Jogo de Negócios – Fabio Kadow
Foi na Inglaterra, em 2007, que surgiu o projeto MyFootballClub, quando cerca de 50 mil torcedores assumiram o comando de um modesto clube de futebol o Ebbsfleet United. Todos que colaboraram e compraram as ações podem, desde então, dar pitacos na administração do clube, por meio de votação. Um projeto que virou objeto de estudo em diversos cursos sobre administração e economia do mundo todo.
Talvez influenciados pelo sucesso do MyFootballClub, chegou a vez dos torcedores do poderoso Liverpool proporem a mesma coisa, segundo a BBC. Insatisfeitos com a atual gestão administrativa e financeira (existe uma dívida estimada em 350 milhões de libras) dos norte-americanos George Gillett e Tom Hicks, donos do time, dois grupos organizados, o Spirit of Schankly e o ShareLiverpoolFC, revelaram um plano “realista” para comprar o clube.
Para esses torcedores, isso seria perfeitamente possível se 100 mil fãs aceitassem pagar 5 mil libras (cerca de R$ 15 mil) e, com isso, fizessem uma proposta de 500 milhões de libras para os atuais donos. Até um plano B, mais modesto, já foi montado: arrecadar 150 milhões de libras para adquirir 60% das ações e posteriormente procurar um investidor disposto a pagar 100 milhões de libras pelos 40% restantes.
Você acredita que um clube grande como o Liverpool pode ser administrado pelos seus torcedores? Ou a gestão ficaria comprometida? Por aqui, torcedores do Corinthians já tentarem se mobilizar para construir um estádio para o time, o Fielzão, mas depois de quase um ano apenas R$ 22 mil haviam sido arrecadados.
Insatisfeitos, torcedores do Liverpool querem comprar o time
Futebol-Arte?
Felipe Aquilino (felipe@mtdf.com.br)
Muitos consideram o futebol uma arte. E que o jogador de futebol deve ser comparado a um artista. Se realmente considerarmos o esporte como uma arte, imagino que nunca tantas pessoas entenderam tanto de arte e conheceram tantos artistas como nos dias de hoje. Quando pensamos em artistas, normalmente os nomes que vêem à nossa cabeça são de Picasso, Da Vinci, Beatles, Elvis, Fellini, Spilberg, Shakespeare, Marlon Brando, Marylin Monroe, Charles Chaplin… e nunca de Pelé, Garrincha, Maradona, Zidane, Cruyff, Beckenbauer, Ronaldo, Messi ou Kaká. E por que não?
Para mim são vários os motivos para considerarmos o futebol uma arte: 1) Apresentação: nos dias de hoje, os estádios onde grande parte desses artistas da bola jogam, são considerados templos do futebol; 2) Números: as cifras que envolvem as transferências de jogadores são astronômicas e condizentes com as que recebem muitos artistas; 3) Popularidade: os boleiros têm os rostos mais populares do planeta e muitos deles são perseguidos pelos Paparazzi como celebridades; 4) Audiência: a Copa é o evento televisivo mais assistido no mundo e as torcidas e histórias dos clubes são até retratadas em filmes; 5) Obras de arte: os gols e jogadas são considerados obras-primas e merecem muitas vezes placas e bustos.
Acredito que a grande polêmica do futebol ser uma arte ou não se dá pelo fato de, em muitos lugares, o futebol ser um evento marginalizado. Diferentemente da Europa, onde os estádios estão todos lotados e são freqüentados pelos mesmos freqüentadores de teatros, cinema e shows, o futebol nos países subdesenvolvidos é um evento popular, esvaziado de talentos e muitas vezes cercado pela violência das torcidas uniformizadas.
Onde estão nossos jogadores? Eles partem para os palcos europeus na primeira oportunidade que surge, em busca de seus percentuais nas transferências, salários mais altos, segurança e melhor qualidade de vida para toda família. E por causa disso, muitos cidadãos não se conformam com o status que jogadores medianos ou de meninos de 15 anos passam a ter de um dia para outro em seus países, ganhando em um mês o que uma família humilde não junta em uma vida inteira.
Como estão nossos estádios? Esvaziados, pois não fornecem uma condição mínima de infra-estrutura, com poucos banheiros (químicos!), sem lugares marcados, pontos-cegos, acessos precários, dificuldade de estacionamento e transporte público, filas enormes para compra de ingressos, flanelinhas, cambistas, ambulantes, falta de segurança, gramados terríveis…
E nossos clubes? Pensando a curto-prazo, endividados até o pescoço, com enormes processos judiciais, reféns de empresários e agentes de futebol, pouco preocupados com categorias de base e campos de treinamento, no vermelho por causa da má administração dos estádios, dependentes de diretorias amadoras, com bens penhorados em função de dívidas com ex-jogadores, extremamente dependentes das vendas de jovens revelações…
Infelizmente, essa é a realidade do futebol no mundo subdesenvolvido. E para você, futebol pode ser considerado uma arte?
O poder dos torcedores
By Felipe Aquilino (felipe@mtdf.com.br)
Há muitos anos os clubes Brasileiros têm procurado formas criativas de aumentar suas receitas e encher estádios. Mas nunca perceberam que o seu maior ativo, o torcedor, poderia ajudá-los de forma tão direta. O conceito de fidelização de clientes/torcedores é tão antigo que não consigo entender como isso não foi usado anteriormente na Indústria de futebol Brasileira. Mesmo porque, a única coisa que os clubes daqui precisavam fazer era copiar modelos de muito sucesso na Europa. O Benfica em Portugal hoje tem aproximadamente 180 mil sócio-torcedores, seguido pelo Barcelona com 160 mil. O Manchester United e o Bayer de Munique, 150 mil. Porto, Sporting e Real Madrid, aproximadamente 100 mil. Números exorbitantes, principalmente em Portugal, se considerarmos o tamanho da população do país perto da Brasileira.
Foi então que a revolução explodiu no Brasil a partir de Porto Alegre. O Internacional, seguido pelo Grêmio, foram os clubes pioneiros. O primeiro no embalo da conquista da sua primeira Libertadores e Mundial, além do centenário em 2009. O segundo, principalmente por causa da rivalidade gaúcha. O Inter passou da marca dos 80 mil sócio-torcedores e objetiva 100 mil neste ano do centenário. O Grêmio já atingiu a marca de 50 mil. Tal marca, já garantiu um faturamento extra de R$27 milhões por ano para o cofre Colorado e de R$24 milhões por ano para o tricolor gaúcho. Valores que superam qualquer contrato de patrocínio de camisa no Brasil. Os benefícios dos torcedores incluem preferência de compra, meia-entrada nos ingressos e até mesmo direito a voto nas eleições para presidência do Grêmio, em troca de um pagamento de uma mensalidade ou anualidade.
A partir daí, vieram o Corinthians (31 mil), Atlético Paranaense (22 mil), Botafogo (12 mil), Fluminense (7mil), Santos (4 mil) e a reformulação dos antigos projetos do São Paulo (que possuía 41 mil cadastrados) e Cruzeiro (10 mil). Além disso, o Vasco acaba de lançar seu programa que contou com a adesão de 15 mil pessoas em pouco menos de um mês. O que clubes como Flamengo e Palmeiras ainda esperam para lançar seus programas?
Os maiores benefícios de todos para o torcedor Brasileiro vão ser: 1) o extermínio dos cambistas dos jogos de futebol; 2) o fim dos ingressos falsos nas partidas importantes; 3) a facilidade de compra dos ingressos pela internet e 4) uma maior proximidade com seu time de coração. Obviamente, a tendência é de que os estádios lotem de sócio-torcedores nos jogos importantes (como acontece hoje na capital gaúcha), que passam a ter acesso aos jogos através de um cartão nominal com chip em entradas diferenciadas. Esses são os melhores perfis de torcedor para os clubes, com poder de consumo elevado e comportamento diferenciados.
MTDF no Twitter
Twitter é uma nas novas febres mundiais quando se trata de redes sociais. É utilizado para microblogging, uma espécie de blog com atualizações pessoais contendo apenas texto em menos de 140 caracteres. As atualizações são exibidas no perfil do usuário em tempo real e também enviadas a outros usuários que tenham assinado para recebê-las, os chamados followers. Dentre suas 1001 utilidades, o Twitter se destaca entre os usuários como forma de acompanhar o que seus amigos estão fazendo, publicar insights que lhe vêem à cabeça num determinado momento e acompanhar pessoas famosas e suas rotinas.
Além disso, o Twitter é também uma maneira prática e rápida de divulgar links interessantes e manter as pessoas informadas sobre determinados temas, o que nos levou a criar um perfil para o MTDF. Nele vocês poderão acompanhar as novidades do projeto, entender como andam os projetos semelhantes na Europa e ler notícias sobre gestão de clubes de Futebol. Além disso, essa passa a ser também uma nova ferramenta de comunicação entre nós do MTDF e nossos cadastrados e associados.
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Qual o segredo dos times ingleses?
(by Felipe Aquilino)
Todos concordam que o campeonato inglês é hoje o principal campeonato do mundo. E são vários motivos que o colocam em primeiro lugar:
Após os acontecimentos trágicos de Hillsborough há 20 anos, o futebol passou a ser considerado um espetáculo pelos ingleses. Penas mais rígidas aos baderneiros, cadeiras e conforto aos espectadores, fim das grades ao redor dos campos e um melhor acesso aos estádios foram algumas das principais medidas tomadas pelos ingleses.
Os clubes ingleses contam com administrações mais profissionais e com o total suporte da Football Association. Clubes mal administrados financeiramente são punidos. Os vencedores, premiados. E a liga continua pagando as cotas dos times que caem para a 2ª divisão por 3 anos, para que o clube se reestruture e possa voltar a 1ª divisão. Essa competitividade do campeonato inglês faz com que se formem times médios de maior expressão, como Aston Villa, Everton, West Ham, Fullham, Tottenham, Manchester City e Newcastle, fazendo com que o campeonato não se resuma aos jogos dos quatro grandes, Manchester Utd, Chelsea, Liverpool e Arsenal.
De uns anos para cá, os clubes passaram a tratar o esporte como mundial e não apenas local. Foram muitas as contratações estrangeiras, como Brasileiros, Coreanos, Portugueses, Espanhóis, Franceses, Africanos, além da preocupação de manter os melhores jogadores ingleses no pais, o que faz com que os campeonatos sejam assistidos no mundo todo. Com isso, cresceu a receita com transmissão e com vendas de produtos licenciados.
E o mais importante: os clubes ingleses passaram a jogar um futebol bonito, ofensivo e vencedor. Os melhores jogadores do mundo estão por lá, como Cristiano Ronaldo, Tevez, Rooney, Fernando Torres, Gerrard, Frank Lampard, Ballack, Deco, Drogba, Essien, Adebayor, Arshavin, Van Persie, Fabregas, Robinho e Elano, somente para mencionar alguns. O esquema 4-3-3 voltou, e com ele jogos históricos, como o Manchester 1 x 4 Liverpool, o Chelsea 4 x 4 Liverpool e o fantástico Liverpool 4 x 4 Arsenal desse final de semana. Além disso, os clubes ingleses passaram a ser os melhores do mundo, com o Manchester Utd como atual campeão do mundo e da Copa do Campeoes e, pelo segundo ano consecutivo, 3 dos 4 melhores times da Europa são Ingleses.
E o Ronaldo vai quebrar o Corinthians (ou não?)
Todos sabemos que estamos passando por um momento complicado no mercado mundial – eu sei, eu sei, falar em crise só piora – mas não consigo entender a ação do Corinthians ao trazer o Ronaldo… e o que mais me espanta é a reação positiva de praticamente todos.
” Que ótimo que o Ronaldo veio”; “Grande jogada de Marketing”; ” Corinthians passando a perna no Flamengo”….
Será??? Será que só eu consigo ver o potenciais problemas que a vinda do Ronaldo vai trazer para o Timão? Vou tentar enumerar:
1. R$ 5 milhões a mais de gastos no ano…. ou R$ 400 mil por mês. Grande chance de alavancar uma onda de pedido de aumentos dos outros jogadores. No final das contas isso vai quase dobrar o budget anual do Corinthians em relação a salários.
2. Pressão da torcida – conhecendo bem a Fiel, não vai demorar muito para as atuações apagadas começarem a ferver a torcida – e aí o efeito dominó vai acontecer – vão culpar o técnico, vão culpar os outros jogadores, e aí o encanto vai começar a acabar e cabeças vão rolar – será q as cabeças certas? Ainda acho que o São Paulo se empepinou no Paulista e Libertadores de 2008 por causa do Adriano – esquema voltado pra ele “o astro”, em detrimento do coletivo.
3. Licenciamento – não adianta tapar o Sol com a peneira – 90% das vendas de produtos dos times são piratas, portanto o Timão não vai ver um centavo dessa grana.
4. Influência nos outros jogadores – Me desculpem, mas falar que o Ronaldo vai trazer boa influência para os outros jogadores é brincadeira…. onde ele demonstrou ter uma vida calma? Quando ele pegou os travestis, ou quando ele saiu nas baladas pelo mundo afora.
5. Endividamente do time – O Corinthians já está devendo mais de R$ 100 milhões. E vai se afundar mais ainda… já está tomado com patrocinadores, Clube dos 13 e Federação. Os bancos estão segurando o crédito e os juros estão absurdos.
6. Patrocinadores – Com a crise, não consigo acreditar que o Corinthians vai conseguir um grande patrocinador pagando mais do que a Medial está pagando, vais er complicado até renovar com eles, na minha opinião.
Será que a atitude sábia não seria programar investimentos na base e reformular o time para ter uma participação decente em 2009, se preparando para um 2010, ano do centenário vitorioso? Segurar gastos, programar uma melhoria no perfil da dívida (que não caiu no ano de 2008, apesar de toda a pujança na economia, maior receita de público e de patrocinadores e campanhas de marketing muito bem feitas pelo Rosemberg).
Mas acho q a vontade de ficar no poder do atual presidente falou mais alto, e as ações eleitoreiras, imediatistas e sem responsabilidade falaram mais alto.
Espero, daqui a um ano, poder ler esse post e dizer – ” ERREI e MUITO!”, que o Ronaldo jogou bem, que o Corinthians está saindo do buraco (financeiro), e que o futebol como um todo no Brasil está saudável. Mas temo pelo pior…. não quero ver o Timão (apesar de não ser Corinthiano), na situação do Atlético Mineiro, por exemplo…. quebrado com dívidas gigantes e meio que sem saída.
Espero queimar a língua….
Vida de Gado (Carta Capital, 11/11/2008)
Como em quase todas as suas relações econômicas, o Brasil, no disputado mercado do futebol, é um fornecedor de commodities. Produzimos craques ou bons jogadores aos borbotões. Eles brotam País afora como cana e soja. E até o caminho do estrelato – ou da desilusão – são tratados assim, feito commodities, como frangos desossados ou partes de um belo corte bovino prontos a serem exportados.
Seduzidos pelo sonho da fama e fortuna, crianças e adolescentes, em pleno século XXI, e a despeito de imensos lucros de clubes e empresários que têm a sorte de revelar um novo Ronaldinho ou Kaká, continuam a ser submetidos a uma vida em condições precárias em times médios e pequenos. Os craques do futuro são instalados em alojamentos mambembes e sem higiene, com alimentação de péssima qualidade.
São afastados da família – às vezes até sem a autorização oficial – e da escola. Sobram denúncias de abuso sexual. Nos grandes clubes existe a preocupação de matricular o jovem jogador em uma escola. Mas nem sempre há um acompanhamento adequado. Com o vai-e-vem de time e de cidade, são raros os que concluem os estudos.
Nos clubes com menor estrutura, a situação é pior. Os jovens são submetidos a cargas excessivas de treinamento e a uma enorme pressão psicológica. A ausência do convívio familiar, a falta de estudo, a pressão e o risco de abuso sexual levaram o Ministério Público do Trabalho a fiscalizar a situação dos jovens atletas.
Em São Paulo foram realizadas vistorias em vários clubes. Há um ano, um grupo de trabalho foi formado por procuradores de vários estados para analisar o problema em todo o País. A intenção é regulamentar a atividade para as crianças e adolescentes. “Estamos preocupados principalmente com a situação dos menores de 14 anos. Muitos clubes não têm a infra-estrutura mínima para receber esses jovens e, muitas vezes, nem a autorização oficial dos pais”, explica a procuradora Claudia Lovato Franco, do Ministério Público do Trabalho de São Paulo.
Jovens jogadores fazem graves acusações. “Sempre ouvi falar de casos de pedofilia nas categorias de base de grandes times”, afirma R.M., 20 anos, ex-Corinthians e Portuguesa e hoje sem clube. “Alojamento sem higiene é coisa normal. Se a Vigilância Sanitária aparecer, ela fecha dezenas de clubes.
Na Portuguesa Londrinense (PR), um amigo meu estava dormindo e um rato caiu em cima dele”, conta R. A.P., 19 anos, ex-Santos e também sem clube no momento, relata ter passado duas semanas na mesma Portuguesa Londrinense à base de arroz e pé de galinha, todos os dias. “À noite, a gente dormia no chão. E tinha de ficar com a bolsa e as roupas entre as pernas para não ser roubado”, afirma.
Segundo ele, atletas menores de idade da cidade saíam diariamente com homossexuais e recebiam 200 reais por programa. CartaCapital visitou o alojamento da Portuguesa Londrinense, rebaixada neste ano para a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense. Lá, os jogadores dormem em camas e beliches capengas com colchões velhos e sujos.
Os quartos não estavam limpos e havia um forte cheiro de mofo e suor. “Aqui não tem nenhuma mordomia, nem quartos bonitos. Mas é limpo, sim. Uma vez por semana tem um cara meio ignorante aqui que bota a molecada para cuidar dos quartos e do corredor”, diz Amarildo Martins, 45 anos, dono de um autopeças, presidente da Portuguesa e também do Cambé, da cidade vizinha de mesmo nome. Ex-atleta do Operário de Campo Grande, Martins se define como um jogador razoável. “E a vida é difícil para quem é razoável”, sentencia. Ele nega que seus jogadores só comam pé de frango. “Isso é uma coisa inventada por um jornalista da tevê de Londrina. Aí, passaram a falar.
A base da alimentação é peixe e macarrão, que tem carboidrato para os atletas. Nem eu tenho macarrão na minha casa todo dia. Podem ter sobrado uns dois pezinhos de frango de vez em quando. Mas quem falou isso é o maior mentiroso da face da terra”, rebate. O presidente admitiu que homossexuais costumam rondar o alojamento do clube. “Os gays sabem que aqui está cheio de garotos e ficam rondando. Mas o que eu posso fazer? Eu falo com os meninos, procuro conversar. Como sou evangélico (da Igreja do Evangelho Quadrangular), levo a palavra de Deus para eles. Sempre trago alguém aqui, de várias igrejas, para fazer a pregação”, afirma.
São mantidos, no momento, no alojamento da Portuguesinha, como o time é chamado, 35 jovens das categorias júnior e juvenil. Os do infantil moram na região e não ficam alojados, garante Martins. Os atletas treinam pela manhã e à tarde. Já passaram pelo time craques como o goleiro Gomes (ex-Cruzeiro e hoje no Tottenham da Inglaterra) e os zagueiros Anderson e Miranda (São Paulo). Martins é um dos principais fornecedores de jogador do time paranaense do Irati, um dos preferidos pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, do Palmeiras, para garimpar contratações.
O sonho dos jovens jogadores da Portuguesa, como os de outros clubes do País, é jogar na Europa. Depois, a seleção brasileira. Martins diz que os orienta a não interromper os estudos. Mas a maioria parece não seguir o conselho. “Estou aqui há sete meses. Parei de estudar no terceiro ano do ensino médio”, admite Willians Fernandes Vieira, goleiro de 17 anos, da cidade paranaense de Assaí. “Mas vou voltar no próximo ano”, promete.
O centroavante Hélio, 19 anos, de Ourinhos (SP), joga desde os 10 anos e também interrompeu os estudos no último ano do ensino médio. “É muito cansativo treinar e estudar”, reclama. O meia Henrique Leão, 20 anos, de Três Corações (MG), parou aos 17, no segundo ano do ensino fundamental. “Sempre comecei e parei. Se não houver estabilidade num time, é complicado”, garante.
Leão lamenta ter sido obrigado a deixar o juvenil do Santos, onde passou quatro meses e foi dispensado. “O meu empresário na época quis muito, não entrou em acordo com o clube e eu fiquei sem a vaga. Prefiro nem comentar. Às vezes é melhor nem ter empresário. Tem uns que só te roubam”, reclama. O paulistano Caio de Melo Pereira, 15 anos, um dos mais jovens do alojamento, tem conseguido estudar. Está no primeiro ano do ensino médio. “Dá muita saudade da família. Mas a gente tem que se adaptar a essa vida”, afirma. Em outras regiões, a situação dos jovens atletas não é diferente.
No Recife, os atletas das categorias de base do Santa Cruz – tradicional clube pernambucano que se prepara para disputar a Série D do Campeonato Brasileiro, depois de vários rebaixamentos – treinam num campo conhecido como “pantanal”, que passa a maior parte do ano encharcado. Onde deveriam ser os vestiários e refeitórios, tem apenas uma estrutura de alvenaria inacabada, sem armários, vasos sanitários ou água encanada. Ladrões costumavam invadir o local para roubar fios, material de construção e até assaltar jogadores. F.J., 16 anos, conta que o clube só fornece o campo, a bola e o treinador. “A gente tem de levar lanche de casa. Depois do treino, não tem lugar nem para tomar banho. Voltamos todos suados. Não tem lugar nem para fazer xixi e fazemos no pé do muro.”
Muitas vezes, jogadores do juvenil treinam com os menores, de até 8 ou 9 anos. “Eles acabam se machucando”, lamenta. Pais de atletas denunciaram o Santa Cruz ao MP por causa das irregularidades. Há 15 dias, a procuradora do Trabalho Débora Tito e a promotora da Infância e Juventude Jecqueline Aymar convocaram os três principais clubes do estado – Náutico, Santa Cruz e Sport – para uma reunião. “Os jogadores têm os seus direitos ameaçados, principalmente quanto à educação e à convivência familiar”, alertou a promotora.
As instalações das categorias de base são um exemplo de desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e às leis trabalhistas. Além da inexistência de comida no refeitório, faltam roupa de cama, higiene, armários e privacidade no alojamento improvisado sob as arquibancadas do estádio do clube. Os banheiros só foram reformados no final de 2006, graças a uma coleta de dinheiro realizada por alguns jogadores, indignados com os vasos sanitários quebrados e os poucos chuveiros, entupidos. Até setembro, a energia elétrica estava cortada por falta de pagamento e o gerador era desligado à noite para economizar óleo diesel.
Os atletas não conseguiam dormir por causa do calor e da invasão de mosquitos. O estádio do time fica ao lado do Canal do Arruda, que recebe boa parte dos esgotos da zona norte da capital pernambucana. A nova diretoria do Santa Cruz, que tomou posse em outubro, admite as irregularidades e promete corrigi-las. O diretor das categorias de base, Carlos Frederico Galvão, diz que vai criar uma coordenação de saúde e de assistência para dar acompanhamento pedagógico, social e psicológico aos jovens atletas. “Precisamos apenas de tempo, pois as ações não podem ser implementadas de uma vez”, afirma. Galvão informou que o clube deve adquirir um terreno para construir um novo CT, próximo de duas escolas. Prometeu ainda se inspirar em experiências bem-sucedidas de parceria para solucionar os problemas. Mas o Santa Cruz não terá muitos exemplos para copiar.
São poucas as experiências de clubes de futebol que tentaram assegurar formação e cidadania aos meninos que arriscam a carreira de jogador. Uma das poucas aconteceu no Vitória da Bahia, nos anos 2002 e 2003. Naquele ano, o clube baiano criou o projeto Bom de Bola, Bom de Cabeça, em parceria com a ONG Centro de Educação e Cultura Popular (Cecup), o Unicef e a Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Segundo o ex-coordenador do projeto, Normando Batista, a proposta era oferecer uma formação educacional para os adolescentes de 15 a 17 anos. “A parcela daqueles que conseguem se profissionalizar é muito pequena, por isso havia esse investimento para que todos fossem capazes de identificar oportunidades além do futebol”, lembra Batista.
Eram oferecidos cursos e oficinas sobre prevenção contra drogas, sexualidade, HIV, relações humanas, mídia training, informática e acompanhamento pedagógico. Mas a iniciativa não foi adiante. O confinamento de atletas em espaços inadequados também é prejudicial. Até o mês passado, 32 jovens jogadores do Esporte Clube Laranja Mecânica, da cidade paranaense de Arapongas , viviam numa espécie de república num casarão. À noite, tinham a companhia apenas do técnico, Luiz Balbino, ex-jogador do Cruzeiro e do Tupi de Juiz de Fora, que deixou o time recentemente. “Dá saudade demais. Mas, se a gente tem um plano na vida, tem que lutar por ele”, diz Wellington Marino, 16 anos, que saiu há um ano da cidade de Sapezal, em Mato Grosso, para treinar no Laranja Mecânica. Jonathan dos Santos, também de 16 anos, de Campo Grande (MS), é filho de um porteiro e uma empregada doméstica e só pensa em ajudar os pais. “Meu sonho é dar alguma coisa boa para minha família.”
A distância dos parentes pode trazer prejuízos aos garotos, avaliam especialistas. “A criança e o adolescente estão numa condição peculiar de desenvolvimento. Além das questões materiais, precisam de referências familiares, culturais e comunitárias”, observa a psicóloga Lucia Helena Alencar, especializada em violência doméstica contra a criança. “Numa situação como essa, eles ficam sem o referencial de pertencimento, o que compromete o desenvolvimento saudável e adequado.” Os jovens que treinam muitas vezes em período integral perdem o direito à infância. Essa situação contraria o ECA. O artigo 19 da lei federal diz que toda criança “tem de ser educada no seio da família”. Já o artigo 53 assegura o direito à educação, “visando o pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”.
A carga excessiva de treinamentos é outro problema. “Há um perigo no exagero de exercícios físicos. Faltam profissionais preparados. Dar treino para uma criança é uma questão delicada e é preciso uma formação muito boa para isso”, alerta Turíbio Leite de Barros Neto, fisiologista do Centro de Medicina Esportiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do São Paulo Futebol Clube. “Em muitos casos, quem costuma dar o treinamento é um ex-jogador. Não tenho nada contra ex-jogador. Mas é uma competência que ele não tem.” O MP paulista recebeu no ano passado denúncias de que crianças e adolescentes estariam sendo submetidos “a jornadas excessivas de trabalho” nos grandes clubes.
Na época, um adolescente denunciou ainda ter sido vítima de assédio sexual no Corinthians. Um ex-gerente de futebol amador foi acusado. Em visita aos alojamentos do Corinthians para examinar as condições de trabalho e recrutamento das crianças e adolescentes das categorias de base, as procuradoras Mariza Mazotti, Débora Lopes e Maria José do Vale constataram problemas como sujeira, mau cheiro e chuveiros precários. Alojamentos do clube foram interditados.
O supervisor das categorias de base do Corinthians, Wagner Rodrigues, o Vaguininho, afirma não ter conhecimento de casos de assédio e diz que o clube resolveu os problemas apontados pelo MP. “Os jogadores dos juniores, mais velhos, foram desalojados. Cada um agora passa a ter uma casa. Agora, só garotos da mesma faixa etária ficam juntos”, afirma. “Quanto ao estudo, a Federação Paulista de Futebol exige que o garoto mostre seu boletim de dois em dois meses.” Em Minas Gerais, o Cruzeiro está prestes a assinar um termo de ajustamento de conduta, com conteúdo elaborado pelo Ministério Público do Trabalho. Em núcleos que o clube mantém em municípios do interior também foram encontrados meninos sem freqüentar escola e instalados em alojamentos em péssimas condições, segundo Miriam dos Santos, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A procuradora Claudia Franco vê a pressão psicológica como um dos problemas mais sérios para os garotos. “Tinha meninos em situação de tristeza profunda, porque eram obrigados a apresentar resultados e não conseguiam”, constata. Essa frustração pode ter conseqüências, observa Barros Neto. “A criança tem de satisfazer a expectativa do pai e da mãe. É uma cobrança injusta. Se não correspondem, há uma enorme ameaça à sua saúde mental”, afirma.
Para o fisiologista, o Ministério da Saúde deve intervir nessa questão. “É necessário no sentido de estabelecer condições mínimas para a salubridade física e mental da criança”, defende. Enquanto isso, famílias ficam à espera do sucesso precoce dos filhos. Renan, de 10 anos, por exemplo, já é um craque versátil: joga no time de futebol de salão do Corinthians e no futebol de campo do Juventus, na categoria sub-11. Começou a jogar aos 5, nas categorias “chupeta” e “mamadeira”. No momento, é pretendido pelo Santos e pelo Palmeiras, segundo o pai, José Eronides Filho, 38 anos. “Mas meu desejo é que ele vá um dia para a Roma”, sonha Eronides, ex-atleta e motorista desempregado.
Se os Times de Futebol fosse Bandas de Rock
Autor desconhecido
Grêmio = Sepultura
Um de nossos sucessos internacionais. Mas na terra do molejo e do samba faceiro – exceção feita ao seu público fiel – muitos acham que eles pegam pesado demais.
Um dos mais populares da história, deixa todos malucos, envolveu-se em escândalos, brigas, mas segue firme.
Palmeiras = Aerosmith
A banda tem enorme tempo de estrada. Mas suas músicas só atingem o estrelato quando faz alguma parceria.
São Paulo = Queen
Já foi eleita a melhor do mundo uma quantidade de vezes. E um dos seus integrantes é assumidamente homossexual.
Santos = Beatles
Nos anos 60, não tinha pra ninguém, até hoje é lembrado no mundo inteiro pelos sucessos de 40 anos atrás.
Vasco = Oasis
Banda de qualidade e importância inquestionáveis. Todo mundo quer gostar dela quando ouve, mas a imagem do líder Euricão Gallagher faz muita gente sentir aversão.
Internacional = Led Zeppelin
Reinou nos anos 70 e morreu nos 80. Seus líderes conseguiram juntar os cacos e voltar nos anos 2000, com uma inesquecível turnê mundial.
Atletico MG = Raul Seixas
Mesmo sem ter alcançado o estrelato tantas vezes, conseguiu se consolidar como um dos artistas mais populares do país. Seus fãs são tão apaixonados que tem fama de malucos.
Fluminense = Titãs
Banda charmosa e simpática. No Brasil, é querida por muitos. O problema é que ninguém nunca ouviu falar fora de nossas fronteiras.
Botafogo = Rolling Stones
Seria o maior da década de 60, se não houvesse um rival mais popular…
Teve seu Satisfaction em Garrincha. Há alguns anos retomou o rumo e está feliz da vida.
Cruzeiro = Paralamas do Sucesso
Na América do Sul é respeitado e campeão de vendas. Mas quando participa de um festival com bandas européias é café com leite.
Flamengo = Jorge Ben Jor
Há muito tempo não produz um grande sucesso, mas é incrível como segue popular e nunca sai da moda.
Crise, de novo? – Será que não dá pra falar em outra coisa?
Mas que coisa infernal… pra onde a gente se vira dá com a cara em alguma manchete desastrosa – CRISE, Desgraça, quebradeira, desemprego – CARAMBA, VAMOS PARAR DE FALAR DE CRISE E TRABALHAR?
Agora até os clubes vão sentir o impacto da crise. É…. a maioria dos clubes contava com a venda de jogadores para o exterior pra fechar as contas. Mas os clubes da Europa (bancos quebrando e desemprego) e do Oriente Médio (Valor do petróleo caiu mais de 60%), estão com preocupações em relação ao futuro, e essas contratações estão mais difíceis de acontecer.
E agora, José? Como vamos fechar as contas? A maioria dos clubes já está com suas receitas adiantadas, seja do Clube do 13, da Rede Globo ou de seus patrocinadores… é aquela famosa frase: “Vendendo a janta pra pagar o almoço”.
Outra coisa é a supervalorização dos patrocínios que estava ocorrendo… quero ver quem vai pagar R$ 30 milhões pelo patrocínio do quase hexa campeão São Paulo ou do ressurgido das cinzas Corinthians. 6 meses atrás, muito provável – hoje??? DUVIDO.
Tá na hora de todos os clubes sentarem na cadeira e replanejar todo o seu fluxo financeiro de acordo com o novo ambiente onde, segundo os mais otimistas, essa fase (não quero falar a palavra CRISE de novo), vai durar 18 meses…. E se não fizerem, vai ter clube quebrando.
É só aguardar, e torcer para que o melhor aconteça – SEM PARAR PARA LAMENTAR E TRABALHANDO DOBRADO, OK?
O erro, o “juiz roubou”, e o árbitro de vídeo
Post publicado originalmente no site MTDF, autoria de Silvio Vartan ( silvio at mtdf.com.br)

Ei… se o esporte é vôlei, CADÊ A REDE ?!?!?!?!?
Pense no seguinte:
1) Na última Copa do Mundo, o jogador italiano cai na área e o juiz NÃO apita pênalti, não levando a Itália a ser tetra-campeã;
2) Em 1986, que a “mano de Dios” não tivesse vergonhosamente atrelado o nome de Deus a uma atitude vergonhosa (para mim uma blasfêmia), tirando assim dos Argentinos 1 título mundial;
3) No mundial de Clubes da FIFA em 2000, se o juiz não houvesse validado o gol que bateu no travessão contra o Raja Casablanca (a exemplo da Inglaterra na Copa de 66), alterando o saldo de gols e levando o Real Madrid para a final contra o Vasco, e não o Corinthians.
Com certeza você deve estar imaginando dezenas de outros erros cometidos pela arbitragem que alteraram a história do futebol e do time que você torce.
Afinal, por quê não implantar o sistema de arbitragem externa, à beira do campo (claro, mantendo-se juiz e bandeirinhas), com acesso à transmissão da TV ?
No Rugby, no Tênis e no Cricket, o juiz da partida pode chamar uma consulta ao “Video Referee”, ou seja, o juiz do video. Este vê o replay (algo fácil e rápido na era das transmissões em TV digital) e aponta o que realmente aconteceu: foi pênalti ou não, foi gol ou não, estava impedido ou não, etc.
Na verdade, dirigentes e torcedores usam erros do juiz como desculpa para a incompetência do próprio time. É fácil justificar uma derrota dizendo que o juiz roubou…
A FIFA diz que a dúvida e o erro humano fazem parte do futebol. Mas é uma parte boa ?
Os acidentes fazem parte da Fórmula 1 (e outras corridas), mas eu preferia continuar assistindo à F-1 com o Senna aqui ! A direção da F-1 mudou as regras após a morte de Senna e Ratzenberger, e nunca mais tivemos uma morte na F-1 em 13 anos.
Isto é um exemplo de tecnologia e regras sendo implantadas para se acabar com algo que faz parte da F-1 ( e que não era uma parte boa ) – os acidentes.
Sim, estão implantando um bola com chip, mas isto só resolve os casos de bola sobre a linha. Quantas vezes isto ocorre ?
Jogadores se jogando na área ou impedimentos duvidosos ocorrem com muito mais frequência.
Não seria o “Juiz de Vídeo” um ótimo meio para evitar campeonatos decididos de maneira errada, ou mesmo reduzir ou dificultar a possibilidade de corrupção e compra de resultados ?
Uma coisa é certa. Quando um jogador caísse na área, não teríamos um monte de jogadores de ambos os times correndo e cercando o juiz, pra tentar ganhar no grito ou atrapalhar o juiz e o andamento do jogo.
Este sistema funciona em outros esportes. Acredito que seria fantástico se fosse implantado no futebol. Os italianos que o digam !
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