Felipe Aquilino ( felipe at mtdf.com.br)
“Quem sabe, sabe”, já dizia a marchinha de carnaval. E isso vale muito bem para o futebol. Quantos jogadores desacreditados deram a volta por cima, saíram vitoriosos e calaram a boca de tanta gente? Em 1969, João Saldanha chegou a declarar que Pelé estava cego e que não poderia jogar a Copa do Mundo de 1970. Zidane chegou a anunciar a sua aposentadoria da seleção francesa, mas (felizmente) voltou atrás e conduziu os Bleus a mais uma final de Copa do Mundo em 2006, com aquela memorável atuação contra o Brasil nas 4as de final, a qual considerou o maior jogo da sua vida. Mas nada na história do futebol se compara com a história de Ronaldo.
Aquele menino franzino que aparecia no Cruzeiro em 1993 foi a grande surpresa Brasileira da convocação para a Copa de 1994. Mesmo sem jogar, seria um dos mais jovens campeões do mundo da história. E de lá, partiria para o PSV, grande revelador de craques, sendo artilheiro do campeonato holandês. Depois disso foi contratado pelo Barcelona, sendo também artilheiro espanhol e eleito melhor jogador do mundo pela primeira vez em 96. No ano seguinte acertou a transferência para a Internazionale de Milão e mais uma vez brilhou, sendo eleito em 97 o melhor do mundo pelo segundo ano seguido. Tudo isso com apenas 21 anos. Assim surgia o fenômeno. Ronaldo chegou na Copa de 1998 como principal jogador do mundo. E foi eleito o melhor jogador da Copa. Mas na véspera da partida mais importante, teve um convulsão e muitos diziam que tinha amarelado. E com esse episódio veio a fase negra.
Em 2000 passou provavelmente o pior momento de sua vida: uma contusão o deixou fora dos gramados por um ano. O seu fim fora anunciado por muitos. Mas a surpresa veio quando o fenômeno foi convocado para a Copa de 2002, marcou dois gols na final, oito gols em sete partidas e foi o astro da Copa. Também foi eleito o melhor do mundo pela terceira vez nesse ano. Isso despertou interesse do Real Madrid, que montou com Ronaldo um dos maiores e mais frustrantes times de futebol de todos os tempos: os Galáticos. Mesmo depois de algumas contusões e acima do peso, Ronaldo jogaria a Copa de 2006 e se tornaria o maior artilheiro da história das Copas, com 15 gols, apesar do fiasco da seleção canarinho. E Ronaldo acertou sua transferência para o Milan, passando a jogar pelos dois grandes da Espanha e da Itália. Mas novamente teve uma contusão gravíssima que o deixaria mais de um ano fora do futebol. Seria o fim? Nunca, quando se trata de Ronaldo. Depois de um ano fora dos gramados, Ronaldo volta para o Corinthians em uma contratação bombástica e já atinge a marca de 8 gols em 9 jogos, colocando o Corinthians a um passo do título do Campeonato Paulista. O detalhe é que o craque acaba de marcar um gol antológico contra o Santos em plena Vila Belmiro, definido pelo presente Pelé como “uma pintura, um gol de Copa do Mundo”.
O fenômeno está de volta! Seria esta mais uma volta por cima que culminaria na convocação para a sua 5ª Copa em 2010? O Brasil inteiro torce para o maior centroavante da história do futebol.
