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18/08/2009 - 23:48

Vejo-te, Deus do Tempo

O péssimo é ser adulto, sério e esmagado pelo mundo pequeno. Eu não! Continuarei com essa habilidade, a de poder me imaginar sobre a superfície de Dione ou Tétis, e perder o fôlego, em total entrega contemplativa, com a majestade de um céu negro, monopolizado pelo deus Saturno e seus helênicos aneis. Ele, que tende a me paralisar por sua vasta indiferença. Eu, que heroicamente desejarei conhecê-lo.

por Paralelo, argonauta do sistema solar

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/05/2009 - 18:35

Desafio pessoal: RESET

Eu mereço um favor, ponto. Sabem o post “Contra o Determinismo”, pouco mais abaixo? Finjam que o postei hoje!

por Paralelo, trapaceando a si mesmo…

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/04/2009 - 11:41

Belém, antes que eu me esqueça…

Primeiro, eu de óculos. Que tal?


Ok. Brincadeira.

Clássicos

Belém, na verdade, foi um arco da minha vida de alta ascensão, que inclui desde pouco antes de eu viajar pra Belém até pouco depois de eu retornar de lá – passando por lá, claro, rs.

Só clássicos: ouvi a voz de Maíra, conheci (mais que isso, rs) Bianca na rodoviária, retornei a Belém, revival de porres com meu pai, consolidei minha amizade com Júnior, avancei minha amizade com Allan, revi João Paulo (amigo de adolescência), tive obrigatórios momentos de alta nostalgia com Fabrício (amigo de infância), salvei minha relação com Nívea (de vez, de vez!), até pude rever Andreza (paixão não vivida antiga – mas só revi, rsrsrs), aí voltei pra São Paulo… E como a vida com Lê remoçou! E Bianca tem mesmo tudo a ver comigo! Idem Michelle, o que já não era novidade; ela que, de seus abismos, soube conquistar minha amizade pra sempre – “e aquele projeto ainda estará no ar”… ? Só o Deus do Tempo dirá.

Sem falar nos queridos paspalhos relativistas do III-EI, rs.

Mas isto está em detalhes no outro blog.

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Ok, Belém + +

Se é que alguém não sabe, nasci em Belém e lá vivi até os 24 anos. E, agora, aos 26, estive lá por dois meses, entre dezembro e fevereiro últimos. Sim, as festas – que passei com meus melhores amigos e companheiros de aventuras e idéias. Na verdade, reforçar meu vínculo com eles foi a razão maior de minha viagem. São pessoas centrais na minha vida, e ter passado dois anos longe era um problema – apesar de que cada um deles esteve, em 2008, aqui comigo por uma ou duas semanas. Mas que pouco!

Também revi familiares, o que no meu caso é algo a ser observado. Sou praticamente antifamília, nutrindo a idéia de que o vínculo familiar é por demais biológico e automático pra um idealista como eu levar a sério. Prefiro mil vezes, e são o centro de minha vida, as relações de amizade – estas que se escolhe. De todo modo, como qualquer pessoa sã, tenho prazer ao rever e estar com meu pai, minha irmã, mesmo minha… hum, pensando bem é só.

Seja como for, parece certo que vou repetir a dose na virada 2009-2010.

Fez bem. Que mal tem?

Fora o que não posso contar…

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Um Novo Olhar

Agora sim! Até que a miopia caiu bem! (espero, err…) =)

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E a guerra ao determinismo?

É, fiquei de ir contando aqui.

Uma vitória colossal: pela primeira vez estou malhando regularmente. O longo texto sobre o III-EI também ficou pronto há séculos, disponível no outro blog. Dêem-me nota 6,5 para a louça, rs – e melhorando, espero. Sobre as consultas médicas, bem, estou de óculos, não? Verdade que – sim, sim – andei procrastinando um exame que devo pegar =X (pshhh, não espalha!). Também nada de malhar de manhã, mas é porque realmente não é boa idéia por hora. Textos do site? Escrevi meia matéria um dia desses… Até que tenho dormido ok. E comecei a estudar lógica, com sucesso! O resto ainda estou sintonizando, err… O maior fator surpresa de distração foi o programa Mythbusters, da Discovery, que peguei o vício de assistir… Falo mais dele na próxima! E, da próxima, também faço uma análise mais imparcial e dura do meu desempenho, rsrsrsrs… Estou complacente hoje!

por Paralelo, intelectual visu ON

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/03/2009 - 00:42

Contra o Determinismo

Mesmo que nunca se perceba
a nossa coragem
vai brotar de todos os lugares
como plantas num jardim
vai enfeitar a nossa mente
de razões e ideais
e ninguém mais além de nós
nos poderá deter

- Biquíni Cavadão, O Sabor do Sol

Este título não se refere aos 50 aforismos sobre livre-arbítrio que escrevi semana passada, dando tratos a uma teoria maluca que me ocorreu. Aqui, no espírito deste blog, a questão é pessoal. No terceiro encontro intelectual, defendi a possibilidade de fazermos o que é melhor pra nós, independentemente de nossas tendências a fazer menos, sermos preguiçosos, perdermos o fôlego. Acharam isto absurdo. O que eu estava fazendo era, segundo eles, defender uma visão ingênua de “força de vontade”. Já era tempo de eu me conformar com o fato de ser escravo da imperfeição de meu cérebro de primata. Afinal, pessoas que querem emagrecer, engordam; abstêmios voltam a ser alcoólatras; vestibulandos vão pra farra quando eles próprios prefeririam estar estudando – mas não conseguem. Diego, por exemplo, queria seguir uma dieta exótica, capaz de ajudá-lo a morrer o mais tarde possível; e não conseguiu: disse-me que foi impossível conseguir. Ele não tinha opção, afinal. A vontade é irrelevante.

Não sei como os resultados cambaleantes da filosofia analítica de entressafra podem ser tão persuasivos pra essa gente inteligente. O que vou tentar fazer aqui é provar, com meu exemplo pessoal, que eles sem dúvida estão errados. Vou mostrar como posso e vou fazer 100% do que tenho vontade.

Começo analisando meu futuro de curto prazo. Qual o melhor que posso fazer?

Temos uma tendência (que não é determinista, contudo) a procurar o prazer de curto prazo, mesmo que isto nos impeça ou dificulte de conseguir muito mais prazer, e sem dor, a médio e longo prazos. Então, se eu sei o que é que me distrai desse modo, é só deixar de fazer. Insisto nisso: em vez de impossível, é algo de todo simples. Vejamos uma lista de minhas distrações habituais:

• Enrolar em madrugadas na net.
• Estender conversas casuais com Lê.
• Ficar demais no Messenger.
• Ficar deitado pensando em como levantar.
• Perder tempo com games e nulidades no micro.

Não vejo como não seja simples parar com elas. É só parar, oras!

Distrações cortadas, o que deve ser feito?

Agora, preciso fazer coisas bastante claras:

• Começar a estudar Lógica. E terminar.
• Concluir textos sobre o III-EI, para o blog do site. (começo já, já!)
• Malhar todos os dias – menos que isso é jogar fora a semana de treinos.
• Malhar pela manhã, para aproveitar o ganho intelectual no resto do dia.
• Dormir cedo, acordar cedo – a parte difícil (enquanto não chega o Speedy!).
• Não perder as consultas médicas (vide post abaixo).
• Escrever para o site.
• Escrever… (coisas minhas, rs).
• Lavar as louças com pontualidade decente! (desafio supremo)
• Contar o desenrolar dessa história aqui neste blog. (começando agora)

É claro que, como todos, vou perder o ânimo. Mas e daí? Quem precisa de ânimo pra fazer o que é preciso se, a cada momento, basta pura e simplesmente fazer? Claro: há atividades que dependem de ânimo para serem feitas. Escrever, por exemplo. Mas malhar, não. E, se eu malhar sem ânimo, o resto do dia será animado. Fato. E dá pra ter ânimo ao malhar: só dormir bem. É preciso transformar o objetivo geral num círculo virtuoso, ou tudo será um martírio. Mas, mesmo sendo um martírio, será um martírio temporário e, no final, estarei melhor do que se tivesse escolhido qualquer alternativa.

Portanto, fazer tudo isto o que me proponho é o melhor a se fazer.

Nada me impede, a não ser meus ânimos internos, minha “força de vontade”. E o que estou dizendo, em oposição ao que me disseram no III-EI, é que eu não sou escravo de meus ânimos internos: eles podem me forçar a sentir os meios que levam aos meus objetivos como desagradáveis, mas não podem me forçar a desistir de levá-los a termo.

No espírito do primeiro post deste blog, estou me impondo tarefas para melhorar meu futuro: minha saúde, meu intelecto, minhas relações. A vida é só uma e precisa ser aproveitada, afinal. Mas agora é mais intenso: estou me impondo fazer 100% do que disse acima. Caso eu não consiga, abro mão do meu ponto, em favor do argumento pessimista dos meus amigos do III-EI. Por exemplo, basta eu faltar a academia um dia, por uma razão que não esteja 100% fora do meu controle, e perdi meu próprio jogo.

A partir de agora: valendo!

por Paralelo, déspota absoluto de si mesmo!

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/03/2009 - 14:44

2009, Ascensão Metafísica, Queda Física

O post anterior foi profético, ao que parece. Estes primeiros dois meses de 2009 deixaram claro, pelo visto, como as coisas serão. Sorte no amor e azar na saúde. Ok, não tão pessimista assim. Mas estou envelhecendo – Rá! Até a Mona Lisa envelhece, diabos! Deve querer dizer alguma coisa que, amanhã, vou procurar dermatologista, urologista, oftalmologista, dentista, otorrinolaringologista e talvez mais algum “ista” de que esteja me esquecendo (ou não – pelo menos a memória continua tinindo!). Enquanto isso a vida emocional segue um paraíso. Quantas pessoas queridas, amadas, fabulosas! Quer saber? Isso é bem melhor do que se fosse o contrário: saúde 100% e um horizonte solitário adiante. Não, nem pensar. Mas só devo estar dizendo isso porque não creio ter qualquer problema realmente grave, rs. Pshhh! Não espalhem…

De todo modo, se há um Deus, ele parece achar um tédio assistir a uma vida sem problemas – mais ou menos como nós, suas criaturas, só gostamos de filmes com boa dose de drama. Em 2008 estive alinhavando minha caça por ótimas relações e amizades sólidas. É exatamente no período em que consegui isso da melhor maneira, que a saúde se sentiu à vontade pra falhar. Por exemplo, sempre enxerguei como uma águia! Não conheci ninguém que pudesse ler palavras numa distância maior do que eu conseguia. E, de dois meses pra cá, basta algo estar a dois metros de distância de mim pra começar a se tornar um borrão.

Ê, miopia!

Achei que os genes do vovô – que enxergou bem até o fim de seus 94 anos, sem óculos – fossem dar conta de meu exagero em leituras (11 livros no último mês e meio) e monitores (o tempo todo no computador, é claro!)… Não aconteceu, rs. Aos quase 27 anos, será minha vez de usar óculos. Ok. Justo. A vida é boa. Mas não dava pra ser perfeita, né? Esses deuses dramaturgos…

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Ok, o blog é pessoal, mas ainda assim minha saúde é um detalhe. Sou, sobretudo, um pensador. E estou na agradável ressaca do Terceiro Encontro Intelectual, ou simplesmente tri-ei. Meus amigos burgueses (na medida em que tal expressão, vinda de mim, possa não ser um paradoxo, rs) conseguiram algo realmente pomposo desta vez! À parte os debates e apresentações (palestras sobre temas específicos de cada um), tivemos piscina com tubarão de plástico e vista pro rio; debates deitados em estrela na grama; pega-pega!; gincana de regras aleatórias; stop com categorias absurdas (tipo “o que você pode fazer com 4 almofadas?” – fiquei em segundo, rs); laser verde que nos fazia sentir Deus apontando aquele facho infinito pras estrelas; e outras tantas micronerdices divertidas…

Quanto às idéias, do meu ponto de vista o tri-ei foi uma longa batalha que travei, em diversos setores, contra cinco relativistas enrustidos, rsrsrsrs. Todo pensador e filósofo racionalista teme duas coisas: relativismo e metafísica. Mas é difícil evitar ambos! A turma de lá prefere arriscar cair no relativismo; eu prefiro arriscar cair na metafísica. A parte técnica disso é o que pretendo elaborar para colocar no site e no blog do site.

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Falar em site, só falta alinhavar minha apresentação contra os memes, que defendi no tri-ei, para colocá-la ali. E talvez outra sobre indutivismo – minha teoria pretensamente revolucionária sobre a fundamentação racional, negada desde David Hume, das afirmações indutivas (”se o Sol sempre nasceu, provavelmente nascerá amanhã”); mas esta precisa lapidar mais pra publicar.

Além do quê, estou enxovalhado de livros pra ler; e reler! Em Belém (putz, preciso contar com foram meus dois meses em Belém, rsrs… esqueci – e retiro o que disse sobre minha memória, pois!) comecei o projeto de ler toda a obra de Nietzsche, a fundo. Li cinco livros dele, fiz 60 páginas de anotações… Agora devo ler o sexto, Aurora, cuja tradução premiada me foi patrocinada pela “Fundação Lúcifer” (rs). Ok, há mais livros aqui, e motivações diversas pra lê-los… Depois conto!

P. S.: Ontem foi um dos melhores dias da minha vida. Segundo encontro com Miss BiSS, meu novo (poli)amor, maravilhoso!! \o/

por Paralelo, digamos que envelhecendo bem, rs…

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/12/2008 - 12:43

Random Reload

Céus, não creio que meu último post aqui foi em junho!

E, pior, que este é o terceiro post do ano!

É que minha vida foi boa o suficiente para que eu não pudesse falar da minha vida pessoal sem, ao mesmo tempo, falar da vida pessoal das pessoas que amo, adoro, gosto. Quantas vezes comecei a escrever pra cá, e descobri que simplesmente não havia um modo de dizer, sem entregar detalhes demais?

Um resumo por parábolas:

Um novo amor que se torna tão forte; um velho amor que se apaixona por quem não devia; um inimigo que se torna magicamente aliado; o rever grandes amigos pessoalmente; uma paixão frustrada que se torna uma bela amizade promissora; uma bela e nova esperança no ar (vago, né? É uma pessoa…); minhas queridas do oeste – incluindo uma calorosa sucubus, hihihi (ela vai se reconhecer); ter que ficar assistindo parado os dramas da dama (isso foi ruim); o correio trocado com a doce, mas ocupada, V; dois encontros intelectuais fervilhantes de idéias; presentes caindo do Sky, ou do disco [compacto] voador; os passeios turísticos paulistas, nas madrugadas com o Conde; as três crianças – nenhuma minha – que felizmente não nasceram (ano de muita sorte!); os longos debates com o filho de Deus; o correio unilateral pra princesa de neve (continua em aberto se ela merece, rs…

Sem dúvida, 2008 foi o melhor ano dos meus últimos cinco. E ainda estaria sendo, não fosse essa sinistra dose de azar que vem me perseguindo na última semana…

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É que eu deveria estar em Belém agora, pra ficar dois meses. Desde ontem, aliás. Saí de lá em fins de 2006, o que foi contado aqui nesse blog. Mas tive que adiar a viagem pra próxima terça, graças a uma gripe fora de hora que peguei. E a gripe passou. E, assim que passou, me apareceu uma dor inexplicável no que talvez seja a próstata, ou bexiga. Ontem já passei o dia inutilmente preso a uma cama de pronto-socorro, com meu braço preso ao soro, por 9 horas. Um dos maiores tédios da minha vida! E tudo para esperar os resultados dos exames de sangue e urina que, enfim, não deram nada – talvez indiquem infecção, pelo que o doutor me passou 5 remédios (esses médicos… foi assim que mataram o Coringa!) que, dando o azar de ser sábado, só poderei pegar segunda.

E a viagem é terça. Dois dias e meio de ônibus!

Provavelmente, devo adiá-la outra vez. Se a empresa permitir.

Um fim de ano histórico talvez esteja começando a se complicar…

Vejamos no que dá.

P. S.: Não vou me esforçar pra atualizar mais esse blog. Como eu sempre me engano quando afirmo o contrário, quem sabe me engane agora também!

por Paralelo, com sorte no amor e azar na saúde?

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/06/2008 - 03:01

Ménage à trois com Aristóteles

Há talvez um ano comecei a ler História da Filosofia, de Reale e Antiseri, com minha amada Lua. Coitada: quando chegamos em Aristóteles, ela travou. Todo aquele papo de “Motor Imóvel”, “potência e ato”, “causa eficiente e final”, “categorias do Ser”, “forma, matéria e sinolo”, e coisas piores, fez a mente dela entrar em parafuso. Aí, ficamos de recomeçar Aristóteles do zero, e ficou na promessa.

De lá pra cá, Lua leu muitas outras coisas: da seleção natural e ateísmo de Dawkins, passando pela unificação entre biologia e sociedade de Robert Wright (no magnífico Não-Zero), até os tomos bíblicos de Steven Pinker sobre a natureza humana. Ah, mas teve mais: a filosofia materialista de Daniel Dennett, em A Perigosa Idéia de Darwin e Quebrando o Encanto, outros livros sobre o cérebro, e ainda umas boas olhadas nos mistérios da física, através de Brian Greene. Desnecessário dizer: todos estes livros incluem poderosas intuições filosóficas.

Wow, inteligência é algo que se aprende!

Recomeçamos a História da Filosofia há um mês, hoje (re)alcançamos Aristóteles e, maravilha das maravilhas, está sendo um deleite! Uma alegria ensolarada, uma contínua sensação de clareza e descoberta! Tanto pra ela – sorriso aberto por perceber o poder de compreensão que adquiriu – quanto pra mim – que no ato de explicar detalhes pra ela, percebo mais, e mais, e mais intuições profundas.

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Aristóteles, aliás, é o cara.

O sujeito olhava para os objetos físicos e, por puro raciocínio, conseguia ver duas coisas: forma e matéria. Esta não existe por si, mas depende da forma para existir. Quem disse? Sutilezas argumentativas! Uma matéria sem forma é algo inconcebível, toda matéria só pode existir se tiver uma forma. E a forma? Será que pode existir sem a matéria? Parece que não. Mas toda a filosofia de Platão, o mentor de Aristóteles, se baseava justamente nisto: o “mundo das Formas”, isto é, as coisas que existem independentemente da matéria. Então a substância da qual tudo “é feito” é, sobretudo, a forma.

Se já não estás familiarizado, você não vai entender Aristóteles num post de blog pessoal. Mas repare: tudo o que eu disse acima não tem cara de devaneio fútil, especulação gratuita? Sem dúvida, é o que parece. Então, digamos que seja mesmo especulação à-toa. Ainda resta um valor muito alto aí: o poder de compreender estas divagações filosóficas é, em si mesmo, o melhor potencializador da inteligência que conheço. De repente, você se pega compreendendo sutilezas que passam despercebidas à maioria, e agora em assuntos práticos, como a viabilidade de viver sem trabalhar (o ócio é parasitismo ou liberdade? Disso depende o ocioso sentir culpa ou alegria), e questões grandiosas, como a existência ou não de Deus. Seja como for, a filosofia fornece um upgrade intelectual capaz de dar asas a qualquer um.

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Imagine como me senti, eu que sou ateu, ao ver a maneira habilíssima como Aristóteles, naquela época, deduzia a existência de Deus dos fatos observáveis, primeiro mostrando que o Tempo é eterno, depois que o movimento está ligado ao Tempo (e também é eterno), e que é impossível que todo movimento seja causado por um movimento anterior, ao infinito. É preciso, argumentou o filósofo, algo imóvel para começar a história. Então inferiu a necessidade de um “Princípio Imóvel” que fosse a origem de tudo: Deus.

Mas e então? Como algo imóvel pode fazer outras coisas se moverem?

Aí a sacada genial.

Do mesmo jeito, disse Aristóteles, que a beleza de uma flor nos move até ela: a flor está parada, mas causa nosso movimento, pois nos causa desejo, atração e o objetivo de vê-la mais de perto. Assim é Deus: imóvel e atrativo. É, portanto, inteligência e finalidade do Universo. Assim, numa tacada, três coelhos! Deus existe, é inteligente e dá um objetivo ao Universo.

Continuo ateu, é claro. Por sutilezas além.

Mas a filosofia é magnífica!

E estou feliz de, enfim, conseguir compartilhar esta alegria com minha Lua!

por Paralelo, amando em camas metafísicas…

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/03/2008 - 03:01

Cafeína. Cérebro. Big Bang!!

O I Encontro Intelectual de amigos, do qual participei, teve pelo menos dois bônus explosivos – além de toda a maravilha que foi: pílulas de cafeína e episódios da série The Big Bang Theory.

A cafeína foi cortesia do cafeinômano Carlos Daniel, que não se contenta em beber muito café, e toma pílulas que aumentam em algumas vezes a potência do efeito. Ele me presenteou com algumas pílulas e, agora mesmo, estou sob efeito explosivo. A pobre Letícia experimentou e só conseguiu queimação intestinal e, pela agitação provocada, uma queimação de fato: ela caiu enquanto segurava uma panela de água fervendo e ganhou umas bolhas temporárias porém nojentas no braço – mas nada demais.

Em mim, contudo, o efeito da cafeína foi mágico.

Agora mesmo, lendo Breve História de Quase Tudo (outro presente magnífico do CD) “sob efeito”, eu consegui tal nível de concentração a ponto de apreciar os temas universais do livro de um ponto de vista da minha vida inteira, incluindo a suposta morte, numa verdadeira experiência panorâmica. O sentimento produzido foi de entusiasmo perturbador e pressa, muita pressa: preciso saber de muita coisa, preciso colocar meu cérebro a serviço da busca da verdade, preciso correr e ler e estudar tudo o que puder, na maior velocidade possível, pois tenho pouquíssimo tempo! É como se eu sentisse meus próximos 50 anos com a mesma proximidade com que se sente a próxima semana!

Obviamente que isto produz o sentimento sombrio de um moribundo, mas a grandiosidade de tomar sua vida inteira na palma da mão, e ter a clareza do objetivo idealista de conhecer o Universo o melhor possível neste tempo; e, sobretudo!, a esperança estúpida e poderosa de que talvez a morte seja adiável, adiável e até evitável (tecnologia é melhor que magia, mesmo se magia existisse!), tudo isto supera com facilidade o medo da morte, e o resultado é uma alegria tão intensa – que agora sinto – que, de modo estranho e divertido, quase chega a incomodar.

Que sentimento!

Esse é o tipo de detalhe que torna meu ateísmo tão convicto: como diabos este tipo de estado mental magnífico não é natural? Perto disso, nossa existência vulgar e sóbria é tão pobre… Obviamente somos fruto de uma seleção natural cega, e não de um criador inspirado (que obviamente poderia nos dar um estado mental ainda muito melhor do que o provocado pela cafeína).

Bem, fora a cafeína do CD, há o seriado do Pierre.

The Big Bang Theory é uma sitcom nerd, onde quatro jovens inteligentíssimos e a loira mais deliciosa que já vi na vida interagem socialmente do jeito que dá. Não se passam dez segundos sem alguma fala muito engraçada, quando não genial. Espetacular. O Pierre me passou os 8 primeiros episódios legendados. Devo procurar mais assim que puder – se Lost deixar tempo pra isto. Aliás, a quarta temporada de Lost consegue ser melhor que a terceira, pqp…

No encontro Vitor provou a cafeína e disse se sentir um Deus.

Agora entendo!

\o/

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P.S.: relendo o post acima, agora que estou “sóbrio”, percebo nitidamente o quanto estava alterado! Mas foi realmente incrível. Há pouco, no messenger, disse ao próprio Carlos Daniel: “o fato de que eu não existo naturalmente no estado em que a cafeína me deixou deve ser, hoje, a melhor razão pra não crer em Deus…”

P.S.²: Nuss, quanto tempo fiquei sem postar. Recentemente, foi por falta de computador, que estava pra conserto. Antes, foi por causa do citado “I Encontro…”, antes ainda… ah, preciso admitir: foi pura preguiça! Tive idéias, comecei vários posts, mas – como diz Skylab sobre seus cursos de informática – “não concluí porra nenhuma!”

por Paralelo, em um estado alterado de consciência…

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/12/2007 - 14:50

Sinal de Vida Inteligente na Cidade

Forças inexplicáveis me levaram a passar três dias em um hotel . Em uma de minhas saídas, o rapaz que ali trabalhava foi arrumar meu quarto e deparou com A Perigosa Idéia de Darwin, de Daniel Dennett, livro que levei pra me distrair. Quando voltei, fiquei sabendo, porque o rapaz me chamou e, interessado, quis saber sobre minha leitura. Aquela conversa boa: é raro ver pessoas jovens lendo coisas assim, hoje só há futilidade, etc. Também fiquei interessado na abordagem, é claro. Já estou há um ano nesta cidade e ainda não conheci ninguém capaz de falar de idéias com profundidade.

Ele estava ocupado, então deixei a conversa pra depois.

Só que “depois” é sempre um problema. Você começa a questionar se não vai atrapalhar o rapaz, se ele foi apenas gentil, se será constrangedor sair do quarto para querer “apenas conversar” com um funcionário. É incrível quanta dificuldade existe para entabular uma simples conversa com um estranho (e um que já se mostrou receptivo). Contudo, desta vez tive a coragem. Parei no balcão, sondei, ele disse estar ocupado, eu disse que só iria detalhar uma coisa rápida: psicologia evolutiva, isto é, a idéia de que nossos sentimentos e emoções são inatos, e foram moldados pela seleção natural, em vez de pela cultura e família.

Felizmente, ele se interessou e conversamos por horas. Depois que ele compreendeu meu ponto, quis saber o que a psicologia evolutiva teria a dizer sobre, por exemplo, se homens e mulheres podem ser “apenas amigos”, ou se sempre a coisa vai rumar para o interesse sexual. Era uma dúvida razoável, já que ele trabalha ao lado de uma das moças mais bonitas da cidade, à qual fui apresentado naquela noite mesmo . Minha resposta é que o interesse sexual é quase inevitável – a menos que um dos dois “amigos” seja extremamente desinteressante, por um ou outro motivo (não era o caso dele e da moça, sem dúvida!).

E a conversa seguiu: falamos de status, ciúmes, ignorância do povão. Eu sabia que a coisa não iria tão longe assim, já que ele estava com uma camisa de Jesus Cristo. Mais tarde, como era de esperar, descobri que ele achava homossexualidade “errada” e ficou um tanto menos interessado em nossa conversa, quando eu disse que não gostava de monogamia. Mas ele é um cara fantástico: tem uma amigo homossexual e não está nem aí, sabendo dividir uma idéia da pessoa que a possui. Foi muito entusiasta em dizer que sou corajoso por viver minha vida como acredito, embora ele discorde. Discorda, contudo, sabendo me admirar. Isso é raro.

Esse tipo de tolerância é o mínimo, e encontrar um cara esclarecido até este ponto foi um prazer imenso.

Dentro em pouco, mandarei meu primeiro e-mail pra ele.

Espero que isso dê frutos.

•••••

Enquanto isso, fiquei tempos sem postar aqui. Mas notaram? Que estranho comentário fizeram no meu último post, um tal de “saberasumdiaounao”, sugerindo que eu deveria desistir de tudo. Talvez seja o mesmo sujeito que, de forma igualmente misteriosa, vem me abordando no messenger, dizendo que eu não o conheço, mas que sabe mais sobre mim do que posso imaginar. Este é o tipo de coisa que um lunático como eu atrai .

Vou jogar o jogo. Vejamos onde isso vai parar.

por Paralelo, procurando bons estranhos (e sendo procurado por estranhos… estranhos!)

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/11/2007 - 15:21

Tenaz na Desventura

Deitado no sofá, fechado em mim e fraco, escutava a música “Notícia”, do Skank.

As coisas fizeram sentido:

A onda imensa bate e leva a casa que vivi
O vento é forte e fortes não são as cidades que ergui
Algum mal fiz pra tanta resposta má
Do Sol, montanha, vento e mar

Deixei Allan, Fabrício, Júnior e Nívea pra trás em Belém, há um ano – e, de várias formas, fui deixado por eles também. Longe de mim, foram muito mais facilmente absorvidos por seus empregos, namoros, casamentos e ambições. O vento é forte. Tudo o que construí com eles quer desabar de vez. O sonho quer acabar.

De certo modo, todos me viraram as costas, por que sou um problema sério: estou contra o mundo, de verdade e a sério. Critico a religião, a monogamia, o trabalho, o status, a família, enfim, tudo aquilo que as pessoas ou querem mesmo (irrefletidamente), ou são pressionadas a querer. Isso não é nenhuma brincadeira pra mim, é o centro da minha vida.

Foi esse o mal que fiz?

Meu peito se apertava, confuso. Mas, a seguir, uma revelação. A música continuava:

Existe um céu de mísseis e de escudos contra mim
E um céu de estrelas, de cometas, me chama, eu vou pedir
Pedir que eu possa prosseguir
Entre o Sol, montanha, vento e mar

A lágrima caiu.

Que posso fazer? Vejo mais longe e, pior, nasci com um sentimento que não me deixa me conformar. Há algo melhor pra se viver, e a vida é só uma, e eu sou incapaz de esquecer a maravilha cintilante do meu sonho, sempre a brilhar no fundo da minha memória. Se eu ao menos pudesse acreditar que estou errado, confuso, enganado. Mas estou lúcido. Só não iria pra fogueira por minhas idéias por que, como Galileu, eu mentiria. “Eppur si muove”!

Não posso evitar. Algo maior do que a hostilidade do mundo me chama. Deixem-me continuar, deixem-me perseverar! Vocês todos: amigos, ex-amigos, conhecidos, desconhecidos, o acaso, as minhas fraquezas emocionais e medos, o destino que não creio existir, com exceção de, direi logo. Mas não posso fazer diferente. Eu não estou errado. Só estou no mundo, na época errada. Meus vizinhos não conhecem nem a natureza humana, nem a sutileza do Universo e nem o poder de amor da subversão e inteligência.

Mas, mas… Eu conheço! E isso me faz um condenado, como o desafortunado fugitivo da caverna de Platão.

Ser como eu é como ter sido homossexual nos anos 40, ou como ter sido contra a escravidão no século XVIII, ou como ter sido a favor da liberdade feminina na Idade Média: um céu de mísseis e de escudos contra mim!

Com exceção de – devo dizer – os poucos novos corações que, em minha direção, começam a brilhar, como a sussurrar docemente: “não se atemorize demasiado: há mais do que este deserto!”. Frestas de luz através das nuvens negras! Se apagarão? Estou no chão, a mercê, implorando pela merecida sorte…

por Paralelo, cercado pela multidão sem cor

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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