iG
iBest BrTurbo

04/11/2008 - 10:17

Os dirigentes esportivos brasileiros pensam pequeno*

* Esse texto foi enviado pra gente pelo Paulo Mayeda, e é de autoria de Antonio Afif (afif@universidadedofutebol.com.br)

Complexo de vira-latas

O inesquecível Nelson Rodrigues dizia (não exatamente com estas palavras) nos anos dourados que o Brasil havia conseguido superar o complexo de vira-latas com a conquista da Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Pode até ser que isto de fato tenha ocorrido, mas creio que o efeito de tal “vacina” já deve estar com prazo de validade mais do que vencido.

Os dirigentes esportivos brasileiros pensam pequeno, têm medo de propor algo mais ousado, que fuja do arroz com feijão.* Não sei como seria a construção ou reforma dos estádios do paí­s visando a Copa de 2014, pois a crise financeira global certamente deve ter atingido muitas empresas que poderiam investir no Brasil. Pelo jeito os recursos terão de sair dos cofres públicos.

Você pode me perguntar o que é “pensar pequeno”. *Pois bem, quando um grupo de pessoas não consegue enxergar nada além do que dois palmos na frente do próprio nariz, isto é pequenez. Tínhamos tudo para fortalecermos os clubes do paí­s, mas alguns cartolas mais preocupados com o próprio bolso (ou algum
outro tipo de ambição, para não generalizar) barraram o ingresso de investidores através de uma lei absurda (não, não é a Lei Pelé).

Na área de eventos corporativos o paí­s está muito bem servido, principalmente no eixo Rio-São Paulo. O Banco de Eventos, por exemplo, põe em prática projetos magníficos, que ajudam a alavancar as vendas de produtos de muitas empresas. É só comparecer ao Super Casas Bahia (me desculpem o merchandising) que acontece todos os finais de ano em São Paulo. Numa das edições anteriores assisti a um show da Disney maravilhoso.

Mas, e o futebol? Por que não possui o glamour desses eventos, ou de uma corrida de Fórmula 1 ou mesmo do Carnaval carioca, que é algo mais popular? Por que temos que ter a sensação de algo “dark”, cheirando a mofo quando nos dispomos a assistir a um jogo nos estádios? Cambistas, flanelinhas, brigas, sujeira, banheiros inadequados e, o que é mais triste, com nossos melhores craques no exterior.

Será que é tão difí­cil os clubes enxergarem o “naming rights” como algo que pode representar uma fonte significativa de receita? Creio que as principais equipes do paí­s poderiam enviar representantes para ver como os americanos e europeus fizeram o esporte ser algo lucrativo. Sei que muitos clubes europeus estão endividados porque sonharam alto demais, mas peguemos apenas os pontos positivos e deixemos de lado o que não é bom para nós.

Há pouco mais de dez anos, quando trabalhava num grande clube, o principal atacante da equipe foi negociado. Sugeri que o argentino Batistuta fosse contratado. Fui taxado como louco e optaram por um jogador que atuava no futebol brasileiro. Depois de um tempo (como o tal atacante não deu o resultado esperado) contrataram outro e, depois, mais outro. Ou seja, foram trazidos três atletas para o time num curto espaço de tempo e nenhum deles aprovou.

É isto que eu chamo de complexo de vira-latas dos tempos atuais.  Se somarmos o que foi gasto para a agremiação trazer os três jogadores, a diferença para o que poderia custar a contratação de Batistuta não seria muito grande. Isso, sem falar no retorno que o craque daria, pois a torcida teria presença maior nos jogos, o licenciamento de produtos e a venda de camisas do atacante poderiam cobrir o investimento realizado. De quebra, o clube ainda teria o “retorno” esportivo, pois se tratava de um dos maiores
atacantes que surgiram nas últimas décadas.

Autor: vicente.dicunto@ig.com.br - Categoria(s): Esportes, Pessoal Tags: , , , ,
21/10/2008 - 09:12

Ensaio sobre a Cegueira… no Futebol Brasileiro!

Os deficientes visuais são pessoas que merecem todo o respeito de todas as outras pessoas. São heróis que tem que enfrentar o dia a dia como todos os outros, com as implicações que a perda de um dos sentidos traz.

Mas aqui queremos discutir a uma cegueira diferente, provocada pelo poder. Já dizia Abraham Lincoln, só conhecemos o verdadeiro caráter de uma pessoa quando ela está no poder. Poder é uma daquelas drogas de efeito rápido, que trazem euforia e êxtase, mas tem como efeito colateral o vício – querer sempre mais e mais.

A gente tem visto em toda a história uma vontade de perpetuação no poder de dirigentes vitoriosos. Desde que eu me lembro de futebol, vem a imagem do arquiinimigo do meu verdão, com o polêmico Vicente Matheus, com suas frases de efeito, a imagem do presidente “eterno”, que inúmeras benfeitorias e benesses fez pelo timão, ao longo de sua vida.

Mas aquela era uma época mais romântica, onde tudo era mais no fio do bigode, menos profissional. Onde não caberiam advogadas trabalhistas tirando jogadores de clubes, nem empresários formando times que não existem para ganhar jogos, só pra criar jogador da mesma forma que se cria gado.

Tenho saudades de algumas coisas daquela época – do amor pela camisa, das pessoas que se “davam” pro time, em prol de uma comunidade. Mas hoje em dia, num mundo altamente profissionalizado não temos mais espaço para esse tipo de saudosismo. Os clubes devem mudar suas posturas, ou como já predizia o velho Darwin, somente os mais aptos vão sobreviver.

Mas parece que uma parcela boa daqueles que estão dirigindo o futebol no Brasil não enxergam isso – estão com aquela cegueira branca do poder, onde tudo se faz pra conseguir mais um pouquinho – ora, vamos lá, o que custa me manter no poder só mais 4 anos…. ou até a Copa no Brasil?

Mas por quê? Será que eles não enxergam que ninguém é insubstituível? Que a perpetuação no poder é um cancro que aflige as instituições? Que está subvertendo a ordem natural da vida, onde novas idéias e formas de atuação devem suceder, que o mundo muda, que a forma de administrar uma empresa, uma ONG ou um clube 10 anos atrás não é igual a hoje que não será igual em 10 anos.

O maior interessado, aquele que sustenta realmente o futebol, que é o torcedor, acaba sendo pisado, desrespeitado, humilhado. Estão achando que os times existem por causa dos dirigentes e não pelos torcedores – ORAS! Se não há torcida, não há patrocinador – se não há patrocinador, não há interesse pela mídia – se não há interesse pela mídia, não há cotas de patrocino – se não há cotas de patrocínio (e royalties de vendas de produtos, e receita de ingressos, etc), não há TIME! Será que estão assim tão cegos?

Agradeço todos os dias pela iniciativa inglesa do MyFootballClub, e por termos tido a coragem aqui no Brasil de começarmos o Meu Time de Futebol (www.mtdf.com.br ou no celular – wap.mtdf.com.br), onde vamos comprar um time que será gerenciado pelos torcedores –VIVA o NOVO!

botão cadastre-se

Autor: vicente.dicunto@ig.com.br - Categoria(s): Esportes, Tecnologia Tags: , , , ,
Voltar ao topo