Contra o Determinismo

Mesmo que nunca se perceba
a nossa coragem
vai brotar de todos os lugares
como plantas num jardim
vai enfeitar a nossa mente
de razões e ideais
e ninguém mais além de nós
nos poderá deter
- Biquíni Cavadão, O Sabor do Sol
Este título não se refere aos 50 aforismos sobre livre-arbítrio que escrevi semana passada, dando tratos a uma teoria maluca que me ocorreu. Aqui, no espírito deste blog, a questão é pessoal. No terceiro encontro intelectual, defendi a possibilidade de fazermos o que é melhor pra nós, independentemente de nossas tendências a fazer menos, sermos preguiçosos, perdermos o fôlego. Acharam isto absurdo. O que eu estava fazendo era, segundo eles, defender uma visão ingênua de “força de vontade”. Já era tempo de eu me conformar com o fato de ser escravo da imperfeição de meu cérebro de primata. Afinal, pessoas que querem emagrecer, engordam; abstêmios voltam a ser alcoólatras; vestibulandos vão pra farra quando eles próprios prefeririam estar estudando – mas não conseguem. Diego, por exemplo, queria seguir uma dieta exótica, capaz de ajudá-lo a morrer o mais tarde possível; e não conseguiu: disse-me que foi impossível conseguir. Ele não tinha opção, afinal. A vontade é irrelevante.
Não sei como os resultados cambaleantes da filosofia analítica de entressafra podem ser tão persuasivos pra essa gente inteligente. O que vou tentar fazer aqui é provar, com meu exemplo pessoal, que eles sem dúvida estão errados. Vou mostrar como posso e vou fazer 100% do que tenho vontade.
Começo analisando meu futuro de curto prazo. Qual o melhor que posso fazer?
Temos uma tendência (que não é determinista, contudo) a procurar o prazer de curto prazo, mesmo que isto nos impeça ou dificulte de conseguir muito mais prazer, e sem dor, a médio e longo prazos. Então, se eu sei o que é que me distrai desse modo, é só deixar de fazer. Insisto nisso: em vez de impossível, é algo de todo simples. Vejamos uma lista de minhas distrações habituais:
Enrolar em madrugadas na net.
Estender conversas casuais com Lê.
Ficar demais no Messenger.
Ficar deitado pensando em como levantar.
Perder tempo com games e nulidades no micro.
Não vejo como não seja simples parar com elas. É só parar, oras!
Distrações cortadas, o que deve ser feito?
Agora, preciso fazer coisas bastante claras:
Começar a estudar Lógica. E terminar.
Concluir textos sobre o III-EI, para o blog do site. (começo já, já!)
Malhar todos os dias – menos que isso é jogar fora a semana de treinos.
Malhar pela manhã, para aproveitar o ganho intelectual no resto do dia.
Dormir cedo, acordar cedo – a parte difícil (enquanto não chega o Speedy!).
Não perder as consultas médicas (vide post abaixo).
Escrever para o site.
Escrever… (coisas minhas, rs).
Lavar as louças com pontualidade decente! (desafio supremo)
Contar o desenrolar dessa história aqui neste blog. (começando agora)
É claro que, como todos, vou perder o ânimo. Mas e daí? Quem precisa de ânimo pra fazer o que é preciso se, a cada momento, basta pura e simplesmente fazer? Claro: há atividades que dependem de ânimo para serem feitas. Escrever, por exemplo. Mas malhar, não. E, se eu malhar sem ânimo, o resto do dia será animado. Fato. E dá pra ter ânimo ao malhar: só dormir bem. É preciso transformar o objetivo geral num círculo virtuoso, ou tudo será um martírio. Mas, mesmo sendo um martírio, será um martírio temporário e, no final, estarei melhor do que se tivesse escolhido qualquer alternativa.
Portanto, fazer tudo isto o que me proponho é o melhor a se fazer.
Nada me impede, a não ser meus ânimos internos, minha “força de vontade”. E o que estou dizendo, em oposição ao que me disseram no III-EI, é que eu não sou escravo de meus ânimos internos: eles podem me forçar a sentir os meios que levam aos meus objetivos como desagradáveis, mas não podem me forçar a desistir de levá-los a termo.
No espírito do primeiro post deste blog, estou me impondo tarefas para melhorar meu futuro: minha saúde, meu intelecto, minhas relações. A vida é só uma e precisa ser aproveitada, afinal. Mas agora é mais intenso: estou me impondo fazer 100% do que disse acima. Caso eu não consiga, abro mão do meu ponto, em favor do argumento pessimista dos meus amigos do III-EI. Por exemplo, basta eu faltar a academia um dia, por uma razão que não esteja 100% fora do meu controle, e perdi meu próprio jogo.
A partir de agora: valendo!
por Paralelo, déspota absoluto de si mesmo!
Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags: