Novo Doblò recebeu uma maquiagem para ficar semelhante ao modelo europeu, mas plataforma é a mesma (Foto: Divulgação)
O carro ‘estranho’ da Fiat - como a própria marca define - caiu nas graças dos brasileiros e surpreendeu até mesmo a fabricante no número de vendas. Lançado em 2001, o furgão de passeio vende atualmente quase três vezes mais do que o único concorrente direto no mercado: o Renault Kangoo 1.6 (R$ 43.590).
A boa diferença deu tranquilidade para a Fiat mudar o ‘jeitão’ do Doblò somente nove anos após a estreia do modelo no país. Apesar de trazer apenas retoques no visual, a tacada da marca são as novas versões com motor 1.4, o mesmo que já equipa o Palio, o Punto e a Strada. A nova motorização visa principalmente os taxistas que privilegiam preço, espaço e economia de combustível.
Na traseira, as mudanças são mais discretas, como novos desenho dos faróis e suporte para estepe. (Foto: Divulgação)
Com o propulsor 1.4, agora são seis versões disponíveis, sendo quatro modelos destinados ao transporte de passageiros (1.4, 1.4 ELX, 1.8 HLX, 1.8 Adventure Locker) e dois para carga (1.4 Cargo e 1.8 Cargo). A versão de entrada tem preço sugerido de R$ 48.950 e chega a R$ 59.680 na topo de linha, a Adventure Locker, equipada com motor 1.8 e responsável por 55% do mix de vendas do furgão.
A tentativa da marca foi deixar o nosso Doblò parecido com o modelo que roda na Europa. Há algumas semelhanças, como as linhas da carroceria mais inclinadas, formatos mais arredondados, grade frontal e para-choques remodelados e os novos conjuntos óticos dianteiro e traseiro. Mas só. A plataforma do modelo nacional continua a mesma e muito distinta da versão europeia. E, de acordo com a Fiat, permanecerá assim.
Cabine recebe bem até sete passageiros com bom espaço para as pernas e circulação (Foto: Divulgação)
Sem mudanças profundas, os defeitos e as qualidades são os mesmos. Se o visual ‘diferente’ não agrada a todos, na cabine é unânime a satisfação de quem está a bordo. O acesso é facilitado pelas portas corrediças e há espaço de sobra para até sete passageiros ou 665 litros de bagagem. A altura de 1,85 m do furgão da Fiat possibilita também a locomoção dos ocupantes dentro do veículo.
Ao volante, esqueça a posição de dirigir dos automóveis convencionais. Guiar um Doblò lembra um caminhão, pela posição elevada do assento (mesmo sem ajuste de altura), o volante inclinado, a alavanca do câmbio no painel, os retrovisores externos verticais e a imensa área envidraçada na dianteira e nas laterais. A visibilidade é comprometida apenas na traseira, por causa do formato da carroceria.
A vida a bordo também é facilitada pelos porta-objetos, copos e garrafas espalhados por todo o interior. O acabamento, que foi melhorado com revestimentos em todas as colunas, novos grafismos para o quadro de instrumentos e novos tecidos para os assentos, tem um bom aspecto, apesar de algumas rebarbas.
Rodando, o motor 1.8 flex de 114 cavalos tem disposição de sobra para empurrar o carro de 1.330 kg. Mas com o propulsor 1.4, de 86 cv com álcool, falta fôlego ao furgão, principalmente com o ar-condicionado ligado. Vale a pena pela economia. Segundo a Fiat, o consumo do motor menor é de 12,2 km/l de gasolina no ciclo urbano, contra 10,8 km/l do motor 1.8.
Portas corrediças facilitam o acesso ao interior. (Foto: Divulgação)
Pelo preço e espaço, o Doblò é uma boa opção para famílias grandes, já que custa menos do que as minivans. O Chevrolet Zafira, que também tem capacidade para até sete passageiros, parte de R$ 54.313, uma diferença de mais de R$ 5 mil para o furgão.
Durante a apresentação do novo Doblò, a Fiat, que mais uma vez deve fechar o ano como líder de vendas de veículos no Brasil, anunciou outros 20 lançamentos para 2010. Quase dois modelos por mês. Haja mercado.
Carro avisa quando motorista se aproxima de áreas escolares. Modelo é equipado com motores 2.5 e 3.7 V6.
Do G1, São Paulo
O novo modelo de luxo da Nissan chega ao mercado japonês, o sedã Fuga. O carro foi apresentado pelo CEO da Nissan, Toshiyuki Shiga, nesta quinta-feira (19), no Japão, sob o slogan de alta tecnologia em segurança, pois disponibiliza por meio de sistema de áudio e de uma tela avisos caso o motorista se aproxime de áreas escolares. O Fuga é equipado com motores 2.5 e 3.7 V6. (Foto: Yoshikazu Tsuno/AFP)
Grade frontal foi modificada no Sentra Flex 2010 (Foto: Divulgação)
O Nissan Sentra Flex 2010 chega ao Brasil com atualização estética e na tabela de preços. Segundo a montadora, a redução média de valor para a linha foi de R$ 1.160 — os preços sugeridos vão de R$ 53.990 a R$ 71.990. Entre os itens novos de série que equipam o carro estão a chave inteligente presencial (já encontrada na linha Livina), acendimento automático dos faróis por sensor crepuscular e sistema de áudio com entrada USB e cabo para conexão de iPod e tela colorida de 4,3″.
No visual, as três versões 2.0, 2.0 S e 2.0 SL sofreram modificações nos faróis, grade e para-choque dianteiro, teto mais curvo e traseira alta, de acordo com a versão vendida no mercado norte-americano, lançada há três meses. Na parte dianteira, a grade passa a ter três filetes contínuos e ganha um recorte na parte inferior, alinhado ao logotipo da Nissan.
Nissan Sentra Flex 2010 chega mais barato do que os outros modelos da linha (Foto: Divulgação)
O modelo continua a ser equipado com o motor 2.0 flex, que desenvolve 143 cavalos de potência tanto abastecido com gasolina como com etanol. As transmissões manual de seis velocidades (2.0 e 2.0 S) e XTRONIC® CVT (de série na 2.0 SL e opcional na versão intermediária) também permanecem.
“Os consumidores deste tipo de veículo são bastante exigentes. Querem carros modernos, bonitos, potentes e com bom custo-benefício. O Nissan Sentra sempre ofereceu tudo isto, mas a linha 2010 está ressaltando ainda mais todas as conhecidas qualidades do modelo”, afirma em nota o vice-presidente comercial da Nissan do Brasil, Tai Kawasaki.
Entre os itens novos de série o sistema de áudio com entrada USB e tela colorida de 4,3” (Foto: Divulgação)
Fernanda Montenegro faz 80 anos e conversa sobre a vida de atriz – e de vovó – com a repórter Sônia Bridi.
A transformação da atriz Fernanda Montenegro não é só na aparência. Ela caminha para os 80 anos com o passo firme. Atravessa a zona escura e chega às luzes do palco, já outra pessoa. Fernanda Montenegro passou a noite do seu aniversário no palco, sozinha com as memórias da filósofa francesa Simone de Beauvoir.
“A melhor coisa de fazer 80 anos é estar viva. É impensável, quando você tem 20 anos. Chegar aos 80 anos é como chegar a Marte, Júpiter. E um dia você chega. E foi rápido”, diz a atriz.
A memória ainda é viva, da menina que se chamava Arlete, morava no subúrbio do Rio e foi trabalhar no rádio, como locutora e redatora. De lá, foi para o teatro e a televisão. Adotou novo nome e sobrenome – Fernanda Montenegro – e encontrou Fernando Torres, companheiro na vida e na arte. Fernando morreu há um ano.
Esta é a primeira vez que Fernanda Montenegro está subindo ao palco sem a participação do marido, ou na produção, ou na direção, ou atuando. “Isso também foi ao acaso. Quando nós começamos o projeto, ele participou, inclusive, de conversas a respeito do texto. Mas, de repente, cumpriu-se”, diz ela.
A atriz já interpretou várias mulheres, viveu muitas vidas.
“Só em teleteatro, fora cerca de 400 personagens. Eu carrego tudo dessas mulheres. Todas me formaram, estão comigo. Da comédia mais barata ao personagem mais desesperado e mais trágico, é um painel de experiência humana”, define.
Um painel de clássicos brasileiros no teatro e no cinema, ao longo das décadas. Nas novelas, Fernanda Montenegro foi má e forte, como Chica Newman, de “Brilhante”, e Bia Falcão, de “Belíssima”. Foi cambalacheira, bruxa dominadora, comediante escrachada.
“Não é só o gargalhar e não é só a lágrima. Fiz comédias muito marcantes e guardo a memória delas com o mesmo calor e a mesma importância dos textos ditos graves, dramáticos ou trágicos”, assegura a atriz.
Fernanda Montenegro é a matriarca de uma família de artistas. Cláudio é diretor de cinema. Fernanda, a filha, cumpriu o destino de quem quase nasceu no palco. Maternidade e carreira nunca foram opções separadas. “Eu falo de cadeira e sem nenhum problema que, antes de mais nada, foi maravilhoso e é maravilho ter tido meus filhos. Meus filhos, meus netos, meus bisnetos são meu futuro. Se eles se desdobrarem pelo tempo, estarei no ano 3000. Eu seria muito infeliz se não tivesse tido meus filhos. Não seria uma mulher completa”, diz.
Fernanda Montenegro diz que, como avó, não gosta de estragar muito os netos. “Mas não acho que um pequeno chocolate, um pequeno arroz branco ou um pouquinho de pão branco de vez em quando esteja destituindo minha filha junto aos filhos dela”.
A avó ocupada está com o ano de 2010 já agendado. Além da peça, vai fazer uma novela, de Sílvio de Abreu, na qual será uma mulher rica, boa e mãe de Toni Ramos.
Disposta, esbelta, e de uma beleza que revela seu tempo. “Eu não sou contra a plástica. Não faria certos papéis se eu tivesse muita plástica. Eu não faria ‘Central do Brasil’”, diz.
E o Brasil não teria tido sua única atriz indicada a um Oscar. “Eu não estava concorrendo à atriz de língua estrangeira, estava no top. Sabia que não tinha condição, mas fiquei feliz de estar ali, porque tinha Meryl Streep, uma força maravilhosa. Eu estava muito bem acompanhada”, comenta.
Com Dora, de “Central do Brasil”, Fernanda Montenegro foi indicada também para o Globo de Ouro. Ganhou o prêmio de melhor atriz do festival de Berlim. E mais: “Eu ganhei o prêmio crítica americana, em um banquete em Nova York. Não foi de um jornal – foi da crítica americana”.
Fernanda recusa o título de grande dama, mas não o reconhecimento por tanta dedicação. “Acho até que sou uma boa atriz. Às vezes, há momentos em que eu digo que sou uma excelente atriz. Há momentos em que eu digo que sou uma atriz mediana. E há momentos em que eu digo que sou uma extraordinária atriz. Não vou dizer quais são esses momentos, porque às vezes outras pessoas não acham. Por exemplo, há uma pequena cena com [Giafrancesco] Guarnieri na cama, em ‘Eles não usam black-tie’, que eu acho bonita. Acho tão bonita, não só por nós dois, mas porque eu consegui passar. É uma cena mínima, de passagem, porque logo batem na porta. Eles iam começar talvez um carinho de marido e mulher naquela miséria. Eu gosto dessa cena. Acho que estava excelente nela”, comenta.
Brasileira nasceu com uma mutação genética raríssima e não sofreu nem na hora do parto.
Globo Repórter
ISABELA ASSUMPÇÃO Campina do Monte Alegre (SP)
Quantas orações pedindo uma vida sem dor. Quanta gente desesperada esperando um alívio. Mas como seria viver sem essa sensação?
Marisa Martins, de 23 anos, conta que nunca teve dor de cabeça, de dente, de barriga nem dor nas costas. “Eu queria sentir dor porque todo mundo sente”, diz.
O sol arde na pele, sem dó. Na grande plantação de batatas, o trabalho é duro. São dez horas de jornada, sem sombra, quase sem descanso. Nem a posição em que trabalha deixa Marisa com dor nas costas.
Na beira do Rio Paranapanema, sudoeste de São Paulo, Campina do Monte Alegre tem só 6 mil habitantes. Marisa é quase uma atração. Ela sabe quando faz frio ou faz calor. Pelo tato, sabe o que é macio ou áspero. Mas dor, mesmo, nenhuma. “Pode pegar uma faca e me cortar que eu não sinto”, afirma.
A vida inteira foi assim. Em uma família com cinco crianças, apenas ela e o irmão nasceram com insensibilidade congenita à dor, uma mutação genética raríssima. Médicos do Hospital das Clínicas de São Paulo estão pesquisando essa síndrome em cinco pacientes, e os exames de todos eles estão sendo analisados na Inglaterra.
“Hoje sabemos que a maior parte desses pacientes que não sentem dor tem um tipo de polineuropatia, uma doença dos nervos periféricos muito específicos, mais fininhos, que carregam a informação de dor”, esclarece o neurologista Daniel de Andrade.
Sem esse sinal de alerta, a moça carrega o corpo todo marcado por uma vida de acidentes. “Não sinto o fogo me queimar. Quando vejo, já está inflamado. Desde criança eu queimava a boca com comida quente. Agora, eu ponho a comida no prato e, enquanto estiver como fumaça, não como”, conta Marisa.
Em uma casinha pobre de um conjunto habitacional, Marisa cuida das filhas. E vai passando, sem se dar conta, pelos pequenos perigos da vida doméstica.
Marisa teve duas filhas. Raiane, de 3 anos e meio, nasceu de cesariana. Noemi, de 1 ano e meio, de parto normal. Nas duas vezes, a mãe não sentiu nada.
“Fui anestesiada na cesariana porque o médico ficou com medo. Eu falei para ele que não sinto dor e não precisava de anestesia. Não senti nada no parto normal também. Noemi nasceu porque a médica me mandou fazer força. Se a médica não falasse, acho que eu não ia fazer força porque não estava sentido ela nascer. Na hora, eu estava dormindo”, lembra Marisa, que simplesmente não percebe quando se machuca, só se o ferimento infeccionar e causar febre.
“Quando ela tem febre, procuramos alguma parte do corpo machucada. Se ela tiver febre, pode ver que tem algum dedo destroncado, algum corte inflamado, algum prego no pé”, conta o marido de Marisa, Givanildo Toledo.
“Eu não me acho diferente das outras pessoas porque faço tudo que todo mundo faz. Não tenho vergonha, nunca tive. Para mim, está tudo normal”, diz Marisa.
Na sua simplicidade, Marisa vai seguindo a vida e esperando o dia que em que possa ter pelo menos um pouquinho daquilo que ninguém quer: dor.
Agências do Itaú e do Unibanco. (Foto: Reprodução)
Três tradicionais marcas de bancos brasileiros têm suas aposentadorias marcadas para o próximo ano. Comprados recentemente, Banco Real e Nossa Caixa deixarão de aparecer nas fachadas das agências, sendo substituídos pelas marcas do Santander e do Banco do Brasil, respectivamente. Após um processo de fusão com o Itaú, o nome Unibanco segue pelo mesmo caminho.
“No mercado financeiro, há uma certa tendência de manter a marca mais forte apenas”, explica Flavia Ghisi, da FIA. Desde que o Banco Central controla o setor, já “sumiram” do país cerca de 600 bancos e suas respectivas marcas. Entre elas, muitas que foram fortes e das quais a população ainda lembra – casos do Bamerindus, Nacional, Econômico e Banespa (veja infográfico abaixo).
Santander-Real
No Banco Real, a substituição da marca pela do Santander – que adquiriu o ABN Amro, então dono do Real, em uma operação global em conjunto com outros dois bancos europeus em 2008 – está marcada para o segundo semestre, segundo o diretor executivo de Estratégia da Marca e Comunicação Corporativa do grupo, Fernando Martins. “Isso já vinha do início, consolidar (a marca do banco) em torno da marca Santander”, diz.
A complexa estratégia do Santander para substituir o nome Banco Real já começou, com a divulgação de anúncios. O objetivo dessas peças, admite o banco, é agregar à marca Santander a imagem positiva do Real, conhecido por suas práticas de sustentabilidade.
“O que estamos fazendo é transferir os atributos da marca Real para o Santander”, diz Fernando Martins. “O Real traz talvez um lado um pouco mais relacional, visão de mundo, mas o Santander também agrega muito, traz um modelo de gestão muito moderno. A marca Real não se encerra, o que vai mudar é o nome”.
Agência do Banco Santader no país (Foto: Agência Estado)
“O Santander em termos de marca era visto como banco bastante agressivo, com bastante centralização. Já o Real é muito conhecido pela sustentabilidade. Então estão tentando fazer uma transição de reforçar isso para o Santander”, diz a professora da FIA. “A unificação é para consolidar em termos de posicionamento do banco, que é ser global”.
No Banco do Brasil, o processo de “aposentadoria” da marca Nossa Caixa – também comprada em 2008 -, com presença forte no estado de São Paulo, ainda vem sendo discutido, segundo Hugo Paiva, gerente executivo da Direção de Marketing e Comunicação do BB. “A idéia nossa é que qualquer movimento que se faça seja feito depois de estudos, de pesquisa. Já estamos fazendo estudo nesse sentido, sobre como essa marca se comporta na percepção dos consumidores”, diz.
Outro executivo do banco, no entanto, confirmou ao G1 que a substituição da marca Nossa Caixa pelo Banco do Brasil nas agências vai ocorrer “ao longo do ano que vem”, sem dar detalhes sobre o processo. Especula-se que as primeiras agências do banco paulista devam ser convertidas em BB já no princípio de janeiro.
O processo, no entanto, não será o mesmo para o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), também adquirido pelo BB. Isso porque, contratualmente, o Banco do Brasil se comprometeu a manter a marca por cinco anos.
Itaú Unibanco
Procurado pelo G1, o Itaú Unibanco não quis falar sobre o futuro de suas marcas. Mas em teleconferência com jornalistas sobre os resultados do terceiro trimestre deste ano, o diretor executivo de Controladoria do banco, Silvio de Carvalho, afirmou que vai prevalecer a marca Itaú. O processo de conversão das agências deve terminar até o final de 2010.
Segundo o consultor em branding da Global Brands, José Roberto Martins, a marca Unibanco está com os dias contados: “a adoção do nome Itaú Unibanco foi protocolar, na comunicação institucional. Deve permanecer por um tempo, mas é certeza que vai sumir (a marca Unibanco). Tanto que a semana seguinte (do anúncio da fusão) já deixaram de usar o ‘nem parece banco’ (slogan da publicidade do Unibanco)”, avalia.
“O Itaú vale hoje R$ 9,878 bilhões. O Unibanco vale R$ 1,691 bilhões. Então geralmente você mantém a marca mais valorizada. Continua fazendo sentido a estratégia de manter só o Itaú, que tem uma marca muito mais reconhecida, mesmo sendo o Unibanco uma das marcas mais fortes (no país)”, concorda Flavia Ghisi.
O Itaú tem histórico em “aposentar” bancos. Desde 1995, entraram para a lista, entre outros, o Banco Francês e Brasileiro (BFB), Banerj, Bemge, BEG e BankBoston.
Segundo José Roberto Martins, da Global Brands, é esperado que “sobrem” apenas grandes marcas: “as pequenas são incorporadas e o que deve permanecer é a política de comunicação da marca que pretende competir no setor. As grandes marcas acabam sobressaindo em relação às outras, independente do prestígio (da marca adquirida)”, afirma.
Documentos mantidos em sigilo pela Câmara revelam que empresas com endereços inexistentes são beneficiárias de verba indenizatória de R$ 15 mil, informa reportagem de Alan Gripp e Ranier Bragon publicada neste domingo na Folha(íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL). A verba indenizatória é um adicional mensal pago aos parlamentares para despesas relacionadas a sua atividade.
A Folha teve acesso por via judicial a 70 mil notas fiscais referentes aos quatro últimos meses de 2008, que justificaram reembolsos de supostos gastos de deputados federais. Tais notas apresentam endereços fictícios e empresas desconhecidas ou clandestinas.
Os parlamentares que usaram essas notas confirmam que os serviços foram prestados. Um deles é o deputado Marcio Junqueira (DEM-RR), que foi reembolsado mensalmente em cerca de R$ 15 mil pelo aluguel de carros da PVC Multimarcas. A empresa foi aberta há pouco mais de um ano e emitiu ao parlamentar notas de numeração inferior a dez, o que indica que Junqueira seja, talvez, seu único cliente. O proprietário da empresa é Victor Korst, advogado do deputado.
A partir de abril de 2009 a Câmara começou a divulgar na internet os dados da verba indenizatória usada pelos parlamentares. Desde então Junqueira parou de solicitar os reembolsos.
Entre as empresas que mais emitiram notas, para dez deputados e ex-deputados, está a SC Comunicações e Eventos, cujas notas somam R$ 115 mil. De acordo com o documento, a empresa funcionaria em uma casa simples em Luziânia (GO). O dono do imóvel que corresponde ao endereço oficial garante que nele nunca funcionou uma empresa.
O proprietário da SC é o assessor do deputado João Durval (PDT-BA), Umberto de Campos Goularte, que explica o endereço inexistente como consequência de um erro de seu contador. Segundo o próprio Goularte, as notas foram dadas por serviços prestados de assessoria de imprensa –atividade para a qual os parlamentares recebem verba específica de R$ 60 mil por mês.
Em 2001, o Congresso criou a verba indenizatória, adicional mensal no valor de R$ 15 mil para despesas de trabalho. O salário de um deputado é de R$ 16,5 mil.
Após 15 anos de pesquisas, vem à luz a melhor obra já feita sobre o pintor holandês. Ela reúne manuscritos e desenhos que se tornaram exuberantes telas Natália Rangel
Foi no dia 23 de dezembro de 1888 que o pintor expressionista holandês Vincent Van Gogh (1853-1890) sofreu a sua primeira grave crise psiquiátrica que o levou a cortar o lóbulo da orelha esquerda e, em seguida, ser hospitalizado numa clínica na cidade francesa de Arles. O surto eclodiu pouco depois de uma briga entre ele e o artista francês Paul Gauguin. O desenrolar desses fatos está na monumental obra “Vincent Van Gogh: The Letters” (Vicent Van Gogh: As Cartas), da editora inglesa Thames and Hudson, que levou 15 anos para ser concluída e possui seis volumes organizados pelos pesquisadores Leo Jansen, Hans Luijten e Nienke Bakker. Além de reunir 902 cartas, a obra se diferencia ao revelar mais de três centenas de desenhos do artista, entre eles muitos esboços do que viriam a ser suas obras-primas. Do trágico episódio da briga e internação fica-se sabendo que Gauguin deixou o amigo ao temer o seu temperamento agressivo e estava se dirigindo a um hotel quando Van Gogh o abordou com uma navalha em punho. “O meu olhar naquele momento deve ter sido poderoso porque ele baixou a cabeça e seguiu em direção a sua casa”, escreveu Gauguin.
O semeador O desenho com comentários do próprio pintor que gerou a famosa tela
O livro também reproduz o registro da polícia de Arles, em que consta que, naquela madrugada, Van Gogh foi a um bordel, chamou por uma cortesã de nome Raquel, entregou- lhe a parte amputada de sua orelha e lhe disse: “Guarde isso com muito cuidado.” Ele partiu. A polícia o socorreu em sua residência.
Desse fatídico Natal em diante, Van Gogh teria muitas crises, mas produziria centenas de telas – e muitas delas aparecem esboçadas em cartas ao irmão Theo. Foi nesse período que o pintor criou as primeiras versões de “Girassóis”, “O Semeador” e “O Quarto de Arles”. Essas cartas contêm desenhos e comentários sobre suas inspirações artísticas e literárias, nelas pedia dinheiro e expressava opiniões críticas em relação ao trabalho de outros pintores. “O
Comedores de batata Van Gogh inspirou-se nas tavernas de Arles
que Rubens sabe fazer é retratar à perfeição uma rainha ou um estadista”, anotou ele sobre o pintor Peter Paul Rubens, a quem não lhe agradava o realismo excessivo de alguns trabalhos. Van Gogh também pedia ao irmão material para pintar e são frequentes as epístolas que começam dizendo “obrigado pelos 50 francos que me enviou na última missiva”. A última carta escrita por ele, também endereçada a Theo, data de 27 de julho de 1890 e foi encontrada no bolso de sua calça quando de seu suicídio com um tiro no peito. Nela Van Gogh refletia sobre seu trabalho com cores, falava dos campos de trigo e dos belos dias de sol que vinham fazendo em Arles. Theo morreria três meses depois, vítima da sífilis. A publicação desse magistral livro coincide com a exposição “As Cartas de Van Gogh: O Artista Fala”, aberta na Holanda. É o início das homenagens pelos 120 anos da morte de um dos mais geniais e angustiados artistas da história da humanidade.
Como é a vida no presídio modelo de Minas Gerais onde as detentas podem ser mães com dignidade
Suzane G. Frutuoso, de Vespasiano (MG)
ACOLHEDOR – Mães e bebês no corredor que leva aos alojamentos
O pequeno e calmo G*, de apenas 9 dias, nem abre os olhos durante o passeio no colo da mãe, Carla, numa manhã de sol em um pátio de paredes cor-de-rosa. Y, 12 dias, mama com vontade, enquanto Francislaine acaricia o cabelo macio da filha recémnascida. Sorridente e esperta, M.L., 1 ano e 2 meses, faz gracinhas para Wagnéia, que, em troca, enche a menina de beijos e abraços. Doces cenas entre mulheres e seus bebês, que remetem a um dia tranquilo num parque ou numa praça ensolarada. Mas, na verdade, elas estão num lugar onde ninguém gostaria de criar um filho: um presídio. Por sorte, são detentas do Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, em Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Inaugurada em janeiro, é a primeira unidade do País com condições dignas de receber presas com filhos de até 1 ano. Uma iniciativa que faz do Estado pioneiro de um movimento pela humanização dentro do sistema prisional brasileiro, abarrotado com cerca de 30 mil mulheres num total de 470 mil confinados. O número de presas cresce 11% ao ano, enquanto o de homens aumenta a um ritmo de 4%. A expansão da população carcerária feminina trouxe o desafio evidente de lidar com cada vez mais detentas grávidas ou com filhos pequenos.
Com 47 mulheres acompanhadas de seus bebês, o Centro de Referência é livre de celas e grades nos seus quatro mil metros quadrados cercados por árvores. São alojamentos com até oito camas e oito berços, que permanecem de portas abertas, dando acesso à brinquedoteca, aos banheiros, à área para banho de sol, ao espaço com tevê. Nas paredes, fotos da família – inclusive de outros filhos – e desenhos de personagens infantis como decoração. Nos corredores, ouve-se o chorinho delicado e os gritinhos alegres dos pequenos, à vontade no lar que conhecem desde que nasceram. No alto das portas, bonequinhos coloridos com dizeres como “Seja bem-vindo”, tal qual nas maternidades tradicionais. O espaço alugado foi no passado uma clínica psiquiátrica. A reforma custou ao governo estadual R$ 150 mil. E a demanda é tão expressiva que as gestantes já nem vão mais para lá (apesar do nome). Elas permanecem em uma ala no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, até darem à luz e seguirem com suas crianças para o centro. A ideia é ampliar o local no ano que vem, para oferecer 100 vagas e ter capacidade para receber também as grávidas.