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Arquivo de setembro, 2006

17/09/2006 - 16:23

O que anda acontecendo?

Ninguém conseguia acreditar
Quando eu me apaixonei pela dor
Mas ela me esperava na esquina
E usava seu vestido de amor

- Paulinho Moska, Mentiras Falsas

Estou me curando de uma surra emocional. Quereria muito contar esta história aqui. De como fui ao céu (lá no alto, provei o néctar dos deuses), ao inferno (o sétimo círculo, nunca carreguei pedra tão pesada no peito, a sorte é que durou pouco) e voltei ao chão firme (salvo pelo amor e pela razão) nos últimos dias. Aqui e ali, neste e no outro blog, contei algumas coisas básicas. Apaixonado, amando e desejando demais uma amiga, correspondido e não correspondido, nos três itens e em nenhum, ou sem saber: dúvidas cortantes no ar. História complicadíssima e longa pra cacete. Passei o pior momento do ano na manhã de sexta, e só não foi o pior dia do ano porque contei com o forte amor de duas pessoas: meu amigo Júnior e, sim, ela, a amiga em questão. Muito amor e muito raciocínio, o resultado foi compreensão e laços fortificados. Ou assim concordamos que foi. Por isso estou bem agora. Só não estou melhor porque gato escaldado tem medo de água fria. Estou muito sensível e temeroso. Preciso de um tempo para me acostumar e confiar neste chão firme – se ele for mesmo firme.

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Quanto ao meu pai, tudo ficou em panos quentes. “Esquece aquilo meu filho, estávamos bêbados, deixa pra lá”. Por terceiros, soube que ele guardou mágoas. Das minhas acho que ele não soube. Seja como for, desisto de ser compreendido. Vou “respeitá-lo” daqui pra frente. É isto o que ele quer. É isto – doce hipocrisia – o que terá. Que o meu verdadeiro eu fique para pessoas mais próximas, como estes amigos que me salvaram do inferno.

por Paralelo, expulso do céu e fugido do inferno

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/09/2006 - 19:10

Tem gente que não sabe amar

Hoje briguei mais uma vez com meu pai. Ele não é um homem senil, simples ou atrasado. Isto faria toda a diferença, e justificaria que eu me calasse em certas situações. Porém não é verdade. Considero meu pai tão lúcido quanto eu, e gosto muito dele. É por tais motivos que, em certas situações, sou forçado a ficar entre a violência psicológica e o desespero emocional. Sinto que não há justificativa para certas atitudes de um homem que é manifestamente inteligente, sobretudo se tal homem carrega um discurso grandioso à tiracolo e, nas horas cruciais, joga tudo pelo ralo, em nome de sentimentos mesquinhos.

Ao saber que nutro tais opiniões, talvez ele se enfurecesse ainda mais, talvez apenas dissesse, disfarçando o próprio erro (afinal, ele não é perfeito): “menos, menos…”. Dependeria do dia.

Que faço?

Adoraria que, entre meu pai e eu, pairasse uma situação de plena amizade. E amizade exclui hierarquia. Infelizmente, para mim, o fato de ele ter mais poder financeiro do que eu faz com que sua pretensão de ser meu amigo de verdade não passe disto: uma pretensão. Na prática, tão logo surja a divergência, sou alvejado com toda sorte de “argumentos” práticos e financeiros que, afinal, nada têm a ver com o assunto que, em primeiro lugar, provocou a dissidência.

É, de fato, como se ter dinheiro decidisse a verdade de uma opinião.

Por eu protestar contra tal postura, sou tido como ingênuo. Isto não me ofende vindo de criaturas realmente simples, que mal entendem minhas palavras. Mas, vindo do meu pai, me causa profunda angústia. Não porque eu não possa ser ingênuo, mas porque, na boca de meu pai, ser ingênuo soa como algo desprezível. Talvez eu ainda pague um preço muito alto por ser honesto com este homem que, naturalmente, me aparece como uma espécie de herói. Foi ele, afinal, quem me mostrou o mundo novo: não ser uma ovelha obediente, olhar mais longe, gostar da vida, ter bom humor, ser curioso e, sim, questionar, debater, pensar, raciocinar. Meu pai. Hoje me expulsou de um bar, porque eu discordava.

Eu poderia mentir, fazer política, calar. Estranhamente, tal atitude seria vista como “respeito” de minha parte. Penso, cá comigo, que um homem tão esclarecido deveria saber ouvir os argumentos mais estúpidos e contrários e, ainda assim, manter o bom humor. Eu, que não chego a tanto, sou plenamente capaz de tal coisa.

É uma pena. É claro que o dinheiro pesa. Ganhasse eu na Mega-Sena e, então, seria a cena mais improvável do mundo ser expulso do bar tal qual o fui hoje. De qualquer modo, não é a primeira vez que a casa cai deste modo. E, durante algum tempo, fiz questão de ser claro com meu pai: quero ser compreendido. Não é convencer, não é provar nada. É apenas mostrar que não sou estúpido, como tantas vezes sou tratado. E por que me importo? Porque gosto de meu pai, muito, e me perturba que ele pense tais horrores de mim, os manifeste e não me dê sequer a palavra, senão com raiva e desprezo.

No calor dos debates, outras questões me incomodam: justiça, orgulho, bons argumentos, despotismo. Mas estas coisas eu ignoraria de bom grado. Sinto apenas que, ao menos, eu preciso ser compreendido. E, se fosse, como às vezes ele alega que sou, não teria sido expulso de um bar tão gratuitamente. Aliás, eu jamais expulsaria qualquer pessoa – que eu afirme amar – de minha presença, pelo motivo que fosse.

por Paralelo, hoje magoado. Acontece.

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/09/2006 - 13:45

Vida Louca Vida…

…vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve
- Lobão


Imagens de uma louca vida, sublinhadas durante o resto deste post…

O chão se abriu, estou em queda e isto não é ruim. É só… perigoooooosooooooooo! Posso cair nas nuvens ou no chão de estacas. Aliás, são várias quedas, vários eus, várias nuvens e estacas, várias possibilidades!

Segunda, 14 de agosto – Carta de 7 páginas enviada ao “patrocinador”. Alguém em São Paulo precisa gostar mais de pessoas diferentes e de amá-las do que de carros, roupas ou produtos estéreis e exibí-los. Eu não falei que eu estava à venda? É quase isso.
Terça, 15 de agosto – Rédeas vistas nas mãos pela última vez. Ainda postei aqui, desconfiado, cinco tarefas. Veio um turbilhão e eu as esqueci completamente.
Sábado, 19 de agosto – Desabafei aqui minha indignação com o vício por dinheiro das pessoas que me cercam e de todas as outras assim viciadas. Que doente$!

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Domingo, 27 de agosto – Após a pior semana do ano, de intrigas, desconfiança, política e angústia na família mesquinha (tudo suavizado por Skank novo e livros grátis no Ateus.net), uma bela manhã afinal. Notícias boas de São Paulo, agora provavelmente vou viajar mesmo e me livrar dos meus apáticos pares genéticos – mas nunca se sabe e, por isso, estou seguindo tática tripla para os dias vindouros.
Terça, 29 de agosto – Gozei cinefilia revendo Toy Story e conhecendo o superlativo Monty Phyton, no anti-clerical O Sentido da Vida; com medo e insegurança de um tímido inveterado, porém cansado de perder tempo, liguei para minha desejada Nívea e obtive esperança; polêmica religiosa no blog do site (aqui) ocupou meu lado pensante: os ateus são massacrados e os religiosos é que reclamam!
Quarta, 30 de agosto – Encontrei com Nívea e Júnior (eles não se viam há um ano); calor, paixão, muito vinho, amizade, sonho, boas histórias, embriaguez mente-corpo, tesão, poliamor, aventura – é, foi um dia histórico. Queimando dentro de mim até hoje.
Quinta, 31 de agosto – Ressaca, lembranças eróticas martelando a mente, criação mecânica de sudokus, telefonema ansioso pra Nívea e “tudo ótimo”, Júnior sem tempo pelo próximo século (pai internado e cegando com sério tumor na cabeça); Ligo pra Lilith, em São Paulo: contei da Nívea. Lilith feliz por mim, nariz torcido, ciúmes controlados, tudo alegria, “aproveite bem”, a vida é assim, outros assuntos, rápido, rápido. Não há como não amar Lilith.
Sexta, 1º de setembro – Reencontro com Nívea desmarcado, imprevistos para todos; lembranças românticas e as devidas angústias estúpidas da paixão; o dia foi tentar instalar Windows XP no micro, ótimo para distrair se não desse tudo errado e, só no fim de noite, XP instalado, ufa! Pegou até o game Soul Reaver, que nunca mais funcionara.
Sábado, 2 de setembro – Trabalhei dentro da redação do Jornal O Liberal! Sudokus, é claro; o tédio químico me achou, perdi tempo zerando pela enésima vez o Constructor no micro, argh!; pensei: “como não jogar o dia fora?”, tive a idéia para este post. Sim, e daí?
Domingo, 3 de setembro – execução deste post, aqui, agora; que fazer da tarde que resta? Sudoku? Filosofia? Saudade? Ansiedade? Esperar o Aprendiz 3? Está feio o negócio, o tédio químico não me largou. É o efeito colateral ruim do balaço de amor que eu levei… a música do Skank diz tudo do meu momento:

Meu coração parecendo um troço
Um erro crasso
Tipo “Lost in the space”
Não entende o estilhaço
Que é só, eu sei, um balaço de amor

- Os Exilados

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Segunda, 4 de agosto – Preciso, urgente, sair do pântano de fetichismo de lembranças deliciosas e angústias estúpidas. Talvez bebendo mais da fonte. Ligar pra Nívea? Todas as minhas vontades são essa. Mas há outras possibilidades: quem sabe sucumbir ao tédio? Ou ajudar meu pai a conseguir executar seu plano infalível, que há 25 anos só faltar testar, de ganhar dinheiro no Jogo do Bicho? Sim, amanhã é mais um dos tantos dias candidatos a finalmente começar; ah, mas o sudoku, do O Liberal, e os programas de computador… por outro lado, o site Suástica Azul parado, os detalhes de 3 matérias que posso concluir e não concluo… ih, mas tem a História da Filosofia para retomar, faltam 600 páginas e eu quero ler antes que esqueça do início… ótimo, não fosse a necessidade de rever Andreza, João Paulo, Marcos, Fabrício, Natália, tomar coragem de saber o que há com minha querida Letícia Queiroz, arrumar minhas coisas, fazer os backups, comer direito, dormir bem…

Recalcular a cada instante os planos de vida onde a toda hora mudam os fatos…

Mas é assim mesmo que eu gosto de viver, no meio do fervilhar de um furacão de emoções intensas e razões complexas. Assim cada segundo tem sabor, mesmo dentro do tédio químico.

P.S.: Quando digo “tédio químico” é porque coisas como ressaca, sono ruim ou simplesmente “a lua do dia” nos deixam meio apáticos, sem motivo concreto. Ocorre com todos. No meu caso, certamente o “tédio químico” deve ser algo como um começo de síndrome de abstinência. Esse negócio de paixão é que nem cocaína, dizem estudos…

Você entendeu tudo o que eu disse? Sei que algumas frases terminaram no meio, como se

por Paralelo, temporariamente arrastado pela violenta correnteza da vida

Autor: Paralelo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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