara do Eddie. Outra que ficou a cara do dono foi “Fogão”, originalmente de Sérgio Lisboa e que virou uma espécie de modinha no piano de João Donato. São tantas faixas boas que fica difícil parar por aqui. Mas ainda recomendo as versões de Céu & 3 na Massa, Erasto Vasconcelos, China & Sunga Trio e Edu Lobo para outros frevos conhecidos. E é de releitura em releitura que temos um álbum completo, com músicas bacanas que podem ser ouvidas em qualquer época do ano, e não apenas no Carnaval. Recomendadíssimo!

Autor: cleiton_shelley@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:


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