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16/09/2008 - 17:50

A SEITA DA GRÃ ORDEM DA LAMPARINA SAGRADA – PARTE IX

Já era manhã e Hiflar ainda não havia dormido.Como um planeta interior em busca de alinhamento com seus pares, sua mente girava em torno de questões fundamentais: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Em que barraca vamos dormir amanhã?
 
Toda manhã Hiflar sentia-se muito mal – isto não significava que no decorrer do dia, à tarde ou mesmo à noitinha, ele se sentisse bem. Mas naquela manhã estava particularmente mal. Talvez porque estivesse pensando na finitude da existência… Mas o mais grave mesmo, era não saber onde iria dormir amanhã.
 
Oluap estava meio irritado com ele. Na verdade todo mundo estava irritado com ele. Mas como ele não dormia na barraca de todo mundo, então, só se importava com a irritação do Oluap.  Se fosse expulso da barraca estaria fulminado. As noites eram bem frias naquele lugar. A barraca que Oluap havia armado estava toda torta, muito mau montada – como tudo que Oluap fazia, a montagem da barraca não funcionou e nem deu certo. Se soprasse um ventinho mais forte ela iria pelos ares. Mas mesmo assim era melhor dormir na barraca do que fora dela.
 
Levantou a cabeça e tentou erguer o corpo. Sentiu um aperto na garganta e no coração. Sentiu este aperto em quase todos os outros órgãos também, mas isto era extremamente normal.

 Abriu os olhos e não viu ninguém por perto.

 Balançou a cabeça, fechou e abriu os olhos e continuou não vendo ninguém por perto.

 Preocupado, balançou novamente a cabeça, fechou e abriu os olhos de novo e obstinadamente, continuou não vendo ninguém por perto.
 
Balançou os olhos, fechou e abriu a cabeça… E achou que isto tudo estava ficando muito confuso.
 
Saiu da barraca e viu que tinha um monte de gente por perto.

 Uma destas pessoas que estavam por perto, era a quarta pessoa com nome esquisito nesta estória, e o terceiro personagem com real importância na estória da criação da Seita da Grã Ordem da Lamparina Sagrada.
 
Esta pessoa era – até onde as aparências podem sugerir – uma mulher. E o seu nome causaria estranheza, ate mesmo em uma ameba que sobrevivesse á entrada no horizonte de eventos, de um buraco negro causado pelo colapso gravitacional de uma estrela super massiva.

 Chamava-se Alic Sirp. Estava terminando o seu desjejum, quando viu Hiflar sair da barraca e caminhar – assim como caminham os Paranóico-maníacos-depressivos – em sua direção.

 Alic Sirp era uma pessoa extremamente bondosa. Abominava a crueldade com os animais. Era totalmente contra o aprisionamento de passarinhos, e administrava os fundos públicos de uma ONG que se dedicava à erradicação mundial das brigas de galo. Certa vez planejou invadir um jardim zoológico, com a intenção de libertar todos os animais. Seu plano só não foi posto em pratica, porque em frente ao zoológico, havia um shooping center, que ela acabou entrando por acaso e se distraiu olhando as vitrines. Passou a tarde inteira no shooping e acabou por esquecer o plano libertador. Mas em compensação comprou um casaco de vison feito de pele de raposa polar. Um luxo! Não foi barato, mas ela dividiu em doze vezes no cartão de credito de Ramis Seomis – voces ainda irao ouvir falar neste sujeito de nome esquisito -, e ainda ganhou de brinde um pequeno sirilampo – seja lá o que isso for – empalhado originário das florestas tropicais da Toscana. Uma pechincha.
 
Seu desjejum era um tanto que frugal. Consistia em alguns pedaços de porco, fritos em gordura estraida de lanhas de toucinho. Acompanhava, partes de frango como, coxa, asinhas e sobrecu, fritos na mesma gordura.
 
Hiflar já chegou sendo desagradável. E não apenas pelo seu caminhar desagradável de paranóico-maniaco-depressivo-suicida.

A forma como caminhava, como parava de caminhar, como falava, como ficava calado, como gesticulava, como permanecia imóvel, enfim, Hiflar conseguia ser desagradável de todas as formas possíveis. Mas nesta manhã, ele estava conseguindo se superar. Alem de todas estas formas desagradáveis de se comportar, naquele dia ele estava desagradavelmente beligerante.

 Zombou de Alic Sirp:
 ____Vejo que está comendo, hein?
 ____Não sua besta! Estou sentada aqui esperando que ocorra um eclipse.
 ____O quié isto que esta fritando? Perguntou Hiflar, anotando mentalmente a resposta mal educada sobre o eclipse, para poder usar quando Oluap lhe enchesse o saco.
 ____São pedaços de porco. Estão fritando em gordura extraída de lanhas de toucinho. Pode pegar um pedaço pequeno se quiser. Respondeu a mulher, enquanto limpava os dedos sujos de gordura nos próprios cabelos.
 Hiflar recusou indignado:
 ____Não quero! Você sabe muito bem que eu não como carne. Procuro evitar todo e qualquer sofrimento desnecessário.
 ____Mas para estar comendo – Alic Sirp, nas horas vagas, trabalhava como Operadora de Telemarkenting – estes pedaços de porcos fritos em gordura extraídos de lanhas de toucinho, não foi preciso estar causando nenhum sofrimento.
 Hiflar transpirando ironia retrucou:
 ____Ah não é? Por acaso este suíno já nasceu assim em pedaços?
 ____Não! Claro!
 ____Então para fazê-lo assim em pedaços, foi preciso antes matá-lo, não?
 ____ Claro que foi. Ou você acha que eu iria estar cortando em pedaços um porco ainda vivo? Respondeu Alic, fazendo outra pergunta.
 ____ Então, devo presumir que este pobre e inocente suíno, – pigarreou como se estivesse em uma tribuna da ONU debatendo sobre situação no oriente médio – foi assassinado covardemente. E você, com pedaços da carcaça do pobre animal entre os dentes, ainda vai me dizer que não houve sofrimento?
 ____ Não, não houve sofrimento!
 ____ Comé quié? Disse Hiflar, surpreso como se o Hamas tivesse explodido a tribuna em que ele discursava.
 ____ Não houve sofrimento. Este pedaço de porco que estou devorando, é um fragmento da costela de um suíno geneticamente modificado.
 ____ Geneticamente modificado? Disse Hiflar, agora arregalando os olhos como se os caras do Hamas estivessem invadindo o local, de armas em punho.
 ____ É isso aí! Nunca ouviu falar da Planice Endemoniada não? Perguntou, e sem esperar pela resposta emendou:
 ____ Por todos os cantos do planeta os vegetarianos, por muitos anos vem atacando de forma sistemática, os comedores de carne. Temos sido chamados de bárbaros insensíveis e indiferentes ao sofrimento alheio. Mas agora chegou a nossa redenção! Uma empresa de biotecnologia chamada Planície Endemoniada Corporation , desenvolveu um porco geneticamente modificado para sentir prazer em ser comido. As porcas mães sentem uma satisfação indescritível, quando vêem seus rebentos, engordando dia a dia, em cubículos mega esterilizados, para quando chegarem no peso ideal, serem mortos com galhardia, nos abatedouros dotados de sistemas de qualidade total.
 A planície Endemoniada Corporations desenvolve dinâmicas de grupo, onde os porcos, podem expressar toda o seu orgulho em ser um elo na cadeia alimentar dos comedores de carne. Lógico que o sonho de todos eles é um dia ser transformado em uma suculenta costeleta ao molho de aspargos, mas isto não diminui a satisfação daqueles que são transformados em lingüiças, torresmo, bacon, feijoadas e todos estes menos sofisticados, mas não menos nobres pedaços de porco.

 Fez uma pausa para tirar alguns fios do seu cabelo que estavam erolados em um joelho de porco semidevorado, entre seus labios, e prosseguiu:
 
____ Agora podemos comer porcos picados e fritos em sua própria gordura, sem nenhum problema de consciencia. Sem o menor perigo de estarmos sendo cruéis ou desumanos com os bichinhos. A planície Endemoniada Corporation nos entrega um certificado assinado pelo próprio porco e endossado pelo S. A. S. – Superintendência de Assuntos Suínos – da corporação, garantindo, que o porco em questão, além de ter orgulho e satisfação em ser comido, ainda agradece a oportunidade de poder participar da cadeia alimentar de tão distinto primata. No documento o animalzinho se declara realizado em contribuir para a fascinante aventura humana na terra.
 
Alic Sirp, contrariando as características da alma feminina, gostava de falar.Falava que nem judeu pobre na chuva, querendo indenização de guerra.

 Aquela conversa toda deixou Hiflar ainda mais deprimido do que ele costumava ser.

 Alic Sirp, sensibilizada com a situação do amigo, calou-se, parando de fazer a segunda – a primeira era comer pedaços de porco – coisa que mais gostava. Abriu um livro de receitas da Ana Maria Braga, e foi verificar se tinha todos os ingredientes para temperar o “Macaco Prego Grelhado á Moda Louro Jose”. Afinal já estava quase na hora do almoço.

 Hiflar balançou a cabeça, fechou e abriu os olhos. Estava confuso. Apesar de ver um monte de gente por perto, estava muito confuso.

 Devorou um pedaço de porco e voltou para a sua barraca, onde tinha certeza que mesmo se balançasse a cabeça, abrisse e fechasse os olhos, mesmo assim, não veria ninguém por perto.

Autor: miltonbarao@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2008 - 11:53

A SEITA DA GRÃ ORDEM DA LAMPARINA SAGRADA – PARTE XI

Ramis Seomis deslizava pela avenida do contorno, as margens do rio Arrudas, (deslizava porque o seu caminhar fluía de forma tão suave, que o autor não encontrou outro termo para melhor qualificar a maneira como Ramis se deslocava – isto, claro, sem ser piegas, ou parecer afetado, ou ainda usar de verbos efeminados… enfim, o autor quer dizer que o cara caminhava de uma maneira graciosa, mas sem comprometer a sua masculinidade.) em meio ao transito caótico de veículos, nas margens daquele rio poluído.
 
O rio era tão poluído que se podia imaginar que os quatro milhões de habitantes de uma certa cidade, de um certo planetinha super povoado, onde viviam certos primatas arrogantes, prepotentes e muito insignificantes, jogavam neste rio todo tipo de lixo e podridão que eles conseguiam imaginar e produzir.

Jogavam coisa tais como: Lixo doméstico, esgoto não tratado, corpos em estado de putrefação de animais domésticos, toneladas de resíduos industriais, processos criminais contra membros dos três poderes da republica, roteiros cinematográficos que não dariam nem para enredo de escola de samba, gente morta que tinha morrido há muito tempo, gente que nem tinha morrido ainda, gente morta que tinha terminado de morrer de morte natural ou assassinada pela policia civil.  

Havia lixo e podridão de todos os matizes, desde sujeira orgânica, passando pelo mau caratismo político social e terminando nas mais abomináveis taras sexuais.
 
O liquido que corria naquele rio não era mais água. Assemelhava-se a sopa primordial. Aquela que, a uns quatro bilhões de anos aproximadamente, foi atingida por uma descarga elétrica, e as moléculas eletrocutadas, inconseqüentemente, resolveram sair por aí se reproduzindo, dando inicio a esta aglomeração de primatas arrogantes, insignificantes e muito, muito prepotentes.
 
E foi exatamente isto que aconteceu no leito daquele rio, justamente no momento em que Ramis Seomis deslizava por lá.
 
Ninguém nunca vai saber o que desencadeou o processo, que fez surgir o sopro da vida naquela criatura. Talvez tenha sido o choque entre uma molécula em decomposição do corpo de um animal civil, morto pela policia, e uma outra molécula desgarrada, do ultimo capitulo de um enredo cinematográfico onde foram inocentados alguns deputados, juízes e senadores por falta de provas.   
 
Ramis Seomis ponderou, e considerou que o surgir da vida em toda aquela poluição, era biologicamente impossível. Mas quem sabe, a biologia não estava cansada e precisando de umas férias. Talvez ela tenha resolvido dar uma olhadinha para o outro lado, e se concentrado no problema dos organismos unicelulares de reprodução assexuada, que estavam levando uma vida sem grandes motivações – alguns até carregavam fotos da própria mão direita dentro da carteira.

Talvez, naquele momento, ela estivesse ocupada em uma reunião de diretoria, tentando encontrar alguma forma mais eficiente, do que a ultrapassada e custosa queima de glicose para manter estável a temperatura de mamíferos e aves.
 
Enfim, ninguém sabe ao certo o que aconteceu.
 
O que se sabe, é que a criatura repugnante saiu do rio poluído e veio se arrastando, asquerosamente, em direção ao grande Ramis Seomis.   

 ___ E aí, cara…Estou chegando agora e não conheço a rapaziada. – iniciou a criatura nojenta, tentando fazer amizades – Será que você podia me apresentar pra moçada? Você parece um cara descolado e eu estou precisando conhecer algumas minas…Você sabe como é? – perguntou e logo emendou uma resposta nojenta.

 ___ Esta é a minha primeira experiência de vida e estou com uma vontade louca de me reproduzir.
 A criatura disforme falava, e enquanto falava, um liquido amarelo escorria de um orifício que parecia ser o seu nariz, e se misturava com outro liquido gosmento meio azulado, que escorria de outro orifício que parecia ser a boca.  
 
___ Eu – disse cuspindo aquele liquido asqueroso – nunca estive vivo antes e queria alguém para me dar uns toques sobre o sentido da vida. Sobre os segredos do universo e sobre estas questões fundamentais tipo: quem somos, de onde viemos e pra onde vamos? 

 Fez uma pausa nojenta para estudar o efeito daquelas palavras, e continuou:

 ___ Mas se não tiver ninguém a fim de falar sobre as questões fundamentais, eu também sei tocar bateria, e tenho algumas idéias bacanas sobre a decadência da civilização ocidental judaico-cristã, e…  
 ___ Peraí! – interrompeu o grande Ramis – Como você sabe tocar bateria? Questionou notando que aquele liquido gosmento que escorria da criatura, estava se espalhando pelo chão e sujando seu tênis Nike, e ao mesmo tempo, achando inverossímil o fato de a criatura ter surgido daquele lixo todo e já saber tocar bateria.
 ___ Sei lá cara! Deve ter sido em alguma partitura de uma banda de hard core romântico, que algum executivo de gravadora jogou aí dentro desta sopa primordial. 
 ___ Humm! Hard core romântico? Então é melhor você escrever um livro, ou um poema, com estas idéias bacanas sobre a decadência da civilização ocidental judaico-cristã. 
 ___ Você acha? E porque? Você pensa que hard Core romântico não combina com a decadência da civilização ocidental judaico crista? 
 ___ Não! Na verdade penso que hard core romântico não combina com musica. 
 ___ Acho que você tem razão. – Disse, piscando o orifício direito que parecia ser um olho.  

Piscou o buraco esquerdo também, e deste começou a escorrer um liquido verde gosmento, que juntamente com os líquidos nojentos que escorriam dos outros dois buracos, formaram uma vazão multicolorida e nojenta que alagava o chão onde Ramis Seomis estava pisando.

 Depois de sujar de forma bastante asquerosa o tênis Nike, a vazão multicor e nojenta escorria pra dentro do rio.
 ___ Se bem que – continuo falando e escorrendo líquidos nojentos – este negocio de escrever livros sobre a decadência da civilização ocidental, é coisa de gente feia que não consegue uma mina para se reproduzir…Falando em se reproduzir, você acha que eu sou bonitão? Acha que as minas vão gostar de mim? 

 Os líquidos nojentos que escorriam da criatura nojenta, eram de três cores. Verde amarelo e azul. Quando entravam em contato com a sopa primordial, que era branca, começaram a formar uma estranha imagem.
   Existem casos em que a simples coincidência, o puro acaso não podem explicar.
 
O diâmetro aparente do sol e da lua, serem exatamente do mesmo tamanho quando vistos da superfície da terra é uma delas. O que havia no lugar do tempo cronológico, antes do milésimo de segundo inicial do Big Bang, outra. As pedras dispostas em circulo de Stonehenge, as pirâmides do Egito, as linhas de Nazca, ou se os deuses eram ou não eram astronautas.

Enfim, existia uma infinidade de coisas que o bom senso e as leis da Física não podiam explicar.    

 Mas o desenho que estava se formando no leito asqueroso do rio desafiava as leis da física, como se elas fossem as leis de um paisinho qualquer, abaixo da linha do equador.  Ou talvez, elas também estivessem cansadas e resolveram tirar férias junto com a biologia. 

 ___ As minas não levam em consideração se você é bonito ou feio. Elas têm outros valores.
  ___ Que outros valores? 
 ___ Humm…Você esta sendo pretendido por algum clube europeu?
 ___ Clube Europeu? O que é Clube Europeu?
 ___ Deixa pra lá! Você tem carro importado? Já apareceu na televisão? Participou de alguma edição recente do Big Brothers Brasil?

 A criatura, monstruosamente, balançou um troço que devia ser a cabeça, num claro movimento de negativa.

 ___ Olha, tem funcionado legal com as minas você falar que faz parte de uma gangue de traficantes e assassinos, mas se não funcionar você ainda pode tentar o sexo virtual, mas este não dá pra se reproduzir não.

 Aquela figura de formas geométrica sobrepostas, já totalmente formada no leito nauseabundo do rio, perturbou Ramis Seomis, fazendo com que ele se lembrasse de uma canção:
 “Salve lindo pendão da esperança, salve símbolo augusto da paz”.

 Inesperadamente a criatura deu um salto e falou:

 ___ Coach!
 ___ Coach? O que você quer dizer com coach?
 ___ Pirou mesmo, hein?
 ___ Hein? Como? O que?
 ___ Coach! Coach!
 ___ Ta conversando sozinho? Esqueceu de tomar o remedinho hoje, Zé?

  Perguntou Oluap, enquanto escovava os dentes e tentava segurar o riso pra não engolir creme dental.

 ___ Hein? Como?
 ___ Que você esta fazendo parado aí, rapá? Saia daí porque este chão molhado que você esta pisando, é conseqüência dos banheiros químicos lá em cima. Não ta percebendo o cheiro?

 ___ Hã? Hein? – Disse Ramis Seomis enquanto pisoteava a grama encharcada de cocô, e completou como se estivesse saindo de um transe:
 ___ A criatura! Ai meu Deus! A criatura saiu de dentro do rio.

 Oluap que já exibia uma tez meio que avermelhada, devido ao esforço de segurar o riso, disse desistindo de escovar os dentes:

 ___ Que mané criatura? Isto daí é um sapo! Sai daí, ô panguá!
 

 ___ Hein? Um sapo?
 ___ Coach! Coach! Disse o sapo, perdendo interesse naquela criatura grande e abestalhada que invadira o seu pântano de cocô.
 ___ Coach! Disse mais uma vez, e pulou descontraída em outra direção, estendendo a língua para capturar uma mosca desavisada.

 Oluap, que nestas alturas estava procurando alguma coisa para se apoiar e evitar que caísse de tanto rir, disse em meio às gargalhadas:

___ Claro que é um sapo! Ou você pensou que este “coach”* que ele estava fazendo ,é só porque quando te viu abestalhadamente parado aí, pensou que você era um especialista consultor em pântanos de cocô?
 Então o grande Ramis Seomis, percebendo o grande vacilo, resolveu dar uma grande volta para não passar por perto de onde ficavam as barracas de camping, e foi lavar o seu grande tênis Nike, em um rio mais limpo. Não sem antes pedir para que o Oluap não contasse nada daquilo pra Alic Sirp.
*
Nota do autor
 Coach – Profissional que presta suporte e treinamento a outros profissionais que, durante um período considerado crítico em suas carreiras, buscam apoio e orientação, além de novos desafios e objetivos.   

Autor: miltonbarao@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/09/2008 - 12:08

A SEITA DA GRÃ ORDEM DA LAMPARINA SAGRADA – PARTE XIII

A SEITA DA GRÃ ORDEM DA LAMPARINA SAGRADA PARTE XIII

 

            O universo é um troço muito grande.

            Na verdade, o universo é um negocio absurdamente grande. Se alguém algum dia te falar que o universo é a maior coisa que já se viu, pode acreditar!

            O universo chega a causar desconforto naqueles que, enfim, descobrem o tanto que ele é despropositalmente grande.

            O universo é desconcertantemente grande.

            A nossa galáxia é bem menor que o universo, mas ela também é muitíssimo grande, e existem bilhões como ela, apenas no universo mapeado.

            A luz se resolvesse sair de um extremo de nossa galáxia para iluminar o outro extremo, só chegaria lá quinhentos mil anos depois. E olha que a luz é bem estressadinha e gosta de fazer tudo muito rápido, se movendo a vertiginosos trezentos mil kilometros por segundo. Em uma hora a danadinha percorreria em torno de um trilhão de kilometros.

            As pessoas costumam ficar tão desconcertadas com o tamanho do universo, que preferem ignorar, e fazer de conta que  este tamanho todo não é com elas. Preferem virar para o lado, e continuar fazendo as coisas pequenas de sempre.

            Mas tentar ignorar, assobiar uma musiquinha qualquer, enquanto trabalha de Gerente de Recursos Humanos e tenta espalhar a tua carga genética, não é uma boa idéia para lidar com este tipo de desconforto.

            Este tipo de comportamento é tão grande em estupidez, quanto o universo é grande em dimensão.

            Esta atitude é considerada extremamente idiota em todos os planetas que orbitam a estrela de Betelguese.

            É considerada uma atitude razoável, apenas em um planetinha azul-esverdeado, total mente insignificante, que gira  em torno de uma estrela amarela nos confins da borda ocidental da galáxia. Mas nem neste planetinha insignificante, e perdido nos cafundós da galáxia, este tipo de comportamento é considerado uma unaminidade.

            Na verdade as únicas criaturas que acham este comportamento razoável são uma espécie simiesca, descendente de primatas e bastante prepotente. Prepotente ao ponto de achar que o criador de um universo deste tamanho, tem também uma forma simiesca parecida com a delas.

            Este comportamento de tentar ignorar o tamanho do universo, para não ficar desconcertado e acabar dando um tiro no ouvido, ou pedir conta no emprego de Gerente de Recursos Humanos, também é considerado uma atitude razoável em Belfrajax, o segundo planeta da estrela Oriom V.

            Mas para um pensamento que se preze, ser considerado razoável em Belfrajax não é nenhum mérito. Afinal, é em Belfrajax que vive a Terrível Besta Voraz de Traal. Um animal tão incrivelmente voraz, quanto gigantesticamente estúpido. Para escapar de um ataque da Terrível Besta Voraz de Traal, basta fechar os olhos.  A criatura é tão estúpida que , quando percebe que a presa está de olhos fechado e não pode vê-la, logo conclui que, como a presa não pode vê-la, ela também não pode ver a presa.

            Definitivamente, Belfrajax é um lugar insosso e idiota.

            Quase tão idiota como estes lugarzinhos que tem como forma de governo o regime republicano presidencialista, e ainda insistem em acreditar em democracia participativa, quando quem participa, não tem nem condições materiais para participar, muito menos condições sociais e psicológicas para exercer a soberania da participação.

            Oluap era um destes pobres coitados sem condições. Ele sabia disto. Porém, podia ser pobre coitado sem condições, mas não era burro. Se todas as pessoas que conheceu ao longo da sua vida, eram unamines em afirmar que ele era um pobre coitado sem condições, ele não via motivos para discordar. Exceto por uma questão de razoável importância em sua escala de valores: Gostava de discordar! Principalmente quando discordava de pessoas de quem não gostava, o que totalizava, pela última contagem, todas as criaturas que se movem  e emitem ruídos de qualquer espécie no universo conhecido!

            Este numero daria um montante incalculável  de criaturas, considerando o tamanho do universo. E como Oluap nunca tinha sido muito bom de cálculos, ele preferia não se esforçar muito, e por hora, não gostar apenas de Oarabotlim, Ramis Seomis, Alic Sirp e Hiflar, além de todos que estavam naquele acampamento, pelo menos, por hora, julgava que este  numero de criaturas era suficiente.

            Oluap não gostava de Alic Sirp , porque ela se movia, e, principalmente, porque fazia muito barulho! Não gostava de Oarabotlim porque este, embora estivesse em um nível tolerável de emissão de barulhos, se movia demais andando pra lá e pra cá, bebendo latinhas de cerveja. Tambem não gostava de Ramis Seomis e nem de Hiflar. Sendo que não gostava do primeiro, mais por uma questão de concordância com o resto do universo, e com o segundo, porque no resto do universo, não era possível encontrar alguém que nutrisse alguma simpatia por um ser tão desprezível como o Hiflar.

            Oluap, na verdade só gostava de uma coisa: Consertar bugigangas estragadas!

            E era certo que,  em nenhum lugar deste universo, infinitamente grande, como já foi dito, existisse uma bugiganga, qualquer que fosse, que pudesse se orgulhar de ter sido consertada por Oluap.

            Oluap nunca conseguira consertar coisa alguma, pelo contrario, tinha uma facilidade enorme para estragar o que estava funcionando!

            As pessoas quando o viam,  sempre comentavam: “Hei, aquele não é o Oluap, aquele que nunca conseguiu consertar nenhuma bugincanga em toda a sua vida?” ou “Este Oluap é um tremendo Mané! Não consegue consertar nada!”  ou o comentário que mais irritava Oluap: “Tudo que Oluap faz, ou dá errado ou não funciona, ou as duas coisas ao mesmo tempo”.

            Era principalmente, por causa desta ultima frase, que não gostava das pessoas, ou de nenhuma criatura ou coisa que se movesse e emitisse ruídos em todo o universo.

 

CONTINUA…        

Autor: miltonbarao@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/09/2008 - 11:44

A Seita da Grã Ordem da Lamparina Sagrada – Parte X

A SEITA DA GRÃ ORDEM DA LAMPARINA SAGRADA

PARTE X

            O universo possui um centro. A teoria do universo inflacionário argumenta que estamos dentro de uma bolha em constante expansão. O tempo, o espaço, a matéria como a conhecemos, tudo existe apenas dentro desta bolha. E esta bolha, como qualquer outra forma, possui um centro geométrico.

            Os cientistas acreditam que, dependendo da quantidade de matéria presente no momento inicial do Big Bang, esta bolha vai se expandir de forma continua até o infinito, ou vai chegar a um limite Maximo de expansão, de onde, a gravidade forçara a um retorno ao ponto de origem. É o que os estudiosos chamam de Big Crunch. De qualquer forma tem que existir um centro.  E o umbigo do quarto personagem desta serie, se localizava bem no centro geométrico do universo. Pelo menos era nisto que ele acreditava…

            No Apocalipse dos metafísicos, ou no Big Crunch dos teóricos, o universo se extingue pela sua própria força. O fim sempre é um fator inerente da matéria. Para uns são as vilanias do homem, e para outros é o fim de um ciclo, como em qualquer processo natural. Mas o que importa é que no momento em que entrasse em cena os acontecimentos do apocalipse e as bestas começarem a soar suas trombetas, ou o universo começasse a se dobrar sobre seu próprio peso, o ultimo ponto a ser esmagado pela força do colapso gravitacional seria o seu centro absoluto e geométrico.

            Ramis Seomis – o mais megalomaníaco ser orgânico constituído de carbono, dotado de nome esquisito que jamais existiu em todo o universo conhecido, e que casualmente é o derradeiro personagem desta serie – acreditava que este ponto lendário, previsto tanto nas teorias cientificas quanto nos delírios místicos, era um ponto móvel. Mobilidade só limitada pela sua vontade.

            Ramis Seomis era um homem livre, de espírito indômito. As fronteiras internacionais, as forças de coerção do estado constituído, os dogmas das instituições religiosas, e qualquer outra norma de rigidez moral, não eram poderosas o suficiente para frear sua ânsia de liberdade. Era um mochileiro por natureza. E sendo assim, gostava de movimento. Seu maior prazer, era uma distancia mínima de cem kilometros entre o nascer do sol de um dia e o alvorecer do próximo. Ramis seomis levava sempre o seu umbigo pra onde quer que fosse, e neste movimento, arrastava junto, o centro geométrico do universo.

            Alic Sirp considerava Ramis um demente com mania de grandeza. Esta estória de que o seu umbigo era o centro do universo, não fazia muito sentido pra ela. Mesmo porque não entendia direito estes papinhos de Big Bang, Big Crunch e Universo Inflacionário. Mas acima de tudo era uma pessoa crédula e ingênua, e quando ouviu falar que o ultimo ponto a ser esmagado, segundo a tal da teoria, seria o tal do centro do universo, e que este vinha acoplado ao umbigo do Ramis Seomis, resolveu ficar nas imediações por uma questão de segurança.

            Casaram-se.

            Entraram na igreja ao som de “Children of The Sea” do Black Sabbath. Não foi um casamento convencional. Ramis Seomis subiu ao altar vestido com a indumentária dos “Abutres do Asfalto”, pilotando um      Harley “depenada”. O padre, com o cabelo na altura dos ombros e um óculos redondinho que fazia lembrar o John Lennon, perguntou:

___Aí, a mina ta paradona na sua. Vai rolar de juntar os panos?

___Pode crê! Respondeu Ramis Seomis, soltando uma baforada de canabis sativa, e tentando fazer uma expressão inteligente e decidida. Tendo como resultado do esforço, apenas ter conseguido dizer:

___ Nó, bicho! Tou muito louco!

___ E você mina? – Continuou o padre, balançando o corpo pra lá e pra cá, como se estivesse cantando “Given For Peace” – Rola de cair pra dentro da caxanga do maluco?

___ Sóó…Mas aí, tem um elefante vermelho, rindo pra mim, escondido dentro da bíblia.

            Após a cerimônia, caíram na estrada, mas antes, escandalizaram os convidados pela ultima vez, fazendo uma sessão de sexo oral na escadaria da igreja.

            Com o passar do tempo, este casamento, por certo, cerceou em muito a mobilidade de Ramis Seomis, e o centro do universo em seus quatorze bilhões de anos de existência, nunca ocupou um espaço tão reduzido.

            Como tudo mais na galáxia, a redução linear, teve pontos positivos e pontos negativos, como tudo mais, dependia do ponto de vista sob o qual o observador se colocaria.

Observado sob o prisma dos teóricos do big crunch, seria de grande valia se eles soubessem que o ponto onde ocorreu o evento que deu origem a todo o universo, estava agora restrito a uma circunferência de no máximo cem metros, que era a área em Ramis se deslocava quando cumpria a sua obrigação diária de levar o lixo da cozinha até o portão da rua.

            Com base nesta informação á respeito de onde tudo começou, os estudiosos poderiam calcular, medindo a presença de resquícios de níquel-56, em nebulosas oriundas de explosões de super novas, a velocidade do movimento inicial de expansão e conseqüentemente a idade precisa do universo.

            Mas os cientistas – para a desgraça do conhecimento – não sabiam que o grande Ramis Seomis tinha se casado (e nem sabiam também, no que é que ele era grande). Não sabiam que Seomis estava agora limitado a se movimentar de sua cozinha até a calçada em frente a sua casa. Mas mesmo se soubessem não teria grande valia, porque os estudiosos não acreditavam que o umbigo de Ramis Seomis estava acoplado ao centro do universo. Quem acreditava nisto era só o próprio Ramis e Alic Sirp, que por segurança, tinha até se casado com ele.

            Outro ponto positivo diz respeito à Cia de Correios e Telégrafos. Na época em que Ramis seomis ainda era solteiro e tinha o espírito indômito e sede de liberdade e a cada dia amanhecia em uma cidade diferente, a dificuldade dos caras dos correios em lhe entregar a correspondência era enorme. Agora era diferente. Sabiam que o espírito indômito do grande Ramis Seomis tinha sido domado. Agora ele tinha endereço pra correspondência.

            Só no ultimo mês conseguiram entregar vinte e nove convites personalizados idênticos para adquirir um cartão de credito que ele já tinha adquirido, vinte e sete cartas ameaçadoras idênticas dizendo que ele não tinha pago a fatura de um cartão de credito que ele não tinha adquirido e setenta e três cartas idênticas dizendo que ele era uma cara legal e de bom gosto, e que por isto foi selecionado entre milhares para adquirir um jazigo para toda a família no “Cemitério Parque Enterrou Está Morto”.

            O lado negativo de cerceamento de mobilidade, era do ponto de vista do próprio Ramis Seomis. Ele achava meio chato só poder se deslocar dentro de uma circunferenciazinha de apenas cem metros, mas o pior é que de todo lugar dentro desta circunferência ele podia ver e ser visto por Alic Sirp com seus indefectíveis bobs na cabeça.

            Era principalmente por isto, que ele agora estava muito feliz em ter conseguido sair de casa e de acampar naquele lugar sobrenatural, mesmo que para isso tivesse que trazer junto Alic Sirp, os bobs e o centro geométrico do universo.        

Autor: miltonbarao@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/09/2008 - 11:16

A seita da Grã Ordem da Lamparina Sagrada

A Seita da Grã Ordem da Lamparina Sagrada – Parte XII

 

A Mecânica Quântica é muito estranha.

Os caras que estudam Física ou Matemática também são muito estranhos. Geralmente são uns lunáticos, com alguma deficiência visual, que precisam de óculos com lentes bem grossas, para evitar que se choquem uns com os outros nas suas reuniões para decidir o futuro do universo.

Nestas reuniões, quando não estão se chocando uns contra os outros,  eles costumam postular coisas bem estranhas.

Segundo estes lunáticos de óculos de fundo de garrafa, as partículas primordiais que compõem a matéria , entre muitas propriedades estranhas , tem uma que se chama “emaranhamento”. Este fenômeno se dá quanto duas partículas  tem ligações intrínsecas entre si, mesmo quando estão afastadas no espaço. A medição das propriedades de uma, implica no comportamento da outra. Quanto estão emaranhados, um fóton que tem um determinado valor de rotação spin, determina que o seu par também tenha este mesmo valor e em direção oposta. Então se colocarmos pra rodar um pedacinho de matéria aqui neste lado desinteressante da galáxia, e mandarmos o outro pedacinho pra depois de Betelguese, a quinhentos mil anos-luz de distancia, significa que o pedacinho imediatamente vai começar a girar, embora em sentido oposto e num lugar bem mais divertido e interessante do que aqui.

Este tipo de coisa não  parece ter nenhuma utilidade pratica, mas ilustra bem o relacionamento existente entre o grande Ramis Seomis e Oarabotlim.

Como um par de partículas emaranhadas , eles eram grandes parceiros. Formavam uma dupla coesa e inseparável. Tinham harmonia nesta bipolaridade. Eram duas unidades em sincronia com a amplitude de um todo.

Mas não eram como estas duplinhas vulgares, que abundam por aí. Estas duplinhas insossas como Batman e Robin, Jimmi Page e Robert Plant, Wiston Churchil e Charles de Gaulle, Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Proudt e Bakunim, Claudinho e Buchecha, Bonnie e Clyde, Fátima Bernardes e Willian Bonner, Butch Cassyd e Sundance kid ou Trancao e Falafina.

Eram uma dupla peculiar.

Eram uma dupla muito, muito estranha.

Os elementos desta dupla não se completavam, como nas outras duplas, mas se anulavam.

Como partículas elementares da matéria, eles eram carregados eletricamente por cargas equivalentes mas de polaridade inversa. Desta forma , quando se chocavam – e isto acontecia muito quando estavam bêbados – se anulavam mutuamente, liberando energia em forma de palavrões e insultos.

Oarabotlim era um covarde, prepotente que se achava dono da verdade. Ramis Seomis era um desvairado, megalomaníaco que pensava não existir verdade alem da sua própria existência. Enquanto Oarabotlim se portava como um bêbado, amoral, alcoólatra, obtuso, dissimulado, irresponsável e completamente sem noção de coisa  alguma,  Ramis Seomis em contrapartida,  era  também um beberrão, calhorda, inconseqüente, fanfarrão, farsante, demente e totalmente sem o menor senso de ridículo.

Alem disto tudo, os dois tinham um jeito diferente de falar. Principalmente quando falavam entre si. Falavam como se falassem em um código particular, mas um código tão particular, que cada um tinha o seu próprio. O entendimento e a boa comunicação não eram objetivos de suas conversas. Mas no entanto suas conversas não tinham  muito conteúdo mesmo pra ser entendido, então eles conversavam muito e se davam bem. O que sobrava das coisas que eles diziam e não tinha sentido, estava codificado, e eles passavam horas conversando sem que um entendesse o que o outro queria dizer.

Ramis Seomis estava voltando com o tênis ainda sujo de cocô do pântano do sapo consultor de empresas, quando encontrou Oarabotlim semi inconsciente, escornado em cima de uma fogueira que não havia funcionado e nem dado certo:

__ E aí, Grande Incubador de Protozoários, quié que você esta fazendo deitado nesta fogueira que  não funcionou e nem deu certo?

Percebendo que Oarabotlim não se mexia, Ramis o cutucou com a ponta de seu tênis nike sujo do pântano de cocô. Como o farsante continuava imóvel, Ramis aproveitou para cutucar com os lados e com a sola do tênis também, já que era muito improvável que tivesse outra oportunidade de limpar um tênis sujo de cocô nas roupas de Oarabotlim

Autor: miltonbarao@ig.com.br - Categoria(s): Humor Tags:
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