TOP 5 Melhores Capas de Vinil Brasuca
Em tempos onde música não tem mais formato, pelo menos físico, quis fazer uma homenagem ao bom e velho LP. Não posso negar também uma motivação afetiva para essa escolha. Tempos em que eu comprava os discos do Iron Maiden e ficava alucinado com os desenhos; ou os discos dos Secos & Molhados que me davam uma impressão muito estranha, com aquelas fotos dos caras maquiados; ou uma capa do Caetano Veloso em que ele aparecia dando um beijo na boca de um outro cara (em 80 e poucos, isso era muito impressionante!); ou um desenhos do Erasmo Carlos numa capa onde ele abria o peito literalmente, e de dentro saia uma pomba branca. Bons tempos. A capa quadradona, grande, de papelão, com encartes engenhosos. Numa época em que o vídeo clipe praticamente não existia, a arte do disco era a principal informação visual das bandas. Além do mais, chega de ficar falando de música. Bora ver essas capas!

N°1
GAL COSTA
India
Gal na sua fase tropicalista gostosona; ela era uma das cantoras mais desejadas da época. Na capa do álbum India, ela dá um “close” na ousadia, abalando ditaduras e desafiando padrões da época. No meio do mato, com cocar e colares de semente de guaraná, próximo do selvagem, do natural.
N°2
TOM ZÉ
Todos os Olhos
Capa mito. E a escolha vale pela história que ela acompanha. Conta o próprio Tom Zé que em plena ditadura o Décio Pignatari e uns amigos deram a idéia de uma capa provocativa, mas naquele esquema maquiado, para não ser censurada. Aproveitando o nome do álbum Todos os Olhos, eles, simplesmente, selecionaram uma modelo e, cheios de argumentos nobres de licença poética coisa e tal, convenceram ela a colocar uma bolinha de gude no fiofó para fazer as fotos! Tudo em nome da arte.
N°3
ED LINCOLN DE SAVOYA
Combo
É impressão ou as capas brasucas são mesmo muito sensuais? Na real, isso não vem ao caso agora, se é mais ou menos, mas o que vale é que essa foto toda vermelha, a luz estourada vindo de traz, uma loira nua com olhar de esfinge, a boca entreaberta parecem vindos de um sonho do Xixo Sá.
N°4
CAETANO VELOSO
Transa
Não dá para ver essa arte só como capa, mas por todo conjunto do encarte e música. Disco bom é assim, começa quando vocêe o pega nas mãos. E o cara realmente caprichou nas texturas e conceito. Mas reza a lenda que Caetano odiou a capa, principalmente porque não tinha nenhuma informação técnica, dos músicos, produtores, etc. Ainda bem que ele não era o Tim Maia; se não nego quebrava tudo.
N°5
NARA LEÃO
Dez Anos Depois
Retrato em preto e branco lindo da Nara Leão andando na neve, ou sei lá onde. Retrato bossa nova pura, classuda; época de influência do jazz e do avant-garde. Tudo isso e a caixa de texto bem simples anunciando: Dez Anos Depois.
*Pare para pensar, antes de qualquer coisa, sobre o que é o conceito de revolução no mundo musical. Quais são os artistas que vêm na sua mente? Mutantes? Michael Jackson? Chico Science & Nação Zumbi? David Bowie? Dependendo da sua formação musical estes nomes podem variar, mas a primeira coisa que precisa ser dita é: nenhuma revolução musical deixoun de passar pelas mãos dos grandes grupos multinacionais, coisa que quando o movimento Mangue Beat estava em alta ficou conhecida como cena.
*Há um problema comum quando uma banda começa a se destacar e se apresentar ao vivo: o fantasma da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) passa a assombrar a realidade dos artistas em busca de destaque.
*Se tem um sujeito na música brasileira digno de respeito e que até então não conseguiu um valor devido, este é Jards Macalé. Suas músicas e composições alcançaram, e ainda alcançam, vôos maiores do que ele, mas, diferente de ser lembrado como “o autor de Vapor Barato” ou como protagonista da polêmica canção/performance “Gotham City” no IV Festival Internacional da Canção, Jards é um sambista inquieto. Mas não apenas sambista, cla-ro. Ele poderia muito bem viver à sombra de seus velhos sucessos com shows quadrados e lineares, mas ele mesmo, fugindo ao apelido jocoso de infância, é respeitado na música brasileira justamente por quebrar e fugir dessas regras. Basta assistir um show dele para entender isso.
Lei de incentivo à cultura
Em meados de 2007, o Ministério da Cultura liberou a captação, pela Lei Rouanet, quase R$ 1 milhão para a gravação de um DVD de Vanessa da Mata. Alguns meses antes, o Cirque du Soleil veio ao Brasil finaciado por mais de R$ 9 milhões provenientes da mesma lei de incentivo. Numa época em que o Governo deixa de arrecadar cerca de R$ 10 milhões para que esses dois projetos sejam realizados, fica impossível não questionar o uso de dinheiro público para financiar produtos comrciais que tenham grande potencial de lucro. A discussão é antiga, mas essencial.
Agora o tchau
Tchau!