Arquivo de março, 2009
28/03/2009 - 09:36
OLHOS AZUIS
Euglaudston T. Celestino
Em 28.03.2009 – Ensaio
Mais uma vez recorro à sapiência de meu irmão pedagogo e matemático para me auxiliar neste meu caminhar pelo mundo das interpretações, coisa que, diga-se de passagem, não é fácil não, é muito difícil e até mesmo muito perigoso se trilhar esse caminho, pois ele é por demais áspero, em se tratando do nosso capitão-mor, o insigne presidente da republica de um país chamado de Brasil.
O discurso do presidente, afirmando que os culpados pela crise que se alastra pelo mundo afora, é culpa das pessoas de olhos azuis, e ai eu fiquei matutando aqui com meus botões, ora bolas, como um nordestino, cabeça chata, retirante, filho de mãe analfabeta, chegou a esta conclusão? Graças a Deus eu e demais integrantes da nossa família temos olhos castanhos claros, portanto eximidos da culpa.
Antes todos diziam que a culpa era do capitalismo, que deveríamos acabar com o capitalismo, pois o capital era a causa de todos os malefícios que assolava a humanidade, mas agora que o capitalismo sente um baque, ai recorrem a uma metáfora, dizendo que a culpa era dos olhos azuis, e dizendo isso para um inglês.
Será que o nosso presidente, nunca foi apresentado a um banqueiro, presidente ou chefe de alguma nação da China, do Japão, do Congo, da Arábia, da Líbia ou até mesmo indiano? Onde anda a sua equipe? Que não lhe soprou nos ouvidos, que até mesmo no Brasil existem variedades de cor de olhos, de pele e de cabelos?
Não dá mais para entender, se critico o Presidente Lula, sou do DEM ou PSDB, se defendo o Obama, sou um vendido ao Imperialismo Americano, se critico ou lastimo os atos e palavras da abominável extrema-direita, sou chamado de esquerdinho, ou um viúvo dos militares, se falo que uma pessoa foi injustiçada, seja quem for, vem logo um engraçadinho para dizer que só defendo porque a pessoa é filiada ao Partido dos Trabalhadores, que, aliás, de trabalhadores só tem o nome.
Mas haja o que houver ainda se olha neste país pelo prisma do retrovisor, qualquer malefício ainda é por culpa do regime militar, é a tal afamada herança maldita.
Ainda bem que não podem nos culpar pela crise, não temos olhos azuis, somos cabeças chatas, filhos de país alfabetizados e não migramos para o Sudeste, continuamos aqui na nossa terrinha, essa querida terra de Iracema e Tupã.
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27/03/2009 - 16:32
ENCONTRO E DESENCONTRO
Euglaudston T. Celestino
Em 27.03.2009 – Ensaio
Um certo amigo, confiou-me as suas apreensões com o seu destino amoroso, para poder entendê-lo vamos então conceitua-lo na escada da vida, homem já maduro, profundo conhecedor da raça humana, douto em história geral, amante das letras e da cultura, apolítico por vocação, sempre debruçado nos livros, talvez em busca de uma resposta para os males que sempre afligiram os casais, tornou-se escravo de sua formação, gentil por natureza, primando sempre pelo modo mais gentil de amenizar as coisas, mas também muito aguerrido no seu modo de ser e de agir.
Assim sendo, conheceu uma senhora muito bonita, de fácil afluência na língua pátria, e que tudo indicava ser o par perfeito para que esse senhor tivesse o seu merecido apreço e a formalização de seus ideais, este namoro começou por troca de e-mail, vamos assim dizer, depois a amizade foi crescendo e tomando forma, era a consecução de um casal perfeito.
E assim envaidecidos, viviam unidos como dois cisnes brancos, camaradas, nas águas prateadas de um lago azul marinho, seus destinos suaves como o som de um violino, parecia invejar o mais profundo e felizardo coração do mundo.
Viviam a trocar juras de amor eterno, mas este amor foi se tornando abrasador, e a chama da paixão, foram tomando conta de seus corações, e em um dado momento, assim sem se esperar, estavam os dois envolvidos no mais tênue amor de suas vidas.
Ela, jamais tinha possuído ou imaginado um amor assim, e foi tomando posse, foi abrangendo o seu território, não dando sequer uma margem para que esse meu amigo tomasse uma atitude, os telefonemas se amiudavam, as mensagens no celular eram constantes, umas doze por dia, e os telefonemas era o que mais martirizava o meu amigo, pois se estava dirigindo, em um transito caótico, o celular tocava, se estava a cumprir o seu mister de mestre, o celular tocava, se estava preparando alguma aula, o celular tocava, se estava no almoço, o celular tocava, e no jantar, na noite, era uma verdadeira chuva de ligações, ele então resolveu dar um basta em tudo isso, queria a sua liberdade de volta, e não mais aceitou atender aos telefonemas e nem ver mensagens, era um alivio que ele estava a necessitar.
Foi assim que ele conseguiu ter um pouco de paz, e não se deixar vencer por um domínio pleno ou útil de seu corpo e de sua alma.
E para que não digam que eu não falei de flores, posso dizer que ao mesmo tempo em que enfeitam a vida, enfeitam a morte.
E os meus alfarrábios foram levados pelas correntezas da vida…
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24/03/2009 - 15:31
O CONHECIMENTO
Euglaudston T. Celestino
Em 24.03.2009 – Ensaio
Contava-me um amigo da sua indignação por não mais saber o que de fato representa o nosso idioma, principalmente agora com a tão badalada reforma ortográfica, isso nos leva a um momento de reflexão, será que esta reforma encontrou de fato e de direito, soluções para todos os problemas de nosso idioma? Ou será que apenas amenizou o pensamento obtuso de que se faz de nosso idioma? Então vejamos alguns conceitos que nos remete a esta reflexão.
Perguntei a um estudante de direito, qual a palavra da língua portuguesa que tinha o plural inserido no meio da palavra, ele se esforçou, mas não conseguiu dizer, a mesma pergunta foi feita a uma pedagoga, ela não soube também responder, esta pergunta foi sendo feita a varias outras categorias de formandos, não sabiam, então resolvi perguntar a pedagoga, qual o plural de “qualquer” ela sem maiores rodeio, respondeu de pronto “qualqueres”, vejam bem, aonde chega o desconhecimento, ai eu disse apenas, que o plural de qualquer é quaisquer, onde ficou comprovado que o plural estava de fato no meio da palavra.
Mas revendo o pensamento, me veio outra palavra com grafia idêntica, mas com sentidos diferentes – Eulália e Eulalia, se tiramos o acento, fica difícil de compreender, vejamos – Eulália, nome próprio personativo, feminino do singular, enquanto “eulalia” significa boa maneira de falar, boa dicção.
Revendo ainda os entraves de nossa língua, temos termos que nos faz pensar duas vezes antes de pronunciar, mesmo sabendo que esta correta, por exemplo: – A calça de bota, e a bota se calça.
Os verbos “Ver” e “Vender” também nos causa alguma estranheza, por exemplo – Só vendo, vendo, não vendo não vendo, são palavras análogas, mas com significados diferentes – Só vendo (verbo vender) Não vendo (verbo ver), não vendo (verbo vender).
Palavras que ditas se pronunciam com bastante hegemonia, vejamos assim se diz sacre (grande canhão antigo) e sacri, com o sentido de sagrado, sacrificar, sacrifício.
Assim sendo, resolvi pedir a ajuda do meu irmão pedagogo/matemático, para ajudar-me na volta a minha alfabetização, pois do jeito que as coisas andam não sei como escrever palavras homogêneas em sua grafia.
E para não dizer que eu não falei de flores, os jardins das minhas saudades estão repletos de dálias, crisântemos e rosas, para que elas possam enfeitar o meu caminho para o inesperado…
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14/03/2009 - 17:26
OS MISTÉRIOS DO AMOR
Euglaudston T. Celestino
Em 14.03.2009 – Ensaio
Contou-me um amigo e pediu-me guardar segredo de seu nome, pois tratava-se de um caso de amor frustrado, onde ele contava os meandros de um amor que nasceu de um entendimento de idéias, e que aos poucos foi ganhando forma e se agigantando, parecendo que ambos iriam ao céu de tanta felicidade.
Meu amigo, vinha de um relacionamento um pouco conturbado, o qual lhe tinha deixado marcas indeléveis, que o levou a um retiro sonoro e por demais enclausurado, haja vista que ele não sabia mais onde e como acreditar no próximo.
Diga-se de passagem, que este meu amigo é um capricorniano cônscio de seus deveres e de suas obrigações, nunca deixando para o amanhã o que tinha de realizar hoje, levava uma vida esculpida no profissionalismo de sua profissão, era por assim dizer, um abengado.
Gostando de discutir o seu lema preferido,” o ensino no Brasil” e fazia da leitura o seu cotidiano, buscando nos livros, os métodos para a sustentação de dever maior para com a pátria, o ensino que sempre julgou deteriorado pelos políticos e politiqueiros que invadem de uma maneira cruel o solo pátrio.
Esse amigo, foi narrando a sua desventura, chegando a dizer que a sua bem-amada estava ocupando todas as suas horas, não podendo mais atender aos ditames de sua profissão, pois era tamanha a vontade de dialogar que chegava as raias do impossível.
Essa jovem, recebia os carinhos e dele resolveu tomar conta, não lhe deixando nenhuma alternativa, fazendo o sistema telefônico uma arma de pressão, estava assim esse meu amigo quase que impossibilitado de dirigir, de almoçar, de preparar o seu material para a formatação de seu ideário, era uma constantes os telefonemas e mensagens que recebia a cada instante.
Então, sentindo-se prejudicado, não tendo mais opção, recorreu ao silencio, no intuito de assim poder respirar com mais calma, lamentando assim, que tenha sido mal interpretado, mas o motivo maior de seu recuo foi somente para não se deixar dominar por um método de amor que o levaria com certeza a um lugar onde ele não desejava chegar, pois a posse para ele não leva a denominador algum, muito pelo contrario, o método de poder respirar com mais calma, é benéfico e o deixa a espera que num futuro próximo, possa então voltar a viver…
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02/03/2009 - 20:10
CONFIDÊNCIAS
Euglaudston T. Celestino
Em, 02.01.2008 (Ensaio)
Já te falei sobre filosofia, pedagogia, história, sobre a Grécia, sobre Atenas, dos gregos aos troianos, das cidades e campos do nosso Brasil.
Já te contei sobre política e políticos, dos grandes homens que na pátria existem, dos nefastos e dos corruptos, do pluralismo eloqüente dos políticos, dos sem teto, dos sem comida, dos sem saúde, dos sem terra.
Já te contei das aventuras das estradas da vida, da imensidão dos tempos, dos colibris, das aves de arribação, das flores, das florestas, das cidades e dos campos.
Já te contei sobre as calmarias, sobre os ventos que sopram na madrugada, sobre o nascer do sol, sobre o raiar do dia, sobre os boêmios, sobre canções emanadas do senso dos inebriados pelo amor.
Já te contei dos amores e das amantes, das aventuras do trovador e do boêmio, do laço de fita e da flor que desabrocha nos campos, das campinas e seus verdes matagais.
Já te contei dos caminhos percorridos, do gênero humano, da sapiência dos ignorantes, da evolução do espírito.
Já te contei das raridades de pensamentos, da ótica de Sócrates, Platão, de René Descartes, de Honoré de Balsac, do sol, da lua e do mar.
Já te contei que as serras estão cansadas de subir, que os rios perderam os seus destinos, que a paz não nasce, que os homens foram decapitados pelo dinheiro, que o dinheiro é a moral do século.
Já te contei que as lavadeiras têm as suas canções preferidas, que o matuto, o homem rude do sertão, tem uma ótica diferenciada do homem citadino.
Já te contei que nas estradas, veredas e caminhos, o medo se evoluma, tanto nas subidas quanto nas descidas, que o voar dos pássaros é um enlevo de poesia.
Já te contei do aprendizado, dos testes, das lacunas, dos horizontes e dos confins, da alegria e da tristeza, da saudade dos tempos idos que não voltam mais.
Já te contei dos exílios e dos exilados, das torturas e dos torturados, do poder que dizem emanar do povo, das máscaras e dos mascarados.
Já te contei da primavera, do outono, do inverno, do verão, da aurora boreal, do silêncio dos inocentes, da algazarra, das festas e comemorações.
Já te contei da graça maior do sorriso de uma criança, da vontade de aprender, de perdoar e ser perdoado, do direito do saber, da vontade de aprender.
Mas não te contei que a solidão nos conduz à tristeza, que a falta de carinho nos conduz à saudade, que o desamor é a causa maior do mal de toda a humanidade.
Mas não te contei das noites mal dormidas, das incompreensões e dos incompreendidos.
Mas não te contei das dificuldades do dia-a-dia, de pensamentos trágicos, das damas da sociedade, do envolvimento com falsos amigos, da melancolia e do desprazer.
Mas não te contei do momento do chorar e do sorrir, do esquecer, do lembrar, das incompreenções sofridas.
Mas não te contei dos meus dias idos, dos pensamentos, sonhos e quimeras, da grandiosidade e da pequinês dos povos.
Mas não te contei, vou te contar, eu vi o nascer do século vinte e um, do florir do terceiro milênio, e que estou esperançoso de que dias melhores hão de vir…
Não te contei, das noites mal dormidas, do meu apego pelo que de melhor existe no ser humano.
Não te contei que acho que toda mulher é sem sombra de dúvidas o mais sublime dos ideais.
Não te contei, mas será que a humanidade poderá um dia ser considerada como a dadiva do criador, por sua ingerência neutra nos assuntos inerentes a perpetuação da espécie…
Não te contei… Um dia hei de te contar…
A vida não dá nem empresta. Não se comove nem se apieda. Só retribui o que lhe oferecemos…
enviada por Euglaudston
Autor: euglaudston@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria
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