Ensaio sobre a Cegueira… no Futebol Brasileiro!
Os deficientes visuais são pessoas que merecem todo o respeito de todas as outras pessoas. São heróis que tem que enfrentar o dia a dia como todos os outros, com as implicações que a perda de um dos sentidos traz.
Mas aqui queremos discutir a uma cegueira diferente, provocada pelo poder. Já dizia Abraham Lincoln, só conhecemos o verdadeiro caráter de uma pessoa quando ela está no poder. Poder é uma daquelas drogas de efeito rápido, que trazem euforia e êxtase, mas tem como efeito colateral o vício – querer sempre mais e mais.
A gente tem visto em toda a história uma vontade de perpetuação no poder de dirigentes vitoriosos. Desde que eu me lembro de futebol, vem a imagem do arquiinimigo do meu verdão, com o polêmico Vicente Matheus, com suas frases de efeito, a imagem do presidente “eterno”, que inúmeras benfeitorias e benesses fez pelo timão, ao longo de sua vida.
Mas aquela era uma época mais romântica, onde tudo era mais no fio do bigode, menos profissional. Onde não caberiam advogadas trabalhistas tirando jogadores de clubes, nem empresários formando times que não existem para ganhar jogos, só pra criar jogador da mesma forma que se cria gado.
Tenho saudades de algumas coisas daquela época – do amor pela camisa, das pessoas que se “davam” pro time, em prol de uma comunidade. Mas hoje em dia, num mundo altamente profissionalizado não temos mais espaço para esse tipo de saudosismo. Os clubes devem mudar suas posturas, ou como já predizia o velho Darwin, somente os mais aptos vão sobreviver.
Mas parece que uma parcela boa daqueles que estão dirigindo o futebol no Brasil não enxergam isso – estão com aquela cegueira branca do poder, onde tudo se faz pra conseguir mais um pouquinho – ora, vamos lá, o que custa me manter no poder só mais 4 anos…. ou até a Copa no Brasil?
Mas por quê? Será que eles não enxergam que ninguém é insubstituível? Que a perpetuação no poder é um cancro que aflige as instituições? Que está subvertendo a ordem natural da vida, onde novas idéias e formas de atuação devem suceder, que o mundo muda, que a forma de administrar uma empresa, uma ONG ou um clube 10 anos atrás não é igual a hoje que não será igual em 10 anos.
O maior interessado, aquele que sustenta realmente o futebol, que é o torcedor, acaba sendo pisado, desrespeitado, humilhado. Estão achando que os times existem por causa dos dirigentes e não pelos torcedores – ORAS! Se não há torcida, não há patrocinador – se não há patrocinador, não há interesse pela mídia – se não há interesse pela mídia, não há cotas de patrocino – se não há cotas de patrocínio (e royalties de vendas de produtos, e receita de ingressos, etc), não há TIME! Será que estão assim tão cegos?
Agradeço todos os dias pela iniciativa inglesa do MyFootballClub, e por termos tido a coragem aqui no Brasil de começarmos o Meu Time de Futebol (www.mtdf.com.br ou no celular – wap.mtdf.com.br), onde vamos comprar um time que será gerenciado pelos torcedores –VIVA o NOVO!
Autor: vicente.dicunto@ig.com.br - Categoria(s): Esportes, Tecnologia Tags: administração, dirigentes, Futebol, MeuTimedeFutebol, MTDF