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Arquivo de fevereiro, 2008

06/02/2008 - 20:58

Nem só de frevo vive o carnaval do Recife

Hoje considerado um dos melhores festivais do Brasil, o Recbeat destaca-se pela diversidade cultural e pela experimentação musical e, além de tudo, pelo período em que acontece: o Carnaval. Investe na pesquisa para mostrar ao público o que há de mais novo — e alternativo — no front da cena musical, adiantando tendências e provando que nem só de frevo se faz o Carnaval do Recife. Este ano, foi realizado de 2 a 5 de fevereiro, entre o Sábado de Zé Pereira e a Terça-feira Gorda. Ligado em quem já fez história, além de nomes importantes do mangue beat e do maracatu, do reggae e da música eletrônica, o evento que acontece no Cais da Alfândega, Pólo Mangue, Recife Antigo, desde 2004 (começou em Olinda nos anos 1995, depois passou para o Recife), mostrou nessa 13° edição bandas consagradas brasileiras e outras não muito faladas, de fora. A VJ Milena Sá cuidou da projeção de imagens num telão durante cada show. Onde o DJ Bruno Pedrosa sacudiu a platéia nos intervalos, com um set de faixas de discos produzidos por ele, como o projeto solo de Cannibal, DJ Salvador e Collection de Remixes Transformers.

Na primeira noite, teve o Pato Fu, um dos grandes nomes da música pop nacional. No palco do Cais da Alfândega, a banda realmente provou sua eficiência no papel de “independente”, desde o lançamento do último álbum Daqui pro Futuro, no ano passado. O grupo de John Ulhoa e Fernanada Takai apresentou novas canções como Woo e hits como Perdendo Dentes, Eu, Ando Meio Desligado, Sobre o Tempo, Canção Para Viver Mais e Depois, promovidas pelo “momento descarrego”, nas palavras dela, quando vestiu orelhinhas de diabo e bradou Capetão, emendando Made in Japan. O bloco Quanta Ladeira, comandado por uma equipe já conhecida, leia-se: Lenine, Lula Queiroga, Silvério Pessoa e Zé da Flauta, existe há mais de 10 anos e veio com o intuito de fazer paródias em cima de músicas que todo o mundo conhece, dum tipo bem engraçado e politicamente incorreto.

Devotos — que havia cancelado o show — & Clemente (dos grupos Inocentes e Plebe Rude/SP) – comemorando 20 anos da banda, fizeram um dos melhores shows do Recbeat. Móveis Coloniais de Acaju, banda de destaque entre os independentes do Brasil, ali, ao ar livre, em plena folia, só multiplicou a agitação da festa. Antes deles, Marina de La Riva (foto de abertura), filha de pai cubano e mãe brasileira, que com seu samba latino, clássicos do cancioneiro cubano e poses sensuais fez a festa dos fotógrafos, cantou o hino de Pernambuco para conquistar o público. E como esquecer da voz de timbre peculiar acompanhada por batidas percussivas de Isaar? A cantora se apresentou com um repertório que juntou toda cultura do folguedo de cavalo marinho e dos afoxés com elementos da cultura da Zona da Mata pernambucana. O Pânico, banda chilena, entretanto, ficou no time das curiosidades e, por isso, foi de assistir em cima do muro, sem grandes expectativas.

Já o pessoal mais descolado se debulhou em diversão com o novo CSS, isto é; a dupla brasiliense de “electro-fashion-neo-pop-retrô” Lucy And The Popsonics. Fernanda Popsonic (baixo, voz e programações) e Pil Popsonic [guitarra, voz e programações], os dois e únicos integrantes atacaram impiedosamente com as canções do CD de estréia, chamado A Fábula (ou a Farsa?) de Dois Eletropandas. Por ironia, rolou até uma homenagem ao Sepultura, com participação especial de F. Nobre, vocalista da banda MQN. O evento também apostou em bandas locais e recém-formadas a exemplo da dupla recifense Júlia Says. Surgida em agosto do ano passado, Anthony Diego e Paulino Nunes trouxeram sua vertente sonora com bases de electro rock (beats sintéticos), bateria, guitarra e, claro, sintetizadores virtuais. Na ala gringa, o trio de irmãos senegaleses Les Frères Guissé chegou ao festival como uma catarse, mostrando o que há de melhor nos mais tradicionais ritmos africanos.

E surpresas não faltaram no Recbeat 2008, como foi o caso do chamado Palco 2, ou seja: além do sempre esperado palco do Cais da Alfândega, o festival teve ainda outro no Nascedouro de Peixinhos, em Olinda, que trouxe o Maracatu Nação Axé da Lua, boTECOeletro (RJ), Devotos novamente (só que sem Clemente), Cordel do Fogo Encantado entre outros. Não deixa de ser um sonho realizado este padrão de festival gratuito e multifacetado que, mesmo em fase de “testes”, promove uma ampla celebração musical.

Autor: cleiton_shelley@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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