Na caça aos leões tudo é válido, inclusive fazer cópias.
O original ganhou o bronze, então olhinhos cresceram e imaginou-se que a máxima “o tempo apaga tudo” seria válida para o Festival de Publicidade de Cannes, também.
Em1999, a agência Galaxy, de Singapura, teve um belo insight e criou para a Koning Razors um Print de arte bem simples e formato comum, que pode até mesmo passar despercebido; mas a originalidade do conceito, além de levar o Leão de Bronze daquele ano ainda serve de “inspiração” para outras agências, com contas do mesmo tipo de produto, até hoje.
Exemplos disso são:
Print do Labelle Women Razors, da Agência indiana Mindspace, que no ano de 2003 figurou no arquivo de Cannes.
Print da Gillette, criado pela BBDO, de New York, intitulado “We love a challenge”, que em 2009 conseguiu fazer parte do “Cannes Longlist”.
Até agora estou tentando entender o desafio… por acaso seria plagiar sem ser processado?
Mas o original, o primeiro cacto a vencer um Leão é esse aqui da Galaxy.
Alguma dúvida quanto ao PrtSc > Mudança de marca > Print?
Ideias estranhas + cola instantânea = boas risadas e alguns micos.
Em 2004, a Henkel Loctite, produtora da Super Bonder, teve seu vídeo “Goleiro”, criado pela agência DM9/DDB, premiado com o Leão de Bronze, no Festival de Cannes. O vídeo usa e abusa da persuasão imagética para mostrar o poder de fixação e a rapidez de ação da cola instantânea.
Então, em julho de 2008, a Globo.com entra no ar com a Campanha “ideias bizarras”, criada pela W/Brasil, para divulgar seu portal. A linguagem dos comerciais tem a mesma estética dos vídeos postados no YouTube, justamente por esse ser um dos principais concorrentes do portal.
Em um desses vídeos, assim como no da Super Bonder, a intenção era mostrar o que daria juntar uma péssima ideia com uma cola de ação rápida, mas com boa fixação. É óbvio que não é um plágio, mas foi, no mínimo, publicidade gratuita para a Super Bonder, que embora desfocada tem o design da embalagem bem assimilável à marca.
Esses são bons exemplos de comerciais que partiram de um mesmo tema “ideias estranhas/bizarras” usando o mesmo produto-chave, mas que na sua essência são bem distintos, tanto na linguagem usada, como no roteiro, na mensagem transmitida e principalmente, no público-alvo a ser atingido.
De tanto fazer pesquisas sobre plágios dentro da publicidade, cheguei à conclusão que muitas pessoas, algumas até se dizem especialistas no assunto, chamam de plágio qualquer peça que apresenta um mínimo de semelhança com uma outra, sem ao menos verificar se isso realmente caracteriza um plágio ou se foi apenas uma referência; e na pior das hipóteses tem gente chamando de plágio peças que sequer conversam uma com a outra. Ex: http://blig.ig.com.br/natocadaleoa/2009/…
Então vamos esclarecer uma coisinha:
* Plagiar é copiar o trabalho/ideia de outrem, sem fazer referência ao verdadeiro autor.
Um desses casos de plágio que não é plágio, é o vídeo da Olympus, The Pen Story. Aos desavisados que foram logo atacando, podiam ao menos ter lido a descrição do vídeo e verificado que há um agradecimento aos “artistas do stop motion que foram fontes de inspiração” para criação.
O desenvolvimento estético do stop motion da Olympus foi inspirado no vídeo “A wolf loves pork”, de Taijin Takeuchi, e bem no início dá pra identificar uma referência ao mesmo. Mas, fora isso os roteiros dos vídeos não têm nada a ver.
O bom desse caso é poder ratificar que ainda existe publicitários preocupados com a ética e o respeito ao público: depois dos comentários sobre o possível plágio, a equipe da Olympus se posicionou deixando explícito, além da referência no vídeo, que ele foi inspirado no “brilhante trabalho de Taijin Takeuchi”, o qual seria o melhor jeito para “descrever a verdadeira jornada do tempo” dos 50 anos das máquinas fotográficas da Olympus – Concordo com eles.
Duas agências foram chamadas, os clientes investiram suas verbas em grandes produções, e no final cada agência ainda pôde dizer que a originalidade lhe pertencia.
If I should call you upInvest a dimeand you say you you belong to me(Happy Together – The Turtles)
A primeira versão veio da Smiths Chips, veiculada na Austrália. A mensagem transmitida tem uma função clara de apelar para a emoção ao sugerir que apesar do trabalho duro (dirigida ao target de classe financeira mais baixa) os consumidores dessa batata se sentem felizes e, principalmente, pertecentes a um grupo social.
Aproximadamente 1 ano depois a JWT “teve” a mesma ideia para o Focus, mas apesar de ser a mesma base criativa, bem como a mesma trilha sonora, são VTs diferentes no seu desenvolvimento e nas mensagens transmitidas.
Aqui, a mensagem é institucional e transmite a missão da Ford com seus consumidores, que é de ser uma família (funcionários de diversas áreas) que trabalha com orgulho e compromisso (funcionários felizes e projetos desenvolvidos fora do horário exigido pelo expediente) para oferecer produtos que melhoram a vida das pessoas.
Essa é a prova de que não é porque pessoas tem ou usam a mesma ideia que necessariamente o resultado será idêntico. Pois, tanto o Focus quanto a Smith Chips conseguiu, partindo de um mesmo princípio básico (produtos desenvolvidos para trazerem felicidade) alcançar seus propósitos com mensagens distintas.
Essa técnica não é nenhuma invenção moderninha do século XXI, embora, é óbvio, que agora esteja muito mais evoluida; e vem sendo extremamente usada pelo cinema e pela publicidade.
O primeiro a usar o stop motion foi Mélies, um ilusionista francês que em 1902 usou a trucagem de imagens para fazer o filme “Viagem a Lua”, o qual foi um grande sucesso artístico e comercial pelo mundo inteiro. Hoje o stop motion já se dividiu em Brickfilm (animação com legos), Claymation (animação com massinha ou plasticina – um exemplo é o filme “A fuga das galinhas”) e Pixilation (animação de atores ou objetos reais). Em qualquer uma dessas modalidades, a técnica consiste em fotografar quadro a quadro, sendo que cada segundo contém 24 quadros; depois esses quadros são montados sequencialmente criando a ilusão de movimento.
E o foco do Blog? Então! O clip da música “Her Morning Elegance”, de Oren Lavie, tornou-se um grande sucesso mundial por ser um trabalho de stop motion muito bem executado, com iluminação, marcações e montagem perfeitas. Já o VT do IESB, feito pela Agência Bess, tornou-se notório no Distrito Federal, porque é praticamente o gêmeo mau do clip de Oren Lavie.
A versão mal-finalizada e com iluminação ruim do vídeo do Lavie teve grande repercussão aqui porque além de ser cópia, a maioria das pessoas o associou ao ensino da faculdade, que é particular, e aos alunos de publicidade da mesma, e isso gerou muitos conflitos; mas eu acho válido dizer que quem errou foi a agência que “deu uma chupada” legal no outro vídeo, copiando cenário, técnica e movimentos e também o Diretor do IESB, que aprovou o VT sem buscar conhecer suas “referências” ou saber o porquê e como a idéia de sua criação surgiu.
Como se não bastasse o IESB, a Riachuelo resolveu entrar no páreo de “quem faz o melhor plágio de Her Morning Elegance”. Ok! Esse VT nao é idêntico a nenhum dos outros dois, mas vamos ser sinceros né, mesmo cenário, mesma técnica, mesma abertura, movimentos dos modelos iguais e casalzinho feliz e româtico na cama é coincidência demais. E pra completar, alguém aí me explica por que o movimento das pernas do casal parecem mais movimentos de rãs?
E, na minha opinião, a Riachuelo podia investir em uma produção mais decente: É quase palpável alguns “pulinhos” entre frames.
Quem acha que outdoor se resume a uma placa gigantesca com tamanho fixo de 9X3m e 32 cartazes colados estaticamente, não conhece as muitas oportunidades de exploração que essa mídia permite.
É fato que o outdoor é uma mídia alternativa de grande impacto e grande abrangência, mas para um outdoor se tornar um viral e quebrar aquela famosa regrinha de “mensagem concisa e sintética porque o target não para pra ver”, ele precisa, com o perdão da expressão, ser “muito do caraleo”!
E essa é a nova aposta das agências pelo mundo inteiro, veicular outdoors interativos que façam as pessoas pararem no meio das ruas para ver e se envolverem com a mensagem de todas as maneiras possíveis. Ok! Aqui no Brasil a gente ainda não vê muto esse tipo de propaganda mas já podemos pelo menos vislumbrar algumas intenções, como outdoors com música ou com cheiro, esse último veiculado na grande São Paulo por uma churrascaria.
Como exemplo de outdoor interativo, os mais conhecidos ou comentados são: Pepsi (feito pela BBDO Canadá), veiculado em estações de metrô onde a pessoa podia inserir seu fone no “outdoor” e ouvir uma mensagem; MacDonald’s (Sandalo Comunicação), veiculado no Piccadilly Circus em Londres, mostrava imagens diversas e engraçadas, feitas com LEDs coloridos, com as quais os turistas podiam tirar fotos; e Adobe, veiculado em NY, este tinha sensores de movimentos que funcionavam como uma barra de rolagem, assim as pessoas podiam modificar as cores e sons e fazer animações no outdoor apenas se movimentando em frente a ele.
Mas, na minha opinião o melhor de todos é o da HP, feito pela Squad para divulgar o TouchSmart, na cidade do México. O outdoor contava com acrobatas de verdade, que se movimentavam sobre o painel para demonstrar a funcionalidade do produto.
Um exemplo bem recente é o do Peugeot 3008, feito pela Euro RSCG, de Bruxellas, para divulgar a tecnologia Control Grip do produto. A ideia é praticamente a mesma da HP de colocar algo imediatamente sobre o placa do outdoor para demonstrar a funcionalidade do produto, mas além de ser muito pequeno para ser visto de longe o carrinho ainda dá umas travadas em alguns pontos do percurso.
A nova onda do momento é a utilização de paródias de músicas do chamado brega-pop-industrial, o que na verdade é só um nome extenso pra falar de músicas ouvidas pela classe C, seja em casa, na rádio ou mesmo ocasionalmente em barzinhos ou churrascos.
E, o melhor é que essas paródias não são mais apenas simples trilhas baixinhas servindo só de background, agora elas são elementos importantes das propagandas e constituem um narrativa sonora de destaque, que chamam e prendem a atenção do público-alvo. E aí está a grande sacada, tirar a locução chata e fazer o público se divertir com o comercial, o que consequentemente aumentará o share of mind, seja pela própria associação com a música real quando ouvida, seja pelo “boca-a-boca” do vídeo (afinal, quem nunca postou no twitter ou no seu blog, comentou no msn ou com amigos sobre alguma propaganda que achou muito legal?)
Um dos exemplos mais recentes dessa tendência é o comercial da Net Combo, que parodiou a música do Wando, que em termos de “brega-romântico” só perde pra Reginaldo Rossi.
Seguindo essa mesma linha de execução estética (cenário) temos o comercial do Neutrox, que mesmo sendo mais antigo ainda é visto e comentado até hoje no youtube.
Mas, fala sério! Mais pop que o gênero musical só mesmo o Sidney Magal. Além de estrelar o comercial do Neutrox ainda teve sua música “Tenho” parodiada para um comercial recente da Vivo.
Mas, por que tudo isso? Porque a classe C é que move a economia, porque a renda dessa classe aumentou consideravelmente segundo dados do IBGE, porque embora não seja a de maior poder aquisitivo é a de maior número de pessoas no Brasil e fazendo comerciais com os quais ela se identifica aumenta as chances desses produtos serem assimilados, lembrados e é claro, consumidos.
Que confusão!!!
Primeiro veio a F/Nazca e abriu as cortinas vermelhas para um parafuso “irritantemente feliz” dizer que os leitores da Revista Piaui tem um parafuso a mais. Então veio a África e abriu as cortinas vermelhas para Nostradamus fazer previsões para a Folha de São Paulo.
E bastou isso para sair em vários sites e jornais que a F/Nazca iria entrar com representação no Conar contra a África. Mas, será que usar o mesmo início nos VTs pode ser considerado plágio ou seria simplesmente uma coincidência? Afinal, além da cortininha vermelha, que é usada no teatro, e da animação de objetos que naturalmente são inanimados, por sinal uma técnica muito comum no mundo publicitário, não há outros pontos que possam ser considerados plágio.
Mas, melhor que descrever é mostrar os vídeos.
Claro que a maioria das pessoas vai dizer que a F/Nazca foi arrogante e que os VTs além da cortina vermelha na abertura não tem nada a ver… Concordo e até mesmo Fábio Fernandes (Presidente e Diretor de criação da F/Nazca) concorda com isso; pois ele próprio divulgou no site do CCSP que não autorizou o uso do nome da agência na abertura do processo e que nem mesmo foi consultado sobre esse assunto, mas que o cliente e alguns profissionais da agência “identificaram” o plágio e queriam processar a África; mas ele, publicamente, pediu desculpas tanto para a África quanto para a Folha de São Paulo e também pediu o encerramento do processo no Conar.
Mas, por que o nome do post é “Quem veio primeiro, Nostradamus ou Darcy Ribeiro?”?
Porque essa confusão toda chamou a atenção de um terceira agência: A Zuco, de Santa Catarina. Segundo um dos criadores dela, a primeira peça desse triâgulo nada amoroso foi criado pela Zuco para a Uniplac e esse sim foi plagiado pela África.
É! Dessa vez dá até pra concordar que a África copiou, sem vergonha alguma, a estética do VT da Zuco, mas também não se pode dizer que foi plágio, porque os roteiros são bem distintos e essa estética de colagem e animação já vem sendo usada tanto no cinema quanto na publicidade há muito tempo.
Um grande diferencial de mercado é saber descobrir novas oportunidades e usá-las a seu favor; e isso vale para administradores, planejadores, redatores, diretores de arte, produtores ou para qualquer pessoa que queira se dar bem na vida.
A Propaganda de Oportunidade é isso aí: aproveitar eventos de notória repercussão ou até mesmo fatos e fofocas que tiveram grande destaque na mídia para fazer o anunciante se dar bem.
A Agência Lew Lara aproveitou o São Paulo Fashion Week para divulgar a imagem institucional da Tim associada à moda e às diferenças entre as pessoas.
Do outro lado, a Mais Comunição Integrada, de Mossoró, aproveitou que o tempo tinha passado, para usar o comercial da Lew Lara. É verdade que Drummond dizia que para ser original o primeiro passo é imitar os “clássicos”. Mas acho que a Agência Mais levou isso muito ao pé da letra e acabou caindo na rede como plagiária e manchando a credibilidade dos publicitários. Afinal, a Mais até poderia ter usado o mesmo conceito já que se tratava de um loja de moda, mas copiar ipsis litteris é deMais e pra completar, a produção ainda deixou a desejar: os modelos se movimentam como se fossem zumbis e deixar “ruídos” bem embaixo da marca do anunciante é mais um crime pelo qual a agência é culpada.