Não sei até que ponto o sonho possa ter influência na vida e no cotidiano de uma pessoa, razão pela qual muitas das vezes, nos julgamos impotentes perante a realização deste conteúdo e ficamos a pensar como seria bom se todos pudessem ser realizados.
Podemos até sonhar acordados, vivenciando assim, talvez um desejo inconteste da nossa mente, dos nossos desejos, da nossa fantasia e da nossa imaginação.
O caso aqui narrado tem muito de ficção, pois já estamos no limiar do século XXI, isto é, adentrando no Terceiro Milênio, no qual esperamos que o mundo seja modificado para o bem de toda a humanidade.
Sonhar também faz parte do nosso desejo de realizar um mundo ideal para vivermos, um mundo onde não exista os Sem Teto, os Sem Terras, os Sem Remédios, os Sem Carros, os Sem Comida, os Sem Camisas, os Sem Saúde, os Sem Escolas, etc.
Não sei se deva orgulhar-me em ter nascido em um país que por suas características geográficas pode-se dizer que é verdadeiramente um “País Continente”.
As suas variações climáticas, a interferência da nossa etnia, a sua divisão geopolítica, as suas contradições, a nossa formação, nos leva a crer que devemos fazer uma análise dos seus contrastes.
Mas falava eu de um sonho, um sonho de uma octogenária, onde divisava um Estado deste país continente, grande, poderoso, altamente industrializado, já até com status de um país dentro do próprio país, Estado esse que através de políticos natos, tinham conseguido estirpar de seu convívio a mendicância, as favelas, a marginalidade e outros vícios oriundos da imigração de nordestinos e nortistas, que formam uma grande larva de parasitas dentro deste majestoso Estado.
É um verdadeiro espelho para o resto do mundo, tudo se devendo a uma ação política voltada exclusivamente para dar continuidade ao bem estar da população.
Nesse Estado, graças à gestão benéfica de eminentes políticos, e a ação social realizada, já não se pode mais duvidar de que seja uma amostragem de um país do futuro, país dos nossos sonhos.
A ação governamental se fez sentir nestas últimas décadas, não existindo mais os sem tetos, os sem terra, os sem camisas, os sem remédios, os sem escolas, os sem saúde, etc.
As favelas foram sendo paulatinamente transformadas em conjuntos habitacionais, verdadeiras obras-de-arte.
Os mendigos foram conduzidos para abrigos dotados de toda uma infra-estrutura, de todo conforto que se poderia imaginar para os antigos desvalidos da sorte.
Os sem terra, ganharam o seu quinhão, bem como a ajuda necessária e o apoio tecnológico para o desenvolvimento para suas agriculturas e culturas de subsistência.
Os sem gado, possuem hoje às suas invernadas, os seus rebanhos são tratados por veterinários pagos pelo poder público, uma verdadeira pujança, nada ficando a dever aos latifundiários de outros Estados da Federação.
Os marginais, já não habitam em cubículos apertados em celas de Delegacias, sem condições de higiene, hoje, com a modernização prisional, eles foram aquinhoados com presídios modelo, onde trabalham em pequenas fábricas, montadas dentro do próprio estabelecimento penal, onde colherão os conhecimentos necessários para a elaboração de uma escolha de profissão, de conhecimento científico, podendo galgar desde o ensino primário, médio profissionalizante, até o nível universitário, capacitando-os assim, para a consecução de uma vida melhor, na sua volta ao convívio com a sociedade.
Os sem escolas, ganharam uma vaga em sala-de-aula, tendo inclusive, cada núcleo de ensino, o suporte financeiro e pedagógico, com fornecimento de café, merenda, almoço e jantar, ganhando inclusive meio salário mínimo, para consequentemente, ajudar o custeio familiar.
Os sem empregos, estão radiantes, as pequenas, médias e grandes empresas e indústrias, abriram suas portas para a formação de cursos profissionalizantes, em turnos, para manter os seus empregados dotados de conhecimentos, da mais avançada tecnologia existente no globo terrestre, catalisando desta forma, a mão-de-obra totalmente especializada, gerando riquezas para o país, pagando salários condignos, elevando também o nosso produto interno bruto.
Os sem remédios, foram todos atendidos pelo Plano de Assistência Médica, em hospitais públicos e particulares, devidamente credenciados, através de um cartão magnético, que lhes garantirão assistência médica e hospitalar continuada, para toda a vida.
Os sem segurança, já não podem recordar os tempos em que eram violentados nos seus direitos, hoje o cidadão é cumprimentado por policiais civis e militares, que já não vivem mais estressados, em busca de um subemprego, que lhes garantissem a ajuda necessária para o seu sustento e da sua família, eles hoje já não usam mais armas de fogo, nem mesmo o antigo cassetete, pois com um adestramento adequado, um salário condigno, uma política de ensino moderna, galgaram o direito de ser “Uma Polícia Cidadã”.
Os nordestinos e nortistas, já não usam um linguajar próprio de suas origens, todos receberam o apoio e a ajuda dos poderes constituídos, são hoje considerados verdadeiros filho da terra, gozando de amplas regalias, recebendo um tratamento especializado, foram direcionados para morarem em blocos de apartamentos, formando uma verdadeira comunidade, recebendo inclusive um “salário adaptação”, enquanto são ministrados “Cursos de Especialização”, e dimensionados como mão-de-obra, para colocação imediata no mercado de trabalho.
Hoje, esta condição de emergentes, lhes garantem até não ser chamado de “Um Nordestino”, “Um cabeça chata”, “Um Paraíba”, são chamados de” Filhos da Terra”, o que lhes garantem um status de plena cidadania.
Os aposentados, já não entram em filas quilométricas, nem de bancos nem do SUS, hoje eles ganharam um cartão magnético, com senha e horário especial para receberem às suas aposentadorias e pensões, que no decorrer do ano, vão sendo automaticamente corrigidas pelos percentuais de desvalorização monetária, ditadas pelo poder público, sendo sempre no mês de maio, data instituída como data base para a elevação de seus salários, hoje sendo chamados de “aposentados” e não mais de eternos “Vagabundos”.
Todas essas premissas me foram apresentadas por uma senhora nordestina, que de há muito escolheu este milagroso Estado, para o seu “Estado de Nascimento”, este seu sonho, talvez se deva a um minucioso estudo político-filosófico, dado a sua capacitação de enaltecer a magnitude de políticos como Paulo Maluf, Celso Pitta, Orestes Quércia, que a seu ver, possuem uma visão político-administrativa voltada para o bem-estar dos menos favorecidos, inclusive enaltecendo as qualidades destes três grandes formadores de eficazes administrações públicas.
As antigas favelas foram demolidas, mas alguma foi preservada como “Patrimônio Histórico”, para que as gerações futuras pudessem ver como era antes, a vida de uma pequena parcela da população, quando ainda não se falava e nem se conhecia políticos capazes de transformar, como verdadeiros “mágicos”, misérias em riquezas, de uma população dantes sofrida, hoje soerguida, graças ao apoio despretensioso destes aguerridos homens públicos.
Mas, como em todo o sonho, há o momento do acordar, ela acordou, verificando que tudo não tinha passado de um maravilhoso sonho, um sonho lindo, mas que era não somente o sonho desta octogenária, mas o sonho do povo do Brasil.