UMA DOR – UMA SAUDADE
Euglaudston T. Celestino
Em 22.10.2009 ENSAIO
A dor é um sentimento que traduz alguma tristeza, alguma magoa algum pesar, que podem repercutir de maneira intensa ou menos intensa sobre aqueles que a possuem. Podemos qualificar esse sentimento de maneira que ele nos está afetando, se moralmente, pode-se perceber a da sensibilidade da alma atingida, caso a perda de um ente querido, por decepções causadas que nos são caras, se moralmente pode ser causada por remorso ou angustia, provocadas pela consciência, ela é o elemento capaz de elevar a criatura humana, isenta de revolta, de rancor oi desejo de vingança, pois é uma dor é o sofrimento que vivifica e purifica a alma, e nos dá o sentido da vida, quando é bem aceita e compreendida.
Mas também existe aquela dor que nos consome, tirando o nosso ânimo, nos deixando uma ferida profunda, difícil de sarar, esta dor é o principal motivo dos martírios daqueles que como eu, acredito nas pessoas, julgando que o seu próximo, recebendo o seu afeto, o seu amor, o seu carinho, a sua amizade, jamais seriam capazes de causar este sentimento, que na medicina funcional é de difícil solução, por ser a dor considerada física ou espiritual.
Dizia o poeta maior, que a dor do amor, só no amor tem cura, isto é, não no mesmo amor que gerou a dor., mas quem sabe, talvez em outro amor, aonde se vai em busca do esquecimento, procurando com este gesto, a paz de espírito, geradora de sentimentos nobres, como o de liberdade, de sensatez permanecendo assim, ao ser humano, somente alguma lembrança dos dias passados e casualmente lembrados.
A lembrança da dor, dependendo de sua intensidade, nos pode causar algum mal-estar por ter a lembrança o poder de reavivar dentro de nós, momentos de sofrimentos pelos quais não desejamos passar novamente.
No entanto, a saudade é o sentimento das recordações, dos tempos de alegria e de tristeza, dos momentos de enlevo, dos desejos, da volúpia, de ver o ente amado, de poder até personificá-lo, ai chega o momento que envolve a nossa alma e o nosso coração. Assim a saudade nos traz além da recordação, da melancolia, as marcas deixadas em nós por quem amamos, são saudades de quem vai quando ficamos, são reminiscências que nos acalenta do nascer ao final do dia.
É a saudade propagadora da nossa vontade de crescer, da nossa vontade de demonstrar ao mundo que somos capazes de vencer todas as mazelas, de ir até o cimo da montanha, para de lá, acenar para o mundo a nossa felicidade ou até quem sabe, demonstrar a nossa renuncia, por somente ter conseguido nesta vida, amealhar saudades, recordações outras que nos alentam, mas também nos fazem sofrer. Há um velho dito que diz “recordar é viver”, mas também há outro que diz “recordar o passado é sofrer duas vezes”, ambos estão corretos, dependendo da maneira pela qual nos é dado o momento de vivenciarmos o que desejamos recordar.
Este sentimento causado pela saudade, só nos vem à lembrança, quando desejamos ou até mesmo necessitamos de externar ou guardar dentro de nós, a recordação de algo que nos foi benéfico, pois jamais sentiríamos saudades de alguns momentos que nos fez infeliz, temos sim, saudades dos dias idos saudades do afeto e do carinho que nos foi dedicado, saudades dos bons momentos por nós vividos, saudade da nossa infância, das nossas fragilidades, dos nossos pensamentos, dos nossos primeiros contatos com as coisas da vida, de animais, de arvores, de folguedos, de pontos visualizados, de momentos de ébria sensação de bem-estar, da culminância de desejos mil, do resplendor da nossa puberdade, saudades da nossa juventude, saudades em fim de pessoas amadas que se foram para não mais voltar, mas que suas lembranças ficaram para sempre perpetuadas dentro de nosso coração, da nossa mente, do nosso sentimento maior, que produzira o eterno véu da minha saudade.
Sentir saudade é sem duvida uma das imensas variedades dos sentimentos que afloram o nosso espírito, é o esplendor de momentos de êxtase , que só lamentamos que estes pequenos momentos que se nos apresentam, sejam momentos efêmeros, e quão bom seria se fossem eternos, para assim, nos sentirmos fortes, e que jamais nos fossem imposta a dor de uma saudade…
E para dizer que não falei de flores, as gardênias, as rosas dálias, enfeitam o jardim da minha saudade.
