(by Felipe Aquilino)
Muito se discute a respeito do encerramento ou da continuidade dos campeonatos estaduais, que já foram os principais campeonatos do país. O futebol ganhou popularidade no Brasil com o crescimento de times de bairros, cidades pequenas e empresas ligadas a ferrovias, que organizavam campeonatos e disputavam troféus em suas regiões. Até o ano de 1959, com o início da Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Petrosa, nunca fora organizado um campeonato nacional. Já o campeonato Brasileiro em moldes atuais, surgiu somente em 1971. E para suprir a falta de uma liga nacional, como havia na Inglaterra por exemplo, os campeonatos regionais ganharam destaque. No entanto, a partir da década de 80, com a maior importância dada aos torneios nacionais e sul-americanos, começamos a ver uma perda de importância desses torneios.
Muitos que criticam a realização dos torneios regionais se esquecem da penetração que o esporte tem em regiões de menor importância sócio-econômica. E grande parte das críticas vem das torcidas e dos clubes de maior expressão, que jogam nas principais ligas do Brasil. Mas eles se esquecem da importância que o interior do Rio de Janeiro, Nordeste e Centro-Oeste têm para as torcidas de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. Menosprezam a força dos clubes do interior de São Paulo na revelação de jogadores para Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Desprezam a história de clubes de menor expressão, como o América-MG e o ABC de Natal que ganharam 10 (isso mesmo, DEZ) títulos estaduais consecutivos. Ignoram partidas clássicas, como o GreNal de Erechim disputado esse ano.
Não seria o futebol Brasileiro o mais forte do mundo e grande revelador de jogadores justamente por causa desses campeonatos regionais? O que seria de Ronaldo se não existisse o São Cristóvão? Rivaldo apareceria para o futebol, não fosse o Mogi Mirim? Os irmãos Sócrates e Raí seriam importantes assim para o futebol não fosse o Botafogo de Ribeirão Preto? Técnicos como Parreira, Felipão, Luxemburgo, Mano Menezes teriam o mesmo destaque não fossem suas atuações por times de menor expressão?
Por isso me coloco totalmente a favor dos campeonatos regionais. Claro que não inchados e longos, da forma que são disputados atualmente. O Campeonato Paulista por exemplo tem 20 clubes e 23 rodadas. E muitas delas coincidem com campeonatos de extrema importância como a Copa do Brasil e a Libertadores da América. Esses campeonatos têm que ser remodelados e ajustados ao calendário Brasileiro e Sul-Americano. E funcionar como uma pré-temporada para os clubes que jogam campeonatos de maior importância. Assim todos sairiam ganhando. Os estádios voltariam a encher. As federações se fortaleceriam. Novos fenômenos apareceriam. E a tradição se manteria.
E você, é a favor ou contra a continuidade dos campeonatos regionais?
