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Arquivo de março, 2009

13/03/2009 - 00:42

Contra o Determinismo

Mesmo que nunca se perceba
a nossa coragem
vai brotar de todos os lugares
como plantas num jardim
vai enfeitar a nossa mente
de razões e ideais
e ninguém mais além de nós
nos poderá deter

- Biquíni Cavadão, O Sabor do Sol

Este título não se refere aos 50 aforismos sobre livre-arbítrio que escrevi semana passada, dando tratos a uma teoria maluca que me ocorreu. Aqui, no espírito deste blog, a questão é pessoal. No terceiro encontro intelectual, defendi a possibilidade de fazermos o que é melhor pra nós, independentemente de nossas tendências a fazer menos, sermos preguiçosos, perdermos o fôlego. Acharam isto absurdo. O que eu estava fazendo era, segundo eles, defender uma visão ingênua de “força de vontade”. Já era tempo de eu me conformar com o fato de ser escravo da imperfeição de meu cérebro de primata. Afinal, pessoas que querem emagrecer, engordam; abstêmios voltam a ser alcoólatras; vestibulandos vão pra farra quando eles próprios prefeririam estar estudando – mas não conseguem. Diego, por exemplo, queria seguir uma dieta exótica, capaz de ajudá-lo a morrer o mais tarde possível; e não conseguiu: disse-me que foi impossível conseguir. Ele não tinha opção, afinal. A vontade é irrelevante.

Não sei como os resultados cambaleantes da filosofia analítica de entressafra podem ser tão persuasivos pra essa gente inteligente. O que vou tentar fazer aqui é provar, com meu exemplo pessoal, que eles sem dúvida estão errados. Vou mostrar como posso e vou fazer 100% do que tenho vontade.

Começo analisando meu futuro de curto prazo. Qual o melhor que posso fazer?

Temos uma tendência (que não é determinista, contudo) a procurar o prazer de curto prazo, mesmo que isto nos impeça ou dificulte de conseguir muito mais prazer, e sem dor, a médio e longo prazos. Então, se eu sei o que é que me distrai desse modo, é só deixar de fazer. Insisto nisso: em vez de impossível, é algo de todo simples. Vejamos uma lista de minhas distrações habituais:

• Enrolar em madrugadas na net.
• Estender conversas casuais com Lê.
• Ficar demais no Messenger.
• Ficar deitado pensando em como levantar.
• Perder tempo com games e nulidades no micro.

Não vejo como não seja simples parar com elas. É só parar, oras!

Distrações cortadas, o que deve ser feito?

Agora, preciso fazer coisas bastante claras:

• Começar a estudar Lógica. E terminar.
• Concluir textos sobre o III-EI, para o blog do site. (começo já, já!)
• Malhar todos os dias – menos que isso é jogar fora a semana de treinos.
• Malhar pela manhã, para aproveitar o ganho intelectual no resto do dia.
• Dormir cedo, acordar cedo – a parte difícil (enquanto não chega o Speedy!).
• Não perder as consultas médicas (vide post abaixo).
• Escrever para o site.
• Escrever… (coisas minhas, rs).
• Lavar as louças com pontualidade decente! (desafio supremo)
• Contar o desenrolar dessa história aqui neste blog. (começando agora)

É claro que, como todos, vou perder o ânimo. Mas e daí? Quem precisa de ânimo pra fazer o que é preciso se, a cada momento, basta pura e simplesmente fazer? Claro: há atividades que dependem de ânimo para serem feitas. Escrever, por exemplo. Mas malhar, não. E, se eu malhar sem ânimo, o resto do dia será animado. Fato. E dá pra ter ânimo ao malhar: só dormir bem. É preciso transformar o objetivo geral num círculo virtuoso, ou tudo será um martírio. Mas, mesmo sendo um martírio, será um martírio temporário e, no final, estarei melhor do que se tivesse escolhido qualquer alternativa.

Portanto, fazer tudo isto o que me proponho é o melhor a se fazer.

Nada me impede, a não ser meus ânimos internos, minha “força de vontade”. E o que estou dizendo, em oposição ao que me disseram no III-EI, é que eu não sou escravo de meus ânimos internos: eles podem me forçar a sentir os meios que levam aos meus objetivos como desagradáveis, mas não podem me forçar a desistir de levá-los a termo.

No espírito do primeiro post deste blog, estou me impondo tarefas para melhorar meu futuro: minha saúde, meu intelecto, minhas relações. A vida é só uma e precisa ser aproveitada, afinal. Mas agora é mais intenso: estou me impondo fazer 100% do que disse acima. Caso eu não consiga, abro mão do meu ponto, em favor do argumento pessimista dos meus amigos do III-EI. Por exemplo, basta eu faltar a academia um dia, por uma razão que não esteja 100% fora do meu controle, e perdi meu próprio jogo.

A partir de agora: valendo!

por Paralelo, déspota absoluto de si mesmo!

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/03/2009 - 14:44

2009, Ascensão Metafísica, Queda Física

O post anterior foi profético, ao que parece. Estes primeiros dois meses de 2009 deixaram claro, pelo visto, como as coisas serão. Sorte no amor e azar na saúde. Ok, não tão pessimista assim. Mas estou envelhecendo – Rá! Até a Mona Lisa envelhece, diabos! Deve querer dizer alguma coisa que, amanhã, vou procurar dermatologista, urologista, oftalmologista, dentista, otorrinolaringologista e talvez mais algum “ista” de que esteja me esquecendo (ou não – pelo menos a memória continua tinindo!). Enquanto isso a vida emocional segue um paraíso. Quantas pessoas queridas, amadas, fabulosas! Quer saber? Isso é bem melhor do que se fosse o contrário: saúde 100% e um horizonte solitário adiante. Não, nem pensar. Mas só devo estar dizendo isso porque não creio ter qualquer problema realmente grave, rs. Pshhh! Não espalhem…

De todo modo, se há um Deus, ele parece achar um tédio assistir a uma vida sem problemas – mais ou menos como nós, suas criaturas, só gostamos de filmes com boa dose de drama. Em 2008 estive alinhavando minha caça por ótimas relações e amizades sólidas. É exatamente no período em que consegui isso da melhor maneira, que a saúde se sentiu à vontade pra falhar. Por exemplo, sempre enxerguei como uma águia! Não conheci ninguém que pudesse ler palavras numa distância maior do que eu conseguia. E, de dois meses pra cá, basta algo estar a dois metros de distância de mim pra começar a se tornar um borrão.

Ê, miopia!

Achei que os genes do vovô – que enxergou bem até o fim de seus 94 anos, sem óculos – fossem dar conta de meu exagero em leituras (11 livros no último mês e meio) e monitores (o tempo todo no computador, é claro!)… Não aconteceu, rs. Aos quase 27 anos, será minha vez de usar óculos. Ok. Justo. A vida é boa. Mas não dava pra ser perfeita, né? Esses deuses dramaturgos…

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Ok, o blog é pessoal, mas ainda assim minha saúde é um detalhe. Sou, sobretudo, um pensador. E estou na agradável ressaca do Terceiro Encontro Intelectual, ou simplesmente tri-ei. Meus amigos burgueses (na medida em que tal expressão, vinda de mim, possa não ser um paradoxo, rs) conseguiram algo realmente pomposo desta vez! À parte os debates e apresentações (palestras sobre temas específicos de cada um), tivemos piscina com tubarão de plástico e vista pro rio; debates deitados em estrela na grama; pega-pega!; gincana de regras aleatórias; stop com categorias absurdas (tipo “o que você pode fazer com 4 almofadas?” – fiquei em segundo, rs); laser verde que nos fazia sentir Deus apontando aquele facho infinito pras estrelas; e outras tantas micronerdices divertidas…

Quanto às idéias, do meu ponto de vista o tri-ei foi uma longa batalha que travei, em diversos setores, contra cinco relativistas enrustidos, rsrsrsrs. Todo pensador e filósofo racionalista teme duas coisas: relativismo e metafísica. Mas é difícil evitar ambos! A turma de lá prefere arriscar cair no relativismo; eu prefiro arriscar cair na metafísica. A parte técnica disso é o que pretendo elaborar para colocar no site e no blog do site.

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Falar em site, só falta alinhavar minha apresentação contra os memes, que defendi no tri-ei, para colocá-la ali. E talvez outra sobre indutivismo – minha teoria pretensamente revolucionária sobre a fundamentação racional, negada desde David Hume, das afirmações indutivas (”se o Sol sempre nasceu, provavelmente nascerá amanhã”); mas esta precisa lapidar mais pra publicar.

Além do quê, estou enxovalhado de livros pra ler; e reler! Em Belém (putz, preciso contar com foram meus dois meses em Belém, rsrs… esqueci – e retiro o que disse sobre minha memória, pois!) comecei o projeto de ler toda a obra de Nietzsche, a fundo. Li cinco livros dele, fiz 60 páginas de anotações… Agora devo ler o sexto, Aurora, cuja tradução premiada me foi patrocinada pela “Fundação Lúcifer” (rs). Ok, há mais livros aqui, e motivações diversas pra lê-los… Depois conto!

P. S.: Ontem foi um dos melhores dias da minha vida. Segundo encontro com Miss BiSS, meu novo (poli)amor, maravilhoso!! \o/

por Paralelo, digamos que envelhecendo bem, rs…

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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